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Capítulo XXIV - Às ordens do diabo
"Depois de ter dado abrigo ao mal, ele não mais pedirá que você acredite nele."
Franz Kafka
Draco caminhava resoluto em direção à Sonserina. Viva em sua mente, a expressão de ódio e desprezo que Gina lhe lançara. A maneira como ela saira decidida do Salão, levando Harry junto consigo. A cada pensamento que se formava em sua mente, o ódio crescia dentro de Draco, um desespero silencioso prestes a explodir.
Blaise ia pagar por aquilo.
Gina e Harry caminhavam juntos, vítimas de olhares de desdém e risadinhas maldosas dos alunos que haviam presenciado a cena no Salão Principal. Gina lançava-lhes olhares de ódio e reprovação, enquanto Harry parecia envergonhado demais para revidar.
Num impulso, ela puxou Harry para dentro de um armário de vassouras. Ele não protestou.
"Sinto muito, Harry, mas-"
"Eu não acredito que isso está acontecendo," ele interrompeu, sentando-se no chão.
Gina o observou por um minuto. A expressão de derrota e vulnerabilidade no rosto de Harry a deixava arrasada. Ela sentia um sentimento de culpa apossar-se dela de maneira incontrolável.
"Eu sei," ela disse, sentando-se do lado dele.
Passaram-se mais longos minutos, até que Harry se manifestasse novamente.
"Por que ela faria isso comigo?"
Gina suspirou. "Talvez ela não tenha feito."
"Como assim?"
"Harry, eu..." Gina sentia-se tentada a dizer a verdade, mas aquilo acarretaria várias outras perguntas e inúmeras outras explicações. "Talvez ela estivesse bêbada."
Harry riu amargamente. "A Cho não bebe."
Gina franziu o cenho e fez uma expressão de nojo. "Por quê?"
Harry riu, balançando a cabeça. Gina sorriu, dando-se conta da maneira como ela tinha feito aquela pergunta. Segundos depois, o sorriso de ambos morreu e o clima tornou-se pesado novamente.
"Eu acho que... Eu acho que você deveria conversar com ela, Harry, Esclarecer o que houve."
"O que há pra esclarecer, Gina? A Cho transou com outro cara e eles decidiram me humilhar publicamente pra toda a escola."
"Harry, por que ela faria isso com você? Não tem mot-"
"Eu ia terminar com ela."
"O quê?" Gina perguntou surpresa.
Harry ponderou por alguns instantes. Ele parecia incerto sobre responder ou não a pergunta de Gina.
“Harry, você pode me contar,” Gina continuou, calmamente.
Ele deu um suspiro. "Eu estou apaixonado por outra pessoa."
Gina não conseguiu esconder sua surpresa ainda maior. "Você está falando sério? Mas, como assim, a Cho sabia?"
"Não acho que ela tivesse certeza, mas essas coisas a gente sente, não é?"
"Eu... não sei."
Harry suspirou. "De qualquer forma, é óbvio que ela quis se vingar de mim antes que eu pudesse fazer isso."
"Peraí, Harry," Gina disse, determinada a, de alguma forma, eximir Cho de culpa. "Isso não faz sentido. Com essas fotos, a Cho não estaria humilhando só a você, ela também está se humilhando pra toda a escola. Quero dizer, todos estariam vendo fotos dela nua, transando com o Blaise, isso não pode ter sido idéia de-"
"Blaise Zabini?"
"É, Harry, você viu a foto."
"Não," ele respondeu, seriamente. "O rosto dele não estava visível."
Gina amaldiçoou-se mentalmente naquele instante.
"Como você sabe que era o Blaise nas fotos, Gina?" Harry perguntou desconfiado.
"Bom, eu..."
"Como você sabe, Gina?"
Gina estremeceu, ela conhecia aquele tom de voz e sabia que Harry perderia a cabeça se ela não lhe desse uma resposta imediata.
"Eu transei com ele," ela respondeu de súbito a primeira coisa que lhe veio à cabeça.
Harry a encarou, embasbacado. "O QUÊ?"
Gina deu um sorriso sem graça. "Eu estava bêbada, sozinha, o Blaise foi legal... bom, eu reconheci o corpo dele na foto."
