| B s . A A A | full 3/4 1/2 | E E | Light Dark |
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Capítulo XI - Confissões de Adolescente
- Brrrr! Que frio!
- Levante-se e faça exercícios, Crabbe. Vai ficar melhor assim.
- Depois! - ele olhava ao longo da cama, observando os três presentes, os únicos que haviam ali. Um era óbvio, sua mãe. Seu pai ainda estava furioso desde que ele pediu transferência. O outro, ele até achou uma certa graça. Os nomes escritos até o faziam rir um pouco.
- O que foi?
- Nada, não - ele abria o presente e, sem se importar muito com o conteúdo, leu a carta dentro dele.
"Oi
É o Goyle, feliz natal
Crabbe, aqui é a Pansy, se eu não lembro o Goyle ele se esquece do seu presente, daí como estávamos sem meios de enviar, mandamos junto o mesmo presente, espero que goste.
Feliz Natal.
Pansy Parkinson"
- Amigos seus, não?
- É... esse aqui é do Yoh, veja.
- Ah, já sei quem é. Recebi uma edição do Profeta Diário da França.
- As reportagens Inglesas são postadas aqui também?
- Só as grandes matérias, afinal, é para isso que existem os correspondentes. Veja isso aqui, "Yoh Kneen, o garoto que ressuscitou".
- Ressuscitou? – Como se o frio fosse arrebatado de sua presença, ele sente um estalo em sua coluna. – Mas... mas espera, eu... eu não sabia disso, quer dizer... mas que história é essa de...
- Ele está bem, pelo que andei lendo – a colega de classe desvia o olhar, dando-se conta de que precisava ter um pouco mais de sutileza em relação a certos assuntos. – As noticias demoram um certo tempo para serem postadas em revistas como essa – e fechava a revista, fazendo-o voltar a razão. Era uma revista com uma data de publicação, o que o acalmava.
- Engraçado, essa foto aqui me é familiar... MUITO familiar - e ficava levemente saudoso ao reconhecer a foto. No caso, era aquela apanhadora da Corvinal, como se chamava mesmo? Ah sim, Cho. Lembrava-se vagamente de Yoh e os outros terem inventando algo para que ela dançasse, mas não se lembrava dos detalhes. Mas o que o deixou saudoso mesmo foi ver, bem no cantinho da foto, ele e Amanda dançando.
- O que foi?
- Nada não, apenas uma lembrança feliz. Apenas isso...
E, enquanto se perdia em seu mundo de saudades, nem se perguntava como tal foto fora tirada. Quando se desse conta de tal coisa, imaginaria várias possibilidades, até mesmo de um repórter disfarçado. Mal podia imaginar o quão longe estava da verdade, de que se tratava de uma foto tirada por um aluno que estava presente e, em uma correria dos jornais por fotos para dar um ar de perda, procuraram fotos de Yoh, mas como ele não tinha lá tantas fotos por ai – não antes do jogo contra a Sonserina, claro – tiveram que apelar.
- Hmmm... - ela olhava com carinho para o presente de Yoh. Não importa o que fosse, tinha um lugar especial em seu coração. - Uau!
- Feliz Natal, Gina! - Amanda abria os olhos em meio a um bocejo.
- Feliz Natal pra você também, Amanda! Puxa, quantos presentes você ganhou!
- Legal! São dos meus pais! E do Olivio! Olha só, tem um aqui do Chaz, da Cassie e... uau!
- O que foi?
- Tem um monte de coisas aqui também, sabe... tem do Carlos, do James, da Rika... puxa, recebi presentes do time todo da Corvinal! Até a Cho mandou um pra mim!
- Eu também percebi - E apontava para sua cama. Alguns eram presentes, outros eram claramente algumas lembranças - puxa... tô até meio envergonhada de não Ter dado nada para eles! – e corava. Na verdade, o que lhe chamou mais a atenção fora o fato de que recebera mais presentes de amigos e conhecidos da Corvinal do que da Grifinória. Não que fosse de ficar medindo o valor de uma amizade pelos presentes que recebera, mas... não era a Sonserina a casa "rica"?
- Eu também! - Amanda corava de leve, mas dura apenas alguns instantes - Puxa, até entendo o Yoh e a Cassie, mas... por que os demais mandaram presentes?
- Vai Ter tempo para perguntar mais tarde - A ruiva se voltava para os embrulhos na cama, e começava a abri-los com uma curiosidade contagiante.
Mas... o que era aquilo, afinal de contas?
xxx
Que noite.
Não iria se esquecer dela tão cedo.
Sem perder tempo com os embrulhos em sua cama, o ruivo se ergue e caminha até o espelho para observar seu rosto mais atentamente.
Normal.
Sentia-se um tanto quanto estranho por isso, visto que seu corpo reagiu de forma diferente ao que esperava.
Nenhuma mancha vermelha, nenhuma lágrima... nada. Quando saiu do salão comunal, tinha certeza absoluta de que passaria o resto da noite entregue aos martírios da vida, o que definitivamente não aconteceu.
Ele não chorou. Estava surpreso consigo mesmo, espantado com suas próprias palavras.
Mas, acima de tudo, apenas uma coisa se passava pela sua cabeça ao olhar para a cama ao lado: onde estava Harry?
"Feliz natal, Harry", a frase ecoava em sua mente uma infinidade de vezes. Onde estaria seu amigo? No salão comunal, talvez? Não era improvável, visto que a lareira era capaz de aquecer a sala durante uma noite, por mais fria que estivesse. Infelizmente ele acabou se lembrando de que muito provavelmente os elfos domésticos o teriam acordado.
Teria agido certo? Será que não foi duro demais com ele? Uma parte sua dizia que não, que isso iria acabar acontecendo, mais cedo ou mais tarde. Infelizmente, outra parte sua dizia que ele era seu amigo, que não deveria ter sido tão duro assim.
- Tsc... Rony, faça o favor de tirar isso da cabeça, antes que acabe enlouquecendo - e se preparava para sair do quanto quando se toca dos presentes.
Curioso como qualquer um, ele se aproxima, abrindo os presentes. Como sempre, lá estava um dos sueteres W...
- Ué... engraçado, esse aqui parece... hmm... - Rony torce o pescoço. Havia algo diferente naquele suêter Weasley. Definitivamente era um suêter da família, mas o corte e bordado parecia um pouco diferente, mais... estilizado e... e...
Pegando o embrulho, ele confirma suas suspeitas: era um suêter Weasley mas, a respeito do "remetente", não era quem pensava que fosse. O de sua mãe, o qual ele sempre recebia, estava bem na sua frente, ainda embrulhado. O que ele segurava ali, no caso, era da outra Weasley da família. Claro que o fato de, ao invés de um "W" enorme estar escrita a frase "I Love You" no suêter era um grande indicio de um novo estilo...
- He - um sorriso se formava no seu rosto - quero só ver a cara do Yoh - e pegava um outro embrulho - ué, de quem é isso aqui? Eí!
- RONY! RONY! RONY! - ele ouvia a voz da irmã, vinda do pé da escada - RONY!
- Heim? Ah, bom dia, Gina!
- Rony, vem cá!
- Espera um pouco, eu acabei de me levantar!
- Vem cá, anda! Eu quero te mostrar uma coisa!
- Hã... puxa, que coincidência! Eu também! Aliás, obrigado pelo suêter!
- Você gostou? Puxa, que bom! Anda, o que está esperando?
- Hã, bem... olha, não ria, mas eu estou descendo com o que o "Yohzinho" me deu de presente, ok?
- E o que é? - ela perguntava, curiosa.
- Hã... é melhor você ver para acreditar. Mas não ria, ok? Por favor...
- Eu falei para não rir! - o ruivo ficava rubro como seus cabelos.
- Mas... nossa... por Merlim, Rony...
- O que foi? Ficou tão ruim assim?
- Hmmm... Eu não sabia que tinha um irmão assim...
- Assim, como?
- Bonitão! Sabia que umas roupas novas te fazem bem?
- Eu... - ele procurava algum lugar para esconder sua face. Independente do comentário de Gina, a jaquela escura que Yoh lhe enviou realmente caia bem no seu corpo. Pegou uma calça qualquer na pressa, mas nunca imaginou que teria tanta sorte assim.
Gina, por sua vez, estava levemente surpresa. Estava acostumada a vê-lo um tanto quanto largado, e sempre com as mesmas roupas. Na verdade, ele parecia até mais corpulento do que antes - nada anormal, apenas a roupa que, para variar, se encaixava perfeitamente em seu corpo, ao contrário das demais roupas que eram aproveitadas de seus outros irmãos - e realmente era algo bonito de se ver.
- Ficou bonito, sabia?
- Importa-se de mudarmos de assunto? Feliz natal, a propósito.
- Feliz natal pra você também, mano. Gostou do meu suêter?
- Sim, espera um pouco, vou buscá-lo e...
- Espera, continue com a jaqueta. Está com frio?
- Até que não, ela esquenta bem, sabe. Aliás, por que estava me chamando?
- Olha só o que eu ganhei! - ela mostrava um par de patins de gelo, enquanto apontava para Rony, mostrando, pela janela que o lago estava congelado.
- Ah, não, não, não, da última vez eu quase fiquei sem dente...
- Deixa de ser chato e vamos lá!
- Tá e... Nossa! Como são lindos! Foi o Carlinhos?
- Foi o Yoh! - ela tinha um sorriso de um canto ao outro - o que achou?
- Bonitos. Tá ok, vou pegar meus patins - ele sobe e, minutos depois, desce carregando os patins um tanto quanto surrados - vamos?
- Te adoro, maninho!
- Tá, mas... por que quer que eu continue com a jaqueta ao invés do suêter?
- Ora essa - ela olhava do canto do olho para Rony, puxando-o pelos corredores da escola - e você acha que eu vou perder a oportunidade de mostrar pra todo mundo o irmão lindo que eu tenho? - e continuava arrastando-o, sendo que sua face era quase tão rubra quanto seu cabelo. - Nhaiii! - ela dava um gritinho de pura emoção - A Mione não vai acreditar!
E, intimamente, ficava grato por quase todos os alunos da escola terem ido para casa aproveitar as festas do fim do ano.
Sarah suspirou fundo quando abriu os presentes que recebeu. Nem mesmo aquilo estava contribuindo para deixá-la de bom humor, tampouco... - ela levantou o olhar e sorriu quando viu Harry entrando sorrateiramente na enfermaria, tentando não chamar a atenção de Pomfrey.
