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Author of 5 Stories

Rated: T - Portuguese - Romance/Drama - E. Ryoma & R. Sakuno - Reviews: 26 - Updated: 10-20-05 - Published: 08-12-04 - Complete - id:2008490

CAPITULO I

O quarto iluminou-se com a luz do sol que entrou pela janela do apartamento vagarosamente, atravessando o tecido fino das cortinas que balançavam ao sabor do vento.
Ao sentir a brisa gentil, ela abriu os olhos lentamente e sorriu ao ver aquele rosto à sua frente. A pele alva, os traços bem feitos, algumas mechas do cabelo escuro que insistiam em ficar sobre a sua testa, dando-lhe um ar meio rebelde, mesmo com aquela expressão relaxada e tranqüila que sempre mantinha ao dormir. Ela sorriu ao observá-lo, imaginando o porque de nunca cansar-se em fazê-lo, mesmo depois de tantos anos juntos. Gentilmente, esticou a mão e acariciou seu cabelo, sentindo o calor do corpo dele e mais uma vez pensou no quanto estava com saudades de acordar ao seu lado.

Nas ultimas semanas, Ryoma sempre estava ocupado. O novo cargo na editora que trabalhava estava consumindo seu tempo cada vez mais, apesar de estar lá a somente dois anos, desde o ultimo ano da faculdade, era responsável por grande parte da tradução de contratos internacionais, livros raros e outros documentos importantes, fazendo com que ficasse no escritório durante todo o dia e às vezes, à noite, permanecia na frente do computador até altas horas da madrugada. Mesmo que quisesse esperá-lo para dormir, Sakuno geralmente se entregava ao cansaço e acabava dormindo abraçada ao travesseiro, para no dia seguinte acordar com a cama já vazia. E mesmo que telefonasse nos horários disponíveis entre uma aula e outra na pré-escola em que lecionava, não conseguia ter nenhuma conversa mais demorada ou carinhosa, resumindo-se a perguntar como estava o trabalho e se faltava algo para ser comprado no supermercado.
Ela olhou para o relógio pregado na parede próximo à porta, feliz. Já eram oito e meia da manhã e Ryoma ainda estava ao seu lado, dormindo serenamente. No ultimo ano da faculdade, quando decidiram morar juntos, havia aprendido a esperar e apreciar os fins de semana, pois eram os únicos momentos em que podiam tentar esquecer as preocupações da vida de adultos e ser somente um jovem casal de namorados. Sorrindo, moveu o carinho para o rosto dele, passando a ponta dos dedos pela bochecha, mas antes que pudesse contornar toda a sua face, ele abriu um dos olhos preguiçosamente e a fitou, sonolento.
- Bom dia. – disse, com um sorriso.
- Por que você já está acordada? Hoje é sábado.
- Estava olhando você dormir. – respondeu, aproximando-se e aconchegando-se em seu tórax nu.
- Você continua com essa mania estranha... – respondeu, colocando o braço ao redor dela. – Vamos almoçar em casa hoje?
- Aham. Faz tempo que não almoçamos juntos. Vou fazer sushis para você, o que acha?
- Hm. – respondeu, fechando os olhos novamente.
- Será que podemos sair hoje à noite? Ir ao cinema, dar uma volta no parque, algo do tipo?
- Hm.
Ela sorriu, ao vê-lo voltar a cochilar e antes de acompanhá-lo, o beijou suavemente, curtindo aquela ociosidade tão merecida.

Depois de aproveitar mais algumas horas de preguiça na cama, Sakuno levantou-se, tomou banho, trocou de roupa e foi para a cozinha preparar o almoço especial para Echizen. Havia planejado este almoço a semana inteira e antes que ele chegasse em casa, na sexta, foi até o supermercado e comprou todos os ingredientes necessários. O peixe já estava limpo e cortado, a esteira para os enrolados já estava preparada e o arroz quase pronto. No máximo iriam almoçar ao meio dia e meio, horário em que ele geralmente costumava levantar nos fins de semana. Ela ainda não sabia como ele encontrava força de vontade para sair da cama às seis da manhã todos os dias e se arrumar para o trabalho, uma vez que ele conseguia ser uma das pessoas mais preguiçosas que conhecia.

As doze e vinte em ponto, voltou ao quarto e o encontrou na mesma posição que o havia deixado a quase duas horas. Subindo na cama, sentou ao seu lado e novamente acariciou seu cabelo:
- Ryoma...
- Hm?
- Está na hora de levantar.
- Não quero.
- Não quer?
- Não. Quero ficar aqui.
- Ah, que pena. O almoço já está pronto. Acho que vou ter que comer todos aqueles sushis sozinha.

