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Books » Harry Potter » The Linen door
Angelina Michelle
Author of 9 Stories
Rated: K - Portuguese - Romance - Ginny W. & Draco M. - Reviews: 65 - Updated: 09-05-06 - Published: 01-06-05 - id:2208913

Nota da Autora – A Rotina das Notas de The Linen Door foram as seguintes:
1° Desculpas, 2° Agradecimentos e 3° Explicações. Mas acho que só recentemente soube que não adianta explicar como me sinto abençoada por saber que há ainda pessoas que confiam em mim, e no que escrevo. Por que é um Hobby simplesmente, mas é um Hobby sério, que tem que ser concluído. Então peço desculpas, Agradeço á todos por todos os recados fofos e reviews maravilhosas que me deixaram (No Último capítulo foi a Dafne, Mademoiselle Papillon, Pulga Malfoy, Arienn, Rafinha M. Potter, Dark Bride, Cady Cimeno, Gabi Malfoy, Kathy e Srtas Weasel! OBRIGADA!) e explico mais uma vez – O destino me vem pregando peças assim como a inspiração para esta Fanfic. Minha esperança é vê-la completa.
O nome do capítulo já é bem sugestivo. Mentimos sobre tudo, e a vida toda. Mentimos nossas idades. Mentimos até quando não á para mentir. E depois recebemos respostas em cima disso, como uma pergunta mal-feita.
Uma característica forte deste capítulo é que ele tem MUITO, mas MUITO diálogo. Eu fiz ele assim por que se interrompesse toda hora com descrições, as explicações perderiam o fio da meada. Detalhes e detalhes... Narrativa Draco Malfoy.

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Mentiras e Respostas
"Capítulo VIII"

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Sábado – 03:00 AM.

"Vai ficar tudo bem... Vai ficar tudo bem...".

Aquela frase rodopiou minha mente por alguns segundos até ser o bastante para compreender que o livro tinha terminado.
Percebi então que não era á toa que ele tinha poucas tiragens. A história era estranha, confusa e cheia de alucinações por parte dos personagens. Não via como um livro desses poderia ser popular em qualquer meio. Um lixo.

Fechei-o lentamente com uma das mãos, encarando a estante á minha frente.

O silêncio da madrugada parecia invadir a sala por completo. Devia ser perto das três horas da madrugada segundo a última vez que consultei o relógio e todos naquele lugar deviam estar no mínimo dormindo.

Pelo peso que sentia em meu ombro desde as últimas dez páginas sabia que o sono também havia pegado a Weasley.

Estava dormindo tão serenamente quanto podia, os cabelos ruivos caindo ao longo de seu rosto, a respiração leve de um rosto tranqüilo e cheio de sardas. Com certeza, estaria bem diferente disto se tivesse chegado até o fim da leitura.

Quem olhasse poderia até dizer que parecia um anjinho. Observando-a dormir foi que percebi que sentia sono também.

Maravilha. Não tinha como sair... Tamborilei os dedos e comecei instantaneamente á cogitar pela primeira vez como ia ir sem acordá-la.

Peguei a varinha e murmurei baixo, um feitiço simples que ela não escutaria barulho algum. Após isso, lentamente desencostei seu rosto de meu ombro e encostei-o em uma almofada, levantando-me enquanto tentava deitá-la no sofá.

A tarefa não fora difícil por que ela era leve, o problema só foi que eu não consegui acomodá-la rapidamente.

O quão delicadamente que podia, tomei-a pelos braços devagar. No último momento que fazia isto, o silêncio foi cortado por um murmúrio baixinho. Achei logo que a tinha acordado, mas não: suas mãos apesar de terem se crispado bruscamente, seus olhos permaneciam tão fechados como antes, com uma força até que desnecessária.

Permaneceu assim por alguns segundos até sua face relaxar novamente. Parecia estar sonhando.

Virei-me lentamente e olhei mais atentamente para ela. Seu rosto estava liso e calmo, respirava calmamente.

Veria então como abrir a porta... A maçaneta era simples e antiga, até um pouco enferrujada. Não tinha nenhuma chave ali. A sala não era a das mais bagunçadas mas também não sabia onde poderia encontrar a chave entre os cômodos.

Abri-a usando a varinha mesmo. Depois disso somente desci as escadas rapidamente.

O saguão estava deserto. Silêncio total em todos os andares possíveis. Bati na portaria e alguém veio abrir o portão. O porteiro havia acordado de seu cochilo mal humorado, como se quisesse fazer vista grossa quanto ao horário que eu saía.

Pouco me importava para um idiota daquele porte. Saí e logo aparatei.

Cheguei na Mansão cansado. Os elfos tinham espalhado o máximo de archotes pelos corredores, mas ainda sim parecia que a casa estava na penumbra.

