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... mas volta.
(continuação de "...demora,...")
Dias, semanas e meses se passaram, até que chegou o tão esperado dia para Aya. Já não estava tão frio quanto antes, então supôs que já devia ser verão. Vestiu um sobretudo, escondeu a katana sob as vestes e saiu do abrigo quente que o chalé lhe proporcionava. Está quase na hora..., pensou olhando para o céu azul. Caminhou lentamente até o ponto onde costumavam deixar as caixas e deitou-se ali, fechando os olhos, e deixando-se cobrir um pouco com a neve que caía.
Na Koneko no Sumu Ie, o clima estava tenso. Ken não falava mais com Omi, que não falava mais com ninguém. Estavam vivendo pacificamente apenas por obrigação.
Era noite, quando Manx apareceu toda vestida de preto.
- Tenho uma péssima notícia a dar pra vocês...principalmente para Omi.
- O que pode ser tão ruim assim? - Yohji quis saber, duvidando que a situação pudesse ficar pior ainda.
- Persia acaba de ser encontrado... - suspirou - ...morto.
- NANI? - exclamaram Ken e Yohji juntos. Omi continuou indiferente à trágica notícia.
- ele...morreu? - o moreninho estava chocado.
- Foi encontrado um frasco de veneno em cima da mesa, e disseram que foi suicídio.
- Céus...e o que vai acontecer com a Weiss? - o playboy soava preocupado e também muito chocado.
- Continuará do mesmo jeito enquanto não for decidido nada.
- E o que vai ser da gente?
- Idem. Vim apenas para lhes dar a noticia e dizer que Omi poderá asssumir o controle, já que é o filho de Persia. Seria o único modo de salvar a Weiss.
Todos olharam para o chibi, que encarava algum ponto do chão, com o olhar vazio...sem expressar qualquer sentimento, nem mesmo a frieza que tomara conta de seu corpo. Sua mente estava em meio à um turbilhão de pensamentos. Lembranças, brigas, solidão, raiva, tristeza... De repente veio à tona tudo o que se passsara no último ano, tudo o que fez, e como agiu. Foi como se uma bomba tivesse despencado em sua cabeça. Desde que entrara na Weiss, seu maior objetivo era encontrar seu pai, e quando isso aconteceu, disse coisas horríveis à ele. Desde que Aya lhe foi arrancado dos braços, passara a agir de forma estranha, totalmente diferente de sua verdadeira personalidade. Estava frio, insensível, mal educado e até mesmo violento. Brigou com seus amigos, se afastou de todos os que tentavam ajudá-lo e agora estava só. Sem pai, sem amigos e sem Aya. Sentiu vontade de chorar como há muito não fazia, e o fez. Não se importava se o vissem, não se importava com o que iriam pensar. Queria apenas um ombro amigo que o consolasse, queria ver Aya de novo, queria...seu pai de volta. Correu escadas acima, trancando-se no quarto que fora de Aya, deixando os três penalizados na sala.
Não demorou muito, e logo o helicóptero apareceu e pousou ao ver o corpo jogado na neve.
- Será que ele morreu? - perguntou o piloto.
- Não sei. Vamos lá ver. - respondeu o outro, indo em direção ao ruivo, que continuava imóvel.
- Ele está gelado. - disse o piloto ao tocar-lhe a face. - Acho melhor tirarmos ele daqui.
- Certo. - respondeu prontamente, erguendo o corpo do espadachim e carregando para dentro do helicóptero.
Por dentro, Aya sorria. Nunca imaginou que seria tão facil sair dali. Tratou de ficar imóvel no canto em que fora deixado, até sentir que estavam pousando. Sentiu-se carregado novamente e se atreveu a abrir um pouco os olhos. Estavam no terraço de algum predio, mas não fazia idéia de onde ficaria esse predio. Está na hora... sentenciou.
