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Revelações, descobertas e laços
Por Arashi Kaminari
Capítulo 2
Acordou com os seus olhos sendo feridos pela claridade produzida pelos raios solares intrusos. A janela estava aberta, e com isso, a cortina movimentava-se num certo intervalo de tempo em virtude ao vento. Passou a mão pelos cabelos revoltos, deixando-os mais emaranhados.
Procurou por um corpo ao lado do seu, mas encontrou apenas seu calor. Ainda estava cansado em virtude da noite anterior, bem ao invés de Duo, que estava com toda a energia disponível em seu ser ao extremo. Rolou umas duas vezes, grunhindo algo inteligível antes de erguer-se e dirigir-se ao banheiro.
Adentrou o recinto com certa dificuldade em abrir a porta, já que suas mãos estavam ocupadas com a bandeja. Procurou não fazer barulho, enquanto aproximava-se do criado-mudo para acordar Heero do jeito que ele adorava. Puxou um pouco o cobertor e descobriu que ele não jazia ali. Deixou a bandeja no móvel que estava ao lado da cama e caminhou até o banheiro.
Entrou sem bater e sem nenhum constrangimento, beijou-lhe a bochecha e apertou-lhe a bunda, enquanto Heero aliviava-se na privada. Despiu-se de sua calça e se postou atrás de Heero, contra o corpo do mesmo. Esfregando sua pele na do outro, excitando-os. Prendeu o membro de seu namorado entre seus dedos e bombeou-lo suavemente, apertando mais forte e puxando por mais tempo de vez em quando. Enquanto com a outra mão passeava pelos músculos do peito, sua boca contentou-se em marcar a pele do pescoço de Heero. Ambos os membros já duros e latejantes, aliviaram-se, liberando o gozo livremente.
Acomodou-se no chão do banheiro da suíte, esperando a sensação de prazer deixá-los. Sentado no colo de Duo, Heero aconchegou-se mais aquele corpo esguio e musculoso, sentindo seu perfume bem de perto. Aproximou seus lábios dos do seu amado e enterrando uma de suas mãos na massa de cabelo de seu namorado, beijaram-se.
"Você precisa fazer a barba, cara." – comentou.
"Bom dia para você também, baka."
Sorriram um para o outro. Comportavam-se como colegiais perante o primeiro amor. Totalmente entorpecidos pelo momento e pelos sentimentos envoltos, agiam de forma bem diferente da usual, até mesmo para eles mesmos. Abraçaram-se e descansaram seus queixos na volta do ombro do outro.
"Que horas são?"
"Quem se importa com horas?" – recebendo um daqueles olhares impacientes de Heero, optou por responder sem delongas – "Beirando as onze da manhã."
"O quê! Eu dormi tudo isso? Por que não me acordou?"
"Eu pensei, mas você estava tão bonitinho dormindo. Não resisti."
"Droga!" – preocupou-se com a expressão de Heero. – "Eu tenho uma reunião com uns cineastas que pensam fazer um filme sobre a primeira guerra, às duas."
"Você ainda tem tempo." – declarou, depositando um beijo na ponta de seu nariz.
"Não, não tenho. Eu prometi que levaria algumas coisas para eles e ainda vamos almoçar e tenho que te levar ao aeroporto..."
"Não precisa querido. Eu sei me cuidar sozinho." – deu uma piscadela de olho – "Além do mais, não lembro de ter me perguntado algo sobre almoçar."
"E precisava! Sempre almoçamos juntos quando venho te visitar ou vice-versa."
"É mesmo! Eu nem tinha percebido." – disse com falso descaso.
Rolou no chão com Duo e beijou-lhe todo o corpo com tamanha vontade. Apertou-lhe a carne, marcando-lhe levemente a pele, mordendo e lambendo seus mamilos com tesão. Em poucos segundos seu sexo já demonstrava sinais de vida, esfregando-se no do outro. Duo puxou-lhe, trazendo-o para si, fazendo-o se sentar perante ele. Pulou em seu colo e agarraram-se como animais.
