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Título: Macaco, Rato, Serpente e Dragão
Autora: Akemi Hidaka
E-mail:
Classificação: Yaoi, UNIVERSO ALTERNATIVO , Lemon, Longfic, Angst.
Status: em capítulos
Pares: AyaxYohji, KenxOmi
na verdade, tá (quase) tudo normal, personagens, missões, floricultura, e blá, blá, blá. O que vai mudar são algumas coisas..."além da imaginação", ou, se vocês preferirem, "coisas absurdas" - mas nem tanto. Outra coisa também: algum personagem pode ficar OOC, mas estou tentando fazer o máximo pra que tudo saia perfeito.
Agradecimento: Suryia - aquelas "informações" que você me passou foram MUITO úteis pra mim...tinha muita coisa lá que eu nem imaginava! Obrigado mesmo.
Por enquanto é só...depois eu vou adicionando outros (qndo tiver). Boa leitura!
Macaco, Rato, Serpente e Dragão
I - A Carta
2 de junho de 2004
Mais um dia de verão que se iniciava calmo e tranquilo. Mas a calmaria durava por apenas alguns minutos, pois mal o Sol cobria o topo dos prédios e casas com seus raios dourados, e a cidade ganhava nova vida: adultos e crianças, homens e mulheres de todas as idades saíam de casa, indo ao trabalho ou à escola, tirando aquele ar de "cidade fantasma".
No aeroporto internacional, o movimento era sempre constante, não importava a hora. Mas não estava assim hoje. Hoje estava fechado para que um único avião pudesse pousar em segurança, entregando seus passageiros ao destino.
Um avião particular, modelo 787, uma verdadeira casa aérea vinda de Hong Kong acabava de pousar suavemente. Imediatamente, uma escada foi levada até a porta que se abria e dois homens enormes de terno, gravata e óculos escuros saíram e pararam cada um de um lado da porta, analisando tudo o que havia à volta. O da direita era um careca de bigodinho, e o da esquerda tinha um longo cabelo preso por uma trança. Depois saiu uma jovem vestida com um vestido vermelho curtíssimo de mangas compridas justas em cima e largas embaixo, com alguns detalhes dourados na gola que ia até a metade do pescoço, na barra e nas mangas e algumas flores bordadas ao longo do tecido. As mechas soltas na frente de seu cabelo esvoaçavam ao vento, enquanto o resto estava preso atrás por uma tira da mesma cor da roupa. Os cabelos eram tão negros quanto seus olhos penetrantes, que não expressavam muita coisa.
A garota inspirou profundamente, para então dizer: - Finalmente, o Japão...
- O carro chegará em alguns minutos, Twain-sama. - anunciou o careca.
- Ótimo. Já foi feito o que eu ordenei, Yung?
- Sim. Os envelopes deverão ser entregues ainda hoje.
- Perfeito - acabou de descer a pequena escada, escoltada pelos dois homens, que sempre iam aonde quer que ela fosse - E como estará o tempo, Hang?
- Como previsto. - respondeu o da trança.
A jovem não pôde evitar que um sorriso de satisfação cruzasse seu rosto; estava tudo indo de acordo com seus planos.
E como anunciado por Hang [os nomes chineses são meio esquisitos, mesmo. Então, não reparem...vocês ainda não viram nada.], o "carro" chegou depois de alguns minutos: um Diablo branco (parece uma Ferrari, mas acho que não chega a ser tão caro, mas é potente), escoltado por quatro Audis A4 pretos, dois na frente e dois atrás, e cinco motos Harley Davidson, uma na frente, uma em cada lado e duas atrás. Tanto os Audis quanto as motos tinham seguranças. A garota entrou no carro branco e partiram. Um movimento um tanto estranho no aeroporto, que voltou a funcionar normalmente depois disso, como se nada tivesse acontecido.
- Vamos, Omi! - Ken apressava o chibi para que chegassem logo em casa - Você ainda vai ter que tomar banho antes de ir pro colégio.
- Puf...puf... - respirava com dificuldade, todo suado, e o ar parecia não chegar em seus pulmões - Ken-kun...essa foi...a primeira e última vez que eu...aceito correr com...você de manhã!
- Ah, que isso, Omi! Você só está meio despreparado; com mais cinco corridinhas dessa, você entra no ritmo.
- Mas nem sonhando! Eu vou acabar morrendo antes mesmo da terceira!
