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10 COISAS QUE EU ODEIO EM VOCÊ
Arashi Kaminari
Capítulo 14
Todas aquelas pessoas estavam começando lhe dar nos nervos, pois há muito tempo havia se desacostumado a lugares absurdamente lotados e parecia que não seria rápido voltar ao costume. Passou com dificuldade por mais uma massa de gente, esbarrando numa ou em outra pessoa no processo. Heero estava finalmente conseguindo caminho livre até a escada, quando sentiu uma mão puxar a manga de sua blusa com força. Olhou um pouco para baixo e encontrou o garoto, o qual havia jogado a garota bêbada em cima, tendo a boca praticamente sugada pela dela. Também pôde ver vários arranhões e chupões ao longo do pescoço. Ao menos alguém ali estava tendo diversão.
Não querendo interromper, Heero ignorou-o e voltou ao seu caminho. Só que o garoto, na pressa de o agradecer, levantou-se rapidamente da cadeira em que estava acomodado com a garota no colo, e ela, sem noção alguma, despencou no chão como um saco de batatas, fazendo com que ele se preocupasse com ela e esquecesse o japonês novamente.
Quando finalmente conseguiu descer as escadas, Heero encontrou Duo com os cabelos um pouco fora do lugar, a cara querendo ficar amassada e um ar ligeiramente bêbado. Tentou tirar a bebida que ele segurava a mão, mas o americano foi bem resistente quanto ao seu intento. Não forçou a barra. Afinal, Duo era maior de idade e ele não estava a fim de arrumar um barraco que faria tanto o americano quanto ele odiarem as piadinhas no dia seguinte. Deixou-o ir.
– Amigo, me diga como fez essa proeza e eu te pago o dobro pela noite de hoje!
Trowa Donner. Que legal! Como se não bastasse um intelectual arrogantemente bêbado como companhia.
– Fazer o quê?
– Ele agir como um ser humano.
Heero não sabia o porquê e nem o quê exatamente, mas algo dentro de si se revirou. Não pelo fato daquelas palavras terem saído da boca do mauricinho escroto, mas pelo pensamento ser de propriedade coletiva escolar. Tudo bem que a fama do Duo não era das melhores e ele não fazia nada para ajudar, mas se as pessoas conseguiam no mínimo ter uma interação com ele, mesmo tendo a fama de ex-detento, caso se esforçassem para isso, porque com Duo... Bom, talvez nem Deus conseguisse se aproximar como Sally conseguiu.
A balada que estava antes parou de tocar e em seu lugar o som vibrante de uma música dançante invadiu a casa. Muita gente correu para a sala de jantar, enquanto uns outros preferiram ir para a beira da piscina. Heero procurou por Duo a sua volta, mas não o encontrou. Nenhum cara de cabelos tão longos quanto os deles e ainda por cima soltos desapareceria tão facilmente das suas vistas tão rápido.
– Procurando aquilo ali? – Trowa o indagou, colocando uma mão em seu ombro, enquanto acenava com a cabeça a pessoa em cima da mesa de jantar.
O japonês não queria nem começar a pensar em como explicar ao americano todas as cenas que ele estava fazendo no dia seguinte. Explicar sim, porque para ele fazer tudo aquilo, só estando quase em coma alcoólico. Se houvesse algum vestígio de consciência que não estivesse dopada pelo álcool, Heero duvidava que Duo estaria dançando sensualmente sobre a mesa de madeira de lei, com seus pés descalços e já despido de seu sobretudo e casaco.
À volta da mesa oval, não só mulheres, mas homens também engrossavam o coro daqueles que queriam que o americano praticamente fizesse um strip tease comunitário ali. Trowa, ao seu lado, era todo sorriso e não era pelo fato do japonês estar com uma feição desgostosa no rosto. Era algo além. Talvez felicidade por ver seu inimigo num estado tão deplorável.
