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Daphne Pessanha
Author of 52 Stories

Rated: M - Portuguese - Romance/General - Heero Y. & Duo M. - Reviews: 65 - Updated: 09-04-05 - Published: 12-23-04 - id:2185305

N.A: Todos tanto pediram que aqui estou com a continuação de Operação Cupido. Nessa fic a galera vai saber o que aconteceu no passado de Heero e conhecer a família Yuy. Uma coisa que eu reparei somente agora, eu estava escrevendo o nome de Kohako errado. Na verdade, o certo seria Kohaku.Mas como na outra fic ele ficou errado, deixarei do jeito que está. Continuarei escrevendo Kohako mesmo.

Classificação: Yaoi (talvez tenha lemon, ainda não decidi)

Casais: Heero e Duo (talvez tenha outros, também não me decidi)

Resumo: Férias, todo mundo adora umas férias, mas será que essas férias serão para um descanso ou um pesadelo? Heero volta ao Japão depois de seis anos, decidido a apresentar o namorado a família. Mas todo mundo sabe que, em se tratando dos Yuy, nada é relativamente fácil.

Fic dedicada a Arashi Kaminari e a sua lista de "Salvem a Continuação de Operação Cupido". Aí está menina, espero que todos apreciem.


Os altos falantes do aeroporto soaram dentro do hall, ecoando pelo lugar tumultuado e alcançando os ouvidos do pequeno grupo que estava em frente ao portão de embarque.

-Creio que esse é o vôo de vocês. – disse a jovem de longos cabelos negros, puxando um rapaz de trança para um abraço. –Boa viagem. – murmurou a garota no ouvido do repórter, o soltando e lhe dando um brilhante sorriso. Logo depois, ela puxou o outro rapaz do grupo, com rebeldes cabelos castanhos e expressão séria, dando-lhe um abraço apertado. –E boa sorte. – sussurrou no ouvido dele, ganhando um grunhido como resposta.

-E vocês dois… - Duo sorriu enquanto pegava na mão de Heero para poderem embarcar. -… Não façam nada que eu não faria. – piscou matreiro para Solo e Kohako, que estavam os acompanhando no embarque para o Japão.

-Se for assim… - Solo respondeu ao irmão. -… teremos reclamações de barulhos excessivos, no nosso prédio, também. – em vez de corar de vergonha, tudo que Duo fez foi sorrir mais ainda, enquanto Heero rolava os olhos ao seu lado.

-Vamos senão vamos perder o vôo. – murmurou o advogado um pouco sisudo, característica que só reaparecia nele quando ele estava nervoso ou irritado. Pois depois do furacão Duo que surgiu em sua vida e permaneceu nela, Heero Yuy tinha perdido um pouco a fama de Coração de Gelo dentro dos tribunais, mas ainda tinha a fama de bom amante entre as mulheres, o que às vezes deixava o americano de trança possesso.

-Isso mesmo, senão Dona Corinna arranca o fígado de vocês. “Pontualidade britânica queridos, vocês nunca ouviram falar nisso?” – escarneceu Kohako na melhor imitação da mãe. Heero apenas soltou outro grunhido, detestando admitir que ela tinha razão, a mãe deles ficaria furiosa pelo atraso, e começou a arrastar Duo na direção do portão de embarque. O americano se deixou levar pelo namorado, não sem antes dar uma olhada por cima do ombro e um tchauzinho para os que ficavam.

-Ah, e Duo? – Kohako chamou, fazendo o jornalista parar por uns instantes. –Toma! – e jogou algo para ele. Duo pegou o objeto arremessado e o olhou com estranheza. Por que Kohako lhe dera uma lixa de unha? –Acredite, você vai precisar. – disse a garota, respondendo a pergunta muda dele, com um sorriso enigmático. Duo deu de ombros, um último adeus, e entrou no avião, atrás de Heero.

-Por favor, senhores, se acomodem e apertem os cintos. – a comissária de bordo disse assim que eles entraram no avião, indicando os seus lugares. Heero sentou-se do lado da janela e afivelou o cinto, como um autômato, depois começou a estalar os dedos, brincar com a barra de sua camisa, passar as mãos pelos cabelos, esfregar o rosto como se estivesse espantando o sono, até que por fim começou a roer as unhas. Tudo isso enquanto eles ainda estavam em terra firme e as aeromoças explicando os procedimentos de emergência.

-Qual vai ser o próximo da lista? Um enfarto? – Duo falou, tirando a mão do japonês da boca dele e a colocando em seu colo, agora sabendo o porquê de Kohako ter lhe dado uma lixa de unha.

-Nani? – milésimo tique nervoso. Heero sempre deslizava para o japonês quando estava apreensivo, para o alemão quando estava irritado ou excitado, e murmurava coisas em inglês quando estava envergonhado. Mas o último caso sempre era algo raro de se acontecer. O do meio era uma coisa mais freqüente.

-Você está nervoso Heero. – Duo disse displicente enquanto lixava a unha roída.

-Não estou não. Na verdade eu estou perfeitamente calmo. – retrucou, puxando a sua mão de volta e a colocando em seu colo, enquanto o avião decolava.

