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Itooshi
Desde aquela manhã que procurou Kurama para descobrir se beijava mal ou bem, Yusuke sentia-se confuso. Não saía com Keiko desde o ocorrido. De repente a pouca atração que sentia por ela desaparecera como por encanto. Ela o procurara algumas vezes, mas ao perceber que ele não queria conversa, resignou-se e parou de procurá-lo. Isso já fazia algumas semanas. Suas noites eram povoadas por mil e um pensamentos e sonhos estranhos. Pensava no que acontecia com ele. Como pôde pedir a um homem para beijá-lo e pior, como pôde gostar disso? Os sonhos então... Via Kurama entrar em seu quarto de várias formas. Como Youko voando com a planta de asas nas costas, como Shuuichi caminhando calmamente e todos terminavam da mesma maneira. Com mais um beijo trocado entre eles. Lamentava que o sonho acabasse nesse instante.
Fez de tudo para descobrir o que acontecia consigo. Pegou fitas gays pornôs na locadora e não sentiu nada a não ser asco. Não achava nenhum outro homem atraente. E por que então pensava tanto nele, e pior numa situação romântica? Não o encontrou mais a sós, o evitava ao máximo. Dessa vez tomou coragem e resolveu procurá-lo mais uma vez e tentar descobrir o que se passava. Contava com a ajuda de Kurama mais uma vez.
Estava se preparando para sair, quando a porta de seu quarto abriu e o viu olhando para ele. Não deixou de sobressaltar-se. Melhor assim, pelo menos resolveriam aquilo de uma vez por todas.
-Yusuke, desculpe o incômodo. Posso entrar?
-Entre e tranque a porta.
-É necessário?
-Melhor assim, não devemos ser interrompidos. Mas você que veio me procurar, Kurama. Então vamos começar por você. O que tem a me dizer?
-Estou confuso.
-A respeito de que?
-De nós.
-Em que sentido?
-Naquele dia que você me procurou e me pediu um beijo, eu achei idiotice de sua parte, mas quando você saiu achei que foi bom. E desde então fico pensando que... Ah, esquece. Você vai querer me jogar pela janela se souber.
-Conte!
-Eu gostei de te beijar. E muito. Gostaria que repetíssemos essa experiência, ou quem sabe algo mais.
-Como assim?
-Deixe-me explicar. Quando eu era Youko não posso negar que conheci muitos no sentido bíblico. Inclusive do mesmo sexo que o meu, mas esses foram pouquíssimas vezes. E nunca me senti atraído por nenhum deles em particular. Atualmente acontece que não me sinto atraído por ninguém. Teve uma garota anos atrás, mas não deu certo. E desde que você me procurou eu fico pensando em você, sonhando com você. Desculpe Yusuke, pareço um idiota falando assim. Você deve estar me odiando.
-Te odiando? Não, Kurama. Eu entendo perfeitamente o que se passa com você porque o mesmo acontece comigo. Imagina que pensei ter virado um maricas, que ia sair por aí rebolando e cantando os caras, mas não sinto atração por nenhum. Já por você a coisa é bem diferente.
-E o que acha que devemos fazer?
-Experimentar?
Ao notar o olhar afirmativo de Kurama, Yusuke se aproximou e o envolveu num abraço carinhoso. Ficaram assim alguns instantes e ao se separarem Yusuke o empurrou na cama que estava atras dele e deitando-se por cima o beijou, não delicadamente como Kurama fizera antes e sim com uma fome, uma pressa jamais imaginada por ele. Kurama correspondeu ao beijo, mas ao final desse o empurrou para o lado.
-Devagar, Yusuke. Não há necessidade para pressa. Não sabemos ainda se é isso mesmo o que queremos.
-Ainda não tem certeza? Então vamos devagar como você quer.
Disse isso e começou a despir-se, esperando que Kurama fizesse o mesmo, o que ele prontamente fez. Sentaram-se na cama de frente para o outro, apenas se observando. Yusuke estendeu a mão para o rosto de Kurama e acariciou sua face.
Você é tão bonito. É perfeito. Eu não me importo com o que possa acontecer nem com o que vão falar de mim, mas não me deixe sair daqui sem ao menos tocar em você.
Kurama segurou a mão e beijou-a. Depois puxou Yusuke para seu colo, envolvendo-o em seus braços e unindo mais uma vez os lábios aos dele.
Horas depois descansavam nos braços um do outro. Yusuke olhou para Kurama que parecia adormecido. Ele abriu os olhos e acomodou-se melhor em seus braços.
-Yusuke, não se arrepende?
-Arrependo-me sim. De naquele dia não ter pulado em seus braços. Mas nunca é tarde, não é mesmo?
-O que sente por mim?
-Muito amor e você?
-O mesmo, itooshi.
Fim
Nota: É complicado não apimentar a coisa, mas até que consigo com muito esforço. Achei que a continuação de Kiss Me devia seguir uma linha parecida, sem muito erotismo.
Itooshi significa amado.