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Anime/Manga » Inuyasha » Um caminho para dois
Analoguec
Author of 38 Stories
Rated: T - Portuguese - Romance/Humor - Sesshomaru & Rin - Reviews: 1,120 - Updated: 08-06-11 - Published: 01-10-04 - id:1681329

Nota da autora: Tá, eu demorei. Sofri um acidente e tou sem andar. Blá blá blá, tou melhorando, blá blá blá, não posso ficar muito tempo em frente ao pc, blá.

Eu peço realmente desculpas pelas atualizações esporádicas, apesar de ela estar quase finalizada no computador, mas estou me dedicando ao término da tradução de um fanfiction, o nome é In a different light :) Pra quem não conhece, ela foi escrita por uma autora americana chamada TheMave minha história Rin & Sesshoumaru favorita ever, e depois de tantos anos finalmente estou acabando a tradução. Se você ainda não leu, corre que tá quase pra acabar, huahauhaua.

Agradeço aos comentários recebidos, e espero que gostem do capítulo. O próximo é inédito, mesmo aos que já leram a história antes.

Comentem se puderem :)


UM CAMINHO PARA DOIS

CAPÍTULO 24

O caminho por entre as magnólias

Duas semanas depois:

Rin estava contente.

Com a cabeça pousada em cima da mesa do centro acadêmico, ela pacientemente aguardava pela chegada de Sesshoumaru, que acabara de tirar "férias" do estágio obrigatório. Ela já havia feito o dela em semestres passados enquanto ainda estava em Nagoya, e parecia agora que aquilo era uma péssima escolha. Ela passava mais tempo sozinha enquanto os colegas, incluindo Miroku e Sango, estavam trabalhando.

Mas ele prometera que passaria na faculdade naquele dia e pediu para que Rin o esperasse na sala para poderem passar o tempo juntos.

Além disso, a garota estava aniversariando, mais um motivo para ficar junto dele. Ele prometera que faria o dia ser especial. E era por isso que estava contente.

-Sesshoumaru... – ela murmurou, sorrindo depois de orelha a orelha.

-Chamou? – uma voz já conhecida soou na sala.

A garota arregalou os olhos e viu o namorado entrar na sala silenciosamente, depois trancar a porta e aproximar-se calmamente.

-Eu... – Rin continuou sorrindo, sentindo rosto queimar – Só estava pensando alto.

-Pensando alto a meu respeito? – ele arqueou as sobrancelhas.

Rin fez um movimento afirmativo com a cabeça. Sesshoumaru levantou o rosto dela e tirou a franja que encobria a testa, beijando o local depois.

-Cadê minha presilha? – ela choramingou, levantando-se e saindo de trás da mesa. Aproximou-se do rapaz e pousou as mãos nos ombros dele e fez a melhor cara de choro que conseguia – Eu quero minha presilha de volta.

-Não vai precisar dela, e ela está segura. – Sesshoumaru confirmou, colocando a mão em um dos bolsos e tirando uma caixinha de lá – Feliz aniversário.

A garota olhou interrogativamente e pegou a caixa, abrindo-a cuidadosamente e não contendo o vermelho da face ao ver o que era.

-Isso é... – ela começou, olhando para ele espantada e tirando da caixa uma corrente com um pingente em forma de crisântemo.

-Seu presente. Quer que eu coloque?

A boca de Rin abriu, mas a voz não conseguiu sair. Ela estava espantada com o fato de ter recebido um presente tão caro quanto aquele parecia ser; não que nunca tivesse recebido algo caro, mas aquele presente, vindo dele...

-Eu... Eu agradeço, mas...

-Vou colocar para você antes que complete sua frase. – Sesshoumaru pegou a corrente e fez Rin virar-se para colocar a joia no pescoço.

Rin pegou o pingente e olhou fixamente o objeto até sentir os dedos de Sesshoumaru roçando no braço, deslizando para cima e para baixo na pele.

-Você irá aceitar o presente deste Sesshoumaru, não é? – ele perguntou, não parando a carícia que fazia no braço dela.

-Hmm... Eu... Eu vou...

-Este Sesshoumaru deixou você sem jeito? – perguntou no ouvido dela – Não gostou do presente?