Estava frio e o vento assobiava com força. Entrei no meu quarto e mesmo depois de ter se trocado e sentir-me cada vez mais sonolento, não consegui dormir logo o que por algum tempo achei estranho. Ela tinha falado tanto deste livro que até as coisas mais banais pareciam esquisitas.

Então me vi sorrindo no escuro, olhando o teto – Não havia motivo para ter medo. Não. Pensando bem, tinha algo sim. O jornal pela manhã diria o que ocorrerá com o corpo.

Antes de virar a cabeça no travesseiro mais uma vez, a imagem do dia em que vi pela primeira vez a Lorrimer veio. Fiquei pensando no que poderia haver de similar ali por ter lembrado justamente daquilo quando vira o corpo.

Meneei a cabeça negativamente – Em primeiro por que não havia nada. Em segundo por que a Weasley estava me fazendo ver coisas...


Sábado – 07:00 AM.

O dia estava nublado quando acordei. Chamei um elfo para fazer um chá, e tomei um bom banho. Havia um pequena câimbra no meu braço direito que percebi muito depois, e não fazia idéia da onde tinha arranjado.
No mais, um dia sem grandes novidades.
Troquei-me rapidamente e antes de ir para a sala, encarei o espelho não deixando de notar que havia pequenas olheiras por conta da noite mal dormida, se é que podia ser chamada de noite.
Andei pelos corredores distraído, pensando quando o jornal chegaria. Foi quando me dirigi ao primeiro andar. A Sala em que normalmente tomava café da manhã era composta por uma longa mesa comprida e fina de vários lugares com papéis de paredes verde-acizentadas e pequenos cômodos reclusos as paredes.

A mesa estava posta. Então percebi que havia um maço enrolado largado ao centro da mesa.

A coruja que a deixara provavelmente já havia ido embora há muito tempo já que as janelas retangulares estavam abertas.
O cheiro de chá e chocolate enchia o ambiente, a claridade era intensa, o que irritava um pouco meus olhos. Os quadros dormiam, os móveis pareciam ter sido limpos um pouco antes de eu ter chegado.
Pouco importava naquele momento. Me sentei pegando o Profeta Diário entre as mãos e comecei a procurar algum fato anormal.
Sabia que O profeta tinha um patriotismo idiota em referência ao Ministério. Nunca deixariam passar uma afronta dessas em silêncio.

Primeira página – "Copa de Quadribol, saiba tudo sobre os países que irão concorrer, e quais são as maiores apostas para quem vai chegar na final..." E etc etc etc. Quadribol. Havia até me esquecido. Acho que apostaria algo este ano. Segunda página - Novo artigo aprovado... Terceira – Concerto Dragão de Fogo, venda de ingressos no Beco Diagonal... Quarta... Quinta... Nada, não parecia ter nada. Aquilo começou a me deixar nervoso enquanto tamborilava os dedos pela mesa. Tinham encontrado o corpo? Foi só depois de algumas páginas que encontrei uma página em que se encontrava particularmente alguns óbitos. Era um trecho pequeno, com poucas linhas. Mas bem sugestiva...


A Funcionária do Departamento de Execução das Leis da Magia, Ruth C. Lorrimer, teve seu corpo encontrado nas imediações de casas populares de Hogsmeade entre a Vila Bagnold, pela madrugada.
De acordo com os funcionários que investigaram o local, a funcionária foi atacada por uma maldição imperdoável e outros feitiços que lhe deixaram diversos cortes em seu rosto e braços.
A Identificação da vítima só foi possível por amigos da funcionária. A irlandesa Marie Snough, Idosa de 72 anos que encontrou o corpo nas imediações, encontra-se atualmente em St. Mungus, em estado de choque.

