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Capítulo 7: O Amor Nunca Se Apaga
O entardecer no santuário se anunciava mais uma vez ,com os últimos raios de sol que iluminavam ainda o interior do pequeno e confortável quarto de Juliane, que arrumava suas coisas ligeiramente dentro de uma mala de tamanho médio. A moça estava esperando a tranqüila madrugada para ir embora do inferno em que vivia.
O tempo passou rapidamente e o relógio marcava três horas da madrugada, quando a professora olhou em seu pulso, pensou consigo mesma, que essa era a oportunidade ideal para fugir. Abriu a porta silenciosamente se deparando com a escuridão, porém isso não importava, pois carregava uma vela para iluminar a penumbra em que aquele corredor mergulhava, caminhou por alguns minutos até chegar ao jardim que tinha uma escada lateral. Suspirou aliviada e desceu as escadarias que ficavam atrás das casas do zodíaco, sem nenhum problema aparente, passou pelos guardas sem que eles a questionassem aonde iria. Estes pareciam não se importar muito com sua partida.
A tensão que sentia apenas diminui quando estava a metros de distância do lugar em que sofreu e também amou um homem complicado de se entender, faltava apenas duas horas para chegar em seu vilarejo.
Enquanto isso, no santuário, Saga aparentava estar zangado com alguma coisa, pois estava destruindo metade dos móveis do quarto de sua ex-amante, porque descobriu que esta tinha ido embora, agora somente lamentava muito, não poderia tê-la mais em seus braços.
- Isso tudo que aconteceu é culpa sua, se você não tivesse tratado ela daquele jeito, garanto que não teria ido embora – O Geminiano sussurrou.
- cale-se! Não sou fraco como você – Ares riu escandaloso e retomou o controle.
Todo aquele barulho acordou as jovens servas que dormiam tranqüilamente nos quartos ao lado, fazendo que imediatamente chegassem até o cômodo. Quando as serviçais adentraram no dormitório encontraram o mestre do santuário no meio de escombros, rindo lunaticamente.
- Mestre o que aconteceu aqui? – A chefe das servas perguntou.
- Não interessa, apenas tranquem esse cômodo, ninguém mais vai morar nele –Ordenou ríspido.
- Sim, mestre, o senhor quem manda.
De repente ao sair do alojamento das empregadas, Ares percebeu que no meio de tantas mulheres bonitas que ele já tinha possuído, havia duas novatas, que ele precisava urgentemente provar, olhou de cima abaixo a loira e a ruiva, isto o fez sorrir, elas seriam perfeitas para a sua diversão. Aproximou-se de sua vitimas vagarosamente, colocando os braços ao redor das cinturas afinadas delas.
- Venham comigo, tenho uma coisa muito interessante para mostrar a vocês – Falou cheio de segundas intenções.
- Pode ser amanhã de manhã? – A ruiva questionou.
- Claro que não, vai ser agora – Alterou a voz.
- Tudo bem, não precisa ficar brabo.
Ótimo, vamos todos tomar um banho nas termas – As conduziu até seu território de prazer.
As outras serviçais não falaram nada, apenas fizeram o que ele ordenou e voltaram a dormir em seus dormitórios.
Após algumas horas de caminhada, a professora conseguiu avistar de cima de uma colina sua vila que ficava entre dois vales. A visão daquela paisagem tornou-se ainda mais bonita, porque tinha começado a amanhecer, apreciou o local por vinte minutos, quando decidiu seguir sua trajetória, andou rapidamente com o intuito de surpreender seus pais no café da manhã.
Ao cruzar os portões principais de seu vilarejo lágrimas começaram a rolar por sua face, não eram de tristeza e sim de alegria por retornar a seu lar. Parou alguns minutos quando passou em frente ao colégio em que lecionava, lembrou-se de seus alunos e da saudade que sentia de lecionar. Olhou para os lados e viu que os moradores ainda estavam dormindo, então resolveu seguir em frente, a casa de seus pais ficava próxima dali.
