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Books » Harry Potter » Aventuras de uma Adolescente
Princesa Chi
Author of 7 Stories
Rated: M - Portuguese - Romance/Friendship - Ginny W. & Draco M. - Reviews: 63 - Updated: 05-05-12 - Published: 12-12-04 - id:2169079

Capítulo 4 – O mal da ansiedade é...

A semana passou voando. Eu procurava prestar atenção às minhas aulas, estudando durante os intervalos. Eu, Pam e Colin nos reunimos novamente com Mel e os outros, formando um grupo de estudo. Vez em quando brincávamos, lembrando algo sobre um de nós, mas estávamos levando a sério; eu pensava em Draco a todo momento, e o usava como incentivo para estudar mais.

Eu queria ser alguém, queria que ele tivesse orgulho em estar ao meu lado; comecei a pesquisar futuras carreiras, e algo me interessou. Vi que a Grã-Bretanha mágica possuía um sistema judiciário extremamente injusto, e as cortes eram escolhidas a esmo. Os trouxas eram muito mais organizados, e o exemplo deles precisava ser copiado, só precisavam de alguém para isso. E eu queria ser essa pessoa que faria algo útil por todo o mundo mágico.

Sábado finalmente chegou, e eu fui quase saltitante pra Hogsmeade, acompanhada por Colin e Pam. Quando chegamos lá, fui para a casa dos gritos sozinha, onde o loiro já me esperava.

Sem dizer uma palavra o abracei, dando um beijo apaixonado. Como eu havia sentido falta disso! Seus lábios eram meu novo vício, e eu duvidava que fosse me enjoar tão cedo.

- Como foi sua semana? – ele me perguntou enquanto entrelaçava sua mão na minha e andávamos sem rumo certo.

- Não muito mais do que lhe contei por corujas – sim, nós trocamos muitas mensagens – estudando desesperadamente, tentando me decidir o que fazer quando me formar.

- Já pensou em algo?

Entramos em um pequeno pub pouco movimentado e sentamos em uma mesa nos fundos, pedindo um café bem quente para nos aquecer do frio. Aquela semana havia nevado, e eu estava cheia de casacos; mal via a hora de poder despi-los...

-Bom... – brinquei com meu copo, pensando em como começar – eu achei o sistema jurídico da Grã-Bretanha falho, e pensei em me dedicar à área, para ter a chance de mudá-lo futuramente. Só não sei por onde começar.

Draco ficou pensativo por um tempo.

- Para seguir a carreira jurídica, você ainda precisa de excelentes NIEM's nas quatro matérias principais: transfigurações, feitiços, defesa contra artes das trevas e...

- Poções – completei, fazendo uma expressão de nojo.

- Snape ainda pega no pé dos grifinórios, não?

- Como se um dia ele fosse deixar de fazer isso – dei uma risada leve – mas nem me preocupo tanto, eu até que gosto da matéria.

- Posso te ajudar, se quiser.

- Não vou gastar meu precioso tempo com você estudando, Draco – segurei sua mão por sobre a mesa, sentindo meu corpo ficar quente só de dizer seu nome.

- Bom saber – seu olhar profundo me fez querer sair dali no mesmo instante, mas me controlei. Eu precisava provar a mim mesma que poderíamos ter um relacionamento normal, sem ser construído necessariamente na base do sexo.

- Mais algum conselho? – perguntei.

Ele suspirou.

- Depois de conseguir boas notas, precisará ingressar na Academia de Direito, no norte do país. É a única instituição bruxa que temos sobre o assunto, e todos que se formam na área o fazem lá.

- Talvez por isso o sistema esteja tão ruim – comentei – não há variedade.

- É uma ideia. O melhor seria você se formar lá e procurar se especializar em outro país que utilize um sistema parecido com o nosso, como os Estados Unidos.

- Outros países da Europa não servem?

- Não muito. A área jurídica da maioria é construída com ênfase em codificações, enquanto nos EUA e na Inglaterra é baseado em tradições. Nosso direito surgiu dos costumes, e não de algo escrito.