-Claro, tão calmo quanto um hipertenso durante uma crise de estresse. Na verdade, você está à personificação de Buda em hora de fechamento atrasado do jornal. – Heero ergueu uma sobrancelha para o americano diante da piadinha. Já estivera uma vez no Winner Press, para buscar Duo, na hora do fechamento do jornal, que estava completamente atrasado, e aquele lugar parecia o inferno na terra. Nem Buda sobreviveria ali dentro e manteria a pose se visse aqueles repórteres, chefes e editores correndo e gritando. Até o pobre Quatre estava em um estado de nervos puro. E nunca, nunca mesmo, queira ver Quatre Winner irritado, era de meter medo.

-Você também ficaria com medo se estivesse no meu lugar. – Heero murmurou sob a respiração, mas Duo o ouviu bem.

-Por que Heero? Eu lembro que você relutou muito para aceitar o convite da sua mãe de visitar a família em Shizuoka. E ainda me lembro de como você estava tenso nessa semana que antecedeu a viagem. O que há de errado Hee-chan? O que você está me escondendo? – perguntou totalmente sério, fixando seus olhos violetas no homem. Heero soltou um suspiro e abriu a boca para falar. Era melhor deixar Duo preparado para o pior.

-Duo, você sabe que em relação ao homossexualismo, os japoneses são mais… liberais, certo? Embora uma demonstração de afeto em público não seja bem vinda…

-Sim, e daí? Não é como se eu fosse te agarrar em público Heero, ou coisa e tal. Somos reservados em nosso relacionamento público, sempre fomos. Então, qual é o ponto?

-Minha família. São sete filhos, dez sobrinhos, homens, ao todo, junto com o meu avô, são dezoito homens. Isso porque eu estou excluindo minha mãe e minhas tias. Porém, acho que no pelotão de fuzilamento algumas das minhas tias podem entrar. Mas a questão é a seguinte, meu pai é o mais velho e atual patriarca da família. Era esperado que depois de meu pai, eu assumisse o controle do clã Yuy. E como futuro líder eu deveria me casar e ter herdeiros, já que sou o filho primogênito do primogênito. É uma tradição.

-Minha nossa!

-Claro que a Kohako, sendo filha do primogênito também, se ela tiver um menino como filho ele se torna herdeiro dessa posição dentro da família. Mas isso só acontece se o líder original não puder ter filhos, ou algo do gênero. E no nosso caso… fica meio difícil sair um filho dessa história. Mas isso não é nada… a questão é que é uma família tradicionalista, embora formada por empresários e homens globalizados e capitalistas. Ainda sim… não creio que a recepção vai ser tão calorosa se eles descobrirem que o amigo que eu estou levando em férias para o Japão, na verdade, é o meu namorado. Meu pai vai me matar… melhor dizendo, ele vai me esfolar, me estripar, me trucidar e se for muito piedoso, aí sim ele me poupa a dor extrema e me mata de vez.

-Heero, você não acha que está exagerando? – Duo perguntou divertido. O advogado, sempre tão calmo e centrado, estava quase tendo um ataque histérico por causa de uma reunião de família. Os papéis estavam meio invertidos dentro dessa situação. Ele, Duo, que deveria estar nervoso, quando na verdade estava calmíssimo.

-Você acha que eu estou exagerando? – perguntou o homem em um tom seco. –Espere então até chegarmos lá.

-Não vamos jogar a bomba no colo deles, Heero. Vamos por etapas, indo devagar e acostumando a família com a minha presença… depois dizemos a eles a verdade.

-Sei… e eu quero ver quanto tempo você vai agüentar isso. Porque conhecendo as minhas tias, como eu conheço, com certeza elas vão ficar me azucrinando perguntando quando eu vou arrumar uma esposa, que eu estou ficando velho, blá, blá, blá, blá… - Duo não pôde fazer outra coisa a não ser rir.

-Certo… veremos. – disse, ficando em silêncio por alguns segundos, até quê: -Heero?

-Hum?

-Pelo o que eu entendi, tirando as suas tias… Kohako é a única herdeira dos Yuy? Única mulher da família?

-Sim. Então se você acha que apresentar você a família vai ser difícil… eu sugeriria que você mantivesse Solo longe dos homens Yuy por um tempo. Todos os tios, todos os primos, todos sem exceção tem um xodó extremo pela única menina da família.

-Hum… isso explica o porquê de ela saber bater tão bem. Deus, aquela rasteira que ela deu no Otto outro dia durante a cobertura daquele protesto, foi demais. O sujeito nem viu o que o atingiu.

-Bem, sim, meus primos foram o saco de pancadas dela particular. – respondeu Heero com um certo tom orgulhoso. –E aquele idiota do Otto mereceu.

-Ela luta bem.

-Porque teve um ótimo professor. – respondeu o japonês presunçoso e Duo apenas soltou um suspiro exasperado.