"Gina, eu-"
"Todo mundo faz uma bobagem assim, Harry. Algum dia."
Ele suspirou, incrédulo.
"O que eu estou tentando dizer é que... é que eu estava fora de mim quando fui pra cama com o Blaise," Gina continuou, amaldiçoando-se internamente pela mentira. "A Cho provavelmente também."
Harry a observou, sem saber o que dizer.
"Por favor, Harry, fala com ela. Essa situação não deve ser fácil pra Cho."
Ele a encarou, admirado. “Não acredito que você se preocupa com a Cho, mesmo depois de tudo que aconteceu."
Gina sorriu desconsertada.
"Bom, eu preciso de um pouco de ar," ele continuou, levantando-se. "Hum. Engraçado. Na última vez que nós estivemos num armário de vassouras, era você quem estava com um problema."
Antes que Gina pudesse se lembrar do que Harry estava falando, ele continuou.
"Sorte sua que o seu problema era apenas um boato, não é, Gina?" Ele perguntou, sorrindo tristemente e saiu.
Foi então que Gina lembrou-se da conversa que os dois tinham compartilhado semanas atrás, quando Pirraça espalhou o boato de que ela e Draco estavam juntos. Gina suspirou, lembrando-se das palavras de Harry.
"Seria melhor você também pensar no sofrimento que isso causaria a todos."
Ela suspirou pesadamente. Gina não pensara no sofrimento que seu relacionamento com Draco causaria. Principalmente a ela mesma.
O ódio de Draco parecia aumentar a cada segundo que lhe faltava para chegar até Blaise. Ele invadiu o dormitório da Sonserina, apenas para encontrá-lo dormindo tranquilamente. Num impulso de fúria, Draco arrancou Blaise da cama, jogando-o contra a parede.
Grabbe e Goyle, que dividiam o quarto com o moreno, acordaram com o barulho.
"Draco, o quê-"
"Não se meta, Goyle," ele interrompeu, o que era suficiente para que ambos os rapazes mantivessem-se fora do que acontecia.
Blaise, por sua vez, olhava atordoado ao seu redor, tentando entender o que acabara de acontecer. Draco esperou que o moreno se recuperasse do susto.
"Que porra é essa, Draco?" Blaise questionou irritado, levantando-se do chão.
Draco não respondeu. Num movimento rápido, ele desferiu um soco tão forte no maxilar de Blaise que o garoto foi jogado na cama ao lado da sua.
Blaise sentiu uma dor quente no lábio inferior e ao levantar o rosto, pode ver o sangue pingando de sua boca nos lençóis. Antes que pudesse confrontar Draco novamente, o loiro agarrou-o pelos braços e o segurou na cama, desferindo um novo soco e abrindo mais ainda o corte em seus lábios. Draco o encarava a poucos centímetros de distância.
"Me larga, seu merda!" Blaise bradou, tentando desvencilhar-se dele. "Você ficou maluco, Malfoy?"
"Eu DISSE pra você destruir aquelas fotos, Blaise!" Malfoy gritou, desferindo outro soco, desta vez abrindo um pequeno corte no lado esquerdo do rosto de Blaise.
Sentindo a dor latejante em seu rosto, o sangue escorrendo pelos dois cortes e ouvindo as palavras de Draco, Blaise foi tomado de uma súbita força, o suficiente para que empurrasse Malfoy longe dele e conseguisse levantar.
"Do que você está falando, seu doente?!" Ele gritou, passando a mão nos lábios, tentando limpar o sangue.
"Não se faça de inocente, Zabini!" Draco gritou em resposta. "Você armou toda aquela palhaçada pra que metade da escola visse as fotos da sua aventura com a Chang!"
Draco partiu em direção a Blaise, mas Blaise fora mais rápido dessa vez. Com toda a força que conseguiu reunir, ele lançou um golpe no estômago de Draco, fazendo com que o loiro caísse no chão, tossindo.
"CHEGA MALFOY! Você vai me explicar o que está acontecendo e parar de agir como um animal!"
Draco estava no chão, curvado com as mãos no estômago. A intensidade do golpe de Blaise fora muito grande.
