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É ASSIM QUE VOCÊ ME LEMBRA...
Arashi Kaminari
Acordou com uma bandeja de café da manhã em seu colo e com o belo sorriso de seu irmão caçula. Quase havia se esquecido que Shun tinha passado a noite em seu apartamento. Apesar de ter se esforçado para aparentar casualidade; Shun, ainda assim, pareceu-lhe preocupado na tarde do dia anterior – mas não fez perguntas. Agradeceu silenciosamente por isso. Ainda não estava pronto para conversar sobre... a briga? Não. O rompimento com Shaka.
Sentia-se um fraco por ter chorado por um relacionamento perdido. Parecia uma colegial perante a decepção do primeiro amor. Ainda estava devastado, mas sentia a força voltando aos poucos dentro de seu ser.
Comeu e levantou-se da cama em seguida, começando a se arrumar. Shun tornava-se uma fera quando o atrasavam pela manhã. Era uma das poucas coisas que o irritavam.
Trancou o apartamento debaixo dos protestos de Shun, que já havia solicitado o elevador e que no momento presente segurava a porta. Apressou-se e entrou, deixando sua mochila com Shun, enquanto punha sua famosa jaqueta jeans preta.
Quando pegou sua mochila novamente, seus olhos azuis cruzaram com os inconfundíveis orbes avermelhados. Ajeitou-se e fitou o dono daqueles orbes diretamente, enquanto o outro fazia o mesmo. Shun interveio assim que sentiu o clima ficar tenso.
"Ah Ikki! O Mime me ajudou a..."
"Não pense que irei agradecer." – cortou Ikki, rudemente – "Eu havia dito para dar o fora." – terminou, jogando a mochila por cima de um dos ombros.
"Ikki!" – exclamou Shun, indignado.
"Bom dia para você também, Ikki. Não precisa agradecer. Seu irmão já o fez."
O elevador chegou ao térreo no exato momento que uma discussão matinal estava prestes a estourar. As portas se abriram e logo, Shun puxou Ikki pelo braço e levou-o dali.
Passou como um raio pela entrada do prédio. Nem ao menos dirigiu a palavra ao porteiro, muito menos um simples gesto como cumprimento.
Shun seguiu-o em passos apressados. Sabia que Ikki apenas havia usado a sua camuflagem para não se machucar. Afastava tudo e todos que pudesse ter um "desnecessário" vínculo emocional. Achava que Ikki pensava que se não houvesse contato, estaria evitando a dor. Mas o sofrimento é algo que não podemos evitar. Ele nos persegue e sempre nos acha, por mais que nos escondamos.
Conseguiu alcançá-lo na calçada. Agarrou-lhe o braço, fazendo-o parar. Olhou bem dentro daqueles olhos azuis e por um breve instante pôde ver todo o desespero que seu irmão guardava consigo.
Foram interrompidos pelo barulho da aproximação do carro de Mime.
"Querem uma carona?" – ofereceu Mime, gentilmente.
"Eu vou de ônibus." – bufou Ikki, retirando-se.
"Ikki!" – tentou chamar seu irmão – "Desculpa, Mime."
"Sem problema. E então!"
"Eu vou com ele. Mesmo assim obrigado. A gente se vê na faculdade."
Estavam calados desde o momento em que entraram no ônibus lotado. O coletivo era o karma de Ikki; sempre cheio para ir a faculdade, para voltar para casa e ir ao trabalho. Também ninguém havia mandado trabalhar no horário, que normalmente, as pessoas estão voltando de seus empregos.
Acomodaram-se ao fundo, onde havia menos movimento e era mais perto da saída. Rapidamente uma sorridente jovem e sua amiga ofereceram-se para segurar seus materiais. Ikki fingiu que não era com ele; enquanto Shun agradeceu, deixando sua mochila e a de Ikki – contra a vontade do dono – com as meninas.
Bateu levemente com o quadril em Ikki; arriscando uma conversa.
"O que você tem contra ele? Melhor, o que você tem contra todo mundo? Pensei que já tivesse se recuperado." – começou, quase num sussurro.
"Há coisas que não existe cura." – respondeu com certo pesar.
"Mas já passaram onze anos, Ikki."
"Para mim é como se fosse ontem." – afirmou, melancolicamente.
"Do que exatamente está falando?"
"De tudo. A morte dele, da nossa mãe... o Shaka."
"...Eu... Eu posso perguntar o que houve ontem com o Shaka? Brigaram...?"
"Não." – respondeu, deixando um sorriso amargo lhe escapar pelos lábios – "Por mais incrível que pareça, não brigamos."
"O que houve então?" – perguntou, esperando pelo pior.
"Acabou."
"Acabou? Como assim acabou?"