Durante toda a viagem, Heero tinha se acalmado o suficiente para poder até achar as piadas do americano engraçadas, o que era um milagre. Mas à medida que o avião foi chegando ao território japonês, o moreno parecia um dos réus que ele tentava defender no tribunal. Com cara de quem estava indo para a forca. Duo tinha que admitir que estava ficando um pouco nervoso, mas não chegava nem perto do estado do advogado, e isso era totalmente estranho para ele. Um Heero irritado ele sabia lidar, mas um com medo, chegava a ser bizarro. Deus, a família dele não poderia ser tão ruim assim, poderia? Quer dizer, Kohako vivia dizendo que dentro do clã Yuy não existia espécime pior que Heero, e se ele conseguiu conquistar o coração do pior deles, o que seriam os outros?

-Heero? – o homem de trança chamou, depois que o avião pousou. Heero estava pálido e com a cara fechada e inexpressível, como sempre ficava durante um julgamento. E isso não era nada bom. Os dedos dele estavam fechados em um punho sobre os apoios da cadeira, e as juntas estavam ficando brancas, esse era o único indício do nervosismo do japonês. –Heero Gottschalk Yuy! – Duo colocou as mãos na cintura e começou a bater o pé no meio do corredor do avião, lembrando muito a D. Corinna. –Mova o seu lindo traseiro desse banco, agora! Como você espera que eu ande lá fora sem saber nem dar um bom dia em japonês? – perguntou irritado, já se cansando daquela palhaçada. Heero parecia ter saído do transe e mirou os seus olhos azuis e sérios no namorado, se erguendo da cadeira e puxando com violência a bolsa no compartimento acima do seu assento.

-Vamos embora! – ordenou, pegando na mão de Duo e o arrastando para fora do avião, recebendo olhares curiosos das comissárias de bordo enquanto eles passavam. Quando uma aeromoça deu uma olhada mais longa para o americano, Heero apenas lançou a ela o seu olhar “omae o korosu” e ela se pôs em seu lugar. E com essa determinação eles dois saíram do avião.

Heero arrastou Duo pela mão por um bom pedaço, dentro do hall do aeroporto, até que o americano os parou quando soltou a sua mão bruscamente de entre os dedos do advogado.

-Heero! Você vai estourar uma veia se continuar a agir assim. – resmungou ofegante por ter saído às pressas de dentro do avião.

O moreno de cabelos curtos parou no meio do saguão, cruzando os braços sobre o peito, com uma expressão totalmente fechada, se sobrepondo as outras pessoas por causa de sua altura e percorrendo os olhos azul cobalto ao seu redor a procura de alguém conhecido. Divisou um rapaz abrir espaço entre a multidão. Os cabelos negros desciam pelos ombros, sendo presos com uma fita, a calça jeans estava rasgada e cheia de desenhos, enquanto uma estampa do Metálica estava na camisa negra. Cada orelha tinha pelo menos dois brincos, e uma tatuagem de um enorme dragão estava marcando o ante braço esquerdo. Aquele só poderia ser…

-Isamu! – Heero resmungou, catando as suas malas e as de Duo, e indo em direção ao rapaz que caminhava perdido pelo saguão. Duo viu o movimento ao seu lado e correu para poder acompanhar o namorado. –Isamu! – o advogado chamou mais alto o rapaz que parecia mais uma barata tonta no meio de tanta gente. Rapidamente o jovem de vinte e dois anos se virou e abriu um grande sorriso para Heero, iluminando os seus olhos castanhos.

-Heero, velho amigo! – o rapaz estendeu a mão para Heero, que a apertou firmemente. Rapidamente Duo deu uma cutucada nas costelas do namorado, para serem apresentados. –E quem é essa belezinha com você? – comentou o jovem, olhando Duo de cima a baixo. –Não é muito feminina, mas é uma garota bonita. – Duo mordeu a bochecha para não rir, já acostumado com essas confusões das pessoas sobre a sua figura. Heero ergueu uma sobrancelha, contrariado.

-Esse é o Duo Maxwell. Duo, esse é o meu primo caçula, Isamu Yuy. – disse o advogado e Duo estendeu uma mão para o rapaz.

-Seu inglês é muito bom. – falou com uma voz grave e o jovem japonês rapidamente notou o erro que cometera.

-Meu, foi mal mesmo. Mas é que com essa trança… eu pensei…

-Tudo bem.

-E Heero, primão, não sou mais o caçula. Tia Hotaru está grávida, de gêmeos. Ambos meninos. Cara eu não sei o que essa família tem que só predomina o cromossomo Y. Mas… - o moreno olhou ao redor e depois fez uma cara desapontada. -… Kohako não veio com você?

-Kohako? – Duo ergueu a sobrancelha diante do nome da menina e viu quando Isamu corou intensamente.

-Esqueça. Venham… - o jovem pegou algumas malas das mãos de Heero. -… tia Corinna mandou que eu viesse buscar vocês. Estão todos esperando ansiosamente por você Heero. Faz seis anos que você não aparece na área. Faz idéia de que todas as nossas tias estão doidas para saber como anda o sobrinho de olhos azuis delas. – Heero grunhiu em desagrado.

-Sobrinho de olhos azuis?

-É… - Isamu virou-se com um grande sorriso para Duo. –Se você não sabe, na nossa família os únicos com os olhos azuis são Kohako, Dona Corinna e Heero. E como o Heero é o mais velho de todos.

