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Capítulo 15: Com aroma de morango
Ginny acordou se sentindo cansada. Abriu os olhos, sem olhar para o lado, apenas fitou o teto. Sentiu algo se mexendo ao seu lado e puxando um pouco o seu cobertor. Era sempre assim. Toda manhã ele puxava o seu coberto, segundos depois dela acordar. Achava isso intrigante. Por que ele sempre puxava um pouco seu cobertor depois que ela acordava? Ginny acordava antes de Draco, tinha que fazer o café da manhã, acordar e ajeitar Alexi, se arrumar para ir ao seu trabalho e só depois disso Draco acordava, com o costumeiro mau humor. Tomavam o café juntos, para depois ela sair, levar Alexi na escola trouxa, que mesmo com Draco brigando ela continuou mandando Alexi para lá, e ir trabalhar no St. Mungus, ainda como estagiária. Havia sido assim no ultimo mês.
Draco não saia do apartamento de Ginny, desde a morte de Narcisa. Ele levou suas coisas para lá, e realmente aquele apartamento era pequeno para os três, agora que as coisas de Draco estavam ali. Ainda se adaptava a isso, sem dúvida era difícil conviver com alguém que fazia questão de encher seu banheiro de shampoo, loção pós barba, perfume (os mais caros que se encontrava na mundo mágico); algo esquisito e refinado na sua geladeira e alguns brinquedos mágicos espelhados pela casa. A presença de Draco era marcante no apartamento e por mais que ela estranhasse, gostava da presença dele ali. Era reconfortante e seguro, não era mais só ela e Alexi naquele apartamento. Era ela, Alexi e Draco, com suas manias, que ela ainda aprendia a lidar. E talvez fosse por isso que Draco puxasse toda manhã, assim que ela acordava, um pouco o seu cobertor. Ele queria se fazer presente, mostrar que estava ali com ela. Ginny chegou a essa conclusão na manhã em que se casaria com Draco.
Parou de fitar o teto e se virou de lado. Draco dormia com o cobertor cobrindo o rosto. Ginny afastou um pouco o cobertor para poder olhá-lo. Os fios de cabelos caídos pelo rosto e a boca um pouquinho entreaberta. Sorriu e deslizou a mão pelo rosto dele, fazendo-o estremecer um pouco e mexer as pálpebras com força. Vendo que já tinha conseguido acordá-lo, mesmo que ele ainda mantivesse os olhos fechados, ela se levantou, calçou as pantufas e saiu do quarto.
Draco abriu os olhos relutante, viu Ginny sair do quarto. É hoje. Tinha consciência do que aconteceria hoje. Tirou os fios de cabelos do seu rosto e fechou os olhos com um leve sorriso nos lábios.
- Hoje. É hoje. – Murmurou para depois abrir os olhos com força e se dar contar de que era hoje. – É hoje. – Repetiu meio nervoso.
Jogou os lençóis para o lado e se levantou. Iria se casar. Casar! Não era algo tão fácil assim. Ou era? Ele tinha certeza de que queria Ginny ao seu lado, mas ele nunca havia pensando em casamento, e há um mês atrás propôs isso a ela, assim derrepente. Foi tudo tão rápido. Descobriu que era pai, conseguiu voltar com sua Ginny e a pediu em casamento. Os dois já viviam juntos, mas casamento era algo realmente sério. E iriam se casar hoje. Alexi apareceu na porta do quarto, com a cara de sono e de pés descalços.
- Cadê a mamãe?
- Acho que foi preparar o café. – Draco respondeu ainda se sentindo meio nervoso. – O que você acha de irmos ajudá-la?
- Vamos. – Alexi sorriu. Draco se aproximou dele e segurou o menino no braço que sorriu mais ainda.
- Sua mãe não já disse para você não ficar andando descalço? Você pode ficar resfriado.
Os dois foram até a cozinha, Alexi ainda no braço de Draco. Ele colocou o filho em um banquinho e abriu a geladeira.
- Bom dia, Ginny!
- Bom dia, Draco! Alexi, cadê sua sandália?
