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Anime/Manga » Inuyasha » Uma Canção para a Eternidade
Naru-L
Author of 72 Stories
Rated: T - Portuguese - Romance/Humor - Inuyasha & Kagome - Reviews: 683 - Updated: 03-22-08 - Published: 01-06-04 - Complete - id:1675555

Making love of nothing at all


Música – Making love of nothing at all ( Air Suplay)

Fanfic – Naru-L

N.A. – Depois de longos 4 anos, eis que eu consigo finalmente terminar este fanfic!

Mais tarde, provavelmente só amanhã, postarei uma nota maior no meu Livejournal, mas para àquelas muito preguiçosas ou esquecidas, deixarei este recado aqui:

Muito. MUITO obrigada por me acompanhar por todo este tempo. Reviews, e-mails, agradecimentos e cobranças. Ok, as cobranças nem sempre me deixaram feliz, mas faz parte! XP

Espero sinceramente que tenha valido a pena todo esse tempo e carinho que me dispensaram, e que você gostem do final.

Beijos à todas!

Naru-L

P.s. - Eu revisei apenas rapidamente para postar hoje, então perdoem qualquer erro horrível que tenha passado. :(


Alguns meses depois

Kagome remexeu-se no assento, torcendo os dedos nervosamente. Fitou o palco escuro novamente, batendo o pé impacientemente no chão. Não conseguia entender a razão por terem expulsado-a dos bastidores. Por outro lado era quase reconfortante estar em um lugar conhecido, mesmo que Kouga houvesse feito tantas mudanças no que a poucos anos atrás fora só um pequeno bar.

- Muito difícil?

A garota virou lentamente a cabeça, fitando Kikyou confusa.

- Estar deste lado do palco. – Kikyou sorriu, apontando o palco escuro. – Quando foi a última vez?

- Muito tempo. – Kagome sorriu, voltando o olhar ansioso para o palco escuro. – Eles não estão atrasados?

- Não. – Kikyou pousou uma mão sobre as da outra garota. – Só parece mais tempo porque você não está lá com eles.

Kagome concordou com um aceno, fechou os olhos e tentou relaxar. Repirou fundo antes de fitar o tecido da saia, e começar a alisá-la para se distrair. Quanto tempo faltava até que eles finalmente começassem? InuYasha a impedira que colocar o relógio, e não queria perguntar a Kikyou. A outra garota já estava se divertindo demais com sua tortura sem precisar ouvi-la perguntar as horas a cada cinco minutos.

Um sorriso curvou seus lábios ao ouvir o coro das pessoas falando Shikon no Tama, algumas gritavam os nomes dos integrantes. Aquilo, mais do que qualquer outra coisa, a fez relaxar. A sensação de que tinha realizado um trabalho, depois de todo àquele tempo. 'Quase três anos.'

A mão procurou instintivamente pelo pingente em seu pescoço. Os dedos acariciaram o pequeno violão, e seu sorriso aumentou. Tudo ficaria bem agora.

As luzes piscaram, e Kagome empertigou o corpo. O coração pareceu pular em seu peito antes de acelerar. Os acordes conhecidos soaram, e ela pode ver os vultos do grupo entrando no palco e tomando posição.

- Já ouviu a nova música? – A voz de Kikyou soou próxima de seu ouvido. Era a única maneira de ser ouvida agora que a multidão gritava ansiosa pelo início da apresentação.

- Não... – Kagome suspirou – InuYasha disse que era surpresa. – Sorriu, balançando a cabeça. – Mas ouvi a melodia até decorar, ouvi escondido enquanto ele compunha.

A voz de InuYasha soou, parecendo responder ao que ela tinha dito. Apenas uma estrofe antes que parasse.