- Exagerado...foi só meia hora! Vai, entra logo - apressou-o de novo, abrindo a porta e dando-lhe passagem para entrar - E não demora muito não, viu? Já são 6:35.
- Não precisa nem falar! - subiu correndo, esquecendo-se que até um minuto atrás, não estava se aguentando em pé.
- Hehe - riu - Omi, Omi...o que é que eu faço com você?
- Quanto a ele, você decide quando estiver sozinho num quarto - a voz de Yohji veio da cozinha - Mas quanto a mim, que tal parar de enrolar e vir preparar o café? Eu estou com fome, ao contrário de você.
- Bom dia pra você, Yohji... - cumprimentou ao entrar na cozinha. - O que aconteceu com você pra estar de pé a essa hora? Caiu da cama ou alguém - que você sabe quem é - te expulsou da cama?
- Há-há! Sem piadinhas. Sou eu quem faz isso aqui, tá bom?
Deu de ombros.
- E então?
- E então o quê? - o jogador não entendeu
- Não rolou algo mais além da corrida? - insinuou.
- Por exemplo...? - começou a colocar as coisas na mesa
- Ah, você sabe muito bem do que é que eu tô falando! - pegou um pedaço de bolo e começou a comer - O Omi não ficaria tão cansado com uma simples corridinha...
- Como você sabe que ele estava cansado?
- Não tente me enrolar! Eu os vi chegando da janela. E então?
- Hm... - fingiu estar pensando - Não é da sua conta.
- Orra! Mas que espécie de amigo é você?
- Aquele que não sai contando pra meio mundo o que faz ou não com o koi. - sorveu um gole de chá.
- Eu não sou "meio mundo"! - falou indignado.
- Ah, você entendeu muito bem o que eu quis dizer, Yohji!
- Não, eu não entendi. - queria que o outro falasse de qualquer jeito.
- Você não estava com fome, Yohji?
- Bom dia! - Omi entrou na cozinha, de banho tomado e bem animado, impedindo o playboy de dar uma resposta ao jogador.
- Depois continuamos, Ken... - avisou.
- Não não. Assunto encerrado.
- Mas...
- "Ene-a-ó-tiu"! - fez um sinal negativo na cara do loiro.
- Er... - começou Omi, que estava no meio daquela conversa sem entender absolutamente nada - Onde está Aya, Yohji-kun?
- Ele...
- Ainda deve estar se recuperando depois de ter passado uma noite agitada com alguém. - interrompeu o moreno, olhando ironicamente para o playboy.
- Ken-kun! - repreendeu-o - Deixe-o falar.
- É brincadeira, Omi. Você acha que isso aconteceria? Né, Yohji? - tentou confirmar - Yohji?
- Hm? - estava mirando uma mosca que havia pousado na parede.
- Não foi isso o que eu falei, foi?o.O
- É...o dia está bonito hoje, né? - tentou desconversar descaradamente.
- Auf... - pôs uma mão no rosto, balançando a cabeça para os lados.
- Ah! - exclamou Omi olhando para o relógio - Eu tô atrasado!
- Toma, come isso no caminho - Ken lhe entregou uma torrada e deu-lhe um beijo - Vai com cuidado.
- Pode deixar. - e saiu apressado.
Yohji começa a rir da cena descontroladamente, até engasgar-se com a comida, deixando o outro intrigado.
- O que foi agora?
- Esse jeito que você fala com ele...parece até que é a mãe dele, ou que o trageto de ir até o colégio fosse extremamente perigoso, tipo andar por uma floresta no meio da noite.
- Ora, eu me preocupo com ele, tá?
O loiro recomeçou a rir, irritando o jogador.
- Posso saber o motivo de tanto riso? - Aya sentou-se à mesa, fazendo-se presente e com uma cara meio abatida.
- Não foi nada.- respondeu o jogador, antes que Yohji pudesse dizer alguma coisa - É mais um desses ataques de riso bobos dele.
- É verdade, Yohji?
- É... - respondeu meio irônico e debochado, respirando fundo para não ter outro ataque de risos.
- Eu já vou descer. - disse Ken, pegando uma maçã da fruteira e saindo.
- Vai com cuidado! - Yohji ainda teve coragem (e cara-de-pau) de dizer imitando sua voz, antes que cruzasse a porta.
