|
Author of 74 Stories |
Coisas Tolas
Estou de volta. Pensei até em partir de vez, mas como se meu coração pertence a ele? Fiquei bem perto daqui, ele poderia ter me achado com facilidade, mas estava tão perturbado que nem se concentrou o suficiente para isso. Eu o observava quando ele me procurava, me chamava pelas montanhas geladas. Enquanto eu estava no único local que poderia sobreviver mais ou menos confortável. A pequena floresta. Um pequeno reduto verde no meio de tanto gelo. Aquecido por gêiseres, um oásis que em Asgard era protegido e preservado como ouro. Fiz um pequeno acampamento numa caverna deserta, tomando cuidado para não ser localizado. Pensei que ele me acharia em um dia ou dois. Ele chegou a passar em frente a área verde, mas não entrou. Foi aí que percebi o quão preocupado ele estava e voltei. Encontrei Mime na cama, semi-adormecido e me deitei ao lado dele. Ao me ver ele virou-se de costas. Estava encabulado por ter me escondido a carta de meu irmão e tantas pequenas coisas tolas que fizera. Queria abraçá-lo, sentia falta de seu cheiro, seu carinho, seu amor, mas me controlei. Conversamos, aliás, ele que conversou. Abriu seu coração para mim finalmente e soube me escutar e finalizamos nos amando um tanto apressadamente para em seguida dormirmos nos braços um do outro do jeito que gostamos.
Agora sou eu que estou ansioso por sua volta. Mime saiu bem cedo e não falou o que ia fazer ou para onde ia. Me beijou, deu uma piscadinha maliciosa como sempre faz e não o vejo desde então. Já é quase noite de Ano Novo e ele não voltou. O ano está se findando e ele não chega. Será que pretende me castigar fazendo-me esperar em vão?
Lágrimas caem dos meus olhos. Ainda sou um tolo emotivo. Olho pela janela, observando através dos vidros a neve que cai lá fora.
Uma batida na porta me alegra. Mime chegou. Ele veste um casaco coberto de flocos de neve e em suas mãos um embrulho um pouco amassado. Tento me conter e não me jogo em seus braços, em vez disso o encaro tentando parecer aborrecido.
-Onde esteve até agora? É quase meia noite.
-Preocupado por onde ando, Andrômeda?
-Não me chame assim, Mime. É tão impessoal.
-Você que manda, Andrômeda.
-Quinze minutos para a meia noite!
-Ou seja, cheguei a tempo, o que está reclamando?
-Pensei que voltaria mais cedo.
Mime não responde e se afasta indo à cozinha. Estranho sua frieza. Desde que voltei, ele grudava em mim como nunca e hoje está tão distante. O que teria acontecido? Não o sigo. Sento-me na cadeira esperando que ele ao voltar da cozinha fale algo. Faltam cinco minutos para a meia noite.
Ele voltou e em suas mãos um belo vaso transparente de onde surge um belíssimo buquê de flores. Mime afasta alguns pratos de nossa ceia e coloca o vaso no centro da mesa. Então se aproxima de mim, me puxa pela mão levando-me até próximo a janela, me prende contra a parede e me beija até me tirar o fôlego. Ao nos separarmos o sorriso irônico toma conta de seu rosto.
-Pensou que eu passaria o Ano Novo longe de você, Shun? É mesmo um tolo! Não pensei que fosse demorar tanto, mas eu nunca ficaria longe de você num momento como esse.
As mãos hábeis retiram minhas roupas e as dele em seguida. Ele me prende fortemente contra a parede e beija-me mais uma vez. Seus lábios descem pelo meu colo e pescoço. Mime se abaixa e continua beijando e mordendo minha pele descendo mais até agarrar minha ereção e sugá-la fortemente em movimentos repetidos até que eu goze em sua boca. Ele se ergue e me beija, fazendo-me provar meu próprio gosto. Ao mesmo tempo enlaça a cintura com minhas pernas e entra em mim a principio devagar, aumentando os movimentos aos poucos. Agarro-me nele como se fosse a última chance para escapar de um abismo. Pouco depois sinto o orgasmo tomar conta do meu corpo e me agarro ainda mais nele, levando-o ao êxtase também. Mime sai de mim e me leva em seus braços para o quarto. Deitados, acaricio seus cabelos ruivos e desalinhados, o observando com total admiração, tendo meu olhar amoroso retribuido pelo dele.
-Acho que não contei onde estive, Andrômeda. Eu fui até onde o homem que chamei de pai está sepultado para rezar por ele. Acredite, isso me fez um bem enorme. Deixei umas flores pra ele e trouxe as que estão na mesa para você.
-São lindas. Sua atitude foi ainda mais linda.
-Não sei, é pouco, muito pouco. Mas não posso fazer mais nada além disso.
-Ele deve estar muito feliz esteja onde estiver.
-Shun, e a ceia?
-Podemos comê-la pela manhã. Certamente acordaremos famintos.
Abraço-o novamente dessa vez deixando claro que é minha vez de desfrutar de seus encantos. Ele entende e deita-se de costas, puxando-me por cima. Meus lábios percorrem suas costas até chegarem em suas nádegas mordendo delicadamente. Ergo seus quadris e o possuo, feliz ao escutar os gemidos dele. Mime ergue o braço para trás acariciando minha nuca e sua outra mão conduz a minha para seu pênis. Minha caricia o faz gozar pouco antes de ejacular dentro dele e cair por cima de seu corpo.
Afasto-me um pouco e o puxo para meus braços. Tenho o melhor que posso querer para o Ano Novo. Um lar e um amor correspondido. Algumas pessoas podem achar muito pouco, mas são essas coisas tolas que fazem a vida valer a pena.
Fim
Nota: Scorpion Lyra, eu prometi, eu cumpro. Tai seu presente, o último yaoi do Shun feito pelas minhas hesitantes mãos. Não vou negar que gosto do “casal”, apenas acho que já escrevi tudo o que queria com eles. Espero que goste e tenha um Feliz Natal.