Help
Home Just In Communities Forums Beta Readers Search
B s . A A A   full 3/4 1/2   E E   Light Dark
Books » Harry Potter » Coisas Belas e Sujas
Ana Luthor
Author of 8 Stories
Rated: M - Portuguese - Romance - Draco M. & Ginny W. - Reviews: 407 - Updated: 04-19-11 - Published: 09-12-04 - id:2055000

Capítulo XXVIII – Requiescat in pace

"Ela parece morta," o homem comentou, observando a garota que jazia pálida em seus braços.

"Ela não está," disse a mulher e com uma expressão de insatisfação, completou, "infelizmente."

O homem riu. "O seu ciúme é patético, Bellatriz."

"Cala a boca, Mulciber," Bellatriz respondeu agressivamente.

Os dois continuavam caminhando lado a lado, em passos quase sincronizados.

"Ora Bella, você sabia que cedo ou tarde deixaria de ser a queridinha do Lorde. Ele finalmente conseguiu quem ele queria e agora você foi deixada de lado."

Bellatriz parou abruptamente e apontou a varinha na direção do rosto de Mulciber, os dois separados apenas pelo corpo de Gina entre eles.

"Você acredita nessa farsa, Mulciber?" Ela perguntou, quase num sussurro. "Você acha que essa adoradora de trouxas realmente está do lado do Lorde agora?"

"Ela matou a garota, Bellatriz," ele respondeu, inalterado pela reação dela. "O Lorde confia nela e Nagini a acolheu como protegida. Você honestamente acredita que ela é capaz de enganá-los?"

"Ela não está tentando enganar ninguém," Bellatriz respondeu e pôs-se a andar novamente, Mulciber ao seu lado. "Ela estava enfeitiçada, só isso. O Lorde não consegue aceitar que ela jamais ficaria do lado dele e ordenou que aquela serpente idiota influenciasse essa garota."

"Enfeitiçada ou não, ela está do lado do Lorde agora. Isso é o que importa."

"Ah, você é um imbecil, Mulciber," Bellatriz resmungou impaciente. "E você acredita nisso? Em uma lealdade manipulada?"

"Se o Lorde quis assim..."

"O Lorde está cego. É nossa obrigação abrir os olhos dele."

Mulciber riu. "Não, você é quem está cega. De ciúmes."

Os dois pararam diante de uma enorme porta negra. Sem que dissessem uma palavra, a porta se abriu lentamente.

"Eu cuido dela daqui em diante," disse Bellatriz, tomando o corpo de Gina descuidadamente dos braços do comensal.

"Nada de torturá-la, entendeu?" Ele perguntou, com um sorriso petulante.

Bellatriz sorriu. "Não se preocupe, Mulciber. Quando essa garotinha inútil perceber o que está acontecendo, ela vai se virar contra o Lorde imediatamente. E eu terei o prazer de fazê-la pagar por isso."

"Bom, se você precisar de ajuda..."

Ela riu. "Agora você concorda comigo?"

"Você me conhece, Bella," disse Mulciber, dando as costas e caminhando na direção de onde eles tinham vindo, "não sou o tipo que perderia a chance de torturar uma garota tão linda como essa," e com uma gargalhada, ele sumiu de vista ao virar-se num dos cantos do corredor.

Com um sorriso maligno, Bellatriz entrou no quarto carregando o corpo de Gina. Num movimento grosseiro, ela jogou o corpo da garota na cama e sentou-se numa poltrona próxima à janela. Era hora de esperar.


Draco observava as pessoas ao seu redor, tentando disfarçar seu claro desconforto. O bar estava lotado e ele estava sozinho à uma mesa. Era um bar trouxa e todas as pessoas usavam roupas casuais. Draco, porém, usava vestimentas elegantes demais para estar ali.

"Tem certeza de que não quer uma bebida, loirinho?" Perguntou a garçonete que o estava atendendo.

"Eu já tenho uma."

"Isso é água."

"Que é algo que estou bebendo," ele retrucou, mais grosseiro do que pretendia.

"Ok, não estou mais aqui," disse a garçonete, afastando-se com uma expressão de désdem.

"Dando em cima das trouxas, Draco?"

Draco virou-se e viu a figura de Blaise, observando-o com um sorriso.

"Você está atrasado."

"Bom te ver também."

"Que informação você tem?"

"Não vamos jogar conversa fora, Draco? Você nem mesmo vai me pedir desculpas?"

"Pelo quê?"

Blaise riu. "Malfoy, meu rosto não se curou sozinho. Você já esqueceu o que fez comigo em Hogwarts?"