- Ficou no quarto. O papai me trouxe no braço. – Ginny lançou um olhar a Draco, que acabava de fechar a geladeira.
- Não me olhe assim, eu briguei com ele por estar descalço.
- Pensei que você tinha passado a mão na cabeça dele, como faz sempre que Alexi apronta alguma coisa.
- Eu não passo sempre a mão na cabeça dele. Eu brigo... de vez em quando, mas brigo. – Draco falou meio desconcertado.
- Tudo bem, Draco, não precisa ficar assim. – Ela sorriu para depois ficar séria. – Droga! Você passa a mão na cabeça dele e eu passo a mão na sua. – Falou com um pouco de irritação, enquanto Draco se aproximava dela. Ele a abraçou e beijo de leve seus lábios.
- Ô dá pra parar com isso ai e fazerem meu café, eu to com fome. – Alexi falou batendo no prato e fazendo barulho. Draco se afastou de Ginny e sentou ao lado dele de cara feia.
- Você ainda tem ciúme da sua mãe? – Alexi deu um sorriso maroto para ele. – Eu sou seu pai, você não pode ter ciúme de mim com a sua mãe.
- Posso sim. – Retrucou o garoto sorrindo mais ainda.
- Pode não. – Draco ficou mais emburrado ainda.
- Posso sim.
- Pode não.
- Posso sim
- Pode não.
- Parem vocês dois. Draco, deixe de se portar como uma criança. – Ginny colocou o leite que esquentou e as panquecas na mesa.
- Não estou me portando como uma criança.
- Está sim. – E antes que ele dissesse que não estava mais uma vez, ela voltou a falar mudando de assunto. – Escutem vocês dois, já programei o dia de hoje.
- Por que você tinha que programar o dia de hoje?
- Draco, não comece. – Ele bufou e pegou uma das panquecas, enquanto Ginny terminava de preparar algumas torradas e queijo quente. – Alexi, assim que você terminar de comer, você vai se arrumar para ir para a casa da sua avó, sua roupa já esta lá e você ira com seus avós ou um dos seus tios para a cerimônia. Draco, mamãe disse para você ir ao La Blanc, o papai vai estar te esperando lá.
- Por que eu tenho que ir para lá e me encontrar com o seu pai? – Ele fez uma careta.
- Para acertar a coisas da recepção, foi você que fez questão de que fosse lá.
- Pensei que já estivesse tudo preparado.
- Mamãe disse que ainda faltam algumas coisas, ela vai para lá se certificar de que está tudo certo. Depois você volta para aqui e se arruma para...
- Diga Ginny: o casamento. Qual o problema? – Perguntou suavemente. Ginny deixou as torradas para lá e se sentou em um dos banquinhos.
- Estou nervosa... nós vamos nos casar. – Disse bobamente.
- É vamos. – Draco segurou a mão dela. – É normal você ficar nervosa, mas não precisa se preocupar. Sua mãe planejou para que tudo ocorresse bem.
- Você não gostou dela ter planejado, não foi?
- Era para você ter planejado, mas fazer o que? Você não quis planejar, você sequer queria festa.
- Mãe, as torradas estão queimando.
Ginny se levantou rapidamente, já era tarde, as torradas queimaram.
- Bom, não temos torradas. Mas se você sentir fome, Alexi, tenho certeza de que terá algo na casa de mamãe.
- E eu? – Perguntou Draco.
- Você vai ter que se vira, querido. – Ginny sorriu docemente, contemplando a cara emburrada de Draco. – Você sabe se virar, Draco, não é mais uma criança de cinco anos, pare de regredir. – Deu um beijo na bochecha dele.
Terminaram de tomar o café e Ginny pediu a Draco para levar Alexi a Toca (ele já tinha ido lá três vezes sob protesto, mas foi, para acertar as coisas do casamento com a mãe de Ginny). Quando os dois já tinham saído, depois de demorarem mais de uma hora e aborrecer Ginny por ficarem brincando em vez de se cuidarem, ela pode se sentar em uma das poltronas. Tinha dito o que eles dois tinham que fazer, mas não havia ninguém para dizer o que ela ia fazer. Tentou respirar fundo três vezes, não tinham dúvida do que queria, só estava nervosa com tudo aquilo. Assim que terminou de respirar as três vezes, Colin aparatou no seu apartamento sorridente.