- Feliz Natal.- Ele se sentou ao lado dela. - Bem, seu presente.
- Feliz natal, obrigada. - Ela abriu e sorriu. - Um echarpe , obrigada, Harry!
- Eu que agradeço pelo seu presente. - ele beijou a testa da menina que sorriu. - Espero que tenha gostado.
- Claro que gostei. - enquanto admirava o presente, Sarah prendia seus olhos no momento, literalmente caminhando nas nuvens. Só podia ser um sonho e ela não queria acordar dele.
Era singelo, mas muito bonito. Sentia que fora dado de coração. Na verdade, mediante aquilo, não estava sendo tão ruim assim passar o natal na enfermaria e...
Quando se dá conta, Sarah percebe que estava olhando para o peito de Harry. Mais do que isso, para o cordão preso nele, o qual terminava em um globo dourado com asas.
Um pomo, na verdade. O presente que deu para ele. Sabia que ele estava triste por ter perdido para a Sonserina, e que aquilo poderia ao menos alegra-lo um pouco.
Hmm... quais as chances dele convidá-la para um passeio pela escola? E quais as chance de Madame Pomfrey concordar com isso?
- Harry, muito obri... Harry? O que foi? - ela se dá conta do estado dele ao olhá-lo diretamente nos olhos. Mais do que isso, se prende as duas jóias que brilhavam diante de sua face, os olhos do menino, agora um belo rapaz, que sobreviveu.
Havia algo ali. Algo diferente, ao contrário do dia anterior. Era como se o seu príncipe tivesse mudado, como se algo tivesse acontecido. Mas o que teria acontecido em tão pouco tempo para ele estar com aquela cara?
- Nada, eu... apenas não dormi direito.
- Dormir? Harry, já se viu no espelho? Seus olhos estão horríveis, até parece que chorou a noite toda!
- Você acha mesmo? - e virava levemente o rosto, procurando não encarar os olhos de Sarah.
- O que houve? Não sou eu a enferma por aqui?
- Não é nada, já disse. Bom, se me dá licença...
- Espera, Harry! - Ele sai da enfermaria, enquanto uma menina de cabelos albinos, que dormia na cama ao lado, se manifesta.
- Eu ouvi isso.
- Luna! Estava ouvindo nossa conversa, é?
- Eu ouço bem...
- Feliz natal pelo menos, gatinha.
- Feliz natal Sarah... Hum presentinhos... - Luna tinha um olhar malicioso quando pegou o echarpe que a prima havia ganhado de Harry.
- gostou?
- Modesto. Bonito e modesto.
- Ora...
- Não cai na pilha, olha eu... Como se sente?
- Um pouco melhor.
- Então vou lá pra fora, eu falo com madame Pomfrey e pergunto se ela pode te liberar.
- Ok - ela olhava pela janela, aonde dois pontos ruivos patinavam no gelo, e um deles parecia se mover com mais delicadeza do que o outro.
- Madame Pomfrey, a Sarah pode ir lá fora comigo?
- Lá fora ela não pode ir, mais se ela se agasalhar bem, poderá andar pelo castelo.
- Ok, vamos! Levante-se, Sarah! Tá na hora de desenferrujar esses ossos velhos!
- Ok! - e praticamente pulava da cama, vestindo um agasalho.
- Ué, pra onde foi todo aquele desânimo?
- Não posso mudar de idéia não, é?
- Tem algo a ver com seu namorado?
- Ele não é meu namorado! - Sarah, a qual estava um pouco anêmica, ficava rubra pela primeira vez em dias.
- Mas a idéia não te agrada?
- Ora, claro que sim e... espera, por que estou dando bola pra você? Só tem treze anos!
- Pode ser mas, ao contrário de algumas ai, já beijei na boca...
- O que está insinuando? E quem disse que eu nunca beijei antes?
- Eu disse na boca! Beijar na bochecha do papai não conta!
- Ora, claro que eu já beijei! Sou muito paquerada, oras! Tenho muitos pretendentes, se quer saber!
- Não é o que eu fiquei sabendo. E tirando o perfume do Potter, não andei sentindo nenhum outro cheiro diferente em você ou em uma distância bem "curta"...
- LUNA! - Só faltava Sarah rosnar para ela. Coitado do Michael, ele devia sofrer, isso sim - ah, não sei por que eu ainda te dou bola e... - era como se uma luz brilhasse na mente de Sarah - eí, que história é essa de beijo? Desde quando uma moleca de 13 já beijou na boca?
Luna fez uma cara impagável diante da pergunta de Sarah e continuou com ela por alguns instantes, o que contribuiu para provoca-la ainda mais.
Não, não era hora de ter inveja. Que bom que ela podia se vestir tão bem e ficar mais linda. E daí que o namorado dela podia dar presentes bonitos e NOVOS para ela? Não significava que ele queria comprá-la, e sim que gostava de vê-la bem vestida. Ele mesmo as vezes se sentia mal por não poder comprar algo melhor.
Na verdade, lembrava-se bem de quando Gina foi conhecer o mundo trouxa com Yoh, e ele ficou em casa, até seu irmão puxar usa orelha. Foram passear, mas foi mais uma caminhada pelo mundo bruxo do que um passeio, visto que suas finanças estavam um tanto quanto... baixas. Tinha que dar um jeito nisso, nem que fosse uma renda curta.
Pensando bem, era óbvio demais que as roupas que seus irmãos usavam há dez anos atrás estavam um tanto quanto mal colocadas em relação àquela época, mas pedir um empréstimo ao seu pai não era uma boa opção.
- Bonitos patins - Rony não consegue evitar o comentário. Era melhor do que ficar prestando atenção nas roupas da irmã.
Na verdade... Praticamente todo o guarda-roupa dela mudou. Não usava nenhuma roupa que sua mãe fez, até o casaco fora dado de presente. Nada extravagante, era uma roupa comum.
Melhor dizendo... não era que ela estava usando roupas caras mas, diferente dele, estava usando roupas NOVAS e que não pertenceram a outra pessoa há mais de 10 anos atrás. O jaleco que ela usava outro dia, era um exemplo. Não fora dado de presente, ela mesma o fez.
Hermione havia comentado algo a respeito de uma bermuda que ela estava usando, mas percebeu que, nas vezes em que estava mais à vontade no salão comunal estudando, Gina não estava usando as roupas as quais ele estava acostumado. Saia, calça... literalmente falando, parecia uma trouxa passeando por Hogwarts.
Hmmm... será que era isso? Até tinha uma certa lógica pensar assim e, embora muitos fossem dizer que era absurdo... será que esse "fascínio" do Harry pela sua irmã seja pelo jeito dela atualmente? Seria isso, Harry queria uma menina trouxa e Gina acabou cativando-o e... não, bobagem.
Ela realmente estava muito bonita, por sinal. Seus pais iriam gostar de vê-la assim.
- Eu gostei também, combinou com a minha saia. - Rony sorriu, os dois deram as mãos e começaram a patinar de mãos dadas.
- O Yoh tem bom gosto, sabe. E você também. Essas roupas são muito bonitas.
- Obrigada.
- O que deu para ele?
- Adivinha só...
Ele deixava escapar um leve sorriso. Sabia exatamente o que seu cunhado iria ganhar de natal, e era exatamente por isso que não conseguia segurar o riso. A comparação com o primeiro natal de Harry em Hogwarts era inevitável e a essa hora, alguém estava tendo uma bela surpresa.
Os famosos suéteres Weasley.
Mas havia algo especial dessa vez. Em um deles, havia um coração bordado, com os dizeres "I Love Yoh".
Ele dá uma leve risada ao fazer a associação com o pronome, rindo do trocadilho que ela fizera.
O primeiro Suéter que moranguinho fez, e com todo amor. O outro, obviamente, era da senhora Weasley, conforme havia ouvido Fred dizer quando estavam na loja. E por sinal, personalizados, pois havia um grande "Y" azul nele.
Haviam outros embrulhos por ali também. Cassie, Chaz, Amanda, Miranda, Ariel, Julieta, Rika, James, Carlos, Luna, Rony, Hermione e... Crabbe?
- Incrivel como o mundo dá voltas - ele olhava aquilo com uma leve surpresa. Talvez fosse um sinal de que coisas boas estavam a caminho - será que ele recebeu o meu?
Ao menos, esperava. Era muita gente para dar presente, e como alternativa acabou comprando apenas algumas lembrancinhas para um ou outro. Muita coisa comprada no mundo trouxa, pouca coisa no mundo bruxo.
O mesmo sai do quarto, vestindo o suéter que ganhou de Gina, sentando-se à mesa para se alimentar. Jane já estava lá, sorvendo uma xícara de chá.
- Bonito suéter. E tem até dedicatória, hmmm...
- Foi a Gina quem fez.
- Ficou bem em você. Engraçado como ela acertou direitinho as suas medidas!
- O que a senhora quer dizer com isso?
- Ora, que vocês andam passando muito tempo juntos, conversando - Yoh deu um suspiro - brincando de médico, estudando anatomia humana...
- Mãe!
- Sabia que você fica uma graça assim, envergonhado? - ela sorria. Estava usando um roupão e sandálias, enquanto olhava pela janela - sabe, filho... São manhãs como essas que me fazem rever tudo o que eu já fiz na vida. E por mais que eu volte ao passado, que eu planeje e tudo mais, no fim eu acabo chegando a um único ponto: você.
Ele se aproxima, abraçando-a carinhosamente. Havia um acordo silencioso ali. Naquela manhã, naquele dia, não eram o que estavam acostumados a ser. Não era uma família trouxa, tampouco bruxa.
Eram apenas mãe e filho.
Meia hora depois Daniel já estava de pé, e ao procurar a família, percebeu que não estavam na sala tomando café, e sim do lado de fora da casa, disputando para ver quem fazia o melhor boneco de neve.
- É assim que deveria ser meu amor, sem a marca da sua família tão presente em nossas vidas. - Daniel se serviu de uma xícara de café e ficou olhando a esposa e o filho brincarem. Era uma cena tão linda aquela, mãe e filho se divertindo...
De certo modo, entendia Yoh. Era justamente esse tipo de coisa que o mesmo não queria perder. A família. Aqueles momentos. Não queria se envolver em uma nova era das trevas, aonde o resultado poderia ser inesperado. A verdade é que, mesmo Voldemort tendo sido derrotado da última vez, muitas vidas foram arruinadas.
E ele não queria tomar parte disso.