"Você tem alguma informação ou não?" Draco perguntou grosseiramente.

"Não," Blaise respondeu e Draco bufou, "mas a Pansy tem."

Draco o encarou. "A Pansy está do lado do Voldemort, Blaise."

"E quem te disse isso? A Daphne?" O moreno perguntou com descaso.

Draco suspirou, revirando os olhos. "E onde ela está?"

"A caminho."

Um silêncio constrangedor abateu-se entre os dois, interrompido apenas pela chegada da garçonete perguntando se Blaise gostaria de beber alguma coisa.

"Whisky sem gelo, querida."

A garçonete deu um sorrisinho. "Você não tem idade pra isso, tem?"

"Meu bem, esses lábios já provaram todo tipo de iguarias," ele respondeu, lambendo sugestivamente os lábios.

A garçonete riu e foi em direção ao bar.

"Você é nojento."

"Não devo fidelidade a ninguém, Malfoy. Qual o problema em me divertir com uma trouxinha linda dessas?"

Draco remexeu-se desconfortavelmente na cadeira, mas não disse nada.

"Vai me dizer que você é que nem seu pai afinal, e quer distância de sangues ruim?"

"NÃO" Draco bradou, firmando o punho fortemente na mesa "me compare com ele, entendeu?"

Blaise levantou as mãos, num gesto de rendição, para demonstrar que não tocaria mais no assunto.

Outro silêncio tomou conta da mesa dos dois e não foi interrompido nem mesmo quando a garçonete tentou flertar com Blaise, que fez um gesto que indicava que aquele não era o momento.

"Eu sinto muito," disse Blaise, timidamente.

Draco foi pego de surpresa, mas assentiu. "Tudo bem. É que só de pensar nele eu-"

"Não estou falando do seu pai. Estou falando... da Gina."

Draco pareceu ainda mais surpreso.

"Nós vamos encontrar um jeito, Draco. Nós podemos salvá-la."

"Nós?"

"Você não está pensando que eu obriguei a Pansy a vir até aqui por nada, não é? Assim que ela contar tudo que sabe, eu vou te ajudar a encontrar a Weasley. E, claro, acertar as contas com a vagabunda da Daphne."

Draco riu, um riso sem alegria.

"Sempre motivado pela vingança, não é?"

"E não somos todos?" Blaise estendeu o copo de whisky e Draco fez o mesmo com o seu copo de água, simulando um brinde.

"Ah, que lindo, um brinde a uma amizade que renasce," Pansy apareceu sem aviso, observando os dois garotos.

"A pessoa que estava faltando! Junte-se a nós, querida."

"Menos, Blaise. Cheguei e já estou quase de saída."

"Você vai me dizer... você vai... você sabe aonde..."

"Sem palavras, Draco? Na última vez você pareceu verbal o suficiente pra defender sua amiguinha Daphne."

"Pansy, isso não é necessário..."

"Ok, Blaise, eu sei. E eu não sou uma pessoa rancorosa. Eu vou dizer tudo que você precisa saber, Draco. Mas acredite, você não vai gostar de ouvir."


Gina acordou com um assobio crescente, vindo de algum lugar as suas costas e a luz do sol batendo em seu se virar, mas uma dor latejante em seu ombro a impediu.

"Não se preocupe, seu ombro vai estar novinho em folha logo, logo."

Gina respirou fundo, ainda de costas para a dona da voz. "O que você quer, Bellatriz?"

"Oh, que inocente a princesinha..." Gina sentiu que Bellatriz se levantou e caminhava as suas costas. "Estou aqui, de guarda, esperando o momento em que a sua máscara de menina má vai cair."

Gina levantou-se calmamente. Antes que pudesse dar um passo, sentiu Nagini aproximando-se dela. Num movimento instintivo, acariciou a cabeça da cobra.

"Que lindo... ela é seu bichinho de estimação agora?"

Gina permaneceu imóvel, exceto pelas carícias que fazia em Nagini, enquanto a serpente chacoalhava seu corpo ao redor dela, a cabeça parada, receptiva aos carinhos de Gina.

"Patético. Você e esse animal ridículo."

Gina sentou-se novamente na cama e com um gesto trouxe a boca da cobra para perto de sua própria boca. Como num transe, Gina foi capaz de falar a língua das cobras.

"O que você disse, garota?" Perguntou Bellatriz, subitamente aturdida. "Você falou com ela, não foi? O que você disse?"

Gina finalmente levantou o olhar para encarar Bellatriz.

"Ela está com fome."

Bellatriz bufou. "E o que eu tenho a ver com isso, garota?"