A garota moveu a cabeça negativamente, tentando explicar-se:

-Gostei, gostei sim. – ela se virou e sorriu docemente – É muito bonito.

-Fico satisfeito em saber.

Ficaram se encarando por segundos infinitos, até que Rin abraçou-o e descansou o rosto no peito dele.

-Obrigada. – falou, beijando o local.

Sesshoumaru a abraçou e beijou o topo da cabeça dela.

-Quando você vai devolver minha presilha? – ela ergueu o rosto e olhava-o com uma expressão de choro.

-Por que a quer de volta? Não precisa prender o cabelo.

-Eu gosto dela... – tinha sido um dos presentes caríssimo do primo Jakotsu, e de forma alguma poderia perdê-lo naquela brincadeira – Você não vai devolver?

-Eu prometo que a trarei amanhã. Mas se voltar a prender seu cabelo, vou escondê-la de novo.

Um sorriso iluminou o rosto de Rin e ela fez menção de querer beijá-lo, o que Sesshoumaru aceitou prontamente.

Lábios e línguas se encontraram, e uma sensação maravilhosa invadiu os corpos de ambos quando resolveram aprofundar o beijo e se perderem no momento. Rin sentia o corpo estremecer ao sentir as mãos de Sesshoumaru acariciando-lhe as costas, abraçando-o com mais força ao sentir a língua dele provocar-lhe cócegas na boca.

-Es... pe... Espere... – Rin murmurava entre os lábios dele – Preciso... respirar...

Rin sentiu que o rapaz abafou uma risada quando ele parou de beijá-la e começou a deslizar a ponta do nariz ao longo do pescoço dela.

-Eu trouxe o que me pediu. – ela falou, alegremente – Quer ver?

-Claro. – ele deu um beijo no ombro, mas não fez menção de soltá-la.

-Se não me soltar, não vou poder pegar... – ela mordeu o lábio quando ele começou a sugar o lóbulo da orelha direita, fechando os olhos. Que sensação boa...

-Eu não preciso ver agora. – ele falou, passando a sugar o outro lóbulo. Por um momento, ela esqueceu o motivo de estar ali... e ele parecia saber que ele tinha aquele efeito sobre ela.

Era sempre assim. Durante o tempo em que ele estava trabalhando, Sesshoumaru tinha pelo menos uma hora vaga com ela antes de voltar ao trabalho, hora essa em que eles ficavam juntos apenas... namorando. Ao que parece, ele estava tirando todo o atraso pelos longos meses de mal-entendidos que os separaram.

E naquele dia teria uma chance de aumentar a confiança entre ambos, compartilhando um pouco do passado e do presente com Sesshoumaru. Eles já haviam contado um ao outro sobre parte da infância, dos amigos e da família, e naquele dia haviam combinado de ver fotos da família de Rin.

E Rin fez Sesshoumaru prometer sob uma pena que ela não decidira ainda que ela veria fotos dele também. E ele disse que cumpriria a promessa. Eventualmente.

-Eeeei... – ela exclamou, sorrindo.

-O quê? – o rapaz perguntou, encarando-a com os serenos olhos dourados.

-Mas eu quero mostrar agora... Ontem fiquei olhando as fotos e fiquei imaginando as suas perguntas.

-Então mostre. – ele falou, soltando-a e observando-a esticar um braço e pegar a bolsa, recuperada depois de dois dias, tirando de lá um álbum de fotografias.

Rin entregou o álbum ao rapaz e este se se encostou à borda da mesa para olharem juntos as fotos.

A primeira delas era uma foto formal de alguma reunião da família, mas era realmente antiga. Muitas pessoas mais velhas e outras crianças, algo comum nesses tipos de fotos.

-Este aqui é meu pai... E esta aqui é minha mamãe. – ela apontou para duas pessoas muito idosas nas fotos – Esta aqui... Bem, disseram que sou eu, e este aqui é meu irmão.

-São bem idosos pra serem seus pais... – ele comentou, completando depressa – Sem querer ofendê-los.

-Oh, não... – ela deu um sorriso sem graça – Na verdade, eles são meus avós.

Sesshoumaru rapidamente fixou o olhar nela, arqueando as sobrancelhas.