- VOCÊ DERRUBOU MEU BONECO! - Gritou Jane fingindo estar brava.
- Claro que não, mãe! foi o vento forte que passou...
- Ora... Vamos, seu pai já acordou.
- Oi, pai!
- Oi, para vo... - Daniel é derrubado diante de uma chuva de bolas de neves, vindas de ambos. - Isso é golpe baixo!
É... Certas coisas nunca mudavam. E ele tentava não pensar naquilo agora. Era bom estar em casa com seus pais, aproveitando o natal. Que se dane o lorde das trevas, ele queria, acima de tudo, viver.
Ao menos desse direito ele se julgava merecedor.
Era o que não saia de sua cabeça.
Ele e a irmã estavam desce cedo patinando, e até então, nem sinal do amigo.
- Deixa eu descansar um pouco! - Rony largava da mão dela e se afastava para a borda do lago, sentando na neve. Incrível como uma simples noite podia congeladar o lago de tal forma que nem mesmo o polvo pudesse quebrar o gelo. Chegaram a fazer algumas brincadeiras para provocá-los, pois qualquer um que olhasse por alguns segundos para o gelo, perceberia um enorme vulto se movendo abaixo dele, mas deveria estar tão grosso que nada poderia ultrapassa-lo.
Era mais um ano que havia chego ao fim. Sabia o motivo, mas não deixava de ficar surpreso ao perceber que estava diferente. E mais ainda ao relembrar de tudo o que aconteceu.
Descobriu o que era futebol, recebeu um cargo importante, Hermione fora promovida a chefe dos monitores, entrou para o time de quadribol, seu cunhado morreu e...
Surpreso pelo seu súbito pensamento, ele balança a cabeça. Por que tinha que lembrar daquilo? Justamente quando estava quase esquecendo, o pesadelo voltava?
Rony maneava a cabeça. A grande verdade era que, por mais que tentasse esquecer a conseqüência de seus atos, os mesmos o assombraria pelo resto de sua vida, como um fantasma. Não que fosse se culpar para sempre pelo que houve, mas seria um fruto amargo do que ele plantou, a lembrança de que ele quase perdeu o amor de sua irmã.
Tirando um dos patins ele começa a fazer alguns riscos no gelo, com o pensamento longe. Ou melhor, na convrersa da noite anterior.
Sentia-se estranho. Seu melhor amigo não estava ali. Esperava que Harry entendesse o porque dele agir daquela forma, mas a principio, as coisas não saíram como ele imaginou. Provavelmente ele estava zanzando pela escola, evitando não encontrá-lo. Sabia que Harry entenderia, mas por hora precisava de um tempo para pensar em tudo o que aconteceu.
Ele continuava riscando o gelo, sem perder a linha de pensamento.
Ele havia dito algo para Harry que nem ele mesmo imaginou que um dia falaria. O grande tabu do mundo bruxo, a palavra proibida para todos.
- Voldemort. - Havia uma leve surpresa em seus olhos - Voldemort - A palavra que não deveria ser proferida fluía entre seus lábios - Voldemort - o efeito que ela havia lhe causado ao longo dos anos tinha sumido, pelo visto.
Como? O que o levou a perder, de uma hora para outra, o seu medo?
Melhor dizendo, quando foi que isso parou?
Não sabia ao certo, mas tinha um palpite. Teria sido mesmo naquela noite, a qual ele chorou enquanto sua irmã dormia? Talvez.
Mas, ao se dar conta do quão frágil era a vida, e de como ela pode se esvair com tamanha facilidade se não aproveitada, e do grande mal que alguém pode causar ao querer ditar os rumos dos outros, isso lhe abriu os olhos.
O que era realmente Voldemort? Não o homem, mas sim o mito? Nada mais do que um medo irracional passado de pai para filho, nada mais do que isso.
E o que gerou o mito? O Homem. Um bruxo mas, acima de tudo, um homem. E, como todos, mortal. Não era uma criatura, um demônio, um espirito... apenas um homem com uma ambição. O medo que todos sentiam nada mais era do que a incapacidade das pessoas em admitirem que um ser humano era capaz de cometer tamanhas atrocidades. Era melhor acreditarem que um monstro fez tantas coisas, ao invés de admitirem que era um homem como eles. Mais poderoso? Sim. Mais velho? Em parte. Genocidade? Sem dúvida. Ambicioso? A história fora responsável por mostrar isso. Cruel? Se o que ele fez não era crueldade, então não sabia o que era.
Mas era um humano, um homem, e era uma prova do quanto eles mesmos poderiam chegar para alcançar seus objetivos. Era o maior exemplo do quão perigosas pessoas ambiciosas podem ser.
E ninguém estava livre de passar pela mesma coisa, ninguém.
Lembrava-se de um comentário de Harry, de algo que ele tinha ouvido Dumbledore falar acerca do Mago das Trevas... eram as decisões que nós tomamos que fazem as diferenças.
Decisões, nada mais. Valiosas, egoístas, mesquinhas, benéficas... nada mais do que isso. Ele poderia Ter sido o maior bruxo de todos os tempos se tivesse agido de forma diferente, mas foi o que escolheu. E, assim como ele, tantos outros iniciaram guerras, conflitos e uniões devido as suas decisões.
Era isso, então. Inconscientemente decidiu não temer mais aquele nome, simplesmente por que se convenceu de que não havia motivo. Finalmente havia entendido o que Hermione havia dito para Lúcio Malfoy naquele dia em que faziam as compras do segundo ano, era tudo irracional.
Irracional... isso! As pessoas não conseguiam admitir que um ser racional, alguém dotado de razão, de intelecto, fosse capaz de agir de forma tão monstruosa. Como um bloqueio auto-imposto em suas mentes e passado para seus filhos, e para os filhos dos seus filhos, e para os filhos dos filhos dos filhos dos seus filhos, e assim por diante.
Ele para de olhar para o alto e volta seus olhos para Gina, a qual girava como uma fada no meio do gelo em uma perna só. Usava um casaco vermelho que não limitava seus movimentos, o qual combinava com sua calça.
Outro presente do Yoh. Era melhor parar com isso, não era saudável ter inveja dela, seria bom mesmo ele considerar a possibilidade de gerar uma fonte de renda particular na escola, mas o que?
- ALÔÔÔÔ! Acorda, sonhador! - sua linha de pensamentos é interrompida quando se dá conta de que Gina o balançava - ACORDA!
- Hã? O que?
- Eu disse ACORDA! Tá pensando no que?
- Hã... nada não, o que foi? Cansou?
- Um pouquinho, mas quero voltar a patinar! Se pudesse, eu ficava aqui o dia todo!
- E por que não? - ele lançava um comentário ao acaso.
- É mesmo... por que não convidamos quem está aqui para disputarmos uma corrida? - Gina encostava a cabeça no ombro do irmão, descansando - ia ser tão legal...
- Até que é uma boa idéia e... - ele arregala os olhos ao se dar conta do que escreveu no gelo.
- O que é isso? - Gina também arregala os olhos, Rony sente como se um peso enorme estivesse sob sua cabeça - Heim? Mas... mas...
- Oh! Oh! - ele puxa seus patins e começa a riscar aquele nome do gelo, o nome proibido - hã, finge que não viu o que tava escrito aqui, ok?
- O que... o que esse "homem" pode fazer me assusta, Rony... mas não o seu nome. Só estou surpresa por você não ter se assustado com isso.- Rony larga o patins, devolvendo um olhar para a irmã.
- Você... você... não tem... medo?
- Existe realmente um motivo para isso? - ela dobrava o pescoço.
- Não - ele maneava a cabeça - realmente não há, mas... olha, eu vou dizer, estou surpreso que você não tenha medo.
- Confesso que sinto um pouco de medo, mas... depois que passei a conversar mais com a professora Kneen, muitas coisas passaram a fazer sentido.
- Mesmo? Bem que eu achei que você tava passando muito tempo na sala dela...
- Bobo! - ela dava um tapa no ombro dele, derrubando-o na neve - ela só está me ajudando para as provas do NOM's! Não fale besteiras!
- Quem, eu? - e dava um risinho maldoso - Imagina! - Ambos passaram alguns instantes rindo, até que um súbito silêncio tomou conta do lugar - aham... - Rony tentava retomar a linha de pensamento - você...?
- Estou tomando aulas extras com a professora Kneen para o meu teste de NOM's, junto com o Yoh. Mas não dá tempo para fazermos mais nada, ela já pega no nosso pé apenas por respirarmos!
- Boa sorte, então. Meu teste de NIEM's também está perto, espero me sair melhor do que em NOM's. Alguma matéria em especial que você quer fazer?
- Sim, quero fazer o NIEM's de feitiços.
- De feitiços? Putz, mas você vai precisar tirar uma nota muito boa para isso!
- Eu sei. Para fazer o NIEM's de Feitiços, tenho que tirar uma boa nota no NOM's de feitiços, transfiguração, herbologia...
- E Defesa Contra as Artes das Trevas - Rony se odiava por Ter tocado naquele assunto, simplesmente por que Gina ODIAVA aquela matéria. Na verdade, tinha um certo pavor das Artes das Trevas, de modo que nunca foi a melhor aluna nessa matéria.
Pra falar a verdade, desde o primeiro ano só passou nessa matéria por pura sorte, e na parte teórica, por que sempre foi um fracasso na parte prática.
- Eu posso te ajudar - ele se oferecia.
- Não precisa, estou fazendo progressos.
- Mas eu...
- Não quero tomar seu tempo, mano. Você já está ocupado com muitas coisas, e eu tenho que aprender a me virar sozinha, né?
- Sim... - internamente ele se doía um pouco. Não iria perguntar quando Gina parou de temer o nome daquele-que-não-deve-ser-nomeado, provavelmente a experiência de ver Yoh caído no salão principal foi mais do que suficiente para mostrar para ela que existem coisas mais assustadoras do que uma pessoa, talvez tenha aprendido isso com a professora Kneen de uma forma que ele não podia conceber... realmente não importava, apenas sentia uma ponta de impotência diante daquilo, sabia que As Artes das Trevas, a Magia negra, sempre assustaram Gina desde o incidente no seu primeiro ano, e todos os seus feitiços contra Magia Negra eram um verdadeiro fracasso devido ao seu medo.
- O Yoh quer fazer o NIEM's de Poções, sabe.
- Sério? Ele vai precisar tirar a nota máxima em NOM's do Snape! É suici... hã, desculpe.