Ela levantou-se para afastar-se e continuar sua pequena chantagem, quando sentiu a mão dele agarrando seu braço e puxando-a de volta para a cama. Antes que pudesse dizer algo, ele estava em cima dela, os olhos castanhos claros a observando seriamente. Ele passou a mão por seus longos cabelos vermelhos estendendo a carícia pelo rosto e ombros, até chegar a fina alça de um vestido que usava e afasta-la lentamente.
- Quero ficar aqui. – sussurrou, aproximando o rosto do dela e beijando-a com tal intensidade que a fez esquecer das dezenas de sushis esperando na cozinha, colocar os braços ao redor dos ombros dele e afundar os dedos pelo cabelo curto. Ryoma aprofundou o beijo, as mãos acariciando as coxas dela, quando o telefone tocou no criado mudo ao lado, fazendo-os interromper as caricias.
- Echizen. – atendeu, com um tom de voz meio irritado. – Hm... Sei. Está bem. Já estou indo.
- Quem era? – perguntou, após sentar-se de maneira comportada, tentando esconder as sensações que afloraram após aquele contato intenso.
- Da editora. Receberam uns documentos do Consulado. Precisam entregá-los até amanhã de manhã e pediram para que eu fosse lá fazer isso.
- Mas Ryoma, você disse que ia estar completamente de folga este fim de semana.
- Eu também pensei, mas é serviço do governo, não pode esperar.
- Bom... – ela sorriu, tristemente. – então é melhor você tomar banho e se arrumar, antes de almoçar.
- Não vou poder almoçar em casa. – respondeu, levantando-se. – Como alguma coisa no caminho.
- Eu posso preparar o sushi para você levar. Pelo menos assim, não estraga.
- Hm. – concordou, indo para o banheiro e ligando o chuveiro, antes de tirar a roupa.

Sakuno voltou para a cozinha e começou a desfazer o belo prato que havia decorado com os sushis e alguns outros enfeites feitos com folhas frescas e kani e após colocá-los em um deposito de plástico extremamente sem graça sentou-se no sofá da sala, esperando ele se aprontar. Alguns minutos depois, Echizen apareceu banhado e usando calças jeans , uma blusa vermelha e um par de tênis pretos.
- Você vai assim?
- Hm. É fim de semana, não tem problema.
- É.. não tem problema.. – respondeu, desanimada. – Aqui está. – disse, entregando-lhe o pote de sushis.
- Obrigado.
- De nada. Você tem alguma idéia de que horas vai terminar?
- Não.
- Você pode me telefonar quando terminar? Eu passo por lá para lhe buscar e podíamos sair, o que acha?
- Talvez.

Sorrindo, lhe deu um beijo, antes que ele pegasse as chaves do carro, colocasse um boné e abrisse a porta.
- Tchau.
- Tchau.

Quando a porta fechou-se, ela voltou à cozinha para limpar e arrumar os vestígios de mais um almoço especial frustrado.

Já eram seis horas da tarde. Sakuno havia acabado de corrigir alguns exercícios de colorir de seus pequenos alunos e se espreguiçou na cadeira. Olhou para o telefone que irritantemente permanecia em silêncio e respirou fundo. Será que era pedir demais um simples fim-de-semana ao lado dele? Ela abaixou a cabeça e se perguntou se não estaria sendo injusta, afinal, não estava na farra com os amigos ou qualquer outra coisa do tipo. Estava trabalhando. Trabalhando em algo que gostava apesar de sempre reclamar de quão tediosos eram os documentos que traduzia, mas sempre se dedicava ao máximo nas obras literárias que chegavam da Inglaterra e Estados Unidos, principalmente as de suspense, ficção cientifica e policiais.
Colocando os trabalhos dos alunos em uma pasta, apoiou os braços na mesa e deitou a cabeça sobre eles, olhando diretamente para a estante da sala, onde haviam dezenas de porta-retratos com fotos dos dois entre amigos e familiares e também um com o outro. Em todas, Ryoma mostrava sua tão conhecida expressão séria. Ela sorriu ao ver o quanto era apaixonada por aquela feição, que se completava com seu olhar tão profundo. Mesmo sendo apenas uma menina, sabia que fora conquistado pela intensidade daqueles olhos castanhos claros desde o primeiro momento em que os vira e seu fascinio sobre eles permanecia, mesmo depois de tantos anos de convívio.

Após admirar a foto de Echizen por alguns minutos, a vontade de vê-lo foi maior que sua paciência de esperá-lo voltar para casa. Ela se levantou da mesa com um sorriso maroto , foi até o banheiro, banhou-se rapidamente, vestiu uma saia e uma blusa chiques que faziam uma bela combinação, arrumou os cabelos, maquiou-se e após colocar o perfume e calçar um par de sandálias de salto alto, pegou sua bolsa e correu em direção à porta, saindo em seguida.