Se mordendo de raiva, Ken virou-se, jogando a primeira coisa que viu mais à mão na direção do playboy: a maçã que ia comer. Mas a fruta passou longe, indo se espatifar na parede e provocando mais risos por parte de Yohji. Ia esganar aquele loiro desgraçado! Deu um passo, mas teve que dar meia volta e deixar quieto ao cruzar com o olhar de Aya, que encarava-o como se dissesse "dê mais um passo e estará morto".(...)
- Já pode parar, Yohji. Ele já foi - avisou o ruivo algum tempo depois, vendo que Yohji parecia que ia ter um parto, de tanto que ria. Mas foi completamente ignorado. - Não diga que eu não avisei... - suspirou, perdendo um pouco de sua mínima paciência (logo de manhã!). Pegou uma maçã da fruteira e a jogou suavemente (mas nem por isso não doeria) na cabeça do outro.
- Ai! Por que fez isso? - relamou, esfregando o ponto onde a maçã tinha caído, parando de rir imediatamente e adquirindo uma expressão indignada - É mania agora ficar jogando maçãs em mim, é?
- Pelo menos parou de rir... Acaba logo o seu café, tira a mesa, lava a louça, e desce logo pra trabalhar. - bebeu o último gole de café que restava na xícara e se levantou.
- Por que eu tenho que tirar a mesa e lavar a louça e não você?
- Porque você foi o último a terminar. Obedeça as minhas ordens e não discuta.
- Mas o detergente vai estragar as minhas mãos! - tentou argumentar.
- Usa isso - jogou-lhe um par de luvas amarelas horríveis de borracha e tomou o mesmo caminho que Ken, antes que tivesse que ouvir mais enrolações.
- Droga! Ele sabe mesmo como acabar com o meu dia... - fez cara feia e começou a tirar a mesa.
Os olhos abriram-se de repente, revelano as íris amarelas (não era bem amarelo...é tipo olho de leão, sabe? Meio mel, só que mais claro...sei lá!). Sentou-se na cama, a coberta cobrindo-o apenas até o quadril. Seu coração batia descompassadamente, e as costas ardiam, como se estivessem sendo queimadas.
- Será que...o dia está se aproximando? - fechou os olhos, pensando. - Não...é muito cedo ainda.
A respiração ainda ofegante denunciava que tivera um sonho agitado ou até mesmo um pesadelo, fazendo-o acordar antes do que queria. Afastou a franja do rosto suado e desgrudou o cabelo das costas desnudas. A ardência nas costas continuava, só que mais fraca.
A pouca luz que entrava pelas frestas da janela e que batia em sua cabeça fazia o azul (é um azul bem escuro) do seu cabelo se intensificar.
Suspirou quando lhe veio à mente as últimas palavras de seu pai antes de morrer quatro anos antes:"Deixe a 'Serpente Emplumada' [isso é gay...mas vocês vão entender o que eu quis dizer com isso mais tarde...] que vive em você desperte, da mesma forma que despertou em mim". Desde então (da morte do pai), vem vivendo com sua avó paterna. Sua mãe havia morrido alguns dias depois de ter dado à luz, e o resto da família materna passou a culpar ele e seu pai pela sua morte, excluindo-os da família. O resto da família paterna estava espalhada pelo mundo, todos ocupados demais pra cuidar do pobre garoto. O avô havia se divorciado da avó quando seu pai ainda era uma criança, e nem ligava mais para a familia [essa história foi péssima...¬.¬]. Agora só tinha sua avó, mas sabia que não seria por muito tempo, já que ela já estava velha e não poderia passar a vida inteira ali.
Resolveu, por fim, sair da cama, antes que começasse a lembrar coisas demais, e que provavelmente iriam deixá-lo triste.
No interior do quarto, o escuro reinava absoluto, não permitindo que nada além do que a luz que passava pelas frestas da janela fosse visto. Mas estranhamente, ao abrir os olhos, conseguiu enxergar tudo quase perfeitamente. Via as formas dos objetos levemente desfocadas, e até algumas cores, principalmente o preto, o branco e o vermelho. Piscou algumas vezes, tentando acostumar-se com aquilo: era estranho. Será que era um sonho? Não... era real. Um pensamento assustador então veio à sua cabeça: será que veria tudo daquela forma pra sempre? Desesperou-se com aquilo e correu para o interruptor do outro lado do quarto, acendendo a luz. Como que num passe de mágica, passou a ver tudo colorido e normal novamente: a coberta amarela sobre a cama, sua calça branca, o chão de madeira marrom, as paredes amarelas, o quadro na parede com suas cores originais(...). Apagou as luzes. O quarto ficou desfocado e algumas cores (quase todas) sumiram. Acendeu de novo e viu tudo normal, como sempre havia visto. Brincou um pouco com aquela descoberta, acendendo e apagando aluz, maravilhado com tal "dom". Não fazia idéia de como aquilo estava acontecendo, mas iria aproveitar, já que enxergar no escuro não é uma coisa normal para humanos.