- Você ainda está assim? Vamos! Ainda tem que ir para o salão.
- Colin, o casamento é no final da tarde, e ainda é de manhã.
- E você tem muitos preparativos até lá. Vamos logo, se levante e vá vestir algo para ir ao salão. Logo Ginny, se não não vai dar tempo. – Colin falou exasperado.
- Colin, eu quero pensar um pouco. – Colin começou a puxar o braço dela, querendo que ela se levantasse. – Só um pouquinho. – Ele conseguiu levantá-la. – Por favor...
- Vá, vá logo se arrumar. Sabe aquela veela mulher do seu irmão?
- Ela não é veela, ela é meio veela.
- Que seja! Ela fez questão de indicar o salão para você e já deve estar esperando lá.
Respirou fundo tentando se acalmar e querendo que a voz saísse para chamar o filho, que nesse momento implicava com um dos pequenos ruivos, mas pensando melhor não havia nada demais em deixar Alexi se divertir um pouco. Ginny iria matá-lo se soubesse a idéia que ele fazia de diversão. Alexi quase socando um dos primos não era considerado diversão perante os olhos dos outros, no entanto o que ele iria fazer? Sua voz nem ao menos saia para parar aquilo, um dos Weasley que fizesse isso. Só se garantiu de ver que o filho estava levando a melhor.
Granger trouxe bufando Alexi para o lado de Draco e lançou a ele um olhar ameaçador, Draco não ligou, tratou de arrumar o terninho que o filho usava e uma agitação na entrada começava. Quando terminou de ajeitar Alexi, percebeu que a noiva havia finalmente chegado. Tudo aconteceu rápido demais a partir dali. Rápido para o seu estado naquela hora, mas lento para sua cabeça que guardava os mínimos detalhes. Ginny entrou com um gracioso vestido com pedrinhas brilhantes na parte da saia e um corpete delicado que parecia ter sido feito a mão. Os cabelos ruivos presos pelas próprias mechas atrás, com uma discreta tiarinha enfeitando. O vestido era no estilo tomara que caia e a parte da saia não era muito cheia, nem tinha uma longa calda como Colin teimou que devia ter. Ginny não queria uma longa calda, tinha argumentado que daria trabalho para se locomover.
Alana e Luca entravam na frente da noiva, e esta vinha de braços dados com o Sr. Weasley. Rony grunhia alguma coisa ao lado de Hermione, que mandava ele se calar. Se havia alguém mais nervoso ali que Draco, esse alguém era Ginny. Seus olhos brilhavam, mas ela não se decidia entre ficar sorrindo ou séria, a mão segurando com extrema força o buquê. As coisas ocorreram velozes para ambos a partir do momento em que Draco segurou a mão de Ginny e osacerdote começou a cerimônia. Queriam que demorasse e passasse rápido aquilo que os deixavam nervosos e felizes, com leves sorrisos bobos nos lábios. Draco não acreditava que estivesse se casando e se sentindo feliz por isso. Por saber que finalmente teria uma família, ao lado da pessoa que amava e garantia a si mesmo que faria de tudo para não errar mais.
Ocorreu tudo certo, por incrível que pareça se tratando de uma Weasley e uma Malfoy. Rony se conteve para não se manifestar na hora em que o sacerdote perguntou se alguém era contra a essa união. Ginny pode ouvir um desejado "sim" de Draco, e ela conseguiu dizer o "sim", sem correr o risco de borrar a sua maquiagem. Seus irmãos poderiam ter pulado no pescoço de seu noivo na hora em que foi beijada, mas o que isso importava afinal? Ninguém poderia separá-los mais, há não ser que eles quisessem.
- O que foi? Não está se sentindo bem? – Se aproximou dela tentando ajudá-lo a levantar.
- Hum... na verdade já estava esperando isso. – Ela disse fechando os olhos para evitar uma vertigem.
