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Author of 11 Stories |
No quarto da 11a Casa Zodiacal não havia uma única alma presenciando o belo amanhecer da Grécia, os amantes ainda dormiam, nus. Miro de barriga para cima, com os braços espalhados pela cama. Do seu lado jazia o corpo do aquariano, deitado de lado com o braço e a perna direitos sobre o corpo do outro, assim como faz uma criança que dorme abraçada à um travesseiro. Ambos os corpos semi-cobertos pelos lençóis alvos compondo uma cena, sem dúvida, belíssima.
Não havia um único motivo para que o aquariano acordasse àquela hora da manhã, se as cortinas estivessem abertas poderia culpar a claridade, mas o escorpiano se preocupou em fech-las antes de dormirem. Talvez o som do canto dos pássaros, que já estavam em plena atividade na frondosa figueira que ficava quase em frente à janela do seu quarto, mas o elaborado canto dos sabiás era por demais agradável para que pudesse incomodar o sono de alguém, pelo contrário. Talvez aquela presença "estranha" na sua cama, mas Miro podia ser tudo, menos estranho e, muito menos ainda, indesejável.
O único motivo do despertar prematuro era o perfeito funcionamento do relógio biológico do aquariano, mesmo depois de uma noite cansativa e maravilhosa como aquela, era impiedoso. Sentiu-se despertar lentamente, saindo do torpor do sono sem pressa.
Antes que estivesse completamente desperto, tomou conhecimento do corpo que agüentava o peso do seu braço e perna direitos, permitindo aquela posição tão confortável. Não abriu os olhos, não vê-lo fazia com que todos os demais sentidos se esforçassem sobremaneira para "descobrir" quem era o "invasor".
Sentiu o peito do amado subir e descer ritmicamente, enquanto um som quase inaudível era produzido pela passagem do ar pelo nariz, o coração batia igualmente compassado, demonstrando que o sono estava bastante tranqüilo. Moveu um pouco o rosto para frente e logo sentiu os grossos fios roçando em sua face, preenchendo as narinas com o cheiro característicos que as madeixas dele tinham.
O coração do aquariano acelerou ao lembrar que havia dito que o amava e que ele repetiu a frase em resposta. Será que ele dissera aquilo motivado pelo calor da situação? Se repreendeu, tinha uma tendência pessimista que ele jamais admitia para ninguém, mas que era parte da sua personalidade, uma parte ruim, ele reconhecia. Não havia motivos para não acreditar em Miro.
Sentindo-se ser invadido pela felicidade do amor correspondido, apertou, com o braço direito, o corpo do escorpiano de encontro ao seu peito. Abriu finalmente os olhos deliciando-se pela visão daquele homem em seus braços, dormindo como um anjo. Esperou ansioso que Miro despertasse com o abraço que estava recebendo, mas ele nem se mexeu.
– Sempre teve o sono pesado – disse após beijar o rosto que estava tão próximo do seu.
Em seguida espreguiçou-se e levantou, indo direto para o banheiro. Quando retornou ao quarto já estava vestido com uma bermuda branca, Miro permanecia na mesmíssima posição.
Pôs-se a recolocar alguns objetos no lugar, a recolher e dobrar as roupas dele próprio e de Miro que ainda estavam jogadas pelo chão. Mas por mais que tentasse se concentrar no que estava fazendo, seu olhar era atraído para o corpo que ocupava a sua cama. E, não mais resistindo aos encantos do escorpiano, parou tudo o que estava fazendo e optou por ficar observando-o.
Cada curva do corpo dele era perfeita, o tom da pele, a expressão de quase sorriso que tinha na face... Camus tentou se lembrar de última vez que o vira dormindo, foi alguma das muitas vezes que ele chegou embriagado e ficou com medo da solidão da Casa de Escorpião. Mas aquele Miro não tinha nada a ver com esse que estava em sua cama, era outro.
Voltou um pouco mais no tempo, tentando encontrar aquela expressão tranquila em alguma antiga memória.
Em lençóis brancos você dorme
E eu em meu canto te admiro
Em meu descanso você brilha
Em teus encantos meus suspiros
Logo a encontrou, foi na última noite que passara no Santuário, antes de ir para a Sibéria treinar Hyoga. Entre receber a notícia e partir passou-se uma semana, era perceptível a felicidade de Miro, só ele sabia o quanto Camus também estava feliz em ter um aluno. Mas era uma felicidade mórbida, altruísta. Na última noite antes da viagem, Miro colocou o sorriso mais natural que pôde no rosto e subiu para 11a Casa Zodiacal, encontrou o aquariano terminando de encaixotar alguns objetos que ele levaria consigo, tarefa na qual Miro fez questão de ajuda-lo.
Depois Camus preparou-lhes um chá de maçã, e ficaram relembrando o passado, sentados no chão da sala, agora vazia, da Casa de Aquário. Logo ambos estavam aos prantos, abraçados. Ninguém, em todo o Santuário, seria capaz de imaginar aquela cena, o frio Cavaleiro de Aquário e o orgulhoso Cavaleiro de Escorpião, chorando feito duas mocinhas.
– Camus, posso passar a noite aqui com você? – Miro perguntou entre soluços, sem afrouxar o abraço.
– Claro que pode – o aquariano ainda tinha voz embargada.
– Eu deito no chão mesmo, não precisa se preocupar...
Camus afastou o outro, encarando-o.
– Que deu em você? Em outros tempos você iria direto para a minha cama sem nem pedir... – e sorriu.
– Não quero te incomodar, a sua viagem amanhã vai ser bem cansativa – Miro ainda mantinha um tom solene, pesado.
