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Macaco, Rato, Serpente e Dragão
Parte XI – Passado é passado
Por Akemi Hidaka
21 de julho de 2004
A viagem de volta à principal ilha do Japão foi surpreendentemente mais breve do que o esperado. O mar e o clima não apresentaram obstáculo algum, assim como as enfermeiras do hospital quando os oito assassinos chegaram num estado nada apresentável. Suas roupas estavam sujas, tanto de sangue quanto de terra, e ainda estavam armados. Pareciam ter acabado de sair de uma selva infestada de animais selvagens, o que não deixava de ser verdade.
Com exceção de Nagi - cujo braço direito não estava nada bem com a fratura e cujo peito apresentava um horrível corte – e Farfarello, que tivera o corpo transpassado pela espada de Jen, ninguém ali precisava de um tratamento médico realmente urgente – ou pelo menos era o que imaginavam. Os arranhões mais profundos continuavam a sangrar, mesmo que muito pouco, e agora que podiam relaxar um pouco, seus corpos doíam terrivelmente, como se tivessem sido atropelados por algum caminhão. Resumindo: estavam todos um completo lixo, cansados e feridos. E talvez tenha sido por isso que se dirigiram àquele hospital, ignorando o fato de que haveriam perguntas a serem feitas e que não saberiam como respondê-las de modo convincente.
Em apenas duas horas, os menos feridos já ouviam as recomendações do médico. Crawford, Schuldig, Aya, Yohji, Omi e Ken poderiam voltar para casa ainda naquela noite, por isso ouviam com aparente atenção cada palavra saída da boca daquele homem de jaleco branco. Ouviam aparentemente, sim, pois Schuldig tinha sua cabeça em outro lugar, numa outra pessoa que não poderia deixar aquele hospital por no mínimo cinco dias. Se não tivesse se descuidado tanto, Nagi talvez não estaria naquele estado tão preocupante. Como podia um garoto tão frágil receber um golpe tão brutal como o daquele monstro? Mas felizmente, Nagi continuava vivo, e tudo o que o alemão podia fazer era desejar que seu jovem amante se recuperasse logo.
Entretanto, algo mais perturbava a mente do telepata: como não fora capaz de estar 'presente' na mente de Twain no momento em que esta desferira o golpe que nocauteara Farfarello? À distância, tudo o que vira foi a maneira como aquela mulher atacou o irlandês, transpassando-o com a longa lâmina da espada. Ambos os Schwarz foram pegos de surpresa por não esperar aquele ataque tão súbito.
- Eles estão indo embora. Você não vai junto?
- Não.
- Mas não são seus amigos?
Yoshi suspirou fundo, não sabendo responder a essa última pergunta feita por Jen. Afinal: podia considerar os quatro assassinos com quem convivera diariamente durante um mês como amigos ou não? Será que era considerado por eles como um amigo?
Notando a dúvida no garoto, Jen afastou-se da janela – de onde observara a saída dos Weiβ e de Crawford – e foi sentar numa cadeira ao lado da cama onde Yoshi permanecia sentado. Esperou, pacientemente, que ele dissesse algo, mas também não perguntou coisa alguma. Guardou as perguntas dentro de si, junto com as muitas outras que vieram pipocando em sua mente desde que abrira os olhos na Ilha e dera de cara com uma adaga descendo em sua direção.
Se teria as respostas que queria, era uma coisa impossível de se saber agora. Havia muita coisa mal explicada ainda, e que somente Yoshi saberia explicar. Por isso, Jen esperava o momento certo para expor suas dúvidas e, se por ventura esse momento nunca chegasse, não lhe fazia muita diferença, pois algo dentro de si preferia que tudo o que houve naquela Ilha fosse esquecido.
Yoshi respirava aliviado, grato por ninguém ter lhe perguntado nada até agora. Desde que saíram da Ilha, estivera tenso, achando que um questionário seria feito, mas viu que não foi bem assim. Tudo ainda estava bem vivo em sua memória, e tinha a impressão de ainda sentir o cheiro metálico de sangue e ouvir o som de urros distantes, mesmo ali naquele quarto tão silencioso em que fora acomodado após ser atendido por prestativas enfermeiras e médicos. Coisas inexplicáveis aconteceram rápido demais, num espaço muito curto de tempo... coisas que nem mesmo ele saberia explicar com muita clareza por enquanto. Então, internamente desejava nunca ter que dizer, detalhe por detalhe, o que aconteceu naquele dia. Somente isso explicaria o fato de não ter acompanhado o grupo de assassinos por muito mais tempo. Na primeira chance, fugira de suas vistas, com medo de enfrentar as perguntas agora. Pensava que seria melhor deixar tudo para mais tarde, quando estivessem todos mais calmos...
- Yoshi, eles ainda voltarão aqui, não é?
- ...não sei.
Outra pergunta que não sabia responder. As coisas pareciam tão imprevisíveis agora! Tinha certeza de que Crawford e Schuldig ainda voltariam por causa de Nagi e Farfarello, mas e quanto a Aya e os outros? Não havia nada mais que os prendesse àquele hospital. E, se voltassem, com certeza seria para exigir respostas, que já não tinha certeza se eles realmente faziam questão de ter. Constatara isso pouco antes de subir a bordo na lancha que os levou de volta à civilização.
