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Anime/Manga » Sailor Moon » Cruzeiro dos Sonhos
Arashi Kaminari
Author of 59 Stories
Rated: T - Portuguese - Romance - Haruka T./Sailor Uranus & Michiru K./Sailor Neptune - Reviews: 5 - Updated: 04-27-05 - Published: 11-14-04 - Complete - id:2134362

CRUZEIRO DOS SONHOS
Arashi Kaminari

Capítulo 3

Michiru POV

Por insistência de meu pai, que era amigo do capitão do cruzeiro, apresentamo-nos naquela noite. Sim, nos apresentamos: meu violino e eu. Desde pequena fui ensinada a aprender sobre tudo e sobre todos em meu tempo livre. Na verdade, nunca tive um tempo para pensar em mim e em nada. Sempre havia algum compromisso, alguma aula, alguém me esperando. Aquilo era frustrante.

Em pensar que as coisas piorariam com meu casamento, minha relutância somente aumentava. Eu não estava pronta para ser mantida presa em uma gaiola, assim como nunca estive. Sempre fui um pássaro silvestre preso nas grades da riqueza. Ela não trazia tanta felicidade quanto diziam.

Subi ao palco logo após o jantar. Muitas pessoas de renome estavam presentes a pedido do capitão e em consideração ao meu pai, que era um homem de prestígio em seu meio.

Ajeitei o violino sobre meu ombro e descansei meu queixo em uma de suas extremidades. As luzes sobre os convidados baixaram, dando ênfase a minha pessoa. Nunca me senti tão notada como naquele momento. Ter tantos olhos vidrados a sua performance é uma situação apavorante, principalmente quando sua família espera o melhor de você. Um erro e todo aquele orgulho que seus pais vivem a dizer que sentem, desaparece com a sua alegria. Eu não queria passar por aquilo.

Fechei meus olhos e respirei fundo. Era o violino e eu. Eu e o violino. Pelo menos era o que eu gostava de imaginar a mim mesma. Uma forma de me acalmar perante todos. Iniciei uma triste melodia. Sinceramente não era a que eu tinha em mente, mas algo me fez tocá-la.

Em nenhum momento pensei em apressá-la ou cortá-la com outra melodia. Ela parecia muito certa para mim, enquanto eu tocava. E assim eu continuei até sentir que as notas tocadas se suavizaram aos poucos, sem minha intenção. Uma calma tomou conta do meu coração abatido. Senti-me tão leve, que não acreditei ainda estar tocando no palco.

Abri meus olhos e deparei-me com aquele olhar azul que me matava aos poucos. No fundo da sala, ao lado de um homem igualmente belo, Tenou me fitava com um olhar gélido. Eu não sabia qual de nós duas precisava de mais ajuda, mas eu gostava de pensar que ela tinha mais problemas. Era mais fácil. Além do mais, aquele olhar triste ajudava bastante manter tal pensamento.

Fechei meus olhos e sorri. Meu corpo estava cometendo atos sem meu comando. Estava perdida. Tentei fingir que estava só com meu violino, mas essa tentativa de fuga já não me servia mais. Terminei a apresentação tentando me acalmar por entre minhas inspirações. Não lembro quando exatamente toquei o último acorde, apenas me recordo de ouvir a salva de palmas direcionada a mim.

Procurei por Tenou com os olhos e não a achei em nenhuma parte do imenso salão. Desci do palco com classe e meu pai veio em minha direção. Não tive a mesma reação. Saí correndo do recinto, antes que começassem os cumprimentos e elogios. Não era aquilo que eu precisava naquela hora.

Dirigi-me às escadas que levavam para o nível inferior. Queria ficar um tempo sozinha. Atordoada como eu estava, tentar me esconder no toalete não seria uma boa idéia. Minha mãe logo me acharia. Eu queria mesmo era achar a lavanderia. Creio que seria o último lugar ao qual ela me procuraria. Até vasculhar todo o navio e faltar o último dos níveis, já teria tido tempo para me acalmar.

Qual não foi a minha surpresa quando encontrei Haruka, ao pé da escada, frente a um dos meus quadros. Aquele que eu mais odiava. Parei onde eu estava e fiquei a observá-la. Sabia que a garota estava pensando o mesmo do que eu. O fim do mundo não era algo bom para se ver e muito menos para se viver. Seu interesse era tanto, que eu tive a maior de todas as certezas: Haruka via e sentia o mesmo.

Não demorou muito para ela perceber minha presença. Olhou-me por cima do ombro e voltou para a posição anterior em seguida, dando-me novamente as costas. Desci as escadas e pus-me ao seu lado, admirando o quadro – que estava em meio a tantos outros na parede daquele corredor – juntamente com ela.