-Hee-chan? Você é o mais velho de todos os sobrinhos? – Duo perguntou encantado. Não sabia disso. Isamu, ao lado deles, ergueu uma sobrancelha diante do apelido que o americano deixou escapar.

-Bem, aqui estamos. – Isamu apontou para o jipe na calçada, jogando as malas no bagageiro. –Vamos nessa? – disse, rodando as chaves do carro nos dedos. Com reflexos rápidos Heero tirou o molho da mão do primo caçula.

-É você que vai dirigir? – perguntou sisudo.

-Sim… - Isamu franziu as sobrancelhas, estranhando aquela atitude.

-A casa ainda continua no mesmo lugar de Shizuoka?

-Sim Heero, mas…

-Mas nada fedelho. Eu lembro que da última vez que eu estive aqui você iria fazer a prova para tirar a carteira e eu fui treinar a direção com você… e você quase nos dirigiu para um poste. Eu dirijo. Entra aí. – ordenou. Duo soltou uma longa gargalhada, não acreditando naquilo. Heero parecia um pai repreendendo o filho. Se bem que, sendo o mais velho, e com a pressão de ser o futuro líder, ele não esperaria por menos. Sem contar que era mais ou menos assim que ele agia com Kohako, claro que tinha o fato de ela ser uma menina e a irmã dele, então a proteção duplicava.

-Ao menos o seu amigo acha graça, me sinto honrado por entreter um ocidental. – comentou sisudo o garoto. Duo tentou ficar sério, mas a cara que Isamu fez era a mesma que Heero e Kohako faziam quando estavam frustrados. Coisa bem característica da família Yuy, e por isso riu mais ainda, atraindo a atenção de algumas pessoas que passavam.

-Cala a boca baka. – resmungou Heero, enrolando a mão na trança do jornalista e a puxando. Isso fez Duo parar de rir em um instante.

-Ai Hee-chan! – choramingou, esfregando a cabeça. –Trança é sagrada, ninguém toca… - abriu um sorriso malicioso. -… a não ser você, é claro! – as sobrancelhas de Isamu franziram tanto que se tornaram uma única linha negra na testa do garoto. E quando Duo deu um selinho na bochecha de Heero e esse grunhiu, mas mesmo assim deu um pequeno sorriso, tudo se encaixou em um estalo.

-Ih cara, tu ta fudido! – falou o garoto, alto, no meio da rua, e algumas pessoas olharam feio para ele. Heero voltou-se com um olhar chocado para Isamu. Não pelas escolhas das palavras, mas porque sabia que ele entendeu toda a situação.

-Nani?

-Meu… Ichiro-sama vai te matar bonito. Ele te manda para a América para se tornar advogado e você volta com um namorado. Certo que para alguns padrões ele é bonito Heero… mas… meu… tu ta morto. Tem certeza que não quer que eu dirija? Ir de encontro a um poste deve doer menos.

-Cala a boca! – Heero rosnou, já sentindo toda a sua tensão e nervosismo voltar, sentando no banco do motorista e batendo a porta, rodando a chave na ignição.

-Eu desejo sorte. – falou Isamu, virando-se para Duo e abrindo a porta de trás do jipe para ele. O jornalista sentou no banco de trás e a viagem de Tóquio para Shizuoka seguiu-se no mais absoluto silêncio.


Duo arregalou os olhos diante da grandeza que ele via a sua frente. A casa da família Yuy era enorme. Bem, pelo pouco que ele sabia, aquela era apenas a casa principal, onde morava o patriarca da família. Ou seja, o pai e o avô de Heero. As casas em volta eram dos outros familiares. E o mais surpreendente, era quase três quarteirões só de casas com o sobrenome Yuy nas plaquetas ao lado do portão. Parecia que não tinha apenas os filhos do senhor Takashi morando nas redondezas, mas outros parentes mais distantes também. Mas voltando a casa principal, ela ficava no alto de um monte e lembrava muito os antigos castelos do Japão feudal. Era térrea, com algumas paredes divisórias de madeira e outras de portas de papel arroz. Tinha um templo ao fundo e era rodeada por um bosque verde, com as folhas de início de primavera cobrindo o enorme quintal forrado de pedras.

-Maneiro não é? – Isamu riu da cara espantada que o americano estava fazendo. –E vocês chegaram bem na época do festival da primavera. O vovô abre o velho templo da família para as festividades. A região fica empolvorosa.

-Minha mãe está em casa? – Heero virou-se para o primo, com um tom esperançoso. Preferia falar com a mãe primeiro antes de encarar o restante da família.

-Sim… assim como a minha mãe… - o jovem advogado deu um pequeno sorriso. A sua tia Misao com certeza seria bem compreensiva com a sua nova situação, assim como Isamu foi. –E a tia Hotaru, Sakura, Minako, Ai e Akemi. – o moreno de cabelos curtos gemeu. Todas as suas tias estavam em casa. Sorte que com certeza há essa hora seu pai e os seus tios estavam nas empresas Yuy. Porém, o seu avô…

-Heero! – a voz grossa e imperiosa soou por toda a varanda e Heero sentiu um frio descer a espinha. Os três homens viraram-se em direção a voz e o queixo de Duo caiu. Um homem de cabelos grisalhos, usando trajes típicos orientais, de olhos extremamente negros, o rosto marcado com algumas rugas, alto, mais alto que Heero se possível, e porte altivo e um pouco amedrontador, descia as escadarias da luxuosa casa oriental.

