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Aviso: LIME
Duo estalou o pescoço, espreguiçando-se como um felino. A trança balançando de um lado para o outro como algo vivo e convidativo. Passou a mão pela franja, a arrepiando e secando um pouco do suor que acumulou em sua testa. Ajudar nos preparativos para o festival estava sendo divertido, lhe deu mais oportunidade de conhecer os outros primos de Heero. Descobrir que Akio não era tão sério quanto aparentava e tinha um excelente senso de humor. Que Hiroshi era uma graça com o jeito todo tímido dele, que Isamu realmente era uma versão nipônica de Duo, e que Ken tinha uma personalidade muito parecida com a de Kohako. Hikaru era o senhor das tiradas sarcásticas e totalmente desbocado. Os carões que ele levou de Takashi por causa da sua língua solta realmente causou muitas gargalhadas. A família de Heero era maravilhosa e a cada momento que se aproximava deles, tinha certeza de que tudo daria certo.
-Duo-san! – Duo virou-se para ver Sakura… não, aquela não era a Sakura, era a Minako, chamar o seu nome. Atrás da mulher de longos cabelos negros vinham as outras tias de Heero. Misao, já velha conhecida sua, tinha um sorriso tão grande no rosto que ele pensou que ela pudesse distender um músculo com isso.
-Senhoras. – as cumprimentou, fazendo uma pequena reverência oriental para elas. Algumas soltaram risadinhas extasiadas diante daquele rapaz tão charmoso. Misao rolou os olhos, enquanto Ai mantinha-se impassiva e Akemi balançava a cabeça de um lado para o outro, não acreditando nas suas cunhadas. Elas pareciam umas adolescentes crescidas rindo diante de um menino bonito.
-Duo-kun! – Hotaru aproximou-se, segurando ambas as mãos do americano entre as suas, seu sorriso ficando a cada minuto mais largo. –Precisa vir conosco. – Duo piscou os grandes olhos violetas, confuso, e algumas delas soltaram suspiros diante da beleza dos olhos do americano. Do outro lado do pátio Isamu ria malicioso, soltando algumas provocações para Heero, que balançava a cabeça de um lado para o outro diante da atitude de suas tias. Elas não podiam ver gente nova que já ficavam todas bobas. E quando tinha o charme de Duo então, era um desastre.
-Algum problema senhoras? – perguntou polidamente. Ai abriu um sorriso, dando um passo à frente e tomando a palavra em nome das outras.
-Bem, Duo, já que você é um convidado da casa dos Yuy vai ter que seguir algumas tradições. E uma delas é vestir-se tradicionalmente para o festival de primavera.
-Isso quer dizer o quê? – perguntou o americano, mais confuso ainda.
-Kimono, lindinho. – respondeu Misao, o sorriso ficando maior ainda. –Venha. Precisamos achar um kimono que combine com você. – Sakura e Akemi seguraram cada uma em um braço de Duo e começaram a arrastá-lo para dentro da casa. Heero viu o movimento de suas tias e começou a caminhar para ver o que estava acontecendo, quando Isamu o parou.
-Não! Você precisa deixar os outros se acostumarem com Duo. Como quer que a família aceite vocês se você fica o protegendo debaixo da sua asa? Deixe-o ir. – o advogado olhou incerto para o primo, mas, no fim, cedeu deixando o americano ser levado pelas suas tias doidas.
-Aqui estamos! – Akemi deslizou a porta que dava para um aposento que mais parecia um enorme closet.
-O que é isso? – Duo perguntou, observando as mulheres rodarem pelo quarto, abrirem à porta da varanda e janelas, ajeitando a mesa de chá e postando-se em volta da mesma.
-Aqui é o provador da Corinna. Quando alguma pessoa da alta sociedade vem aqui pedir modelos exclusivos a ela, é aqui que eles experimentam a roupa. – Misao explicou enquanto Ai ia até uma grande porta de madeira que ocupava uma parede inteira da sala, a abrindo.
-Aqui também é onde ela guarda as roupas cerimoniais. Corinna desenha e faz kimonos, mas geralmente são para a família e amigos, para esses festivais que ocorrem aqui no templo. – Hotaru explicou, acomodando-se em uma cadeira e servindo o chá que um dos empregados tinha deixado lá antes de elas chegarem.
-Isso mesmo Duo-kun. – a porta da sala deslizou e Corinna entrou, altiva como sempre, com os cabelos dourados esvoaçando diante da suave brisa que entrava pela porta da varanda. –Desde que eu soube da sua vinda para o festival eu estive fazendo uma roupa para você…
-Ah… - Duo corou. –Não precisava, sra. Yuy.
-Claro que precisava querido. – caminhou até ele, inclinando-se e sussurrando em seu ouvido:
-Tudo pelo meu genro querido. – o americano ficou mais vermelho ainda. –Agora! – endireitou-se, batendo palmas e atraindo a atenção das outras mulheres. –Meninas, peguem as linhas, agulhas e tecidos para terminarmos o trabalho, e para Duo poder experimentar a roupa.
