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macpotter
Author of 11 Stories

Rated: K - Portuguese - General - Remus L. & Sirius B. - Reviews: 13 - Published: 12-18-04 - id:2177674

Se você pudesse ler minha mente

Remo vai ficar com Sirius durante o verão depois de seu sexto ano. O que ele não percebe são as esquivas dos não-platônicos sentimentos de Sirius por ele, e o que ele não enxerga é que seus sentimentos também podem mudar. Se apenas eles pudessem um ler a mente do outro...

Remo Lupin tinha uma opinião diferente sobre as malditas chaves de portal antes de se estabacar no chão nos últimos três degraus de cimento, caindo de cara. Por sorte, a grama que ali crescia amparou sua queda e ele escapou com pequenas contusões. Sua mala, no entanto, não teve a mesma sorte. Ela saiu pingando aberta graças à queda e agora todos os seus pertences estavam espalhados, de modo embaraçoso, por todo o calçamento. Ele recolheu suas calças e roupas de baixo enquanto xingava escadas, malas, chaves de portal entre outras coisas variadas que realmente não mereciam aqueles resmungos.

Ele nunca gostara realmente de chaves de portal, mas havia sido sua única opção já que ele tinha perdido o expresso de Hogwarts. O que aconteceu foi que a Lua Cheia surgira apenas alguns dias antes do término das aulas, e Dumbledore havia arranjado para que Remo ficasse mais alguns dias, então o mandou de volta por uma das chaves de portal de Hogwarts para o flat de Sirius em Londres, onde ele agora se encontrava recolhendo suas roupas no cimento rachado. Ele desejou que a chave de portal não tivesse o transportado diretamente para a beirada das escadas do lado de fora do flat de Sirius, mas de modo relutante estava até que agradecido ao objeto enfeitiçado.

Pela primeira vez, Remo não estava passando suas férias de verão com os pais. Ele tinha recebido uma oferta de trabalho temporário e, como era inexperiente, ficaria sob a tutela da auror Elyse Delacroix, a fim de adquirir mestria neste ramo. Ele devia isto a Dumbledore. O diretor tinha indicado Remo, escrito que ele era um excelente aluno, e esta carta ajudou não só a convencer o ministro dos aurores de que ele valia a pena, como também de que sua licantropia não seria um problema. Infelizmente, isto significava que ele teria de passar seu verão em Londres e não na casa de seus pais em Hampshire. De primeira Remo se preocupou em arranjar um lugar para ficar, e tinha quase desistido do estágio, mas Sirius rapidamente lhe ofereceu seu flat, oferta que Remo com certeza aceitou.

Agora Remo fitava o pequeno pedaço de papel em suas mãos. Rua Brumble nº 321, terceiro andar, aptº 4. Era a escrita ilegível e indescritível de Sirius, mas depois de seis anos de prática Aluado já se acostumara a decifrá-la. Ele abriu a porta pesada da entrada enquanto olhava escada acima, silenciosamente amaldiçoando quem quer que fosse que criou a regra de não permitir o uso de magia fora da escola. Sua mala se chocava com todos os degraus conforme ele a arrastava atrás de si. Sem fôlego nem paciência, ele chegou na porta de Sirius. Número quatro. Bateu.

Lá dentro, Sirius estava reclinado em seu recém-comprado sofá laranja de veludo cotelê. Ele comprara aquilo pensando em Remo, pois sabia que seu amigo lobisomem iria passar o verão com ele. Uma batida educada na porta fez Sirius empinar a cabeça, como o cachorro em que ele às vezes se transformava. Ele se retirou do sofá e foi até a porta (aproximadamente quatro passos largos de distancia, quando correndo).

- Aluado! - ele saudou, um sorrisinho bobo em seu rosto. Remo retrucou com seu próprio sorriso torto, um sorriso que Sirius sabia que significava que ele estava cansado, e provavelmente aborrecido. Mesmo assim, Sirius o abraçou rapidamente antes de recolher sua mala com aparentemente esforço algum.