Chegando em sua moradia a garota abaixou-se e procurou no chão da varanda pela cópia da chave para poder entrar e a encontrou dentro de um vaso de flores. Abriu a porta, adentrou e andou até a cozinha, onde comeu e bebeu um leito com chocolate em pó, depois disso preparou o café da manhã para seus pais, enquanto os esperava acordar.
- (Como é bom retornar ao lar, me sinto tão bem) – Sentou-se em uma cadeira próxima da mesa.
A jovem ficou sentada na mesma posição por uma hora, quando de repente ouviu os sons de seus pais descendo as escadarias, levantou-se e quase deu um encontrão neles. Ao verem a filha em casa, ficaram perplexos, não imaginavam que ela voltaria tão cedo. A mãe muito inteligente conseguiu imaginar o motivo de sua herdeira ter voltado antes do previsto.
- Filha, o que aconteceu? – Questionou preocupada.
- Venham comer, depois conversamos sobre isso.
- Tudo bem, você quem sabe.
Sentaram-se todos ao redor da mesa.
- Mãe, conseguiu melhorar? – Inquiriu preocupada.
- Sim, o médico vai me dar alta semana que vem, como reagi bem ao medicamento e me cuidei bastante, poderei retornar ao santuário – Olhou desconfiada para professora.
- Eu acho que você deveria pedir dispensa de seu trabalho, se aposente, aquele lugar é muito perigoso – Sussurrou num fio de voz.
- Minha filha, a sua mãe que deve decidir o que vai fazer, não podemos nos meter nisso – O pai respondeu.
- Você está certo – (Se ele soubesse das coisas que acontecem naquele antro de perdição, nunca teria deixado a mamãe trabalhar) – Suspirou indignada.
- Depois que seu pai ir trabalhar, teremos uma conversa séria – (Preciso saber o que ela esconde).
- Tudo bem – Serrou os olhos tentando afastar os flashes de lembranças que tinha de seu amado.
- Acabei, agora tenho que ir, antes que eu chegue atrasado – O senhor de idade levantou-se.
- Tenha um ótimo dia – As duas falaram ao mesmo tempo.
- Obrigado! – O homem idoso agradeceu se dirigindo até a porta, onde a abriu e foi para seu trabalho.
- Agora que estamos sozinhas, me conte o que aconteceu no santuário para você vir tão rapidamente para casa.
- Bem, eu voltei porque me envolvi com o Mestre Ares e ele foi muito cafajeste comigo, não segui seus conselhos mãe e acabei me dando mal – Explicou tristemente.
- Você por acaso se apaixonou por ele? – Interrogou decepcionada.
- Eu o amo, mas pretendo esquecê-lo – (Por quê minto para mim mesma? Jamais vou esquecer aquele homem).
Ótimo, agora tenho que escrever uma carta comunicando a minha volta ao Mestre Ares, pretendo voltar semana que vem.
Passou-se dois meses desde a volta de Juliane a sua moradia, durante esse meio tempo, a educadora voltou a lecionar e sua mãe retornou ao santuário. Muitas coisas ficaram pendentes no ensino de seus alunos no tempo em que ficou fora, mas graças aos reforços extras que fez nos finais de semana conseguiu contornar a situação incomoda para ela.
Mais um dia se anunciara, com o canto dos passarinhos que despertaram a jovem, pois esta ultimamente não conseguia acordar cedo, arrumou-se e tomou um suco de laranja, o leite que tanto gostava de beber a deixava enjoada. Saiu de sua residência e caminhou em direção ao colégio, onde aplicaria uma prova para ver como estava o conhecimento de seus alunos. Além disso uma coisa a preocupava, era o mal-estar que estava sentindo a mais de três dias, começou a ficar receosa, porque sua menstruação não tinha descido. Adentrou no colégio e em seguida na sala de aula, sentou-se na cadeira rapidamente, sentia-se tonta, parecia que desmaiaria se ficasse de pé.
- Professora, você está bem? – Perguntou o aluno, assustado com a palidez de sua mestra.