Duas horas depois e risadas e conversas poderiam ser ouvidas através da porta da sala. As tias de Heero estavam todas em volta de Duo, cobrindo o rapaz com panos e mais panos enquanto conversavam todas de uma vez, apressadamente, fazendo o americano até ficar tonto com tanta falação.
-Mas me fale sobre você Duo-san! – Minako disse e as outras soltaram risadinhas, ficando quietas e esperando o rapaz começar a falar.
-Sobre… mim? – perguntou incerto, lançando um olhar de Corinna para Misao. O que ele poderia dizer sobre si e não deixar escapar o verdadeiro motivo de estar ali?
-Sim. Sua família, como ela é? – Akemi abriu um sorriso, pegando das mãos de Hotaru um tecido que lhe foi estendido.
-Não tão grande quanto a família Yuy, isso eu garanto. – o americano deu uma risada nervosa. –Minha mãe mora em Los Angeles, foi para lá depois que se separou do meu pai. Está casada com um produtor de lá. Minha família mora em Boston. Meu pai é aposentado, tem uma oficina de fundo de quintal, e o meu irmão é médico.
-Médico! – Sakura exclamou. –Eu adoraria que o Ken tivesse feito medicina, mas ele preferiu outra área. Acho que é uma profissão fascinante, sem contar que é totalmente de bom gosto ter um médico na família. – comentou com um ar sonhador e Duo rolou os olhos, os focalizando em Corinna que tinha uma expressão exasperada.
-Uh, não está muito longe de ter esse desejo realizado. – murmurou, lembrando-se das recentes notícias envolvendo Solo e Kohako.
-O que você disse Duo-san? – Akemi perguntou e ele deu um sorrisinho torto.
-Nada Akemi-san. – respondeu, jogando todo o seu charme para cima dela.
-Você tem namorada Duo-san? – outra perguntou, o fazendo virar bruscamente e quase cair do banquinho onde estava, sendo afogado por panos e mais panos. Ai o encarava, esperando que ele respondesse a sua pergunta.
-Er… não. – desviou o olhar, virando-se novamente e recebendo um beliscão no braço de Misao.
-Fica quieto garoto, assim não vamos conseguir vestir você. – resmungou a mulher.
-Ah… por que não Duo-san? – Sakura perguntou com um biquinho. Achava desperdício um rapaz com o charme de Duo estar solteiro. Será que as mulheres americanas eram tão cegas assim?
-Er… falta de tempo para arrumar um encontro. – respondeu, sentindo o rosto arder de vergonha por estar mentindo para aquelas mulheres. Voltou seu olhar para Corinna, pedindo ajuda para tirá-lo daquela encrenca. Não gostava de mentir, ainda mais para pessoas que estavam sendo tão educadas com ele, o tratando como se fosse um sobrinho que acabou de entrar para a família. Deu um discreto sorriso triste diante desse pensamento. Não queria decepcioná-las, pois, apesar de todo o estresse que esse segredo dele e de Heero estava causando, ainda sim Duo estava adorando conhecer os Yuy. O modo como eles eram unidos, apesar das brigas e discussões, como toda grande família deveria ser. E ele sempre quis fazer parte de uma grande família, mas tudo o que tinha era o seu pai, irmão, mãe, madrasta e o seu tio Padre, que não ajudou muito em propagar o nome Maxwell ao fazer voto de castidade.
-Meninas! – Corinna bateu palmas para poder chamar a atenção das mulheres. –Vamos parar de ser fofoqueiras e terminar logo o nosso trabalho! – ordenou e algumas delas fizeram beicinhos, chateadas por não poderem saber mais sobre o encantador americano. Duo soltou um suspiro aliviado, até que uma delas deu o golpe de misericórdia que quase o fez cair da cadeira, dividido entre ficar embaraçado ou rolar de rir.
-Você poderia namorar a Kohako. – Minako disse e as outras assentiram com a cabeça, concordando. –Pelo que entendi, vocês se conhecem desde que ela chegou na América, e ainda trabalham juntos. Então, por que ainda não saíram em um encontro? Afinal, a K-chan sempre foi uma menina bonita e cheia de charme.
-A Kohako é como uma irmãzinha para mim Minako-san. – respondeu um pouco rubro de vergonha.
-Meninas! Eu já disse para pararem! – Corinna ordenou com uma voz mais firme e elas perceberam que agora era sério, que não era mais para contrariar o pedido da mulher ou então receberiam um sermão daqueles. Duo soltou um suspiro, agradecendo com os olhos Corinna e o seu grande poder de persuasão.
Duas horas depois e o sol já se punha no horizonte, atrás das montanhas, pintando o céu de laranja e vermelho, mas as mulheres dentro daquela sala ainda continuavam em uma conversa animada, dando os últimos retoques nas vestimentas de Duo que ria com elas ao ouvir histórias da infância de Heero.
-E teve aquela vez, vocês se lembram? – Hotaru comentou, uma das mãos repousada em sua barriga de cinco meses. –Ele tinha quantos anos? Oito? Nove?
-Nove! Ele tinha nove – reiterou Misao, tomando um gole de chá e quase engasgando com uma risada, sabendo que história a sua cunhada iria contar.