Foi então que lembrou-se de que suas costas ardiam quando acordou, mas que agora já havia parado. Caminhou até o espelho e...
- AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH! - uma mancha negra estava ali, sob seu cabelo, formando um "S".
Não demorou muito, e uma senhora aparentando estar na casa dos 80 anos entrou no quarto preocupada.
- Yoshi, o que houve?
- T-tem um negócio estranho nas minhas costas...! - levantou o cabelo e virou-se de costas para a senhora, que assim que viu o "S", sorriu.
- Ora...isso não é nada.
- Como não, apo (pronuncia-se "apó", que significa "vovó" em chinês)? Não tinha isso nas minhas costas ontem!
- Hm...isso é um sinal.
- Sinal?
- Aconteceu o mesmo com seu pai, assim como aconteceu com o meu pai.
- E não aconteceu com o akun ("vovô" em chinês)?
- Não. Lembre-se: ele não era descendente da dinastia Fu - observou - Já se esqueceu de tudo o que eu lhe contei, as história e as lendas do passado que ainda poderiam voltar a tornar-se reais?
- Não! - apressou-se em responder - É que você me disse que o meu pai "ganhou" essa mancha quando completou 21 anos, e eu achei que pudesse ser outra coisa.
- Por exemplo?
- Câncer de pele... ou então aquela doença estranha que matou a minha mãe.
- Não fale bobagens! Câncers de pele não aparecem desse tamanho de um dia para o outro. E o que matou sua mãe foi uma maldição, não uma "doença desconhecida" como os médicos afirmaram.
- Mas...
- Mas isso não importa agora. Você nunca deve se esquecer do que eu venho lhe ensinando nesses últmos quatro anos, principalmente os conselhos. Ensinei a você o básico. As conclusões e a sabedoria você irá adquirir com as experiências que a vida lhe traz, assim como eu e seu pai fizemos.
- Sim, eu sei.
- E a propósito: a resposta para a mancha nas suas costas está na sua lenda predileta.
- É...tem razão. Eu me lembro bem agora.
- Yoshi - chamou, ficando séria - Já está na hora, não acha? Esse aparecimento precoce da mancha significa que o Macaco já começou.
- Mas quem acreditaria num garoto com um cabelo desses? - falou, referindo-se ao comprimento do cabelo, que ia até o quadril e que sua avó e seu pai o fizeram prometer que não seria cortado.
- Pessoas de coração puro, que na hora certa acabarão por ajudar, conscientes ou não disso.
- Mas será que ainda existem pessoas de coração puro? O tempo passa, e as pessoas mudam...
- Mas é claro que sim! O fato de ter ou não um coração assim, não depende do que elas fazem, depende de suas almas e sentimentos, do objetivo que têm na vida.
- Eu não sei...isso é tão confuso pra mim...e se eu não conseguir?
- Ora! Pare com essa insegurança e essa dúvida irritante! Já se esqueceu do que seu pai lhe disse há quatro anos? Deixe a "Serpente Emplumada" [grrrr!de novo! Mas no segundo ou terceiro capitulo eu explico...tudo ao seu tempo] despertar e predominar dentro de você.
- Não estou entendendo...
- Com o tempo, virão as respostas que precisa, no momento certo.
- Tá... - soltou um muxoxo meio desanimado e inseguro.
- Agora, arrume suas coisas: quanto antes começar, mais chances terá de salvar a humanidade do pesadelo que a aguarda (oh!isso foi um momento de pura falta do que escrever pra dar uma "encrementada" na historia...¬.¬). Você já sabe tudo o que precisa saber e minha "missão" nesta vida já foi cumprida - enquanto falava, o jovem ia colocando tudo o que precisava dentro de uma mochila,que depois colocou nas costas - Agora falta você cumprir a sua, garantindo mais 300 anos de harmonia entre Yin e Yang. - acompanhou-o até o píer que havia em frente à casa que ficava em frente à uma prainha calma e tranquila - É chegada a hora de você deixar a segurança e proteção espiritual desta ilha e encarar o mundo lá fora. Cuide-se bem, e nunca deixe suas costas à mostra; esconda-a sempre com o cabelo.
