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Capítulo 9: Resquícios de Amor
Três dias se passaram depois do aparecimento de Chronos, e todos pareciam estar se acostumando com a situação... ou não.
– Ai, meu Zeus... – Misao sussurrou, tirando o termômetro da boca de Saga – Trinta e nove de febre! Era pra ele ficar com essa gripe? Judiação...
– De quem ele pegou? – Seiya, que trazia um novo balde de água fria para fazer as compressas frias, questionou.
– Sei lá, pode ter sido de qualquer um dos meninos – ela respondeu, pegando o balde das mãos do rapaz.
Na primeira noite deles, a chuva realmente havia apertado, como o previsto, com trovoadas e tudo o que tinha direito; até parecia um dilúvio. A manhã seguinte não estava mais daquele jeito, mas as grossas gotas persistiam em cair do céu. Por algum motivo qualquer, os mais travessos (ou seja: Shura, Miro e Aioria) resolveram sair para brincar na chuva, deixando suas respectivas “babás” loucas da vida. Em menos de meia hora, os três estavam com os rostinhos corados e os olhinhos brilhando.
– Estão gripados – KS, que tinha uma certa experiência com isso (ela gostaria de ser médica, se não fosse virar uma amazona de ouro), falara depois de olhá-los bem – São os sintomas iniciais de uma gripe em uma criança pequena antes de ficarem com febre... posso ser sincera, Shiryu- san, Hyoga-san?
– Manda a bomba – Cisne resmungara, pressentindo alguma coisa naquela pergunta.
– Teremos alguns problemas. Fiquem preparados, porque eles vão ficar bem manhosos.
No entanto, ninguém imaginou que ficariam TÃO manhosos: reclamavam o tempo todo, ora de frio, ora de calor, algumas vezes de dor de cabeça, não comiam quase nada e ficavam chamando o tempo todo (na maioria das vezes era só para pedirem carinho). Se bem que aquilo tudo serviu para uma coisa: para colocar os últimos que faltavam no grupo para trabalhar. Ikki acabou se vendo na obrigação de ajudar... e Seiya e Shun (que, apesar de ser um amor e extremamente paciente, não levava jeito algum para essas coisas de cuidar de criança) acabaram entrando na onda, já que Saga e Afrodite haviam ficado gripados, também. Provavelmente contraindo a doença em alguma das visitinhas aos amiguinhos. Os únicos que estavam inteiros eram Kamus (“Acho que ele tem o sistema imunológico forte”, KS constatou, ao notar que, mesmo o aquariano estando perto dos amiguinhos, não ficava gripado de maneira nenhuma. “Também, vivendo mais da metade da vida naquele frio da Sibéria, não poderíamos esperar menos”), Mu e Shaka (“Se esses dois ficassem gripados, eu iria querer morrer de catapora”, Belier falou. “Tudo bem que eu amo os dois, mas não quero nem ver como eles ficariam doentinhos.”).
– Com licença... – uma voz feminina interrompeu a conversa de Misao e Seiya.
– Ah, oi Marin-san! Bom dia pra você também, Shina-san – a garota cumprimentou as recém-chegadas – O que as traz aqui?
– Viemos trazer umas frutas para os doentinhos – a amazona de Águia respondeu, vendo o menino deitado na cama – Tadinho... melhorou?
– Que nada – Seiya respondeu, trocando o pano úmido da testa de Gêmeos – Pedimos para que Kanon viesse ajudar, mas parece que ele ainda tem uns assuntos para resolver com Julian lá no Reino dos Mares.
– Miro também não está muito melhor – Shina intrometeu-se – Trinta e oito e meio de febre.
– E como a KS tá se virando? – a pisciniana perguntou meio preocupada.
– Bem... MdM tá ajudando bastante. Ele leva jeito.
– Nem parece, né? Vão visitar o Aioria e o Shura?
– Vamos... – Marin virou-se para sair, seguida de Shina – A gente se fala mais tarde, então. Cuidem direitinho dele, viu?
– Pode deixar – foi a resposta em unissom.
Assim que as outras se foram, Misao olhou mais uma vez para Saga. Ainda estava dormindo feito pedra.
A amazona de Cobra ficou na casa seguinte, paparicando o “seu bebezinho” e ajudando Shiryu e Ikki (“O que vocês precisam é de uma mulher aqui”, foi o que ela disse). Já a de Águia fez uma visita rápida à casa de Peixes e voltou para a de Aquário para tomar conta de Aioria.