- Lugar legal, Almofadinhas. - Lupin aprovou com admiração. Mesmo que fosse pequeno, o flat tinha tudo que um par de solteiros precisaria: uma cozinha, banheiro, sala de estar completa com televisão e um quarto. Só havia uma cama, mas Remo insistira em afirmar que ele dormiria no sofá e que Sirius permaneceria em sua cama. O rapaz concordou relutantemente, mas pelo menos havia comprado um colchão reclinável como prêmio de consolação.

Sirius tinha atirado a bagagem de Remo atrás do sofá de veludo e agora estava o reclinando para a mesma posição de antes. Remo sentou ao lado dele, seu corpo afundando dentro do tecido de pelúcia.

-Você gosta? - Sirius perguntou, indicando o sofá macio.

Remo assentiu. Ele tinha deitado sua cabeça no encosto e fechado seus olhos brevemente. Sirius o sacudiu euforicamente com sua mão esquerda.

- Estou acordado, estou acordado. – ele grunhiu.

- Quando aquele seu troço de estágio começa?

- Semana que vem. Segunda-feira.

Sirius fez alguns cálculos mentais:

- Quatro dias.

- Quatro dias. - repetiu Remo.

- Ótimo! Quatro dias pra gente sair por Londres antes de você se endireitar.

- Parece ótimo. Você se importa se eu tirar um cochilo antes?

Sirius lhe deu um meio sorriso e balançou sua cabeça. Seus cabelos negros caíram em seu rosto.

- Não, vai em frente Aluado. Eu vou me manter ocupado.

Remo pensou em algumas opções de comentários com que ele poderia retrucar, mas ao invés disso fechou seus olhos e se esticou no confortável sofá. Sirius o assistiu por alguns minutos do outro lado da sala antes que Remo abrisse um olho e lhe dissesse para “parar de o encarar”. Sirius apenas sorriu, mas foi para a cozinha de qualquer forma.

Ele fuçou à sua volta e percebeu, com embaraço, que tinha se esquecido de comprar mantimentos extras para seu convidado. Pegando sua carteira de sua cabeceira de cama, ele deixou o flat, trancando a porta atrás de si.

Remo acordou com o cheiro de fritura e muita agitação vindo da cozinha. Levantou-se vagarosamente, poupando-se de sentir a típica tontura de quando se levantava muito rápido, especialmente depois de uma Lua Cheia. Ele engatinhou até a cozinha de meias.

- Almofadinhas, você se excedeu. – Remo se espantou quando viu Sirius concentrado em fazer bolinhos vegetarianos.

- Bom! Você está de pé. - disse Sirius, ignorando o comentário anterior. Ele voltou sua atenção brevemente para Remo e sorriu para o modo como seus cabelos castanhos iluminados caíam em seus olhos. Ele tinha se esquecido de o quão adorável Remo ficava quando acabava de se levantar.

- Pratos? - Remo perguntou.

Sirius apontou o guarda-louça enquanto desligava o fogão. Ele removeu seu avental e o segurou casualmente do lado de fora do guarda louça. Lá dentro pegou um garfo para si e pauzinhos japoneses para Remo.

- Você lembrou. - Remo sorriu quando Sirius deitou os pauzinhos na mesa.

- É, eu tenho uma memória estranha... - respondeu Sirius forçado. O que ele realmente queria dizer era que ele tendia a lembrar detalhes estranhos sobre Remo que eram realmente insignificantes, mas importantes ao mesmo tempo. Por exemplo, o fato de Remo recentemente ter aderido à dieta vegetariana, ou que ele preferia comer bolinhos de vegetal com pauzinhos. Sirius lembrava a primeira vez em que vira, no Salão Principal, Remo comendo no método japonês. Ele ficara assistindo enquanto Remo, graciosamente, comia seus bolinhos japoneses. Ele mesmo tinha tido problemas em manusear um garfo, o que diria pauzinhos, mas Remo os usava como se fosse um hábito natural. Este era um dos muitos detalhes que ficaram na mente de Sirius quando ele pensava no amigo.