Ryoma estava em frente ao computador da empresa, traduzindo os documentos do consulado britânico para autoridades japonesas. Como havia previsto, eram textos extremamente chatos, divididos em numerosas folhas e não via a hora de terminar e poder voltar para casa. Inclinando-se na cadeira, remexeu os cabelos, olhando para o pote que Sakuno havia lhe dado e que já estava vazio a várias horas. Ele começou a pensar no que ela poderia estar fazendo. Poderia ser algo em relação ao seu trabalho, talvez arrumando o apartamento, ou somente assistindo televisão. Também pensou no quanto ficou aborrecido por terem sido interrompidos e no quanto gostaria de ter permanecido em sua cama.

- Mada mada, dane... – disse a si mesmo, antes de passar algumas folhas do arquivo para começar a traduzi-las, mas sua visão foi obstruída por duas mãos colocadas na frente de seus olhos, ao mesmo tempo em que uma bochecha foi encostada contra a sua.
- Adivinha quem é.
- Sakuno... – virando-se na cadeira, olhou para ela, surpreso. – O que faz aqui?
- Bom, como você não telefonou, resolvi passar aqui e lhe buscar para sairmos.
- Ainda não terminei. – respondeu, folhando as dez paginas restantes dos documentos.
- Sem problemas, espero você terminar. – respondeu com um sorriso. - Onde você quer ir? Jantar ou cinema?
- Sakuno, eu realmente estou cansado. Quando acabar isso aqui quero ir direto para casa. Parece que amanhã teremos trabalho extra também.
- Mas desse jeito nem iremos aproveitar o sabádo, Ryoma...
- Hm. – foi tudo o que respondeu, apesar do claro tom de desapontamento em sua voz. – Bem, preciso continuar. Vejo você em casa, então. – ele virou-se em direção ao computador novamente, dando as costas para a garota.
- Está bem. Tchau. – saindo da sala dele, andou de cabeça baixa pelo corredor, os olhos cobertos pelo longo cabelo e silenciosamente deixou o prédio.

Segundos depois, um dos rapazes que também estava trabalhando naquela noite foi até a sala dele, totalmente surpreso:
- Ei, Echizen, você viu aquela maravilha que acabou de sair?
- Maravilha?
- Foi!Aquela ruiva que acabou de sair daqui, você não viu!
- Ah, era a Sakuno. – respondeu, desinteressado.
- Sakuno? A sua Sakuno!
- Hm.
- Caramba, Echizen, com todo o respeito, mas você nunca tinha me dito o quanto ela é linda!
- Acho que esqueci...
- O que ela veio fazer aqui?
- Queria sair comigo. Mas expliquei que o trabalho ainda iria demorar para ficar pronto.
- Entendo. Mas você planeja algo especial para quando chegar em casa, não é? – perguntou, curioso.
- Não. Porque?
- Eita, Echizen, você é muito lerdo mesmo! A sua garota vem aqui toda linda e cheirosa te buscar para vocês saírem a sóss e você nem ao menos vai fazer um agrado para ela! – ele coçou a cabeça, antes de sair da sala do colega. – Cuidado, viu. Alguém pode roubá-la de você!
- Hm. – Ryoma ficou pensativo, tentando lembrar de como ela estava vestida, mas simplesmente não havia prestado atenção a esse detalhe e em alguns segundos, deixou esse pensamento de lado e voltou a se concentrar em seu trabalho.

Quando Echizen finalmente chegou em casa, olhou para o relógio da sala que marcava onze e quarenta e cinco, enquanto colocava as chaves sobre o móvel ao lado da porta e tirava seus sapatos. O apartamento estava completamente silencioso e entregue à escuridão. Entrando no quarto, encontrou a jovem adormecida e depois que trocou de roupa, deitou-se ao seu lado e sem perceber, começou a observá-la. A pele branca e sedosa exalava um agradável perfume de flores. O baby-doll verde-claro de seda que estava vestindo deixava à mostra as pernas longas e bem feitas, as coxas torneadas e o decote da blusa revelava timidamente uma parte dos seios macios. Os cabelos vermelhos emolduravam o rosto sereno e a boca rosada se mostrava altamente convidativa.
Ryoma lembrou-se das palavras de seu amigo e teve que concordar. Ela realmente era linda. E estava ali ao seu lado, na cama dos dois. A menina envergonhada havia se transformado na adolescente que timidamente se declarou para ele no jardim dos fundos da Seigaku e agora era a bela mulher com quem dividia o dia-a-dia.