I know just how to whisper
And I know just how to cry
I know just where to find the answers
And I know just how to lie

(Eu sei como sussurrar

E eu sei como chorar

Eu sei onde encontrar as respostas

E eu sei como mentir)

Kagome piscou quando o holofote iluminou a figura no centro do palco. Ele parecia tímido, quase como se estivesse fazendo algo que não devia. Observou-o virar-se para a direita, e ela quase pôde ver a expressão de Sesshoumaru. Algo estava errado, eles não deviam parar. Tentou não se preocupar, e continuou em silêncio, esperando o que viria a seguir.

InuYasha girou os olhos, contrariado. Pegou o microfone e fitou o público. Kagome sorriu, duvidava que ele estivesse vendo muita coisa com aquela luz intensa sobre os olhos.

- Boa noite, minna.

Kagome estremeceu quando as pessoas responderam. Um coro alto e cheio de energia. Observou o resto do palco, os outros continuavam parados, esperando por algo. Voltou a fitar InuYasha, as roupas que escolhera usar naquela noite, as duas faixas escuras que cobriam o que restara das cicatrizes em seus pulsos. A única lembrança do episódio com Naraku.

- Eu normalmente não faço isso. – InuYasha continuou, chamando a atenção de Kagome para seu rosto novamente. – Falar em vez de cantar. – Ele fez uma careta. – Já me disseram que não consigo falar sem ofender, e minha adorável agente não ficaria feliz se depois de todo o trabalho duro, eu acabasse ofendendo e espantando todos os fãs.

- Seu grande idiota. – Kagome murmurou, corando. – Pare de falar bobagens!

As pessoas riram, e Kagome suspirou. InuYasha continuou.

- Nós concordamos que deveríamos dizer algo nesta apresentação. A primeira depois de tantos meses. – InuYasha tirou o microfone do pedestal e caminhou lentamente pelo palco, sem nunca deixar de olhar para as pessoas na platéia. – Eu preferia que um dos outros falasse, mas como roubaram meu violão e me ameaçaram... Não tive outra alternativa a não ser relutantemente aceitar.

- Vou matá-lo. – Kagome fechou os olhos, ignorando Kikyou rindo a seu lado.

- Pare de enrolar, idiota. - Sesshoumaru lançou um olhar irritado para o irmão.

- Certo. – InuYasha se afastou do irmão mais velho e parou no centro do palco novamente. – Nós gostaríamos de agradecer o apoio de todos vocês. Alguns que nos prestigiam desde o início, e outros que nos conheceram a pouco tempo.

"Não há como esconder que houve muitas pedras em nosso caminho, e não nos sentimos tristes pelos pequenos acidentes e desvios no percurso. Conhecemos pessoas maravilhosas, desde o início, desde antes de sermos conhecidos."

Kagome abriu os olhos lentamente, fitando InuYasha curiosa.

"Muitas pessoas foram importantes para que estivéssemos aqui hoje. Mesmo aquele lobo estúpido que nos pagava uma miséria para tocar aqui algumas noites por semana."

As pessoas riram novamente, pareciam, assim como Kagome, hipnotizadas por ouvir InuYasha falar.

"Não posso negar que tentei me afastar da música. A principio a pedido de minha ex-namorada. Ela achava que eu esquecia do resto do mundo quando tinha um microfone por perto ou meu violão nos braços..."

As pessoas emitiram um som de surpresa, e Kagome riu quando Kikyou se encolheu a seu lado.

- Não posso culpá-la. É realmente difícil conviver comigo quando estou concentrado em alguma música.

- Ninguém vai negar isso. – A voz de Sangô soou no microfone. E InuYasha virou em sua direção com um olhar de aviso.

- Mas muita coisa seria diferente se isso não tivesse acontecido. Talvez eu não tivesse composto tantas músicas se não tivesse me afastado por um tempo. Quem sabe? Talvez Sangô não estivesse conosco hoje. – InuYasha sorriu maldosamente e virou novamente para a garota. – Isso não seria tão ruim... Será que podemos voltar no tempo?

- Engraçadinho. – Sangô cruzou os braços, dando-lhe as costas, e as pessoas riram novamente.

