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Capítulo 11 - Regresso
Harry olhou para a tão conhecida locomotiva vermelha. Lá estava ela outra vez, viva, acordada, esperando para levar mil alunos excitados e ansiosos para mais um ano escolar. Percorreu o trem com os olhos sentindo, estranhamente, carinho pela máquina. Ela já abrigara seus pais, Lupin, Sirius... já levara dentro de si aqueles que um dia foram apenas alunos de onze anos inseguros para o que viria. Prof. McGonagall. Dumbledore. Voldemort. Sim, o objeto que parecia ganhar vida elevando sua fumaça ao céu presenciara a muitos momentos, e com certeza tinha muita história pra contar...
Harry olhou ao redor, tentando gravar na memória cada detalhe do que via. Quem sabe não fosse mesmo a última vez que participaria de um volta às aulas? Quem saberia dizer o que lhe guardava o futuro? Bem, se não fosse a última, era a penúltima, disso tinha certeza. Mais dois anos e adeus, Hogwarts.
Um menininho loiro recebia conselhos da mãe, que parecia estar mais receosa do que ele. Ele rolou os olhos, e fez um gesto com a mão, sinalizando que já havia entendido, mas a mãe continuou a falar. O garotinho disse algo que a calou e a fez olhar comovida para o filho. Depois, se abaixou e deu-lhe um grande abraço, depositando beijos em suas bochechas. O menino sorriu, retribuindo o abraço da mulher, e em seguida seguiu para o trem, de onde abanou para a mãe da porta. Ela abanou de volta.
Harry observava-os, lembrando que no seu primeiro dia em Hogwarts ninguém o abraçara ternamente, nem beijara suas bochechas e nem lhe dera conselhos. Sua mãe não estava lá com ele, mas morta, e os Dursley pouco se importaram. Como seria se tivesse mãe? O que ela faria, o que diria, como o trataria? Naquele momento, tudo o que Harry mais ansiava era de um abraço materno.
-Vamos, Harry, do contrário não conseguiremos cabine – a voz de Hermione o tirou de seus pensamentos, e ele viu que a amiga já entrava no trem, seguida de Rony. Segurando a alça de seu malão, ele foi atrás.
Na metade do trem, encontraram uma cabine vazia.
-Nem posso acreditar que já se passaram dois meses desde que pisamos neste trem! As férias mal começaram e já são aulas de novo! – exclamou Rony, deixando cair os braços, com ar desapontado.
-Ora, do que é que você está reclamando? Foram dois meses de descanso, e eu digo pra vocês que já não agüentava mais! Só de pensar que iremos aprender coisas novas, bem, isso é realmente empolgante.
-Só você mesmo, Mione, para preferir trocar as férias por deveres e aulas – disse Harry, rindo, e fazendo com que a menina ficasse ligeiramente desconcertada.
-Ah, bem, eu... Ah, falem sério, vocês não estavam com saudades de Hogwarts? – ela perguntou, incrédula.
-De Hogwarts, sim. Dos deveres e provas, não - respondeu Rony, com um meio sorriso, sentando-se logo em seguida dos outros. Dirigindo o olhar à porta, ele a viu abrir e Neville Longbottom entrar.
-Hei! Finalmente achei vocês!
-Olá, Neville! Como foram as férias? – perguntou Hermione simpática, arrastando-se para o lado no banco e deixando espaço para o recém-chegado sentar.
-Boas. Passei três semanas na Itália com a minha avó. Vocês não imaginam o que é o verão deles, muito mais quente do que aqui! E no resto das férias fiquei por aqui, mesmo.
-E... ahn... e os seus pais, Neville? Como estão? – Harry esperava que, ao fazer a pergunta, o menino ficasse meio desanimado, mas ao contrário: ele abriu um largo sorriso.
-Obrigado por se preocupar, Harry. Mas eu tenho boas notícias: eles estão melhorando! Os médicos falaram que parece que estão voltando a recuperar a sanidade. Quer dizer, parece, né, mas só de haver a possibilidade já é bom.
-Com certeza – disse Hermione.
-É. Acho que eu nunca deveria ter escondido isso de vocês. Eles são meus pais, do jeito que estão. Mas e vocês, o que fizeram?
-Ah, nada de muito especial. Ficamos as férias juntos, sim, mas... – começou Rony, mas foi interrompido por Neville.
-Ah, agora eu me lembrei! Como assim não aconteceu nada de especial, Rony, se saiu na primeira página do Profeta Diário o que aconteceu em um parque! Foi horrível! E parabéns, pra vocês. Foram muito corajosos.
oooooooooo
Hermione, Harry e Rony sentaram-se na mesa da Grifinória, e imediatamente olharam para a mesa dos professores, querendo saber quem ocuparia o cargo de Defesa Contra a Arte das Trevas. Mas não havia professores novos. A única diferença é que tanto Trelawney como Firenze estavam ali.