-Bem... Estes aqui – ela apontou para duas elegantes figuras que seguravam a mão do irmão na foto e Rin, bebê, no colo – são meus pais de verdade... Mas eles morreram há muito tempo e nós fomos criados pelos nossos avós. E eu gosto de dizer que são meus pais... Eles nos criaram durante tanto tempo... Eu me sinto desconfortável em chamá-los de... bem... "vovó" e "vovô".

-Seus pais já morreram? – ele perguntou, olhando de novo a foto.

-É... Em um dos terremotos de Kobe... – ela engoliu em seco – Eu não lembro muito porque era bem pequena, mas meu irmão me contou depois... Ele sofreu mais.

"Eu conheço uma família de Nagoya... São políticos, mas parece que parte dela morreu em Kobe... Eu sei que Nozomu também é uma forte família de políticos de lá."

-Entendo... – ele olhou para outra foto, desta vez de um bebê – Meus pais também morreram há algum tempo.

-Eu já tinha ouvido falar nisso... Até porque você nunca comentou... E não me apresentou quando estudamos juntos naquele dias em sua casa. – ela deu um sorriso sem graça.

-Meu pai morreu de câncer. – Sesshoumaru percebeu que ela estremeceu quando escutou a palavra – Minha mãe morreu um ano depois de tristeza.

-Oh... – a garota ficou sem jeito – Sinto muito... Por...

-Eu tinha dezoito anos. – ele a interrompeu – Inuyasha tinha quinze.

Percebeu que ela tinha uma expressão triste

–Sinto muito. De verdade.

-Está tudo bem, minha Rin. – ele a encarou serenamente – Eu acredito que os dois estão bem juntos.

Um silêncio desconfortável pairou na sala e Sesshoumaru percebeu isso.

-Você não perguntou nada perturbador ou estranho, Rin. Não precisa ficar sentida.

Rin apenas moveu a cabeça negativamente.

-O que é que a preocupa, então?

-Você... Você não sentiu falta deles? Que dizer... Foi há tão pouco tempo... Não há uma vida inteira como eu.

-Sim, eu senti. – ele a encarava, serenamente – É sempre triste.

-E depois... você... – ela arregalou os olhos e tapou a boca antes de completar a frase.

-Eu o quê? – ele quis saber, largando o álbum sobre a mesa e trazendo-a para mais perto de si num abraço.

-Aquela... aquela louca... – ela cobriu o rosto e começou a soluçar – O que aquela louca fez com você...

-Sara? – ele adivinhou, a voz soando um pouco irritada. Por que ela tinha que estragar o dia dos dois só em mencionar o nome?

Se fosse outra pessoa... Ele esfregou a têmpora, contando até dez e dando oportunidade para Rin continuar falando. Pelo menos a voz dela o acalmava.

-Ela... aquela maluca... – Rin estava revoltada – Foi depois, né? Ela fez você sofrer de novo...

Sesshoumaru piscou duas vezes antes enxugar uma das lágrimas com um dedo e aproximar o rosto do pescoço dela para cheirar a pele.

-Há outra pessoa que está me fazendo esquecer tudo. – falou, cerrando os olhos.

-Eu não gosto de pensar no que você já passou. – ela falou, controlando o soluço – Ela deveria ser punida por tudo que fez.

-Esqueça isso. – ele falou, abrindo os olhos lentamente, beijando o pescoço e levantando o rosto para encará-la – Não entendo o porquê de ficar sentida com tudo isso.

-Você sofreu muito, sofreu demais. – ela falou, abraçando-o – E eu me odeio por saber que demorei demais para ficar assim com você.

-Odiar a si mesmo não vai mudar o que aconteceu. – ele ergueu o rosto dela – Não é importante estarmos juntos agora?

-É, mas...

-Então, esqueça tudo o que houve de ruim e vamos pensar... em nós. Sem "mas".

-Mas...

Sesshoumaru lançou-lhe um olhar reprovador e ela corou. Ele a estava repreendendo como se fosse uma criancinha, e aquele pensamento de pensar apenas neles era um pouco egoísta... Egoísta demais, se fosse analisado mais a fundo. E ele pareceu ler aquele pensamento dela, fazendo-o falar:

-É um pouco egoísta, não? – viu a garota arquear as sobrancelhas – Mas eu realmente não me importo com mais nada que passei quando percebo que estou com alguém que eu quero. – desta vez, viu Rin ficar mais vermelha – E não me importo com mais nada além de nós dois... juntos.

