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Anime/Manga » Weiss Kreuz » O Que Está no Coração Aparece Quando se Fala
Akemi Hidaka
Author of 12 Stories
Rated: M - Portuguese - Published: 09-24-04 - id:2069971

Título: "O que está no coração aparece quando se fala"

Pares: Aya x Omi / Yohji x Ken

Classificação: Yaoi, Lemon, Angst

Autora: Akemi Hidaka

Série: Weiss Kreuz

E-mail:

O que está no coração aparece quando se fala

A sina já era comum para os quatro integrantes da Weiss, que nem se chocavam mais tanto quanto antes com a quantidade de corpos ensangüentados que ficavam depois de uma missão concluída com sucesso. Haviam combinado de se encontrarem num local fora do perigo para voltarem todos juntos para casa, e Aya e Ken foram os primeiros a chegar. Esperavam com uma certa urgência pela volta dos outros dois companheiros, e quando estavam quase indo ver o motivo da demora, viram a sombra de uma pessoa mancando se aproximando, era Yohji. Assim que o reconheceu, Ken foi socorrê-lo.

- Yohji, o que aconteceu com sua perna? - notou que ela sangrava abundantemente - Você tinha dito pelo comunicador que não havia se ferido!

- De fato não tinha... até um cachorro enorme me atacar por trás - sentou-se numa mureta, a perna doía muito - Sorte que eu reagi rápido e só tinha um.

- Omi não estava com você? - a pergunta veio de Aya.

- Hm... não. Achei que ele já estivesse aqui.

"Droga! Omi onde você está que ainda não apareceu?" pensou o ruivo preocupado.

- Vocês dois voltem pra casa - mandou.

- Mas e o Omi? - quis saber o jogador.

- Eu fico aqui. – não estava com vontade de ficar dando explicações, e por isso deu um ponto final àquilo de uma vez: - Vá logo ou Yohji ficará manco pro resto da vida.

- Ta bom. Sorte que não estamos tão longe de casa - ajudou o playboy a levantar-se e passou o braço do mesmo por cima de seu ombro, dando-lhe um pouco de apoio e aliviando também um pouco do peso sobre a perna ferida.

Mal os dois sumiram de vista, Aya voltou para o local onde Omi cumprira sua missão - tentaria refazer seus passos até encontrá-lo. Mas para o seu azar, o loirinho tomara o cuidado de não deixar rastros, tornando praticamente impossível que alguém o seguisse. Só depois de vagar por um tempo, lembrou-se de que o comunicador poderia ser útil na tarefa e tratou de ligá-lo.

- Bombay! - chamou firme.

- Aya... kun... - a voz de Omi soou fraca e ofegante.

- Bombay! Onde está? - ficou preocupado ao ouvir uma resposta tão fraca e seu nome sendo pronunciado num local onde ainda corriam perigo e que precisavam manter sigilo absoluto em relação aos nomes verdadeiros (ok, esse – Aya - não é o nome verdadeiro dele, mas dane-se! É como se fosse, já que ele adotou o nome da irmã).

- Me perdoe, eu ... não consegui sair a ... AAHHH!

- Omi! - um chiado ensurdecedor foi tudo o que conseguiu em resposta - Droga! Onde ele pode estar? - tomado por um medo de perdê-lo, iniciou uma corrida imprudente pelo terreno, até chegar num pequeno prédio de dois andares, que não havia reparado antes, e cujas luzes estavam acesas e uma janela estava quebrada. À volta desse prédio havia um mato mau cuidado, moitas que quase ocultavam a porta, trepadeiras que escalavam as paredes, e um corpo caído. "Um corpo?" seu coração disparou. Aproximou-se devagar (não) querendo saber de quem era, mas acabou vendo e ficou paralisado quando viu seu rosto mais de perto, constatando que havia um corte no lábio inferior e marcas roxas na face e perto dos olhos, fora os vergões no pescoço e no peito à mostra por causa da blusa rasgada.

- Omi! - agachou-se ao lado dele, erguendo um pouco a cabeça do chão e acomodando-a no braço esquerdo - Omi! Por favor, acorde!

- Ah, você deve ser o tal Aya que ele estava chamando, não é? - uma voz vinda da porta o fez virar-se - Achei que fosse o nome da namorada, mas parece que me enganei.

- Quem é você? O que fez com ele?

- Quem eu sou? Ora, vocês vieram até aqui para me matar e não sabem quem eu sou? - falou irônico.

- Como sabe disso? - só então reparou que aquele homem que se aproximava era muito parecido com o alvo daquela missão; parecido até demais. - Você! Mas como...?

- Nunca ouviu falar de sósias, não é? uma espécie de Saddam Hussein? Mas sabe, esse seu amiguinho é muito gostoso, sabia?

- O que você fez com ele? – rosnou, enfurecido com aquele "simples" comentário, sem saber ao certo o motivo.

- Hahahahhahaha! - riu cinicamente - Por que você mesmo não olha?

- Desgraçado! - pousou a cabeça de Omi no chão delicadamente e voou pra cima do "cara", que já esperava aquela reação e deu um assobio alto e forte. Dois cachorros pretos enormes saltaram do meio do mato em direção ao espadachim, mas tiveram seus corpos cortados ao meio assim que se aproximaram, e logo depois foi a vez daquele que era o verdadeiro alvo daquela missão.

- AAHHH! Isso dói Ken! - reclamou Yohji.

- E vai doer mais ainda se você não ficar quieto! – repreendeu-o - Eu só estou lavando e limpando pra poder fazer um curativo.