- Estou brincando, é claro. Não seriamos o Shikon no Tama sem nossa adorável Sangô – InuYasha voltou a atenção para o público novamente. – Eu não estaria aqui hoje se Sangô não tivesse nos apresentado a Higurashi Records. E outra pessoa não tivesse se apaixonado por mim quando me viu cantar.

Kagome piscou, corando novamente. Encolheu-se, imaginando se alguém a reconheceria misturada às pessoas. 'Acho que vou jogar Buyo em cima dele quando voltarmos para casa.'

- Convencido!

"Eu não posso de deixar de agradecer a todas as pessoas que fazem ou fizeram parte da minha vida. Algumas tornaram as coisas mais fáceis, outras me trouxeram muitos problemas, mas o que importa é que eu não teria me transformado no que sou hoje sem todas e cada uma delas."

- Quanto tempo você acha que ele vai continuar falando? – Kikyou perguntou baixinho.

- Ele deveria cantar, não ficar falando bobagens. – Kagome respondeu.

- O Shikon no Tama agradece a todos. A todas as pessoas que nos apoiaram, que continuam nos apoiando. Os fãs, empresários, e a família. – InuYasha sorriu novamente. – Acreditem, não há nada mais difícil que deixar as pessoas que amamos para fazer shows.

"Não estou dizendo que não gostamos, existe pouca coisa que nos deixa mais feliz do que compor e nos apresentar, mas é difícil. Nós agradecemos a todos, e vocês deveriam agradecê-los também."

A melodia conhecida recomeçou, e InuYasha fez uma pequena pausa, esperando que a gravação reproduzisse a própria voz. As palavras ecoaram no bar, e acalmou as pessoas.

And I know the night is fading
And I know the time's gonna fly
And I'm never gonna tell you everything I gotta tell you
But I know I gotta give it a try

(E eu sei que a noite está acabando

E eu que o tempo vai voar

E sei que nunca direi tudo o que preciso dizer

Mas eu sei que preciso tentar)

A música parou por completo. Obviamente um sinal que o discurso terminara, mas ignorando a deixa, InuYasha continuou.

- Estão cansados de me ouvir falar? – InuYasha deu de ombros. – Culpem meu irmão por me chantagear para que fizesse isso. – InuYasha apontou para o vulto a direita e a luz iluminou Sesshoumaru. – Consolem-se com o fato de que não vou repetir tal comportamento, e vocês provavelmente apenas ouvirão minha voz cantando depois desta noite.

"Estou chegando ao fim, felizmente para vocês. Eu gostaria que todos parabenizassem Miroku e Sangô por finalmente se acertarem. Não acham que esse casamento demorou demais? – Dois novos feixes de luz iluminaram o casal – Sei que pareceu uma eternidade de brigas para nós."

'Acho que vão matá-lo se não parar logo.' Kagome pensou, observando os olhares assassinos que o grupo lançava para InuYasha. O público pareceu não notar esse fato e apenas gritou felicitações para o casal.

- Talvez eles só quisessem me fazer pagar por dar tanto trabalho. – InuYasha sorriu – Pessoalmente, quero dar os parabéns a minha cunhada Rin. Sei que não é difícil aturar meu irmão vinte e quatro horas por dia. Não se enganem com o rostinho bonito! – Os olhos de InuYasha brilharam divertidos quando Sesshoumaru deu um passo em sua direção. – A única resposta que consigo encontrar para se submeter a tal tortura é que ela realmente o ama muito.

"Finalizando, quero agradecer a minha agente, Kagome Higurashi. Sem seu amor, apoio e paciência eu teria desistido de tudo a muito tempo atrás. – InuYasha ergueu a mão, pousando-a sobre as sobrancelhas, sorriu quando finalmente a encontrou. – Muito obrigado, Kagome. Por ter acreditado em mim. Por ter se apaixonado por mim."