Involuntariamente esticou sua mão e acariciou seu pescoço gentilmente, fazendo-a se mexer na cama. Aproximando-se, falou em seu ouvido:
- Cheguei.
- Que bom... – respondeu, preguiçosamente, sem abrir os olhos. Echizen estranhou, pois sempre que chegava em casa ela lhe oferecia um beijo carinhoso assim como um monte de perguntas de como havia sido o trabalho. Aproximando-se, tirou uma mecha de cabelo que estava sobre o seu rosto.
- Sakuno...
- Hm?
- Você... estava bonita hoje.
- Sério? – ela abriu os olhos e o fitou.
- Verdade.
- E o que eu estava vestindo, Ryoma?
- Ahnn.. você... – ele passou as mãos pelo cabelo, sem jeito.
- Como eu imaginei...– virando-se, deu-lhe as costas. – Boa noite, Ryoma.
- Sakuno... o que foi? – ele acariciou seus ombros, beijando-os em seguida e assim que colocou uma das mãos sobre suas costas, deslizou os dedos para seu abdômen, suavemente. Ryuzaki sabia quais eram as intenções dele e se afastou.
- Estou cansada, Ryoma.
- Do que? Fui eu que trabalhei o dia todo. O que você fez?
- Fiquei lhe esperando. Ultimamente, tudo o que faço é lhe esperar. – virando-se, o fitou novamente por alguns instantes, esperando alguma reação, mas ele continuou tão indiferente como antes. Após respirar fundo, acariciou o rosto dele com um olhar triste. – Durma bem. – Sakuno virou-se de costas para ele mais uma vez e cobriu-se com o lençol e ficou esperando alguma palavra ou gesto de carinho que não se baseasse em um desejo sexual mas depois de alguns segundos, suas esperanças se esvaíram por vez ao ver que ele já estava deitado. Ao fechar os olhos para dormir, uma lágrima cruzou seu rosto, silenciosamente.

No domingo de manhã, Ryoma remexeu-se entre os lençóis, antes de finalmente abrir os olhos ao perceber que estava sozinho. Sakuno não estava na cama. Levantando um pouco a cabeça, olhou para o banheiro dentro do quarto e depois se sentou na cama, tentando ver algum movimento, em vão. Ele levantou-se e cruzou a sala, chegando até a cozinha e quando foi até a geladeira procurar algo para o café da manhã, encontrou um bilhete avisando que ela iria passar o dia fora. Echizen virou o pedaço de papel, procurando por mais informações, mas não achou nada que dissesse que horas havia saído, para onde ou com quem, como de costume. Aproveitando sua ausência, pegou um pacote de torradas e um copo de suco de laranja e foi comer na cama, tendo a certeza de que não receberia nenhum puxão de orelhas pelas migalhas. Alguns minutos depois de ligar a televisão, o fato de Sakuno não estar em casa, em um dia como aquele, já era algo totalmente esquecido.

No litoral da cidade, a praia estava movimentada. Várias pessoas estavam distribuídas nas quadras de vôlei e futebol feitas de improviso na areia, enquanto outras se divertiam nos bares e algumas famílias se reuniam ao redor das pocinhas rasas de água, rodeadas pelas esculturas de areias das crianças.

Deitada sob um grande guarda-sol, a garota observava atentamente um casal de jovens jogando tênis à alguns metros à sua frente, quando um copo colorido cheio de uma bebida cor-de-rosa foi colocado à sua frente:
- Aqui está, Sakuno.
- Ham? – ela olhou para a jovem de curtos cabelos castanhos à sua frente, vestindo um bikini violeta, decorado com pequenas flores brancas.
- Seu suco, Sakuno! Acorda!
- Ahn, me desculpe, Tomoko. – ela pegou o copo, envergonhada. – Estava distraída.
- Não estava pensando no Ryoma, não é? – perguntou, irritada, antes de sentar-se na cadeira de sol. – Você prometeu que hoje iríamos apenas nos divertir!
- Desculpe.
- Se ele merecesse algum tipo de pensamento, não teria feito você ir dormir chorando ontem, como disse que o fez! Eu sabia que tinha algo errado para você ter me chamado para sair em um fim de semana! Geralmente, você fica em casa paparicando o Echizen o dia todo!
- Ah, Tomoko... não se esqueça que um dia você também já fez isso. – brincando, sorriu para a amiga de infância.
- Ah, mas isso foi a muitos anos atrás, ainda éramos somente crianças! Tive sorte de perceber a real natureza do Ryoma antes de perder o meu tempo! E o jeito que ele trata você só faz com que eu fique com mais e mais raiva dele. Em todos esses anos, nunca o vi dizer ou fazer nada de carinhoso para você!
- Não é bem assim. O Ryoma pode ser bem gentil quando quer.
- Ahá! Você acabou de dizer, quando ele quer! E como você me contou e tenho quase certeza que isso é uma regra, é sempre quando vocês estão na cama! O Echizen deve achar que você é algum tipo de gueixa que só serve para isso!