Recordava-se muito bem de como quase fora deixado para trás naquele lugar abandonado. Tinha ficado para trás para dar um jeito nas lanternas com os macaquinhos no topo, garantindo que elas nunca mais serviriam para algo mais além de iluminar o caminho de alguém, e quando alcançou o grupo depois de muito correr, deduziu que teria realmente ficado para trás se não tivesse sido rápido.
Não os culpava por isso, de forma alguma. Afinal, havia coisas mais urgentes naquela hora, e se respostas fossem mesmo uma das prioridades, teriam esperado mais tempo ou teriam feito as perguntas no caminho. Seu maior erro foi descartar a possibilidade de ninguém mais querer saber dos detalhes que só ele conhecia, e quase pagara muito caro por isso.
Um andar abaixo do quarto onde Yoshi repousava, havia uma sala de espera quase deserta pelo horário. E num dos bancos mais recostados, uma pessoa dormia. Os braços e pernas cruzados indicavam que andara esperando já há um certo tempo, e a cabeça tombada para frente deixava mais claro ainda que dormia, mesmo que as mechas alaranjadas não estivessem ocultando todo o rosto.
Schuldig convencera Crawford de que ficaria por ali até que seus dois companheiros de equipe recebessem alta sob a desculpa de impedir que alguma pergunta inconveniente fosse realizada, mas sabia que o americano não se importava em deixá-lo ficar lá ou não. Tanto é que Schuldig não precisou pronunciar palavra alguma quando decidira que pediria a permissão para ficar.
Durante as duas primeiras horas de espera, ficou andando de um lado a outro, para que não acabasse adormecendo. Mas suas pálpebras pesaram e o cansaço lhe abateu de tal forma, que acabou derrotado. Não precisou nem de cinco minutos para adormecer após acomodar-se naquele banco que pareceria perfeitamente confortável para qualquer um cujo corpo e mente sofreram um desgaste tão prolongado.
- Schuldig.
-Nagi? – Schuldig ergueu a cabeça quase na mesma hora.
- Aqui...
Então Nagi surgiu, como se tivesse se materializado, bem ao lado de Schuldig. Seu rosto não estava mais pálido como cera e as olheiras davam lugar a um aspecto saudável no rosto do jovem garoto. O gesso do braço esquerdo e as faixas que lhe cobriam o peito ferido também não estavam, assim como a camisola horrível que os pacientes do hospital deviam usar. Nagi simplesmente estava ali, diante de seus olhos, perfeito e intocado como sempre deveria estar, sem nada a cobrir o esbelto corpo. Parecia até mesmo um anjo rodeado por uma aura prateada...
Schuldig permaneceu parado, apenas admirado-o, com medo de acabar despertando caso tentasse dizer algo mais. Não reagiu nem mesmo quando Nagi se aproximou e afundou a mão entre as mechas ruivas da nuca e puxou sua cabeça de encontro à dele. Inicialmente, achou que o garoto fosse beijá-lo, mas no lugar disso, ouviu um sussurro rente ao seu ouvido.
- Você precisa voltar... estão chamando por você.
O alemão piscou algumas vezes, saindo do transe, sem entender muito bem, enquanto Nagi se afastou e desapareceu dissolvendo-se como uma névoa branca.
O telepata abriu os olhos lentamente e a primeira coisa que viu foi um par de sapatos brancos. Ergueu o rosto ainda sonolento e uma expressão cansada, porém pareceu despertar de vez quando reconheceu aquele homem todo de branco como sendo o médico que ficara encarregado de tratar Nagi.
- Foi o senhor quem veio acompanhado de Nagi Naoe?
- Isso mesmo. – levantou enquanto ajeitava um pouco o cabelo para que ficasse um pouco mais apresentável.
- Queira me acompanhar, por favor.
O assassino acompanhou o médico em silêncio até uma sala, olhando, discretamente, tudo em volta e descobrindo por acaso que alguém mais além de Nagi e Farfarello permanecia por ali. Isso era bom, embora achasse que não quereria saber de mais nada por enquanto. Ou será que quereria?
Antes que pudesse traçar uma linha mais clara do que desejava mesmo fazer, o médico começou o que se tornaria um longo discurso utilizando-se de termos técnicos e outros mais 'vulgares' para explicar o caso do jovem Schwarz, embora não estivesse mais tão grave assim. A situação fora, aparentemente, controlada, e já não havia mais risco de vida. Mas a vida é incerta, e muitas vezes, imprevisível... quando tudo parece estar bem, pode desmoronar de uma só vez. Porém o discurso não se tornou longo apenas por isso, e sim porque um outro médico foi incluído, falando sobre o caso de Farfarello, que precisara de uma cirurgia. E agora, estava tudo sob controle, mas isso é o que a maioria dos médicos diz, Schuldig sabia disso, por isso aprofundou-se na mente daqueles dois homens em busca de mais detalhes. Nunca que se permitiria ser enrolado por uma pessoa qualquer...