- Esperando o que? Vomitar? – Draco saiu com ela do banheiro e fez com que ela se sentasse na cama.
- Desde a semana passada que eu estava suspeitando.
- Suspeitando de que? – Ela revirou os olhos. Impressionante como homens são tão desatentos a essas coisas, mas talvez fosse melhor assim, ela teria que prepará-lo para a notícia, só precisa confirmar primeiro e iria fazer isso no próprio St. Mungus.
- Não se preocupe. – Ela passou uma das mãos pelo rosto dele. – Estou melhor, só foi um mal estar matinal.
- Mas o que você quis dizer com suspeitando e...?
- Deixe pra lá, Draco. Depois eu explico. Acorde Alexi enquanto eu preparo o café, ok? Faça o tomar banho e arrumar as coisas para ir a escola. – Ginny saiu do quarto e ele respirou resignado. Por que ela tinha sempre que decidir tudo?
- Ei mocinho, acorde, senão vai se atrasar para a aula. – Puxou os lençóis que cobriam Alexi. – Lembra do que ficamos de fazer hoje? – Perguntou ao loirinho que ainda esfregava os olhos.
- Convencer a mamãe a ir morar na Mansão de Wiltshire. – Resmungou Alexi.
- Isso mesmo, agora trate de tomar seu banho enquanto eu vou ajudá-la. Ah! E também temos que convencê-la a contratar um elfo doméstico, eu poderia trazer um lá da mansão, eles andam reclamando que estão abandonados...
Draco não conseguiu fazer com Ginny se mudasse com ele para sua antiga casa, mas pelo menos tinham saído daquele apartamento minúsculo que ela morava e estava em um bairro de luxo bruxo, morando em uma cobertura. Já tinha sido um avanço. O resto do dia ocorreu como ocorria sempre: Ginny foi trabalhar no hospital, já era uma curandeira formada; Draco levou Alexi na escolinha bruxa que ele tinha arranjado ali no bairro mesmo e depois foi trabalhar nos negócios da família Malfoy.
Aos domingos tinham os almoços com os Weasley, mas nem sempre Draco ia, e as vezes ainda achava de ficar com Alexi, sob o pretexto de ficar mais tempo com o filho. Os dois juntos fazendo aquela carinha manhosa... não tinha como ela resistir. Na hora do almoço Ginny pegava Alexi na escolinha e deixava ele na Toca e no final da noite ou ela ou Draco iam pegar o garoto lá, na maioria das vezes Ginny, claro. Hoje não. Hoje seria Draco que pegaria Alexi e depois iriam para casa esperarem Ginny que avisou que hoje chegaria um pouquinho mais tarde. Draco falhou na sua tentativa de cozinhar algo e resolveu que era melhor esperar Ginny.
- Devia ter aceitado jantar na casa da vovó. – Alexi disse abrindo os olhos lentamente como Ginny e o mesmo ar de "eu não te disse" que a mãe costumava fazer.
- Nem pensar! Aquele seu tio que trabalha com dragões estava lá e ele sempre me olha feio. – Um barulho na cozinha anunciou a chegada de Ginny. – Não sei por que ela tem sempre que aparatar na cozinha. – Draco saiu de perto da varanda e Alexi correu para cozinha indo de encontro à mãe.
Draco observou como ela estava pálida. Ginny cheirou o ar a sua volta.
- Cadê a comida, Draco? – Perguntou com os olhos brilhando.
- Eu não fiz, você sabe que eu não sei fazer. – Ele deu de ombros, mas se aproximou dela para poder beijá-la.
- Então vamos pedir algo, não estou com ânimo para cozinhar. – Ela se segurou no pescoço dele, sentindo um pouco as pernas fraquejarem. Não sabia se era por causa do olhar penetrante de Draco ou pelo seu estado. Tinha confirmado a sua suspeita e contaria mais tarde para Draco, depois que comece algo, estava faminta, mas a única coisa que vinha em sua cabeça eram doces, somente doces.