Kagome estremeceu, finalmente sorrindo. A voz dele suavizara no final do pequeno discurso e fizera seu coração acelerar. No momento ela mal podia lembrar do resto das tolices que ele dissera, e o perdoaria por qualquer coisa se ele simplesmente parasse de falar.

- Obrigado por me permitir amá-la, Kagome. – InuYasha fez um sinal, e os acordes começaram a soar.

A intensidade da luz diminuiu, e o grupo pareceu ser engolido pela escuridão.

Kagome sentiu o peito apertar enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas. 'Por que esse idiota não diz coisas assim quando estamos sozinhos?' Baixou a cabeça, tentando enxugar as lágrimas disfarçadamente.

A música a deixava inquieta, cada palavra dita pela voz de InuYasha parecendo ser dirigida diretamente para ela. Lentamente ergueu a cabeça, observando-o cantar. As pessoas pareciam realmente hipnotizadas por ele todas às vezes que se apresentava. Duvidava que se importassem pelo discurso demorado, e as bobagens que ele havia proferido.

And know just where to touch you
And I know just what to prove
I know when to pull you closer
And I know when to let you loose

(E eu sei onde tocá-la

E eu sei o que provar

Eu sei quando puxá-la para perto de mim

E eu sei quando libertá-la)

'Seu maldito tolo!' Ela sorriu, apenas percebendo que se aproximava do palco quando Kikyou segurou seu braço. Fitou a outra garota confusa, tentando decifrar o que ela tentava lhe dizer.

- Não estou entendendo...

- Vá. Encontrá-lo. – Kikyou falou pausadamente. Movendo os lábios de forma exagerada na tentativa de se fazer entender.

Kagome piscou, baixando os olhos para a mão que segurava seu braço. Levantou a cabeça, encarando a outra garota interrogativamente.

- Seja feliz, Kagome. – Kikyou disse antes de soltá-la.

A garota sorriu, tentando não derramar mais lágrimas. Concordou com um acendo enfático e se afastou correndo assim que Kikyou a soltou. A voz de InuYasha soava alto em seus ouvidos, o tom rouco quase como se cantasse apenas para ela.

'E não foi sempre assim?' Sorriu consigo mesma, abrindo caminho entre as pessoas. Imaginando se os guardas a deixariam passar uma vez que estava sem as credenciais. Depois de tanto tempo, duvidava que ainda conhecesse todos.

And I know the roads to riches
And I know the ways to fame
I know all the rules and then I know how break them
And I always know the name of the game

(E conheço a estrada para a riqueza

E eu sei o caminho para a fama

Eu conheço todas as regras e sei como quebrá-las

E eu sempre sei o nome do jogo)

'InuYasha idiota. Sempre me dando trabalho.' Parou ao se aproximar guardas que impediam a passagem para os bastidores. Encarou a dupla que ocultava a porta, imaginando o que poderia falar. Balançou a cabeça, abrindo a bolsa e revirando seu conteúdo, a procura de algum documento.

A porta abriu atrás dos dois seguranças sem que Kagome percebesse. Eles se afastaram para dar passagem e a garota morena sorriu, ficando na ponta dos pés para murmurar algo para a dupla que a fitou duvidosa.

- Está tudo bem.

Kagome finalmente ergueu a cabeça, desanimada por não encontrar a carteira. Podia apostar que InuYasha a retirara de sua bolsa para impedi-la de ir aos bastidores. Qual era o problema dele afinal? Não conseguia entender aquela estúpida insistência em fazê-la assistir ao show da platéia como se fosse apenas uma fã. 'Não sou apenas mais uma fã!'

- Algum problema?

- Rin. – Kagome piscou, reconhecendo a figura que se aproximava. – O que está...?

- Eu sempre quis assistir a um show. Sua mãe se ofereceu para cuidar de Kiseki. – A garota sorriu, pegando a mão de Kagome e puxando-a na direção da porta. – Já falei com eles.