- Eu sei, mas ta doendo e não estou conseguindo ficar parado com... - calou-se.

- Com...?

- Esquece - "...com você tão perto de mim e segurando minha perna desse jeito... "

- Pronto. Já ta limpo e seco.

- Até que enfim!

- Como você reclama! Se é assim, faça o resto você sozinho - saiu do banheiro, mas ficou parado no corredor, fora do campo de visão do outro. Alguns barulhos vieram de dentro do banheiro acompanhado por resmungos, e por fim...

- Ken! – chamou o loiro saindo do banheiro pulando numa perna só.

- Yohji! - correu para ampará-lo antes que acabasse perdendo o equilíbrio e indo de cara no chão. Ajudou-o a sentar na cama e começou com os curativos - Espero que pare de reclamar agora.

- Você fala isso porque não foi você quem foi mordido - falou indignado.

- E você faz muito escândalo! Pronto, terminei - levantou-se - Agora, vai tomar um banho enquanto eu faço alguma coisa pra gente comer. Se é que você vai querer comer. E nem pense em molhar os curativos, que eu não estou a fim de fazer outro depois.

- Então você devia ter feito depois que eu tomasse banho, ué!

- Não, porque você ia acabar perdendo muito sangue e ia ficar pior - saiu, fechando a porta.

Dez minutos depois, entrou no quarto com uma bandeja na mão com um prato, que deixou sobre o criado mudo. Estava saindo quando a porta do banheiro abriu e Yohji saiu vestindo um hobby e secando os cabelos com uma toalha. Ao deparar-se com o jogador ali, que parou ao ouvir o som da porta, parou de andar/mancar e ficaram olhando-se por um tempo indefinido, até que Ken deu-se conta do que fazia.

- Gomen ne... - desculpou-se meio sem jeito - Você deve estar querendo um pouco de privacidade. Só vim trazer alguma coisa pra você comer; evite ficar perambulando por aí nesse estado.

- Ah, não, tudo bem. Pode ficar, se quiser. Não me importo com isso; afinal, somos dois homens adultos - você talvez nem tanto - e resolvidos. Não tem problema algum. - "Por que estou dizendo isso? Deixe-o sair."

- É, tem razão, já somos adultos e... resolvidos - afirmou, sentando na beira da cama - Mas então, será que o Aya conseguiu achar o Omi? - tinha que puxar um assunto, não iria apenas ficar lá, quieto, olhando o playboy se vestir.

- Ah, não sei - respondeu vestindo a cueca, mas sem tirar o hobby. Estava... se sentindo estranho ao estar sendo assistido enquanto se vestia. Podia estar de costas, mas sabia que estava sendo observado - Ele me pareceu meio estranho...

- O Omi? - indagou.

- Não, baka! O Aya! - tirou o hobby.

- Por que... - a pergunta demorou a sair com a visão maravilhosa de Yohji só de cuequinha à sua frente. Aquelas costas largas... queria poder tocá-las. "O que estou pensando?" enrubesceu com os pensamentos que lhe vieram à mente - Por que acha isso?

- Sei lá - corou violentamente ao sentir um par de olhos (lindos) devorando-o, sorte que estava de costas - Ele parecia preocupado demais, se levarmos em conta que ele nunca se preocupou tanto com qualquer um de nós.

- Tem razão... - agora encarava o chão - Por que será?

- Tenho uma suspeita, mas vindo dele é impossível! - vestiu o pijama o mais rápido que conseguiu - O que você fez aí pra eu comer?

- Ih, é mesmo! Mas não reclama; é miojo (rápido, fácil e gostoso!). E falando nisso, eu deixei o meu lá embaixo.

- Você ainda não comeu? - ajeitou-se na cama e pôs a bandeja sobre o colo.

- Não. Eu só vim trazer o seu, depois eu ia descer e comer no meu quarto - levantou-se e caminhou em direção à porta.

- Traz aqui e come comigo... - notou o que estava dizendo e tratou de arranjar uma desculpa qualquer - Eu... eu não gosto de comer sozinho.

- Er... tá. Eu também não - sorriu - Já volto.

"Meu Deus! Por que não consigo deixar que ele se afaste de mim? E por que fiquei tão... incomodado(?) por me vestir na frente dele? Isso nunca aconteceu antes. Será que eu...não! Isso está fora de cogitação. Pare de pensar besteiras, Yotan! Seu negócio é outro."

Ken voltou trazendo o prato na mão e começaram a comer... só que em silencio, o que era o mesmo que comer sozinho, na opinião do loiro. Ambos não tinham o que dizer depois de terem começado a ter pensamentos um tanto estranhos em relação ao outro. E foi assim, nesse silêncio irritante que acabaram de comer e o jogador foi levar os pratos pra cozinha. Lavou a louça, e quando estava atravessando a sala para subir de novo, a porta se escancara e Aya entra correndo com Omi nos braços, sem notar (ou fingiu que não notou) a presença do outro ali. Subiu também correndo, seguido pelo jogador, que teve que parar quando a porta do quarto do ruivo foi batida em sua cara.

- Omi... -chamou o ruivo, deitando-o de bruços na cama. Quando o tirou daquele lugar horrendo, notou que as costas do chibi sangravam e a roupa apresentava rasgos na vertical e diagonal. Tirou-lhe a blusa e iniciou os cuidados necessários sobre os ferimentos. Estava aflito e suas mãos tremiam, pois a incerteza de que se Omi havia mesmo sido ou não estuprado e o medo dele ter quebrado alguma coisa quando caiu do segundo andar daquele prédio o assombravam incansavelmente, apesar do garoto mostrar um semblante calmo como de quem dorme tranqüilamente, mas que expressa um pouco de dor ao ser virado de costas na cama.