-Takashi-sama. – Heero falou, fazendo uma pequena reverência oriental. Duo piscou intensamente. Aquele era o avô de Heero? Estava bem conservado para ter tantos filhos e netos, sem contar que era um homem charmoso. Então sua teoria estava correta, a família Yuy era composta de belos espécimes. Ainda estava perdido em pensamentos e divagações, quando os olhos negros voltaram-se para ele e o americano enrijeceu diante daquele olhar. Takashi Yuy passava uma aura de respeito e poder, que fazia até o homem mais turrão se curvar a ele como uma criança amedrontada. Não era a toa que Heero estava quase tendo um enfarto no miocárdio. O homem exalava poder por todos os poros. Duo engoliu em seco.

-E o seu amigo, quem é? – perguntou em um tom melodioso, mas mesmo assim ainda tinha autoridade soando nas entrelinhas, apesar da suavidade com que a pergunta foi feita.

-Esse é Duo Maxwell, Takashi-sama. – o homem estendeu uma mão para Duo, que hesitante a recebeu.

-É uma honra conhecer um amigo de meu neto. – deu um discreto sorriso, mas isso não fez Duo relaxar. –Mas onde está a minha princesinha? Ela não veio com você, Heero? – o jovem de trança piscou e virou-se para Isamu, que apenas mexeu os lábios para ele, formando a palavra: Kohako. Deus! Não era a toa que Heero ficou tão com o pé atrás em relação a Solo, quando os dois começaram a namorar. Kohako era realmente o xodó de todos nessa casa. Com certeza foi tratada como uma princesa na infância. Riu internamente, teria que zombar da amiga em relação a isso quando voltasse para casa.

-Ela ainda está em aula, não pôde vir. Sem contar que está trabalhando.

-Corinna me disse. Ela trabalha em um jornal na América. Muito bom.

-Ela trabalha com o Duo, Takashi-sama. – Duo quase quis matar Heero por ter focado o tópico da conversa nele de novo. Ter o senhor Yuy olhando para ele o deixava nervoso. Agora os papéis estavam invertidos ou então Heero merecia o oscar por se controlar tão bem.

-Onde ele está? Onde ele está?! – gritos agudos vieram da casa e de repente quatro mulheres apareceram no quintal, descendo apressadas em direção a eles. –HEE-CHAN! – Duo quase estourou em risadas. Então o apelido era de uso coletivo.

Heero sentiu um pavor imenso lhe apossar quando viu aquele bando de mulheres virem em sua direção e lhe engolfar em um abraço grupal, o apertando, apalpando, mexendo e desarrumando ainda mais o seu cabelo. Apertando as suas bochechas, disparando perguntas uma atrás da outra, quase o deixando tonto. Ao longe, Corinna e Hotaru apenas observavam a situação toda com interesse. Sorrindo um pouco e depositando a mão sobre a enorme barriga, Hotaru Yuy, esposa de Saburo Yuy, terceiro filho de Takashi, desceu calmamente as escadarias e caminhou até Heero, abrindo espaço entre as co-cunhadas e chegando até o sobrinho.

-Olhe só para você Heero, tornou-se um homem lindo. Quantos anos, querido? Vinte dois, vinte? – brincou, passando a mão pelo rosto moreno e a pele macia e bem barbeada.

-Trinta, tia. Estou ficando velho. – disse com um pequeno sorriso. Que as outras nunca o ouvissem, mas Hotaru e Misao eram as suas tias favoritas. Afinal, as duas foram as suas babás quando era pequeno.

-Conhece o ditado querido, é como vinho, quanto mais velho melhor fica. – “Eu que o diga”. Pensou Duo com divertimento. –Mas você não é o único lindo aqui. Quem é este belo rapaz com você?

-Duo Maxwell, senhora. Posso correr, posso me esconder, mas eu nunca minto. – apresentou-se, com um sorriso de orelha a orelha.

-Oras, educado e charmoso. – Hotaru deu um sorriso brilhante para ele. –Seja bem vindo, querido.

-Chega de soltar penas! – Takashi bateu palmas, chamando a atenção das mulheres, que se afastaram de Heero, todas com bicos enormes no rosto. Fazia anos que não viam o seu sobrinho favorito, e nem podiam paparicá-lo um pouco.

-Duo. – Corinna veio caminhando até os dois rapazes, sempre com a sua postura altiva e os cabelos dourados brilhando a luz do sol. –Como está? – abraçou o jovem americano, que retribuiu o abraço.

-Bem senhora Yuy. – a mulher torceu o nariz e Duo rapidamente se corrigiu. –Corinna. – disse com um pequeno sorriso. Atrás deles, Takashi franziu um pouco as sobrancelhas grisalhas devido à intimidade dos dois. –E Solo? Espero que esteja tratando bem da minha menina. – Duo deu uma gostosa gargalhada e algumas das tias de Heero soltaram suspiros, já encantadas pelo charme do americano. Heero soltou um baixo grunhido e Isamu lhe deu uma cutucada, soltando uma risadinha maliciosa.