-Sim, sim. Acontece que Corinna estava viajando, resolvendo alguns negócios em relação as suas peças. Algumas de nós estávamos fora da cidade. E babás estavam em falta. Por isso, Ichiro ficou responsável em cuidar do Heero. – continuou Hotaru e algumas mulheres gargalharam mais alto ainda. Sakura chegou a deslizar da almofada onde estava, de tanto que ria. Lembrava-se bem desse dia e do tom de desespero que Ichiro estava no telefone. Na verdade, tudo havia sido uma armação de Corinna que achava que o marido estava passando pouco tempo com o filho.
-Você tem que entender Duo, que apesar do Heero sempre ter sido uma criança séria, às vezes quando ele decidia agir como um espoleta isso vinha numa força de mil maremotos. – Corinna explicou e as outras assentiram com a cabeça, concordando com ela.
-Ele sabia dar um chá de cansaço na gente. – completou Akemi.
-Mas continuando. – Hotaru as interrompeu. –Ichiro não poderia simplesmente deixar Heero sozinho em casa, pois nem mesmo o Takashi-sama estava disponível para cuidar do neto. Então ele resolveu levar o filho para a empresa.
-O tolo do meu marido achou que era apenas dar um computador e uns jogos para Heero que ele ficaria quieto o dia inteiro, até a hora de voltar para casa. Mas mesmo que Heero adorasse eletrônica, ele ainda era um menino cheio de energia e a sua atenção não ficaria presa para sempre na tela do pc. Mas acho que alguém esqueceu de avisar isso a Ichiro.
-E o que aconteceu? – Duo debruçou-se sobre o próprio corpo, apoiando os cotovelos nos joelhos. A história parecia ser boa. Parecia que havia algo mais por detrás do sisudo Ichiro Yuy, pelo modo que elas relatavam essa lembrança com tamanha afetividade.
-Bem, acontece que o nosso querido Heero… - Hotaru continuou, lançando um olhar as cunhadas, dizendo que não queria ser interrompida e que era a vez dela de contar uma história. -… não ficou entretido por muito tempo nos “brinquedinhos” que o pai dele arrumou para passar o tempo enquanto estavam na empresa.
-Se bem que os funcionários estavam de sobreaviso que o filho do presidente estava no prédio naquele dia.
-Você se importa Ai, eu estou contado a história aqui. – Hotaru reclamou e Ai rapidamente calou-se. –Bem… Ichiro estava trancado na sala de reuniões negociando com um cliente grande e com certeza não sairia de lá tão cedo e Heero ficou na sala do pai. Mas depois de duas horas sem fazer nada a não ser jogando, o menino ficou inquieto e resolveu dar uma volta. Conseguiu passar despercebido pela secretária de Ichiro e começou a rodar pelo prédio.
-Mas e daí? Normal uma criança curiosa querer conhecer um lugar novo, ainda mais se ela nunca esteve nesse lugar antes. – Duo comentou e as outras mulheres deram risadinhas.
-Realmente, é normal. – Misao respondeu ao rapaz. –Mas depois de subir e descer escadas, correr pelos corredores e brincar com os botões do elevador, olhar por baixo da saia das secretárias, sem ser repreendido por ninguém por ser “o filho do chefe” uma criança fica cansada e… com fome. – risadas estouraram pela sala e Duo piscou, sem entender nada. Parecia que o ponto alto da história estava no fato de que Heero comeu algo que não devia. Fez uma careta que passou despercebida pelas outras. Que porcarias seu namorado andou comendo na infância? Se fosse algo muito nojento, nunca mais beijaria o japonês, pensou com divertimento.
-Bem, Duo-san, as empresas Yuy costumam ter em alguns andares pequenas cozinhas. Coisa boba, contendo geladeira, um microondas e outros apetrechos. Foram instaladas no prédio para os funcionários terem onde guardar comidas e lanches e também para aqueles funcionários que costumam fazer serão. Afinal, uma empresa desse porte não poderia parar, ainda mais tendo uma demanda tão grande. – respondeu Corinna, ajeitando-se confortavelmente em uma almofada e bebericando o seu chá.
-Pois bem! – novamente Hotaru assumiu as rédeas da história. –Heero ficou com fome e saiu perguntando para todo mundo onde poderia arrumar comida. Sabe como ele é, desde pequeno gostou de bancar o independente e, se Ichiro não tivesse deixado ordens explícitas de não permitir que Heero saísse do prédio, com certeza ele teria ido à lanchonete mais próxima, sozinho, para arrumar alguma coisa para comer. Então é o seguinte: um funcionário levou Heero até uma dessas cozinhas e disse que ele poderia se servir, que era de uso público e que nenhuma comida pertencia a ninguém e que ele poderia ficar a vontade. Então Heero procurou e procurou, até que ele encontrou um pote de sorvete no freezer. – nisso Duo soltou uma gargalhada. Ele sabia o quanto o japonês era viciado em sorvete. Até brincava com ele em relação a isso, dizendo que não se surpreendia que um cubo de gelo gostasse tanto de algo gelado. E a única resposta que ele obtia do namorado era um olhar assassino, um resmungo, até ele voltar a devorar o sorvete.
-Desculpe Hotaru-san. – disse, engolindo o riso. –A senhora pode continuar. O que tinha de errado com o sorvete?