- Omi, acorde, onegai. - balançou-o de leve, sem resultados. "Acho que terei de esperar até ele acordar sozinho... Droga! Porque isso foi acontecer?" cobriu-o e depois foi até o banheiro, tomar um banho.

"Aya-kun... Aya-kun está me chamando... sua voz está preocupada... será que é comigo? Aya-kun... por que não veio quando chamei?" abriu os olhos lentamente, apenas para ver o ruivo saindo do banheiro enrolado numa toalha e com o cabelo pingando e apagou novamente.

"O que será que aconteceu com aqueles dois pro Aya estar daquele jeito? Isso não é normal; não mesmo. E o que será que o Yohji suspeita? Ele não quis me contar... Yohji..." deu um leve sorriso enquanto a espuma escorria pelo seu corpo, sendo levada pela água. Só de pensar no playboy, sentia-se feliz, mas não sabia ao certo por que. Desligou o chuveiro, enxugou-se e enrolou-se na toalha, para voltar para o quarto. E quase deixou a toalha cair com o susto que levou ao encontrar Yohji sentado em sua cama. Sentiu um arrepio percorrer sua espinha, mas vestiu o pijama normalmente, como se estivesse sozinho no quarto, mas virado para o armário (normalmente vestiria o pijama no caminho armário-cama), sentindo-se envergonhado ao estar sendo devorado por um par de olhos verdes - agora os papéis se invertiam.

- Yohji, o que está fazendo aqui? - sentou-se ao seu lado.

- Eu ouvi um barulho, e achei que você soubesse do que era.

- O Aya chegou com o Omi. E realmente, Aya está diferente.

- Dooshite?

- Bom, ele subiu correndo com o Omi no colo e bateu a porta do quarto na minha cara; acho que nem percebeu que eu estava atrás. Amanhã eu pergunto pra ele o que aconteceu, já que está tarde agora.

- É, tem razão... - ficou preso àquele olhar - Ken...

- Yohji, eu - seus rostos (e as bocas, conseqüentemente) iam se aproximando perigosamente, sem que se dessem conta do que estavam (quase) fazendo.

Como que "recuperando a consciência", Yohji afastou-se balançando a cabeça numa negativa evidente. Desculpou-se encabulado e saiu sem olhar para trás.

- Yohji... - sussurrou, olhando na direção seguida pelo loiro.

Omi abriu os olhos novamente, e desta vez viu o ruivo andando de um lado para o outro, murmurando alguma coisa que não conseguia ouvir. Deu uma piscada, e agora o ruivo estava sentado no chão, a coluna ereta e os olhos fechados; piscou de novo e o ruivo olhava pela janela, que mostrava o dia quase amanhecendo. Mais uma piscada e Aya estava sentado numa cadeira em frente à escrivaninha, com a cabeça apoiada sobre os braços cruzados sobre o móvel. Depois de cada "piscada" via uma cena diferente, o que o levou a crer que adormecia e acordava várias vezes, por um certo tempo, sem se dar conta. Mas agora sentiu que não dormiria de novo, e pela primeira vez olhou todo o interior do cômodo onde se encontrava. Sabia que não era o seu, pois a cama era diferente. Seria de Yohji? Não... caso contrário, já teria visto a figura do playboy por ali. De Ken? Também não, pelo mesmo motivo. Seria então de Aya? Notou as roupas do espadachim sobre uma cadeira e o próprio dormindo nela, e ao lado a katana. Só podia ser... não só pelos objetos ali ou pela presença do ruivo, mas era o único lugar que sobrara como alternativa.

Com um pouco de esforço e muita dor, saiu da cama, notando que suas costas estavam enfaixadas, e lembrou-se daquele maníaco pedófilo tentando estuprá-lo e dando-lhe chicotadas. Sentiu uma raiva crescente ao lembrar disso, mas achou-se um louco por ter feito o que fez só para escapar dele e guardar-se para... alguém especial. "Sorte não ter acontecido nada". Saiu sem fazer barulho e foi para seu próprio quarto vestir uma roupa; depois foi para a cozinha preparar alguma coisa para comer - Yohji e Ken trabalhavam na floricultura.

- Omi... não... acorde, por favor... Afaste-se dele, seu canalha! - Aya acordou de repente, momentaneamente desnorteado. Estivera dormindo, e levou algum tempo até separar o real do sonho - Um pesadelo... só... um pesadelo.

Esfregou o rosto, espantando o sono - não era pra ter dormindo. Olhou para a cama e a viu vazia "Vazia?" Alarmou-se; onde Omi poderia ter ido naquele estado? Saiu apressadamente, procurando em todos os cômodos, até chegar na cozinha e encontrá-lo lá comendo cereais.

- Ohayo, Aya-kun - sorriu.

- Omi, o que está fazendo aqui? Volte já pra cama! - mandou, esquecendo-se de falar "com jeito".

- Mas eu estou...

- Não interessa! Volte pro quarto e não saia de lá até eu mandar - apontou para a porta, não se dando conta de que seu tom de voz parecia bravo, e não preocupado, como deveria, como estava se sentindo.

- Hai... - entristeceu-se um pouco e obedeceu. "Será que eu fiz alguma coisa errada? Aya-kun está bravo comigo..." encolheu-se na cama magoado. "Deve ter ficado bravo por eu não ter aparecido no lugar onde combinamos de nos encontrar depois da missão..." uma lágrima solitária rolou, indo parar no travesseiro. Ver Aya tratá-lo daquele jeito era a última coisa que desejaria nesse mundo, já bastara um vez, quando descobrira que era um dos membros da família Takatori.