Os olhos fechados, a boca entre aberta, os cabelos totalmente revoltos e muita ousadia nos quadris. As mãos passando ao longo do corpo, as viradas, os movimentos quase que obscenos, a forma como a qual bateu na própria nádega. O jeito desenvolto com que se abaixou, ficando de quatro sobre a mesa, engatinhando até um cara do segundo ano e Silvia Noventa, que apesar de estar com um sorriso nos lábios, expressava em seus olhos a descrença na cena que assistia. E num outro movimento, Duo se estatelou de costas contra a mesa e fez movimentos nada castos, mesmo para Heero.
Levantou-se um pouco, ficando de joelhos, jogou os cabelos para trás e com uma piscada de olho lambeu o dedo indicador e passou pelo corpo. Heero não sabia se era a intenção dele, provavelmente deveria ter sido, mas logo em seguida o tal garoto e Noventa estavam subindo na mesa – que o japonês queria saber de onde vinha pela tamanha resistência – e começaram a rebolar em conjunto, num perfeito sanduíche. Silvia na frente, esfregando seu traseiro nas partes baixas do Duo – e Heero se perguntando onde estaria o corno do namorado dela – tentando capturar os lábios do americano, enquanto o rapaz de cabelos longos se movimentava longineamente com o cara do segundo ano atrás de si, que tinha uma mão no ombro esquerdo dele e a outra mão na cintura de Noventa, simulando um ato sexual.
A situação já estava ficando insustentável e não parecia que alguém ali concordasse com o seu ponto de vista. Heero olhou a volta para ter uma noção do que Duo teria que aturar no colégio na segunda-feira e só viu cabeças, cabeças e mais cabeças. Mirou seu olhar no segundo andar e só conseguiu ver Mariméia balançar a cabeça visivelmente constrangida perto do beiral, antes de se fundir com a massa de gente e desaparecer novamente.
Quando voltou ao inferno que estava sendo feito sobre a mesa, viu Duo já de frente para o garoto e Silvia as suas costas passando a mão em seu abdômen por debaixo da blusa. O garoto segurou uma das pernas do Stratford ao lado do seu quadril, como num tango, e quando o americano tentou pular para enlaçar as pernas no quadril do garoto, bateu com a cabeça no lustre monstruoso que havia naquela sala. Um oh de espanto foi de uso coletivo. O garoto segurou Duo de mau jeito, deixando as pernas dele presas ao lado de seu corpo, enquanto Silvia segurava a cabeça de Stratford, a fim dela não bater novamente, dessa vez contra a mesa.
Heero passou por aquele amontoado de gente, tomando o lugar de Silvia nos cuidados com Duo e mandando o cara pastar por ser tão idiota. Colocou um braço do americano em volta do seu pescoço, enquanto o fazia se escorar nele para tentar andar. Achou um banco bem ao lado da escada, onde as duas meninas que estavam sentadas, prontamente cederam seus lugares. Não que tenha passado pela cabeça do japonês que elas haviam tido dó de Duo, mas sim que de qualquer forma, sua fama ainda inspirava respeito.
– Você está bem?
– Estou ótimo.
– É, estou vendo. – ironizou, acomodando o americano da melhor forma no banco.
– Eu preciso me deitar.
– Se você se deitar, irá dormir.
– Dormir é reconfortante. – Duo disse, com um sorriso beirando a imbecilidade.
– Deve ser pra quem bateu a cabeça. Não pra quem está cuidando.
Heero não sabia quanto a Duo, mas ele estava se sentindo um idiota tendo que falar como se ele fosse alguma criança. Mas logo a sensação o deixou, mais precisamente quando Quatre bateu em seu ombro, pedindo sua atenção. O japonês disse que estava ocupado e apontou Duo com o queixo, mas o árabe insistiu, enquanto entregava as peças de roupa e os sapatos que o americano havia se livrado. Ao olhar Duo, Heero vacilou por um instante, mas Quatre parecia tão aflito, que achou melhor ver o que ele queria, afinal, Duo não poderia fazer uma grande besteira em uns dois minutos, não é mesmo? Afastou-se uns quatro passos e deu sua atenção ao árabe.
– Acabou, cara.
– Acabou? Acabou o quê?
– Ela nunca me quis. – o loiro disse com um ar aflito – Ela queria o Trowa.
– Quatre, você gosta dela?
– Sim.
– E ela vale todo esse esforço?
– Achei que sim, mas...