Na maior parte do tempo eles comeram em silêncio, com Sirius perguntando sobre a Lua Cheia, sobre Dumbledore e sobre qualquer outra coisa. Remo respondia honestamente, mas é claro que não entrava em muitos detalhes graças ao seu estilo Remo Lupin de se abrir. Enquanto eles comiam, houve uma batida do lado de fora da janela. Sirius se levantou e permitiu que uma coruja escura entrasse:

- Dumbledore. - esclareceu quando viu Remo olhar para ele questionador.

- Quer saber se eu cheguei aqui, não é?

Sirius confirmou, e pegou uma pena de detrás de sua orelha que Remo não tinha notado antes. Sirius rabiscou uma resposta e devolveu-a para a coruja. Ela levantou vôo e por algum tempo Sirius a assistiu, antes de voltar para seu jantar.

- Então, depois do jantar eu e você poderíamos ir para o pub lá da rua de baixo. - sugeriu Sirius.

- É, - concordou Remo. - eu sinto que uma bebida cairia bem.

- Então vamos beber! – finalizou o outro com um sorriso.

Algumas horas depois, os rapazes de dezessete anos se encontravam no pub que ficava no final daquela mesma rua. Estava bem cheio para uma noite de quinta-feira, mas Remo e Sirius não se importavam. Isso facilitava as coisas para eles se misturarem em meio aos trouxas. Várias rodadas depois e Sirius já estava levemente embriagado enquanto Remo se encontrava acabado, definitivamente bêbado.

- Você sabe... - ia dizendo Sirius. - Nós não bebemos muito.

- Isso é verdade, Almofadinhas. Devíamos beber mais. Beber bastante. - respondeu Remo, gesticulando com as mãos para enfatizar seu argumento. Ele não olhou para cima quando uma mulher de cabelo escuro se sentou ao seu lado. Pelo menos não até ela colocar sua mão em seu braço, fazendo-o se voltar para ela bruscamente.

- Olá. - ela sorriu.

- Oi.

- Sou Carissa. - ela lhe contou, o sorriso ainda em seu rosto.

- Remo. Este é Sirius. - Lupin introduziu, apontando para Sirius ao seu lado no bar. Carissa deu risadinhas.

- Vocês têm nomes engraçados.

Remo encolheu os ombros e retorquiu:

- Você também.

- Você é fofo. Quer me comprar um drinque?

- Não, nós já estamos de saída. Desculpe. – disse Remo ficando de pé. Isso provou ser demais para o lobisomem intoxicado, pois ele quase desabou no chão. Por sorte Sirius alcançou seu braço e pegou Remo antes que ele desmoronasse completamente. Sirius ficou de pé, tendo mais sucesso nisso do que teve seu amigo, e puxou para fora do bolso algumas moedas. Remo se preparou para fazer o mesmo, mas Sirius o interrompeu colocando uma mão em seu braço.

- Eu pago esse.

- Não, tudo bem. – Remo reforçou.

- Não, não. Eu pago. - Sirius sorria para seu amigo embriagado.

- Ok, ok. – Remo devolveu o dinheiro rapidamente e os dois se foram apoiados um no outro. Carissa assistiu ambos deixarem o bar com um projeto de sorriso antes de voltar para sua bebida.

- Sirius?

- Hum?

- Eu acho que estou bêbado. – Remo deu risinhos não característicos dele enquanto Sirius lutava com seu molho de chaves.

- Eu também acho. - ele concordou. - Você dá risadinhas quando está bêbado.

Remo deu risadinhas novamente e Sirius gargalhou dele enquanto se adiantava para a porta, se prontificando a abri-la.