- Omi! - Ken e Yohji bateram na porta.

- Nan da? - sua voz veio desanimada.

- Podemos entrar? - perguntou o jogador, parecendo ansioso.

- Claro - disfarçou o máximo que pôde para não perceberem que estava triste.

- Aya nos disse que você tinha acordado. Como está?

- Bem... só que vou ter que ficar aqui.

- Que pena... - lamentou o jogador - Mas me diz aí, o que aconteceu ontem?

- Ah,... - foi contando tudo, menos a parte quando estava no quarto de Aya - ... e foi isso.

- Que cara mais aproveitador aquele! - comentou Yohji - Mas você também foi bem louco... pular da janela, Omi?

- Foi o único jeito que arranjei pra escapar de lá. Não ia ficar parado com ele batendo em mim e tentando me agarrar, né? – justificou-se indignado.

- Os dois aí! Voltem lá pra baixo e parem de perder tempo! - Aya abriu a porta e encarou-os ameaçadoramente, até mesmo Omi, que chegou a pensar/ter certeza que o ruivo não estava bravo com ele, e sim furioso - E não saia dessa cama Omi. - fechou a porta.

- Credo, que humor! - falou o playboy - Eu já vou, antes que ele volte.

- Eu também. Depois a gente volta, ta? – Ken bagunçou os fios dourados de Omi e saíram.

"Aya-kun... então pra você eu não passo de uma 'perda de tempo'?" iniciou um choro silencioso. Gostava de Aya, e não queria que ele ficasse bravo consigo. Na verdade, não gostava dele, e sim o amava. Descobriu isso quando pensou melhor na loucura que fizera ao pular pela janela. Inconscientemente, havia feito aquilo para guardar-se para alguém especial, para... Aya. Mas este não parecia sentir o mesmo por si.

Acabou passando o dia todo no quarto, na cama, com medo de deixar o ruivo mais bravo se fosse pego de pé. Evitava até mesmo levantar para ir ao banheiro ou pegar uma coberta quando sentiu um pouco de frio. Ken e Yohji não voltaram como haviam dito que fariam, e na hora do jantar, quando achou que poderia descer, Aya entrou no quarto trazendo uma bandeja com um prato de comida e um copo de suco, que deixou no criado mudo.

- Coma e depois pode sair - notou que aquela carinha se alegrou um pouco - para tomar banho.

- Hai... - baixou os olhos e começou a comer sob o olhar do ruivo, que esboçou um sorriso, quase imperceptível, e que não fora captado pelo chibi.

- Daqui a pouco eu volto - disse e saiu.

Omi comeu lentamente, tanto que na última garfada, a comida já estava fria. Não estava com fome, mas mesmo assim comeu tudo; sabia que se não comesse tudo Aya lhe daria uma bronca e poderia ficar até mais bravo.

- Hora de trocar os curativos, Yohji - Ken bateu na porta de seu quarto.

- Pode entrar - estava deitado na cama, lendo uma revista.

- Yohji... - começou a tirar o curativo velho.

- Nan da? - baixou a revista, olhando diretamente nos olhos do moreno.

- Sobre o que aconteceu ontem, eu...

- Tudo bem, eu já esqueci. Não precisa falar nisso - voltou a ler a revista.

- Não é isso, é que... - terminou de enfaixar a perna - deixa pra lá. Oyasumi nasai.

- Já vai dormir? Ainda é cedo, e amanhã é domingo! - sentou-se rápido.

- Na verdade eu só ia ficar no meu quarto enrolando. Mas se eu dormir agora, qual o problema?

- Nenhum... oyasumi nasai - voltou a deitar, enquanto o outro saía.

O jogador deitou-se na cama e ficou jogando a bola contra a parede, fazendo o barulho ecoar pelo quarto e paredes enquanto pensava. "Será que eu devo falar alguma coisa a ele? Quem sabe ele sinta o mesmo por mim? Não... Yohji sempre afirmou não gostar de homens... bom, eu também não gostava, e isso foi até conhecê-lo melhor. Quem sabe também aconteceu o mesmo com ele? Acho que vou lá falar com ele" parou a bola entre as mãos, sorrindo de antecipação. "Não. É melhor não. Eu posso acabar destruindo a nossa amizade, e isso seria definitivamente, o fim" continuou a jogar a bola na parede "As vezes é melhor ficar na duvida do que descobrir que a resposta é exatamente aquela que você não queria... ficar perto dele já está sendo o suficiente pra mim. Mesmo que eu sofra por não poder tocá-lo..."

No outro quarto, Yohji pousou a revista sobre o peito e ficou fitando o teto, enquanto refletia. "Será? Eu sei que o Ken gosta de mim, mas somos amigos! E esse "gostar" dele eu não consigo saber se é só amizade ou... algo mais. Também gosto dele, mas eu quero algo mais que amizade... só que se eu (tentar) "avançar o sinal", ele pode me odiar pelo resto da vida, do jeito que é teimoso. E ontem... quase nos beijamos... por que diabos eu me afastei dele? Baka! Aquela poderia ter sido uma ótima oportunidade de .. tentar algo mais. Agora terei que esperar por outra" suspirou.

Os dois pensaram basicamente na mesma coisa até o sono chegar e eles dormirem (no caso de Ken, foi o Aya que chegou e ameaçou furar aquela bola caso não parasse de jogá-la na parede).

- Pode virar-se, Omi.