-Nada demais, exceto que ele tinha cafeína. E cafeína afeta muito o sistema de Heero.
-Afeta? – perguntou, piscando os olhos. –Mas ele toma litros de café que eu já vi, ainda mais quando está no escritório.
-Agora não afeta tanto assim, mas imagine em um menino de nove anos? Pareceu que alguém ligou Heero na tomada, e aí foi o caos geral. – Duo deslizou pela almofada, sentando-se de joelhos no chão, os olhos brilhando curiosos, querendo saber mais sobre os podres infantis do namorado. Para as mulheres Yuy, essa curiosidade apenas as fez pensar que Duo estava a fim de ter algo contra o amigo para alguma brincadeira futura. Mas Corinna e Misao sabiam que a apreciação de Duo vinha de saber muito mais coisas do passado da pessoa que amava. –Primeira vítima do desastre “Heero Yuy” foram os sistemas de comunicação interna da empresa, a intranet. Todos se comunicavam através de mensagens instantâneas pelo computador, para assim resolver problemas internos entre os departamentos. Heero bloqueou tudo. Sendo o pequeno curioso que ele era, sabia desde pequeno essas coisas de computação e informática. A empresa entrou em pane, porque ele trocou a senha geral e travou todos os computadores. – Duo arregalou os olhos. Isso que era uma senhora travessura. Ele, Duo, no máximo o que já fez para tirar o pai do sério quando era criança foi esconder algumas ferramentas dele quando ele estava fazendo algum trabalho, e isso não o impediu de continuar a sua rotina.
-Ichiro-sama deve ter ficado furioso. – o americano comentou e Corinna sorriu.
-Ichiro não chegou a descobrir. Afinal, a travessura de um menino não foi o suficiente para poder descabelar os técnicos da empresa, que logo resolveram o problema. Claro que não descobriram o causador dele. – respondeu Corinna com um sorriso afetuoso.
-E então como vocês sabem que foi o Heero? – perguntou o jornalista.
-O próprio nos contou. – respondeu Akemi.
-Continuando. – falou Hotaru. –O que realmente fez Ichiro subir pelas paredes foi quando, na hora do almoço, ele ligou para a secretária para ela ver se Heero estava com fome e arrumar alguma coisa para ele. A mulher fez o que foi ordenado, até entrar na sala do chefe e ver que o menino não estava lá. Até aí tudo bem. Então ela saiu ligando para os departamentos para ver se alguém tinha visto o menino, mas a resposta era sempre a mesma: “não vimos ninguém, senhora”. Aí a pobre mulher começou a entrar em desespero. Meia hora depois Ichiro ligou para ela de novo para ver se ela tinha cumprido as ordens. Então ela não pode esconder a verdade…
-E disse com pesar: “Yuy-san, seu filho sumiu”.– completou Minako.
-Ichiro quase arrancou os cabelos. Como assim o filho tinha sumido? – Ai deu umas risadinhas, lembrando-se que o homem tinha ligado para todas as cunhadas naquele dia. Heero era esperto e com certeza poderia ter conseguido fugir da empresa e ido se refugiar na casa das tias. Afinal, o próprio garoto não tinha gostado da idéia de passar um dia inteiro com o pai. Preferia ficar o dia inteiro treinando com o avô, que naquele dia tinha negócios fora da cidade para resolver. Suspirou um pouco. Desde pequeno Heero nunca gostou de ficar próximo de Ichiro. A relação que eles tinham não era exatamente a de pai e filho, eles mais pareciam dois estranhos. Afinal, que garoto não gostaria de passar o dia com o pai? Mas Heero sempre preferia a companhia de Takashi ou dos tios, do que do próprio pai. Se bem que parte disso era culpa de Ichiro, que apenas estava criando um sucessor, não um filho.
-Pelo que meus cunhados me contaram… - o tom sério com que Corinna começou a falar foi o suficiente para acabar com as risadas das outras mulheres. -… foi à primeira vez que Ichiro parou de ver Heero como herdeiro e passou a ver como filho, por que ele realmente entrou em desespero.
-E acharam o Heero? – Duo perguntou, também sério, e as risadinhas voltaram.
-Ah sim, acharam. – continuou Hotaru. –No heliporto do prédio, treinando os golpes novos de kempo que o avô tinha ensinado. Afinal, ele estava cheio de energia. Mas claro que eles só o acharam perto do anoitecer, depois de terem revirado a matriz das empresas Yuy de cabeça para baixo.
-E para contar isso para a Corinna? – Sakura continuou. –Afinal, uma coisa como essa não poderia ser escondida dela, já que envolveu a família inteira.
-Foi o maior sermão que já ouvimos o Ichiro-san levar da Corinna. – Ai completou e todos riram. –Do templo dava para ouvir os gritos: “Como você conseguiu a façanha de perder o próprio filho em seu próprio prédio? Que tipo de pai é você Ichiro Yuy?”.
-Só sabemos que Ichiro-san cantou fino por uma semana, nem se arriscava a falar com a mulher com medo de levar outra bronca. – Misao riu. –Afinal, Corinna estava possessa, mais possessa do que em todos os anos em que eles se conheciam e eram casados.