No fim, senti um sorriso desdenhoso esvair de mim ao reler novamente a nota. Havia diversas informações omitidas. Omitidas para quê? Será que não perceberam que o rosto estava desfigurado para dificultar a identificação?
Era estranho. Se o Nott tivesse planejado isso... Mas ele nunca pensaria que eu iria parar justamente naquela casa.
Joguei a cabeça para trás levemente, enquanto tentava pensar algo sobre o assunto.
Foi mais ou menos durante estes minutos imerso em um cheiro de chocolate enjoativo que comecei a ouvir barulhos vindo do saguão. Ergui as sobrancelhas um pouco descrente perante ao fato.
Os passos até a porta aumentaram e duas coisas entraram pelas portas duplas da sala. Eu digo 'duas coisas' por que quem entrara era Blaise só que com um elfo doméstico agarrado á uma de suas pernas.
Ele não parecia estar com muito bom humor naquele momento. Com algum esforço tentei me manter sério frente a aquela aparição.
- Ele não quis deixar que eu o anunciasse, Senhor – anunciou o elfo com sua toga imunda e sua voz esganiçada.
- Não era necessário – respondi.
- Certo, Senhor – Afastou-se o elfo tremendo antes de fazer uma mesura que quase tocou o chão e desaparecer.
Blaise permaneceu mo lugar onde estava, ajeitando sua calça com uma careta. Não pendurou a capa e rapidamente se adiantou, sentando-se em uma cadeira.
Sem dizer bom dia ou qualquer outra palavra como manda a guisa ele perguntou, sério:
- Você já leu o jornal hoje?
Olhei para ele pensando no que responderia. Se eu respondesse 'Sim' ele falaria logo o que queria falar. Se eu falasse 'Não' ele pediria para eu ler o jornal. E aí eu teria que fazer uma reação razoável de choque e espanto. Achei melhor acabar a enrolação.
- Sim, li. – respondi casualmente. – Suponho que veio falar sobre isto – disse apontando o maço que estava nas minhas mãos.
Para minha surpresa, Blaise jogou uma maço idêntico na mesa.
- E até posso apostar quem pode estar envolvido nisso! - Pequenas gotículas já haviam se formado na testa de Blaise em que seus cabelos estavam um pouco despenteados.
- Quem? – perguntei apoiando os cotovelos na mesa, com interesse.
- Oras. Quem podia mais? – perguntou ele exasperado - Nott!
Achei a sugestão um tanto pífia mas não disse. Apenas revidei com uma pergunta. O comportamento dele sugeria mais nervosismo do que medo.
- Por que seria ele?
Blaise que era fanático por biscoitos quase os empurrou quando um elfo entrou na sala colocando uma bandeja ao lado de seu braço.
- Por que ele estava muito puto da vida com você quando saiu do Cabeça de Javali.
Por alguns segundos aquela afirmação sobre Nott me deixou um tanto satisfeito embora pesasse a gravidade da situação.
- Mas isso ia incriminar ele também.
- Não se ele tiver um álibi. – respondeu Blaise com pompa, inclinando-se levemente na cadeira.
- A atenção só iria recair em nós se não tiverem nenhum suspeito. O que duvido que não tenham. Do jeito que o Ministério é incapaz... – comentei casualmente arrumando alguns talheres que Blaise esbarrara com os braços. Gostava da assimetria dos objetos.
- Este é o problema. – disse Blaise batendo os pés no chão - Mandei algumas cartas hoje pela manhã e ninguém sabe de nada. Aliás. Alguém viu você voltar pra Mansão ou algo assim depois que você saiu do Cabeça de Javali?
Não achei conveniente desmenti-lo já que tinha a convicção que eu voltara para a Mansão logo que eu saí de lá.
- Não sei. Acho que sim. – respondi servindo-me de chá distraidamente.
Ele mal esperou eu terminar a frase para empurrar a cadeira e se levantar energeticamente arrumando com trejeito a capa.
- Vou no Ministério. Há algumas pessoas com quem gostaria de conversar...
- Boa sorte, mas eu não vou. – respondi o mais calmo que podia. Tinha que admitir que aquele nervosismo de Blaise estava passando para mim pouco á pouco.
- Por que não vai? – perguntou ele com as sobrancelhas erguidas como se eu tivesse louco.
- Por que não. – respondi mal-humorado.
Por mais que fosse uma complicação que pudesse virar contra meu lado não iria sair correndo feito um cachorrinho terrier em busca de informações sobre algo que ainda não era remotamente um perigo. Ou pelo menos, era o que eu pensava naquele momento...
- Malfoy, vai se ferrar! Você não vai fazer nada! - perguntou ele irritado com os punhos fechados.
- Modos, Zabini! – respondi cuidadosamente - Mesmo por que, vou preparar algumas coisas para o julgamento concreto, que sei que ocorrerá.
Ele piscou os olhos meio atordoado, parecendo querer avançar para o lado da mesa em que eu estava para xingar-me, á sua mercê. E no mesmo momento que fez isso ele pareceu mudar de idéia, já que deu uma volta com os calcanhares,
- Se eu estiver aqui pro julgamento... – murmurou ele baixo e sobriamente enquanto saia da sala
Foram alguns segundos para deparar-me com o silêncio e as pequenas ressonâncias do barulho do bule, á mesa.
A impressão era uma só – que aquilo ainda mal começara e que da mesma forma, teria que colocar diversas ações em prática.
E nisso, pelo menos, eu tinha acertado...


Sábado – 19:50 pm.

Estava pronto para ir.
Havia vestido uma boa camisa, os cabelos estavam cuidadosamente penteados, os sapatos engraxados.
Durante todo o dia havia tentando falar com Calthrop, mas ele mal conseguirá informações. Decidi que estava na hora de mudar de advogado, afinal, eu tinha os galeões necessários para comprar quantos advogados novos quisesse.
Se não conseguisse nada no Ministério, poderia também tentar as táticas de meu pai... No entanto, a maioria dos contatos que ele manterá saíra do Ministério por conta do fim da Guerra.
Teria que ser uma solução rápida, um jogo de contra-ataque.
Teria que ser...
Pela janela do quarto entrou uma coruja parda em que fez meio contorno sobre a cama e jogou uma carta que era quase um bilhete.
Se fosse algo da Weasley naquele momento, eu juro que me tacaria da última torre da M1ansão...
Abri-o rapidamente, e li:

Sei que o trato era não nos comunicar-mos mas achei que devia saber – Descobri a ligação.