Na casa de Peixes...
– Di num qué papá, tio Deba... – Afrodite resmungou, ao ver a maçã sem casca que Touro estendia para ele – Di qué vê o tio MdM...
– Mas você precisa comer pra ficar bom logo – Aldebaran argumentou – Se você comer, prometo te levar até a casa de Escorpião, tá?
A proposta não demorou a ser aceita.
“Quer ver o MdM, é? Caraca... e eu pensando que essa criançada fosse ficar com medo dele. Bom, se bem que é o Afrodite e Câncer. Será que... não, acho que não. O velho deus alterou um pouco a memória deles, não? Mas... é a única coisa que explica essa atitude.”
– Por que está dando chocolate pro Shaka, Belier? – a voz de Shun, que estava com Mu no colo, ecoou pela casa, interrompendo os pensamentos do brasileiro.
– Ele é só criança, Shun. Você não acha que vou dar aqueles trecos naturebas e sem gosto que ele costumava comer, né? E dá esse bombom pro Mu – ela jogou uma embalagem para Andrômeda e seu olhar foi atraído por um movimento do loirinho em seu colo – Quer mais, meu anjo? Toma... – e ela estendeu mais um pedacinho do doce – Mas é o último, viu? Senão vai ficar com dor de barriga.
Um tempo depois, Aldebaran saiu para procurar Máscara da Morte, com Afrodite no colo. Shun e Belier colocaram os bebês sentadinhos na grande colchonete que eles haviam estendido mais cedo na sala, com vários brinquedinhos espalhados, enquanto eles viam TV. Ficaram uns minutinhos em uma quietude morna, com os pequeninos brincando cada um no seu cantinho, quando algo atraiu a atenção dos dois adultos: Shaka parecia procurar alguma coisa pelo chão, pois ficava varrendo o local com o olhar, sem se prender em nenhum ponto em específico... e foi com um movimento mais ou menos brusco de Mu que se descobriu o que o loirinho procurava. O ariano havia feito rolar pelo chão uma bola toda colorida de borracha, que deveria ser um pouco maior que a mão aberta de uma pessoa adulta. Poderia ter sido que o brinquedo tivesse escapado das mãozinhas do tibetano por acidente, se não fosse por um detalhe: a bola havia rolado com extrema precisão em direção ao indiano.
Shaka, depois de receber o brinquedo, alternava o olhar entre a bola e Mu, que não se moveu para buscar o objeto; ficou apenas esperando a reação do outro, que não tardou a acontecer: o loirinho jogou a bolinha de volta, sendo recepcionada por um agora sorridente Mu.
Belier e Shun não conseguiram evitar que seus queixos caírem de espanto.
– É... – Andrômeda começou – Não eram eles que nesses dias queriam comer a alma do outro?
– É... mas... – a futura amazona olhou para o outro – Não me olhe com essa cara de o-que-está-acontecendo, porque eu também não sei.
“Mas do que a gente tá reclamando?”, a jovem olhou para os dois pequenos, que agora brincavam alegres. “Está bem melhor assim. Esses sorrisinhos lembram muito os que eles davam quando... ei, peraí! E se eles estiverem com lembranças adultas? Não... senão o Shaka não estaria tão agitado. Mas... ah, deixa pra lá! Se eu encontrar com o deus Chronos, eu pergunto sobre isso.”
Em Escorpião, no quarto...
– Ai, meu anjinho... não fica assim, não – KS beijou a testa quente de Miro assim que tirou o pano molhado para trocar, abraçando o mais forte o jovenzinho – Eu já não sei mais o que fazer... não posso ficar dando remédio sem saber os efeitos colaterais.
– Fica calma – Máscara da Morte pediu – Ele é forte.
– Mas vê-lo desse jeito me deixa angustiada... nunca gostei desse tipo de situação; ficar sem saber o que fazer.
Nessa parte da conversa, uma leve batida na porta é ouvida.
– Entra – a garota pediu.
– Licencinha – timidamente, Patty abriu a porta, carregando um jovem Kamus, ambos com uma expressão de preocupação.
– Oi, Patty-chan. Beleza? E o Aioria, como tá?