Deu um impulso e rolou no chão, livrando-se do homem que o carregava. Puxou a katana de sob as vestes e saltou sobre aquele que o carregava, atravessando-lhe o corpo. Ao ver aquilo, o outro homem sacou uma arma e apontou para o ruivo, atirando até ficar sem balas. Com uma habilidade incrível, o ruivo desviou de cada progétil, saindo intacto. Impiedosamente, desferiu um golpe contra o piloto, que caiu no chão, já sem vida.
Consciente de que logo chegaria alguem devido aos barulhos, correu para a escada e desceu o mais rapido que pôde, até chegar no térreo. Por sorte, pareceu passar despercebido pelas pessoas que estavam trabalhando ali, passsando de um lado para o outro, apressadas. Andou pelas ruas sem ter noção de onde se encontrava. Resolveu que seria mais facil se perguntasse para alguem. E assim o fez.
- Q...que cidade é esta? - sua voz saiu um pouco rouca, ao perguntar para uma jovem que parecia ter a mesma idade que ele.
- o.O?...Fukagawa (é uma cidade ao norte do Japão)Está perdido? - a jovem estava um pouco surpresa com a beleza quase exótica daquele homem que parecia ser mais um mendigo. Realmente acreditaria que o era, se algo em seus olhos violetas não dissesse o contrário.
- Ãh...mais ou menos. Mas posso me virar sozinho. Obrigado. - ia virar-se para ir embora, mas exitou - Hm...onde fica o aeroporto mais próximo?
- Em Sapporo. Mas você tem que ir até lá de trem.
- Certo... - fez menção de andar para algum lugar, mas continuou parado.
- A estação de trem fica descendo a rua. - disse, ao perceber uma confusão no ruivo.
- Arigatou. - desceu a rua calmamente, frequentemente olhando para os lados, tendo a forte sensação de estar sendo seguido.
Ao chegar lá, descobriu-se sem dinheiro.
- K'so... - murmurou para si mesmo.
- Quer dinheiro emprestado? - perguntou gentilmente a garota com quem havia pego informações momento antes.
- Não posso aceitar.
- Por que não?
- Primeiro porque eu nunca poderia devolver-lhe o dinheiro, e segundo porque eu nem a conheço.
- Hm...tem razão. Mas pelo menos me acompanhe até o meu destino! - pegou seu braço e arrastou-o até a bilheteria, onde comprou duas passagens até Sapporo. - Chegando lá você pode me pagar. - disse, entregando-lhe uma das passagens.
- ... mas eu não tenho dinheiro...!
- Ora, isso não vem ao caso agora! Mizuhara Nakuru, prazer! - sorriu estendendo uma mão.
- Fujimiya Aya... - respondeu um pouco surpreso. Aquele sorriso lhe lembrava muito sua falecida irmã (ok; eu sei que ela tá vegetando num hospital, mas como eu já disse no primeiro capitulo desta fic, isto é UNIVERSO ALTERNATIVO, e nessa fic ela já morreu - e eu nem sei se no anime a irmã dele chega a morrer mesmo...mas como ela morre em varias fics, eu estou começando a desconfiar que, ou ela morre mesmo, ou então vocês tem raiva dela... ¬.¬)
- E então? O que vai fazer em Sapporo? - perguntou enquanto afastava as longas mechas castanhas de seu rosto.
- Pegar um avião pra chegar em Kyoto (eu não sei se a historia de Weiss se passa no Japão, e muito menos se eles moram em Kyoto. Mas eu gosto - não sei por que - dessa cidade e é pra lá mesmo que ele vai!). - suspirou. Não fazia idéia de como faria para chegar lá, já que estava sem dinheiro, e Kyoto ficava mais ao sul - Fukagawa fica bem ao norte.
- Hm...isso me dá uma ótima idéia, sabia? Acho que vou com você até lá...quer dizer, isso se você não se incomodar com a minha companhia!
- Não me incomodo. Mas não vai ficar ruim para você voltar depois?
- E quem disse que eu vou voltar?.
- ?