Sakuno bebeu um gole do copo, enquanto processava a verdade nas palavras da amiga. Ultimamente, todos os abraços, beijos e os toques calorosos e gentis que havia recebido de Echizen sempre significam algo mais que um carinho. Não se lembrava da ultima vez em que haviam trocado gestos afetivos em público e o máximo que ele a permitia fazer era andar com os braços entrelaçados, quando saiam juntos na rua. Ela sempre havia encarado esse tipo de comportamento como uma simples timidez do rapaz, mas mesmo sozinhos em casa, não estava mais lhe dando um simples beijo de bom dia ou a abraçava sem motivo.
- Tomoko...
- O que foi?
- Você acha que... o Ryoma me ama? – ela olhou para a amiga com uma feição triste.
- Sakuno... – a garota acariciou a cabeça da amiga e lhe mostrou um sorriso gentil. – Depois de tantos anos juntos, você realmente acha que deveria ter esse tipo de duvida?
- Não. Mas não tenho certeza se irei escutar a resposta para essa pergunta com ele.
- Então, o problema está mais sério do que eu pensei. Você realmente quer continuar a dividir sua vida com o Ryoma, sem saber o que ele sente por você?
- Sabe, por todo esse tempo, permaneci ao lado dele, pensando que a sua forma de amar era somente diferente da minha. E eu só tinha que entender isso... – ela colocou o copo ao lado e sentou-se, abraçando os joelhos. - ...para que pudéssemos ficar bem.
- Sakuno, você sabe tanto quanto eu o quanto o Echizen é uma figurinha complicada! Ele parece estar fora de órbita a maior parte do tempo! E não vai mudar seu comportamento em relação a você, a menos que o coloque contra a parede e diga com todas as letras o que você quer!
- Ahnn.. não sei, Tomoko... nunca briguei com o Ryoma, me sentiria péssima fazendo isso...
- Então você vai continuar a guardar suas magoas dentro do seu peito, só porque tem pena do Echizen? Tudo bem , faça como quiser! Mas tenho que lhe avisar que ele não terá nenhum problema dizer e fazer algo que irá acabar lhe entristecendo! E antes que você perceba, vai ficar aturando aqueles "Hm" dele como respostas para tudo no relacionamento de vocês! – ela deitou na espreguiçadeira, irritada com a quase infinita paciência que Ryuzaki tinha com Echizen, mas antes que pudesse falar o resto dos desaforos guardados para o rapaz, se calou ao ver os olhos marejados da amiga. Sentando-se ao lado dela, a abraçou. – Não fique assim, Sakuno. Me desculpe, não foi minha intenção deixá-la triste.
- Está tudo bem... você não disse nada que não fosse verdade. Eu só não queria que as coisas tivessem chegado a esse ponto.
- É, eu sei que não. Mas, anime-se. Depois que você me ligou, reservei uma tarde em um Spa para nós duas. Vamos passar três horas sendo extremamente mimadas!
- Obrigada, Tomoko. – respondeu, com um sorriso.

Realmente, Sakuno foi imersa em mimos e cuidados corporais pelo resto da tarde, no entanto, sua mente não conseguia distanciar-se do que estava acontecendo entre ela e Echizen.

Ryoma estava deitado na rede da varanda do apartamento, quando escutou o barulho das chaves na porta que se abria. Ele observou Ryuzaki passar pela sala e acender as luzes, quebrando a escuridão do local. Enquanto tirava as sandálias viu o movimento na rede e disse um "oi" totalmente sem emoção, antes de ir para a cozinha. Levantando-se, foi atrás dela. Quando chegou, ela estava descascando uma maça, sentada à mesa.
- Sua avó ligou.
- Verdade?
- Foi, de tarde. Disse que você havia saído, mas não sabia que horas ia voltar.
- Tudo bem. Ligo para ela daqui a pouco. Como foi o trabalho?
- Não teve. – ele se sentou na cadeira à sua frente.
- Não?
- A secretária ligou e disse que não precisava que eu fosse hoje.
- Entendo. – ela já estava comendo a fruta e não mostrava o menor interesse genuíno na conversa.
- Aí eu fiquei em casa, esperando você voltar.