-Oh... – ela deu um sorriso meio sem graça, meio alegre.

O rapaz voltou a olhar as fotos, passando por algumas desinteressado e fazendo perguntas quando chegava em alguma interessante.

-Quem é este aqui? – ele perguntou ao ver a fotografia de um rapaz olhando raivosamente para os lados enquanto abraçava uma Rin totalmente desconcertada.

-É meu irmão. – ela deu um sorriso sem graça – Eu lembro que ele achava que tinha um cara me paquerando.

Sesshoumaru não riu do fato. Observava cuidadosamente as linhas do rosto do rapaz, com roupas meio rebeldes. Não parecia ser filho de uma família de políticos e muito menos irmão de alguém de aspecto tão delicado quanto Rin.

-Ele não tem cara de quem é professor de kendo. – Sesshoumaru comentou.

-Ele não faz nada... Só terminou o ensino médio e quis saber de dar aula pra ganhar dinheiro lutando.

-Entendo... – ele continuou olhando para algumas fotos – Ele me pareceu ser do tipo "irmão protetor e zangado" quando tivemos aquele "bate-papo" pelo telefone.

-E ele é... – o rosto de Rin tinha uma expressão sombria e sem graça – Sempre batia nos caras que tentavam puxar conversa comigo, surrava outros que me pediam em namoro. No jardim de infância era bem pior quando algum garoto tirava gracinha comigo.

-Uma coisa perfeitamente normal. – Sesshoumaru falou – Eu faço o mesmo com quem me aborrece.

Rin deu um leve tapa no ombro dele e depois riu.

-Ele gosta de você, por isso a protege. – o rapaz completou.

-É. – Rin fez um movimento afirmativo com a cabeça – Eu lembro que quando nossos pais morreram, ele disse que me protegeria porque só tinha...

-... apenas você como família. – ele completou, olhando para ela.

A garota concordou.

-E como ele reagiu? – ele perguntou de repente.

-"Reagiu"? – ela repetiu, surpresa com a mudança de assunto.

Ambos se encararam até Rin entender a pergunta. Claro que ele estava perguntando sobre a reação de Hakudoushi ao saber do namoro deles.

Havia apenas um detalhe: ela não havia ainda contado ao irmão.

-Hmm... – ela olhou para o chão e fazia desenhos invisíveis com a ponta do sapato – Eu ainda não... hmm... contei pra... ele.

Sesshoumaru franziu a testa. Aquilo não era nada bom...

-Não contou a ele por quê? – ele inquiriu, fazendo o possível para soar gentil. Não era o que sentia, claro.

De alguma forma, ele queria deixar bem claro a todos, sem exceção alguma, que Rin era namorada dele. E essa negativa dela dava a entender que ela estava com vergonha dele.

E ela sentiu a irritação dele.

-Por favor, não fique bravo comigo. – ela pediu, implorando com os olhos – Meu irmão não é tão compreensível quando se trata de meus relacionamentos. Ele demorou meses pra aceitar meu primeiro namorado.

-Você precisa pedir permissão para ele, Rin? – Sesshoumaru perguntou num tom tão baixo que ela sentiu um tremor de medo. Era óbvio que ele estava tentando se controlar perto dela. Lembrou bastante o dia que Sesshoumaru foi resgatá-la daquele dia horrível com Kouga.

E era uma imagem dele que nunca mais queria ver.

-Não é permissão... – ela falou num tom gentil para apaziguar a raiva dele – Ele não vê as coisas do mesmo jeito que nós dois. Ele sempre acha que alguém vai me machucar a qualquer momento, e por mais que eu diga que você não faz isso, a primeira reação dele ainda vai ser tentar espancar você por tocar o meu cabelo.

Sesshoumaru ergueu uma sobrancelha. Ele já havia passado da fase de tocar o cabelo dela. Ele já sabia que ela derretia só de ele roçar o nariz pela zona erógena do pescoço. E ainda exigia mais.

-Você vai ter que contar para sua família algum dia, sabe disso, não?