Porém havia, sim, uma pessoa desconhecida sentada na mesa dos professores, ao lado de Minerva McGonagall. Uma jovem bonita, de cabelos cor de mel compridos logo chamou a atenção do trio.
-O que uma aluna está fazendo na mesa deles? – indagou Harry, com o cenho franzido.
-Talvez ela seja de outro país, e se mudado para a Inglaterra. Conseqüentemente, mudando de escola – respondeu Hermione, não dando muita importância para o fato.
-É, mas o quê ela está fazendo lá? – perguntou Rony.
-Esperando a Seleção, talvez.
-Mas Harry, ela não deveria estar junto dos alunos do primeiro ano, esperando para pôr o Chapéu Seletor na cabeça e ir para uma casa?
-Logo saberemos, Rony, acalme-se e, olhe, lá vem McGonagall com os primeiranistas –falou Hermione, apontando para a entrada do Salão Principal.
A professora de Transfiguração Minerva McGonagall colocou o banquinho de três pernas na frente da mesa dos professores, com um chapéu velho e surrado em cima do mesmo. No instante seguinte, o chapéu abriu um rasgão, que seria sua boca, e começou uma canção, que nesse ano falava de perigos, deixar de lado os preconceitos, e união, em tom muito mais grave do que no ano anterior.
A Profª McGonagall desenrolou um pergaminho.
-Quando eu chamar seus nomes, sentem-se no banquinho e coloquem o chapéu na cabeça. Priscilla Alden!
Uma menina pálida (e de olhar aterrorizado), com os cabelos loiros presos em um alto rabo de cavalo se aproximou, arrastando os pés, lentamente. O chapéu, que afundara até o meio da cabeça da menina, gritou após alguns segundos.
-Lufa-Lufa! – Priscilla Alden correu até a mesa da, agora, sua casa.
-Charles Carrol! – chamou Minerva.
O menino que Harry observara na estação de trem se aproximou e abriu um longo sorriso ao ser selecionado para a Grifinória.
-Marsha Denno! – a garota havia ido para a Corvinal.
-Lucia Dokey! – uma sonserina.
A professora chamou mais nomes, e os alunos já sentados estavam cansando de bater palmas. Parecia que havia mais alunos entrando no mundo mágico do que o comum, e Harry tinha a desconfiança de que era por causa da guerra que estava se formando.
Após terminada a Seleção e Minerva McGonagall ter voltado (ela havia saído para guardar o banquinho e o chapéu), Dumbledore iniciou seu tradicional discurso de início de ano.
-Bem vindos! Aos que chegam esse ano, um bom princípio, e aos que já estão aqui de longa data, um bom retorno. Sinto informa-los que este talvez seja um ano conturbado, já que Voldemort, além de ter retornado, já se manifestou – alguns alunos se encolheram ao ouvir o nome do Lorde das trevas, e Dumbledore olhou para Harry, Rony, Hermione, Gina e Luna – Gostaria de dizer aos primeiranistas, esperando que o restante já saiba, que a Floresta Proibida é proibida. Agora anúncio sobre os professores: Firenze e Sibila Trelawney continuarão dando juntos as aulas de Adivinhação.
-Ainda bem que não temos mais isso – cochichou Rony para Harry.
Dumbledore continuou.
-Também gostaria de apresenta-los a sua nova professora de Defesa Contra a Arte das Trevas, já que a Sra. Dolores Umbridge se encontra incapaz de lecionar. Uma salva se palmas, por favor, à Profª Delancey Daaé.
A jovem ao lado de McGonagall se levantou com um sorriso estampado no rosto. Os queixos dos alunos caíram.
-É ela? – balbuciou Rony, perplexo – A nova professora? E nós pensando que era uma aluna!
-Parece tão jovem! Eu daria sexto ou sétimo ano, para ela! – disse Hermione, também espantada.
A Profª Daaé esperou as palmas cessarem para começar a falar.
-Em primeiro lugar, gostaria de agradecer ao Prof. Dumbledore pela oportunidade de dar aulas em Hogwarts – ela olhou para o diretor, que sorriu – Em segundo lugar, quero agradecer aos outros professores, por terem me acolhido tão bem. – seus olhos se encontraram rapidamente com os de Severo Snape, professor de Poções, e Harry percebeu que ele era o único que não havia "acolhido tão bem" Delancey Daaé. Que sabia perfeitamente disso. – E quanto a vocês... – ela fez uma pausa, olhando os alunos – No fim do ano eu agradeço, se merecerem...
Todos no Salão riram, e a professora sentou-se. Dumbledore levantou-se, sério.
-Antes de comermos, desejo dar mais uma palavrinha, e desejo a atenção de todos.