O encarei deslumbrada.

- Como você sabe tanto? Eu pesquisei a semana inteira, e não achei tanta informação assim.

Ele deu uma risada.

- Gosto de conhecer sobre muitos assuntos – ele acariciava minha mão enquanto falava – e confesso que cheguei a pensar em seguir essa área.

- Jura? – isso me surpreendeu; não conseguia imaginá-lo como um jurista.

- Bom, depois eu vi que não tinha jeito pra coisa. Nunca fui ligado realmente aos ideais de justiça e coisa do tipo. Só vivia minha vida, sem me importar com os outros – seus olhos encontraram os meus – até agora.

Ah, Merlin, aquele efeito algum dia passaria? Meu baixo ventre pulsou e meu coração disparou apenas com aquele olhar. Engolindo em seco, procurei algo para falar.

- Então eu tenho um longo caminho pela frente – comentei – e precisarei economizar bastante se quiser ir para o exterior.

- Com boas notas nos NIEM's é certo conseguir um emprego no ministério – ele deu um sorriso torto – não vai ser o melhor do mundo, mas conseguirá se manter pelo tempo que precisar.

- Eu nunca gostei de cargos burocráticos –falei rindo – nem acredito que estou pensando em seguir algo do tipo.

- Vai mudar de ideia?

- Não sei – fiquei pensativa por alguns instantes – na verdade, é a primeira vez que me interesso por algo. Pra fazer pela vida inteira, sabe? Não consigo me ver como auror, curandeira ou professora.

- Podia ser dançarina profissional. Tem jeito pra coisa, pelo menos.

Eu ri, vendo seus olhos brilharem.

- Dispenso. Para minha família, dançarina é sinônimo de prostituição.

- Você foi criada com muita moral, não? – ele parecia um tanto surpreso.

- Bom, eu era a única garota no meio de homens. Minha mãe queria ter certeza que eu seria uma boa menina, sendo a única da família. Pena que eu não consegui. – ri de novo.

- Eu acho... – ele inclinou-se sobre a mesa, e eu fiz o mesmo – que você é uma garota incrível.

- Mesmo não sendo uma santa inocente? – levantei uma sobrancelha.

- Com total certeza, é ainda melhor pornão ser assim – ele enfatizou, e eu abri um sorriso. Me inclinei, encostando meus lábios no dele, dando um beijo terno. Cada leve toque dele e eu me sentia nas nuvens; será que isso era normal? Eu estava começando a achar que meus hormônios se encontravam desregulados; esse tipo de reação não era usual, ou não deveria ser.

Ao afastar-me dele, perguntei algo que já me deixava curiosa.

- E você, não tem mais planos?

- Alguns. Quero fazer um curso de administração, para ter a chance de gerir os negócios da família de uma forma melhor. Penso em abrir outras boates pelo país, já que o Psikodélika ainda é a única que existe.

- E antes que mais alguém tenha essa ideia, é melhor que seja você – ele concordou.

- Podemos atrair o público – ele brincou – se dançarmos uma única noite na pista, todos voltarão lá.

Eu gargalhei.

- Não, todos não voltarão, pois acharão que é uma casa de swing, com um casal pervertido se agarrando na pista de dança – ele riu com meu comentário.

Conversamos muitas outras bobagens e depois saímos do pub para passear. Eu queria pagar meu café, mas Draco não deixou; segundo ele, era o homem quem deveria pagar a conta em um encontro, e eu não fiz objeção. Se ele queria ser um cavalheiro, eu que não me oporia.

Caminhamos por Hogsmeade de mãos dadas, rindo e comentando besteiras. Pude notar os olhares de alguns alunos em mim, e de como eles reconheciam o Draco; não era como se ele não tivesse estudado em Hogwarts por tantos anos, e suas feições eram facilmente reconhecidas. Não me importei; eu estava feliz por estar com ele, embora ainda só estivéssemos nos conhecendo de verdade.