-Espero que já tenha aprendido a dividir, primo. Porque parece que ele não está nem dois minutos no país e já traçou metade das mulheres Yuy.

-Cala a boca, fedelho.

-A senhora sabe que se ele sair da linha, Kohako o põe no lugar, não se preocupe. – Corinna deu um suave sorriso para ele.

-E quanto ao Heero? – falou em um tom baixo para que apenas o jornalista pudesse ouvir. –Está te tratando bem, espero.

-Nem um rei seria tão bem tratado como eu. – brincou e a mulher riu um pouco.

-Bom saber, bom saber. – disse e depois elevou o tom de voz. –Bem! A casa anda um pouco cheia por causa do festival de primavera, por isso Heero e Duo vão ter que dividir o velho quarto de Heero. – Duo corou intensamente diante do comentário de Corinna. Ao lado de Heero, Isamu abriu um grande sorriso malicioso.

-Acho que teremos que trocar as paredes de madeira para ferro. – murmurou o jovem e Heero lançou ao primo um olhar assassino.

-Venham! Venham, vou te levar até lá. – Corinna pegou na mão de Duo e começou a arrastá-lo para a casa. –Isamu! Pegue as malas deles, por favor. – ordenou ao sobrinho, enquanto as outras mulheres rodeavam Heero e o levava para casa também.

-Tudo eu! Tudo eu! – resmungou o garoto, mas calou-se rapidamente quando viu o olhar duro do avô sobre si. –O trabalho enobrece o homem. – disse com um sorriso forçado e caminhou até o carro para poder pegar as malas. Takashi deu um aceno positivo de cabeça e também foi para a casa, atrás daquelas mulheres malucas.


-Guns n’ Rose? – Duo quase gritou, de dentro do velho quarto de Heero, enquanto remexia nos cds no namorado. Primeiro ele tinha passado pelo choque de que teria que dividir o quarto com o japonês dentro da casa da família dele. Mas Corinna tinha assegurado que o melhor modo de ir preparando a família era já acostumá-la com a proximidade deles dois, para as pessoas não levarem um choque maior. Mas ele ainda estava surpreso com que via no quarto do advogado. Esse lado de Heero ele ainda estava conhecendo. –Aerosmith, Rollingstones… Rammstein?!

-É uma banda alemã. – respondeu o japonês em seu tom monocórdio, enquanto guardava algumas roupas no armário.

-Heero… nunca fiquei tão chocado em toda a minha vida em descobrir algo sobre o seu passado. Bem, exceto daquela vez que eu descobri a sua tatuagem. – disse, dando uma risada logo em seguida. Na primeira vez que tinha dormido com Heero, havia encontrado na nuca do japonês uma pequena tatuagem de um coração vermelho sangrando, sendo ferido por uma foice. Quase teve um ataque histérico ao ver isso no advogado certinho. As golas dos ternos escondiam esse pequeno apetrecho do corpo de Heero. Mas depois de ter passado o susto, essa era uma coisa que ele considerava totalmente excitante no corpo do japonês.

-Eu ainda fico surpreso que depois de dois anos você ainda fique chocado com algumas coisas. – comentou o homem, tirando o cd da mão destruidora de Duo. Amava o americano, mas ele era a desgraça em pessoa. Sempre estava derrubando ou quebrando alguma coisa.

-É que quando eu te conheci… ah Hee-chan, você não tinha pinta de ser o tipo de cara que gosta de rock e faz tatuagem.

-Quando eu conheci o Trowa ele era o senhor dos piercings. – falou displicente e Duo riu.

-Bem, Trowa também é sério e coisa e tal, mas eu consigo imaginá-lo com piercings. Mas ele ainda tem algum?

-Não. Tirou todos, disse que como advogado tinha que passar uma imagem mais séria.

-Ah. – murmurou, ainda andando ao redor do espaçoso quarto, com pôsteres de filmes e bandas nas paredes. Um quadro de recados onde tinha algumas fotos presas, maioria de família e amigos de infância de Heero, Duo presumiu. Sem contar os recados da época que Heero ainda morava no Japão. O armário que ocupava toda uma parede. Mas o que tinha de mais fascinante no quarto dele era o fato de que havia uma enorme porta que dava para um pequeno jardim particular. Planos começaram a se formar na mente de Duo em relação a aquele jardim. Continuou a andar pelo aposento enquanto Heero ainda guardava as coisas deles, quando divisou uma grande caixa fina e negra, cheia de adesivos, no canto da parede. Caminhou até lá e pegou a caixa, a abrindo e o seu queixo caiu pela segunda vez naquele dia.

-Heero! Você toca? – perguntou o americano e Heero virou-se de supetão, observando com os olhos largos o que estava na mão do namorado. Com duas passadas cruzou o quarto e fechou a caixa no colo de Duo em um estalo. –O que foi?