"É estranho como uma pessoa como você, envolta de toda a beleza que a riqueza pode lhe oferecer, imaginar algo tão terrível quanto isso." – Haruka sussurrou-me, sem me olhar nos olhos.

"Talvez porque não seja minha imaginação... É o futuro."

"Infelizmente..." – admitiu – "Estamos caminhando para esse fim."

"Ele te persegue todas as noites, não?"

"Eu não quero falar sobre isso. Eu quero apenas competir."

"Tudo bem..." – concordei com a garota, abaixando minha cabeça.

"Eu desejo que não me siga mais." – Haruka terminou nossa conversa, seguindo pelo corredor.

"Eu não quis essa missão." – eu disse, sem conseguir detê-la com minhas palavras – "Eu nunca procurei por ela, assim como muitas outras coisas que me encontram sem que eu queira nessa vida. Meu único desejo é tocar violino."

Haruka parou no final do corredor, porém ainda se mantia de costas. Ao menos eu tinha certeza que havia me escutado. Mas antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, minha irmã me alcançou, chamando-me do meio da escadaria.

Pedi licença e me retirei. Nenhum ato mudaria o nosso destino aquela noite.

oOo

Dias depois já estávamos em Monte Carlo. Naquela tarde Haruka Tenou correria. Era minha chance de tentar convencê-la a me ajudar a salvar a humanidade. Porém eu mesma não era capaz de acreditar em minhas próprias palavras. A humanidade é uma palavra tão simples para um significado tão grandioso. Salvar tantas pessoas que nem conheço o rosto e que não merecem serem salvas. Seríamos nós as pecadoras?

Ao longe, vi Haruka perto da pista, ao lado de seu carro. Estava despreocupada. Diria até que ela tinha a certeza de sua vitória. Foi quando ela percebeu uma garagem aberta e caminhou até ela. Todos os pilotos já deviam estar com seus carros perto da pista. Assim que acabasse a competição que acontecia no momento, logo entrariam. Deviam estar com problemas técnicos.

Um estudante da Mugen Gakuen estava perto de seu carro, tentando consertá-lo com evidente aflição. Quando Haruka aproximou-se, o garoto contorceu-se de uma forma muita estranha. Logo tornou-se num monstro: metade humano, metade carro. Percebendo o perigo que ela estava correndo, corri até lá.

O amuleto de Haruka apareceu pairando no ar e ela apenas permaneceu com medo, fitando-o. Não sei se ela estava com mais medo do monstro ou do amuleto. Surgi perante ela e Tenou me disse que não queria usar o objeto a sua frente. Se o usasse, perderia a chance de viver uma vida normal e isso ela não agüentaria.

Vendo a clara hesitação dela, tomei meu amuleto em minha mãos e transformei-me em Sailor Netuno para lutar com o monstro. Haruka pediu-me para não matá-lo, porque eu era humano e apenas havia se transformado. Eu não podia ter compaixão. Com forças sabe lá de onde, informei-a de forma fria que não precisávamos de mais vítimas.

Durante a luta, meu braço foi cortado em certo ponto por um dos golpes do monstro. No fim, eu venci mais vez. Uma vitória sem o real prazer da glória. Uma vitória amarga.

Não sei o que me deu, mas contei a ela que já a conhecia antes do cruzeiro. Havia a visto em revistas de carros e ela havia me chamado a atenção. Ela era um símbolo da força da liberdade de uma pessoa. Principalmente sendo uma mulher. Confessei, ainda que indiretamente, meu desejo por passear na orla em seu carro.

Também disse que eu não queria escolher o mesmo navio do que ela, mas meus pais haviam me forçado a ir. Enfim, eles haviam feito algo que eu realmente devia agradecer. Haruka nunca me decepcionou e a sua sinceridade era o que mais me agradava nela.

Foi com as minhas sinceras palavras que Haruka finalmente se convenceu. Aceitou seu amuleto, seu destino e sua responsabilidade. Aceitou a mim também e até hoje sou grata por isso.

Quanto ao que aconteceu depois que saímos daquela garagem... Isso já é outra história.


Por Arashi Kaminari, 27 de abril de 2005.

Notas da Autora: Desculpem-me este final não estar grande coisa, mas eu não tive a oportunidade de ler o mangá para saber melhor o final. Grande parte do que eu escrevi foi baseado no material que eu colhi na internet.

Agradecimentos a Sailor He aSouma Kagura.

Até a próxima!

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