No final da tarde, aparatamos para sua casa, e não preciso dizer que nós dois estávamos ávidos por outra coisa, deixando o jantar de lado. Podíamos ter tido uma tarde muito agradável conversando, mas aquela era a parte que os dois mais desejavam: o sexo.

Fiquei com medo de que a semana passada tivesse sido um sonho, mas não foi. Era tão bom quanto a primeira vez, e eu queria sempre mais. Draco causava isso em mim; esse instinto animal, a vontade de continuar mesmo quando meu corpo já não queria mais responder.

Já cansada, o abracei, apoiando minha cabeça em seu ombro e fiquei assim por um bom tempo, sentindo ele acariciar meu cabelo. Queria que o tempo parasse, queria ficar assim com ele para sempre. Meu maior medo era de que tudo aquilo acabasse; aquele sentimento, aquela necessidade.

- Você já sabe o que fará nas férias de inverno? – ele perguntou, interrompendo o silêncio.

Fiquei muda por alguns instantes.

- Acho que vou para casa. Pam disse que passará com Blaise, e acho que Colin também não ficará em Hogwarts, então...

Ele permaneceu mudo por um momento.

- O que acha de passar comigo?

Me apoiei em um braço, olhando para sua expressão e vendo se aquilo não era uma brincadeira.

- Com você? Aqui? – não consegui esconder a surpresa em minha voz.

- Bom, também. Podemos viajar por alguns dias. Conheço alguns lugares que você adoraria visitar.

Continuei encarando seu rosto, esperando ver algo que indicasse que aquilo não era real. Mas era; ele estava mesmo me convidando para passar três semanas ao seu lado. Só nós dois e mais ninguém.

Uau. Eu queria responder sim, mas ficou entalado em minha garganta. Nós ainda não éramos nem namorados; estávamos saindo pra valer a uma semana, e já iríamos passar as férias juntas.

Acho que ele interpretou mal o meu silêncio, pois logo se retratou.

- Hum, não precisa aceitar, se não quiser. É só uma ideia, já que...

- Eu quero – falei rapidamente – só... fui pega de surpresa. Quero dizer eu... Não esperava um convite desses.

Soltei uma risada nervosa, olhando para o lado.

- Estou me sentindo idiota agora – confessei. Ele levantou meu rosto com os dedos, olhando nos meus olhos antes de falar.

- Não tem porque se sentir assim – puxou-me para perto, e me senti perdida naquele olhar – eu só quero passar mais tempo com você.

- E eu com você – sussurrei, antes de beijá-lo.

Yep, eu estava perdida. Não conseguiria lhe dizer "não" nem em mil anos; como negar um convite desses? Três semanas de romance e luxúria! E talvez fosse bom pro nosso relacionamento; era a oportunidade perfeita para ver se éramos mesmo compatíveis. Ao retornar da viagem, ou estaríamos namorando, ou nunca mais nos veríamos, isso era um fato. Não sou garota de perder tempo; se eu gostava, corria atrás para conseguir. Se via que não daria certo, pulava fora.

Ao retornar para Hogwarts aquela noite, após me despedir dele na casa dos gritos, fiquei imaginando o que nos aguardava. Será que daria tudo certo? Nos víamos por pouco tempo, matando a saudade acumulada. Mas e se nos víssemos diariamente, será que seria diferente? Perderia a graça e cairia na rotina?

Pensativa, entrei em meu salão comunal, encontrando uma Pam saltitante.

- Ele me pediu em namoro! – ela exclamou extasiada, enquanto me abraçava – eu e o Blaise estamos oficialmente namorando!

Fiquei feliz por minha amiga, mas senti uma pontada de inveja; Blaise também a havia convidado para passar as férias juntos, só que teve a decência de pedi-la em namoro antes. Mas não me precipitaria; pela primeira vez estava em um relacionamento "saudável", por assim dizer. Em vez de encontrar Draco diariamente, o via nos fins de semana, evitando tornar tudo repetitivo. Tudo bem que Pam estava no mesmo barco, mas ela e Blaise já estavam juntos quando eu encontrei Draco; fora que eles nunca tiveram empecilhos como o orgulho dos Weasley e dos Malfoy.