Por fim, acabou voltando à sala de espera, ao mesmo banco, mais cansado do que quando teve que acompanhar o médico.
dias depois
Ventos frios carregando folhas secas denunciavam o fim do verão e início do outono.
Apenas um mês se passou depois da estranhamente longa noite na Ilha, e a Koneko funcionava normalmente, como se nada de estranho tivesse acontecido. Os sorrisos, dissimulados ou não, acabavam aparecendo no rosto dos rapazes facilmente, como sempre aconteceu. Nunca se permitiram mostrar 'a outra face', e não seria agora que o fariam. Sim, estavam encarando aquela aventura arriscada como se tivesse sido uma missão; portanto, se convenciam de que passado é passado e não havia mais nada a ser feito a respeito.
Só que internamente, cada um fez uma escolha depois de analisar todo o ocorrido neste verão que ficou para trás. Dois caminhos se abriram quando suas vidas voltaram ao que sempre fora, e optaram por esquecer de tudo, fingir que nada de anormal tivesse acontecido. Arriscaram suas vidas por algo que nem sabiam o que era e continuavam não sabendo ao certo. O outro caminho que havia era o de ir mais a fundo no caso e tentar descobrir o que enfrentaram. Mas acabaram optando pelo primeiro, e se essa escolha for a errada, então será tão errada quanto aquela que os fez embarcar naquele enorme cruzeiro branco no início do verão.
- Aya! O Yohji desapareceu outra vez! – queixou-se Ken – Isso já está virando rotina!
Aya fez que não ouviu e foi saindo de perto. Estava claro em sua expressão que não aprovava de forma alguma a falta com o trabalho que Yohji andava cometendo, mas por que raios era o único obrigado a ouvir as queixas de Ken, sendo que a floricultura não era propriedade exclusivamente sua? Omi também estava por perto...
- Aya!
O moreninho ainda insistiu, enquanto Omi continha o riso de longe. Já perdera a conta de quantas vezes Yohji tinha fugido das horas finais de expediente só naquele mês e voltava só depois que todo mundo já tinha jantado.
Para onde o playboy ia em quase todos finais de tarde, nenhum dos três sabiam. Talvez nem o próprio Yohji tivesse muita certeza. Só sabia que partia sem rumo em busca da pessoa que virara o verão dos quatro floristas de pernas para o ar, pois ao contrário de Aya, Ken e Omi, Yohji se recusara a esquecer e fingir o mês anterior. Estava curioso, intrigado, e queria ir atrás de Yoshi na tentativa de saber mais.
Cometera o erro de não ter retornado mais vezes ao hospital onde ele teve que ficar, e agora só havia um lugar para onde esperava que ele voltasse. E era para lá que esteve indo todos esses dias, sem ter muita consciência disso: a pequena praia onde havia um pequeno barco de pesca ancorado... o barco que trouxera Yoshi a Tokyo.
Yohji era o único a conhecer aquele lugar, pois fora o único a ir até lá com Yoshi quando Aya mandou que levassem as coisas do xiao para casa, onde seria o hóspede. Mas o barco parecia tão abandonado olhando da areia, que o loiro começava a se perguntar se ele realmente voltaria a ser usado algum dia... afinal, apesar de estar indo àquela praia sempre, não havia nada que lhe garantisse que o jovem Dragão retornaria para viver o resto de sua vida junto com a avó.
O sol baixou no horizonte e o dia deu lugar à noite depressa. O manto aveludado sem estrelas tomou todo o céu, e por vezes nuvens o atravessaram carregadas por ventos frios. Não importa o quanto tempo passou, aquela prainha continuou deserta, sem dar sinais de que alguém apareceria tão cedo. E só depois de uma série de espirros é que Yohji deu-se por vencido por hora e deixou o local sem desconfiar que durante todo o tempo em que estivera ali fora observado.
Assim que o carro ficou fora de vista, o vulto alto e esguio que estivera à espreita saiu de seu esconderijo em meio à vegetação e deixou a pequena praia, também cansado demais para continuar a esperar. Passara horas ali, aguardando praticamente imóvel e em silêncio absoluto, para no fim chegar à mesma conclusão que o playboy: não seria hoje que Yoshi voltaria.
Do alto do telhado, Aya podia ter uma bela visão da cidade. Os vários pontos de luz acesa nas casas eram até mesmo comparáveis às estrelas ausentes do céu naquela noite. Estrelas fadadas à extinção... e Aya estava ali, solitário, pensando sobre coisas que já decidira que deveria esquecer. Só que esquecer de coisas que se quer é uma tarefa difícil. E por mais que tenha ignorado a vivacidade das lembranças, as cenas daquela Ilha perduravam, aparecendo quando menos esperava, até mesmo em seus sonhos.