-Claro que sei! – ela franziu a testa, indignada por ele achar que ela esconderia o relacionamento deles da família dela – Só vou... adiar a notícia. Não quero ver Hakudoushi ser preso por vandalismo na casa de um parente do imperador.

Adiar por muitos meses, se necessário. Pelo menos até acabar a faculdade e voltar para Nagoya.

A resposta pareceu tranquilizar Sesshoumaru, pois ele voltou a observar as fotos. Minutos se passaram até a próxima pergunta do rapaz, justamente quando ele viu um rapaz numa das fotos abraçado a Rin.

-E este aqui?

A foto era de Rin abraçada muito intimamente com um rapaz, que pelos padrões femininos era tido como atraente. Cabelos castanhos quase louros, vestido formalmente e com aspecto respeitável, uma aparência que demonstrava caráter verdadeiro até mesmo no olhar.

-Esse é Aki. – Rin falou, depois de segundos em silêncio.

Mais um momento de silêncio se passou até que o rapaz falou:

-Eu já tinha percebido.

Ficaram desconfortavelmente calados, cada um esperando por uma pergunta ou por um comentário qualquer.

Finalmente, depois de minutos, Sesshoumaru resolveu falar:

-Quanto tempo vocês ficaram juntos?

-Quatro anos... Faríamos seis no outono.

Uma curiosidade dominava a mente do rapaz. Quatro anos era muito tempo juntos, um tempo considerável, para que um casal ficasse íntimo. Entretanto, acreditou que não era um momento apropriado para fazer tais perguntas e resolveu deixar para outra ocasião.

Apesar de sentir muito pelo fim da história dos dois, ele não gostou de ver por muito tempo a foto de outro rapaz senão ele a Rin. Virou discretamente a página do álbum, apenas para franzir a testa numa irritação para ver outra foto dos dois. Juntos. Akihito com a cabeça deitada nas pernas de Rin.

Disfarçou um rosnado numa leve tosse.

-Quantos anos ele tinha? – foi a pergunta dele.

-Hmm... Quando eu o conheci, ele estava com vinte e um anos. Eu tinha quase dezesseis quando começamos.

Desta vez, Sesshoumaru não deixou de demonstrar surpresa e arqueou as sobrancelhas.

-Seu irmão deixou que um cara cinco anos mais velho ficasse com você?

-Er... Não. – ela deu um sorriso sem graça e coçou um lado do rosto – Ficamos sem nos falar durante uns cinco dias, mas depois ele nos deixou em paz... Ele conversou com Aki, e aí ficamos juntos. Se bem que... Bem, ele não nos deixou realmente em paz porque ficava nos vigiando o tempo todo... Aki tinha muita paciência.

-E o que ele... fazia? – ele perguntou, completando o sentido da pergunta – Quer dizer, ele me parece ser um político aqui e...

-Ele estudava Direito e era filho de uma família amiga da nossa. – ela sorria docemente enquanto olhava a figura com carinho – Foi por isso que quis cursar Direito também.

-Você queria... – qual a palavra que ele deveria usar? "Casar" era forte demais, mas era a mais apropriada para o que queria saber.

-As famílias queriam que nós nos casássemos. – Rin pareceu ler os pensamentos.

-E você queria? – ele perguntou.

-Bem... – Rin coçou o rosto corado – Queria mesmo ter essas coisas de casar e viver feliz pra sempre com ele... Eu era... muito novinha. Uns sonhos bem tolos que eu tinha... – ela baixou o rosto e olhou a foto.

-E como ele morreu? – Sesshoumaru perguntou.

-Câncer. – ela respondeu sem ao menos olhá-lo.

-Quanto tempo ele...? – maldição, por que ele não conseguia completar as perguntas?

-Dois anos num quarto de hospital. – ela não deixou que ele completasse. Já sabia qual era a pergunta.

Parecia realmente arrependido de ter feito um comentário daqueles, mas Sesshoumaru nunca retiraria o que dissera. Rin era ainda uma adolescente na época, e ter aqueles sonhos de viver feliz com a pessoa de quem gostava povoava a mente da maioria das adolescentes da mesma idade.

-Na época, Hakudoushi falou que era pra preparar-me pro pior, mas eu... acreditava que ainda tinha esperança... – deu um sorriso doce, falando depois – Esse é um sonho tolo, não?