"Você divulgou suas fotos com a Cho pra toda a escola, Blaise," Draco disse, tentando recuperar o fôlego. "Elas estão lá embaixo, espalhadas pelo Salão Principal.”
Blaise revirou os olhos, respirando fundo e caminhando em direção até seu casaco. De dentro dele, ele retirou o tubo metálico que continha o filme da câmera e jogou-o com força na direção de Draco.
"Eu não toquei nesse filme, seu idiota," disse Blaise, massageando seu maxilar. "Está aí, como você me entregou."
Draco apanhou o tubo e encarando Blaise, ele o abriu.
"Está vazio," ele disse friamente, levantando-se.
A expressão de Blaise converteu-se numa expressão de surpresa.
"Não pode ser," ele tomou o tubo da mão de Draco e sua surpresa se intensificou ao ver que o loiro tinha razão. Estava vazio.
"Vai continuar insistindo na sua mentira, Zabini?" Draco perguntou, lançando a Blaise um olhar de desprezo e rumando para fora do quarto.
"Draco, eu não fiz isso," Blaise respondeu, um súbito tom de desespero tomando conta de sua voz.
Ele correu na direção de Draco, agarrando o loiro pelo braço, mas Draco o repeliu violentamente.
"Não acredito que eu confiei em você, Blaise. Você é um miserável," e com isso, Draco saiu de vez do quarto.
Blaise o observou indo embora por um instante, para depois segui-lo.
"Draco, eu não fiz isso!" Ele gritou num misto de desespero e tristeza. Ambos estavam na Sala Comunal da Sonserina, observados por uns poucos alunos que se encontravam ali. "Draco, você precisa acreditar em mim, EU NÃO FIZ ISSO!"
Draco lançou a ele um último olhar de desprezo e saiu da Sala.
"Eu sempre soube que a Cho era uma vagabunda."
"E com aquela carinha de santa..."
"Essas são as piores!"
As garotas riam, enquanto Gina, deitada em sua cama, tentava a todo custo ignorar os comentários. Ela não queria acreditar que aquilo estava acontecendo. E que grande parte de tudo, era culpa dela.
A ruiva foi tirada de seus pensamentos ao notar que uma coruja pousara em sua mesa de cabeceira, trazendo-lhe um bilhete.
"Preciso muito falar com você. Encontre-me no jardim, perto da cabana de Hagrid, na hora do almoço.
Ass: D."
Gina sentiu seu coração parar de bater no minuto que vira a assinatura. D, de Draco. Ela já imaginava o que ele iria dizer, como tentaria convencê-la de que havia um motivo para ele ter feito aquilo, mas seria inútil. Gina jamais o veria da mesma forma. Ela sequer sabia se era capaz de perdoá-lo por ter feito aquilo.
"Meninas, o Dumbledore quer todos no Salão Principal, agora," a monitora do sexto ano avisou, parada à porta.
"Nossa, por que será?" Uma das garotas perguntou maliciosamente e as outras riram.
Gina respirou fundo. Tudo que ela queria era que aquilo acabasse.
"Draco! Draco, espera," Daphne o chamou, correndo para alcançá-lo.
"O que você quer, Daphne?" Ele perguntou, sem parar de caminhar.
"Conversar," ela respondeu, caminhando ao lado dele.
"Não temos nada que conversar."
"Nem sobre as fotos que você e a Weasley tiraram?"
Draco parou imediatamente, encarando-a.
"Relaxa, eu não vou contar pra ninguém."
"Me deixa adivinhar, o Blaise contou pra você?" Ele perguntou impaciente, voltando a caminhar.
Daphne meneou positivamente a cabeça, caminhando junto com ele.
"Inacreditável."
"Draco, ele não fez por mal."
"Você também quer me dizer que ele humilhou publicamente a Chang por bem?"
"Eu não disse que ele fez o que fez por bem, mas ele não fez isso pra te prejudicar."
"Mas prejudicou."
Draco parou de caminhar e debruçou-se numa janela.
"Na verdade, acho que ele acabou te ajudando," Daphne disse, ficando do lado dele.
"Como assim?"
"Draco, eu... Eu sei."
"Sabe o quê?"