- Mas... – Kagome acompanhou a garota que ameaçava arrastá-la. – Pensei que todos concordavam com o plano estúpido de InuYasha.

- Eu concordei. – Rin continuou a puxá-la, guiando-a até a lateral do palco. – Mas isso foi antes dele fazer aquele discurso idiota. Acho que é mais seguro deixá-la entrar para protegê-lo dos outros.

Kagome riu baixinho. Agora que finalmente estava onde queria, não sabia o que fazer. Parecia diferente ouvi-lo dali. A voz era a mesma, mas o impacto da apresentação era diferente. Não podia fitá-lo livremente como fizera antes.

Sorriu. Nunca teria visto todas as pequenas reações se estivesse acompanhando tudo da lateral do palco. Nunca teria sentido a satisfação de vê-lo procurá-la entre todas as outras pessoas, e o sorriso iluminar seu rosto quando a encontrou.

Odiava admitir, mas...'Maldição, ele estava certo.'

I can make tonight forever
Or I can make it disappear by the dawn
And I can make you every promise that's ever been made
And I can make all your demons be gone

(Eu posso fazer esta noite eterna

Ou posso fazê-la desaparecer ao amanhecer

E posso te fazer cada promessa que já foi feita

E posso acabar com todos os seus demônios)

InuYasha continuou a cantar, sem perceber que ela tinha conseguido chegar até ali. Deveria estar seguro de que ela não conseguiria passar pelos seguranças sem documentos. 'Manipulador idiota.'

O sorriso aumentou quando ele aproximou-se do público, e por um momento pareceu confuso por não encontrá-la no lugar que estivera antes. Deu um passo para trás, escondendo-se nas sombras. Não conseguia entender a razão por fazer tal coisa, talvez apenas não quisesse que ele descobrisse que havia desobedecido. Novamente.

Sorriu quando ele caminhou pelo palco enquanto cantava, procurando por ela disfarçadamente. InuYasha parecia irritado e frustrado. Na verdade, a maneira como caminhava, se aproximando do final do palco, a fazia pensar que a qualquer momento ele pularia no meio do público apenas para procurar por ela.

Riu sozinha ao imaginar a cena. Será que ele não pensava no que as fãs fariam se ele realmente pulasse no meio delas? Buyo e suas armadilhas não seriam nada comparado com isso.

Balançou a cabeça, ele realmente havia mudado naqueles anos. Ainda era o mesmo teimoso impulsivo, mas havia aprendido a controlar-se. Não iria pular no meio da platéia, esquecendo sua obrigação, apenas para procurá-la. InuYasha não era mais o mesmo.

Seus olhos desviaram-se do cantor, e ela fitou cada um demoradamente. Nenhum deles era o mesmo de quando haviam começado.

- 'The beating of my heart is a drum and it's lost and it's looking for a rhythm like you.'

Miroku continuaria o mesmo tolo, errando e provavelmente apanhando de Sangô, mas finalmente encontrara o que procurava. Certas coisas nunca mudavam. Sorriu, imaginando se a prima gostaria realmente que ele mudasse completamente e se transformasse em alguém sério e comportado.

'Não, isso seria tedioso demais.'

- 'I can make tonight forever or I can make it disappear by the dawn.'

Sesshoumaru não precisava sorrir o tempo todo para demonstrar o que sentia, de certa forma seu comportamento havia mudado. Com certeza continuaria se mostrando indiferente a qualquer um, mas não hesitaria em fazer o que era necessário para demonstrar o quanto as pessoas a sua volta eram importante.

'Sesshoumaru sempre será... Sesshoumaru.'

- 'You can take the darkness from the deep of the night and turn it to a beacon burning endlessly bright'

Kikyou, ou ela mesma. Podiam dizer que não haviam mudado nada? Apesar de não fazerem exatamente parte da banda, poderiam dizer que não haviam mudado naqueles anos apenas por fazerem parte de suas vidas?