Mas agora, no silêncio do telhado, Aya lembrava-se também de Yoshi, mais especificamente quando o vira treinando com as katanas, executando algo muito parecido com uma dança. Eram movimentos leves e fortes ao mesmo tempo, fluindo como água, cortando o ar co facilidade e firmeza. Naquela ocasião – lembrava-se -, o ar parecia rarefeito e a luz não conseguia penetrar naquele espaço. Era como se uma barreira invisível ou uma neblina muito densa impedisse que ela entrasse. Talvez uma sombra, uma treva que acabou por envolvê-lo também, fazendo com que tivesse visões ou sonhos estranhos e que lhe pareceram reais demais para serem apenas obras de sua cabeça. Mas o que lhe chamava a atenção de volta àquela atmosfera mesmo era que naquela noite, tudo se assemelhava demais àquela encontrada na Ilha. Yoshi lhe dissera uma vez que a sombra que envolveu o telhado da Koneko uma vez fora 'criação' sua, mas que só conseguira tal feito porque tinha os objetos de ligação entre o 'mundo claro' e o 'mundo escuro' e sabia o suficiente para 'evocar' as trevas, mesmo que por pouco tempo e num espaço tão pequeno.
Então – Aya continuava a refletir -, o que marcaria a ligação entre o 'mundo claro' e o 'mundo escuro' na Ilha? Precisava se lembrar das primeiras coisas que viu ao chegar naquele lugar... primeiro, o pequeno píer. Mas quando passou por ele, nada anormal aconteceu. Depois, as duas lanternas com macacos no topo. Talvez elas pudessem estar marcando a passagem aberta. Não tinha certeza agora, mas depois que passou entre elas, as coisas ao seu redor ficaram diferentes. Além disso, lá dentro era sempre noite, ou pelo menos era o que aparentava. Quando 'entrou', não havia nada no céu além da completa escuridão. E quando horas se passaram e já deveria ser dia, no céu surgiu o que lembrava uma lua, só que vermelha. Um fato bastante curioso, mas supunha que a lua vermelha na verdade era o sol tentando atravessar a 'barreira' que envolvia toda a Ilha. Por que chegara a essa conclusão? Porque assim que passou novamente pelas lanternas ao sair, o sol se punha no horizonte, no exato lugar onde antes a 'lua' estivera lá 'dentro'.
Aya suspirou, como que numa tentativa de expirar as suposições que não paravam de vir e ir. Tinha que parar com isso, ou acabaria enlouquecendo, já que Yoshi desaparecera e ele era o único que talvez saberia julgar sua suposição como certa ou errada. O garoto desaparecera, sim, mas não era impossível de localizá-lo. Dizer que ele desaparecera era apenas uma forma de tentar convencer a si mesmo de que não havia outro jeito mesmo a não ser esquecer.
Uma brisa mais fria soprou, finalmente tirando-o do devaneio, e o som de trovões fez-se ouvir. Logo, finos pingos começaram a cair de suas nuvens formando uma fina cortina de água que facilmente era manipulada pelo vento, dançando pelo ar até atingir o solo e formar poças.
- Vai acabar ficando doente se continuar aí, Aya.
- Não me diga o que fazer, Yohj.
Yohji riu, e puxou Aya até seu quarto, onde lhe tomou os lábios cheio de volúpia, vasculhando com sua língua cada canto da quente boca do ruivo.
- Já passou tanto tempo... nós devíamos esquecê-lo de vez. – falou o loiro num sussurro, como se tivesse lido a mente do outro.
- Você está me dizendo uma coisa que nem você mesmo está conseguindo fazer, Yohji.
- Ora, mas que mentira! Quem disse que eu não estou conseguindo esquecer que aquele pivete existe?
- Todas as tardes que você sai...
- Isso não quer dizer nada. – interrompeu.
Aya afastou-se de Yohji e foi deitar de costas na cama, molhando-a com suas roupas.
O loiro apenas observou-o, calado, elaborando uma idéia que se formou assim que o ruivo deitou. Cautelosamente, embora soubesse que Aya o estava vendo claramente, posicionou-se sobre ele, lembrando-se de segurar-lhe os pulsos com gentileza ao lado da cabeça.
- Não se atreva – Aya avisou ao identificar um olhar 'diferente'.
- Devia ter avisado antes, Aya... agora já me atrevi.
Com um sorriso mais que maroto, beijou-o antes que pudesse haver mais alguma 'represália' por parte de Aya. Nem mesmo acabaram de conversar sobre o que tinham começado, mas não importava, fazia parte do 'esquecimento' ao qual deveriam se submeter. E, quando menos esperava, Yohji viu-se sob o ruivo, tendo o corpo atacado por beijos e lambidas. Seria uma longa noite...
Longe da Koneko, alguns objetos cruzavam um quarto em direção à cama, onde Nagi repousava. Ainda tinha o braço esquerdo engessado e lhe fora recomendado – ou ordenado – que não saísse muito da cama para haver uma recuperação mais rápida. Mas não via necessidade alguma para isso; sentia-se ótimo já! Desde o momento em que deixara aquele quarto de hospital mais que monótono, começara a sentir-se bem melhor. Não entendia o porquê de não poder ficar indo pra bem onde entendesse na hora que quisesse. E pra ajudar, a cada hora precisava de um determinado objeto, que sempre se encontrava fora de alcance...