- Hi ... essa cidade é um fim de mundo, e eu preciso sair daqui, se quiser cursar uma faculdade decente. As daqui são meio fracas, e eu passei dois anos só para me preparar. E o que você vai fazer em Kyoto?
- Eu vou... - quase que sem querer, olhou rua acima e viu um bando de homens armados e apontando em sua direção. -K'so! Vamos logo!
Puxou a garota para dentro do trem, que acabava de chegar e correrram para o último vagão.
- O que foi isso? - perguntou assustada, ao pararem.
- Não...não foi nada. - respondeu ao ver a porta se fechando, e os homens ficando do lado de fora com cara de tacho - Me desculpe...
- Ii desu...mas você ainda não me respondeu!
- o.O? Ah, sim...eu moro lá.
Depois de ter se dado conta de sua mudança, Omi sentiu muita vergonha de si mesmo, e tentava evitar de encarar os amigos. Estava arrependido de tudo o que fez. Os dois companheiros já lhe haviam dito que o perdoavam, mas mesmo assim, sentia-se estranho. Tentava evitá-los algumas vezes, mas era difícil, pois além de morarem na mesma casa, seu ano letivo acabou e agora podia dedicar-se somente às missões e ao trabalho na floricultura.
As estrelas brilhavam no céu, formando um manto azulado. Omi estava ali, esperando pacientemente, como vinha fazendo nos últimos meses. Mas naquela noite, já havia decidido: seria a última noite que ficaria esperando. Com a morte de seu pai, o fio de esperança de que Aya algum dia voltaria se partiu.
Nakuru pagava todas as despezas daquela longa viagem. Algo dentro de si dizia que estava fazendo um grande bem ao levá-lo até Kyoto. A gorda mesada que recebia dos pais pagava tudo e ainda sobrava para fazer o que quiser.
Levaram dois dias para chegar na cidade de destino (eles fizeram vaaaarias paradas - senão, não teriam levado mais que algumas horas). Pegaram um táxi até a praça onde Aya sentia que Omi estaria eperando, apesar de ser madrugada. Correu até a ponte, apenas para frustrar-se ao encontra-la vazia.
Omi havia ficado ali, esperando, até o sino da igreja soar anunciando a meia noite. Seu coração dizia que era melhor ficar e continuar esperando, mas sua cabeça dizia para ir pra casa e desistir de voltar a ver o ruivo.
- Nakuru... eu posso te pedir um último favor? - perguntou ao voltar para o táxi.
- Claro!
- Posso me hospedar no hotel com você? Eu sei que o combinado era que assim que chegássemos, eu iria voltar para casa e depois lhe pagaria todas as despezas, mas eu queria fazer uma coisa primeiro...
- Tudo bem. Está tarde, e acho que até é melhor se você descansar e depois voltar para casa.
- Domo arigatou.
Logo que o dia amanheceu, Aya foi para um cabeleireiro dar um trato no cabelo que havia crescido um pouco, e estava com um aspecto horrivel. Passou numa loja e comprou roupas melhores com o dinheiro que Nakuru havia lhe dado antes de sair, e depois voltou para o hotel para tomar um banho. Já que iria reencontrar Omi, tinha que estar com uma aparencia melhor.
- Nakuru... obrigado por tudo o que fez por mim. Gostaria que fosse jantar conosco hoje à noite.
- Pode deixar. . E boa sorte!
Apesar de ser de manhã, o movimento na Koneko estava consideravel. Yohji flertava com algumas garotas, enquanto Ken lançava-lhe olhares repreensivos, se mordendo de ciúmes, Omi montava alguns arranjos distraidamente. Ao seu lado, havia uma foto de Aya - a mesma do cordão deixado por ele antes de sair.
O ruivo parou em frente à Koneko, criando coragem para entrar.
Respirou fundo e entrou. Olhou todo o interior da floricultura, pousando seus olhos sobre um Omi triste e distraido. Sorriu muito feliz ao ver que o chibi parecia ser o mesmo que deixara esperando. Yohji e Ken logo trataram de tirar todas as clientes e meninas chatas de dentro da floricultura quando o viram e depois de trocarem olhares significativos.