Com essa frase, Sakuno olhou para ele, extremamente surpresa.
- Você... ficou me esperando, Ryoma?
- Sim.
- Ah, Ryoma... – sorrindo alegremente, se levantou e sentou-se no colo dele, dando-lhe um abraço apertado. – Isso foi muito gentil, obrigada.
- Hm... eu tive que lhe esperar.
- É? E porque? – perguntou, aconchegando-se no peito dele, carinhosamente.
- Você não deixou nada para o jantar.

A garota levantou-se do colo dele de cabeça baixa e saiu da cozinha.
- Ei, aonde você vai?
- Para o quarto.
- E o jantar?

Tudo que ele obteve como resposta foi o som da porta do quarto se fechando.

Segunda-feira de manhã. Sakuno acordou sem nem se preocupar se Ryoma havia dormido no quarto, pois como sempre, ele já havia saído quando despertou para o trabalho e ao chegar na escola, a dor de cabeça que havia aparecido na noite passada, depois da "belíssima" declaração de Echizen ainda persistia, mas após alguns momentos vendo seus alunos brincarem no parquinho do gramado, na hora do recreio, pôde esquecer o que havia acontecido e já mostrava uma face sorridente.

- Bom dia, senhorita Ryuzaki. – uma senhora de cabelos grisalhos e usando um par de óculos de armação prateada se aproximou com um sorriso.
- Bom dia, senhora Maki.
- Está um belo dia hoje, não?
- Com certeza. A primavera sempre é uma bela estação.
- Sabe, já viajei para muitos lugares, mas nenhum deles consegue ter uma primavera tão bonita quanto aqui. Afinal, nossa primavera é cor-de-rosa.
- É verdade. – respondeu com um sorriso, enquanto algumas pétalas do imponente par de cerejeiras do jardim da escola voavam ao vento. – Mas acho que a estação nos outros paises também devem ter o seu charme.
- Você gostaria de poder comprovar isso? – perguntou, ao mesmo tempo em que ajeitava melhor os óculos no rosto redondo e sorridente.
- Como assim?
- Estive na Secretaria de Educação semana passada e em conjunto com o governo britânico, estão oferecendo cinco bolsas para especialização em educação infantil para professores do maternal à alfabetização. Tudo o que é preciso fazer para concorrer é ir até lá, se inscrever e estudar para uma prova escrita que acontecerá daqui a quinze dias.
- Verdade? Puxa, parece ser uma experiência maravilhosa!
- É por isso que estou lhe propondo que você faça essa prova.
- Eu?
- Sim. Você já está conosco a dois anos e nunca tive nenhuma reclamação sequer de você. Você está sempre inovando seus métodos de ensino e as suas crianças só recebem elogios.
- Mas e a senhorita Ayakama? – perguntou, referindo-se a outra professora que também mantinha uma classe da mesma idade que a dela.
- Conversei com Mizuki e ela irá se casar daqui a alguns meses. Agradeceu a oportunidade, mas a recusou.
- Ah, é verdade... mas, senhora Maki, nem sei o que dizer... com certeza é uma oportunidade única, mas realmente não sei... ir para outro país?
- Vamos fazer o seguinte. Inscreva-se, estude e faça a prova. Se você passar e tenho certeza que irá, terá um mês para decidir se irá ou não. Acho que é tempo suficiente para pensar a respeito, não?
- Sim, senhora.
- Oh, como o tempo passou rápido... – sorriu, ao escutar o sinal tocando, indicando que o recreio já havia terminado. – É melhor você retornar a sala de aula.
- Sim.
- Mas, realmente gostaria de vê-la com essa vaga, senhorita Ryuzaki. Você a merece. – disse, antes de arrumar os óculos mais uma vez e sair andando em direção à sua sala, a diretoria.