- Tá legal, você dorme aqui. - Sirius apontou para o sofá.

Remo concordou. Se atrapalhou com os botões de sua camiseta antes de desistir de desabotoá-la e colidir com o sofá. Sirius sentiu ímpetos de desmaiar ao lado dele, mas se esforçou para ir para sua própria cama depois de pegar um copo de água. Uma trilha pequena de respingos de água guiou seu caminho da cozinha até seu quarto, um sinal de sua embriaguez. Depois de terminar com a água em um gole, ele se livrou de suas roupas e caiu na cama. Seus olhos se fecharam e sua cabeça se chocou com o travesseiro, pois segundos depois ele adormeceu.

Os poucos dias que lhes restaram seguiram o mesmo itinerário. Os rapazes dormiam, se levantavam e faziam um tour por Londres (Sirius mostrando euforicamente todos os grandes lugares da cidade para um encantado Remo, que só estivera em Londres uma vez num passado distante), tinham jantar, e se sentavam no pub onde costumavam beber mais do que sua saúde permitia. Normalmente algumas mulheres tentavam se aproximar e agarrar um deles, mas até lá tinham falhado. Remo não se sentia confortável nem de pensar em ir para casa com uma mulher desconhecida e Sirius se sentia relutante em deixar seu amigo sozinho num pub qualquer. Apenas Tiago o conhecia melhor do que Remo e, já que Pontas estava a milhas de distancia, Sirius estava determinado a passar todo o tempo que pudesse com Remo antes que ele começasse o trabalho.

Segunda-feira chegou muito rápido. Sirius morreu de rir quando Remo começou a se agitar pela sala, se certificando de que tinha tudo o que precisava.

- Então. - disse Sirius olhando seu relógio de pulso. - Agora é uma da tarde. Você vai partir em quinze minutos? - Remo confirmou nervosamente. - E vai estar em casa por volta das dez?

- Aproximadamente. Nós vamos fazer o turno da tarde. Ela disse que às vezes as coisas vão bem e eu devo voltar cedo. Às vezes as coisas vão mal então vou ter de ficar até mais tarde. Pelo menos não estou no grupo que fica no cemitério.

- É, isso é verdade. - disse Sirius pensativo. - Escute, talvez eu esteja fora quando você voltar pra casa, mas fique à vontade. Entre, não precisa me esperar.

Remo arqueou uma sobrancelha.

- Eu vou ver Natasha, aquela garota que conhecemos noite passada. - explicou Sirius.

- Ahh. Bem, espero que vocês se divirtam. - Remo sorriu.

- Você também. Boa sorte hoje à noite. - Sirius bateu nas costas de Remo antes que este se deslocasse para além da porta, fechando-a atrás de si.

Oito horas depois, quase na hora combinada, Remo entrou na sua nova casa para os próximos dois meses. Ele deixou seus sapatos ao lado da porta e estava apenas desabotoando sua blusa para tomar um banho quando ouviu um barulho que soava como uma voz feminina. Suas sobrancelhas se ergueram, confusas. Ele caminhou silenciosamente até o hall e discerniu que uma garota estava no quarto de Sirius.

A porta estava aberta o suficiente para Remo espiar lá dentro e ficar um tanto extasiado com a bela mulher. Não era apenas o fato da voz pertencer a ela que ele pôde constatar, mas também a viu escarrapachada em seu melhor amigo, completamente nua. Agora, não que Remo fosse particularmente intrometido, ou que ele quisesse espiar seu melhor amigo, era só que não é todo o dia que você vê uma linda mulher pelada em seu flat. Ao menos não se você for Remo Lupin.

A mulher, quem Remo podia apenas assumir ser Natasha, rolou por sobre suas costas. Seu longo cabelo negro, quase da mesma cor do de Sirius, caiu sobre o travesseiro em cachos grossos. Remo sentiu o calor subir à face e foi compelido a desviar o olhar. Enquanto ele censurava seus olhos, no entanto, ele os lançou para cima e sua atenção caiu em Sirius.