Omi suspirou enquanto juntava uma rosa ao arranjo, sem notar a movimentação diferente à volta. Aquela flor lhe lembrava Aya. Apoiou a cabeça numa mão e seus olhos pousaram sobre uma pessoa. O tempo pareceu parar. O ar se tornou ausente. Piscou algumas vezes, não acreditando no que estava vendo. Seria mesmo possível?
- Aya-chan...? - andou lentamente até ele. Tocou-lhe a face, como que para confirmar se era real.
Aya fechou os olhos, apreciando o toque.
- Omi... - sussurrou
- Aya-chan! - abraçou-o emocionado
- Omi...!
Abraçaram-se fortemente, mal acreditando que estavam juntos novamente.
- Eu disse que ia voltar... - falou pouco antes de juntar seus lábios aos do chibi. Beijaram-se longamente, matando um pouco da imensa saudade que sentiam.
- Me desculpa... - Omi murmurou ao partirem o beijo.
- Pelo quê?
- Por não ter te esperado por mais tempo... por não ter insistido mais na minha espera...por não ter tido esperanças suficiente...por...
- Shh...Não é você quem deve pedir desculpas. Sou eu...eu fiz você esperar demais...
- Aya-chan...eu te amo tanto...
- Eu tambem, Omi...eu tambem... - suas bocas estavam se aproximando para um outro beijo, só que mais intenso, quando um estrondo se faz ouvir, seguido pela voz do playboy:
- Viva os pombinhos! - gritou dando tapinhas nas costas do ruivo.
- ¬.¬''''''''''''''' - Aya o olhou não gostando nada da interrupção
- Acho que é mais apropriado vocês irem lá pra cima, se querem matar a saudade. - disse empurrando-os para a escada, e fazendo Omi corar bruscamente. - Não precisa agradecer, Aya.
À noite, Nakuru apareceu na casa dos rapazes para o jantar. Yohji não perdeu uma chance de dar em cima dela, apenas para provocar Ken. Conversaram até altas horas, e no final, Aya pagou tudo o que devia.
- Enfim, sós! - suspirou após trancar a porta de seu quarto e jogar-se na cama, onde Omi esperava.
- Enfim sós! - respondeu beijando-o.
No quarto ao lado, Ken e Yohji faziam a mesma coisa.
No dia seguinte, Aya se viu obrigado a sair da cama por causa de uma insistente campainha. Vestiu só uma calça e foi atender o infeliz que 'esquecera o dedo na campainha'. Era muito cedo para estarem recebendo visitas, além de não estarem esperando ninguém.
- Pois não? - abriu a porta com um belo sorriso amarelo e os olhos faiscando de raiva.
- Podem entrar! - um homem todo de preto ordenou, dez homens vestidos da mesma forma empurraram o ruivo pro lado e entraram na casa, sem qualquer cerimônia. - Procurem em todos os lugares! Quartos, salas, cozinha, banheiro, tudo!
Os dez homens se separam e começaram a vasculhar cada canto.
- Mas que merda é essa? Ò.Ó - protestou Aya - QUEM está pensando que é pra entrar aqui desse jeito?
- Não se intrometa, ou vai acabar se machucando, mocinho!
- ¬.¬'''''' - não gostou de ser chamado dessa maneira - Quem vai acabar se machucando aqui é você, se não me disser o que está fazendo!
No andar de cima, Yohji e Ken ainda dormiam tranquilamente depois de uma longa noite de amor, quando a porta do quarto é arrombada com violência, indo bater na parede. Os dois acordam assustados e desnorteados. Quando viram dois homens de preto ao lado da cama, tentaram se levantar, mas acabaram caindo enroscados no chão.
- Vistam-se logo! - um dos homens disse.
- Quem são vocês, e com que direito invadem o quarto dos outros desse jeito? - Yohji enrolou-se no lençol e começou a (tentar) tirar satisfações.