A campainha do timer do forno apitou no exato momento em que Sumire entrou na cozinha, atraída pelo cheiro dos bolinhos que haviam acabado de assar. Colocando a luva para proteger sua mão, retirou a forma.
- Bem a tempo. Sakuno já deve estar chegando. – colocando-os em cima da abancada da cozinha, polvilhou uma mistura de açúcar de confeiteiro com canela em cima deles antes de ir para a varanda esperar a neta chegar. A casa parecia tão grande e vazia desde que ela havia se mudado para morar com Echizen, mas sempre que podiam se encontravam para colocar os assuntos em dia e principalmente nas ultimas semanas, ao sentir que algo incomodava sua neta, ela telefonava algumas vezes a mais. Sakuno sempre fora uma pessoa que guardava suas magoas somente para si, mas o tom de voz choroso que tinha na ultima vez que se falaram ao telefone foi o bastante para que Sumire tivesse certeza de que havia algo de errado.
- Vovó, cheguei! – do outro lado da cerca baixa de madeira que circundava a frente da casa, Sakuno acenou com um sorriso, enquanto abria o portão.
- Seja bem-vinda. – ela sorriu para a neta, assim que cruzou o pequeno caminho de pedra entre o portão e alcançou a varanda da casa, onde ela estava sentada em uma grande cadeira de palha entrelaçada.
- Olá, vovó. – a garota abraçou a senhora e beijou seu rosto. – Como vai? Nossa, que cheiro maravilhoso!
- Fiz bolinhos de baunilha para você. Vamos, está na hora do lanche!
- Ah, vovó, não precisava se preocupar. – respondeu, enquanto entrava na casa.
- Bobagem. Não custa nada.
- Então pelo menos deixe-me lavar a louça depois.
- Tudo bem. Chá ou suco?
- Suco está ótimo, vovó.
- Então, como estão as coisas? – ela sentou-se na cadeira à frente da neta, com um copo de suco na mão.
- Ah, está tudo bem. – sorriu.
- Verdade?
- Sim. Esses bolinhos estão maravilhosos.
- Que bom que gostou. Lembro que quando você era criança, sempre os comia quando estava triste. E acho que o que aconteceu para deixá-la com aquela voz ontem deve ter algo a ver com isso.
- Vovó... – colocando o pedaço restante do bolinho no prato, Sakuno olhou para a senhora. – Hoje eu recebi uma proposta no meu emprego.
- Proposta?
- Fazer uma prova para uma bolsa de especialização na Inglaterra.
- Parece interessante.
- É, eu sei. Reconheço que é uma oportunidade única, mas a minha vida está aqui. Não consigo me imaginar longe da senhora por um ano inteiro.
- E do Ryoma também, não é?
- Hm.. é claro, dele também. – por mais que tentasse esconder que a magoa do dia anterior a fizera não inserir o rapaz no assunto, seu tom de voz foi o suficiente para que Sumire lhe lançasse um olhar sério.
- Sakuno, está tudo bem entre você e o Ryoma?
- Eu não sei, vovó.
- Como assim?
- Ele anda tão distante ultimamente. Mesmo ele estando ao meu lado, estou me sentindo sozinha.
- Por que você acha que isso está acontecendo?
- Não sei... – ela abaixou a cabeça, visivelmente triste.
- Tenho certeza de que você nunca contou a ele como se sente, não é?

Ficando em silêncio, balançou a cabeça, negativamente. Sumire sorriu.
- Sakuno, em todos os anos do Seigaku, você sempre foi uma das poucas pessoas que o Ryoma escutava. Mesmo que fossem puxões de orelha por um atraso ou uma atitude mal educada, ele sempre lhe dava atenção. A sua voz sempre alcançou os ouvidos dele. Deveria tentar isso novamente.
- Vovó... eu não tenho medo de que ele não me escute. Eu tenho medo que ele não queira fazer nada a respeito, já que até agora não percebeu que há algo de errado entre nós.
- Fale como você se sente. Se isso não for o suficiente para fazê-lo mudar, volte para casa.
- Vovó...
- Eu permiti que você fosse morar com ele, mesmo sem nenhum pedido formal, mesmo sem eu nunca ter escutado as palavras "noivado" ou 'casamento" por parte do Echizen, porque eu esperava que ele a fizesse feliz. Se ele não estiver, volte para casa. Somente não desista sem tentar. Não criei você para se arrepender de suas escolhas.
- Obrigada, vovó... – Ryuzaki olhou para ela com um sorriso gentil, agradecendo suas palavras.

Dez horas da noite. No apartamento, Sakuno estava sentada na cama, lendo algumas informações sobre a bolsa de especialização, na pagina da secretária de educação, em seu laptop, enquanto Ryoma estava mergulhado em um belo banho quente na banheira. Pela terceira vez, ela desviou seu olhar da tela e o espiou. Desde que havia chegado em casa, ele somente lhe disse um oi e foi diretamente para o banheiro e durante a meia hora que havia passado, não havia dito nenhuma palavra, permanecendo de olhos fechados, com a cabeça apoiada em uma toalha na borda. Ela respirou fundo, pensando nos conselhos de Tomoko e os da sua avó, fechou a tampa do computador, saiu da cama e foi até o banheiro.
- Ei..
- Hm? – virando o rosto em sua direção, ele abriu um dos olhos para vê-la.
- O banho está bom?
- Hm.