Olhou para o local que a outra garota estava, e sorriu. Sabia que ela havia amado InuYasha, talvez tanto quanto ela mesma o amava. Mas será que seriam felizes juntos se ela não tivesse aparecido?

Sabendo como tudo terminara facilmente, mesmo que pudesse apenas ser sua própria consciência falando para se sentir menos culpada, os dois nunca seriam felizes. Ao menos sem fazer o outro sofrer.

- 'I know just how to fake it and I know just how to scheme.'

Não podia deixar de pensar em si mesma, e nos infinitos problemas e decepções que enfrentara. Cada acontecimento a fizera amadurecer, seus sentimentos se intensificarem. Ela não era mais a mesma Kagome Higurashi que acompanhara o avô até aquele pequeno bar à pedido da prima. Não era mais apenas aquela sombra sem confiança que não tinha coragem de fazer nada sozinha.

- 'I know just when to face the truth and then I know just when to dream.'

Sim, ela também havia mudado. Não tinha mais medo de enfrentar a verdade, mesmo que tivesse certeza que havia uma chance de se magoar.

Havia sido difícil, mas todos haviam conseguido. Chegar ao final com a certeza que não importava quanto obstáculos houvessem no caminho, havia alguém em que podiam confiar.

Não importava se a pessoa a seu lado era uma nova garota, quase uma intrusa no peculiar grupo de amigos.

"– Vou chamar a garota nova. – Miroku sorriu despreocupadamente, e caminhou para a parte de trás do palco. Tropeçou em algo que não havia percebido no chão e trombou com alguém. Seu cérebro apenas registrou as curvas femininas que suas mãos usavam como apoio quando ela gritou.

- Tire as mãos de mim!

- Perdoe-me, eu apenas... – Parou de falar quando a garota o empurrou com força.

HENTAI! – Ela gritou novamente, erguendo a mão e acertando seu rosto. – Se acha que vou fazer qualquer coisa para conseguir...

Não é isso...Eu apenas...

Afaste–se de mim!"

Ou alguém que raramente sorria, ou demonstrava preocupação com os outros:

"– Eu sei que você não tem consideração pelos outros, irmãozinho... Mas, se importa de não acordar o prédio inteiro em suas noites de insônia?

Não ouvi você entrar. E não lhe dei uma chave reserva para que ficasse me assustando durante a noite.

Acredite, não era essa a minha intenção principal. Ouvi você tocando e imaginei que também não conseguia dormir.

Está tendo problemas para dormir?

Coisas demais para pensar... Engraçado como quando você pensa estar imune a algo, a vida vem lhe provar o contrário...

A que você pensou que estava imune?

Sentimentos? Enganos?

Então, você não é perfeito? Que decepção."

Talvez alguém levemente tolo, que tinha uma estranha obsessão:

"– Eles são tão lindos juntos... Acho que deveriam casar agora mesmo! Posso realizar a cerimônia se quiserem...

Miroku... Você não pode realizar cerimônias de casamento.

Por que não?

Porque você não é membro de nenhuma igreja... Existe toda uma burocracia necessária até que alguém seja capaz de realizar cerimônias de casamento... Não basta apenas querer.

Ah...entendi. Acha que posso fazer isso? Eu poderia estudar e me tornar um monge ou algo do tipo... E ai realizaria a cerimônia...

Pela última vez, Miroku. Você não pode realizar cerimônias de casamento de ninguém. Agora pare com isso.

Posso realizar nossa cerimônia de casamento?

Não. Primeiro porque ainda não me pediu para que eu tivesse a chance de recusar e segundo porque é simplesmente impossível de se realizar o próprio casamento!

Ah... pensarei em outra forma, então...

Juro que nunca o vi idiota desse jeito

Ele apenas está feliz e bebeu 'um pouquinho' demais

Espero que não se repita ou eu vou ser obrigada a matá–lo. O que houve?

Não acredito nisso...

Eu sempre pensei que ele estava fingindo...