Contei minhas novidades e logo nós duas discutíamos nossos planos de férias.

- Eu não faço ideia do que o Draco está pensando em fazer – comentei – ele falou algo sobre viajarmos, mas ficar na casa dele seria bom.

- Blaise quer ir para a Itália, onde a família tem uma casa e poderíamos usar. Vai ser tão divertido, nunca viajei com um namorado antes!

Tentei compartilhar daquele entusiasmo mas, apesar de querer muito a viagem, me magoava ser apenas uma garota, e não a namorada. Ao longo da semana, me dediquei aos estudos, já que sábado estaria viajando; minhas cartas para Draco pareciam ter demonstrado meu ânimo, pois depois da última, recebi como resposta uma única frase:

Tem algo errado?

Suspirei. Não conseguiria explicar por carta; se pessoalmente já seria difícil, imagine escrever! Eu não queria pressioná-lo, mas não queria que me usasse. Não conseguia dormir depois que recebi aquela pergunta, e resolvi sair do dormitório, colocando um sobretudo e botas e pegando meu mapa. Não acreditava que estava indo para a casa de Draco no meio da noite para perguntar se ele pretendia namorar comigo... Me sentia estúpida por estar tão insegura, mas não podia suportar a ideia de ele estar me usando.

Após passar pelo salgueiro lutador, aparatei para a casa dele, encontrando as luzes apagadas. É lógico que estariam, era meio da noite! Mas me surpreendi ao chegar ao seu quarto e encontrar a cama vazia. Voltei ao corredor, e notei uma luz acessa em outro cômodo; dando passos leves, aproximei-me na porta, e o encontrei sentado por trás de uma mesa, concentrado em algo que estava lendo. O cômodo parecia um escritório pessoal; várias estantes de livros e uma poltrona aconchegante no canto.

Fiz um ligeiro pigarro e ele levantou os olhos.

- Gina? –perguntou surpreso – o que faz aqui? –ele olhou o relógio no pulso – a essa hora?

- Hum, sabia que eu poderia ser um ladrão assassino, e você nem teria notado minha presença? – tentei desconversar.

- Meio difícil. Esta casa tem um feitiço de proteção, e se qualquer pessoa não autorizada tentar aparatar diretamente aqui, uma sirene será ouvida em um raio de cem quilômetros.

- Ah...

Fiquei em silêncio, pensando no que falar.

- Não que eu esteja reclamando, mas estou curioso do motivo que te trouxe aqui – ele começou, levantando-se de onde estava. Usava apenas uma bermuda de dormir, deixando seu peitoral à mostra, e tive que controlar um gemido ao vê-lo assim. Como podia ser tão lindo...?

Reparei então no que eu vestia: um sobretudo velho, botas de inverno e uma camisola fina por baixo, com meu cabelo preso em um rabo de cavalo solto. Definitivamente, não era meu melhor visual.

Draco deu a volta na mesa e parou, encostando nela e me olhando de forma especulativa.

- Então...? – ele me incentivou a falar, mas, vendo que eu não respondia, continuou – estava apenas com saudade ou é outra coisa? Sua última carta me fez pensar que tem algo te incomodando.

- E tem – consegui dizer – eu... acho que não vou conseguir viajar com você.

Ele ficou em silêncio por alguns momentos, olhando o chão, tal como eu.

- Algum motivo em especial? – sua voz de repente parecia séria demais. Engoli em seco.

- Draco, eu... Eu sei que te contei que já fiz muitas coisas. Nunca fui santa, e nem quero passar por uma – dei um riso nervoso – mas eu não consigo me envolver com um cara sem saber se temos futuro. Digo, sair por diversão, até vai, mas... Viajar com você é outro nível. Digo, como vai me apresentar? "A garota que estudou comigo"? "Uma garota que eu conheci na minha boate"?