- Não, tudo bem. Mas do jeito que ele estuda, provavelmente vai conseguir.
- Agora que você citou, lembro de que quase sempre o vejo com um livro aberto.
- Puro Hobby. Mas ele quer mesmo é tirar a nota máxima em todos os NOM's.
- TODOS? - Rony arregalava os olhos - como assim, TODOS?
- Simples, todos.
- É IMPOSSIVEL! Nem Hermione conseguiria tanto! Ela mesmo reclamou depois dos NOM's que traduziu alguns textos antigos em Runas! Ele pode até se dar bem em poções e Hebologia, até mesmo em História da Magia e em Feitiços, por causa da professora Kneen e do professor Flitwick, mas é impossível alguém se dar tão bem assim!
- Foi o que eu disse, e ele falou que não vai aceitar menos do que a nota máxima, que se não puder dar o seu melhor, então nenhuma outra nota vale a pena. - Rony torce o pescoço como se uma Segunda cabeça tivesse nascido no ombro de Gina - o que foi?
- Por que ele quer fazer isso? Não faz o menor sentido, sabe. Para cada matéria de NIEM's que você faz, existe uma nota em Nom's como pré-requisito. Se o Yoh conseguir a façanha de tirar a nota máxima em todas as matérias, vai entrar para a história de Hogwarts com as notas mais perfeitas que já existiram, mas... por que isso? Desculpe, mas eu simplesmente não entendo o que ele quer com isso. Desculpe falar assim, mas não acha que seja... perda de tempo? Quer dizer, ele não vai conseguir fazer nem METADE das matérias que terá direito a fazer no sexto ano caso consiga essa façanha. - Gina apenas balançava a cabeça confirmando as palavras de Rony, com os olhos fechados e um sorriso jovial - o que foi? Você sabe de alguma coisa?
Ele se lembra vagamente dos problemas que Hermione teve durante o terceiro ano, ao usar o apetrecho especial para viajar no tempo.
Não que Yoh não pudesse ser capaz de usar tal item. Afinal, a Corvinal era a casa dos inteligentes, certo? Depois que parou para pensar, as notas boas dele no ano passado não eram tão impressionantes assim, levando-se em conta a sua casa, mas... ele não parecia ser esse tipo. Aliás, esse ano seu cunhado parecia estranho, melhor dizendo, parecia Ter mudado bastante depois daquele incidente. Se ele tirasse a nota máxima em Nom's, precisaria do mesmo apetrecho que Hermione para fazer todas as matérias. Era óbvio demais que havia algum motivo para isso. Não acreditava que ele queria "mostrar que era o bom", tampouco que fosse burro para não se dar conta de que seria um esforço em vão, o que despertava ainda mais sua curiosidade, e que sua irmã sabia dos motivos por trás desse objetivo dele.
- Vamos mudar de assunto? - ela falou de forma tão doce e amável que ele sequer conseguiu formular uma resposta - Eí, tive uma idéia! Rony, quer se divertir um pouco?
- Divertir? - ele ergue a sobrancelha, reconhecendo aquele olhar de longe. Era o mesmo olhar que já vira Fred e Jorge darem por tantas vezes...
- Incidente isolado? O meu amigo quase morreu e ele chama aquilo de "incidente isolado"?
- Contenha seus ânimos, Chaz - Pomfrey intervinha antes que a reunião se tornasse um bate-boca sem sentido - Tenha calma. Eu havia avisado a todos, lembram-se? - Ela mandava um olhar duro para ele, de forma que ele se senta - não há razão para tumultos, por favor. Eu disse para não ficarem muito ansiosos. Entendo o que estão sentindo, na verdade gostei muito de ver a iniciativa de todos, mas existem coisas que nós temos que fazer aos pouco se quisermos fazer alguma coisa que faça diferença.
- E o que a senhora sugere ? Talvez mais " incidentes isolados" para deixar ele convencido? Que tal uma praga de ratos? Imagino que devem haver famílias inteiras de roedores por aqui, e mesmo assim, podemos rogar uma maldição para...
- Não, o Flitch se encarrega disso. - Pansy intervia, contendo os ânimos de Chaz, sem se dar conta do sarcasmo em sua voz - Mas nós precisamos buscar uma solução para tanto.
- E o que sugere ? - não passa desapercebido por chaz o modo com Pansy estava vestida. Nada ousado, mas as roupas que usava realçavam bem mais sua beleza natural.
- Sem idéias.
- Precisamos então usar o plano alternativo - Rony começava a expor seus planos - criar locais para os animais ficarem, assim como as corujas tem o seu. - ele também percebia. Na verdade, nunca prestou atenção no fato de Pansy ser bonita. Como é que uma garota dessas ficavam lambendo os pés do Malfoy? - Falando nisso...
- Sem problema - Florinda era pura alegria. Se os agentes tinham utilidades, não duvidava. Mas o que mais gostava era que para variar estava trabalhando em outras partes da escola - já usei um feitiço de desinfeção nos arredores da escola e um bem mais forte no salão principal. Todo pássaro que entrar, independente do que estiver carregando, será totalmente limpo e desinfectado instantaneamente, purificando as sujeiras, vírus e bactérias que carregam.
- Um problema a menos - Luna falava olhando pela janela - então está resolvido o problema de receberem corujas durante as refeições. Poderíamos criar um aquário, um canil e outros estabelecimentos para os demais animais.
-Isso vai custar uma certa quantia, e a escola não dispõem de recursos novamente, a não ser que vocês tenham alguma idéia. - a doutora tentava conter os ânimos deles, os quais estavam prestes a se descontrolar novamente, no entanto...
- ...
- ...
- ... eu posso pedir para o meu pai liberar uma grana e... - a Sonserina para, dando-se conta do que estava prestes a dizer - não, ele nunca faria isso.
- Que tal um torneio para arrecadar verbas? - o ruivo dava um sorriso enorme para todos. Eles se olharam e Madame Pomfrey tomou a palavra.
- Que tipo de torneio ?
- Um torneio de Xadrez Bruxo de Hogwarts, poderíamos chamar escolas para participar, como foi feito com o torneio tribruxo!
- Que boa idéia, mais como faríamos isso? Eu posso fazer alguns cartazes para a divulgação!
- Temos que falar com o professor Dumbledore.- falava Luna, demonstrando que não estava na sua animação de sempre.
- Mais devagar. É possível sim um torneio, mas não a nível de escolas. Podemos organizar um torneio entre os alunos, só depois , se fizer sucesso, podemos pensar em algo além disso. Mas convenhamos que muitos não jogam xadrez, e que muita gente pode ficar acanhada com algo desse tipo, ainda mais os de origem trouxa. Sei que existem muitos alunos talentosos, mas é um tanto quanto covardia um aluno do primeiro ano que começou a aprender sobre Xadrez de bruxo, contra um que joga desde cedo com seus pais.. que tal algo para distrair os demais?
- Que tal algumas outras apresentações? Podemos fazer uma espécie de feira, sendo o torneio de xadrez o evento principal, com barracas ao redor vendendo coisas, pequenas apresentações e tudo mais - um leve sorriso surgia na face da albina.
- Madame Pomfrey - definitivamente Rony estava agindo como um líder do grupo - podemos ir falar com o professor Dumbledore?
- Marcarei uma reunião, aonde todos os professores terão que comparecer, será mais fácil de explicar a idéia de arrecadar fundos. Mas o que planeja ?
- Alguns alunos aqui tem dotes artísticos - ele dizia encarando Chaz - podemos fazer uma exibição de talentos, com inscrição paga e o melhor deles, segundo um Jurí, levara um prêmio. Também realizaríamos o torneio, colocaríamos algumas barraquinhas para vender algumas coisas, tudo para arrecadar verbas .
- Por hora, podemos realizar até o torneio com o concurso de talentos. Pensaram em uma data ?
- Eu...
- Pensou em tudo, não é mesmo? - Pansy estava de braços cruzados na cadeira, sorridente.
- Como? - Ele torcia o pescoço;
- Você entendeu - Chaz também olhava de forma marota - Quando essa idéia surgiu? Ano passado?
- No natal - ele estava levemente rubro.
- Que bom que alguns se divertiram - Os olhos da albina se perdiam pela janela.
- Gente, mal tivemos tempo para conversar quando voltamos das festas de final de ano e...
- Ninguém está te criticando, Ronald - Pomfrey interrompia - Só ficamos levemente surpresos por você ter tanta coisa em mente assim, de repente. Imagino que tenha um esboço de tudo o que planejou, não é mesmo?
- Hã... sim, eu... escrevi algumas coisas e...
- Depois eu vejo isso. E quanto a data?
- Que tal no dia dos namorados? Realizamos o torneio, colocamos algumas coisas para vender, convidamos alguns alunos para nos ajudar, fazemos as apresentações e, depois, o baile.
- Baile? - agora era a vez de Florinda torcer o pescoço - ué, desde quando tem baile do dia dos namorados?
- Ronald Weasley, essa sua idéia é perfeita! - Chaz se erguia e dava um soco na mesa - eu gostei!
- Baile? - Florinda ainda não conseguia entender.
- Acho que vou ter que ver uma roupa nova - Pansy ajeitava o cabelo.
- Baile?
- Será que a Sarah vai estar melhor até lá? Hmm, se eu convencer o idiota do Potter a convidá-la, quem sabe se...
- Baile?
- É, baile... Ronald, que história é essa de baile? - Pomfrey cruzava os dedos na frente do rosto - pensando bem, que história é essa de baile dos namorados? Desde quando temos um? Só há um baile, que é o de inverno, lembra?
- Sim, mas...
- E não há nada de especial agendado para o dia dos namorados, de onde tirou essa idéia?
- Eu gostei! Será que eu arrumo um namorado até lá? - Todos olham para Florinda, com gotas na cabeça - O que foi, gente?
- Deixa pra lá... - Pomfrey tampava a face, tentando esquecer que acabara de ouvir aquilo.
- Bem... sabe, eu aprendi uma coisa com os meus irmãos: existem datas que obrigam as pessoas a gastarem mais do que o normal. E que data melhor do que uma que obrigue você a comprar um presente para outra pessoa? Claro que uma companhia carinhosa faz a diferença, mas cortejar alguém não é nada mal.