Ahn... Sangô... – Kagome murmurou e apontou para Miroku. Sangô virou lentamente, a tempo de ver o namorado correr na direção de a uma estatua de gelo em cima de uma das mesas.

PATO DE GELO!"

E outro alguém especial, de paciência curta com um inexplicável problema com o animal de estimação:

"– Pode me dizer o que está resmungando baixinho, InuYasha? Você está praticamente rosnando...

Não estou rosnando para você. – Ele olhou para o gato disfarçadamente antes de desviar os olhos para o painel que mostrava os números dos andares.

Está rosnando para Buyo?

Já deu um nome a "isso"?

Não chame Buyo de "isso"

Posso chamá–lo de "gato"? "Bichano"? Pulguento!

InuYasha... Você está tentando me irritar ou está apenas tendo mais um dos seus ataques de idiotice?

Não posso dar um apelido? Carinhoso, é claro.

Você é um idiota. Se não queria um gato por que me deixou ir até lá e trazê–lo?

Porque você parecia feliz com a idéia. Posso me acostumar com essa coisa se faz você feliz.

Você não está feliz com ele aqui... Posso levá–lo para minha mãe, Souta mudou para um apartamento –

Fique com Buyo, Kagome. Apesar dele aparentemente me odiar...

Ele não odeia você, seu grande tolo. Deve estar com fome, é só.

Ele rosnou para mim.

Gatos não rosnam, InuYasha.

Esse rosnou... Ele me odeia!

E você tem medo que ele o ataque durante a noite? É apenas um filhote, InuYasha.

Quero vê–la rir quando ele me atacar. Não importa o que você diga, ele não vai dormir no quarto conosco."

Deveria se incluir entre as pessoas com quem os outros poderiam sempre contar?

"– Está esperando alguém vir te buscar?

Não sou uma criança que não saiba voltar para casa sozinho.

Então por que está sentado como uma?

Não é da sua conta.

Se você diz. – Ela falou dando de ombros.

O que você está fazendo aqui?

Não me informaram que eu teria que lhe dar satisfação do que faço ou deixo de fazer. Desde que eu pague para entrar e pelo que consumir, não—

Era uma resposta simples e não um discurso o que eu desejava. Já perdi o interesse.

Quer dizer que estava interessado antes?

Na verdade, não.

Ótimo. Assim não ficará decepcionado por eu não lhe contar.

Então, você não é apenas mais um rostinho bonito... Tem cérebro também.

Não muito, já que aprovei vocês."

Suspirou, encostando-se ao pilar. Nenhum deles era os mesmos do início, mas isso não tornava as coisas piores, ou mudava os sentimentos que os ligavam. Na verdade, tudo o que havia acontecido apenas os unira.

- "But I'm never gonna make it without you"

Kagome sorriu, endireitando o corpo e dando um passo para dentro do palco, tendo o cuidado de se manter nas sombras. Algumas pessoas notaram o movimento, mas assim como ela, estavam mais interessadas no rapaz de cabelos prateados, cantando com aquela voz rouca e gentil. Algo raro que era guardado apenas para quando estava realizando sua maior paixão.

Em momentos como este, ela conseguia parcialmente entender como Kikyou se sentira quando ainda estavam juntos. Não podia dizer que era fácil ou que sentia total indiferença ao vê-lo pronunciar palavras, às vezes doces e românticas, com aquela voz que a fazia sentir-se derreter por dentro, para uma multidão de estranhas. Mas ao contrário de Kikyou ela tinha certeza dos sentimentos dele por ela, e apesar das pontadas incomodas de ciúmes, sentia-se realmente feliz por tudo aquilo, principalmente por ser parte do sucesso de InuYasha.

Algumas pessoas mais próximas pareceram reconhecê-la, e ela se escondeu novamente quando as viu apontarem em sua direção.