- Não importa quem somos nós, e viemos com este direito - puxou uma arma de baixo do paletó - Agora vistam-se logo e nos acompanhem até a sala!
- Então saiam daqui! Eu não vou fazer NADA enquanto as duas - os dois o encararam ameaçadoramente - ...pessoas contiuarem aqui!Vamos, circulando, circulando! - foi empurrando-os quarto afora. - Bando de incovenientes!
- O que será que eles querem? - perguntou Ken começando a se vestir.
- E eu vou saber? Vamos descer logo pra saber. - tacou algumas roupas na cara do moreninho e se vestiu.
No quarto ao lado...
Omi dormia profundamente. A noite havia sido bem cansativa, porém muito boa.
Como aconteceu no outro quarto, a porta foi arrombada, causando um estrondo e assustando o chibi, que acordou num pulo só, meio atordoado.
- Mas que d... - ia começar a protestar, mas ficou quieto ao ver que tinha uma arma apontada em sua direção.
- Vista-se e desça logo. - um dos invasores praticamente ordenou.
- Quem são vocês?
- OBEDEÇA! - gritou
- Tá bom, tá bom! Que impaciência... - pegou algumas roupas e foi pro banheiro. Alguns minutos depois, saiu vestido e os seguiu meio contrariado.
Na sala, Aya esperava encostado impacientemente na parede, enquanto o homem que ficara na sala já se apossara do sofá.
Yohji, Ken e Omi apareceram na sala juntos, seguidos pelos homens de preto.
- Até que enfim! - o que parecia ser o chefe suspirou.
- Diga logo o que veio fazer aqui e vá embora. - pronunciou o ruivo, andando até ele.
O chefe fez um sinal e dois dos homens estranhos se aproximaram do espadachim, um de cada lado. O ruivo apenas observou, e de repente lembrou-se de já ter visto o rosto de um deles no dia em que fora levado embora(que memória...).
- K'so! - deu um salto, passando por cima do que quer que estivesse no caminho e foi parar do outro lado da sala
- Tsc tsc... - fez balançando a cabeça negativamente - Pelo jeito, já descobriu, não é mesmo? Não há escapatoria para você. Ninguém escapa das sombras do Dragão!
- Dragão? - indagou Omi
- Dragão Negro, garoto. Somos um grupo secreto, conhecido apenas pelos homens mais poderosos do país. Realizamos certos servicinhos para eles. - respondeu orgulhoso, e como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo.
- Se quiserem me matar, vão ter que lutar primeiro! - Aya disse, mesmo estando sem sua katana.
- Já esperava que fosse dizer isso... Sato! - fez um sinal e um dos homens jogou a katana para Aya, enquanto um outro tirava o paletó e pegava uma espada parecida com uma katana. - Que comece a diversão!
Os moveis foram arrastados até um canto da sala e Aya e Sato (é o nome do carinha que tirou o paletó, e que é...hm...loiro - esse "loiro" é só pra facilitar a minha descrição de fatos que virão a seguir, ok?) ficaram a se encarar.
- Ei, ei, EI! O que pensam que vão fazer? - Omi interferiu
- Fique fora disso, Omi! E isso vale pra vocês dois também. - mandou Aya, enquanto dava um impulso e corria em direção ao oponente, que fazia o mesmo.
As duas espadas se encontraram, e os dois mediam forças. Vários ataques eram feitos rapidamente, com uma habilidade quase inimaginável. Quase no mesmo segundo, Sato desferiu um golpe, que Aya desviou facilmente, e chutou o ruivo, que pego desprevenido, foi de encontro ao chão. Aproveitando o momento, o loiro preparou-se para atravessar o corpo do ruivo ainda no chão. Aya afastou-se por milimetros, tendo apenas um corte superficial em seu lado esquerdo.
- Você é rapido... - comentou Sato - ...mas não é muito inteligente!
Fez um movimento horizontal coma espada, atingindo o ruivo de novo.
- AYA-CHAN! - Omi gritou tentando ir em direção ao seu koi, mas foi segurado por um dos homens de preto.