- Já entendi, uma feira cheia de presentes e bijuterias, aonde durante toda a tarde os jovens ficassem conversando, jogando charme, inflando os ânimos dos comprometidos e jogando muito chame e paquera para os que estivessem a fim de alguém, e o baile seria o resultado final disso, seria até um incentivo para alguém correr atrás de um par durante a tarde, usando todos os meios, seja com presentes, com cartas de amor, sonetos e outras coisas. - ela para, percebendo que os cinco ali estavam de boca aberta - o que foi? Eu já fui uma adolescente também, sabiam? - Pomfrey dava um sorriso - Não pensem que não sei o que se passa pela mente de vocês, estou bem atenta.
Sem contar que era a médica e, muitas vezes, confidente de um incontável número de alunos que tinham dúvidas cujos livros de magia não podiam responder.
- Pode ser , e vão ter muito corações apaixonados. - Todos sorriram diante do comentário de Luna - Madame Pomfrey ... e como ficarão os alunos não liberados da enfermaria? - Madame Pomfrey engoliu em seco.
- Quem sabe até lá já não estejam liberados.
- Tomará.
- Poderíamos fazer uma barraquinha para dizermos a importância da vacinação de animais mágicos. - Pansy estava fervilhando de idéias.
- Talvez. Mas voltando um pouco, tenho uma tarefa para vocês.
- Qual ? - todos a encaravam.
- Vocês iram nas casas e verão como está a situação sanitária. Estado das camas, arrumação, como os alunos preservam o espaço, os níveis de higiene... vocês irão em duplas, para verificar se os alunos estão cuidando de sua higiene corretamente. Para o fim de semana que vem, teremos palestras sobre a importância da higiene, não deixando apenas que o zelador cuide da limpeza. Obviamente contarei com a ajuda de vocês.
- Eu pensei que os elfos que cuidavam. - Luna , Chaz e Rony cutucaram Pansy , que não entendeu o por que deles terem feito aquilo.
- Há coisas que um elfo não pode fazer, como educar as pessoas. Bem, podem ir. Coloquem essa identificação e as passagens se abrirão sem vocês precisarem falar a senha, peguem pergaminho e pena e anotem tudo.
- Espera um pouco... quem vai aonde?
- Luna e Chaz vão na Corvinal e Sonserina. Você e Pansy, na Grifinória e na Lufa-Lufa.
- E que tal trocar a Lufa-Lufa com a Sonserina ? - Pansy olhou feio para Rony - ei, não me leve a mal, Pansy... mas o pessoal vai olhar feio para o Chaz quando ele pisar lá, e você sabe disso. Fora que não vão respeitá-lo.
- E eu devo supor que os grifinórios irão respeitar minha autoridade tanto quanto respeitariam a sua, não é mesmo?
- Claro que vão, eu garanto! Conheço eles!
- Se é assim, ele pode ir na Sonserina sem problema algum.
- Pansy, eu não...
- Ela está certa. Eu podia ser trouxa, sangue-puro, mestiço ... não iria fazer a menor diferença, Rony. Agradeço sua preocupação, mas nunca iremos impor nossa autoridade se ficarmos selecionando os locais para trabalharmos. Não escolhemos as pessoas, lembra? Ajudamos quem precisar, mesmo que a pessoa não queira nossa ajuda.
- Podem ir. - Indicou madame Pomfrey a porta, antes que aquela discussão se alongasse por mais tempo do que o necessário.
- Madame... acha que foi a decisão correta? - Florinda terminava de arrumar a mesa de reuniões, colocando tudo de volta ao seu lugar de origem. – Talvez Ronald tivesse razão, e se...
- Você sabe o que eu penso nisso, Florinda.
- Mas eles não são curadores como a senhora!
- Mas tiveram o treinamento adequado, e fizeram o mesmo juramento que eu e você fizemos. Eles não precisam impor sua autoridade como monitores, mas tem mais em comum com eles do que imagina.
- ...
- E além do mais... se continuassem aqui, a discussão se estenderia além do necessário, talvez até se desvirtuando do rumo original. Melhor acalmar seus ânimos enquanto podemos.
- Acha que o que eles querem não dará certo?
- Dar certo? Ah, Florinda... funcionar ou não é mais do que o esforço deles, de suas idéias. Está relacionado a sua dedicação. Já vi muitos alunos assim, dedicados, esforçados... idealistas. Não concordavam com muita coisa na escola, com regras de séculos atrás que perduravam até os dias de hoje. Reuniam multidões de alunos com seus objetivos, seus planos, mobilizavam verdadeiras assembléias que reuniam membros de várias casas. Mostravam que a palavra tinha mais poder do que uma maldição proibida.
- Uau... parece incrivel...
- E era, melhor dizendo, é. Sempre existem aqueles alunos que se destacam não pelo seu carisma, pelo poder de sua familia, pelas suas posses, pelas suas notas... mas pela sua atitude, seus ideais. Muitos dessa escola almejam adentrar no ministério da magia, conseguir um excelente cargo, se tornar famoso, ter bastante prestigio no mundo bruxo... mas só aqueles, os realmente idealistas, ocupavam os verdadeiros cargos, os mais importantes – ela se senta na cadeira, percebendo o quanto sua jovem aprendiz parecia estar impressionada com suas palavras – lembre-se disso. Com o tempo, você irá perceber que existem pessoas cujo nome ultrapassam o poder de seu cargo, e isso é algo que o dinheiro não pode comprar. O dinheiro nunca conseguiria que um ministro do exterior viesse a Ter mais poder e influência do que o próprio Ministro da Magia, por exemplo. É o poder de um nome, que faz com que uma familia antiga e tradicional se torna impotente diante de um mero "trouxa".
- A senhora parece bem entendida no assunto.
- Nem me impressiono – e se ergue, retomando seus afazeres – afinal, todos eles já passaram por aqui. Todos eles.
- Você se preocupa demais, o que podem fazer com eles? Bater neles? Vão arrumar problemas, isso sim. Veja aquilo - ela aponta para o chão - Alpiste. Tem alguém aqui alimentando um pássaro no quarto e deixando os restos por aqui.
- Verdade mas, seja quem for, levou o pássaro para um passeio.
- Bem , vamos procurar melhor. Veja, um ninho. Está criando o pássaro aqui fora do corujal.
- Vai ver não quer se separar dele.
- Outra coisa para observarmos - ela arranca uma folha de pergaminho e prega no armário da pessoa.
- O que é isso?
- Uma notificação. Ou ele leva o pássaro para o corujal, ou o mesmo será apreendido. Vamos dar cinco dias para ele resolver isso. Sabe quem é que fica nesta cama?
- Hmm... é do pessoal do segundo ano, podemos verificar depois.
- O que foi? - falava incrivelmente vermelho de vergonha.
- UM RAAAAAAATOOOO! Enorme... desse tamanho! - Ela mostra o tamanho, aparentemente não se dando conta da situação. Chaz a coloca no chão e se abaixa, vendo que realmente tinha um rato, ou melhor dizendo, uma ninhada inteira! E, a julgar pelo rato maior a ponto de atacar, deveria ser a mãe.
- De quem é isso?
- São meus - aparece um rapaz mal-encarado.
- Esses filhotes são autorizados? Registrados?
- São da minha rata, então me pertencem, não tenho que registrar nada.
- Bom, engraçado... lembro-me de você, e seu rato era MACHO...
- Essa rata é filhote do meu rato, o qual já estava bem velho e morreu, daí ela teve filhotes.
- E por que não os registrou?
- Não vi necessidade.
- Pois precisa. Eles podem infectar outros animais e iniciar uma verdadeira epidemia, sabia?
- Desde que sangue-ruins morram, não tem problema algum.
- Ei, William - Um rapaz alto, garboso e de porte atlético entrava no quarto, encostando-se na parede - eles tem razão. Não são apenas sangue-ruins que pegam doenças, sua mãe devia ter lhe ensinado.
- Como é ? - ele ia em direção ao rapaz - desde quando você se importa, Thor Gama Maxwell? Acha que namorar aquela sangue-ruim te faz o melhor amigo dos trouxas, é? Está pensando que todo mundo se esqueceu de quem você é só por que começou a sair com aquela... - Chaz arregala os olhos ao ver a expressão facial de Thor mudar, e naquele momento ele tinha exata certeza de que William iria apanhar MUITO. Ele olha rapidamente para Luna, a qual apenas observava, como se concordasse que aquele sujeito merecia uma surra. Até ele estava com vontade de bater no tal pelos comentários que fez contra sua amiga, mas a lembrança de seu posto retornava no pior momento possível, de forma que sinaliza para Thor, chamando a atenção de todos ali.
- Escute... acho que você não pegou bem a idéia - ele apontava para a ombreira que portava, branca com uma cruz vermelha - mas eu posso simplesmente dizer ao Filtch para recolher esses gatos e dar para madame Norrra. Por mim tudo bem, mas acho que você não vai querer perder os ratos, portanto, leve-os amanhã no horário do almoço à enfermaria para Madame Florinda registrá-los, por favor.
Pronto, ele pensava. Disse tudo o que tinha que dizer, se portou à altura de seu cargo, de maneira imparcial, dando o exemplo.
- Cuidado, trouxa. - Ele o encarava seriamente - Não pense que esse símbolo te protege. - e dava outro passo em sua direção - pode brincar o tempo que quiser de médico, mas não é mais do que isso, uma brincadeira. Não pense que essa braçadeira idiota - William segura Chaz pelo braço, puxando sua braçadeira - faz você ser alguém, pois...
- Cuidado você - Luna se aproximava e segura com força a mão de William - e trate de ter mais respeito - Ele recua, soltando o braço de Chaz diante daquilo. - Não é para nos temer, e sim para nos respeitar - e continuava encarando-o, de forma bem feia, o que fez com que ele recuasse, não por medo da autoridade deles, mas por que, ao encarar os olhos de Luna, teve a forte sensação de que estava cara-a-cara com um predador prestes a despedaçá-lo. A despeito de seu pensamento, quando seu braço é solto, sente um forte incomodo nele, na verdade, podia sentia as unhas de Luna cravadas no mesmo como se fossem perfurá-lo.
- C-c-claro, eu... amanhã na hora do almoço eu passo na enfermaria! - E falava com um tom de voz temeroso.
- Bom mesmo. - Disse Luna , saindo e indo para outro quarto. Chaz arregalou os olhos. O que Luna fez? Sempre lhe pareceu tão dócil... - Chaz, venha logo!
- Claro , estou indo. - Ele saiu apressado para ir atrás da colega. - Bem , esse quarto aqui está, pelo que eu posso ver, está livre.