-Eu mandei a minha mãe jogar essa porcaria fora, por que ela não fez isso? – resmungou, tentando tirar o objeto da mão de Duo, mas esse o segurou firmemente o tirando do alcance dos dedos de Heero e o abrindo de novo. Por que ele iria querer jogar aquilo fora? Abriu novamente a caixa para ver melhor o conteúdo dela. –Duo, me dê isso! Vou mandar alguém se livrar disso. – Duo o ignorou e ergueu a guitarra de dentro da caixa, a virando em suas mãos, e foi quando os seus olhos captaram a inscrição que estava nas costas do instrumento.

Para Heero, com amor, Relena”

-Só por causa disso vai jogar a guitarra fora? – perguntou o jovem de trança, com uma sobrancelha erguida. –Pensei que já tinha superado. Ou estou enganado? – franziu a testa ao perguntar isso.

-E eu superei. – Heero disse com uma voz firme. –Apenas achei… - murmurou, mas depois se calou, voltando a fazer o que estava fazendo antes.

-Olha meu querido… - Duo deu um sorriso travesso e passou os dedos pela franja. -… se você acha que presentes de ex-namoradas, escondidos no seu quarto, vão me afetar… - inclinou um pouco a cabeça, ganhando uma postura afetada. -… pode esperar sentado bofe. Eu tenho plena confiança no meu taco. – e desmunhecou com uma mão, fazendo Heero rir. Certo que normalmente Duo não era assim, mas sempre agia desse modo quando queria fazer o japonês relaxar e ver que ele não se importava com esses detalhes bobos.

-Confia no seu taco? – parou de rir e ergueu uma sobrancelha para o jovem de olhos violetas. –Alguém está presunçoso hoje, não? Será que é o fuso horário?

-Oras, está pondo em dúvida a minha masculinidade? – perguntou em um tom ofendido, deixando a guitarra de lado e caminhando a passos decididos até Heero, parando na frente dele com uma postura firme. Mas metade do seu ato foi destruído pelo simples fato de que ele tinha que olhar para cima para poder encarar o advogado. Heero deu um grande sorriso malicioso, que fez Duo estremecer dos pés a cabeça.

-Sua masculinidade? – sussurrou, colocando a mão displicentemente sobre a mencionada masculinidade do americano. Duo deu um grito estrangulado, surpreso com a atitude. –Talvez eu esteja duvidando. – provocou, o acariciando por cima da calça jeans.

-Ah, sr. Yuy, não deveria ter feito isso. – Duo segurou com firmeza nos braços de Heero, o jogando sobre a cama. O colchão rangeu diante do peso súbito, mas quem se importava com o que a cama estava sofrendo? O americano engatinhou por cima de Heero, sentando-se sobre os seus quadris e começando a rebolar em cima dele. Os olhos azuis escureceram consideravelmente. –Vou te mostrar que ninguém brinca com o Shinigami, senhor Yuy. – provocou, mas poderia perceber que Heero ainda estava se apegando aos últimos resquícios de controle que tinha, para poder manter o joguinho que começarem. Duo deu um sorriso sedutor e num movimento rápido tirou o elástico que prendia a sua trança, soltando os cabelos. Isso foi o suficiente para fazer Heero gemer. O americano sabia como atingir nos pontos fracos. E o ponto mais fraco do advogado era o cabelo do namorado. Ninguém tocava naquelas mechas castanhas a não ser o japonês. Era uma regra que ninguém ousava quebrar e Duo ficava encantado com essa possessividade toda.

-Eu ainda não estou convencido. – Heero disse sério, fazendo pouco caso do americano sobre si. Duo inclinou-se sobre ele e capturou aqueles lábios em um beijo sedento, rebolando ainda mais sobre o quadril dele e o despertando completamente. Ambos ignorando onde estavam e o que poderia acontecer se alguém entrasse no quarto naquele exato momento. Mas foram lembrados da situação quando a porta de papel arroz deslizou rapidamente pelo batente.

-Onde está o meu bebê! – os dois se separaram rapidamente, corados e ofegantes, e ambos com os olhos largos na direção da porta.

-Ti… ti… tia Misao? – Heero gaguejou, ofegante e sem voz. Misao estava parada na porta, com os olhos castanhos largos de choque e os cabelos longos e negros estavam desalinhados pela pressa de encontrar Heero, quando soube que ele já estava em casa.

-Meu Deus! – disse por falta de palavras melhores. Duo e Heero tentavam se recompor rapidamente, sob o olhar atento da mulher, ambos vermelhos de vergonha e esperando um escândalo. Mas de repente uma gargalhada começou a brotar da garganta de Misao, até que ecoou por todo o quarto.

-Nani? – Heero piscou, não entendendo mais nada.

-Então o que Isamu disse era mesmo verdade. Você voltou para o Japão para apresentar o seu namorado a família. Hee-chan, tu tá fudido! – disse divertida. Pelo jeito de agir, Duo presumiu que aquela era a mãe de Isamu. Até porque, além do jeito, eles dois eram bem parecidos fisicamente.

-Er… Duo Maxwell, senhora Yuy. – disse sem jeito, estendendo uma mão para ela. Misao recebeu a mão e o olhou de cima a baixo, acenando como se o estivesse aprovando.

-Querido, você não tem um irmão não? – falou com um sorriso brincalhão.

-Tenho sim senhora, mas ele já é da Kohako.