Não estava assinado. Acho que nem precisava dizer de quem era, mas eu não ia desperdiçar meu lindo corpo em um prol tão pequeno.

Li o recado mais duas vezes até compreender o que ele queria dizer realmente.

Descobri a ligação... Descobri a ligação...

Descobriu a ligação do que? Não havia perigo nenhum. Por que raios ela ainda insistia no livro?

Há não ser que não fosse o livro... Há não ser que fosse...

Merda! Será que Lorrimer poderia estar envolvida nisso?

Ótimo. Tudo que eu precisava – dois problemas em um só. Na verdade, já começava a ser três...

Joguei a cabeça para trás levemente como gostava de fazer quando algo me preocupava, a fim de refrescar a memória.

Então aquilo acabou me pegando bem no meio da testa enquanto várias imagens se passavam pela minha cabeça.

Os passos do Sr. Kindle no Ministério, a palidez de Scott, a capa que esvoaçava perto do corredor. Lorrimer caída no chão, os olhos imóveis, o filete de líquido grosso e escuro escorrendo.

Meio á contra-gosto, tive que admitir que havia uma solução e esta solução... Senti meus dedos tencionarem um pouco mais forte.

Ela poderia saber algo mas eu jamais pediria ajuda para ela... Qualquer pessoa, menos ela. No entanto, havia o favor pendente. Melhor, a Weasley com isso não poderia negar algo.

Ou poderia?

Peguei a capa rapidamente. Teria que ver isso...


Sábado – 20:00 pm.

Não demorou muito. A aparatação fora rápida e dentro de alguns minutos estava em mais uma rua de Londres, um pouco movimentada por capas por conta do frio.

Andei a esmo até encontrar a casa da Weasley. Logo encontrei aquele prédio antigo com leves rachaduras.

Não sabia se qualquer pessoa poderia entrar ou teria que ter alguma chave como a dos moradores. Decidi entrar pelo jeito mais dócil: batendo á porta.

O portão pesado estava fechado. Havia uma reentrância ao lado direito em que ficaria o porteiro, mas se ele estava lá era difícil dizer já que nenhuma pessoa veio abrir o portão ou ao menos falar algo. Saquei a varinha e fiz algumas fagulhas saírem de sua ponta para passar pela janela.

Nenhum sinal.

Esperei alguns minutos e durante o tempo que se passou só se ouvia o barulho dos passos de alguns bruxos que passavam na calçada. Porteiro lerdo! Não havia ninguém naquela merda de prédio!

Como se alguém enfim atendesse minha pergunta mental, o portão se abriu. Mas não era alguém que virá o sinal, e muito menos o porteiro. Parecia ser um morador que saía para compras ou qualquer coisa do gênero, Tinha os braços carregados de sacolas e trajava uma capa roxa qualquer.

Ao passar, duas das sacolas acabaram voando escada abaixo, parando perto dos meus pés. Segurando-me para não rir, ajudei-o á pegá-las novamente. Quando dei por mim, ele já tinha ido tão rápido como aparecerá, deixando por sorte o portão encostado.

Entrei devagar no saguão, encaminhando-se logo para as escadas. Naquele momento não tive paciência para reparar naquele salão de fraca iluminação já que alguém parecia ter se esquecido de acender os archotes, deixando toda a luz para a lareira enquanto dava aos quadros e aos poucos assentos enormes sombras que escurecia o resto do local. Só que havia um detalhe diferente das outras vezes em que eu estivera naquele prédio:

Havia alguém olhando a lareira e se não estivesse enganado, o que eu duvidava, era bem quem estava procurando...

Desci as escadas lentamente. Era uma mulher e ela tinha os braços cruzados, parecia estar olhando a lareira mais próxima que podia agüentar com o calor que emanava dela. Era incrível até que não tivesse notado minha entrada.

Aproximei-me lentamente, mas ou os passos fizeram barulho demais ou ela voltara a si naquele exato momento, pois no instante seguinte ela tinha virado-se rapidamente em minha direção.

- Quer me matar de susto! O que raios você está fazendo aqui? – perguntou ela descrente, de um pulo.

Apesar de escuro e não enxergar muito de seu rosto, vi seus cabelos rubros refletirem a luz do fogo. A partir dali tive certeza.

Calculei rapidamente o que diria. Não iria falar logo o que queria por que precisava de um certo tempo.

- Não entendi sua carta – respondi lentamente.

A carta era uma coisa óbvia de se compreender mas seria melhor assim... Que ela falasse.

- Não é nada – retrucou ela dando de ombros embora estivesse de costas para o fogo e fosse difícil saber que expressão estaria fazendo. – Só escrevi por quê... – ela hesitou, quase em um corte – Não é nada de mais. Só acho que fomos estúpidos demais...