- Hai. Arigatou, Aya-kun.

- Aquele homem fez alguma coisa com você? Digo...

- Iie - interrompeu - Mas quase.

Um grande peso saiu do peito de Aya, sentiu-se aliviado "Graças a Deus..."

- No comunicador você...

- Eu citei seu nome, me desculpe - interrompeu novamente - Não vai acontecer de novo; eu sei que pus em risco sua identidade, mas ao ouvir você me chamando, eu... me senti mais seguro e ... - desviou os olhos. Mas esboçou um leve sorriso ao lembrar-se de quando ouviu a voz preocupada de seu amado. Amado? Sim... amava Aya, e ouvi-lo daquele jeito fez com que ganhasse novas forças e resistisse àquele homem tarado na noite anterior. - Desculpa, eu não devia ficar fazendo-o perder tempo ouvindo o que eu tenho a dizer. Você deve ter coisas mais importantes pra se preocupar - seus olhos expressavam tristeza, apesar de sua expressão no rosto não mostrar - Pode ir, eu vou ficar aqui, não vou desobedecê-lo.

- ... - "Por que está dizendo isso assim?" - No momento, o que mais me importa está neste quarto. Quero que se recupere logo, Omi.

- O.O - "Deve ser um sonho, só pode! Aya-kun se preocupando... comigo? Ou será que ele só quer que eu fique bom logo por causa das missões? Deve ser isso... ele não costuma se preocupar com ninguém aqui, e não começaria a se preocupar logo comigo."

- Vê se dorme logo - encostou as costas na cabeceira da cama, pondo as pernas sobre a mesma ao longo do corpo do chibi.

- Hai - enrolou-se sob as cobertas, virando para o lado oposto ao de Aya e tentou dormir, mesmo estando sem um pingo de sono.

Omi acordou e espreguiçou-se. Olhou para o relógio e viu que já passava das dez: Aya não estava mais ali. Dormir ao seu lado o fez sentir-se muito bem, pôde sentir o seu calor, e até mesmo seu perfume. Saiu da cama e entrou no banheiro, onde ficou algum tempo e saiu, já vestido, para voltar para a cama.

O inverno chegara, e o clima já estava bem frio por ali. E isso era bom, pois era ótimo ficar na cama durante o frio. E sorte que tinha seu laptop para passar o tempo.

Na cozinha, Aya tomava um café preto bem forte, que o manteria acordado por pelo menos uma parte do dia - não havia dormido durante a noite, ficara olhando Omi dormir. Depois de algum tempo, montou um café da manhã caprichado (com panquecas, frutas e suco de laranja) e levou para o chibi, que ao ver aquilo, se alegrou e deixou o computador de lado.

- Espero que goste de panquecas - falou o ruivo, inseguro quanto ao fato de ter feito alguma comida da qual Omi não gostava.

- Eu gosto sim ! - "Ainda mais quando foram feitas por você" Comeu-as com gosto - Estavam do jeito que gostava.

Já era noite, e como sempre, o domingo parecia acabar rápido demais. Ken estava debaixo do chuveiro há algum tempo - temia a hora de sair debaixo d'água quente e enfrentar o ar frio. Havia passado o dia todo ao lado de seu playboy favorito, jogando vídeo game (?), e a cada vez que ganhava, levava um "tapinha" de brincadeira, e vice-versa. Um dia muito proveitoso, na sua opinião. E estar ali, debaixo do jato de água quente era relaxante... mas de repente, quando enxaguava a espuma do cabelo, deixou de ouvir o barulho do chuveiro e a água foi ficando morna, até ficar completamente gelada. Sem perder tempo (e morrendo de frio), desligou o chuveiro queimado e enrolou-se todo numa toalha. O pior era que ainda tinha espuma no seu cabelo, e nem pensava em acabar tomando banho frio em pleno inverno – poderia pegar uma gripe, e isso não seria nada bom. Só havia uma opção: correr até o banheiro de Yohji. Se desse sorte, nem seria notado.

- AH! - deu de cara com o próprio ao abrir a porta do quarto - Yohji, achei que já tinha saído - saltitava de frio.

- Eu mudei de idéia, e não vou sair hoje com a perna desse jeito. Mas o que você ia fazer aqui?

- Eu... posso usar o seu banheiro? O meu chuveiro queimou, e ...

- Ta, entra - deu espaço para passar.

- Arigatou! Entrou correndo, mas a toalha enroscou em alguma coisa e quase caiu, deixando o jogador na mão. Este perdeu o equilíbrio e ia direto pro chão se não fosse amparado pelo playboy. Corou assim que sentiu dois braços em torno de seu corpo.

- Tudo bem? - segurá-lo daquele jeito causava uma sensação muito boa para Yohji.

- H-hai... - seus olhares prenderam-se um no outro - Yohji, eu... tenho que levantar... está... frio.

- Certo... - pareciam estar hipnotizados, e levantaram, mas continuaram se olhando, sem fazer menção de se afastarem (ainda estavam próximos, e Yohji mantinha uma mão na cintura do moreno).

- ... - podia sentir seu coração batendo em expectativa. Estava dividido entre a terrível duvida de se afastar e entrar no banheiro ou dar a iniciativa (pra falar a verdade, não estava em duvida - tinha medo de fazer o que queria).

- Desta vez eu não quero me arrepender...

- Ah? - não entendeu, mas foi puxado para mais perto, sentindo-se abraçado com duas mãos alisando suas costas e os lábios do loiro sobre os seus, e logo depois uma língua impaciente pedia passagem. "Ele... está me beijando?" Passou os braços por trás do pescoço de Yohji, estreitando o espaço e aprofundando o beijo, num ato de puro reflexo. A toalha caiu, revelando sua nudez, mas o que isso importava? Agora queria aproveitar ao máximo o que estava acontecendo, e danem-se o frio e a toalha.