Remo já tinha visto Sirius nu em diversas ocasiões, o que era inevitável quando se divide um dormitório com outros quatro garotos. Ver Sirius pelado enquanto trocava de roupa era uma coisa, e ver Sirius pelado enquanto ele fazia amor com uma mulher era outra completamente diferente. Remo assistiu os arcos das costas de Sirius se arquearem com seus movimentos. Ele viu o jeito com que Sirius mordia seu lábio inferior com esforço e a maneira que ele deixava sua cabeça pender para trás. Natasha tinha suas pernas escanchadas ao redor da esbelta cintura de Sirius, seus pezinhos pequenos se movendo para cima e para baixo com a pressão e estocadas do rapaz. Suas respirações eram elaboradas, mas quase harmoniosas, e Remo se sentiu hipnotizado apenas ao ouvir o soar daquilo. Uma sonora expressão de prazer na forma do gemido de Natasha trouxe Remo de volta para a realidade e ele rapidamente se retirou da porta de entrada de Sirius e atravessando o hall correu para o banheiro.

Seu peito arfava enquanto ele recolocava em sua mente o que tinha acabado de testemunhar. Ele trancou a porta antes de tirar suas roupas apressadamente e se voltar para o chuveiro para uma gelada recarga mental. Tinha apenas entrado quando ouviu uma batida na porta.

- Hey, Aluado?

- Sim? - Remo devolveu o chamado. Ele tentou imaginar Sirius vestido do outro lado da porta, mas tudo o que podia ver era Sirius nu, apesar de todos os seus esforços se inclinarem para o contrário.

- Está ocupado?

- Estou tomando banho, espere só um minuto. – retrucou, entrando no chuveiro e fechando as cortinas ao seu redor. Tomou banho rapidamente e se enrolou num roupão branco. - Terminei. - ele chamou através da porta de Sirius quando fazia seu caminho de volta para a sala. Teve um momento de pausa e então um “Ok”.

Remo caminhou com leveza pelo hall, descalço, carregando suas roupas. Ele vestiu seu pijama no ângulo remoto da sala de estar, fora de vista do hall. Quando ele se arrastava para debaixo dos cobertores em seu sofá-cama, ouviu Sirius e Natasha vindo pelo hall. Remo rolou para o outro lado agilmente e fechou seus olhos, fingindo dormir. Ele ouviu murmúrios de conversação e algum tempo depois a chave da porta sendo destrancada, então o som de alguém se esgueirando para fora do flat.

O peso no sofá se deslocou quando Sirius se sentou ao lado de Remo. Lupin manteve seus olhos fechados num grande esforço de manter a façanha de estar dormindo.

- Oh, desista. Eu sei que você não está dormindo. – Sirius o sacudiu pelos ombros.

- Bem, se eu estivesse, não estaria mais. – grunhiu o maroto, rolando para encarar Sirius.

- Você voltou pra casa cedo. - disse o animago, um pouco forçado. - Como foi o trabalho?

- Eu fui bem. - disse Remo, sufocando um bocejo. - Como foi Natasha? Quero dizer, como foi o encontro ou qualquer outra coisa?

Remo estava agradecido por apenas a luz da cozinha estar acesa, pois assim Sirius não podia notar o vermelho que se apossava de sua face com a lembrança de Natasha e Sirius. Será que essas imagens mentais iriam parar algum dia de se materializarem em sua mente?

- Ah, ela é ok. - Sirius encolheu os ombros. - Nós devíamos ter voltado para o apartamento dela, mas passamos por aqui e ela quis entrar.

- Ahh. - disse Remo. Um silêncio desconfortável perdurou entre os dois durante algum tempo, até que:

- Bem, então boa noite. – Sirius disse rapidamente, se pondo de pé.