- E quem disse que eu sou estúpido? – disse cruzando os braços. Chamar-me por um adjetivo daqueles já era demais.

Ela colocou as mãos na cintura enquanto respondia:

- Claro que é! Principalmente por que... – a Weasley calou-se, ajeitando um detalhe da roupa. – Achei que não nos veríamos por no mínimo uns duzentos anos. Já percebeu que nossos encontros são freqüentes demais?

- Já. Mas não posso fazer muita coisa se você não resiste em ficar me mandando cartas – respondi sarcástico – Por que não quer falar o que descobriu?

- Nada. Um detalhe... meio estúpido.

- Claro. – concordei.

Ela deu uma volta em que consegui ver parte de seu rosto. Estava vestida de forma simples, com os cabelos soltos. O cachecol parecia ser da Grifinória.

Olhei para os lados e próximo havia uma poltrona razoável em que me sentei.

- Quer se sentar? – perguntei fazendo uma mesura ironica. Pessoas que ficam andando de um lado para o outro acabam me deixando inquieto.

Por algum motivo ela pareceu ficar mais irritada. Talvez fosse o fato de eu sentir-me mais á vontade do que ela naquele lugar.

Ela puxou uma poltrona e sentou-se á minha frente, quase contra a vontade. A lareira parecia iluminá-la de lado de forma que eu pudesse ver razoavelmente suas feições.

- Vou tentar ser delicada no que vou dizer pois não tenho certeza... Se é verdade. Mas é algo que considero muito e que venho pensando sem querer. Uma idéia que surgiu do nada e que quanto mais penso, mais parece fazer forma. – murmurou ela seriamente – A primeira vitima foi Amélia Scott, correto? Recentemente, consegui a confirmação que ela fazia parte do esquadrão de armamento do Ministério. Pois bem. – Ela tomou novo ar e começou a falar lentamente – Você se lembra naquele dia que nos encontramos no Ministério?

Senti um sorriso irônico invadir todo o meu rosto mas antes que eu pudesse responder, ela revirou os olhos e continuou:

- Eu soube que Scott intrometeu-se na sala onde vocês conversavam. Ela dizia sobre um projeto... E não, não posso dizer como soube isso – disse ela impaciente, adivinhando o que eu estava prestes a perguntar – A questão é que ela dizia sobre um projeto novo. Ela estava eufórica. Eu não sei exatamente para ser sincera, ela parecia razoavelmente jovem para seu porte e etc, etc. Soube que alguém a interrompeu, Lorrimer, eu acho, e mais alguém, dizendo que não podia falar disso ou algo muito similar. Ok, não importa – disse ela como se espantasse o fato com as mãos – A questão é que soube que ela falou uma frase... Que me chamou muito a atenção. Vejamos. – A Weasley fechou os olhos como se isso a ajudasse a lembrar-se melhor do que queria dizer – "Seus efeitos são naturais, ninguém nunca pensa que..." E então, Lorrimer a corta. Como estava ela depois disso?

- Louca da vida de tanta raiva – disse baixo.

Não entendia como ela podia saber disso. Por alguns instantes pensei em uma Weasley atrás da porta, bisbilhotando. Mas até eu que estava ali e que tenho uma ótima memória não me lembrava mais daquelas palavras ao certo. Poderia ela ter ido ao Ministério? Continuei a prestar atenção.

- Faz sentido. – murmurou ela baixinho...

- Não entendi.

- Vejamos assim. Preste bem atenção nesta frase: "Seus efeitos são naturais, ninguém nunca pensa que...", sobre o que ela falava na hora? Devia ser uma espécie de coisa, arma, ou poção departamento dela, não acha?

- Ela estava eufórica demais – disse tentando me lembrar da cena.

- Então. O que você acha do que ela falava? – Por alguns instantes a Weasley pareceu tão séria que me forcei á prestar mais atenção no que ela dizia. Então aquilo começou a fazer um pouco de sentido...

- Você acha que...

- Sim, Malfoy. Eu acho que era de morte que ela falava. Por que se ajusta de certa forma.

A palavra chave poderia ser "morte". Eu digo 'poderia' por que há milhões de palavras que se ajustariam ali. Mas não é exatamente isto que vem ocorrendo? Efeitos naturais. Todo mundo saudável. E então, muito subitamente, do 'nada', surge algo. Simplesmente, algo parece ocorrer, e a pessoa cai – então remexendo-se inquieta ela murmurou mais uma vez a frase que me soou muito familiar – "Seus efeitos são naturais, ninguém nunca pensa que..." Era essa frase que ela falou até interromperem.

- Há pontas soltas demais. – respondi. Tinha que admitir que a idéia da Weasley era bem interessante no entanto, parecia algo bem improvável de ocorrer.