Sesshoumaru a encarou por um momento e desviou o olhar, falando:

-Não... Não é.


-Esse hambúrguer é meu! – Kagura bufava, puxando o lanche das mãos de Miroku – Dá pra mim!

-Você já comeu quatro, mulher! – Miroku rangia os dentes e puxava o lanche da mão dela – Eu também tô com fome!

-Peça um pra você! – ela reclamava.

-Esse é o quinto que eu pedi pra mim!

-Crianças, crianças... Por favor... – Sango tentava acalmá-los – É aniversário de Rin-chan...

Sango recuou ao ver o olhar mortífero que recebeu de Kagura e Miroku. Os dois voltaram a brigar e a garota deu um suspiro cansado, voltando a atenção para as outras pessoas que estavam com ela numa mesa de lanchonete.

-Desculpe, pessoal... – Sango começou – Esses dois estão nessa briga há duas semanas.

-Devolve! – Kagura exclamava.

-Não! É meeeeu! – Miroku falava com raiva.

-Tudo bem, Sango-chan. – Rin, ao lado de Sesshoumaru, falou sem graça.

-Isso é patético. – o rapaz falou, balançando a cabeça negativamente.

-Devolve!

-É meu!

-Que correntinha linda, Rin-chan. – Sango falou, admirando o detalhe do pingente – Ganhou de aniversário?

A garota moveu a cabeça afirmativamente.

-Sesshoumaru-sama me deu hoje cedo.

-Devolve!

-É meu, caramba!

-É adorável, Rin-chan. – Sango comentou.

-Obrigada. – a garota corou e olhou Sesshoumaru com carinho.

-Você é egoísta, Miroku-sama!

-Você tá reclamando de barriga cheia... Literalmente!

-Deuses... Esses dois... – Sesshoumaru já estava perdendo a paciência.

-Calma, calma... Deixe pra lá. – Rin deu um sorriso.

-Eu trouxe você aqui porque eles falaram que divertiriam você.

-Mas eu estou me divertindo, Sesshoumaru. – ela falou.

-Rin-chan, seu presente. – Sango estendeu um embrulho pequeno para Rin – Meu e de Miroku.

-Miroku-sama, me dá...!

-Você já comeu, maldição...!

Rin pegou o presente e abriu uma caixinha, não contendo uma exclamação de surpresa ao ver o que era.

-Seu egoísta!

-Sua comilona!

-Uma coleção de marcador de página! Tem de cerejeira, acácia, pinheiro...

-Achei que fosse gostar. – Sango deu um sorriso.

-E eu adorei. – Rin comentou, sorrindo - Muito obrigada, Sango-chan!

-Mal-educada!

-Seu grosso!

-Rin, podemos ir? – Sesshoumaru perdeu a serenidade – Esses dois estão me aborrecendo.

-Calma, calma... – ela riu.

-Acho bom irem mesmo, ou perderão as outras aulas. – Sango comentou, olhando o relógio – Eu ficarei com esses dois e depois voltaremos ao campus.

-Bem... – Rin parecia confusa, mas Sesshoumaru levantou-se e ficou em pé ao lado dela.

-Grossa!

-Idiota!

-Rin-chan, deixe-me abraçá-la. – Sango pediu, levantando-se.

A aniversariante fez o mesmo e abraçou a amiga, escutando o que ela dizia num sussurro:

-Ele quer ficar sozinho com você... É melhor ir ou ele ficará impaciente.

Rin olhou para o namorado e percebeu que este serenamente a observava sem se importar com os outros naquela mesa.

-Obrigada, Sango-chan... Por tudo. – Rin sussurrou.

Sango apenas sorriu e voltou a sentar-se, observando Rin estender a mão a Sesshoumaru e os dois saírem de mãos dadas da lanchonete.

-Ai, Kagura! – Miroku exclamou, massageando um braço dolorido – Que mão pesada!

Kagura já tinha engolido metade do hambúrguer quando Miroku protestou.

-Vocês dois são tão mal-educados... – Sango suspirou – Nem ao menos deram os parabéns pra Rin-chan.

-É aniversário dela? – Kagura perguntou, engolindo a outra metade e limpando os cantos da boca.