Por sorte, ninguém dissera nada sobre usar a telecinese. Então a usava sempre que precisava pegar algum objeto, por mais banal que fosse. Era até um meio de se distrair, já que sair não era permitido por enquanto. Estava entretido no laptop enquanto um disquete atravessava o aposento flutuando fantasmagoricamente, quando notou que algo o impedia.
- Achei que tivesse que ficar em repouso absoluto – Schuldig acabara de entrar, e segurava o disquete na mão, no mesmo lugar onde o interceptara.
- E eu estou, não estou? – pegou o pequeno objeto das mãos do alemão quando este se aproximou.
- Engraçadinho. Eu devia trancar isso tudo num armário, isso sim.
- Faça isso e vai se arrepender – ameaçou-o com o olhar. Já era chato do jeito que estava; se lhe tirassem o laptop ou qualquer outra coisa que estava à sua volta agora, a recuperação se tornaria insuportável.
Os dois ficaram se encarando por algum tempo mergulhados em silêncio, até que Schuldig se aproximou da cama e levou a mão até a testa de Nagi sem aviso algum.
- Devia avisar quando não está se sentindo bem – agora se debruçou sobre ele, substituindo a mão pela própria testa – Devia avisar pelo menos a mim. - olhou-o nos olhos e voltou a se afastar – Está com fome? Posso cozinhar alguma coisa pra você.
- Não precisa, eu já jantei. – respondeu, com o rosto baixo. Nunca conseguia esconder nada de Schuldig... de Crawford até que conseguia, mas de Schuldig... - Crawford trouxe pra mim.
- Ele? – mostrou-se surpreso – Já que é assim, então é melhor você descansar. Se quer se recuperar logo, devia realmente ficar em repouso. Por isso, nem pense em tocar nesse laptop ou ficar usando telecinese. Quando quiser alguma coisa, peça.
Nagi fechou a cara, mas deixou o aparelho de lado e imediatamente um ar tedioso o envolveu. Não achava nada cômodo ficar pedindo aos outros que lhe trouxessem as coisas que precisasse. Fazia com que se sentisse mais inútil do que já estava, fora que achava um exagero essa precaução toda. Nem estava tão febril assim; era capaz até de piorar se continuasse mofando naquela cama. Se ao menos a mudança repentina do clima não o tivesse afetado nos dois dias anteriores, poderia estar pelo menos podendo fazer outras coisas.
- Eu vou sair de novo. Quer ir junto?
Schuldig, que o estivera observando, chegou a sentir uma certa pena de seu pequeno amante. Seria crueldade demais deixá-lo como estava, mesmo que pelo bem dele. Os pensamentos que ele estava tendo não eram nada animadores, e de certa forma chegava a pensar que ele tinha mesmo razão. Nagi não estava tão mal assim a ponto de precisar de tantos cuidados. E ficou mais claro ainda quando, ao ouvir a proposta, os olhos do garoto irradiaram luz por um breve instante.
Algum tempo depois, os dois já caminhavam lado a lado pela fofa areia da praia onde Schuldig passara praticamente o dia todo. Estava um pouco frio por causa do vento e da chuva que caíra há pouco, mas Nagi não se importava. Já era bom o suficiente estar podendo ver algo mais que paredes e teto.
Foram e voltaram lentamente ao longo da praia algumas vezes, e então deitaram na areia úmida, ou melhor, Schuldig deitou na areia e Nagi ficou por cima, de costas, envolvido por quentes braços. Estava tudo calmo e silencioso, apesar da ameaça constante de mais chuva, e o sono começou a chegar... mas antes que o ruivo pudesse fazer algo a respeito, algo lhe chamou a atenção.
- O que foi? – Nagi perguntou assim que sentiu uma movimentação abaixo de si.
- Não é nada, eu já volto.
Nagi ficou olhando, até o outro sumir de vista. Perguntava-se onde teria ido... mas se fosse algo importante, com certeza teria sido informado.
- O que você quer?
Yoshi deteu-se no meio de seu caminho, assim que viu a aproximação de um vulto que já conhecia.
- Respostas. – respondeu o alemão, chegando mais perto.
- Não poderei dá-las se não souber as perguntas. – respondeu displicentemente. Preferia não ter encontrado ninguém ali. Preferia ter podido ir embora com Jen para junto de sua avó antes. Assim, não seria obrigado a dar respostas, ter que admitir a si mesmo que envolveu gente demais num problema que inicialmente era só seu. Fizera-os arriscar suas vidas por praticamente nada
- Hn. Se não quisesse ter que respondê-las, não deveria ter voltado pra cá.
- Então é mesmo verdade que você é telepata. "timo então, não preciso dizer nada.
- Ainda há algo que não sei.
- Estou com pressa. Quanto antes perguntar, mais cedo ficará sabendo o que quer.
"Garoto abusado", Schuldig pensou, enquanto vasculhou boa parte da mente de Yoshi em busca do que queria, conseguindo obter bastante informação, algumas coisas até que nem imaginava, mas aquilo que estivera incomodando-o continuava oculto. O jeito mesmo era perguntar e preparar os ouvidos para ouvir, e foi o que fez.
- Não tenho certeza se existe, realmente, alguma ligação, mas há um conto sobre o Macaco onde ocorre uma situação bem parecida. – começou o xiao.