– Ela vale ou não? – insistiu, colocando suas mãos nos ombros do rapaz mais baixo – Primeiro, o Trowa não tem metade do caráter que você tem como homem. Segundo, não deixe ninguém o fazer pensar que não merece algo. Honre as calças que veste. – e o sacudiu – Vá a luta!
Quatre lhe dirigiu um olhar desesperançado, mas a sua prioridade no momento era Duo, e ele estava prestes a cair do banco ao tentar se levantar pateticamente. Heero correu para ampará-lo e se despediu do árabe com um aceno de cabeça.
oOo
– Isto é tão condescendente.
Não era difícil descobrir a autoria da frase, se levasse em consideração quantas pessoas em Pádua seriam capazes de construir tal sentença estando de porre. Heero deixou seu pensamento fluir pela sua boca e obteve a óbvia negação de Duo, enquanto o ajudava a chegar nas cadeiras de balanço da casa do outro lado da rua. Com alguma dificuldade conseguiu colocá-lo sentado. Ao menos ele não parecia estar à beira de um coma alcoólico.
Depois de alguns segundos em silêncio, o americano perguntou, mais calmo, o por que do japonês estar cuidando dele, e quando Heero disse que era porque estava preocupado com uma possível concussão, Duo rebateu sarcasticamente, dizendo que o japonês não ligaria se ele não acordasse. Uma mentira é claro. Não pelo fato de ser Duo, mas pelo fato de ser um ser humano. Um dos poucos ensinamentos da mãe que Heero levava consigo era ajudar sempre a quem precisava e que estivesse em seu caminho. E em sua concepção, Duo estava precisando de ajuda urgente. Não só para a bebedeira, mas em relação ao lado social também.
Com os olhos semi-cerrados e com a clara desconfiança sobre as intenções de Heero, Duo o pediu um motivo para não estar mentindo sobre o fato de se importar com ele.
– Porque eu teria que sair com pessoas que realmente gostam de mim.
– Se encontrar uma. – mesmo bêbado o americano continuava ferino.
– Viu? Isso! Para que afeto quando se tem tanto ódio?
Duo deixou um sorriso ser desenhado em sua face antes de fechar os olhos e colocar uma mão sobre a têmpora. Talvez fosse a ressaca querendo chegar mais cedo. Esfregou os olhos com a mão e a passou em seguida pela massa de cabelo agora desarrumada.
– Nossa!
– Por que deixa se afetar? – Heero indagou, sentando-se no balanço ao lado.
– Por quem?
– Trowa.
– Eu o odeio. – Duo respondeu prontamente. Não havia uma só pessoa que não soubesse da relação de ódio que tinha com Donner.
– Escolheu a vingança perfeita, tequila na veia.
– O certo seria tequila intravenosa, mas tudo bem.
– Não disse! Só você para me corrigir estando bêbado.
– Sabe, é como dizem...
– Não. O que dizem?
Heero virou-se para Duo e o encontrou com os olhos meio virados, debruçado sobre si mesmo, quase caindo do balanço. Levantou-se e o acomodou melhor. Segurando a face do americano em direção à sua própria, bateu devagar no rosto dele à espera de alguma reação.
– Não, D.! Vamos, acorde! Olhe pra mim! Ouça, D.! Abra os olhos.
Duo abriu os olhos e fitando diretamente a íris à sua frente, disse meio abobalhado...
– Hey, seus olhos tem pintinhas azuis. – o japonês sorriu.
... e vomitou sobre os sapatos de Heero.
– Merda!
oOo
Já estava ali há uns bons dez minutos e ninguém aparecia para dar uma carona. Não havia levado dinheiro para o táxi e não estava nem um pouco a fim de pedir para o pai ir buscá-la. Aonde Duo havia se metido quando precisava dele, hein? Apesar de não ser uma boa idéia voltar com o irmão na direção, ao menos poderia pegar uma carona com ele e o japona, não?