Respirou fundo, recrimando-se por sua tolice. Quantas vezes dissera que ele precisava ser profissional ao entrar no palco? Não estivera pensando em brigar com InuYasha por aquele pequeno discurso idiota antes do show? Não fora essa a desculpa que repetira mentalmente para si mesma enquanto deixava a platéia e se infiltrava nos bastidores? Impedi-lo de continuar fazendo papel de idiota?

- "Do you really wanna see me crawl ?"

- Não. – Cobriu a boca com as mãos ao perceber que a palavra escapara de seus lábios. Sabia que ninguém a ouviria com o som da música ressoando em cada parte do lugar, mas mesmo assim não pode conter o movimento involuntário.

- "And Im never gonna make it like you do"

Agora ela estava mesmo arrependida de seu rompante. Estava perdendo a maior parte da apresentação porque nem ao menos conseguia se manter quieta nos bastidores a ponto de assistir sem ser notada.

- "Making love out of nothing at all."

Fechou os olhos e respirou fundo antes de colocar a cabeça para fora de seu esconderijo improvisado e observar o final da apresentação. Apertou o pano grosso da cortina com força, e por um momento pensou que fosse arrancá-lo. Seria o final perfeito para sua idiotice: Desmontar parte do palco.

Forçou-se a soltar a cortina e esperou impacientemente pelo coro final da música, sem saber o que fazer. Não participara dos planos para aquela apresentação em particular, mas com certeza eles não cantariam apenas uma música.

O som de aplausos a despertou, e sem perceber, ela deixou o esconderijo, pensando em voltar rapidamente para seu lugar sem ser notada. As luzes se apagaram repentinamente, e, pega de surpresa, ela tropeçou em algo que não soube distinguir. Suas mãos tentaram agarrar a cortina que esperava estivesse por perto, mas antes que conseguisse um par de braços a agarrou pela cintura.

O perfume conhecido a atingiu e ela reconheceu seu dono antes que ele sussurrasse em seu ouvido.

- Eu deveria saber que não cumpriria sua palavra.

Kagome relaxou nos braços de InuYasha, permitindo-se encostar em seu peito. Um pequeno sorriso curvou seus lábios, e suas mãos pousaram sobre as dele.

- Posso dizer o mesmo de você! – Tentou soar zangada para distraí-lo. – O que foi aquele discurso idiota no começo?

- Apenas me certificando de que não me obriguem mais a fazer discursos. – InuYasha sorriu convencido e a virou em seus braços no momento que acordes conhecidos de um de seus primeiros sucessos começou a tocar. – Não consegue ficar longe de mim, não é?

- Convencido. – Kagome murmurou, tocando sua franja e afastando-a da frente dos olhos dourados. – O que está fazendo aqui? Volte para o palco!

- Impedindo que você destrua o palco. – Ele segurou sua mão e beijou a palma. – Kouga provavelmente nos cobraria pelo estrago. Ou me obrigaria a tocar de graça por toda a eternidade aqui.

- Você se importaria?

- De cantar de graça por toda a eternidade? Não.– InuYasha beijou seus lábios delicadamente e forçou-se a se afastar. – Mas não aqui.

Kagome o encarou confusa, e pensou em segui-lo quando as luzes voltaram a se acender, lembrando-a de onde estava. Parou frustrada e o fitou em silêncio. Observou-o pegar o microfone das mãos de Sesshoumaru e piscar para ela.

- Mas prefiro cantar uma canção para você pela eternidade.

Kagome corou, sem conseguir conter o sorriso bobo que tomou conta de seus lábios.

Sim, muitas coisas haviam mudado naqueles anos, mas não conseguia achar que nenhuma delas tivesse sido ruim porque sem todos os problemas, sofrimentos, separações e brigas, eles não teriam terminado daquela forma.

- Vou esperar ansiosa pela canção, InuYasha. – Empertigou o corpo, e virou-se para deixar os bastidores. – E não cansarei de ouvi-la, seja qual for,... – Completou para si mesma. – Por toda a eternidade.

Final!

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