- Está mesmo. - Diz Luna , no meio do quarto. - ainda bem que Madame Pomfrey nos deu esses dispositivos, não iria gostar de ouvir o alarme dos dormitórios. Esse aqui está seguindo as regras, ou melhor quase. - Diz ela abrindo uma gaveta que ficava acoplada a cama. - Temos muita comida estragada aqui. E quanta besteira, que sujeito imundo! Vou deixar um bilhete para quando o dono daqui chegar, assim ele toma mais cuidado.
- Ok, vou anotar isso para os elfos se lembrarem de olhar nas gavetas para ver se tem comida estragada também. Isso também pode ajudar na proliferação de germes e... tem um bom olfato, sabia?
- Papai vive dizendo isso. Anda, ainda temos mais quartos para ver, falta o do pessoal do quarto e sétimo ano. E ainda temos que fazer uma visita "pros meus manos".
- Ei, Thor.
- Sim?
- Estamos pensando em fazer um evento para arrecadar fundos ... que acha de fazer uma exibição para ajudar?
- Vou pensar.
- Bem, aqui está tudo okay. - Avisa Luna, olhando de Chaz para Thor, de Thor para Chaz. - Por que vocês estão se encarando?
- Coisa nossa, mesmo - ele continuava olhando - melhor tomar cuidado com a Julieta, ela ainda não esqueceu da surra que você deu nela.
- Manda ela vir que eu vou estar esperando no jogo, e é melhor ela ficar esperta dessa vez. Pelo menos ela é firme e reconhece seu lugar.
- Lá vem você com os seus insultos, justamente quando estou achando que você é um cara legal, tem que estragar tudo, não é?
- E você se importa demais com a opinião das pessoas. Eu não posso mudar a opinião que todos tem de mim devido a minha família, assim como você sempre será um trouxa para todos, Chaz. O dia em que parar de se preocupar com isso, vai deixar de ser tão esquentadinho.
- Alô, rapazes! Temos que trabalhar! - e puxava Chaz para fora do quanto, antes que ele tivesse chance de responder a alfinetada de Thor. - garotos... hunf! Será que só pensam em brigar, brigar e brigar? Só pensam nisso, nem ao menos conseguem controlar seus hormônios?
- E por acaso você sabe o que é isso? - falava ele um tanto quando envergonhado por estar levando uma bronca de uma "garotinha" de 13 anos, ainda mais uma que fazia questão de discutir com ele sobre os altos níveis de testosterona que os homens atingiam.
- Claro que sim, li num livro!
- Ler sobre eles não te faz uma mestra no assunto! - ele batia o pé e tentava fazê-la parar de arrastá-lo, mas sua surpresa é ainda maior quando isso DE NADA adianta, e ela continua arrastando-o.
- E vocês são peritos nisso, né? - Ela dava um sorriso felino, ao passo que Chaz observava a parede que levava até a Torre da Lufa-Lufa. Tinha que admitir, era algo bem engenhoso, na verdade, bastante perigoso. Lembrava-se de que conseguiu enganar Thor uma vez ali, fazendo-o se chocar contra aquela parede, mas mesmo assim, as vezes sentia medo.
- Ai! - Um grito feminino de surpresa era emitido - Luna, quem é o seu amigo? É o seu namorado? Se não, é comprometido? - Morgana brincava ao ver ela e Chaz atravessarem a parede.
- Mais uma brincadeira dessas e seu pescoço vira carne-moida! - ela berrava, assustando outros alunos no salão comunal - Esse é o Chaz, lembra dele? - ela balança a cabeça, negando - oras, claro que lembra! Ele e o time da Corvinal estiveram aqui no aniversário do Jackson!
- Calma, Lu! Foi só uma brincadeira inocente. - Morgana sorriu para Chaz, que acabou sorrindo de volta, meio corado.
- Quem é "Jackson"? - ele tentava entrar na conversa, falhando ao perceber que ambas o ignoravam.
- Sei. E aliás, melhor varrer o seu quarto antes que dê bicho.
- Mas o elfos fazem isso, Luninha.
- Mas não durante a noite, e dai pode atrair roedores, ok?
- Okay, mãe. Pode deixar, mas a senhora tem que varrer seu lado também. - Luna ficou levemente corada enquanto a amiga batia com o pé no chão, sorrindo.
- Eu varro... sempre o... meu lado e...
- Sei. E as coleiras?
- Chegam amanhã, e lembre-se de que elas são pagas, heim!
- Claro... e o bonitão ai?
- Bom... eu já sou comprometido e...
- E compromisso é atestado de óbito, por acaso?
- MORGANA!
- É verdade, oras. - Morgana se apoia no braço de Chaz. - Qual seu signo?
- Hã ... eu vou verificar o dormitório masculino - ele saia, deixando luna encarando Morgana.
- Bonito, heim? Dando encima do namorado dos outros!
- Qual é o problema? Quem pode, pode!
- Ai , Morgana! Você é um caso sério, não toma jeito! E depois fica dizendo por ai que eu sou infantil!
- Bem, pelo menos dedico parte do meu tempo para apreciar alguns dos gatinhos que andam por ai, como o Carlos.
- Ele já tem namorada! E está no sétimo ano!
- E daí? Gosto de rapazes maduros.
- E altos, pelo visto! Ai, por que eu perco o meu tempo discutindo com você?
- Vem cá, Luna - e puxava-a para perto da janela - tá vendo? Dá pra ver boa parte da escola daqui. Olha lá aquele garoto lindo que tá passando!
- Não parece lá grande coisa.
- Exigente, não é? E aquele ali... olha lá, é o Thor, o batedor da Sonserina! Nossa! Que corpo! Que músculos!
- Fala sério, Morgana! Ele deve ter até problemas pra respirar! Aquele sujeito tem músculos até no suvaco!
- E que tal aquele rapaz de cabelos acizentados e olhos de águia?
- Até parece que você consegue ver os olhos dele daqui...
- Não, mas o James é um gato! Ih, olha lá! Olha lá aquele garoto lindão encostado na árvore com um livro! Nossa, olha só como o cabelo dele é escuro, que show! E os olhos, que gato! Ih, outro dia eu o vi treinando no campo de quadribol, precisava ter visto, o vento erguendo aquele cabelo dele fica tãoooooo meigo! Antes ele deixava curto, mas desde que deixou crescer, ficou mais gato ainda!
- Morgana - Luna, cheia daquela ladainha, coloca um dedo na boca da amiga - primeiro que você não conseguiria ver os olhos dele daqui sem uma luneta, e além do mais... AQUELE É O YOH! E QUE MANIA É ESSA DE VOCÊ FICAR CORRENDO ATRÁS DE GAROTOS COMPROMETIDOS?
- Até que ele é um gato - ela falava, como se não tivesse prestado atenção nos gritos - vai dizer que não?
- É simpático, isso sim, mas...
- Ah, qualé, Luna! Não te lembra o Malfoy?
- Heim? Mas comé?
- Ah, vai dizer que nunca percebeu? Céus, será que eu fui a única que prestei atenção? Outro dia dei uma olhada nele e vi aqueles olhos... nossa! São lindos! Ele tem olhos acizentados, que nem o Malfoy!
- Eles nem são parentes, Morgana.
- Por isso mesmo! Imagina só, um cara gostoso que nem o Malfoy, mas sem o gênio dele?
- Eu mereço. Ainda vai apanhar da Weasley por causa disso! E da Cassie, da Miranda, da...
- Ei, azarar um pouquinho não faz mal a ninguém, é bem menos grave do que ficar dando encima descaradamente, sabia?
- Heim? Do que cê tá falando?
- Ah, não sabia? Andam dando encima do "menino que ressuscitou", não sabia?
- É? Quando foi isso?
- Andei ouvindo pelos corredores de que uma garota ai anda abrindo demais as asinhas, e que só tá esperando a Weasley piscar pra alçar vôo.
- Quem é? Me conta! Me conta! Me conta!
- Ué, ficou interessada? Não sei por que, já que você não é chegada nisso - Morgana lança um olhar acusador para cima de Luna.
- EU NÃO SOU LÉSBICA! – e, nesse exato momento, Chaz descia a escada que levava até o dormitório feminino, ouvindo o grito de Chaz.
Na verdade, todos que estavam no salão comunal ouviram.
- Hã... continuem me ignorando, é melhor – e tornava a subir as escadas, torcendo pra ter se esquecido de alguma coisa lá encima.
Definitivamente era algo que Hermione não esperava ver todo dia.
- Granger, não pode ficar com todos esse livros jogados desse jeito. Estão juntando poeira, mofo e podem causar infecções nas pessoas - Pansy se dirigia a ela, enquanto anotava em seu bloco. Aparentemente Nem Harry nem Simas gostaram de Pansy ter se dirigido a Hermione naquele tom, e Rony estava fazendo o possível para aclamar os ânimos dos demais ali.
- Tudo bem ... - Tá certo que eles estavam fazendo o trabalho deles, mais tem certas coisas que enchem o saco de qualquer um, e Hermione estava a ponto de estourar. - Eu vou levar alguns para a biblioteca.
- E os outros? Tem muitos livros.
- Os outros são meus.
- Certo, então providencia uma estante para eles. Você tem um gato, não tem? Gatos gostam de afiar as garras nos locais mais incômodos, não vai querer acordar e descobrir que seu gato afiou as garras em seu livro de poções. - E continuava andando pela sala, observando algumas irregularidades e ignorando os olhares dos alunos presentes.
Claro que estava sendo difícil. Era relativamente fácil fazer seu serviço exibindo o velho semblante de sempre, mas ainda estava pensando nas dicas que suas amigas lhe deram, e em como era difícil conseguir certas coisas.
Mas, bem ou mal, era sua função ali. Ficou claro o que Rony quis dizer, e entendia o motivo de seu medo, mas evitar algo não era a melhor forma de resolver um problema. Podia ser uma solução temporária, mas teria que ser encarada mais cedo ou mais tarde.
Mas, mesmo assim, ainda era uma Sonserina e, como tal, conhecia sua casa como ninguém. Sabia que ninguém faria mal a Chaz e Luna, ainda mais levando-se em conta o que estava em jogo. Desde a virada do ano anterior, os alunos da Sonserina estavam fazendo um certo esforço para ganhar uma quantidade extra de pontos e evitar perdê-los e, levando-se em conta a última partida em que Sonserina finalmente venceu Grifinória, os ânimos deles estavam a flor da pele. Não iriam estragar tudo, tampouco permitiriam que outra pessoa o fizesse.