Quando Heero ameaçou penetrá-lo, Duo mordeu seus lábios com leveza e livrou-se de seus braços. Jogou-o contra a privada, deixando-o ajoelhado e fazendo-o ficar com seu tronco deitado sobre a tampa. Com as mãos abriu as duas porções de carne e pôs seu rosto em meio a elas, lambendo todo aquele buraquinho que piscava de prazer, enquanto com a mão esquerda, apertava e batia nas nádegas e com a direita apertava-lhe e lhe puxava as bolas com força. Parou apenas quando sentiu o líquido quente escorrer por sua mão. Pegou o pênis de Heero, apertou-o e puxou-o, retirando o máximo daquela prova de prazer da sua fonte.
Queria poder ler mentes para saber o que se passava na cabeça de Heero naquele momento. Servia-se sem reclamar, questionar e pior, sem falar absolutamente nada. Não que o silêncio fosse um novo elemento, mas esperava que ele falasse algo, como o de costume sempre que estavam juntos ou até mesmo discutisse, até saber o porquê de não ter aceitado almoçar no restaurante escolhido por ele perto do hotel.
Não queria lhe dizer que não tinha boas lembranças do filho do dono do local, já que lhe pareceu que Heero e o tal homem eram amigos, pela forma como a qual se cumprimentaram.
Tentou ainda fingir que nada estava acontecendo. Desejava apenas se acomodar, almoçar e sair, para nunca mais retornar. Mas assim que aqueles olhos cheios de malícia pousaram sobre seu ser e lhe despiram só com o olhar, perdeu a concentração e insistiu que fizessem a refeição em outro restaurante, com a desculpa que não sentia-se bem num lugar chique. Que não suportava o olhar esnobe das pessoas que o freqüentavam e outra mentiras. Sabia que ele não havia engolido nenhuma das desculpas, mas como um perfeito cavalheiro, acompanhou-o a outro restaurante. Um tipicamente japonês, onde se encontravam agora, no mais repleto silêncio.
"Eu não queria..."
"Não quero falar sobre isso." – disse por entre uma garfada e outra.
"Mas Hee, eu tenho que..."
"Eu já disse que não quero falar sobre isso."
"Ficou chateado?" – deixou os palitos de lado e dirigiu toda a sua atenção a Heero – "Por favor, me perdoe. Não era a minha intenção."
"Esqueça o que aconteceu Duo. Entendeu?" – disse com certo incômodo, recebendo um aceno positivo de cabeça do outro – ""timo. Agora termine sua refeição em paz."
O silêncio imperou da saída do restaurante até o aeroporto, onde Duo prometeu recepcionar os pilotos.
Desceu do carro, mas não sem antes acariciar a mão de Heero, que era o código deles de dizerem com as mãos e não com as bocas, que se amavam. Não esperou pela resposta. Bateu a porta e fundiu-se a multidão.
Aguardava-os sem o desespero característico de seu ser. Estava ressentido quanto ao breve desentendimento com Heero.
Por si mesmo, nunca teriam entrado no mérito da questão. Na verdade, nem ao menos queria que ele soubesse o que o afligia quanto àquele restaurante. Havia tantas coisas a serem ditas e reveladas ainda. Mas pela primeira vez na vida, desde que se tornara Shinigami, sentia-se acuado. Antes não havia o que perder; situação revés a atual.
Divagou de tal forma, que nem percebeu que o tempo havia passado e que outros três seres aproximavam-se de si. Fechou os olhos e respirou fundo. Não desejava que os outros se preocupassem com sua condição emocional.
Sentia-se péssimo mesmo com as coisas mais banais. Mas sua ação foi tardia. Os ex-pilotos gundans haviam notado seu estado. Preferiram se reservar quanto à situação que depararam, pelo menos por hora. Deveriam comemorar o reencontro.
"Oi pessoal!"
Disfarçou sua preocupação com um falso sorriso. Pensou ter conseguido enganar a todos, mal ele sabia que tentava enganar apenas a si mesmo. Tinha a consciência que sabiam que ele não estava bem, mas nunca o forçariam a falar caso não quisesse. Sentiu-se o pior dos amigos ao mentir a eles e, pior ainda ao constatar que eles sabiam sobre sua mentira.
"Aconteceu alguma coisa, Duo? Parece-me meio abatido." – indagou Quatre com sua costumeira preocupação.
"Nada demais. Uma leve dor de cabeça."