"Primeiro, temos que voltar ao momento do ataque, certo? Você estava antevendo para o seu amigo todos os ataques que Twain faria, mas houve um, o mais crucial de todos, que você não conseguiu perceber. Então Twain atacou seu amigo e deixou-o fora de combate. Realmente, é bem parecido com o que eu vou lhe contar agora...".
"Conta-se que, numa montanha, junto ao lume, um cesteiro fazia um cesto. Então, a velha da montanha se aproximou.
- Está um frio dos diabos! – disse ela.
O cesteiro pensou: "É a terrível velha da montanha, tenho de lhe atirar cinza à cara". A velha comentou:
- Queres atirar-me cinza à cara?
O homem ficou desconcertado e pensou: "Vou fazê-la conhecer o gosto da minha machada". Ela comentou:
- Queres despedaçar-me com sua machada?
O homem pensou: "Ela adivinha tudo o que penso. Vai me devorar". E a velha, mais uma vez, disse-lhe o que é que ele tinha pensado.
O cesteiro decidiu, então, deixar de pensar e continuou o seu trabalho, intensamente, em silêncio.
De repente, sem refletir, atirou-lhe à cara um punhado de cinzas.
A mulher da montanha refugiou-se, então, vencida, na planície."
- Está querendo que eu acredite nisso? – a descrença era óbvia na voz nasalada do alemão.
- Acreditar ou não é opção sua. Tire suas próprias conclusões, apesar de tudo já estar bem claro.
- Como se eu não fosse capaz de compreender isso. – respondeu irônico.
- Agora que já conseguiu o que queria, preciso ir.
- E vai assim, sem dizer nada a quem realmente precisa?
- Só a você já foi o bastante.
- ...se já ia fazer isso desde o começo, por que não foi antes?
- Primeiro, por causa do hospital. E segundo, que dinheiro e álcool não caem do céu. Droga! Por que me pergunta isso, quando não precisa?
Mas Schuldig já não estava mais por lá. Simplesmente voltara para junto de Nagi, deixando Yoshi falando sozinho. Já descobrira o que queria, e o resto era fácil de deduzir. Bastava tentar enxergar todo o ocorrido deste verão através dos olhos de alguém que não participou de nada para perceber que aquilo tudo foi um desperdício de tempo. Era assim que Schuldig pensava agora. Tudo não passou de uma grande inutilidade.
Yoshi ficou um tempo a pensar, perguntando-se se Schuldig diria aos outros tudo o que acabara de descobrir. Se ele contasse, ótimo. Caso contrário, paciência aos demais... algum dia o tempo se encarregaria de levar as lembranças.
- Jen, pode sair. – virou-se para uma pedra, de onde saiu a garota.
- Vamos poder ir pra sua casa agora?
- Vamos sim. – sorriu, estendendo-lhe a mão.
Jen sorriu, e algum tempo depois os dois estavam a bordo do pequeno barco que outrora servira para trazer Yoshi de volta à civilização. Agora, ele o levaria de volta juntamente com Jen, para talvez nunca mais voltar, onde uma sábia senhora aguardava pela chegada dos netos.
Foi muito difícil conseguir o dinheiro para comprar combustível praquele velho barco, mas agora estava tudo bem. O vento soprava frio, mas o mar ainda estava calmo. Não havia com o que mais se preocupar de agora em diante. Só mais um pouquinho e estaria tudo acabado, finalmente. Seria o fim – por hora – das desavenças entre Macacos e Dragões. Não havia mais motivos para disputas e nem criaturas que pudessem atiçá-los um contra o outro.
Enquanto fazia os últimos ajustes, o xiao sorriu ao notar uma mochila muito familiar sobre uma caixa empoeirada. Era a mochila que havia decidido abandonar na Koneko para não ter que encarar os Weiβ novamente. Ela estava de volta, de alguma forma... não tinha certeza, mas algo lhe dizia que fora obra de Yohji, pois este era o único que sabia que lugar era aquele e de quem era aquele barco aparentemente abandonado.
Alguns dias depois
- Omi! Vamos correr!
Ken puxou Omi pela mão animadamente, saindo de casa e das vistas de Aya e Yohji.
Estava uma manhã particularmente feia; o céu cinzento coberto por nuvens denunciava a chuva que caíra a noite toda e o ar estava frio. Mas pelo menos havia folhas secas voando ao vento que quebravam um pouco daquele clima feio. Era outono.
Agarrando um casaco pelo caminho, Omi quase não acompanhou os passos do moreno, que aos seus olhos lembrava muito a uma criança encantada por poder sair de casa após um longo período trancada por motivos maiores, como a chuva. Assim que sentiu o ar mais frio contra o rosto, o loirinho não se conteve em abraçar o braço de Ken.
Os dois se entreolharam, sorrindo um ao outro. Talvez um passeio fosse melhor agora... a corrida podiam deixar pra volta, quando estivessem atrasados para a Koneko. Trocaram um beijo rápido junto com um abraço mais apertado e saíram em direção a qualquer lugar tranqüilo onde fosse possível relaxar e namorar.