-Mais tarde descobrimos o porquê do mau humor da Corinna-san. – Minako falou e todas abriram um grande sorriso.
-Me perdoem se eu estava meio fora de controle, mas vocês sabem como os meus hormônios ficam quando eu estou grávida. Eu não queria ter pegado tão pesado com o meu marido, mas grávida de Kohako, eu não tinha muito controle do que estava dizendo ou fazendo. Quem pode me culpar? – defendeu-se a loira, dando de ombros. Duo gargalhou, jogando a cabeça para trás. Histórias da família Yuy. Com certeza esse clã deveria ter muitas, o suficiente para escrever um livro.
-Com licença? – o shoji da sala foi aberto, revelando o rosto de Heero. Cabeças se viraram para ver o advogado e risadas rolaram mais forte na sala. O japonês apenas olhou para as tias com um ponto de interrogação sobre a cabeça. Duo piscou grandes e inocentes olhos violetas para ele, com a mesma expressão que ele fazia quando tinha aprontado alguma coisa e queira passar a perna na vítima.
-Fale Heero? – Corinna chamou a atenção dele, vendo que ele não usava mais o jeans surrado e a camiseta velha que estava vestindo para poder arrumar os preparativos do templo. Na verdade ele até emanava um cheiro gostoso de alguém que tinha acabado de sair do banho.
-Na verdade eu vim dizer que o Takashi-sama mandou vocês se refrescarem porque daqui a pouco vai ser servido o jantar. – disse e as mulheres olharam para a varanda, vendo que lá fora já estava escuro. –Vamos Duo, vamos embora antes que as minhas tias contem mais podres sobre a minha pessoa. – as mencionadas fizeram caras inocentes, mas Heero as conhecia bem para saber que as risadas que ele ouviu quando estava chegando perto da sala foram ocasionadas por histórias das suas tias, histórias sobre ele, com certeza.
-Mas elas não contaram tanta coisa assim. – disse o americano, levantando-se e ajeitando a roupa. –Senhoras, foi um prazer passar o dia com vocês. – deu um cumprimento a elas no estilo oriental e todas manearam a cabeça, respondendo ao cumprimento dele.
-A gente se vê daqui a pouco. – Heero despediu-se delas e deslizou o shoji atrás de si.
-Aliás… Hee-chan… - Duo enfatizou enquanto eles andavam pelo corredor. –Que história foi essa de você fugir aos quatro anos do banho, correndo pelado pelo pátio do templo, para todo mundo ver suas partes?
-Cala a boca baka! – esbravejou o homem e as mulheres dentro da sala, que tinham ouvido a pergunta, riram novamente.
-Duo-san é um rapaz muito especial, não acham? – Akemi comentou, terminando de beber o seu chá e Corinna e Misao trocaram olhares.
-Com certeza. Aprecio a amizade que ele tem com o Heero, que isso permaneça por um bom tempo. – respondeu Hotaru, erguendo-se lentamente de sua almofada. Misao fechou os olhos, continuando a beber o líquido da sua xícara, ignorando os comentários e elogios que as mulheres teciam ao americano. Sim, ele era especial, mas por quanto tempo elas achariam isso? Será que ele continuaria sendo especial quando elas descobrissem o quanto ele era especial para Heero? Suas cunhadas não eram muito diferentes de Ichiro ou dos outros homens Yuy, muitas foram criadas dentro de regras e padrões. Algumas mais, outras menos. E, com certeza, nem todas gostariam de saber que Duo era muito mais que um amigo.
-Eu acho que rosas são muito comuns. – David falou do outro. No meio dos dois adultos estava Kohako, que divergia o seu olhar entre um e outro, já ficando tonta diante da conversa deles. Por estarem muito ocupados com o trabalho, faculdade e a mudança, a japonesa e Solo mal tinham tempo de preparar o próprio casamento. Por isso que a família de Solo tinha se oferecido para tal tarefa. E essa era à noite de reunião para poder pedir a opinião dos noivos sobre os detalhes da cerimônia e da festa. Porém, na opinião de Kohako, tudo poderia ser feito de qualquer jeito que ela não se importava. Afinal, o que contava era a troca dos votos, não era?
-O que você acha Kohako? – a mulher mais velha virou-se para a garota, que piscou os olhos confusa, pois tinha ficado esse tempo todo alheia a discussão deles dois.
-Eu acho… SOLO! – gritou, erguendo-se do sofá e indo em busca do noivo, em alguma parte da casa. –Só um minutinho. – disse, subindo as escadas correndo e alcançando o ex-quarto de Solo dentro da casa dos Maxwell. –Solo, por Kami, você precisa me ajudar. Sua família está me deixando doida com tantas perguntas sobre os preparativos da festa. – Solo voltou-se para a garota com uma sobrancelha erguida em indagação, as mãos a meio caminho de guardar dentro da bolsa mais um de seus pertences que ele tinha deixado na casa do pai mesmo depois de ter se mudado para um apartamento com Kohako.
-Mas você é a noiva, não é? É função da noiva se preocupar com esses detalhes, não é verdade?