– Ah, um pouco melhor. A febre baixou e a Marin ficou para ajudar o Hyoga.
– Bom, vou deixar vocês conversarem à vontade – Câncer anunciou, levantando- se da cama – Vou estar no jardim, tá?
– Tá bom. Obrigada.
Assim que o rapaz saiu, Patrícia sentou-se no lugar que ele havia deixado livre.
– Ele é bem carinhoso quando quer, né?
– Isso sim...
– Nossa, ele tá vermelho... – a aquariana fez um carinho em Miro, que respirava como se tivesse corrido aquele tempo todo.
Nessa hora, Kamus saiu do colo de sua “babá” e foi para perto do amiguinho, pegando carinhosamente a mão do escorpiano, que correspondeu apenas apertando um pouco mais a mão do outro.
– Milo, fica bom logo pra gente binca...
KS e Patty ficaram assustadas, mas ao mesmo tempo com o coração leve e cheio de ternura. Kamus parecia realmente muito preocupado com a saúde de Miro... e ele não era de demonstrar tanto carinho, mesmo nessa idade.
– Tia Patty, não dá pra fazer aquilo que cê fez com o Aiolia? – os olhinhos azuis brilhavam em expectativa.
– Claro... KS, deixa eu pegar o Miro um pouquinho.
E assim que a amiga passou o garotinho para seu colo, ela começou a expandir seu cosmo, mas não muito para não ficar muito frio e dar choque térmico. Depois de uns cinco minutos, Miro já não estava mais vermelho e tinha a respiração mais tranqüila.
– Melhor, Miro? – Patty perguntou, colocando o pequeno para sentar-se entre ela e KS, com Kamus à sua frente.
– A minha cabeça tá zunindo um pouco...
– Mas resolveu bem – KS colocou a mão na testa dele – A febre tá bem baixa.
– Posso ser sincera? – a amiga perguntou enquanto via Kamus puxar Miro para brincarem – Eu vim direto para cá, sem ficar muito nas outras casas para ver como os outros estavam porque... foi o Kamus quem pediu para vir ver o Miro. Falou que queria saber como ele tava. Ele não queria ver mais ninguém.
– Sério? Mas... – agora que a escorpiana estava notando: o pequeno aquariano parecia bem mais animado depois que seu pequeno mestre deu uma melhorada – Ele não é desse tipo de coisa, mesmo quando pequeno. Lembro que Miro comentou comigo um tempo atrás que Kamus, logo que chegou aqui, aos seis anos, era uma pedra de gelo... não falava com ninguém e passava o tempo inteiro lendo na biblioteca daqui do Santuário. E nesses três dias deu pra notar que ele é realmente assim.
– Sabe, estive pensando... e se esse carinho que o Kamus sente pelo Miro for... é apenas uma suposição, mas e se for... um resquício de afeto de quando eles eram adultos?
– Será? – a discípula de Miro olhou a dupla – Sabe, pode até ser... bom, sei lá.
Já na casa de Capricórnio...
– Querem que eu durma aqui? – os dois não puderam ver a cara meio descrente de Shina por detrás da máscara prateada – Mas...
– Por favor – Shiryu repetiu – É que ele não largou de você desde que você chegou...
– Qual o problema de ficar aqui? – Fênix perguntou logo em seguida.
– Mas ele é responsabilidade de vocês dois. Eu não posso deixar as minhas responsabilidades. Vocês podem não saber, mas tenho discípulos pra treinar...
– Não vai embola, não, tia Shi! – Shura abraçou forte o pescoço da amazona – Não me deixa sozinho.
“Por Zeus... ele tá mais grudento que a comida do Ikki”, ela pensou, retribuindo o abraço. “Bom, pelo menos melhorou...”
– Eu não vou deixar você, meu bebê... é que eu tenho coisa pra fazer. Mas eu volto assim que puder, tá?
– Pomete...? – ele fez um biquinho quando desenlaçou do pescoço da jovem, fazendo uma carinha de cachorro pidão. Quem resistiria a uma carinha daquela?
– Prometo, e você tem que prometer que vai obedecer ao tio Ikki e ao tio Shiryu.
– Tá! – ele sorriu animado, pulando do colo de Shina e indo para o quarto.
– Pronto, fácil – a amazona tinha um tom debochado na voz.
– Fala isso porque era namorada dele – Ikki retrucou no mesmo tom.