Eu soltei tudo de uma vez, olhando para o chão, me sentindo envergonhada. Eu não deveria ter falado tanto; ele deveria estar achando que eu era uma louca, com certeza. Mas, ao contrário do que pensei, ele riu. Eu levantei o rosto, sem entender a sua reação, mas só encontrei seu olhar divertido.

- Você não abriu a caixa de bombons que eu te dei, não é?

Ele havia me dado uma caixa dos melhores chocolates suíços quando nos despedimos no último fim de semana, mas ela ainda se encontrava fechada na cabeceira da minha cama.

- Hum, não, estou de dieta – confessei, sem entender aonde ele queria chegar.

Ele riu mais forte, e eu já estava ficando mais do que confusa.

- Você poderia conjurá-los aqui? – ele pediu.

Ainda sem entender, levantei minha varinha, realizando um accio. Ficamos em silêncio enquanto aguardava, e eu olhei para a mesa atrás dele. Havia vários planos de negócios, com estatísticas e números que eu não fazia ideia ao que se referia.

- Estava conferindo o balanço anual da empresa Malfoy – Draco explicou, ao ver o que eu encarava – vendo os prejuízos que tem e o que pode ser feito para melhorar.

Assenti, envergonhada de estar ali. Nunca deveria ter aparecido ali, de supetão. Algo bateu na janela fechada, e vi que era a caixa de bombons; Draco abriu o trinco e ela veio para meus braços.

- Poderia desembrulhar, por favor? – ele pediu, enquanto fechava novamente.

Obedecendo, e achando que ele é que estava louco, rasguei o embrulho e abri a caixa, abrindo minha boca de surpresa. Os bombons confeitados formavam a frase "seja minha namorada".

Fiquei encarando aquilo, e pude ouvir uma risada vindo de Draco.

- Eu achei que você não tinha aceitado – ele comentou – depois da sua última carta, achei que não queria aceitar o pedido e não sabia como dizer.

Continuei encarando os bombons, querendo um lugar para esconder minha cabeça.

- Eu estou me sentindo muito idiota agora – consegui dizer, fechando a caixa – eu achei... quero dizer, eu...

Ele aproximou-se com um sorriso no rosto, me abraçando pela cintura.

- A julgar pelas palavras que disse quando entrou em meu escritório, eu posso supor que você aceita, certo?

Sacudi a cabeça de modo afirmativo, sem conseguir dizer nada.

- Que bom – ele continuou – pois se dissesse "não" depois de tudo isso eu acharia que você tem sérios problemas.

Encostei minha cabeça em seu peitoral.

- Não vou conseguir olhar em seus olhos depois disso – gemi, e ele só conseguiu rir.

- Fico feliz que o nosso relacionamento seja importante para você – ele comentou – melhor do que se você não ligasse para o que temos.

Suspirei, tentando pensar por esse lado, mas ainda me sentindo humilhada. Ele levantou minha cabeça com os dedos para me encarar.

- Da próxima vez que receber doces, avise que está de dieta – ele comentou – facilitaria a minha vida e a sua.

Eu não consegui deixar de rir; uma risada nervosa, porém, sincera.

- Desculpa. Eu fiquei com tanto medo de que você só estivesse me usando que...

- Shh... – ele colocou um dedo em meus lábios, me impedindo de continuar – não vamos mais falar sobre isso. Nós dois temos um passado que nos faz temer o futuro, mas precisamos aprender a confiar.

Ele estava certo. Eu não confiava em nenhum homem; todos eram canalhas, sempre estavam atrás de sexo. Lentamente, ele desamarrou meu sobretudo, deixando-o cair no chão.

- Ainda bem que você dorme em um quarto só com garotas – sua voz saiu rouca enquanto olhava minha camisola semitransparente.