- Eu acho que alguém roubou a fórmula. E mataram ela com a própria 'coisa' que ela criou. – respondeu ela, ignorando o que eu tinha dito.

- E por que você acha que existiria uma fórmula ou qualquer coisa assim?

Ela se aprumou na cadeira mais uma vez enquanto preparava-se para expor um pensamento.

- Vamos supor assim – uma questão de raciocínio prático: Eu compro um livro. Se tenho amigos, eu empresto este livro á amigos. Ou vizinhos, ou familiares. Se sou uma pessoa solitária, então é de supor-se que mais ninguém além de mim lerá o livro que comprei. Mas nem isto é certo. Em todos os casos uma pessoa comprou um livro. E esta faleceu. Mas ninguém mais faleceu ou ocorreu algo com mais pessoas próximas...

- Isso não é concreto. É difícil de saber.

- Não houve mais ocorrências de falecimento entre membros. – respondeu ela concreta. – E aí que está a falha. Deveria ter tido algo a mais. Se até livros passam de geração por geração, por que outras pessoas não foram afetadas? A relação não é exatamente em quem o lê e sim em quem o compra. E esta é a falha. Não é só a pessoa que compra que lê o livro.

Acho que quiseram evitar suspeitas. Mas acho também que o motivo esta intimamente ligado á pessoa que o fez. – disse ela inspirando fundo mais uma vez - Em resumo: Não é o livro. Eu só preciso confirmar alguns detalhes e passar este caso para a Meg, que é do Ministério. O livro nunca teve algo a ver com isso.

Ergui as sobrancelhas, um pouco descrente. Ela teria descoberto tudo aquilo sozinha? Duvidava um pouco. Mas se fosse verdade, tudo caminhava para um lado de que Lorrimer estaria envolvida ou saberia de algo. Ela e a tal Scott não eram do mesmo departamento mas estavam juntas no tal dia.

Naquele momento até tinha me esquecido de que ela queria passar aquilo para o Ministério, e era uma das piores coisas a se fazer. E se a Lorrimer estivesse envolvida...

- Por que aceitou quando eu pedi para ajudar-me? – perguntou ela muito de súbito e inquieta, cortando meu raciocínio.

Olhei para ela, que apertava as mãos, aquecendo-as, e que parecia ter uma expressão curiosa no rosto.

- Não acha que é um pouco tarde para perguntar isso? – perguntei embora já imaginasse sua resposta. Era interessante ver a Weasley curiosa. Agitava demais as mãos, como uma criança nervosa.

- Não é não. Principalmente quando você se mostrou tão interessado quanto agora.

- Tem certeza que estou interessado nisso? – perguntei suavemente em que vi por alguns segundos seu rosto petrificar.

Achei que estava mais do que na hora de falar. Ela parecia calma embora sei que se corroesse de curiosidade, e além do que, eu tinha vontade de ver aquele rosto se crispar por algum motivo.

- Inicialmente eu acreditei que você estava me investigando para o Ministério. – retorqui delicadamente – Seria a única explicação plausível.

Como era previsível, ela se ergueu de um pulo.

- Quê! Que raios você está dizendo? – a escuridão pareceu mais densa enquanto ela se aproximou com os braços cruzados, indignada.

Com muita paciência, retomei o que dizia:

- Weasley, sua explicação me pareceu deveras interessante a primeiros olhos, mas por certos pontos absurda. Você estava investigando algo com que não era paga. Quantas pessoas você encontra fazendo isso por aí?

Ela descruzou os braços e voltou para perto da lareira, quase andando em círculos.

- Ah, ótimo! – bufou ela – Mas se eu tivesse fazendo isso eu jamais falaria que era do Ministério para você!

- Obviamente que não. – respondi – Mas você está adiantando os fatos. Eu disse, inicialmente – falei dando uma ênfase necessária à palavra em si. - Depois que você disse que era do Ministério eu deixei a hipótese de lado. Só que havia uma falha...
- Ok, já sei! – e sobre a claridade da lareira, uma leve coloração vermelha se destacou em seu rosto até as orelhas - Que se eu fosse mesmo do Ministério, não precisaria analisar um livro assim. Não precisa jogar na minha cara que calculei mal. Mas já passou pela sua cabeça que eu poderia ser de algum outro departamento? – perguntou ela interessada.

- Seria estranho se fosse assim.

- Eu não iria cometer um erro tão idiota se fosse do Ministério. Se você por acaso acha que...

Considerei aquele ar contrito dela jogar as palavras, e a resposta veio quase em deboche na minha mente.

- Ei, não gaste sua saliva, eu não pensei isso. – Ela então pareceu se acalmar – Só achei no mínimo curioso, um detalhe engraçado – respondi.

Sua calma fora abandonada totalmente quando ouvira estas últimas palavras, tornando-se mais uma vez agressiva.

- Engraçado, Malfoy? – E chacoalhou a cabeça para trás como se recusasse a acreditar – Você achou isso?