- Está bem. Obrigado por tudo.- curvou-se em respeito e agradecimento à avó e subiu a bordo do pequeno barco de pesca, partindo, assim, da ilha.
Não fazia a menor idéia de como seria quando voltasse ao Japão, depois de passar quatro anos isolado naquela ilha, somente ele e a avó, aprendendo tudo o que era passado de geração em geração pela sua família, desde os tempos mais antigos, antes de saírem da China para se esconder do mal que os perseguia. Mas mesmo assim, não adiantou muito, pois já teriam que "lutar" novamente e a maldição os acompanhav.
O vento batia-lhe no rosto, fazendo o cabelo solto chicotear no ar, enquanto o tecido fino de sua roupa se agitava violentamente conforme o vento ficava mais forte e ia pra mar aberto. Agora estava só, contando apenas com a própria sorte para chegar são e salvo em seu destino. Mas sorte era o seu maior trunfo, ou pelo menos deveria ser.
Aquele dia passou extremamente rápido para os quatro rapazes na floricultura. Talvez porque o movimento esteve grande e eles sempre tinham alguma coisa pra fazer. Clientes apareciam, um atrás do outro, querendo os melhores arranjos que tinham, dez super entregas para salões de festa e igrejas foram feitas, o que exigiram muitas idas e vindas por parte de Ken em sua moto, e até a ajuda (in)voluntária de Yohji, que acabou usando seu carro. Fora as garotas que nunca compravam nada que apareceram por lá pedindo os rapazes em casamento, atrapalhando-os "um pouco". E tudo por um único motivo: era maio, mês das noivas [não faço a mínima idéia se também existe isso de "mês das noivas" lá, mas eu precisava - e ainda preciso - dar uma enrolada nisso],e todos resolveram se casar, encomendando quantidades monstruosas de flores e arranjos.
Quando a hora de fechar chegou, eles deram graças a Deus, pois já não estavam mais se aguentando em pé. Estavam cansados e até um poucos estressados. Principalmente Omi, que além de ter ido ao colégio pela manhã, passou a tarde trabalhando e agora estava na sala, tentando terminar com os deveres do colégio: história, geografia, física, química, inglês, japonês, e por fim, matemática. Mas já estava ali estudando há tanto tempo, que estava cansado e não conseguia mais se concentrar como deveria, e quando menos esperava, já estava com a atenção voltada para o filme que Ken tentava assistir na TV, ficando (mais) irritado com aquilo (o filme era ruim de dar dó - tipo aqueles de "bangue-bangue" velhos pra caramba que passa de vez em quando - e a lição não melhorava muito as coisas).
Suspirou impaciente: - Contas, contas e mais contas!...por que eu fui deixar matemática por último? - lamentou, apoiando a cabeça na mão esquerda, enquanto rabiscava o cantinho da folha com a direita.
- Eu juro que tentaria te ajudar, Omi. Só que eu não sou muito bom nisso, e acabaria te atrapalhando... - desculpou-se Ken, passando os canais da TV na tentativa de achar algum filme/programa melhor pra assistir do que aquele lixo que estava vendo - Por que você não pára por hoje e vai dormir? Amanhã você pode continuar; eu tenho certeza que vai cnseguir.
- Até que eu faria isso se não tivesse que entregar tudo amanhã. Eu andei deixando os estudos pra depois nessa semana e acumulei tudo isso.;;
- É o resultado da inflência que certa pessoa já tem sobre você - a voz de Aya foi ouvida pela primeira vez nas duas horas em que já estavam ali - Só espero que essa influência também não afete as missões.
- a ler o seu livro quietinho, como você esteve fazendo desde que terminamos de jantar, que é o melhor que você pode fazer no momento, ok? - sugeriu o jogador.
- Eu até que continuaria, mas certas pessoas não param de falar - desta vez seu tom era acusador.
- En...
- Contas, contas e mais contas! - Yohji interferiu, entrando na sala com a correspondência na mão, e imitando a voz de Omi ao falar "contas, contas e mais contas".
- Yohji-kun! - Omi percebeu claramente a intenção do playboy de irritá-lo(mais).
- O que é, bebê? - perguntou debochado.
- Não me imite! Por favor.