-Solo… meu amor. – ela aproximou-se dele com um pequeno sorriso dançando perigosamente em seus lábios vermelhos. –Por mim eu apenas entrava naquela igreja e diria “aceito”, mais nada. Eu não sabia que tinha esse inferno todo antes dos finalmente. – quase gritou, segurando no colarinho da camisa dele e o sacudindo. –Me livra dessa e eu serei eternamente grata a você, juro. – o médico apenas riu, colocando ambas as mãos sobre as mãos da garota, as tirando de sua camisa. Sabia que Kohako estava ficando estressada diante dos súbitos acontecimentos de sua vida. Era a mudança de cidade, a procura pelo apartamento em Nova York, a entrevista de emprego que Quatre tinha arranjado no Times, a mudança de faculdade, a viagem de Heero para o Japão para apresentar Duo a família e, por fim, o casamento. No momento Kohako era a noiva mais estressada que ele já tinha visto. Embora ele não tenha conhecido muitas noivas ao longo de sua vida.
-K… respira. Você vai hiperventilar dessa maneira. Eu vou falar com a Giovanna e pedir que ela tome as rédeas da situação. Sei que com o bom gosto dela ela vai conseguir fazer um evento inesquecível.
-Mas você não acha que é pedir demais para a pobre da Giovanna cuidar disso sozinha? Quero dizer, eu pediria ajuda aos nossos padrinhos, mas dois deles estão fora do país. – falou, lembrando-se que Duo e Heero só voltariam, provavelmente, poucos dias antes do casamento. –E a minha madrinha está meio atarefada no Winner Press. – sorriu um pouco ao lembrar-se de Sally, que tinha convidado para ser a sua madrinha. Afinal, apesar dos anos que já estava em Boston, à maioria dos amigos que Kohako tinha arrumado foi dentro do jornal. Na faculdade ela mal tinha tempo de se envolver com alguém mesmo.
-Se você está preocupada em sobre abusar da boa vontade da Giovanna deveria ter deixado Quatre ajudar… - Kohako arregalou os olhos azuis e afastou-se do noivo.
-Esqueça! Eu adoro o Quatre, amo mesmo aquele loirinho, mas você sabe que mesmo sendo um rapaz doce e simples, em certos quesitos ele é um megalomaníaco. Acho que foi influência das irmãs. Com certeza se eu pedisse para ele me ajudar com uma festa simples, no fim teríamos um evento tão grande que acho que contaria até com a presença do Presidente. – Solo riu diante do exagero da jovem.
-Até que não seria má idéia.
-Engraçadinho. – murmurou, mas seu rosto não demonstrava nenhum divertimento diante da piada dele. –Aposto dez pratas que o meu casamento vai sair na coluna social do Winner Press, mesmo que eu não faça parte da alta sociedade.
-Não faz parte? A herdeira da poderosa família japonesa, os Yuy. Aliás, - o rapaz caminhou até a sua antiga cama e sentou-se no colchão macio. – você tem mesmo certeza de que não vai convidá-los? Quero dizer… é o seu pai…
-Já falamos e discutimos sobre isso, Solo. Não, não vou!
-Certo, certo. – Solo suspirou, sabendo que era tempo perdido tentar colocar algum senso na cabeça da garota. Silêncio reinou dentro do quarto, sendo apenas interrompido pelo barulho da campainha no andar inferior. –Mas nem mesmo os seus tios e primos? – insistiu depois de um tempo e recebeu como resposta um olhar irado da amada.
-Não. Avisar a eles é o mesmo que avisar a Ichiro. Minha mãe eu sei que manterá segredo. Mas os outros não são tão discretos assim. E vamos encerrar o assunto por aqui? Eu não quero falar sobre isso. É para ser um evento feliz, e não melancólico por causa de desavenças com o meu pai.
-Okay, não está mais aqui quem falou. – ergueu as mãos em rendição e Kohako sorriu, caminhando até ele e sentando-se no colo do rapaz, envolvendo o pescoço dele com os braços e roçando os lábios sobre os dele.
-Bom menino. – sorriu e Solo teve que sorrir de volta diante do jeito como o humor dela poderia variar tão facilmente. A jovem era uma caixinha de surpresas. Deslizou suas mãos pela cintura esguia e com um rápido virar de corpo Kohako se encontrava deitada na cama, com o noivo por cima dela traçando dezenas de beijos em seu rosto, descendo pelo pescoço e com uma mão tentando abrir o laço que mantinha o decote da camisa parcialmente decente. Quando conseguiu o seu intento e estava prestes a continuar a sua viajem, um pigarrear no batente da porta interrompeu o casal.
-Não deveriam esperar até a noite de núpcias para fazer isso? Ou ao menos até voltarem para o seu apartamento? – Solo olhou por cima do ombro e os seus olhos azuis arregalaram, além de seu rosto ter ficado extremamente rubro. Em um pulo tinha saído de cima de Kohako e ajeitado as suas vestes brancas, passando as mãos pelos cabelos castanhos na tentativa de domar os fios rebeldes. A mulher que estava na porta riu da tentativa do jovem de demonstrar que nada tinha acontecido, mas sabendo que ele estava falhando miseravelmente.