– Na época que você tinha medo de relâmpago a minha cama servia...
Os dois continuaram "discutindo" até que, já cansados, foram dormir, juntos. Nessa época não havia desejo entre eles, certamente se amavam, mas era um amor fraternal. Aliás, isso era algo que muito confundia a cabeça do aquariano, não sabia que um tipo de amor podia se transformar em outro. Abandonou as divagações sobre o amor e voltou para as suas recordações, na manhã seguinte estava a lembrança que Camus tanto procurava, o rosto angelical.
Não acorde ainda, seja meu anjo
Guarde minha vida embaixo
Dos teus lençóis brancos
Sonhe melodias e acorde cantando
Deixe que o dia siga teus planos
Retornou aos seus afazeres, andando de um lado para o outro, por fim foi até a cozinha passar um café. Quando retornou encontrou Miro ainda dormindo, já havia passado umas boas horas desde que acordara e resolveu que era hora do outro despertar também. Já ia sentar ao lado dele na cama para a árdua tarefa de acorda-lo quando teve uma idéia melhor. Foi até a janela e abriu as cortinas, o sol já estava bem alto mas a figueira ainda sombreava a janela do quarto, Camus tinha certeza que aquela claridade já seria o suficiente para desperta-lo.
Afastou-se lentamente da janela e sentou-se em uma poltrona de tecido azul escuro. Com um certo sadismo esperou pacientemente pelo despertar. Miro logo se mostrou incomodado com a claridade, levando a mão esquerda até o rosto, afim de proteger os olhos. Mas aquilo não lhe pareceu suficiente. Virou o corpo de lado, escondendo a face com o braço direito. Dessa forma parecia ter ficado mais confortável, permaneceu alguns bons minutos nessa posição até que começou a se agitar novamente, dessa vez reclamando em voz baixa por estar acordando tão "cedo". Por fim arrancou o travesseiro debaixo da cabeça, colocando-o por cima, demonstrando uma certa raiva.
Camus sorriu com aquela cena, Miro ainda conservava os gestos infantis e isso também era um charme. Levantou da sua poltrona e sentou na beirada da cama, ao lado do corpo do escorpiano. Puxou delicadamente o travesseiro de cima da cabeça do grego que, ainda meio dormindo, meio acordado, reclamava em grunhidos ininteligíveis.
Depois que finalmente o aquariano conseguiu arrancar o travesseiro dele, passou a acariciar e beijar o belo rosto do escorpiano. Miro demorou alguns segundos para compreender o que estava acontecendo. Primeiro a claridade, depois alguém lhe arranca o travesseiro e em seguida lhe beija... Mas logo identificou o perfume de Camus, o cheiro amadeirado tão característico, sua alma sorria. Abriu lentamente os olhos, ainda estranhando a claridade e viu um borrão debruçado sobre si, que depois tomou a forma do único ser sobre a Terra que tocara o seu coração. Dessa vez sorriu com os lábios, enquanto passava os braços por trás das costas de Camus, obrigando-o a deitar o corpo dele sobre o seu.
– Você sabe o que eu faço com quem me acorda? – perguntou com a voz rouca, característica de quem acaba de acordar.
Em seguida virou-se, jogando o corpo do aquariano de costas ao seu lado, ficando, por fim, com o rosto dele à poucos centímetros do seu.
– Beija?
Miro não respondeu, não com palavras, apenas colou os seus lábios nos lábios dele, lembrando que tinha ouvido um eu te amo daquela boca na noite anterior, o beijo logo se tornou mais apaixonado.
Não precisavam de palavras para compreender o que estava acontecendo, aquele beijo estava selando, silenciosamente, o início. Quando se separaram tinham os olhos úmidos.
– Bom dia, meu anjo – foi a única coisa que o aquariano conseguiu dizer.
Quando acordar, bom dia
A madrugada vem te olhar tranquila
E vai avisar o dia
Que pode te acordar
Bom dia, anjo
000000
Song cap despretensioso e pequeno. Perdão por demorar tanto para escrever um capítulo tão... sei l, fiquei descontente mas desisti de tentar melhorar.
Antes de começar a responder às reviews, agradeço às felicitações de todos pelo meu aniversário!
Ilia-chan, hi, moça, não tem mais segunda parte! Transformei o que seria a segunda parte em uma outra situação, que será publicada em breve (assim eu espero, quero a minha criatividade e vontade de escrever de volta!)
Anna-Malfoy, calma! Ainda vai demorar para o último capítulo!
Nana, também adorei a nossa participação! Pena que o Miro não me deu muita bola... rs. Adoro você, menina!
Carola Weasley, como eu disse aí em cima, muitos capítulos ainda pela frente. Quanto ao fato de o último capítulo ter sido praticamente apenas a visão do Camus, essa foi a vez do nosso francês descobrir os seus sentimentos, por isso centrei a narrativa nele. E, oh, seus elogios me deixam envergonhada... rs.
Camis, brigadão pelos elogios! E não se acanhe em me mandar reviews, eu as adoro!
Ia-Chan, sabe como é, ascendência em libra, adoro um romance, mas a lua em áries torna tudo mais... caliente, dá nisso aí.
GaminiPoke, eles são, realmente, fofíssimos!
A música é "Bom dia, anjo" do Jair Oliveira, o Jairzinho.
Ah, quem quiser conversar comigo sobre a fic ou sobre qualquer outra coisa, pode me procurar no MSN (lolaspixii arroba hotmail ponto com).
Prometo que o próximo capítulo sairá mais rápido e será melhor!
Bjinhos!
Lola Carilla Spixii