E um pouco longe dali, nas profundezas do mar, onde nem mesmo os raios de sol chegavam para trazer luz e calor, uma pequena chama ardia, trazendo nada mais que luz aos animais acostumados ao escuro. Uma pequena, porém intensa chama azul, aprisionada na forma de um pingente cuja corrente fina e prateada envolvia duas adagas, que nenhum ser vivo se atrevia a chegar perto.
Enquanto isso, na varanda de uma pequena casa cuja frente dava de frente para o oceano limitado apenas pelo horizonte, fios de cabelo negros como a noite esvoaçavam ao vento ruidoso rumo à terra. Estavam livres de qualquer laço que pudesse prendê-los, até que uma mão ajuntou-os com a ajuda de um pente de madeira.
Jen continuou como estava, mirando o horizonte com um olhar distante, mas sentia os toques suaves que eram aplicados ao seu longo cabelo. Era reconfortante e gostava disso, como descobrira há pouco tempo. Aquelas mãos sabiam como separar e desembaraçar os fios sem quebrá-los ou puxá-los, até juntar tudo num único rabo-de-cavalo baixo preso por uma tira de pano.
- Obrigada. – agradeceu, virando-se àquele que lhe arrumara o cabelo.
Com um braço, puxou Yoshi para que se sentasse ao seu lado no banco feito com a madeira extraída da própria ilha onde agora viviam tranqüilamente, sem preocupações. E ainda com o mesmo braço, fez com que ele deitasse com a cabeça apoiada sobre seu colo, de modo que agora era ela quem lhe acariciava os cabelos. Os longos fios de Yoshi, quase tão escuros quanto os seus, que uma vez serviram para ocultar a marca do Dragão nas costas, ainda se mantinham tão longos quanto no começo do verão. A marca continuava em suas costas, mas agora não havia mais necessidade de escondê-la. E mesmo assim, o xiao preferiu deixá-lo comprido. Claro que, assim que chegara em casa, uma das primeiras coisas que passaram por sua cabeça foi se livrar de toda aquela cabeleira, mas ao se olhar no espelho e tentar imaginar-se sem aquilo tudo, mudou de idéia. Algo lhe dizia para não cortar, embora soubesse que pelas próximas décadas não haveria mais nada relacionado a Dragões e Macacos e que seria até mais prático tê-lo curto.
- Yoshi... como era o papai?
- O quê? – surpreendeu-se com tal pergunta.
- Ontem à noite, a apo ("vovó", do chinês) me contou algumas coisas, mas eu...
- O que exatamente você perguntou a ela?
- Primeiro, foi sobre minha mãe. Ela me disse que eu sou mesmo muito parecida com ela, e que era uma pessoa muito boa... - em sua voz era evidente um tom sonhador; provavelmente imaginava como seria a mãe.
- ... - Yoshi preferiu não dizer nada. Não desejava ver essa ilusão criada pela própria Jen estilhaçada em mil pedaços caso soubesse que a mulher que tentara matá-la na Ilha e que carregava o mesmo nome, Jen Twain, era sua mãe. Claro que no passado ela podia ter sido mesmo uma boa pessoa, mas nem sempre o passado tem um peso maior que o presente. Não valeria a pena desiludi-la por algo que definitivamente não tinha mais volta, mesmo porque Twain estava morta e seu corpo jazia preso no 'mundo escuro' junto com aqueles que a influenciaram tanto: Yung e Hang. Sim, os espectros voltaram à sua antiga 'prisão', e a menos que alguém volte a chamá-los novamente com os mesmos procedimentos usados da outra vez, eles nunca retornarão ao 'mundo claro', principalmente com as adagas negras perdidas no fundo do mar junto com a Jóia.
- Então ela me mostrou uma foto antiga, num recorte de jornal, e eu a vi... mas não acho que se pareça tanto assim comigo. Havia algo diferente, mas não sei dizer exatamente o quê.
- Você viu a foto num... jornal? – seria por acaso o mesmo jornal?
- Hm, e eu consegui ler um pedaço do que havia escrito embaixo. E lá tinha o nome de seu pai, Yoshi. Por que não falou nada sobre... isso? Que ele e minha mãe foram casados?
- ... - abriu a boca para falar, mas tornou a fechá-la em silêncio. Aquele jornal era, de fato, o mesmo que vira no verão junto com os Weiβ! Como nunca soubera que tinha aquilo em casa?
- Por que não me contou que tínhamos o mesmo pai? – insistiu.
- Eu não... eu não sei... - respondeu vagamente. Realmente, não passava por sua cabeça o porquê.
- Você sabia o tempo todo, mas mesmo assim nunca me disse nada. Agora eu entendo porque sempre foi tão cuidadoso comigo, sempre tão... fraternal!
- Jen, não é isso... aliás, é, mas... - sentiu uma lágrima quente pingar sobre sua bochecha.
- Agora isso não importa... apenas me diga: como era o papai?
- Parece que estou voltando ao passado.