- Eu não vim exatamente arrumada – tentei dizer, mas ele me calou com um beijo. Quente, ávido, cheio de desejo. Levantou-me no colo e levou-me para o quarto, enquanto eu largava a caixa de bombons pelo caminho. Fiz menção de tirar os calçados quando me colocou na cama, mas ele impediu.

- Mesmo? – o olhei incrédula.

- Dá um toque diferente – ele comentou, vendo-me com aquelas botas e a camisola.

Rindo, puxei-o para mim, passando uma noite maravilhosa com meu n-a-m-o-r-a-d-o.


- Gi, aceita um bombom? – Colin perguntou durante o almoço, e logo começou a gargalhar.

- Não tem graça – falei por entre os dentes, enquanto me levantava e ia em direção à biblioteca. Estava profundamente arrependida de ter contado aquela história para ele e Pam; agora os dois faziam piadinhas da minha atitude precipitada, o que me fazia sentir mais estúpida ainda.

Os dois foram logo atrás de mim, me alcançando no corredor.

- Relaxa, Gi, só estamos te zoando um pouquinho – Pam conseguiu dizer.

- Não foi você que ficou se remoendo porque não foi pedida em namoro, mas convidada pra uma viagem! – acusei.

- Tá, mas não precisava bancar a desesperada por homem – Colin comentou, e os dois voltaram a rir, me deixando com raiva.

Procurei ignorá-los enquanto estávamos na biblioteca, me dedicando aos meus estudos. Desde a conversa com Draco sobre a carreira jurídica, eu procurava me aprofundar mais na área, estudando antigos casos que encontrava nos livros de Hogwarts. Nossa mesa estava cheia; todos os nossos antigos amigos estavam lá.

Pam e Colin evitaram as piadinhas enquanto estudávamos, mas foi impossível quando uma coruja entrou e me bicou, trazendo um pequeno embrulho.

- Mais bombons? – Colin acabou dizendo, e logo não controlou o riso. Lhe lancei um olhar enfezado, e ninguém na mesa estava entendendo o que acontecia.

- Recebendo presentes, é? – Mel me lançou um olhar astucioso.

Em vez de responder, desembrulhei a carta, vendo a letra elegante de Draco.

Esse é diet. Espero que coma.

Afundei minha cabeça na mesa e Pam, que olhou a carta ao meu lado, começou a rir freneticamente.

- Até ele está te zoando! – ela não conseguiu controlar.

Enquanto meus outros amigos observaram a cena, desembrulhei a caixinha, que vinha com um único bombom, cujo glacê dizia "me coma".

- Maldito – comentei, enquanto dava uma dentada – ele vai ver só uma coisa.

- Err... De quem você tá falando? – Mary perguntou, curiosa demais para se conter.

- Do namorado dela – Colin respondeu por mim, dando um sorriso malicioso.

Algumas exclamações foram ouvidas.

- Namorado, hein? – Mel parecia surpresa até demais – quem diria!

- E quem é a figura? – Josh perguntou, e eu poderia jurar que senti uma pontada de ciúmes.

Essa eu ia responder, mas após uma segunda dentada senti meu dente bater em algo. Afastei o bombom e percebi que havia algo dentro; lentamente, puxei o que estava ali e meus olhos se arregalaram, assim como os dos presentes.

Uma aliança prateada. Uma aliança de compromisso. Fiquei encarando abismada a pequena joia, enquanto Mel levava a mão à boca.

- Caramba, é sério mesmo! – ela não evitou de falar – mas quem foi que fisgou você assim, Gi?

Um sorriso se formou em meu rosto, enquanto eu sacudia a cabeça e colocava a aliança em meu anular direito.

- Draco Malfoy – falei, enquanto olhava para a minha mão, vendo que a aliança se encaixava perfeitamente.

- Malfoy? – Mary quem ficou mais surpresa – o que era da Sonserina?

- Ele mesmo – Pam confirmou por mim, já que eu não tinha condições de falar – e vão viajar juntos nessas férias de inverno.

- Grande coisa – vi Josh frisar os cenhos, mas Mel deu-lhe um tapinha no ombro.