Ela pareceu inquieta e virou de costas para ele, ainda encostada na mesma janela que ele estava.
"Sabe o quê, Daphne?"
"Eu sei o que o Voldemort quer que você faça," ela respondeu, aparentemente amedrontada.
Draco ficou surpreso. "Como... como você sabe?"
"Meu pai é um Comensal."
"Achei que seu pai tivesse sido inocentado?"
"Ele fingiu ser espião, ele-" Daphne parou de falar, interrompida pelas próprias lágrimas.
Draco ficou ainda mais surpreso, ele nunca a tinha visto demonstrar qualquer vulnerabilidade, muito menos revelar-lhe qualquer segredo.
De maneira desajeitada, Draco colocou a mão no ombro dela, acariciando-o.
"Calma, Daphne, não se preocupa."
"Você não entende, Draco, eu não deveria ter te dito isso," ela continuou, entre lágrimas.
"Eu não vou contar pra ninguém."
"Você precisa ficar longe da Weasley, Draco," ela disse subitamente, encarando-o.
"O que isso tem a ver com essa situação?"
"Você não entende, Draco? Fazendo isso, o Blaise colocou a Weasley contra você e é disso que você precisa agora," ela respondeu, enxugando as lágrimas. "Se o seu pai achar que vocês não estão mais juntos, ele vai dizer ao Voldemort que você não pode mais entregar a Weasley pra ele."
Draco riu. "Daphne, meu pai não tem como saber disso."
"Ele vai saber, da mesma forma que ele soube antes."
"Do que você está falando?"
"O seu pai tem alguém aqui pra vigiar você, Draco!" Daphne respondeu, um desespero evidente em sua voz.
"Quem, Daphne?" Ele perguntou alterado. Diante da falta de resposta dela, ele a segurou pelos braços, chacoalhando-a. "Quem, Daphne?"
Daphne respirou fundo. "Pansy Parkinson," ela respondeu.
Draco a soltou imediatamente. "Pansy... Não, isso é impossível. A Pansy não tem inteligência pra isso."
"Mas ela tem informações, Draco," Daphne disse, enxugando as lágrimas novamente. "Ela tem informações que são úteis para o seu pai e úteis para Voldemort."
"Ela não faria isso, ela-"
"Deixa de ser estúpido, Draco," Daphne interrompeu, grosseiramente. "É exatamente por causa dessa sua inocência que as coisas estão assim agora! Se você não tivesse confiado no Blaise, ele não teria feito o que fez e se você não tivesse confiado na Parkinson, seu pai não saberia sobre você e a Weasley!"
Draco ficou em silêncio, tentando absorver aquelas informações. Daphne estava certa. Pansy fora a primeira a saber que Draco estava envolvido com Gina, graças a um lapso dele quando os dois estavam na cama. Ela tinha guardado o segredo, o que significava que ela tinha motivos para querer que aquilo fosse um segredo. Ele respirou fundo, abalado com a nova revelação.
"Draco, você precisa ficar longe da Weasley."
"Mas Daphne-"
"É pro bem dela, Draco. Você tem mais chances de salvá-la se ficar longe dela agora."
Ele deixou escapar um suspiro pesado. "Você tem razão."
Foi a vez de Daphne se mostrar solidária, abraçando-o. Draco foi pego de surpresa, mas retribuiu o abraço.
"Não se preocupe, Draco," ela continuou, enquanto o abraçava. "Vai ficar tudo bem."
Draco esperava que sim. Daphne sabia que não.
Metade da escola estava reunida no Salão Principal, esperando por Dumbledore. A maioria dos alunos parecia inquieta, impaciente. O silêncio começou a tomar conta do lugar no minuto em que o diretor entrou no Salão.
Dumbledore posicionou-se em seu púlpito, observando todos os estudantes. Ele deixou escapar um breve suspiro de pesar.
"É com profunda tristeza que venho aqui dirigir-me a vocês," ele disse, dando início a seu discurso. "Chegou a meu conhecimento que um fato desprezível ocorreu esta manhã, aqui neste salão."
Os alunos se entreolhavam, um desconforto crescente tomando conta do recinto.