- Lembra quando você me pediu em casamento? – Perguntou dando um leve selinho nos lábios dele. Alexi soltou saltitante um "Eu estou aqui". Draco assentiu com a cabeça. – Onde você conseguiu aqueles doces? Tem como conseguir de novo?
- Tem... mas, você quer agora?
- É. – Disse com simplicidade.
- E desde quando você deixa a gente comer doces no jantar? – Draco franziu a testa, havia algo de estranho ali.
- Uma vezinha não faz mal. – Mal sabia ela que durante os próximos nove meses não iria ser apenas uma vezinha.
E naquela noite quando deu a notícia de que estava grávida a Draco, quando estavam no sofá, comendo os últimos doces (Alexi já havia adormecido, deitado com a cabeça no colo do pai), Draco ficou subitamente sério, os olhos não expressavam nada. Olhou para ela como se não acreditasse e logo depois a trouxesse para mais perto de si, abraçando-a e dando beijos no pescoço dela. Não sabia o que dizer, estava em choque! Só sabia que se sentia a pessoa mais feliz do mundo. Depois de um tempo, Draco levou Alexi para o quarto e esperou Ginny sair do banho, quando ela ainda secava os cabelos, ele se aproximou dela e sussurrou em seu ouvido:
- Desse aqui eu não vou perder nenhum momento, você pode ter certeza disso. – Disse acariciando a barriga dela
Sentiu algo se aproximar de si, puxando a barrar da sua calça, apoiando as pequenas mãozinhas nos seus joelhos e fazendo um esforço para se levantar e subir em seu colo. Continuou de olhos fechados, sentido o cheiro de morango e a pequena dar beijos babados em seu queixo, sorriu. Abriu os olhos se deparando com os cabelos ruivos, uma das mãozinhas apertando sua bochecha a outra segurando um morango. A ruivinha voltou a beijar seu queixo, o vestido sujo de terra, sujando as calças do pai.
- Dália, você devia estar arrumada quando sua mãe chegasse e não nesse estado. – Disse sorrindo.
- Papa! – Ela levantou os olhinhos azuis para o pai. – Ango, papa, que mais ango! – Balançou os bracinhos, sorrindo. Draco se levantou segurando a ruivinha no braço.
- Vamos pegar mais ango. – Ele disse entrando na sala e ela sorriu alegre colocando o que sobrava do outro morango na boca. Chegou na cozinha, colocou-a sentada em uma cadeirinha e pegou uma tigela em cima da mesa com morangos segurando em uma das mãos, com a outra mão livre voltou a segurá-la no braço e ir para varanda.
Alexi tinha feito a elfa voar com a vassoura. Draco segurou o riso, mas vendo que Ginny acabava de chegar achou melhor tirar a elfa dali de cima, antes que ele e Alexi levassem uma bronca. Deixou Dália no tapete e tirou a varinha das vestes parando a vassoura e fazendo-a voltar para o chão, quando a elfa já estava em chão firme, voltou para perto de Dália e segurou a menina de novo nos braços se sentando na cadeira junto com a tigela de morangos. Ela levou um outro morango a boca, mas Draco tomou da mão dela.
- Não Dália, tem que tirar a plantinha verde, minha princesinha ruiva. – Ele tirou a plantinha e devolveu o morango de volta para ela. Ginny já tinha entrado no jardim e Alexi a abraçava. – Nos loiros fazemos a cabeça dessas ruivas. - Dália sorriu sem compreender o que o pai dizia.
Ginny se aproximou dos dois rindo e fez biquinho.
- Agora é só ela que fica no seu colo. – Tentou fazer cara de chateada, mas voltou a sorrir e tentar tirar a pequena do colo de Draco, mas a menininha protestou se agarrando ao pai e pegando um outro morango.
- Ango, mama!
- Morango, meu amor, mo-ran-go.
-Moango. – Draco sorriu encantado ao ver a filha pronunciando a palavra e tentou trazer a outra ruiva para mais perto.
- Você me parece bem mais contente do que quando saiu hoje de manhã. – Disse soltando os cabelos ruivos que estavam presos em um rabo de cavalo. Ginny deu um beijo em Draco e encostou a cabeça no peito dele.