A semana estava só começando, ainda tinha muito o que resolver.
Será que sobrava um tempinho para conversar com seu Draquinho? Talvez. Esperava que sim, ao menos isso.
Rony fazia suas anotações com um dos olhos, com o outro, observava os alunos ao redor. Sentia um estalo na garganta pois em todos os dormitórios no qual adentravam, todos os alunos estavam presentes, em um horário que normalmente estariam no salão comunal e/ou passeando pelos corredores, fazendo qualquer coisa, menos estar ali.
Era óbvio demais – ele engole a própria saliva – ninguém ali se sentia à vontade com uma Sonserina "bisbilhotando" suas coisas.
Deveriam estar pensando horrores dela. Uma espiã, no mínimo. Procurando informações sobre o Harry, quem sabe.
Quanto a ela, apenas continuava seu trabalho. Podia entender na pele as palavras anteriores dela, sobre as pessoas de sua cara a respeitaram...
Piada, ela deve soltado uma risada interna daquelas. O ar de desconfiança, os olhares de todos estavam fazendo-no passar mal.
Nesse aspecto, o tratamento que ela estava recebendo de seus colegas de casa não deveria ser muito diferente do que Luna e Chaz deveriam estar passando na Sonserina, há uma hora dessas.
- Certo, por favor, saiam todos – ele fala em bom e alto tom.
- Não dá, estou estudando – um aluno do quarto ano falou.
- Estude outra hora, agora precisamos de espaço, e vocês estão nos atrapalhando – e devolvia para ele o mesmo olhar que ele havia dirigido à Pansy.
- Ah, é? Pois eu não me sinto bem saindo e...
- Isso é uma ordem direta de Madame Promfrey – ele mantém a postura – você será punido por obstruir nosso trabalho, além de ser responsabilizado por qualquer possivel problema que os alunos venham a tem. Não se preocupe, é uma vistoria de rotina, não estamos aqui para procurar provas para futuras suspensões – e olhava para todos os presentes, observando o quarto ir esvaziando rapidamente. O último aluno, com o qual ele havia tido a rápida discussão, lhe manda um olhar acusador e sai dali.
- Obrigado, Rony – Pansy agradece sem lhe dirigir a face.
- De nada – e continuava também seu trabalho, sentindo um nó no pescoço e uma vergonha tremenda do mau exemplo de seus colegas.
Aproveitando que seus "pupilos" estavam entretidos, ela sai da sala de reuniões e entra em uma ala reservada da enfermaria, aonde uma moça estava sentada na cama, lendo um livro.
- Nas férias você irá para o hospital Londrino. – A enfermeira chama a atenção da paciente . - Ficará melhor lá.
- Se a senhora diz...
- Não se preocupe, tudo vai dar certo. Você vai ver, lá é bem mais movimentado do que aqui, terá outras pessoas para conversar, não se sentirá tão solitária quanto aqui.
- Ok.
- O que foi, minha jovem? - a enfermeira-chefe se senta na cama, observando a moça - Por que esse olhar? Por que tanto desânimo? - e dava um sorriso enorme para alegrar Sarah - não precisa ficar preocupada, vai dar tudo certo, acredite - e apertava as mãos dela em um ato de incentivo e compaixão - não precisa se preocupar, deixe isso para a sua família, eles é quem tem que ter dores de cabeça, não você. Um dia terá filhos, ai sim vai ficar rouca só de gritar para eles se comportarem - ambas dão um gostosa risada, nem mesmo Sarah estava acreditando naquele senso de humor de madame Promfrey. Ficaram ali, daquele jeito, até que, encarando mais uma vez os olhos da jovem Figy, madame Pomfrey resolve falar mais sério - o que foi, senhorita Figy? Por que esse olhar? Por acaso você não que mais viver, é isso? - Sarah arregala os olhos diante da mudança brusca de assunto - surpresa? Cuidei de sua mãe, sua tia... perdi a conta das vezes em que tantas como você por motivos banais perderam o interesse em seguir em frente e dar a volta por cima.
- Sabe... minha prima era muito pequena quando os primeiros sintomas apareceram... na época não sabíamos o que era, dai sumiu, voltou, sumiu ... e agora voltou de novo. Isso dói tanto, e eu me sinto tão debilitada. As vezes tenho vontade de que isso tenha um fim de uma vez por todas, assim não daria mais preocupação para meus familiares, não teria que ver minha prima chorando. Eu só sirvo para dar dor de cabeça para a minha mãe, eu... eu...
- Esse coraçãozinho está muito apertado. - Madame Pomfrey se aproxima e a abraça. - O que te faz pensar que é um transtorno para a sua mãe, Jovem Figy? Você é e sempre será o maior orgulho de Marie, nunca se esqueça disso.
- Eu atrasei a vida dela, nunca deveria ter...
- Não diga uma coisa dessas! - Madame Pomfrey a encarava duramente - Nunca, entendeu? É melhor ter uma vida do que nunca ter tido uma. Quantas crianças sequer tem a chance de contemplar a luz de um novo dia, de abrir os olhos? Quantas mães não dariam sua vida para que seus filhos nascessem? Você não é um peso para ela, Sarah. Mesmo depois de tudo o que Marie passou, você sempre será o maior orgulho dela, seu maior tesouro, não se esqueça. E, se quiser se abrir comigo e me dizer como se sente em relação a tudo, estou aqui, lembre-se. E o que você disser para mim, ficará aqui.
- Acho que há segredos que devemos jogar a chave fora. – ela vira o rosto, não conseguindo mais encarar a enfermeira. Além da dor causada pela doença e o desespero trazido pela falta de experança, havia mais uma dor que ela não conseguia suportar - Eu... eu... eu gosto muito de uma pessoa, mas essa pessoa gosta de outra e...
- Acho que já ouvi isso antes. Sim, eu já ouvi isso antes.
- Acho que sim, mas ele não liga pra mim, mesmo. Nem quando finge que não olha, ele está pensando nessa outra pessoa. O tempo todo só pensa em outra pessoa. Eu tento, mas tem horas em que não dá pra suportar isso, sabe.
- É o Harry, certo?
- C-c-como a senhora...? - Sarah estava prestes a engolir o coração.
- Você acha mesmo que os professores são tão desatentos assim? - Ela dava um leve sorriso - Acha que nunca percebemos quando um ou outro aluno esta "aéreo" na sala, e que isso não é por causa do sono? Ou quando o fluxo de corujas entre determinadas pessoas aumenta drasticamente? Ou os cochichos que circulam pelos corredores, acha que nunca ouvimos um ou outro, ou que só ouvimos quando falam mal do corpo administrativo da escola? - Sarah arregalava ainda mais os olhos - Ora, senhorita Figy... ao contrário do que muitos pensam, nós adultos não esquecemos de que um dia fomos jovens como vocês, tampouco do quanto "aprontavamos".
- M-mas e-e-espera um pouco, eu... se vocês sabem de tudo isso, por que não intervêm? Tanta gente triste, tanta briga, tantos problemas, tantas discussões entre as casas... vocês poderiam evitar tudo isso, por que não o fazem? Quanto mal é gerado de uma pessoa para outra, quantos sonhos despedaçados, quantas desilusões... se vocês estão tão atentos a isso tudo quanto dizem, por que não fazem nada? Por que nunca fizeram nada?
- Simplesmente - ela se levanta, olhando para a janela - por que vocês tem que aprender a caminhar com suas próprias pernas. Não vamos estar aqui para sempre e, se fizéssemos isso, não estariamos ajudando-os, e sim aleijando-os para a vida. Claro que não ficamos sempre parados, muita coisa realmente grave nós impedimos, mas... um dia partiremos. Vi sua mãe adentrar nesta escola, minha querida. Já vi muita coisa por aqui e, em determinado momento, temos que admitir que nem sempre estaremos por perto quando as pessoas precisarem, e elas vão precisar aprender a se virar sozinha. Cada briga, cada discussão, cada ato de vingança... cada sorriso, cada amizade... tudo isso irá refletir lá fora, aonde terão que encarar a vida como ela é, sem a proteção de nosso colo. Mas não pense nisso agora, está bem? Vamos nos preocupar, por hora, em viver um dia de cada vez. Vou falar com o professor Dumbledore, seu tratamento poderá demorar um pouco e não queremos que você fique atrasada em relação aos demais alunos, não é mesmo?
- Madame Pomfrey... o que eu faço? - perguntava em um tom de súplica.
- Siga o que seu coração mandar, as vezes é bom ele mandar um pouquinho a mais que a razão.
- Mas... mas e se ele me rejeitar, digo, se não der certo, digo...?
- Só tem um jeito de você saber disso, não é mesmo ? Se acha que vale a pena...
- Sabe o que mais me assusta? Dele ficar ao meu lado não por carinho, mas por piedade, compaixão... pena! Tenho medo disso, muito medo!
- Ah, minha querida – ela se senta na cama, puxando Sarah, a qual encosta sua cabeça no peito dela, e tem o corpo enlaçado pelos seus braços. – não chore... ou melhor, chore, vamos. Pode chorar, se isso te fizer sentir melhor.
Jovens... sempre os mesmos. Se em um momento se mostravam extremamente maduros, sérios e capazes de tudo para provarem capazes de assumir responsabilidades, em outros se rendiam aos seus hormônios, sendo capazes de decisões e atitudes totalmente contrárias as suas personalidades.
Os bons e velhos hormônios, os quais oram causavam um salto em alguns - lembrando-se de Rony e Pansy – e uma certa regressão em outros – perdendo a conta da enorme quantidade de alunos que se enquadravam nesse exemplo.
E, apesar de já ter presenciado uma cena como essas um incontável número de vezes, se compadecia de cada uma delas.
Pois ela era a médica da escola. Muito mais do que alguém que cuidava da saúde dos alunos, uma verdadeira confidente para muitos. Seja a voz que se tornava grossa, as espinhas eclodindo, ou perguntas que eles só poderiam ter respostas – e as vezes, não – com seus pais, os quais não se encontravam presentes. Eram crianças, adolescentes, jovens crescendo e tendo muitas dúvidas, muitas das quais não caiam em uma prova de NOM's, mas que poderiam fazer toda a diferença para a vida delas.