-M-mãe? – gaguejou e Helen riu abertamente, caminhando a passos lentos em direção ao rapaz e puxando uma cadeira da escrivaninha dele e sentando-se em frente ao casal. Kohako tinha acabado de ajeitar a sua camisa e mirado a mulher, a olhando de cima a baixo. Então essa era a sua sogra, num piscar de olhos ficou mais nervosa do que já estava. Já conhecia a família de Solo, mas nunca tinha conhecido a mãe dele. E o sr. Maxwell vivia dizendo que Duo e Solo tinham herdado o gênio da mãe. Engoliu em seco. Conhecia muito bem o gênio incendiário dos irmãos Maxwell.
-Sra. Maxwell. – Kohako cumprimentou com um sussurro e a mulher riu.
-Sra. Finningan, querida. – corrigiu Helen e Kohako deu um aceno positivo com a cabeça. –Mas vamos! – falou a mulher, estendendo as suas mãos em direção a menina, que as pegou e deixou-se ser erguida da cama. –É linda, pelo que vejo. – murmurou Helen, virando Kohako de um lado para o outro e a avaliando de cima a baixo. –Ela é tudo o que você disse Sol. – Solo rolou os olhos. Odiava esse apelido.
-Andou falando sobre mim para a sua mãe Sol-chan? – o médico rosnou. Pior do que Sol era o Sol-chan de Kohako. Mas como era a sua amada lhe apelidado, ele perdoava.
-Ao contrário de um certo alguém… - e mirou longamente a noiva com um olhar de repreensão. -… eu tenho a consideração de avisar aos meus parentes sobre o casamento. – cutucou e Kohako bufou, catando com violência a sua bolsa sobre a escrivaninha de Solo e saindo do quarto batendo o pé e soltando fogo pelas ventas. Por que ele tinha que insistir nesse assunto? Pensava que ele já estava morto e enterrado.
-Essa atitude me pareceu a de alguém que quis evitar uma discussão. – comentou Helen, voltando o seu olhar para o filho que soltou um suspiro e largou-se sobre a cama.
-Kohako e o pai dela não se entendem muito bem e eu estava tentando mudar isso. – confessou o rapaz, voltando a recolher os seus pertences.
-Então quem vai entrar com ela na igreja?
-Heero, meu cunhado. – a mulher ergueu uma sobrancelha castanha e deu um sorriso torto.
-O mesmo Heero que vivia brigando com o Duo e que agora troca juras de amor com ele? – Solo deu uma longa gargalhada. Duo era o que mais reclamava com Helen sobre Heero na época que os dois homens se conheceram. Vivia atulhando a caixa de e-mails da mãe dizendo que o advogado japonês era isso e aquilo. Até que um dia Helen mandou um e-mail para Solo dizendo com todas as letras: “quanto tempo vai levar para esses dois confessarem seu amor eterno um para o outro? Pois do jeito que o Duo está me importunando, eu diria que está apaixonado!” E a mulher não poderia estar mais certa. Duas semanas depois desse e-mail os dois homens começaram a namorar.
-Esse mesmo. – reiterou o médico.
-Outro que mal posso esperar para conhecer. – Helen sorriu e assim ela e Solo começaram a engatar em uma longa conversa sobre os últimos acontecimentos na vida de cada um e sobre o casamento do caçula da família Maxwell.
-Vamos Hiro, nós estamos quase lá. – disse com um sorriso, envolvendo a cintura do homem e o puxando para continuar a andar. Hiroshi apenas derreteu com aquele sorriso e deixou-se ser arrastado novamente. Por mais vinte minutos eles caminharam, subindo a trilha da montanha atrás do castelo Yuy, até que Yoshi parou abruptamente, fazendo Hiroshi chocar-se contra as suas costas. –Chegamos. – Yoshi virou-se para o rapaz mais novo, que tentou olhar por cima do ombro dele aonde eles finalmente chegaram. –Lembra-se desse lugar? – perguntou, dando um passo para o lado para deixar o engenheiro observar o local. Os olhos de Hiroshi alargaram-se um pouco e ele deu um pequeno sorriso. Aquele era o lugar secreto deles, era onde eles costumavam brincar quando crianças. Era um pequeno lago no topo da montanha que era rodeado de árvores e na primavera ficava extremamente florido. Em uma árvore de cerejeira tinha um balaço de madeira e a noite ele ficava todo iluminado por causa dos vaga-lumes que sobrevoavam a água.
-Eu quase tinha esquecido desse lugar. Pensei que ele não existia mais. – respondeu, caminhando até o balanço e sentando-se suavemente nele, testando a sua resistência. Começou a mover-se lentamente, balançando pra frente e para trás, até que sentiu alguém parar atrás de si e segurar as cordas do brinquedo, começando a balançá-lo.
-Eu sempre fiz questão de que ele permanecesse intocado. – Yoshi murmurou no ouvido de Hiroshi, que tremeu um pouco ao sentir o calor tocar em sua pele já aquecida por causa da caminhada. Novamente o professor empurrou o rapaz que foi mais alto com esse balanço. E mais um empurrão, e mais outro, e a cada segundo Hiroshi ia mais alto e mais forte, começando a rir diante da brincadeira infantil que ele não praticava há tempos. Quando o balanço recuou mais uma vez para poder ser empurrado, o rapaz sentiu braços fortes segurarem em sua cintura e o tirar do brinquedo. Em uma virada brusca ele se viu encarando um par de olhos escuros e a sua respiração prendeu na garganta. Não importava quantas vezes ele ficasse perto de Yoshi, toda vez ele sempre se surpreendia com a beleza do homem e com o fato de que, finalmente, estava nos braços dele.