- Você... também é muito bom... tenho que admitir. - Aya se levantava com um pouco de dificuldade. Seus olhos começaram a emitir um brilho gelado e assassino. - Mas não vai vencer de mim usando técnicas tão banais... - sorriu cinicamente.
- É o que veremos...AAAAHHH! - avançou contra o ruivo, e em vez de atacar com a espada, envolveu seu pescoço com o paletó, que estava por perto, erguendo-o a alguns centimetros do chão, enforcando-o.
- A...ya...!- Omi estava agoniado - Ele vai enforcá-lo!
- Não...ele não seria tão bonzinho assim...ele quer é quebrar o pescoço dele! - observou Yoji, deixando o chibi pior do que já estava.
- Não...NÃO!
- Acalme-se, Omi! Aya é bom, ele vai dar um jeito! -Ken falou pela primeira vez desde que começaram a luta, tentando acalmar o chibi.
E realmente, Aya deu um jeito. Inesplicavelmente, conseguiu dar uma joelhada no rosto do outro, e se soltou, pousando suavemente no chão.
- Não é com truques sujos como esse que vai conseguir ganhar... - disse depois de recuperar o folego. Aquele brilho em seus olhos estava agora mais intenso. Parecia que alguma força que esteve adormecida dentro de si despertava agora.
Mais uma vez as espadas se encontraram no centro da sala, ambos medindo forças. Mas desta vez a espada de Sato se quebrou e a ponta voou longe. Afastaram-se. Se encaravam meticulosamente. Um com olhos frios e gélidos, pronto para matar. O outro paralizado, como a um ratinho encurralado no canto da parede por um gato.
Aya deu um salto, indo parar atrás de seu oponente, que agora mal se mexia. Pegou-o pelo cabelo, forçando sua cabeça para trás e posicionou a katana a milímetros de seu pescoço.
- Faça seu último pedido antes que eu o deixe incapacitado de fazer qualquer outra coisa. - ordenou
- Hahahahaha! - o outro começou a rir sarcástico - Acha mesmo que vai continuar vivo depois de me matar? Olhe para trás e me diga o que vê.
- Não preciso ver o que eu já sei. Há duas armas apontadas para minha cabeça. Uma no meu lado direito, e a outra no lado esquerdo.
O ruivo descreveu perfeitamente a posição das armas, sem nem mesmo olhar para trás.
- SHINEEE! - soltou Sato e foi em direção aos dois que estavam atrás de si, pegando-os de surpresa.
- PAREM! - uma voz feminina fez-se ouvir, paralisando a todos, inclusive Aya, que por milimetros não atingiu o alvo. - Já chega!
- Manx? O que faz aqui? - Yoji perguntou
- Sem perguntas, Yoji. Akira, mande seus homens guardarem as armas, agora!
O chefe fez um sinal e as armas foram guardadas.
- Agora mande ele - apontou para o ruivo - guardar a espada.
- Ele já sabe o que tem que fazer. Vá embora com seus homens, não há nada para se fazer.
- Engano seu! Recebemos ordens de Persia para mata-lo caso conseguisse fugir da ilha.
- Persia está morto, não há mais ordens para cumprir.
- Hn. Está bem, eu vou. Mas vou apenas adiar a ordem. O Dragão Negro nunca deixa de cumprir nada, até segunda ordem.
- Mas essa segunda ordem nunca virá! - Manx protestou.
- Não...ela virá. - falou Omi. - Eu...assumo o lugar de Persia.
- Omi... - murmurou Aya, os olhos voltando ao normal - Tem certeza de que é isso que quer? É...muita responsabilidade.
- Eu sei disso, Aya. Mas eu farei isso mesmo, e dispenso os serviços do Dragão.
- Quem esse garoto pensa que é para dizer isso? - Akira estava irritando-se.
- Não há mais o que discutir. Omi é filho de Persia, e tem esse direito. - Manx interferiu e foi empurrando o homem porta afora, batendo a porta logo em seguida. - Quase não cheguei a tempo...
