Help
Home Just In Communities Forums Beta Readers Search
B s . A A A   full 3/4 1/2   E E   Light Dark
Anime/Manga » Weiss Kreuz » A Marca de Uma Lágrima
Akemi Hidaka
Author of 12 Stories
Rated: K+ - Portuguese - Romance/Drama - Updated: 08-22-04 - Published: 08-21-04 - id:2023455

A Marca de Uma Lágrima

Paixão que renasce 2

Ali à sua frente, estava o homem da sua vida. O homem por quem sofrera mais do que imaginava poder aguentar. O homem por quem derramara mais lágrimas do que pensava ser capaz de produzir. Mas todo o sofrimento acabara, e agora ele estava ali, amando-o como ele o havia amado em segredo, durante tanto tempo.

Havia, porém, alguma coisa que parecia não se encaixar perfeitamente. Se Omi fechasse os olhos e deixasse vir à mente as recordaçãos daquele beijo no jardim e daquele beijo sob a arvore, a paixão explodia dentro dele. E dentro dele, seu coração disparava como a corrida de um coelho em busca da cenoura.

Entretanto, de olhos abertos, o sonho não parecia ser o mesmo. Aya estava ali, lindo - ah, como ele era (é) lindo! - amando-o, querendo-o...O que mais ele poderia desejar?

Aya aproximou-se da cama e tomou a mão de Omi.

- Você sobreviveu por mim!

- Aya-kun...

Por que ele se sentia assim? Por que não conseguia esquecer a expressão de derrota no rosto de Ken? Remorso, talvez. Ele jamais teria querido magoar aquele amigo, mas o que fazer?

- Eu não sei dizer as coisas certas, mas posso ter ceteza de que te amo. Você consegue dizer tudo o que sinto. Sempre te amei pelas cartas, e nunca percebi!

- Aya-kun, eu...

- Agora poderemos ser felizes, Omi! Já chega de tanta espera!

- Chega sim, Aya-kun...mas não de tanta espera. Chega de sofrer. Você pertence a Yohji e ele a você. Amaram-se quando conheceram-se melhor e depois deixaram-se perder nas minhas mãos. Mas chegou a hora de por um fim. Por acaso você deve se apaixonar pelo compositor se a musica dele o ajuda a conquistar a namorada? Ou pelo pôr-do-sol, quando as cores criam o clima certo para que ela diga sim?

- Omi, você não compreende...

- É verdade, Aya-kun. Custei a compreender. Compreender que sou um artista. Um artista que criou os dois lados de uma paixão que só existia na minha cabeça. Mas o amor de você e Yohji é real. Vocês se amam 'apesar', e não 'por causa' das minhas palavras. Se não sabem se amar sem elas, amem-se calados!

- O que você está dizendo, Omi?

- Ou façam como todo mundo e busquem inspiração em qualquer poeta, qualquer músico, em qualquer pôr-do-sol, em qualquer lua. De preferência, procurem um poeta que não tenha sido beijado por você em nenhum jardim e de quem você não tenha salvo a vida sob uma arvore!

- Mas eu não-

- Deixe-me, Aya-kun. Vá procurar Yohji. Eu sei que há uma grande verdade no meu amor por você. Uma verdade que não fui quem escreveu. Uma verdade que foi escrita sem palavras, com um beijo, em um jardim de sonhos. Sei que jamais esquecerei aquele beijo, mas tenho de tentar. Devo minha vida e minha paixão a você. Para sempre. Mas eu não aguento mais. Tenho que esquecer aquele beijo. Tenho que esquecer você. Ou passar a vida tentando...

Aya não entendia nada.

- Esqueça tudo isso, Omi. O que importa é que nós dois nos amamos. Vamos começar tudo de novo!

Debruçou-se sobre ele, com os lábios ávidos por beijá-lo. Omi virou o rosto, tentando afastá-lo com as mãos.

- Não, Aya-kun...por favor. Eu não quero mais sofrer.

A camisa de Aya agora quase tocava no rosto de Omi, e ele pode sentir uma leve fragrância de rosas.

- Aya-kun! O perfume! Por que não o passou o Kaiak?

- Que perfume, Omi? Eu não costumo usar esse tipo de perfume!

Omi livrou-se do abraço e, a custo, levantou da cama.

- Você...você não usa o perfume!

- Do que está falando, Omi? Eu não entendo...

- Pois agora EU entendo!

Com o corpo mal coberto pela minuscula camisola de hospital, tonto pelos vestigios do remedio que ainda circulava em suas veias, Omi tinha o roso em fogo.

- Eu vi tudo errado! Criei a fábula falsa! O beijo no jardim, não era você!

- No jardim? Que jardim?

- O beijo sob a arvore, o perfume, não era você!

- Omi, você enlouqueceu?

Como louco, o chibi ria às gargalhadas, cambaleando.

- Como fui cego! Só enxerguei o que eu mesmo estava criando! Não preciso esuquever aquele beijo, Aya-kun. Eu disse que ninguem me tiraria aquele beijo, e isso ninguem vai tirar! Ele é meu!

Cambaleou tonto até a janela e viu no jardim do hospital aquele que queria ver.

- Me espere, itoshii...- arrastou-se como um bebado para a porta do quarto.

- Não, Omi! Você está muito fraco, não pode sair da cama!

- Volte para Yohji, Aya-kun! Ele o ama, e você o ama. Agora tenho de consertar todos os enganos que eu mesmo criei. Tenho que encontrar a pessoa que me amou esse tempo todo como eu sou, sem fábulas, sem versos, sem cartas, com todos os meu problemas e minhas loucuras!

Enfraquecido e seminu, abriu a porta e correu pelos corredores do hospital. Suas pernas mal obedeciam, e o frio do pavimento penetrava-lhe as solas dos pés. Livrou-se de um atendente que tentou detê-lo e chegou, vermelho, ardendo em febre à porta do hospital. No meio do jardim, um rapaz levantou o olhar para ele e sorriu.

- Omi!

- Ken-kun!

Tropessando, escorregando, correu pelas alamedas em direção dos braços que o aguardavam. A chuva colou a camisola ao corpo quando se abraçaram.

- Ken-kun, eu preciso dizer-

- Não precisa, Omi-chan. Você já falou demais...

E os lábios de Ken procuraram a boca trêmula pelo frio de Omi, calando e selando com um beijo apaixonado, tudo aquilo que não mais precisava ser dito.

A chuva apertou, encharcando-os, como se quisesse dissolvê-los em um só corpo, num abraço e um beijo eternos...

FIM

PS: espero que tenham gostado! Eu gostei mto de escrever esta fic, pq ela ficou exatamente do jeito que eu queria. Obrigada a todos que me mandaram comentarios: Lain, Vi-chan, Kawaii Shuichi, Evil Kitsune e Lutama - se esqueci de alguém, PERDÃO!

Akemi Hidaka

março/03

Review this Chapter
Share


Return to Top