Os dois olharam surpresos na mesma direção, vendo uma senhora já de certa idade. Ela caminhava calmamente em suas direções, com um sorriso no rosto que fazia as rugas no canto dos olhos se evidenciarem. Então ela parou à frente dos dois jovens, pousando uma mão na cabeça de cada um.
- Você e você. Jen me lembra muito a Jen que conheci anos atrás. Com um jeitinho inocente e um ar doce, ela costumava me perguntar bastante sobre Cheng, o pai de vocês. Queria saber tudo sobre ele, para fazer-lhe surpresas. – ela suspirou, fazendo uma pausa – E Yoshi me lembra demais quando Cheng era novinho. Sempre muito gentil, mas em algumas situações ficava sem saber o que fazer.
Ambos, Jen e Yoshi, ouviam atentamente, prestando bastante atenção àquelas palavras, mas não porque sabiam que talvez nunca mais teriam a chance de ouvi-las novamente, mas sim porque queriam saber mais sobre seus pais, conhecer um lado que nunca conheceram. Pelo que passaram, seus segredos, tudo o que fosse possível no momento!
- Agora, vendo-os juntos, é como se eu retornasse ao passado. Me faz muito bem recordar daqueles tempos. – ao dizer isso, ela abraçou aos dois netos, lutando contra lágrimas que começaram a querer cair.
Os tempos agora eram outros, embora para alguns continuasse a mesma coisa de sempre. Para aqueles três na pequena ilha isolada, os tempos mudaram, assim como para os oito assassinos que participaram de tudo e conseguiram sair vivos. De alguma forma, mesmo que negassem, os tempos eram outros, com certeza. Até mesmo para os familiares das dezenas de pessoas que faleceram na Ilha as coisas mudariam. Ficariam mais tristes, talvez, mas ainda assim, uma mudança. Muita gente morreu, é verdade, e o motivo morreu com Twain e seus espectros. Só o que resta são suposições, que nunca serão afirmadas ou desmentidas. Cada um que tirou sua própria conclusão guardou-a para si mesmo, e dentre elas, a mais plausível seria que os Escravos precisariam de alguma fonte de energia para despertar completamente.
Yoshi mirou seus olhos dourados no rosto de Jen, depois no de sua avó, e desta para a meia-irmã novamente, feliz. Feliz por tê-las por perto, feliz por estar livre de seus medos, e feliz por saber que um dia voltaria à Tokyo somente para enfrentá-los. Mas primeiro, juntaria coragem e força, esperaria crescer e amadurecer mais um pouco, para só então retornar à vida agitada da cidade.
"O tempo não pára, e a vida não é para sempre... viverei o que for, por mais complicado que seja, e não falharei".
-FIM-
Notas da autora:
- Finalmente, depois de um ano e três meses, esta fic encontrou seu fim. Nem sei ao certo o que dizer, apenas que me sinto extremamente aliviada por isso. Posso dizer que o tempo voou ao mesmo tempo em que se arrastou, assim como muitas vezes eu acabei saindo do rumo que deveria seguir.
- A lenda contada por Yoshi no capítulo 5, até onde eu sei, não existe. Eu a inventei baseando-me nas características dos signos do zodíaco chinês, assim como os pares também foram determinados por eles. Posso dizer que toda a história foi fruto de minha imaginação, e a única coisa que realmente é verdadeira é o conto dito por Yoshi neste capítulo. Ele, assim como todas as informações nas quais me baseei, foi retirado do livro "Astrologia Chinesa", por Catherine Aubier. Minha intenção, em momento algum, foi plagiar o livro. Mesmo porque o conto faz parte de algo muito mais antigo, que é a cultura chinesa.
- Definir os signos chineses de cada um dos personagens que pertencem a Takehito Koyasu foi uma tarefa um tanto complicada, já que eles não têm um ano de nascimento definido. Então, desde o início, levei em conta que estávamos em 2004, e calculei o ano de nascimento subtraindo a idade. O resultado que tive foi o seguinte: Aya e Farfarello seriam de Rato, Crawford e Nagi seriam de Serpente, Schuldig seria de Cão, Yohji seria de Javali, e Ken seria de Búfalo/Vaca. E as Jen, obviamente, seriam de Macaco, enquanto Yoshi seria de Dragão. Mas relembrando: isso só vale pro ano de 2004, mesmo, não é nada que já foi determinado por Koyasu.
- Quanto ao final, desculpe se ficou tudo muito vago, mas achei que foi mais conveniente, apesar de estar correndo um enorme risco de ter estragado tudo. Mas não fiquem bravos comigo!.'' Algumas coisas da pra deduzir facinho- Em relação aos Weiβ e Schwarz, fica algo meio cíclica, na minha opinião. Mas quanto ao Yoshi, Jen e a avó, acredito que não havia muito mais o que fazer além de esclarecer algumas coisas, já que a Jen ficou 'no escuro' de muita coisa.
Espero que tenham gostado da história, e agradeço muito a todos que agüentaram tanto tempo até o final desta fic e devo um obrigado especial a todas as pessoas que me ajudaram a desenvolvê-la.
Qualquer dúvida que ainda não tenha sido esclarecida, avise-me, que eu responderei com o maior prazer.
Akemi Hidaka
Agosto de 2004