Claro que Quatre, como sempre, sabia do que se tratava antes mesmo de perguntar. Conseguia ver limpidamente que o brilho no olhar violeta estava ofuscado. A sombra da preocupação surgia nele. Sabia que sua dor de cabeça tinha um nome genérico: Heero Yui.
Percebendo a apreensão dos outros quanto a si, tratou de acabar com o péssimo clima que pairava ali, como de costume: com bastante barulho e alegria. Dirigiram-se em seguida a luxuosa cobertura de Heero, do único hotel cinco estrelas da cidade.
Acomodaram-se assim que chegaram e logo estavam em meio às almofadas da sala, jogando verdade ou conseqüência. Era um velho hábito nas horas vagas, desde os tempos de guerra, embora nenhum deles admitisse. Duo sempre colocando Quatre em enrascadas nas conseqüências, Trowa assistindo a tudo indiferente, respondendo apenas o que lhe era indagado com falso descaso, Wufei querendo estrangular Duo por fazer perguntas sobre sua vida amorosa e Heero, com suas inesquecíveis respostas mal-criadas.
Estavam assistindo a um filme, quando Heero chegou, cheio de folhas e canudos de papéis. Cumprimentou a todos e falou brevemente sobre a reunião com todos aqueles homens malucos, mas cheios de idéias que se dispuseram a fazer o filme e o dono da produtora que o patrocinaria. Nem dispensou muita atenção à Duo. Assim que o avistou, deu-lhe um beijo na testa e voltou-se para os outros novamente, entretendo-se.
Sentia-se pessimamente mal. Mesmo sabendo que era por um bom motivo, não queria guardar seus segredos somente para si. Era doloroso por demais. Ainda mais tendo alguém tão compreensivo como Heero. Mas até que ponto ele seria! Desejava partilhar completamente todo o seu ser: seus pensamentos, suas dúvidas, seus segredos, sua vida e seu amor. Queria desabafar e pôr para fora toda aquela angústia que carregava consigo.
Esperou todos se retirarem para, então sozinho com Heero, pronunciar-se sobre o fato ocorrido pela hora do almoço. Esfregou as mãos inúmeras vezes seguidas até tomar coragem e aproximar-se. Deu uma volta pelo recinto e, percebendo que Heero sabia que desejava ter uma prosa, andou até ele e permaneceu de pé, diante da figura que lia calmamente o jornal daquele dia. Heero bateu no sofá, indicando-lhe onde sentar e logo em seguida, fechando o jornal e deixando-o esquecido sobre a mesa de centro da imensa sala.
"Heero..." – iniciou o diálogo, com a cabeça baixa e o olhar perdido em seus dedos.
"Caso eu não esteja enganado, você só me chama assim quando faz algo de errado. Você fez?" – indagou-lhe, levantando seu rosto com dois dedos.
"Não..." – declarou, cravando seus olhos violetas nos azuis cobaltos de Heero – "Mas é que..." – desviou-lhe o olhar, não tendo coragem de mirá-lo – "Há tantas coisas Heero que..."
"Pesa, não pesa!" – apontou para o coração de Duo.
"Muito... Eu sei que prometemos um ao outro que..."
"Shhh! Eu sei que tem coisas que ainda não me disse. E sabe por que não me importo?"
"..." – manteve-se calado perante a pergunta.
"Porque também tenho coisas que ainda não lhe disse. Além do mais, eu te amo e você me ama. Devo me importar com algo mais?"
"Ah! ... Eu te amo tanto!" – jogou-se nos braços de seu amado, enquanto beijava-lhe todo o rosto e lágrimas desciam do seu próprio.
"Eu também te amo." – segurou-lhe o rosto por entre as mãos, querendo ter a certeza que ele ouviria a declaração seguinte – "E muito! Agora limpe esse rosto. Não gosto de te ver chorando."
"Tá bom." – concordou, secando as lágrimas com os dedos.
"Vai para casa?"
"Você quer que eu vá?"
"Aceito o que você preferir, mas gostaria que você ficasse."
"Eu também, mas não posso. Minha casa está uma zona. Eu vou dar uma arrumada lá antes que o Howard me mate. Eu volto assim que puder."
"Não demore... Por favor."
"Prometo que tentarei." – deu-lhe um lindo sorriso, antes de dar-lhe um beijo cheio de amor.
Agradecimentos a betagem da Bra Briefs nessa fanfiction.