-Por que você não avisou, Sangozinha? – Miroku tinha uma expressão zangada no rosto, mas que logo desapareceu ao ver o olhar furioso da namorada – Er... Quer dizer...

-Será que aqui tem sorvete de alguma fruta tropical? – Kagura falou, levantando meio que discretamente para fugir dali.

-Caramba, agora que você falou, fiquei com vontade de experimentar... – Miroku seguiu os movimentos de Kagura.

-Vocês ainda vão ter o que merecem... – Sango falou, levantando-se para correr atrás deles.


-Já está melhor? – Rin perguntou serenamente a Sesshoumaru, este dirigindo o carro para voltar ao campus.

-Tudo está bem. – ele respondeu, não tirando os olhos da direção.

-Então por que estava com pressa pra voltar?

-Apenas quero ficar sozinho com você. – foi a resposta dele.

-Oh...

-Espero que não se importe. – ele completou, rapidamente – Mas acho que fiz bem em tirá-la de lá por causa das más influências de Houshi.

Rin conteve um sorriso e olhou para a paisagem. Viu que já estavam se aproximando do campus, mas Sesshoumaru passou direto, deixando a garota espantada.

-Ei, pra onde estamos...?

-Calma... Você já conhece o outro lado do jardim das magnólias? – ele perguntou, olhando-a rapidamente.

-N-Não...

-Vou levá-la agora. Acho que você vai gostar.

-Mas... Mas as nossas aulas...

-Estamos perto. – ele mantinha os olhos na pista – Faz parte do jardim do nosso campus, mas precisamos atravessar um muro pra chegarmos lá. Melhor ir de carro.

-Oh...

Minutos depois, Sesshoumaru parou o carro e desceu, seguido de uma Rin receosa.

-Não vamos nos atrasar, vamos?

-Não. – ele falou, pegando na mão dela e começando a caminhar juntos até um portão que dava entrada ao jardim botânico. Do outro lado de um muro, Rin podia observar alguns prédios que ainda faziam parte da propriedade da Universidade.

-Não estamos invadindo, né? – ela perguntou, mordendo o lábio ao ver Sesshoumaru conter um sorriso.

-Não, não estamos. – ele a guiou por uma trilha feita no gramado, chegando até uma área que tinha uma magnólia muito antiga.

Era um bonito jardim, e parecia que o rapaz o conhecia muito bem. O cheiro de magnólias preencheu as narinas de Rin, e ela ficou encantada com o lugar.

-Vamos nos sentar. – Sesshoumaru falou, tirando a atenção dela que no momento estava em observar o jardim.

O rapaz encostou-se no tronco da velha árvore e Rin sentou-se ao lado dele, observando a expressão tranquila que ele tinha no rosto. Ela estava com os joelhos abraçados discretamente e numa pose elegante, e encostou o rosto no ombro do rapaz.

-Já falou com seus pais hoje? – foi a pergunta dele.

Rin moveu a cabeça afirmativamente, sorrindo ao falar:

-Com Hashi também.

-"Hashi"? – ele repetiu, arqueando as sobrancelhas.

-É como nós chamamos o Hakudoushi... Ele é... – ela tapou a boca e riu discretamente – Ele come demais, daí resolvemos colocar esse apelido nele. Todo mundo o chama assim.

Ficaram em silêncio por um tempo, admirando o jardim, até que Rin resolveu mudar de posição e sentou-se sobre os próprios joelhos.

-Deite a cabeça aqui. – ela falou, apontando para as pernas. O rapaz não fez objeção e deitou-se no lugar indicado, observando o céu claro e quase sem nuvens do início da tarde.

Rin começou a passar os dedos por entre os cabelos dele, percebendo que ele fechara os olhos para aproveitar o momento.

-O que está fazendo? – ele perguntou, ainda com os olhos fechados.

-Adivinhe... – ela deu um sorriso travesso que ele não percebeu.

-Espero que não esteja fazendo aquilo. – ele abriu os olhos e estreitou-os quando encontrou os olhos brilhantes dela.

-Oh... E o que vai acontecer se eu estiver? – ela arqueou as sobrancelhas em desafio.

Sesshoumaru passou a mão no cabelo e pegou na mecha que ela segurava por entre os delicados dedos, notando que Rin fizera uma trança no cabelo dele.