Sakuno apagou a luz central do banheiro, deixando-o iluminado fracamente, pela luz que vinha do quarto.
- Pode ir um pouco para frente, por favor? – antes que Echizen pudesse responder algo, viu a sombra dela se despindo da camiseta folgada que usava e sentiu a água movimentando-se assim que ela entrou. Os braços dela rodearam seus ombros e engoliu seco ao sentir o contato dos seios nas suas costas. Ele podia sentir o rosto dela encostado próximo ao seu ombro e as mãos acariciarem seu peito gentilmente. Seu quadril estava envolto pelas pernas sedosas e ele se sentiu extremamente confortável e protegido.
- Sakuno...
- Oi?
- Por que você fez isso?
- Porque eu queria ficar perto de você. Está lhe incomodando?
- Não. Também queria... – nesse momento, as palavras saíram de maneira hesitante. - ... ficar com você.
- E porque você não foi? Fiquei no quarto a noite toda e você não me disse nada. – o tom de sua voz era extremamente doce, como se estivesse falando com uma das pequenas crianças que lecionava.
- Não queria que você me afastasse novamente. Então, achei melhor deixá-la sozinha.
- Ryoma... – ela demorou um pouco para falar, refletindo as palavras que acabara de ouvir, mas esse curto período de silencio não significou nada para ele, já que o aconchegou mais ainda em seus braços, antes de continuar. – Você percebe que estamos tendo alguns problemas?
- Problemas?
- É. Sei que quando você está chateado com algo, prefere se isolar, mas eu não sou assim. Não gostei de você ter se afastado de mim nesses ultimos dias. Gosto de ter você por perto, faz com que eu me sinta bem.
- Você está bem agora?
- Estou. Mas o que me preocupa é que isso vai ser somente agora e que amanhã é bem possível que eu passe o dia inteiro sem lhe ver. E mesmo no final de semana, você tenha que ir trabalhar e acabar me esquecendo aqui sozinha.
- Mas eu sempre telefono.
- Eu sei. Mas você não fala o que preciso ouvir. Sinto falta de uma palavra de carinho, Ryoma. Quando você chega... – a voz dela começou a ficar embaçada e carregada de tristeza, fazendo-o prestar atenção em cada palavra - ...sempre fico esperando um abraço apertado, que você não me dá... e um "senti sua falta" que você não diz. – a essa altura, podia sentir as lágrimas dela em suas costas e suas mãos o segurando apertado, buscando algum conforto. - Ultimamente, fico esperando algo que prove que ainda sou importante para você, mas nunca sinto nada... – encostando-se na borda da banheira, ela colocou as mãos no rosto, tentando conter as lágrimas, mas era inútil. Toda a magoa acumulada havia encontrado na conversa uma válvula de escape e não iriam cessar tão cedo, mas Ryoma conseguiu com que olhasse para ele, ao posicionar lentamente uma de suas mãos sobre o rosto dela, acariciando- o.
- Não chore.
- Desculpe, eu... – a frase foi cortada pela boca dele ao cobrir seus lábios com urgência. A velocidade com que aproximou seu corpo do dela, comprimindo-o contra o seu, fez com que a água transbordasse da banheira e atingisse o chão. Agilmente, posicionou-se entre suas pernas e Sakuno pode sentir o desejo de Echizen se tornar crescente, a medida em que ele explorava seu corpo com as mãos hábeis, mas antes de dar inicio ao ato em si, afastou-se dela, ao sentir as lágrimas caindo de forma abundante sem o menor pudor, enquanto se beijavam. Ryuzaki apoiou-se com as mãos no fundo da banheira e olhou para ele, extremamente desapontada. Mesmo depois de fitar os olhos de cor-de-rubi tão tristes e embaçados, Ryoma simplesmente saiu da banheira, embrulhou-se em uma toalha, e novamente, a deixou sozinha.

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Bom, gostaria de dedicar essa fic para três pessoas muito especiais, a Yoko, que passou um ano tentando me convencer a baixar a série, mesmo diante dos meus protestos mais do que birrentos, à Drika e à Mica-chan, que atraves de suas palavras, me fizeram criar um carinho muito especial pelos personagens, antes mesmo que as primeiras cenas estivessem passando no meu bsplayer e é claro que a Yoko se encaixa aí tambem.

Só tenho a dizer que realmente me esforcei ao maximo para desenvolver essa primeira parte e peço logo que me desculpem por algum erro gramatical ou mesmo equivocos com o usos dos personagens.
Fora a Mica e a Yoko que leram algumas partes e gentilmente as corrigiram e me deram algumas dicas, essa fic, até o momento não foi betada e totalmente baseada no meu bom senso ou na falta dele
A maioria deve saber que somente ultimamente tenho me embrenhado nessa floresta tão cheia de surpresas que é o mundo dos fanfics, então, não esperem grandes feitos ''

Todos os comentários e sugestões serão bem vindos.



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