"Acabou. Como tudo acaba, acabando."
"Quem terminou?"
"Eu." – disse seriamente, olhando para a janela a sua frente – "Qual é Shun! Quem você acha que terminou!" – irritou-se, voltando-se para o rosto de seu irmão caçula.
"Desculpe-me."
"Não, esquece. Sou eu quem deve desculpas."
"Não se liga nisso. Ele disse o por quê?"
"Não..." – agradeceu e pegou as mochilas com as meninas, que não paravam de rir e cochichar – "Quer dizer, disse em enigma como sempre. Era para ser assim."
"O Shaka é um idiota!" – expressou em voz alta seu pensamento sem querer. Olhou para um mudo Ikki, que agora dava o sinal, e tentou consertar a situação – "Desculpa, eu..."
"Pelo o quê! Ele é mesmo." – confirmou, com um sorriso de lado.
"Ikki..."
"Vamos! Não quero que me culpe por ter chegado atrasado."
Assim que chegaram, Ikki fundiu-se a multidão do campus. Havia falado mais do que pretendia. Sentia-se mais aliviado por ter desabafado, mesmo que não o tivesse feito por completo. O melhor no momento era dar uma olhada em sua moto.
Shun observou-o se distanciar. Ikki estava fugindo novamente. Precisava ajudá-lo. Piscou seus olhos num segundo e no outro eles já estavam capturados por duas mãos, que lhes privaram da luz.
Acariciou as mãos com as pontas de seus dedos. Percorreu círculos imaginários até pronunciar doces palavras e ter seus olhos verdes libertos. Voltando-se para a dona das mãos tão macias, sorriu-lhe. A dona do seu coração era tão linda e carinhosa. Era o cara mais sortudo do mundo por tê-la ao seu lado.
"Bom dia, meu amor!" – cumprimentou com um roçar de lábios.
"Bom dia, June!" – devolveu o cumprimento, colando a sua boca a de sua namorada. Deixou que sua língua vagasse dentro da boca dela, até que sentissem necessidade de respirar novamente.
"Adoro quando você faz isso!" – declarou June, um pouco ofegante.
"Ótimo então!" – sorriu de encontro aos lábios da garota, abraçando-a pela cintura.
"O que houve!" – perguntou ao namorado, ao perceber que Shun lhe escondia algo. – "Você não me engana. Aconteceu algo. Liguei para você ontem, mas não estava em casa."
"Eu fiquei na casa do Ikki. O Shaka terminou com ele."
"Que chato! Sinto muito..."
O sinal tocou, chamando todos os alunos para a aula. Puderam ser ouvidos muitos resmungos. Os alunos foram se despedindo e tomando o rumo de suas respectivas salas, enquanto o estridente som do sinal ainda se fazia presente.
June abraçou Shun mais forte, amassando-se deliberadamente nele em meio ao pátio ainda repleto de alunos. Deu-lhe um beijo no pescoço e despediu-se, prometendo encontrá-lo após a aula para irem almoçar juntos e conversar. Shun observou a namorada se afastar, para então procurar por Ikki. Sentiu mãos em seus ombros e logo uma voz rouca lhe entrou pelos ouvidos.
"Bom dia, meu anjo."
"Eu vou precisar repetir quantas vezes para você parar de me chamar de anjo?" – indagou sem paciência alguma.
Hyoga o tirava do sério. Tudo bem que já se conheciam desde pequenos, mas isso não lhe dava o direito de agir da forma como a qual se portava. Sem falar que não entendia o motivo pelo qual Hyoga o havia escolhido para essa brincadeira, que na sua concepção não tinha alguma graça. Seu amigo sempre soube que era apaixonado por sua namorada e mesmo que não tivesse nada contra relacionamentos homossexuais, não pretendia ter um e muito menos, trair June.
"Calma! Eu não fiz nada de mais." – atestou, afastando-se em alguns passos, com as mãos levantadas.
"Ainda."
"Você não confia em mim! Magoou!" – fez um biquinho, ganhando um sorriso genuíno de Shun. Sabia que o garoto de cabelos verdes não conseguia ficar chateado com ele por muito tempo. – "E então! Agora é sério? Eles terminaram pra valer?"
"O quê! Você estava escutando? Abusado!"
"Deixe os xingamentos para mais tarde. Responda, por favor."
"Apesar de não ser da sua conta; sim, eles terminaram para valer. Satisfeito?"
"Ainda não!" – e com isso, beijou os lábios de Shun como fazia em todas as manhãs, deixando-o possesso como de costume.
Caramba gente, quanta pergunta. Não posso dizer nada, porque senão a fanfiction perde a graça. Para saberem as respostas, basta acompanharem as postagens. Valeu pelos comentários.