- Estão dando trabalho?
- E como! Você tem sorte por eu estar trabalhando em casa, os elfos não dão conta deles dois, não sei quem apronta mais.
- Ta vendo, Dália, o papaitá virando dona de casa. – Brincou Ginny.
- Dona de casa nada. Mas a grande vantagem de você ser dono do próprio negocio é que você pode trabalhar onde quiser. E você bem que podia deixar esse seu emprego pra lá e ficar aqui com nós três.
- Mas eu fico com vocês três.
- Ainda te convenço a parar de trabalhar, assim como te convenci a vim par cá.
- Não mesmo, e o motivo de vimos para cá foi porque você argumentou que teria mais espaço para Alexi e Dália.
- Você é tão teimosa. – Permaneceram em silêncio durante um tempo. Draco tirava as plantinhas dos morangos e dava para a ruiva sentada em seu colo e a ruiva com a cabeça encostada em seu peito. Alexi continuava brincando com a elfa, procurando bichinhos nas árvores e flores. Não agüentando mais o silêncio, Ginny perguntou:
- Draco, você agüentaria mais um?
- Mais um o que? – Perguntou distraído arrancando a plantinha e brincando de aviãozinho com Dália.
- Mais destes pestinhas? Desse fez ele poderia nascer todo ruivo e com os meus olhos, afinal o Alexi e a sua cara e a Dália tem seus olhos. Falta um idêntico a mim.
- O que você quer dizer com isso, Ginny? – Parou com um morango no meio do caminho, Dália foi mais esperta e tirou o morango da mão do pai. – Você... não está...?
- Você sempre demora para perceber. Não viu eu enjoando hoje cedo de manhã, não?
Draco parou com a boca meio entreaberta, os olhos brilhando. Estava em choque! Teria mais um. Viriam mais dias dos enjôos matinais de Ginny, noite sem dormir com bebê chorando, cólicas, febres, resfriados... bagunça pela casa, elfos desesperados com o que as crianças aprontavam. Seria mais um para ele cuidar e se preocupar. Iria ter mais uma vida que dependeria dos cuidados e proteção dele. Ele nunca achou que fosse assim, tão fácil e difícil ao mesmo tempo. Era feliz, muito mais do que pediu, ao lado dela, concertando seus erros. Era tudo o que ele queria, mas nunca soube. Ficar em um final de tarde, fingindo que trabalhava em seus relatórios, mas ao invés disso, observando os filhos, não vendo a hora que Ginny chegaria e ficaria nos seus braços e sentindo o doce aroma dos morangos que Dália sempre comia.
FIM
Devia ter feito isso antes, mas é aquela coisa "Antes tarde do que nunca", agradecimentos: Ayesha que betou praticamente a fic toda e a Lanlan que betou os três últimos capítulos. Aline Malfoy (que me ensinou a publicar a fic aqui no site, nem sei se ela ler mais, mesmo assim agradeço), Mariana Malfoy (pelos incentivos e que sempre me cobrava d/g action), Rute Riddle, Kathy Parteno Gryffindor, Carol Malfoy Potter (outra que incentivou e que é muito fofa), Nostalgi Camp (oi miga! O mini Draco é lindinho mesmo), Isinha, Darkila, Selene Malfoy, Lali ( que fofa sua review, mas nem disse isso antes, pronto digo agora), Dark Angel Malfoy, Lele Potter Black, Miaka, Lullaby Night, Aninha Black, Xianya e Maki.
Bom acho que eu não me esqueci de ninguém e se fiz isso me avisem. Vou responder as reviews que ainda faltam assim que eu puder, mas acho que vou demorar, esse mês tá fogo...
Vou indo, afinal ainda tenho que decidir qual a sobremesa de amanhã para o meu papa. Minha mama não vai achar nada bom a hora que eu to indo cozinhar, já que passam das duas da madrugada, para ela eu deveria estar dormindo, mas fazer o que se só deu vontade agora. É isso... espero que tenham gostada da fic, e muito, muito obrigada mesmo a quem deixou review. Bjokinhas
Até a proxima...