-Oh! O que esses Maxwell tem para poder atrair tanto assim os Yuy? – perguntou a mulher, divertida.

-A teimosia. – murmurou Heero, tentando arrumar uma imagem mental bem depreciativa para poder se livrar da excitação entre as pernas.

-Eu diria que é outra coisa, lindo. – Misao gargalhou, e quando Heero percebeu sobre o que ela estava se referindo, corou. O advogado pegou uma almofada e a colocou sobre o colo, lançando um olhar frio a tia.

-Heero? Você ficou fazendo tanto drama sobre a sua família não nos aprovar, mas até agora tudo ocorreu bem. – Duo falou, quase recomposto. O clima animado rapidamente tornou-se mais pesado e Misao ficou subitamente séria.

-Até agora meu jovem. Mas não pense que todos irão agir assim quando souberem da novidade. Alguns podem ser mais mente aberta. Eu, por exemplo, aceitei porque sou uma mulher viajada e bem informada. Isamu foi no mesmo barco porque é parecido comigo. Talvez alguma das meninas seja mais liberal por ter sido criada um pouco fora do tradicionalismo das famílias antigas japonesas. Dos homens eu não garanto nada. Mas nunca se sabe, essa família é sempre cheia de surpresas.

-Como? – perguntou o jovem de cabelos compridos, sem entender.

-Duo… - Heero suspirou. –Todas as minhas tias vieram de famílias tradicionalistas, como a minha. Tia Misao estudou fora e por isso quando estava naquela idade onde você forma conceitos e personalidade, ela não estava sob a influência da família. Passou isso para Isamu. Algumas das minhas tias podem ser liberais também, talvez meus tios, mas não é nada garantido. Você sabe o custo que foi a minha mãe casar com o meu pai, pelo simples fato de não ser de uma família japonesa antiga?

-Mas… e quanto a Relena? – falou o nome e Misao enrijeceu, esperando o famoso surto que Heero sempre dava quando o nome da mulher era mencionado. Mas, surpreendentemente, o advogado nem foi afetado pelo nome dela, apenas continuou a explicar a situação.

-Os Peacecraft e Yuy têm uma relação de negócios e familiares que vem de anos. Se alguém de nossa família fosse se casar com um ocidental, um Peacecraft era a melhor escolha para poder estreitar mais os laços. E por isso minha família aceitava mais livremente meu relacionamento com Relena, até incentivava. Mas parece que a relação com os Peacecraft foi quebrada depois que Relena e eu terminamos.

-Terminaram uma ova, aquela vagabunda traiu você! Com o seu melhor amigo, ainda por cima. – Misao quase gritou, indignada.

-Tia, isso foi passado. Eu não me importo mais. Já faz mais de dez anos.

-Bem querido, nisso você tem razão. Até porque você já superou… e muito bem, diga-se de passagem. – falou, lançando um longo olhar para Duo, e Heero grunhiu.

-Tira o olho que já tem dono. – resmungou o japonês e a mulher gargalhou. Deus, seu sobrinho estava realmente apaixonado. –Mas o que você está fazendo aqui? Não vê que nos interrompeu?

-Antes eu do que o Ichiro-san, meu querido. Porque os homens já voltaram para casa e todos estão reunidos no salão fofocando sobre a volta do filho pródigo. Eu vim chamar os dois para o almoço. – deu mais um sorriso para eles e saiu do quarto com a mesma velocidade que entrou.

-Bem… - Heero levantou-se da cama, já completamente recuperado do ataque de Duo. Agora a excitação tinha dado espaço para o nervosismo inicial. -… melhor a gente ir. Meu pai não tolera atrasos. – falou, estendendo uma mão para Duo, que terminava de tranças os cabelos e ajeitar melhor as roupas. Quando estavam apresentáveis novamente, seguiram em direção ao salão.

Três minutos de caminhada pela enorme casa e eles chegaram ao local onde se daria o almoço. O salão era enorme, mas não poderia ser menos, pela quantidade de pessoas que estavam ao redor da mesa. Takashi-sama ocupava uma cabeceira da mesa, enquanto na outra, outro homem se sentava. Duo sentiu algo gelado lhe descer o estômago, quando um par de olhos castanhos o miraram firmemente. Era Heero, uma versão mais velha de Heero, mas era ele. Os cabelos ainda negros e rebeldes, os olhos firmes e castanhos, a pose altiva e imperiosa. Aquele só poderia ser…

-Pai. – Heero cumprimentou o homem, que deu um aceno de cabeça para ele e indicou um lugar ao lado dele, na mesa. –Esse é Duo Maxwell. – Duo já estava começando a ficar cansado de ouvir o seu nome ser repetido tantas vezes em um dia só.

-Seu avô me falou sobre o seu convidado. Seja bem vindo a minha casa, sr. Maxwell.

-Muito obrigado senhor Yuy. – disse, tentando manter a voz o mais firme possível.

-Sente-se comigo, Duo. – Corinna o chamou, percebendo o nervosismo do rapaz, que caminhou rijo até a loira e sentou-se ao seu lado.

-Agora que todos estão aqui, vamos almoçar. – ordenou Ichiro e o almoço, preenchido por conversas, começou.

Continua…


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