- ‘Noite. - retrucou Remo, rolando para o outro lado. Ele tentou, inutilmente, pensar em qualquer outra coisa exceto Sirius (Natasha tinha desaparecido completamente de suas imagens mentais). Eventualmente, ele caiu num sono agitado e acordou na manhã seguinte com seu alarme tocando sete horas da manhã.

Sirius já estava acordado, comendo cereal na cozinha. Ele ainda estava em seu roupão de banho, este que se prendia preguiçosamente em sua figura. O cordão ia vagarosamente escorregando para fora de seu nó, se preparando para se desfazer, como notou Remo quando Sirius se levantou para por a louça na pia. Ele piscou duas vezes e continuou a arrumar o sofá.

- Eu sinto muito por ontem à noite. - disse Sirius desajeitado. - Espero que não tenha sido tão alto.

Remo balançou sua cabeça.

- É o seu flat. - ele lembrou.

- Bem, é nosso flat para o verão. –Sirius sorriu. Em seguida começou a se amaldiçoar silenciosamente por seu último comentário. “Nosso flat? Você não podia ser mais óbvio?”. O rapaz então deixou-se mergulhar dentro de um sonho acordado já familiar dele mesmo e Remo dividindo um flat, mas mais que isso, dividindo um quarto. Dividindo uma cama.

Desviou rapidamente a atenção para seu café da manhã, mas fez o infeliz (ou talvez feliz, ele refletiu mais tarde) erro de se virar quando Remo estava em pé dentro de seus shorts de seda, decidindo que calça usar. Sirius moveu sua cabeça levemente enquanto estudava a figura de Remo. Ele era delgado, mas não totalmente magérrimo. Havia algumas cicatrizes visíveis em suas costas, mas a maioria delas tinha desaparecido graças ao trato de Madame Pomfrey. Sirius deixou seus olhos passearem por uma longa cicatriz que corria por metade das costas de Remo e ia descendo por debaixo dos shorts...

Remo se virou de repente, como se sentisse que tinha alguém o assistindo. Houve um ruidoso “crash” quando Sirius derrubou a garrafa que estivera bebendo.

- Você está bem? - Remo perguntou imediatamente. Ele se apressou em ajudar Sirius a recolher os cacos do vidro quebrado.

- Aham, só tem um pedacinho... - Sirius puxou para fora um fragmento de vidro. - ...no meu pé.

Remo franziu as sobrancelhas enquanto estudava o pé ferido de Sirius.

- Aqui, deixa eu pegar uma bandagem. - disse quando voltou para a sala de estar. Sirius continuou a recolher cuidadosamente o vidro e o lançou para dentro do cesto de lixo. Ele balançou a cabeça, se perguntando o que tinha dado nele. Bem, na verdade, ele bem sabia o que tinha dado nele... Estava lá desde o ano passado. Ele tinha tentado esquecer, tentado ignorar, tinha até mesmo tentando sair com outras pessoas, mas o fato era que ele tinha uma queda preferível pelo doce rapaz que tinha retornado com bandagens.

Remo limpou e enfaixou o pé de Sirius como alguém que tem muita prática em enfaixar caninos, o que com certeza ele tinha.

- Aí está. - ele disse enquanto dava tapinhas gentis no pé de Sirius. - Agora, o que te fez derrubar a garrafa?

- Ah, você me conhece. Eu sou apenas desastrado. – Sirius encolheu os ombros. Ele notou que Remo ainda não estava vestido e se forçou a desviar a atenção. Daquele jeito, ele iria quebrar todas as louças que havia no flat... Foi então descansar em uma das cadeiras da cozinha e reclinou seu pé numa outra enquanto Remo terminava de se vestir, depois de decidir que calça usar.

- Te vejo hoje à noite. - avisou Remo quando fez seu caminho até a porta.

Sirius o assistiu partir com um suspiro. Mais oito horas para matar até que Remo estivesse em casa novamente...



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