- Como soube que eu havia voltado? - perguntou Aya guardando a katana.
- Mandei algumas pessoas vigiarem as redondezas. Acho que agora tudo está bem, não? - todos confirmaram com a cabeça - Ótimo. Ah, Omi... não precisa mudar nada em sua rotina, ok?
- Hai. .
- Até um outro dia. - e saiu.
- Omi, que história é essa de "não precisa mudar a sua rotina"? Se agora você é o...hm...Persia Jr., tem mais responsabilidades. Não vai dar pra continuar a fazer as mesmas coisas. - Yoji falou.
- Não me chame de "Persia Jr."! . - protestou - Eu tinha falado com a Manx alguns dias antes do Aya voltar(isso foi depois que o Persia morreu - obviamente -, mas eu não sei quanto tempo passou desde então, porque eu perdi completamente a noção de tempo nessa fic) sobre o que aconteceria se eu assumisse o lugar. Discutimos algumas coisas, e chegamos à conclusão de que era melhor continuar tudo do mesmo jeito se eu aceitasse; a única diferença é que agora é ela quem fala as nossas missões, além de trazer o vídeo. Eu tinha ficado de pensar a respeito e depois dar a resposta.
- Por que não nos disse nada? - perguntou Ken.
- Ah, vocês dois estavam tão felizes e despreocupados juntos, que eu preferi não contar.
Ken ficou vermelho como um pimentão.
- Como assim, "vocês dois estavam tão felizes e despreocupados juntos"? O que quer dizer com isso, pirralho? - implicou o playboy.
- Eu podia estar meio deprimido, mas dava pra perceber que tinha alguma coisa entre os dois...
- Eu disse que ele ia perceber, Ken!
- Era você quem começava, nem vem!
- Mas você continuava!
- E você bem que gostava!
- .
- Omi, vem aqui. - chamou Aya.
- O que foi?
- Como assim, "o que foi"? Não tá vendo o corte enorme que aquele loiro oxigenado me fez? - disse, perdendo a paciência e mostrando seu lado esquerdo, que sangrava.
- Mas eu nem te toquei! - reclamou Yoji.
- Eu não estava falando de você, baka!
- Não?o.O
- Não. Mas se a carapuça serviu...¬.¬ - comentou maldoso.
- Eu não sou um loiro oxigenado!ò.ó - queria pular no pescoço do outro.
- Aya-chan, você tem que descansar! - interferiu Omi - E precisa de um curativo, também.
- Você não vai me obrigar a passar o dia naquele quarto, vai?
- Vou. Mas antes de te levar pra lá, vou fazer o curativo.
- Qual a diferença de fazer aqui ou lá?
- Você perde sangue. E depois vai me dar menos trabalho de limpar o chão, se for feito aqui.
- Se vai dar tanto trabalho assim, mande aqueles dois preguiçosos fazerem a limpeza!
- Nããããããoooo! Eu odeio limpar o chão! - resmungou Yoji.
- Tá bom, o Ken pode limpar, né? - Omi praticamente ordenou aquilo.
- O que? Mas dá muito trabalho...ó.ò
- Depois o Yoji coloca os móveis no lugar. .
- Sozinho? - indagou.
- Hai. .
- Nãããããooo! Deixa eu limpar o chão, Ken! - implorou
- Nem pensar! Você não quis antes, agora já era! - respondeu o moreninho, indo correndo pegar uma vassoura e um pano.
- Você vai ver só! Vem pedir alguma coisa pra mim depois! - gritou, indo atrás.
Os dois começaram a discutir, enquanto Omi fazia os curativos em Aya. Por sorte, o corte não era fundo, apesar de ser um pouco grande e em uma semana já estaria cicatrizado, segundo o chibi. Saíram da sala antes que o espadachim se irritasse com aquela briguinha boba e acabaram indo mesmo para o quarto, depois de Omi sussurrar algo no ouvido de Aya.
FIM
Akemi Hidaka
abril-maio/03