Devido ao tom de voz do diretor, fez-se silêncio absoluto no mesmo instante. Ele continuou, gravemente:
-A guerra existe. Os tempos estão sombrios e o perigo é constante. Nós vos pedimos com insistência. Não digam nunca "isso é natural!". Diante dos acontecimentos de cada dia, numa época em que reina a confusão, em que corre o sangue, em que o arbitrário tem força de lei, em que a humanidade se desumaniza, não digam nunca: "isso é natural!". Para que nada possa ser imutável. Obrigado.¹
Dumbledore estalou os dedos, e as travessas vazias nas mesas se encheram das mais variadas culinárias. Mas ninguém pareceu perceber isso: a maioria ainda estava absorta nas últimas palavras do diretor.
Aos poucos, o barulho foi voltando, e as conversas recomeçaram.
-Ei, o que vocês acharam dessa nova professora? – perguntou Simas Finnigan sentado na frente de Harry.
-É a maior gata – respondeu Dino Thomas, recebendo um tapinha no braço da namorada, que estava ao seu lado e risadas dos demais – Ai, Gina, isso dói!
-Era pra doer mesmo!
-Dizer que ela é bonita não significa que eu vá, sei lá, largar você, ou o que quer que tenha passado na sua mente doida. Ou eu sou por acaso o único garoto que você acha bonito?
Gina levantou uma sobrancelha.
-E quem disse que eu acho você bonito? – a gargalhada foi geral. Gina até que tentou segurar o riso, mas não conseguiu. Em seguida, deu um beijo na bochecha do namorado, ainda meio rindo. – Eu to brincando...
Dino fingia mágoa. Rony parecia não estar gostando nada da cena que via, e Harry encarava o próprio prato.
-Mas falando sério, agora, o que vocês acharam dela?
-Me pareceu bem humorada. E pessoas bem humoradas costumam ser legais – respondeu a caçula Weasley, enquanto se servia de um pedaço de pernil.
-Concordo. Mas ela pode muito bem estar se fazendo de boazinha, para depois se revelar como uma terrível e maquiavélica comedora de criancinhas! – falou Simas, abaixando o tom de voz teatralmente e se inclinando para frente, como se estivesse contando um horrível segredo. Os amigos riram.
-Simas, eu acho que você anda lendo muitos contos trouxas – falou Harry entre risos.
-Não venha me dizer agora que ela mora em uma casa feita de doces! – zombou Hermione, mas Simas pareceu não entender.
-É uma historinha trouxa, João e Maria – Dino explicou.
-Vocês viram o modo como Snape parecia não ter gostado dela ocupar o cargo? – Neville intrometeu-se na conversa.
-É óbvio que não, ele quer esse lugar há séculos – resmungou Rony, tomando um gole do suco de abóbora.
Por que será que Dumbledore não aceita? – indagou Harry, mais para si mesmo do que para os outros. E sem conseguir responder, o grupo passou para outros assunto.
oooooo
Harry cerrou o cortinado da cama. No dia seguinte, tudo voltaria ao normal, e ele acordaria cedo para receber seu horário de aulas. E ele ainda queria dar uma passada na casa de seu amigo meio-gigante Hagrid...
"Que saudades que eu estava disso tudo aqui"pensou, já deitado na cama. E com esses pensamentos, adormeceu.
N/A: Quatro meses sem postar... que vergonha. E o capítulo já está pronto ha muito tempo.
Assim, pessoinhas lindas do meu coração. Eu ando meio desanimada com essa fic. Não que eu não queira mais, porque eu tenho uma história ótima (eu acho, ao menos) que eu não quero jogar fora, mas não sei quando vou atualizar de novo. Não vou parar com a fic, mas vou suspender. Minhas prioridades são outras... Mil desculpas para os muito poucos que acompanham. Repetindo: não estou abandonando. Apenas dando um tempo... Um dia eu volto. Mas assim fico com a minha consciência mais tranquila, deixando vocês avisados...
Lisa Black: fico feliz que tu tenha gostado do capítulo! Espero que tenha gostado dessa aqui também, apesar de minúsculo... Nossa, faz mais tempo ainda. Agora não são mais dois, mas seis meses que tu tá de óculos. hsuhaushau O que a Petúnia queria dizer? Bem, ela quis dizer uma coisa. Um segredo... que um dia eu volto a contar. Mas agora eu quero me dedicar à minha T/L. Parei com essa porque não consigo manter dois grandes projetos juntos, acho... Ah, e eu quero falar contigo sobre uma idéia que eu tive, e que eu quero te convidar pra fazer comigo... Uma idéia Perversa... xDD Bem, bem, to indo. Beijooos!
Deixem reviews. Quem sabe assim eu não me animo de novo e volto a escrever?
Beijos!
Mimi Granger.
¹: De "nós" até "imutável" : essa frase é de Brecht. Dêem os créditos a ele (imaginado que é um "ele").