- Somente estou um pouco tonta não se preocupe – Tentou acalmar o ruivinho.
- Tianke, distribua para mim as provas, quero que todos guardem seus cadernos e livros, a prova é sem consulta – Explicou vagarosamente.
- Sim, professora – A loira pegou as provas e as entregou a cada colega.
- Eu desejo uma boa prova para todos – Sorriu.
Todos abaixaram a cabeça e começaram a responder as quinze questões. O teste transcorreu sem nenhum problema, nenhuma das crianças a incomodou, isso não deixou dúvida que estudaram muito em casa. No final do expediente todos entregaram as provas e foram embora, desejando um bom final de semana para a educadora.
- (Preciso ir ao médico, acho que o Doutor Linkol me atende sem eu ter marcado nenhuma consulta, ele é meu médico desde quando nasci).
Saiu do local em que lecionava e se dirigiu até o único consultório da cidade, adentrou no mesmo, falou com a secretária do doutor, esta por sua vez entrou no cômodo em que ele se encontrava. A moça cansada de esperar sentou-se aguardando a resposta se poderia ser atendida ou não. Não demorou muito para a senhora de idade lhe dar o recado do médico.
- Senhorita, Juliane, o doutor disse para aguardar, ele só está terminando de examinar um paciente, já lhe atende.
- Obrigada, Tineleke, eu aguardo.
Após algum tempo de espera, finalmente o último paciente sai, deixando a porta do quarto em que o experiente médico atendia entreaberta, a dama imediatamente entra.
- Sente-se minha filha, me diga o que lhe fiz vir até aqui? Inquiriu sério.
- Bem, eu estou preocupada com uns enjôos que tenho tido logo de manhã, e agora pouco no colégio me senti tonta – Respondeu encabulada.
- Sei, você não se esqueceu de mais algo? O seu ciclo menstrual está normal? – Cruzou os braços.
- Para falar a verdade, está bastante atrasado.
- Vamos fazer alguns exames para confirmar as suspeitas – Franziu a testa.
- O que eu tenhoÉ muito grave? – Perguntou apavorada.
- Você vai ser mãe e não é grave, nada que depois de meses não passe.
- Eu estou grávida – Começou a chorar emocionada.
- Faça os exames para termos certeza.
Quando saiu do consultório, Juliane foi direto ao laboratório que ficava logo em frente. No momento em que entrou no recinto, uma enfermeira a atendeu cuidadosamente, para logo coletar seu sangue. Demorou quatro horas para o resultado do exame ficar tão perdida em seus pensamentos que não ouviu a primeira vez que a auxiliar de enfermagem chamou seu nome para pegar o resultado.
- Moça, o resultado está pronto, você se sente bem? – Aproximou-se da filha da serva, a tirando de seu transe.
- Me desculpe, eu estou muito preocupada e nem ouvi você me chamar – Pegou o exame e ali mesmo o abriu, estava confirmada a sua gravidez.
Seguiu em rumo a sua casa, aquela notícia iria deixar todos de sua família surpresos, precisava preparar o terreno antes de contar a novidade.
Sua inquietação parou somente no instante em que chegou na sua residência, sentou-se no sofá e começou a acariciar seu ventre, lágrimas de felicidade inundaram sua face. Somente lamentou que seu amado não estivesse junto com ela para saber que teria um filho, temia que ele a fizesse tirar o bebê se soubesse, mas isso não importava agora e sim seu herdeiro. De repente sua reflexão é interrompida por seu pai que lhe entrega uma carta.
- Filha, essa carta é de sua mãe, acho que é para você, nem abri – Entregou a correspondência e subiu para tomar um banho.
- Está endereçada a mim, o que minha mãe quer? – Abriu apressada e cuidadosamente leu seu conteúdo.