Não demorou muito e já se beijavam na cama, explorando o corpo um do outro, provocando arrepios. As roupas foram deixadas de lado, e agora se olhavam com as testas coladas.

- Vai até o fim...? - perguntou Yohji, descendo a mão até o quadril de Ken - Se não parar agora, não tem mais volta depois.

- Se cheguei até aqui, é porque quero... até o fim. - foi abrindo as pernas devagar.

Yohji sorriu satisfeito com a resposta e beijou-lhe o pescoço, depois o peito e o abdômen, até estar sentado de joelhos entre as pernas (maravilhosas) do jogador. Ergueu suas pernas até colocá-las sobre os ombros, deixando aquela entradinha bem à mostra - Tem certeza...?

- Tenho...você não?

- Eu também tenho - deu-lhe um beijo e começou a penetrá-lo vagarosamente com seu membro rijo.

- Hmm... - fechou os olhos e virou o rosto para o lado, mordendo o lábio inferior. Aos poucos a dor que sentia foi sendo substituída pelo prazer e o playboy iniciou um lento vai e vem que conforme o prazer aumentava, ia ficando mais e mais rápido. As bocas entreabertas exteriorizavam gemidos incontidos que aumentaram ao máximo quando o clímax foi atingido por ambos quase ao mesmo tempo, completando o ato, que foi finalizado por um doce e apaixonado beijo antes de deitarem-se abraçados lado a lado.

- Nunca pensei que algum dia eu fosse fazer isso que acabamos de fazer com você... - disse o jogador sentindo-se ao mesmo tempo feliz e estranho.

- Isso que acabamos de fazer chama-se "amor", Kenken - corrigiu acariciando as mechas castanhas - A não ser que você... não me ame.

- Não amar você? - ergueu a cabeça, fitando-o profundamente - É claro que eu amo! Como poderia não gostar de você e... e me entregar desse jeito? E quanto a você?

- Eu? Fico mais tranqüilo... estava com medo de você não gostar de mim como... eu gosto de você.

- Eu tinha o mesmo medo...! - pousou a cabeça em seu peito, aliviado - Ainda bem que tudo dá certo no final...

- Mas será que deu para o Aya e o Omi também?

- Dooshite?

- Você não percebeu?

- Nan da?

- Aya está... apaixonado por Omi, e vice-versa também.

- Sério? - ficou surpreso. Agora tudo parecia fazer sentido, a preocupação excessiva de Aya, a proibição de Aya quanto visitar Omi no quarto...

- As vezes/sempre você é inocente demais, sabia?

- É você que é pervertido demais ò.ó

- Hahahah! – beijou-lhe o topo da cabeça - Vamos dormir...

Como na noite anterior, o espadachim trocou os curativos de Omi e sentou-se ao seu lado na cama. Só que desta vez fez com menos atenção, pois morria de sono; mas tentava (e conseguia) não mostrar isso.

Mal percebeu que Omi dormia, e começou a cochilar até dormir profundamente também. Quando acordou na manhã seguinte, sentiu que a perna direita estava sendo abraçada e olhou para o lado, vendo o chibi dormir com o rosto colado à sua coxa e um braço por cima do joelho. Desvencilhou-se dele com cuidado para não acordá-lo e deitou-se, abraçando-o e sendo abraçado. Fechou os olhos e relaxou, até que um movimento na cama denunciou que Omi acordara.

- Aya-kun? - chamou baixinho.

- Hm? - continuou de olhos fechados.

- Eu... - aspirou seu perfume - vou poder ir ao colégio hoje?

- Iie - abriu os olhos, dando de cara com um belo par de olhos azuis – Até quando está ferido desse jeito você pensa nisso?

- Mas mesmo assim... por que eu não posso ir? - seus rostos estavam perigosamente próximos.

- Porque já passa das nove e você perdeu a hora - mexeu-se para levantar, e "acidentalmente" roçou seus lábios nos de Omi. Saiu do quarto passando a língua pelos lábios, tentando sentir o gosto do chibi e encontrou Yohji a caminho de seu quarto.

- A noite foi boa pra você também, é? - perguntou num ótimo humor.

- Dooshite?

- Você passar a noite no quarto de Omi não é comum, e levando em consideração que você gosta dele e ele de você... - insinuou.

- Por que acha isso? – estreitou os olhos

- Um palpite... mas vai acabar perdendo-o se não for mais... sensível com ele.

- Falou o senhor sensibilidade - ironizou.

- Você não vai conseguir acabar com o meu bom humor - avisou fazendo uma cara de convencido, que depois foi substituída por uma expressão séria - Sabe, às vezes, uma palavra gentil pode aquecer três meses de inverno.

- O que quer dizer com isso?

- Tire suas próprias conclusões, ué! - e desceu, cantarolando uma música.

- "Uma palavra gentil pode aquecer três meses de inverno"... - repetiu para si mesmo, sem entender o que aquilo queria dizer.

- Aya, o Omi já acordou? - Ken saiu do quarto de Yohji.

- Dooshite? – saiu de seus pensamentos.

- Eu queria falar com ele.

- Ele já acordou, sim - entrou em seu quarto.

- Ohayo, Omi! - entrou no quarto, encontrando-o com um ar sonhador.

- Ohayo, Ken-kun! - sorriu.

- Vejo que está feliz - sentou-se ao seu lado.