“Isso que ele falou tem um pouco de sentido”, Shiryu pensou. “Acho que essa paixão ficou um pouco impressa no subconsciente do Shura... que coisa.”
Na de Aquário...
– Seja um pouco mais firme, OK? – Marin falou depois de colocar o adormecido Aioria na cama – Não pode fazer todas as vontades das crianças.
– Mas...
– Olha, Hyoga-san, sei que é complicado, principalmente para alguém que perdeu a família de maneira tão trágica como você, mas isso pode deixá-los mimados – depois de falar isso, a amazona se levantou – Bom, acho que já vou. Qualquer coisa me chama, tá?
– Tá, valeu... – o loiro agradeceu, indo acompanhar Marin até a entrada, e teriam ido com êxito, se uma vozinha não os tivesse interrompido a meio caminho.
– Onde cê vai, tia Malin...? – Aioria murmurou extremamente sonolento, mas aparentemente saber o que estava acontecendo.
– Eu tenho que ir embora, leãozinho – ela deu meia volta e, depois de tirar rapidamente a máscara, beijo sua testa – Mas eu volto, tá bom?
– Tá... – e, antes que a mulher recolocasse a máscara, beijou sua bochecha e voltou a recostar a cabeça no travesseiro, dormindo em segundos.
“Carinhoso como sempre...”, a jovem pensou, sorrindo. “Será que ele era assim, ou... tá, não vou saber isso nunca. Mas... ah, quem se importa? Tá ótimo assim. Nem sei se quero que esse mês acabe tão cedo.”
E, mesmo que inconscientemente, todos tinham o mesmo pensamento de Marin: não sabiam se queriam que os pequenos voltassem a crescer tão cedo. Apesar de toda a confusão que eles provocavam, era isso que tornavam as coisas realmente bacanas de se enfrentar.
Continua...
Credo, esse cap levou mais tempo pra escrever que o 5! As idéias nunca estavam legais... e nem sei se essa ficou realmente boa, mas pelo menos ficou melhor que as outras versões que escrevi. Pro próximo cap... uma pequena viagem dos nossos queridinhos santinhos de ouro! ^^ Para onde? Vocês verão. Mas digo que, a partir do 10, a fic segue um outro rumo se comparada com a da Pipe-san. Achei que ficaria mais legal um toque meu, pra não ficar muito igual.
Bom, depois dessa fase “chibi-gold-saint”, estou planejando colocar alguma coisa de algumas fics da Be-chan (novamente): Treinamento (vocês não têm noção do que eu tô planejando pra essa), Estratégias de Abordagem, Presente de Grego (na verdade, pra essas serão apenas umas menções de algumas cenas em algumas conversas) e a série “Chiliques” (na verdade, menções da “Chiliques na Mansão Kido” e da “E os Chiliques Continuam” e uma inserção da “Chiliques no Santuário”). Sei que parece muito, mas são todas muito boas (ainda mais a “Chiliques no Santuário”). Quem conhecer alguma fic comédia muito boa de CdZ, mande coment, e-mail, carta via correio, telegrama, coruja (influência Potteriana ^^ ), sinal de fumaça, pombo- correio, grita... sei lá, mas eu gostaria de saber, pra poder pedir permissão pro(a) autor(a) pra usar a fic aqui.
Agora, os comentários, né? Afinal de contas, não posso deixar o pessoal sem resposta ^^ :
Prudence-chan: A pic que você tá falando, por um acaso, é aquela MUITO CUTE do Mu deitadinho no colo do Shaka que você postou no seu fotolog?! Meu, realmente, é MUITO KAWAII!! *_____* Amei! E se você precisar de inspiração pra série “na banheira” dos gold saints, pode me chamar que eu ajudo numa boa ^^
Be-chan: Eu realmente adorei escrever essa parte... como eu sei que tem um monte de pessoa que não vai com a cara dele, escrevi pensando especialmente nesse pessoal. E meninos (Shaka e Mu)... acho bom não provocarem muito porque, além de vocês REALMENTE serem muito cutes quando bebês, vocês vão acabar sem a parte que estou imaginando pra vocês mais pra frente (sabe, Be, sobre aquele lance que a gente discutiu nos e-mails...?)... ¬____¬
Valeu pra quem tá acompanhando a fic... um super b-jaum pra todo mundo!