- Seria algo interessante por que quando eu te vi no Ministério, acreditava que você trabalhava lá.

- E ainda acredita nesta idiotice!

Cruzei os braços e levantei-me, chegando mais perto dela.

- Weasley, você está adiantando as coisas novamente. Você depois disse "confessar" que não era. Se fosse uma tática, ela era bem inteligente Mas a certeza que você não era do Ministério veio com o falecimento da Ruth Lorrimer. Era algo real, não um disfarce. Você agiu com o choque comum de qualquer pessoa e o pior: Se você estivesse atrás de mim, seria ela que teria colocado você para descobrir informações pessoais. Soaria estranho por causa que muitos sabem de nossas desavenças familiares, só que era o encaixe perfeito, uma peça única que se encontrava.

Enquanto terminava a frase lentamente ela virou-se em minha direção, em que eu a encarava sorrindo de lado.

- Eu não tinha conseguido encontrar outra pessoa. Eu só sabia que você estava vivo por que havia te visto no Ministério. E quer saber? Bem feito por não ter confiado! Eu tinha falado a verdade desde o começo. – disse ela muito convicta há um palmo de distância de mim.

- Acha mesmo Weasley? E você por acaso confiaria em mim?

Houve um período de silêncio em que ela me encarou como se considerasse seriamente a proposta.

- Se fosse uma necessidade... – disse ela grifando a última palavra.

- Não fale por educação.

- Que raios, não estou falando por educação! Pra quê eu ia ter educação com você?

Ignorei a última pergunta que ela fizera com certo descaso.

- Weasley, você tem que pensar como a pessoa que vai jogar e suas justificativas. As pessoas do Ministério esperaram que eu usasse legilimência no interrogatório do Blaise, e não que eu riscasse a parte de trás do meu relógio com uma inicial. Por que se inicialmente parecia uma tática pífia, é algo muito simples. Tão simples que eles esquecem de reparar.

Ela pareceu furiosa e sua capa farfalhava com uma rapidez desnecessária enquanto recomeçara a andar pelo tapete pisando duro.

- Mas para mim não Malfoy! Parece que você esqueceu que podia passar uma informação com a mente, esqueceu de modo feio por conta... Conta de qualquer coisa! – respondeu agressiva dando uma pausa para continuar depois - Mas esqueceu. E não quis admitir isso.

Observei aquela sala mais atentamente. Será que alguém não poderia estar escutando aquela conversa, as espreitas?

Fitei o mais fundo que consegui aqueles olhos castanhos, procurando a resposta que com certeza a desbancaria. Afinal, ela estava duvidando de minhas habilidades.

- Malfoy, você não se importa com isto. Por que veio? – perguntou ela, como se de repente caísse a ficha.

Oh, finalmente. Já havia demorado ela notar tal fato. Senti uma vontade súbita de não dizer imediatamente, mas já tinha perdido muito tempo. Perguntei sem rodeios, tentando parecer despreocupado:

- Qual a probabilidade da morte da Lorrimer estar envolvida com isso?

- Lorrimer? Por que está preocupada com ela? – perguntou ela com o cenho franzido e os braços cruzados.

Literalmente, os Weasleys deviam ter memória curta.

- Eu não estou preocupada com ela. Mas infelizmente, algumas pessoas atrapalham até depois de mortas...

A Weasley mordeu o lábio não entendendo o que disse, mas algo pareceu fazer-lhe sentido já que de imediato aquiesceu.

- Ok, ok... Muitas. Se ela soubesse, ou tivesse visto algo, as razões são infinitas para quererem ela fora do caminho. – respondeu ela contando nos dedos.

- Certo. Ela estava naquele dia com a Scott... Mas acho que devia ser algo de suma importância para quererem eliminá-la com as próprias mãos...

- Por acaso...? Peraí. Você acha que esta coisa da Lorrimer tem a ver com o caso do livro?

Observei o jeito dela fazer a pergunta, como se fosse algo totalmente impossível, inimaginário. Visando que acabei me envolvendo nisto muito antes por causa dela, parecia impossível mesmo...

Um silêncio se formara em que tentei pensar em como colocar as palavras certas. Eu já não achava. Eu tinha certeza.

- Espera ai. – disse ela novamente mas com uma entonação de voz totalmente diferente de incredulidade, isto é, muito de repente colocando um dos dedos entre os lábios com o rosto um pouco franzido. - Você disse que achava que eu era do Ministério... Você não me...?

Olhando significativamente para mim, uma expressão clara de raiva se assomou á seu rosto. Ela não precisaria falar mais nada pois já sabia o que pensava.

Cruzei os braços e sorri docilmente.

- Algumas pessoas acabam por achar que eu sou só bom em negócios mas freqüentemente acabo misturando-os com o prazer...