CARTA
Querida, filha, tudo bem com você? Espero que esteja se recuperando daquela decepção. Bem, para ser sincera esse não foi o motivo principal pelo qual lhe escrevo esta carta e sim o mascare que ocorreu semana passada aqui no santuário, todos os cavaleiros de ouro lutaram, poucos sobreviveram. Athena veio livrar o santuário de um vilão maldoso, chamado Ares, sim o Mestre Ares, mas este apenas possuía o corpo de seu amado, coitado sofria de dupla personalidade. Por isso ele agia igual um doido varrido, aquele homem que você ama ainda está vivo, ele se chama Saga, está muito ferido. Conversei com Athena, ela permitiu sua vinda para cuidar dele, venha rápido.
Beijos!
Depois de uma longa caminhada, a jovem avistou os portões que levavam ao santuário, passou sem problemas pelos guardas, subiu as intermináveis escadarias, sentia-se muito cansada, por isso parou para descansar na casa de gêmeos quando ouviu uma voz familiar ecoar pelos corredores dessa casa, era sua mãe que a tinha visto e pediu que ela entrasse.
- Vamos filha, ele está aqui – A senhora gritou mais alto, fazendo com que a filha usasse as últimas forças que sobraram para correr até o dormitório de seu amante.
- Mãe, pode ir dormir, eu fico cuidando dele – Aproximou-se da cama e sentou-se.
- Tudo bem, eu vou ver se Athena precisa de algo, amanhã de manhã volto para lhe ajudar em alguma coisa – Saiu do recinto, deixando sus herdeira a sós com Saga.
- Como você está ferido, espero que logo se sinta melhor – Acariciou o rosto do cavaleiro, ao sentir o toque da filha da serva, este sorriu.
- Juliane, volte para mim – Sussurrou.
- Eu estou aqui meu amor – Inclinou-se devagarzinho e beijou carinhosamente os lábios de seu companheiro, este movido pelo instinto a puxou contra seu corpo.
Aqueles momentos foram mágicos para a professora, que sem hesitar permaneceu deitada com ele no colchão, ambos abraçados, assim ela adormeceu.
No dia seguinte, Saga despertou e sentiu que não estava sozinho, olhou para baixo e encontrou Juliane com a cabeça encostada em seu peitoral, sorriu e passou uma de suas mãos no cabelo sedoso de sua amada, fazendo com que esta despertasse.
- Saga, você está acordado! – Falou com a voz trêmula de emoção.
- Sim meu amor. Graças a você fugi da morte que me rondava – Sentou-se na cama, fazendo com que a garota fizesse o mesmo.
- Todo esse tempo em que fiquei longe de você, nunca lhe esqueci.
- Perdoe-me se lhe fiz sofrer, eu não tinha como me controlar.
- Tudo bem, não fique triste, você não me perdeu, ainda lhe amo muito – Lágrimas rolavam por sua face.
- Aceita se casar comigo, pretendo ser um bom marido, jamais lhe farei sofrer de novo – Abraçou sua parceira.
- Tenho uma novidade para lhe contar, eu estou grávida! – Olhou bem nos olhos dele.
- Grávida! Que maravilhoso vou ser pai, quero que você fique morando comigo, depois falo com sua mãe.
- Está certo, aceito – Começaram a se beijar apaixonadamente.
Logo após a reconciliação, os dois noivos subiram as escadarias para conversar com Athena, que ficou muito feliz ao ver seu guerreiro recuperado. O que a deixou mais impressionada foi à notícia da gravidez da filha da antiga serva e que Saga era o pai, abençoou o casamento do casal que seria realizado na próxima semana. Os pais da noiva ficaram super felizes com a escolha da herdeira. O dia do casamento fora bastante animado. Depois de alguns meses os trigêmeos nasceram, dando um susto no pai que não esperava ser pai de três bebês, a harmonia voltara a reinar na casa de gêmeos, depois de tantos anos.
Fim
Nota1: Muito obrigada a todas as pessoas que me deixaram comentários e acompanharam esse fic até seu termínio, espero que que gostem do final.
Nota2: Muito obrigada Juliane por revisar esse capítulo para mim, espero que tenha gostado do final.