- Hai

- Então tem alguma coisa a ver com o Aya, né?

- Como sabe? Ehr... por que acha isso?

- Bom você gosta dele, não é? - recebeu um aceno afirmativo - E ele acabou de sair daqui, não foi? - outro aceno - Isso me leva a crer que aconteceu alguma coisa muito boa entre você e ele.

- É... mais ou menos isso. Mas você também está me parecendo bem feliz. Aconteceu alguma coisa?

- Eu estou... namorando.

- E quem é a felizarda? – exibiu um largo sorriso.

- Na verdade, é felizardo... - viu o loirinho erguer a sobrancelha - É o... Yohji...

Omi arregalou os olhos abismado - O Yohji? Mas eu pensei que...

- É, eu também pensei nisso no começo. Mas depois... bem as coisas mudam, né?

- É... mas bem que uma pessoa podia mudar.

- Está falando do Aya?

- Hai... Ele podia ser mais... sensível. Mas nem tudo é perfeito.

"É mais do que você pensa..." - Quer um conselho? Não fique olhando a vida passar; faça alguma coisa.

- O que você quer dizer com isso? Está querendo dizer que eu não faço nada da vida?

- Não, bobo! Estou dizendo que você deve declarar-se a ele!

- Está louco? Ele vai é me matar se eu fizer isso. Não quero correr esse risco... estarei mais perto dele vivo do que morto.

- Você que sabe... e não fique chorando na frente dele por qualquer coisa: lágrimas não são argumentos.

- Mas eu não choro/ chorei na frente dele(ainda)! Por que está me dizendo isso?

- Para te prevenir de alguma coisa que possa acontecer no futuro - fez um "cafuné" em sua cabeça e levantou - Agora eu vou descer pra trabalhar, antes que leve uma bronca, Yohji não deve estar dando conta de tudo sozinho com a perna daquele jeito.

- Tem razão... vou pensar no que você me disse. Arigatou.

- Aya, o que está fazendo aqui? - perguntou Ken ao vê-lo parado perto da porta.

- Eu também moro aqui, esqueceu? Pare de ficar fazendo perguntas inúteis e vá trabalhar.

- E você?

- Daqui a pouco eu vou - enxotou-o dali e entrou no quarto de Omi - Quer alguma coisa pra comer, Omi?

- Iie. Estou sem fome. Depois eu desço e como alguma coisa.

- É verdade o que você disse ao Ken?

- O que?

- Não se faça de desentendido. Eu ouvi muito bem quando disse a ele que eu o mataria se se declarasse a mim. Por que acha isso?

- Bom, é que... - fora pego totalmente desprevenido; não era pra ele ter ouvido - Você é tão sério e... frio, que eu...

- Isso é o que você deduziu. Por que não tenta e vê se isso tem fundamento ou não?

- A-agora?

- Não! Daqui a vinte anos! - ironizou - É lógico que é agora, Omi!

- Mas do que vai adiantar se você já sabe...? Não faz sentindo.

- Não é pra fazer sentido. Apenas responda: você me ama ou não? - agora fazia questão de ouvir palavra por palavra, letra por letra. Precisava ouvir.

- E-eu... não posso dizer. Não assim. E de que me adiantaria se você não vai dar a mínima? Você nunca se importou com ninguém mesmo, exceto sua irmã.

- Eu já disse que me importo com você! - impacientou-se.

- Não é só isso que quero de você. Eu preciso do seu amor... ser amado, entende? Não apenas amar sem receber o mesmo em troca. Você diz se importar comigo, mas vive me dando broncas, ordens e me corrigindo por qualquer coisa. De que isso vai valer pra mim? - seus olhos começaram a ficar marejados, mas não ia chorar na frente dele - Você nunca foi gentil ou demonstrou essa "importância" que tenho pra você...

"Uma palavra gentil pode aquecer três meses de inverno... entendi"

- Gomen ne. Mas eu não sei ao certo como... lidar com isso. Eu me preocupo com você, como nunca pensei que fosse me preocupar. Sei que não parece e que você pode não estar acreditando no que digo, mas você ainda não me conhece o suficiente para tirar conclusões.

- Como assim, "ainda não me conhece o suficiente"?

- Por que não diz "eu te amo" ou alguma coisa do gênero pra ver o que acontece? – desafiou.

"Só pode ser um sonho...! Mas eu vou aproveitar e dizer/fazer tudo o que quero e tenho direito! Afinal, é só um sonho... se eu me arrepender depois, é só acordar e tudo estará terminado."

- E-eu... te amo... – murmurou. Era estranho dizer isso assim, desse jeito, sem clima algum. E mais estranho ainda foi o que aconteceu a seguir. Aya aproximou-se e lhe beijou suavemente, sem pressa ou afobação alguma. Um beijo simples, mas que expressava todas as palavras que poderia dizer ao jovem garoto à sua frente – Aya-kun...? - ficou confuso com aquele gesto; caiu na real e viu que não era um sonho.

- Não gostou? - afastou-se um pouco

- Não, não é isso. É que... é estranho - observou tocando os lábios - Nunca imaginei que...

- Você acha que por eu ser sempre tão frio e quieto não poderia nutrir sentimentos por alguém? - interrompeu - É por isso que disse que você não me conhecia o suficiente.

- Mas...

- Não era isso o que queria? - interrompeu novamente - Ou agora viu que não era bem assim? Se for isso, tudo bem. Voltamos a conviver como antes e esquecemos o que aconteceu aqui - seu coração batia violentamente tentando se livrar do aperto e da dor que o acometeu.