Tão rápido como vento, ela se aproximou em passos rápidos e sem ao menos se lembrar que tinha uma varinha levantou seu braço em minha direção. Com uma certa dificuldade apartei seu braço antes que atingisse meu rosto, por muito pouco. Em um milionésimo de segundos ela investira o outro braço contra mim, em uma luta rápida e silenciosa.

- Não que você faça parte dos negócios, logicamente. – acrescentei baixinho perto de seu ouvido.

Ela encarou-me ainda com aquela raiva assomada que a deixava mais alta, no entanto, seu braço afrouxou.

- Está sendo um cretino. Acredite: Nunca mais vou deixá-lo tocar um dedo em mim! – ao dizer isso, ela puxou seu braço para si.

Ri enquanto via suas bochechas se transformarem em dois borrões vermelhos. Nestes aspectos ela era tão previsível!

Não tentei me aproximar mais já que ela mostrava sinais evidentes que queria avançar contra mim. Somente falei, calmamente.

- Você perguntou o por quê que eu vim. Quando você me mandou a carta dizendo que havia uma ligação... Eu pensei que talvez pudesse ter uma relação entre os dois casos. Agora tenho certeza. O assassinato de Lorrimer vai complicar totalmente meu julgamento. Eu estava com você na casa. Se pegarem-me para um interrogatório com um Veritaserum pela goela, eu provavelmente não saírei de Azkaban.

Houve um silêncio, uma pausa finalmente.

- E o que você vai fazer? Vai beijar-me para que eu diga 'sim' e tentar ir até o final com o caso do livro? – embora ela tenha aquiescido de leve, a ressonância de sua voz mostrava a raiva incontida que tinha dentro de si ainda - Já percebeu que terrível armadilha que é? Você não dava a mínima para o que eu estava investigando. E é justamente isto que vai salvar a tua vida. Não sei se percebeu mas o autor do caso do livro é quem com muita probabilidade pode ter matado Lorrimer.

- Brilhante! Se não tivesse me dito... – disse com falsa alegria, então acrescentei lentalmente. - Mas você não pode ajudar-me Weasley. Não pensa que sou inocente.

- Por que pensa isso?

- Por que eu sei, Weasley. Você é transparente demais.

- Sabe o que é pior? Eu confio em você. É o que mais me dói e faz o meu sangue subir pela cabeça com um xingamento pior que o outro – sua consternação era tão grande que chegava a ser engraçada, simplesmente parecia caber-se em si. Senti-me satisfeito com aquelas palavras. Tanto que as guardei para mim.

- Você acha que se os outros não estão seguros... Você estará. Mas você tem medo. - Ela postou-se á minha frente de forma inquisitiva, a respiração quase entrecortada pelo frio.

Quem era ela pra dizer se eu tinha medo ou não? Olhei para a lareira e tentei cortá-la da melhor forma possível.

- Eu não me importo com isso.

- Acha que sua vida não importa? Você está longe de ser assim! – rebateu ela rapidamente como um lampejo.

- Ainda bem que sabe. O que mais tem a dizer-me? – respondi ironicamente com um leve sorriso

- Que o medo não é para ser disfarçado.

- Uma grande frase, Weasley – disse com fingida admiração.

Eu não precisava de conselhos naquele momento.

- É sério. – retorquiu ela com o tom baixo - Eu disse que quero ajudá-lo...!

Fiz um gesto negativo. O que ela achava que eu era? Que eu estava implorando a ajuda dela por acaso? Nunca deixaria a Weasley ter pena de mim.

-Então tá – disse ela exasperada enquanto colocava as mechas ruivas por trás das orelhas em um gesto inconsciente, como se tivesse impaciente - por que você veio aqui, então! – ela perguntou com urgância tão próxima que achei sentir o seu hálito acanelado.

Aquela pergunta acabou por me pegar despreparado. O silêncio era anormal, com os estralos pequeninos da madeira secando ao fogo.

- Por um momento, achei que... – mas antes que terminasse ela acabou me cortando, coisa que detestava já que sou um Malfoy e ela uma Weasley.

- Malfoy, você sempre gosta de achar as coisas. Deixe que eu faça isso dessa vez. Só uma vez. – pediu ela.

- Você não ia conseguir.

- De preferência, sem dizer que não vou conseguir as coisas.

Ela tinha estendido a mão para ajudar-me e um Dragão orgulhoso se revirava dentro de mim.

- Está parecendo que você está com medo assim, se retraindo enquanto quero te ajudar...

- Quem faz os golpes baixos aqui sou eu – adverti ela.

Ela riu.

Então em um fio de voz, meio tímido, meio aliviado, ela murmurou:

- Acho que estamos nos entendendo...


N/A – Sabe o que é engraçado? Acho que é somente agora que a história do The Linen Door começa... Agora vamos para Capítulo I da segunda parte.
E mais uma vez – Obrigada á TODOS que pediram por este capítulo. Posso ás vezes demorar na resposta das reviews mas sempre leio elas com muito alegria aqui! E não fiquem bravos quanto ao livro... Tudo á seu tempo...

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