"Uma de nossas alunas foi vítima de uma brincadeira ofensiva e de que extremo mau gosto, enquanto muitos de vocês divertiram-se a assistindo ser exposta de tal maneira."
"Ela não é uma vítima," uma aluna da Sonserina comentou, um pouco mais alto do que ela aparentemente pretendia.
"Eu conversei com a Senhorita Chang esta manhã," Dumbledore continuou. "Ela não tem lembrança alguma do acontecido e eu posso afirmar que existe uma razão para isso."
Alguns alunos começaram a comentar entre si, mas Dumbledore continuou, fazendo com que todos voltassem a ficar em silêncio.
"Tudo isso me leva a crer que a colega de vocês foi vítima de uma maldição imperdoável."
Um choque coletivo pareceu tomar conta do Salão e Dumbledore prosseguiu inalterado.
"É doloroso saber que um de nossos alunos – ou quem sabe mais - possa ter recorrido a esse tipo de magia. Espero sinceramente que o responsável por esta situação apresente-se e esclareça o que de fato aconteceu. Enquanto isso, peço que respeitem a senhorita Chang e procurem esquecer este ocorrido."
Com um olhar de aparente decepção, Dumbledore rumou para fora do Salão Principal.
Gina estava recostada numa árvore, esperando por Draco. Ela sequer sabia porquê estava ali, quando Draco era provavelmente a última pessoa com quem ela gostaria de conversar naquele momento.
"Olá, Weasley."
Gina fora surpreendida por uma voz feminina às suas costas.
"Daphne?"
"Vejo que você recebeu meu bilhete."
"Eu pensei que... Esquece."
"Você pensou que fosse o Draco."
Gina evitou o olhar da garota.
"Tudo bem, eu sei tudo que está acontecendo."
Gina riu. "Algo me diz que você não sabe tanto assim."
"Se existe algo além do caso entre vocês e do plano de acabar com a Chang e o Potter, você tem razão, eu realmente não sei," Daphne respondeu, com desdém.
A ruiva ficou surpresa. "Como você-"
"Draco me contou."
Como se Gina já não tivesse motivos suficientes para estar chateada com Draco, agora ela descobria que o segredo deles não era exatamente um segredo.
"Não se preocupe, ele me contou hoje," Daphne continuou, como se lesse os pensamentos dela. "Ele está muito triste, sabe."
Gina riu. "Essa tristeza poderia ter sido facilmente evitada se ele não tivesse espalhado todas aquelas-"
"Não foi ele quem fez isso, Gina."
"Não?" Ela perguntou, irônica.
"Não. Foi o Blaise."
Gina franziu o cenho. "Isso não é possível."
"Exceto pelo fato de ser possível," Daphne respondeu, calmamente. "O Blaise roubou as fotos das coisas do Draco e armou tudo isso."
"Por que ele faria isso, Daphne?"
"Muito simples, não acha? O Blaise tem um ego enorme e a idéia de que todo o colégio o visse trepando com a Chang pareceu muito tentadora. Além disso, ele achava que estava fazendo um favor ao Draco."
"Lindo, mas o fato do Blaise não ter aparecido em nenhuma das fotos anula sua teoria."
"Não é uma teoria, Weasley, é a verdade. Aparecer nas fotos representaria um risco muito grande pro Blaise. Você ouviu as bobagens que o Dumbledore falou hoje, ele-"
"Não eram bobagens," Gina interrompeu, friamente.
"Ok, não eram," Daphne continuou, inabalada. "A questão é que o Blaise pode levar o crédito pela situação sem que ninguém possa provar que ele é culpado."
Gina ponderou. As palavras de Daphne pareciam fazer sentido, mas Gina não estava disposta a ceder ainda.
"Supondo que isso seja verdade," ela disse, observando Daphne. "Por que o Draco não veio falar comigo?"
"Por que ele não pode. Aliás, ele vai aproveitar essa situação pra manter-se distante de você."
"Por que ele faria isso?"
"Pra te proteger, Weasley."
"Me proteger de quê?"
Daphne suspirou. Ela caminhou em direção a árvore e sentou-se na grama.
"Olha Weasley, você precisa prometer que não vai contar isso a ninguém."
Gina riu. "Ok."
"Estou falando sério."