Mandella batia insistentemente o solado do sapato contra o chão do jardim e Mariméia não sabia se era para irritá-la ou se era porque a amiga estava irritada com a demora, mas aquele barulho estava lhe deixando louca. Estava quase voltando a pé para casa e se expondo a todos os perigos que a noite tem para oferecer (e mais todos os outros que o pai sempre gostava de inventar), quando Trowa apareceu. Deu graças a Deus intimamente. Achou que ele não negaria uma carona para ela. E realmente ele não negou. Ele fez melhor.
– Vamos para a casa de Jarret. Está pronta?
Ficou sem reação e ao invés de pedir uma carona, recusou o convite, dizendo que deveria estar em casa dentro de vinte minutos. O mauricinho ainda insistiu um pouco, mas sua "grande amiga" fez o favor de se "atirar" sobre o rapaz, dizendo que não precisava voltar antes das duas da manhã. Trowa insistiu mais uma vez e com mais uma recusa, perguntou se Mandella queria. A resposta dela nem precisava dizer. Aquela vadia!
Observando Mandella se afastar com o Trowa, Mariméia tomou um susto quando Quatre passou por ela perguntando se havia se divertido e logo percebeu o tom seco e irônico dele, mas não se deixou abater. Sempre dava um jeito de se sair bem de qualquer situação. Sairia bem se desculpando depois que ele a deixasse em casa.
– Muito... Quatre! Você me daria uma carona?
oOo
Duo ainda não estava em pleno vigor, mas já estava bom o suficiente para entrar em casa sem fazer vexame. Heero pegou as chaves do carro do rapaz de cabelos compridos e estava pronto para procurar pela irmã dele, quando Duo disse que não era para procurá-la. Se ela havia chegado sem eles, ela voltaria sem eles. Palavras do Sabe Tudo, fazer o quê?
– Eu devia fazer isso.
Já estavam perto da casa dos Stratford quando o americano abriu a boca para dizer alguma coisa que o japonês não entendeu muito bem.
– Fazer o quê?
– Isso. – Duo respondeu, apontando para o rádio do carro.
– Formar uma banda?
– Não, instalar rádios. – respondeu malcriadamente de forma tão séria que por um segundo Heero pensou que estivesse falando sério, mas logo ele prosseguiu – Formar uma banda, meu pai ia adorar.
– Você não tem jeito de quem pede permissão ao pai.
– Então agora você acha que me conhece?
– Estou chegando lá.
– As pessoas só sabem que sou assustador. – Duo disse, fazendo um careta tentando ser apavorante, mas só conseguindo arrancar uma pequena risada do rapaz na direção. Heero estacionou o carro em frente a casa do jovem embriagado.
– Também não sou nenhum santo. E o seu pai... é muito difícil?
– Não. Ele só quer que eu seja alguém que não sou.
– Quem?
– Mariméia.
– Ah, Mariméia. – repetiu, tentando não passar seu descaso com ela pela sua voz. O detentor dos olhos azuis deitou a cabeça sobre o apoio de cabeça do assento e se virou na direção do acompanhante – Sem querer ofender, todos gostam da sua irmã, mas ela não é interessante.
– Sabe, você não é tão detestável quanto pensei.
E dizendo isso, o americano fechou os olhos e aproximou seu rosto do rosto do japonês, esperando que ele o beijasse. Mas se havia uma coisa que Heero aprendeu muito bem na Epyon, era que nunca se deve beijar ou fazer qualquer outra besteira com alguém bêbado. As conseqüências podem se catastróficas no dia seguinte. Heero recusou da forma mais sutil que encontrou.
– Devíamos fazer isso outra hora.
Duo abriu os olhos de imediato, pegou as chaves e saiu do carro batendo a porta. Parecia que ele não partilhava dos mesmos pensamentos de sua companhia. Paciência.
oOo
Estavam na rua da patricinha, quando Mariméia viu o carro de Heero passar pelo de Quatre. Isso significava que Duo já estava em casa e se ele já havia chegado, a bronca vinda do seu pai era quase certa.
– Você não queria velejar comigo, não é?