Alunos cujos hormônios estavam "fazendo cerão", alunas experimentando sensações que nunca tinham experimentado antes, e com dúvidas, medos, receios, perguntas para serem feitas que não poderiam ser respondidas via correio, mesmo por que o medo e a vergonha de perguntar era um tabu antigo, um dos mais antigos, o de debater temas polêmicos com os pais. E os pais também tinham uma parcelo de culpa, por achar que seus filhos eram seus eternos anjos, nunca tendo idade o suficiente para compreender os ""assuntos dos adultos". Era incrível como muitos pais se esqueciam que aprontavam quando tinham a idade dos filhos.
Coisas comuns, que as grandes famílias Bruxas pareciam esquecer de conversar com seus herdeiros, ou não achavam que fosse um assunto digno de atenção. Em horas como essa admira muito o grupo de Rony.
A quem ela queria enganar? Admirava os quatro por tudo. Seus sonhos, seus ideais, a vontade de mudar as coisas, de abrir os olhos das pessoas para os novos tempos... infelizmente, eles topariam com o velho problema das tradições, dos tabus. Estavam trilhando o mesmo caminho que ela trilhou tantas vezes, perseguindo os mesmos objetivos que ela perseguiu por inumeras vezes, sem resultado, simplesmente por que eram coisas que iam contra tradições milenares e/ou eram assuntos que os pais não se sentiam à vontade pelos filhos aprendendo certas coisas na escola.
- Ele... ele tem sido tão carinhoso comigo... tão amigo, tão companheiro – sua voz se misturava ao choro, enquanto Pomfrey acariciava suas mechas, tentando confortá-la. – tão... atencioso...
- Sim, eu sei. Não é pecado amar, jovem Sarah.
- Mas... o amor dele não me pertence, madame Pomfrey – e falava em um tom bem depressivo, tentando conter as lágrimas, mas um olhar desaprovador da enfermeira lhe mostra que era melhor desabafar, colocar para fora o que realmente sentia.
- O amor é uma coisa curiosa, pois... ele não tem destino, nem rumo. Escolhe o caminho que quer e bem entende, por mais que ajam outros caminhos melhores, maiores e com opções mais atrativas- e lhe dava um singelo sorriso, abaixando sua cabeça e beijando sua testa – o amor é como o fogo, que queima e é incontrolável. É como o gelo e o raio quando se encontram no coração da tempestade. Como uma corrente, que quando encontra o que deseja, se prende e não larga por nada nesse mundo – as palavras da enfermeira, se por um momento lhe traziam dor, também procuravam mostrar uma luz em meio a tanta escuridão, uma resposta para tanto sofrimento.
- Mas e quando ele se prende a algo que não lhe pertence? – ela olha para cima, fitando os olhos da enfermeira, a qual toca em seu nariz com a ponta dos dedos.
- Ele é cego, jovem Figy. Não enxerga o caminho, mas sente o melhor para ele. Ele pode não escolher o que seria o mais sensato, mas... ele é sincero consigo mesmo. – e vislumbra os olhos cheios de lágrimas da moça, antes dela afundar a face em seu vestido novamente – Chore, vamos. Há um lindo ditado que diz "O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã".
- Eu não quero ficar alegre, eu... eu... eu queria estar viva, eu... queria ele aqui comigo, do meu lado... mesmo com suas deficiências, com seu jeito de ser, mesmo assim, eu o quero! Queria ser abraçada, ouvir sua voz me dando bom dia, ter seus olhos me fitando de maneira apaixonada, pode me jogar no aconchego de seus braços...
Pomfrey continua apenas ouvindo o desabafo de Sarah. Realmente ela era muito parecida com Marie. Mais do que as pessoas poderiam imaginar.
Gaia e Marie, as irmãs Figy. Responsáveis, maduras, mas capazes de perder totalmente a razão por causa de seus amores.
Lembrava-se bem como as coisas aconteceram. E pensar que elas eram apenas duas dentre as várias apaixonadas pelos Marotos.
Gaia foi a única mulher que realmente compreendia Lupin, que lhe dava carinho e atenção. Apesar de atrair olhares, seu comportamento acabava por afastar as pessoas. Se não fosse por seus amigos, seria um rapaz ainda mais isolado, com medo de ferir os que se aproximavam por causa de sua maldição.
Gaia não. Ela não fazia parte do "seleto" grupo de amigos dele e, mesmo com todas as barreiras que ele ergueu em torno de si, ela se aproximou e o encantou.
Não, pensava. Ele foi se abrindo, baixando sua guarda e permitindo que aquela jovem se aproximasse. Ele a amava mais do que tudo, não queria feri-la. Nunca se perdoaria se a machucasse, a ferisse e, apesar dos apelos dela, tomou uma decisão que a magoou e muito. No fundo ela entendia o jovem Remo, sua dor, o sofrimento pelo qual passou ao abandoná-la. Sabia que ele queria ficar com ela, ao lado dela, amando-a ternamente e loucamente até o fim de seus dias, mas sabia que não era possivel. Por mais que sonhasse, por mais que tentasse caminhar ao lado dela em seu mundo de sonhos e alegrias, sabia que não era mais do que isso: um sonho.
Por isso a abandonou. Não por se achar uma besta incapaz de amar e que não merecia a companhia dos outros, mas por não ser capaz de permitir que ela fosse ferida, machucada, ainda mais por ele. E uma vez que o poção de Severo só seria criada anos depois, nada mais restava a ela senão abandoná-la. Sabia o quanto ela sofreria, pois seu sofrimento era o mesmo, mas ao menos, ela estaria viva, e bem.
O choro de Gaia era algo marcado em sua mente, e na mente de muitos. Ela não o odiava, mas também não se conformava com o que havia acontecido. Ainda mais depois que descobriu estar grávida. Tentou contactá-lo, acreditando que isso o faria voltar, e que seriam uma familia feliz, independente dos problemas.
Quem sabe? Talvez ele soubesse, tivesse percebido a gravidez antes mesmo de Gaia. Mesmo não sendo lua cheia, com o passar do tempo algumas habilidades raciais se manifestavam com o tempo, e com maior freqüência.
Quanto a Marie... ela não foi muito feliz, tampouco teve os anos dourados que a irmã teve. E tudo por causa de um relacionamento mal terminado que ela não fora capaz de superar.
Era irônico Sarah ter se apaixonado por Harry, uma vez que Marie tinha se apaixonado por Thiago. Dois jovens apaixonados, um rapaz famoso na escola, uma jovem carinhosa, atenciosa e que sempre estava ao seu lado, apoiando-o, conversando e chamando sua atenção quando necessário. Segundo muitos, era ela quem segurava as rédeas de Thiago.
Até que ele a deixou. Preferiu omitir essa parte para Sarah enquanto ouvia seu desabafo, sobre não mandarmos em nosso coração, do amor ser incontrolável. Já bastava a ela sua dor, nada de ficar sofrendo pela sua mãe.
E como sofreu. Marie amava demais Thiago, e não aceitou facilmente o fim do namoro. Nem mesmo os conselhos dos amigos surtiram efeito, pois o sofrimento dele era imenso.
Até que, em determinado momento, não suportando mais tamanha dor, ela procurou esquecer Thiago. Queria esquecer, precisava fazer isso, do contrário não conseguiria seguir em frente, não seria capaz de viver sua vida. Era um martírio para ela acordar sabendo que ele não estava ao seu lado, não diria que a amava, não captaria suas mechas e brincaria com elas...
Tentou, tentou... a vida boêmia que havia adotado nunca fora aprovada pelos amigos, ainda mais do jeito que ela a levava, mas Marie nunca se importou. Não acreditava mais no amor, no sentimento. Se fosse para sofrer com algo que não duraria para sempre, que assim fosse. Efêmero, mas memorável, proveitoso enquanto durasse. Inesquecível pelo tempo que perdurasse, mas que não deixasse marcas para fazê-la sofrer. Preferia aproveitar cada momento de sua vida como se fosse único, extraindo o máximo dele, independente de onde, como ou com quem, do que entregar seu coração e alma novamente a alguém que não a merecia.
E isso durou por muito, mas muito tempo. Mesmo depois que se formou, não mudou seu "estilo" de vida... até que Marie nasceu.
E, na opinião de muitos, foi a melhor coisa que ocorreu em sua vida. Pois a reação dela fora totalmente diferente do inesperado. A criança simplesmente quebrandou o coração dela, devolvendo-lhe a alegria na vida, o prazer de amar. O sentimento de ter nos seus braços alguém que te entende, te compreende, cuja alegria é estar ao seu lado. Foi o fim da vida Boêmia dela, e o renascimento não de uma nova Marie, mas da antiga que estava na parte mais funda e amarga de sua alma, escondida por uma vida de dor e sofrimento.
Marie e Gaia... dois exemplos de alunas... duas dentre tantas histórias que ocorriam pelos corredores daquela escola, relatos que ela guarda no peito, usando-os como referência para o amanhã.
Mais do que isso, um exemplo de como muita coisa poderia ter sido mudada se alguns tabus tolos surgidos em temos antigos já tivessem caído.
O tempo não corria, fluía. Ouvia atentamente a confissão da jovem Figy, a história de sua vida. Como uma mãe.
Não, não uma mãe, mas uma irmã mais velha, a qual já havia passado pelas mesmas experiências que seus "irmãozinhos" estavam passando, na qual eles podiam confiar, alguém que guardaria seus segredos, lhe daria conselhos e ouviria suas mágoas.
E não so ela, mas um grande número de alunos de Hogwarts. Era curiosa a vida, lembrava-se da jovem Weasley em tempos recentes, sendo consultada quando estava se tornando moça, e confessando seus medos e temores, e do amor por alguém, um amor que não lhe pertencia.
As voltas que o mundo dava... e pensar que a aconselhou a ser sincera com o seu coração, pois ele não mentia.
Marie... Gaia... Gina... Sarah... Julieta... Amanda... vidas com as quais ela convivia, vidas que passaram, vidas que a acompanhavam. Muito mais do que sua, mas a experiência de várias vidas. Mulheres diferentes, a mesma situação. Ano após ano, cada uma lutando, batalhando pelas suas vidas, seus objetivos, ideais, enfrentando/suportando/convivendo com as armadilhas do coração.
Bruxas... estudantes... mulheres. Cada uma, em cada época, em cada período, lhe ensinaram e tem ensinado mais e mais, a cada momento, cada segundo, cada instante.
E, acima de tudo, lhe ensinaram uma coisa muito importante: Nunca, jamais, desrespeitar e/ou desprezar um amor, independente da forma, da idade e do tempo no qual ele ocorra.
Nem mesmo que seja um amor adolescente.
Continua...