"Oh," Gina exclamou. "Tudo bem."
Daphne suspirou novamente, como se estivesse preparando-se para fazer uma grande revelação.
"O pai dele quer que ele te entregue pro Voldemort."
Gina teve a impressão de que seu coração parou por um segundo.
"Acho melhor você sentar."
Ela seguiu o conselho de Daphne e sentou-se ao lado dela, sua respiração acelerada.
"Olha Weasley, eu não falei isso pra te assustar. Eu só preciso que você saiba que o Draco não tem culpa nessa história."
"E por que você quis que eu soubesse disso?" Ela perguntou, ainda abalada diante da revelação.
"Por que o Draco é meu amigo," Daphne respondeu, serenamente. "E por que ele te ama."
Gina arregalou os olhos, fazendo com que Daphne gargalhasse.
"Por favor, Weasley, não vai me dizer que você não sabia disso."
"Eu... ora, claro que não, Daphne!"
Daphne sorriu. "Bom, ele te ama. E é por isso que ele não pode ficar com você agora. Ele vai te evitar e tentar fazer você acreditar que a culpa disso tudo é dele, por que só assim ele conseguirá te manter afastada."
"Isso é..."
"Eu sei," Daphne disse, colocando uma mão no ombro de Gina. "Mas vai acabar logo. Por enquanto, você só precisa manter segredo. Se alguém souber que você é o novo alvo do Voldemort, o Draco corre risco de vida."
Gina deixou escapar um suspiro.
"Você entende, não é, Gina? Pelo bem do Draco, ninguém pode saber."
"Tudo bem."
"Bom, pelo menos você não tem com o que se preocupar enquanto estiver aqui, certo?" Daphne perguntou, levantando-se. "Agora você já sabe e ninguém vai conseguir te tirar de Hogwarts," ela acrescentou, sorrindo.
Gina retribuiu o sorriso, levantando-se também. "Pode apostar que não."
"Ah, eu quase esqueci," Daphne disse, retirando uma pequena caixa preta do bolso de suas vestes. "Esse presente... o Draco planejava te dar esse presente," ela entregou a objeto para Gina. "Ele não poderia te entregar agora, por causa da situação, mas eu sei que ele gostaria que fosse seu."
Gina abriu a caixa e sentiu como se uma força invisível tivesse se apossado de seu corpo.
"Você gosta?"
"É... é lindo."
"Você devia usá-lo... quer dizer, é uma maneira de te manter próxima do Draco, certo?"
Gina deu um sorriso. "Não sabia que você era uma romântica, Daphne."
Daphne revirou os olhos, sorrindo. "Cala a boca, Weasley," ela tirou o colar das mãos de Gina e apressou-se em colocá-lo no pescoço da garota.
Gina sentiu novamente uma força invisível invadindo o corpo dela, mas a sensação foi fugaz.
"Ficou bom," Daphne disse, observando o colar.
Gina o tocou, sorrindo para si mesma. Percebendo que ambas já não tinham mais o que conversar, Gina despediu-se.
"Obrigada, Daphne. Por tudo."
"Sem problemas."
Gina sorriu e caminhou em direção à escola.
Daphne a observou afastar-se, com um brilho demoníaco no olhar. Seu sorriso aumentava gradativamente, tamanha a satisfação que ela sentia vendo que seu plano tinha ocorrido exatamente como deveria. Roubar as fotos do casaco de Blaise tinha valido mais a pena do que ela esperava. Todas as peças pareciam se encaixar perfeitamente e a situação lhe trouxe uma oportunidade para cumprir as ordens de Voldemort e daria a ele tempo conseguir o que queria.
"Aproveite o presente, Virgínia," Daphne murmurou para si mesma, antes de rumar de volta para a escola.
N/A: Outra atualização relâmpago, hein? Quis aproveitar a folga, já que o computador vai pro conserto amanhã. Então, oq acharam? Sei que capítulos assim não tem action nem nada, mas são importantes e personally, eu até gosto desse tipo de capítulo. A fic tah acabando :( Mas várias emoções ainda vão rolar, prometo XD Obrigada pelas reviews fofas de vocês, espero que todas tenham aproveitado o feriado ;D Beijão!