- E quem disse que eu estava lhe imitando? - fez a maior cara de santo que tinha - Só porque eu disse "contas, contas e mais contas" uma vez - imitou a voz do chibi novamente ao dizer "contas, contas e mais contas" -, não quer dizer que outra pessoa não possa dizer "contas, contas e mais contas" de novo! - imitou-o de novo, tentando conter o riso.
Omi se levantou, não gostando nem um pouco da "performance" do loiro. Já estava suficientemente irritado com todas aquelas coisas que tinha que fazer, e o playboy enchendo-lhe a paciência já era demais.
- Não ligue pra ele, Omi. - recomendou Ken - Hoje ele está impossível!
- É... mas ele vai ver como é possível calar a boca e parar de encher o saco.
PAF
Aya fechou o livro que lia fazendo barulho (o "PAF") propositalmente, para impedir que uma discussão começasse entre aqueles dois - não estava com saco pra aguentar uma discussão àquela hora. As provocações de Yohji estavam afetando-o também, apesar de serem para outra pessoa. Mas arrependeu-se de ter feito aquilo (fechar o livro) ao olhar pra frente e ver o marcador de páginas intacto descansando em cima da mesinha. Suspirou (mais) impaciente, fechando os olhos e "massageando" a testa com a ponta dos dedos. Os outros três ficaram olhando-o, esperando que dissesse alguma coisa.
- O que tem aí, Yohji? - perguntou, por fim.
- Eu já dsse: "contas, contas e mais contas" - respondeu usando um tom de voz que não lhe era habitual e desatou a rir.
- Yohji... - sua paciência tinha (literalmente) ido pro inferno.
- Ok, ok...agora eu falo sério: "cont... - ia começar de novo.
POF POF POF
Três almofadas foram de encontro ao seu rosto, uma atrás da outra. A primeira vinda de Aya, que estava mais próximo e já não aguentava mais, a segunda de Omi, que já estava "por aqui" com aquelas provocações, e a terceira e Ken, em proteção ao seu koi e porque aquilo já estava começando a encher também. O loiro ficou bobo cm aquele ataque conjunto contra sua pessoa.
- Calma aí, minna! - pediu ao recompor-se.
- Então pare de "piadinhas" e responda logo o que eu lhe perguntei.
- Tá bom!...eu começo de novo e de outro jeito, melhor assim? - os três consentiram - Ótimo: temos cartas comuns, contas - Omi olhou-o feio, só esperando por mais uma"piadinha" que acabou não vindo - de água, luz e telefone, uma multa por alta velocidade...
- De quem? - perguntou Aya, não gostando nem um pouco daquilo.
Yohji murmurou algo ininteligível.
- Quem? - indagou o chibi.
- Esse mesmo. - respondeu Yohji, entregando a multa ao jogador e fazendo um trocadilho entre o nome e o pronome. [eu sempre quis fazer isso!.]
Aya o olhou de modo reprovador.
- A culpa não foi minha, nem vem... - defendeu-se - Se outras pessoas me ajudassem com as entregas, eu não teria que correr tanto pra fazê-las.u.u
- Acontece que não podemos deixar uma só pessoas cuidando de tudo aqui.
- Então deixa eu usar um carro que fica melhor, ué!
- O meu Porche está fora de coagitação. Se quiser, pegue o carro de Yohji.
- Mas eu já estou usando o meu carro pra ajudar (embora não seja por vontade própria), tá?
- Então vai ter que se contentar com isso mesmo, Ken. E a multa será descontada do seu salário.
- Mas peraí! O dinheiro pra pagar essa porcaria já vai sair do meu bolso. Mesmo assim você ainda vai descontar?
- É pra você aprender a não ser tão apressadinho.
- Isso é uma injustiça!ò.ó
- É mesmo, Aya-kun! - apoiou o chibi.
- O que mais tem aí, Yohji? - ignorou os dois.
- Quatro envelopes estranhos. Tem um pra cada, olha. - entregou os envelopes, cada um para seu destinatário.
Cada um pegou o seu e abriu, curioso. O envelope em si, verde musgo com letras roxas, já era estranho. O que viram dentro era mais ainda: uma folha branca com desenhos de flor de sabugueiro [1] nas bordas, e no centro, escrito em letras roxas, uma mensagem meio sem sentido.[2]
"Ágil
Lúcido
Persuasivo
Sábio
O Macaco renascerá sob a proteção de uma noite de Verão
Na noite da Lua Vermelha
Seus escravos voltarão
Espalhando morte e terror"
- Que negócio é esse? - perguntou Ken assim que acabou de ler o seu e não entender absolutamente nada.