-Diga "adeus" à sua presilha. – ele falou, escutando a risada dela enquanto tentava desfazer a trança.

-Você leva tudo muito a sério, sabia? – ela abaixou o rosto e deu um rápido beijo nele – Não pode ser sempre assim.

-Sua presilha nunca mais voltará às suas mãos.

-Ora... Veremos mesmo, Sesshoumaru. – ela continuou desafiando-o. E seria um desafio e tanto, considerando que precisava tomar aquela peça de volta antes de o primo fazer perguntas a respeito.

-Pode ter certeza de que nunca mais a verá. Não vai precisar mesmo prender seu cabelo.

-Eu posso procurá-la nas suas coisas... Na sua casa, quando for algum dia lá... – ela prometeu com um sorriso maligno – Ao contrário do que você pensa, eu tenho sim paciência.

-Tolice. É claro que não tem.

Rin bateu de leve no ombro dele e riu.

-Além de não ter paciência, ainda é ciumenta. – Sesshoumaru se limitou a comentar.

-Você já começou com essas brincadeiras? – ela riu ainda mais e bateu de novo no ombro dele – É verdade que aquela garota queria chamar a sua atenção!

O rapaz ergueu a sobrancelha. No dia em que eles começaram a namorar, ela reclamou da outra estagiária que trabalhava com ele, dizendo que ela deliberadamente dava atenção demais para ele. Ele bufou discretamente e deu um meio sorriso na hora, pois nunca imaginou que ela, no final das contas, foi o motivo para Rin tomar a iniciativa e se declarar, por mais que não tenha sido muito bem planejado.

-Rin, eu já falei que nem sei direito o nome dela. O nome de família me escapa da memória porque é comum demais.

Falando nisso, qual era mesmo o nome? Agome? Agumi? Ayumi?

-Ela vive com a mão dela no seu braço! – ela acusou, estreitando os olhos – Não é possível que não tenha percebido isso ainda!

Rin sentiu a mão de Sesshoumaru puxar de leve a cabeça dela para aproximá-la do rosto dele, não deixando de sorrir quando ele a fez encostar os lábios dela nos dele. Apenas fechou os olhos e aproveitou o momento, desfazendo a carranca.

Parecia que o jardim estava ajudando aos dois a ter aquele clima agradável, algo que ambos não sentiam há tempos. O cheiro das árvores era forte mesmo quando não era primavera, e os arranjos de flores tornavam a paisagem verdadeiramente romântica pra alguém como Rin.

Sesshoumaru sentiu a namorada tentando afastar o rosto e soltou-o, mas Rin mantinha-se próxima dele e abriu os olhos devagar, e o rapaz pôde notar o brilho que os olhos castanhos tinham.

-Ainda temos tempo? – ela perguntou em voz baixa.

-Alguns minutos, eu acho. – Sesshoumaru respondeu no mesmo tom e sem olhar o relógio.

-Então me beije de novo...

O rapaz inclinou de novo o rosto dela e beijou-a tão profundamente quanto das outras vezes, brincando com a língua dela, fazendo-lhe cócegas na boca, imaginando o que fazer com ela em outras ocasiões. Era muito bom estar com ela, era bom tê-la perto de si depois de tanto tempo separados.

Rin gemeu algo que ele não entendeu e Sesshoumaru teve que parar o beijo de novo.

-Acho que já está na hora, Sesshoumaru... – ela falou em tom preocupado – Vamos logo...

O rapaz levantou-se e ajudou a garota a fazer o mesmo, observando-a limpar a roupa da sujeira de folhas soltas do gramado.

-Vamos. – ele falou, passando um braço pela cintura dela.

Caminharam abraçados até chegarem ao carro, no qual Sesshoumaru destrancou e entrou primeiro, estranhando o fato de Rin ficar do lado de fora com uma expressão intrigada.

-O que foi? – ele perguntou quando ela entrou.

-Eu acho que esqueci alguma coisa... – ela falou, franzindo a testa.

-Algum trabalho?

-Não sei... – ela levou os dedos aos lábios e ficou pensativa.

Sesshoumaru deu a partida e começou a dirigir para fazer o retorno para voltar ao campus.

Quando o carro estava silencioso, Rin gritou:

-Sesshoumaru! Cadê a minha bolsa?

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