- C-a-r-a-m-b-a! – ela quase soletrou a palavra – você está mesmo namorando o gostoso do Malfoy! Conta tudo! Como foi que se encontraram?

E a nossa reunião de estudos acabou virando uma conversa para colocar as fofocas em dia. Encurtei algumas partes, como a minha fixação em encontrar Draco de novo após termos dançado na boate, e sobre como eu havia tido um orgasmo só com isso na primeira noite. E, obviamente, eu o enalteci na cama, dizendo o quanto ele era experiente e insaciável, o que não fugia muito da realidade.

Meus amigos estavam surpresos de me verem em um relacionamento sério; acho que a melhor palavra seria incrédulos. Acho que ninguém dali achava que, depois de todas as besteiras que já fiz, conseguiria me prender a alguém. A mesma reação era dada a Pam, e não posso dizer que não me incomodava um pouco.

- Nem Draco nem Blaise se importam com esse tipo de coisa – comentei, após ver os olhares que eu e minha amiga recebíamos – melhor ter experiência do que não ter nenhuma.

- Verdade – Pam concordou do meu lado – Blaise prefere mil vezes estar com uma mulher do que com uma garotinha virgem.

Eu nem precisava dizer isso de Draco, já que o sexo era um dos pontos fortes de nosso relacionamento. A tarde já estava no final, e me levantei, recolhendo o material.

- Se me dão licença, eu preciso agradecer pelo presente – me despedi, indo para meu dormitório. Eu logicamente poderia ter enviado uma coruja de resposta, mas achei melhor aparecer novamente em sua casa no meio da noite.

Encontrei-o como antes, sentado no escritório.

- Você nunca dorme? – perguntei, fazendo-o perceber que eu estava ali.

Ele levantou-se lentamente, sem falar nada. Eu permaneci no batente da porta, apenas observando.

- Me diz que você comeu o bombom – ele pediu, e senti a diversão em sua voz.

Desamarrei meu sobretudo, deixando-o cair no chão, e minha roupa de baixo exposta; um corset preto e trançado, cinta-liga e nos pés, um escarpam de bico fino.

- Me diga você – respondi, colocando a mão direita estendida no batente, a aliança à vista. Vi-o soltar um gemido involuntário enquanto se aproximava de mim, seus olhos me devorando à distância.

- Preciso lhe dar mais presentes – ele comentou com voz rouca, antes de me puxar para um beijo.

Ah sim, sexo definitivamente era nosso ponto forte.


N/A: Oi gente!

E aí, gostaram do cap? No próximo, as férias dos dois!

Nesse, quis mostrar o que é uma garota ansiosa por um relacionamento... Se a Gina tivesse um telefone, seria do tipo que fica olhando para ele, esperando uma ligação rsrs

O que acharam? Do pedido de namoro, da aliança...? Ri muito inventando essas cenas! Imaginei a cara de trouxa de Gina ao ver a frase na caixa de bombons e ri freneticamente aqui!

Bom, espero que tenham gostado. Quero muito finalizar essa fic, mas ainda falta algumas coisas. Por falar em finalizar, "Qualquer um pode amar" está FINALIZADA! Nem posso acreditar que consigo dizer isso de uma de minhas fics! E "A Razão é Você" também está em reta final, já tendo sido atualizada essa semana. Estarei escrevendo um novo capítulo em breve, quero receber muitas reviews para me incentivar!

Agora são só duas; fica mais fácil e mais ágil. Mas sem incentivo fica difícil, né? Me digam o que acharam desse cap, e o que esperam do próximo!

Na hora de escolher uma carreira para Gi, tentei pensar em algo diferente do já apresentado nos livros de HP. Acabei usando da minha própria área para escrever algo, então, o que é dito sobre os sistemas jurídicos na conversa dela com o Draco é verídico, já que conheço bem! rsrs

Aguardo reviews!

Bjinhos,

(¯`·._.·[ Princesa Chi ]·._.·´¯)

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