- Não tem remetente. - observou Omi, revirando seu envelope de cima à baixo - Quem mandaria cartas desse tipo pra alguém, e como sabiam nossos nomes?
- Ora, chibi. É só pegar uma daquelas garotas que sempre vêm aqui para nos ver e perguntar. - respondeu Yohji.
- Não é hora para piadinhas, Yohji - advertiu Aya, muito sério - Isso não é uma brincadeira.
- Como você pode saber?
- Eu não sei. Mas eu sinto.
- Pode ser um trote, Aya-kun.
- Eu já falei que isso não era uma brincadeira.
- Mas então o que é?
- Não faço a menor idéia. - soltou seu envelope sobre a mesa, como se aquilo queimasse seus dedos. - Mas não é nada bom...Joguem isso no lixo.
- Nani? Mas e se for alguma coisa importante? - perguntou Ken.
- Se for, mandarão de novo. Obedeçam; é uma ordem.
- Certo, certo... - Yohji recolheu os envelopes e foi pra cozinha jogar no lixo, estranhando aquilo. - Pronto. E agora, Aya?
Nenhuma resposta. Aya não estava mais na sala.
- Aya? - chamou de novo, só que mais alto. - Vocês viram pra onde ele foi?
Omi e Ken negaram, apesar de não terem saído da sala, não viram pra onde o ruivo tinha ido.
- AAAAAYYYYAAAAAAAA! - gritou Yohji
- Yohji, pare de gritar desse jeito! Já é muito tarde, sabia? - Omi repreendeu-o.
- Sair ele não saiu, senão teríamos ouvido. - falou Ken - E ele também não subiu, senão teriamos visto.
- Isso me ajuda muito, Ken... - ironizou. - Como ele pode ter sumido desse jeito? Eu vou procurar lá em cima, mesmo assim.
- Boa sorte...
- Há-há! - e subiu, procurando em todos os quartos, em todos os cantos, dentro dos guarda roupas, atrás das portas, e nada. Desceu e procurou de novo, mas nada também. Aya sumira mesmo, sem deixar vestígios. E o lugar onde o ruivo havia deixado o seu envelope esquisito antes de Yohji recolher para jogar no lixo ficou uma mancha escura levemente visível.
continua
[1] - Não me perguntem como é essa flor, porque eu nunca vi (e se já vi nunca me toquei).
[2] - Particularmente, eu não achei nem um pouco sem sentido. Pra mim está bastante óbvio (talvez porque eu já sei do que se trata cada palavra...¬.¬ e porque fui eu quem escreveu - é por isso que está meio podre...eu não levo muito jeito pra escrever essas coisas), mas me digam o que acharam.
Espero que estejam gostando desta fic. Estou tentando fazer 4 coisas nela: 1)enrolar bastante pra conseguir atingir o meu objetivo e não contar tudo de uma vez; 2)deixá-la com um certo ar de mistério - mas acho que não estou conseguindo;; - ; 3)colocar um pouco de humor - só que é difícil...!Até agora só consegui escrever Angst; 4)tentar manter a personalidade de alguém
Me digam o que estão achando, onegai! Porque estou tentando deixá-la ao menos interessante, já que eu não costumo enfocar muito num relacionamento (apesar de tentar - e muito! Mas as palavras saem da minha cabeça - ê falta de conseguir se expressar...ò.ó). O primeiro capitulo pode não ter ficado muito bom, mas tenham paciência e leiam os próximos também, ok? E mesmo que não estejam gostando, mandem cometarios - eles não servem só pra elogiar -, que eu aceito na boa, e mandem também sugestões ou alguns toques (apesar de ninguém nunca ter feito isso pra mim, mas não custa nada pedir/implorar). Aproveitem que nem eu mesma sei direito onde isso vai dar, já que só estou seguindo uma idéia na minha cabeça e um roteiro bem meia boca (são só palavras que eu acho que não vão me deixar esquecer o que é pra escrever, e que eu vou usar como título), então eu aceito qualquer sugestão. E me dêem uns toques também, viu? Quem sabe assim eu consiga melhorar o nível das minhas histórias - que não chegam aos pés das da Suryia, que tem muito mais experiência que eu. Mas um dia eu chego lá!
Akemi Hidaka
maio de 2003