- Não é isso, eu...

- OK - interrompeu de novo - Já estou mais que acostumado a ser deixado pelas pessoas que amo e viver sozinho, mas a dor é sempre uma pior que a outra - levantou-se decidido a sair do quarto e (tentar) esquecer que um dia amou aquele garoto. Amou? Ama. E nunca deixará de amar, à seu modo, por mais que queira.

"'Não fique olhando a vida passar, faça alguma coisa'. Não vou deixar que vá embora assim, Aya!" pensou Omi.

- Aya-kun! - segurou seu pulso - Escuta, ou tua língua te tornará surdo. – estranhou-se por estar dizendo uma coisa dessas, mas tinha coisa mais importante pra dizer no momento do que ficar divagando sobre isso - Desta vez deixe-me falar.

O ruivo parou, ainda de costas. Não queria se virar, seus olhos estavam marejados, e por mais que tentasse evitar, não conseguiria conter as lágrimas para sempre.

- Se me ama, por que está desistindo sem nem ao menos começarmos alguma coisa?

- ... - fechou os olhos e uma lágrima rolou solitária.

- Se está com medo de que eu algum dia eu vá deixá-lo, esqueça isso! Amei-o e amo-o demais para cometer tal erro - ficou de pé e foi mais perto do ruivo, abraçando o braço que antes segurava - Por que não tentar, Aya? - olhou pra cima e viu que este chorava, embora ainda estivesse de olhos fechados - Até mesmo Yohji-kun e Ken-kun estão juntos, coisa que eu achava ser impossível.

- É... - abriu os olhos encarando um azul profundo dos olhos de Omi - Por que não tentar? - e sorriu, abraçando-o como a muito tinha vontade de fazer. Apertou-o contra si, temendo perdê-lo caso soltasse.

Ficando na ponta dos pés, Omi alcançou os lábios finos de Aya, roçando os seus com os dele. Aya então pegou-o no colo enquanto explorava a pequena boca com sua língua, provando do doce néctar ali escondido. Sentou na beirada da cama, com Omi ainda em seu colo, ainda beijando-o, e surpreendeu-se quando o jovem começou a tirar seu suéter alaranjado.

Por um momento, Omi pensou ter feito algo de errado, pois Aya deixara sua boca. Mas então percebeu que estava se preocupando demais à toa, pois logo sentiu a boca do ruivo percorrendo seu pescoço, causando arrepios que percorriam toda a espinha. Timidamente, levou suas mãos até o corpo à sua frente, e ao tocá-lo pôde sentir a pele nua arrepiando-se ao leve toque. Moveu-as até as costas, sentindo alguns músculos, explorava pouco a pouco cada pedacinho, ao mesmo tempo que excitava Aya inconscientemente em sua inocência. Estava de olhos fechados, e por isso não notou quando Aya começou a tirar suas roupas, só o fez quando sentiu o toque das mãos delgadas tocando sua pele alva.

Guiados pela paixão e pelo prazer, não se importavam com o que faziam, apenas faziam. Aya sentia que Omi o queria, e Omi sentia que Aya também o que queria; não era preciso saber de mais nada, seguiriam apenas seus instintos. Ambos os corpos agora nus tocavam-se em carinhos suaves em meio aos beijos trocados por horas. Exploravam-se com mãos cálidas, procurando conhecerem-se melhor, desvendar todos os segredos ali ocultos.

Estavam tão bem, tão certos juntos daquela forma, que Omi quase não sentiu quando um dedo deslizou para dentro de seu corpo e começou a explorar aquele lugar também. Não sentiu também quando um outro dedo se juntou àquele que já começava a proporcionar-lhe uma sensação gostosa de estar sendo completado. Quando achou que já era o suficiente, Aya posicionou-se entre as pernas do jovem e começou a penetrá-lo vagarosamente, atento à qualquer reação de dor por parte de seu pequeno amante. Mas no momento, a dor não tinha espaço dentro do corpo de Omi, o prazer já o inundava, e logo se sentiu completo quando tinha o membro rijo de Aya dentro de seu corpo.

Ambos começaram a mover-se em sincronia, como se fosse uma dança. Aya entrava e saía do pequeno corpo abaixo de si, sendo tomado por um prazer que aumentava dentro de si a cada vez que a carne envolta de seu sexo se contraía, tornando tudo mais perfeito ainda. Levou uma das mão até o membro pulsante de Omi, e começou a masturbá-lo. O loirinho, tão tomado pelas sensações que percorriam seu corpo, já nem ouvia mais nada, apenas sentia. Queria Aya preenchendo-o completamente, e gemia pedindo por isso, deixando o ruivo mais louco de prazer.

Quando não agüentou mais, Aya finalmente fez a vontade de Omi e preencheu-o com um jorro de esperma, fruto de seu prazer. Deslizando pra fora do jovem Weiss, envolveu o pênis de Omi com a boca, sugando-o intensamente, sem parar, até que sentiu em sua boca o gosto de seu koi, que sentia que sua energia estava saindo de seu corpo por todas as partes.

Desabados na cama, deram um último e longo beijo antes de se entregarem a um sono tranqüilo e profundo, onde provavelmente sonhariam um com o outro e quando acordassem já não se lembrariam mais da história vivida no mundo dos sonhos. Ignorariam sua existência enquanto estivessem juntos, já que só o fato de estarem ali, se amando, já era quase um sonho.

OWARI

Nota: Agradeço muito à Evil Kitsune, por ter me ajudado nesta fic e também ter me dado uns toques Arigatou!

Akemi Hidaka

Abril de 2003

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