Com um sorriso maligno, Gina a encarou. "Você é a próxima refeição, Bella."


Draco encarava Pansy com incredulidade e Blaise estava verdadeiramente desconfortável.

"Eu... Isso não pode ser verdade."

"Avisei que você não ia gostar, Draco," retrucou Pansy, mas sua expressão suavizou-se ao perceber o choque do garoto. "Eu sinto muito."

"Você tem certeza do que está dizendo, Pansy?"

"Você acha que eu perderia meu tempo vindo até aqui só pra contar mentiras, Blaise?"

"Bom, você não é exatamente conhecida pela sua sinceridade..."

"Eu não devo lealdade alguma ao Voldemort. Na verdade, nunca devi."

"Então você espera que eu acredite que todas essas informações cruciais que você nos repassou nada mais são do que resultado da sua repentina vontade de fazer o bem?"

"Olha pro rosto do Draco. Você acha realmente que saber disso tudo fez algum bem a ele?"

Draco pareceu acordar de um transe diante das palavras dela.

"Você tem certeza que isso tudo aconteceu, Pansy? Que a Gina foi iniciada, que ela..." Ele parou por um instante como se suas palavras o machucassem fisicamente. "Que ela assassinou alguém?"

"Certeza absoluta. Eu ouvi meu tio narrando toda a história pra minha mãe."

"Seu tio? Eu achei que seu pai fosse o Comensal da família."

"Meu pai foi o Comensal que o Voldemort assassinou."

Draco e Blaise encararam a garota atônitos diante da nova revelação.

"Pansy, eu sinto muito..."

"Não sinta, Blaise. Meu pai era um idiota e teve o fim que mereceu. E até depois de morto ele é um atraso na minha vida," ela se levantou e vestiu o casaco. "Agora eu e minha mãe temos que fugir do país, meu tio acha que Voldemort pode mandar alguém nos matar também."

"Por quê ele faria isso?"

"Ele sabe que minha mãe não aprovava as atividades de Comensal do meu pai. Pra ser sincera, eu acho pouco provável que ele se lembrará de nós agora, com tantas coisas acontecendo... mas é melhor não arriscar."

"Você tem razão."

"Ah, tem mais uma coisa," Pansy fez uma pausa demorada, como se estivesse reunindo coragem para falar. "Talvez você queira avisar ao pessoal da Ordem, não sei, mas... a garota. A garota que a Gina mat- que foi assassinada... era a Katie. Katie Bell."

Draco e Blaise compartilharam olhares de choque e desconforto.

"Bem, eu preciso ir."

"Pansy," Draco levantou-se e segurou o braço dela. "Obrigado. De verdade."

"Boa sorte, Draco. E Blaise," Ela lançou um olhar malicioso para o rapaz, "acabe com a piranha da Daphne por mim."

Ele retribuiu o olhar. "Considere feito."

Pansy desapareceu rapidamente pela porta do bar sem olhar novamente para trás. Os garotos ficaram sentados por minutos, sem saber o que fazer ou dizer.

"Eu não acredito que isso está acontecendo."

"O que você vai fazer, Draco?"

Ele respirou fundo. "Temos que contar a Ordem. Tudo."

"Tudo?"

"Bom... quase tudo," ele respondeu, hesitando.

Blaise assentiu com a cabeça e calmamente tirou uma quantia de dinheiro trouxa do bolso, colocando-o sobre a mesa e levantando-se com calma.

"Você faz o que achar melhor, Draco. Desejo sorte," ele estendeu a mão para Draco e o loiro se levantou, sem retribuir o cumprimento, encarando-o seriamente.

"Você quer fazer parte da Ordem?"

"O quê?"

"A Ordem da Fênix, você sabe o que é, não sabe?"

"Claro."

"Você quer fazer parte dela?"

Blaise riu. "Você me conhece, Draco, eu não me encaixo em associações-"

"Eu sei que você quer lutar, Blaise. Mesmo que só pra se vingar da Daphne, mas eu sei que você quer."

"Bom, não seria somente por isso-"

"Você quer fazer parte ou não?"

Blaise respirou fundo, ponderando. "Draco, você sabe que não é só uma questão de querer fazer parte."

"Nesse caso, é. Você vem comigo."

"Como assim? Você vai me levar até lá, me mostrar o esconderijo? Não existe algum tipo de teste, algo que-"

"Essa a minha maneira de mostrar que eu confio em você, Blaise."

E sem mais uma palavra, os dois seguiram em direção a sede da Ordem.