-O que foi? – perguntou o engenheiro com a respiração ofegante quando percebeu a intensidade do olhar de Yoshi.
-Você é tão perfeito… - murmurou extasiado, mirando profundamente aqueles orbes meio castanhos, meio esverdeados. –Perfeito… - disse mais uma vez com uma voz quase sumida antes de beijá-lo. Como sempre, Hiroshi sentiu os joelhos fraquejarem quando os lábios de Yoshi encontraram os seus. Suas mãos prenderam-se nos cabelos negros do primo, trazendo o corpo dele para mais junto do seu. As mãos de Yoshi percorreram os braços do rapaz mais baixo, subindo para o pescoço, acariciando as bochechas e descendo para a cintura dele, começando a puxar a barra da camisa do rapaz para poder sentir a pele quente sob o tecido. Percorram as costas trabalhadas de Hiroshi, sentindo os músculos sob a pele macia. Separaram-se, apenas para permitir que Yoshi arrancasse a camisa do engenheiro e a descartasse sobre o campo florido. A brisa fria da noite chocou-se contra a pele quente do rapaz e ele tremeu o um pouco, sendo logo envolvido em um abraço poderoso do professor, que começou a deitá-lo suavemente sobre a grama, cobrindo o corpo dele com o seu.
-Yoshi… - gemeu o nome, ganhando a atenção de Yoshi, que se virou para observar o homem sob si. Viu o desejo expresso no rosto dele, assim como viu o medo. Hiroshi com certeza nunca deveria ter feito isso com um rapaz antes. Na verdade nem ele mesmo sabia direito o que estava fazendo. Fez algumas pesquisas, mas não muitas, pois cada vez que via as opções que lhe eram oferecidas para momentos como esse, ficava vermelho como um tomate. Considerou a idéia de procurar Heero de novo, mas aquele lá já tinha seus próprios problemas para resolver. O jeito era seguir o instinto, e tomar cuidado para não machucar Hiroshi.
-Shhh… - falou baixinho, distribuindo suaves beijos pelo rosto do rapaz. -… relaxe. – pediu e Hiro inspirou profundamente para poder acalmar as batidas do seu coração enquanto sentia as mãos de Yoshi deslizarem novamente por seu corpo, chegando ao cós de sua calça e hesitando por alguns segundos antes de começar a abrir os botões e o cinto. Hiroshi inspirou profundamente ao sentir a mão quente de Yoshi começar a penetrar em sua calça e enrijeceu quando ela envolveu o seu membro. Ninguém nunca, nunca mesmo, o tinha tocado tão intimamente. Yoshi começou a massagear o membro de Hiroshi, deslizando por sobre o corpo dele e dando um leve beijo nos lábios rosados e entreabertos em busca de ar. Sua mão acelerou o ritmo, fazendo o rapaz sob si ficar cada vez mais ofegante e soltar pequenos gemidos e murmúrios sob a respiração, fechando os olhos em êxtase. Novamente um beijo, dessa vez com mais força e mais paixão enquanto aumentava o ritmo da sua mão. Olhos vidrados se abriram e perceberam o volume entre as pernas de Yoshi. Ergueu um joelho entre as pernas dele, começando um vai e vem sobre o tecido, criando uma fricção intensa e no mesmo ritmo que a mão que estava dentro das suas calças. Encontrou forças para as suas mãos se erguerem e desabotoar a camisa do professor, começando a vagar pelo tórax dele em suaves carícias enquanto os seus lábios ainda estavam presos um no outro, abafando longos gemidos de prazer.
Os minutos pareciam passar lentamente enquanto os dois amantes se moviam de maneira ritmada sobre a grama. Hiroshi sentia o seu corpo esquentar a cada segundo passado, não acreditando que poderia sentir tanto prazer com um ato tão simples, mas mesmo assim sentia. Era diferente, não era ele tocando a si próprio enquanto pensava em Yoshi. Era o próprio o acariciando, o beijando, o amando e dizendo coisas doces em seu ouvido e isso era o suficiente para ele chegar ao clímax com um grito e com espasmos percorrendo todo o seu corpo. Não demorou muito para Yoshi acompanhar Hiroshi diante da fricção causada pela perna do mesmo. Ofegantes, ambos olharam um para o outro, ainda não acreditando no que tinham feito, e Yoshi deu um sorriso, beijando novamente o rapaz deitado sob si e relaxando o corpo, espalhando-se sobre o gramado e mirando o céu estrelado. Hiroshi apenas virou-se, abraçando o professor pela cintura e apoiando a cabeça sobre o peito dele, sentindo a mão do homem acariciar os seus cabelos. Em silêncio ficaram e olhando o céu estrelado eles adormeceram, felizes com a vida.
Continua...