Quatre foi o primeiro a falar assim que estacionou o carro, deixando a ruiva sem ação. Já estava cansado de todo aquele teatrinho, da forma idiota como a qual ela agia na presença do sujeitinho, do jeito que ela o jogava para um canto qualquer toda vez que o brinquedinho ali perdia a utilidade perante a imagem dela. Ele poderia tentar jogar contra Trowa ou qualquer outro cara, mas nunca poderia ir contra a personalidade dela. E se fosse para perder para algo tão fútil, que fosse agora, enquanto ainda havia tempo para partir para outra, do que no final do ano quando já estaria partindo para uma nova jornada da sua vida.
Por outro lado, Mariméia estava preparada para começar o seu discurso de desculpas, mas o garoto a pegou tão desprevenida, porque ela jamais esperaria por aquela pergunta, que esqueceu cada palavra milimétricamente calculada que deveria ser dita. Na dúvida, agiu com o que melhor sabia: mentiu.
– Queria sim.
– Não é verdade.
– Bem, na verdade... – tentou melhorar a situação, mas parece que a sua tentativa só a fez piorar.
– Só precisava dizer isso. Sempre foi egoísta assim?
O árabe estava a surpreendendo naquela noite. Primeiro perguntando se realmente queria velejar com ele e depois jogando na sua cara o seu egoísmo. Não que estivesse se sentindo ofendida até porque era a primeira vez que alguém chegava a ela para dizer algo negativo ou como seu irmão diria, a primeira vez que alguém tinha a coragem de dizer isso na sua cara. Mas não era algo nada agradável de se escutar. Mariméia já estava cansada de mentir e ela percebeu claramente que ele estava cansado de ser enganado, então admitiu seu egoísmo em alto e bom som, só não conseguindo fazê-lo o olhando nos olhos.
– Só porque é bonita, não significa que pode tratar as pessoas com descaso. Digo, gostei muito de você. Eu a defendi quando a chamaram de metida. Ajudei-a quando pediu. Aprendi francês por sua causa e você me ignorou...
Não pensou em mais nada. Além de ser a primeira vez que alguém apontava seus defeitos, de quebra, ela ainda ganhou uma declaração muito fofa de um cara super romântico e frustrado. Agiu por impulso e o beijou. Talvez o tivesse assustado, mas acreditava que ele havia gostado do beijo tanto quanto ela. Não falaram mais nada. Saiu do carro, ajeitou o vestido, acenou como uma lady para ele já nos degraus de entrada e entrou em casa.
Quatre esperou a porta se fechar totalmente para poder comemorar.
– Estou na parada de novo.
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Mariméia entrou em casa e nem se preocupou em acender as luzes. Pensou que o tal japona já tivesse levado Duo para casa, mas parecia que eles deviam ter resolvido comemorar o recém descoberto lado libertino do irmão. Menos mal. Não teria interrogatórios pelo menos por aquela noite.
Tirou os sapatos, assim que trancou a porta e se dirigiu à escada, já soltando o cabelo do penteado que ela mesma havia feito. Estava prestes a pisar no primeiro degrau do segundo lance, quando se deparou com Duo sentado no último degrau, bebendo no gargalo de uma das garrafas de uísque do pai.
– Droga! Que susto Duo! Virou vaga-lume agora é?
– Pensei que iria demorar mais na festa... Espero que não tenha sido o Donner a vir te trazer. – ele disse, levantando-se e bebericando um pouco mais do líquido na garrafa.
– Não, ele tinha outras coisas para fazer. Ele é popular, caso não saiba. – a ruiva rebateu, só para infernizar a vida de irmão. Ela sabia o quanto ele odiava que exaltasse as qualidades do inimigo dele. Mas tudo o que ele fez foi lhe dar as costas e dobrar o corredor, seguindo rente ao corrimão até o seu quarto, sempre com a garrafa a mão.
– Eu sei, acho que é você quem não sabe.
– Papai?
– Foi cobrir um amigo. – ele respondeu, finalmente voltando-se para a irmã, já na porta de seu quarto – Prepare-se! Talvez o tenhamos em tempo integral amanhã.
– Espero que não tenha pegado essa garrafa na adega dele. – e a resposta Duo foi fechar a porta com o pé, enquanto terminava de entornar a bebida goela abaixo – Ele vai te matar!
28 de setembro e 19 de novembro de 2006
Nota da autora:
Betagem por Daphne Peçanha.