"Mas Lorde, ela me ameaçou!" Bellatriz gritava descontroladamente.

"Bella, estou farto das suas encenações, já deixei bem claro que Virgínia está do nosso lado agora."

Gina podia ouvir claramente a discussão que acontecia do lado de fora do quarto. Com um suspiro cansado, ela desabou na cama. Segundos depois, sentiu Nagini deslizando lentamente em sua direção.

"Por que você está me encarando, sua cobra estúpida? Você não consegue perceber que eu não estou do lado dele?"

Nagini chiou, mas Gina poderia jurar que viu a cobra sorrindo, como se entendesse sua pergunta e estivesse pronta para atacar.

"É, me mate. Vai ser melhor assim."

Antes que Nagini pudesse emitir qualquer novo som, a porta do quarto foi aberta rapidamente. Por instinto, Gina levantou-se assustada. Seu coração parou por um segundo ao notar a figura de Voldemort aproximando-se dela.

"Nagini, fora," ele ordenou calmamente, sentando-se na cama de frente para a garota. "Como você está, Virgínia?"

"Cansada."

"Eu sei, minha querida. Isso tudo vai acabar logo."

"Por que, você vai se livrar da Bellatriz pra mim?" Gina perguntou sem pensar, quase num tom de brincadeira.

"Quer dizer então que é verdade? Você realmente ameaçou Bella?"

"Não," Gina respondeu sem olhar para ele. "Eu apenas repeti o que a Nagini me disse."

Voldemort a encarou surpreso. "O que Nagini te disse?"

"É. Ela me falou que devoraria a Bellatriz se ela não me deixasse em paz."

"E como você entendeu o que ela falou?"

"Não sei. Mas entendi."

Voldemort sorriu. Ou imitou um sorriso, era difícil dizer, pois ele sequer possuía lábios.

"Entendo... Nagini gosta de você, posso ver."

"Eu... eu também gosto dela," Gina mentiu.

"E de mim, querida?" Ele perguntou, aproximando-se ainda mais. "Você gosta de mim?"

Num movimento delicado, Voldemort estendeu a mão para acariciar o rosto da garota. Gina recuou instintivamente e o encarou assustada, temendo o que aquela reação poderia causar. Voldemort emitiu um som que lembrava um suspiro.

"Eu entendo, minha querida. Deve ser difícil para você se acostumar com... com essa imagem que eu possuo agora. Você vai se acostumar, mas por enquanto..." Ele levantou e sumiu na escuridão.

Gina o procurou com os olhos, tentando não parecer assustada. Uma fumaça vermelha se formou lentamente no canto do quarto e desapareceu. Das sombras, surgiu uma nova figura.

"Por enquanto, permita que eu suscite suas lembranças com uma aparência um pouco mais familiar."

Ela sentiu as forças abandonarem lentamente seu corpo, observando diante dela a conhecida figura de Tom Riddle, exatamente como aparecera em seus pesadelos.

"Melhor?" Ele perguntou, sentando-se ao seu lado e acariciando seu rosto.

"Sim..." Ela respondeu com uma voz fraca e incerta.

"Você está pronta, querida? Para se unir de verdade a mim?" Com um movimento leve, porém decidido, Tom empurrou o corpo de Gina com o seu, deitando-se em cima dela.

Ela sentiu a respiração quente dele em sua nuca, suas mãos percorrendo seu corpo, despindo-a, violando-a. Sentiu uma vontade incontrolável de chorar, de gritar, de lutar contra aquela situação, mas ao invés disso, ela apenas assentiu. Permitiu que Tom realizasse seu desejo e fingiu compartilhar de tais desejos.

Alheia ao fato de que ainda viveria por muitos anos, Gina soube que se lembraria daquele como o dia em que, sem qualquer instinto de sobrevivência, ela se deixou morrer.


N/A.: Leitoras? Será que ainda tenho leitoras? :) Então gente, não vou nem explicar o atraso épico pra atualizar, pq foram muitas coisas que agora já não são mais relevantes. Mas como eu disse no e-mail, peço sinceras desculpas por isso. Só faltam dois capítulos, ou melhor, um e o epílogo – que eu nem sei mesmo se vou chamar de epílogo pq o epílogo da JK me deixou traumatizada com epílogos em geral, lol. Mas enfim, tá acabando mesmo, o próximo capítulo eu posto no final dessa semana e o último só preciso finalizar/revisar e aí, adeus. Espero que esses capítulos finais correspondam as expectativas de vocês e que vocês gostem de lê-los tanto quanto eu gostei de escrevê-los. Abraços!

Review this Chapter
Share

Return to Top