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Capítulo 04: Casal de chocólatras
– Quer dizer que Milo não estava alérgico coisa nenhuma? – Aiolia perguntou a Afrodite, que só fez balançar a cabeça afirmando. – E Milo descobriu isso ontem?
– Acabei deixando escapar – Afrodite suspirou, sentando na escadaria da casa de libra. – E Camus deve estar querendo me matar. Até que não seria má idéia, considerando que o Mozão ainda não fez as pazes comigo.
– Então os gemidos que eu ouvi ontem a noite devia ser o Milo matando o Camus – Shura comentou. – Só que matando de outra forma, claro – ele e Aiolia caíram na risada.
– O santuário inteiro ouviu... Depois dessa Camus vai ficar uma semana sem aparecer para treinar.
– Até que a casa dele tava bem calma quando eu passei por lá hoje cedo – Afrodite se levantou. - Vou descer para a casa de Câncer, acho que Mask já acordou.
– Nada disso.
– Afrodite paralisou ao reconhecer a voz fria.
– Cam... Camus, como vai? – se virou relutante. – Vejo que muito bem, parece ter dormido com anjos...
– Aoilia a Shura começaram a gargalhar.
– Desde quando aquele Escorpião é anjo? Pela gritaria que eu ouvi... – Shura falou para Aiolia, sem notar Camus direcionar o olhar para eles.
Afrodite aproveitou a deixa pra cair fora.
– Nem pense que vai escapar, Afrodite – ia atrás dele, mas uma mão segurou seu braço.
– Camus, volta lá pra cima – Milo resmungou ainda sonolento. – Deixa ele, afinal você aceitou o plano dele de qualquer forma, e antes mesmo do Afrodite dizer algo eu já sabia.
– Sabia? – se virou olhando para um Milo com a cara amassada e os cabelos bagunçados.
– Há séculos. Agora vamos voltar pra cama, que seu castigo ainda não terminou.
Camus ficou vermelho. Aiolia e Shura seguraram a risada.
– Mas ele me enganou sobre o chàMilo... – achou melhor ficar quieto, se contasse sobre aquilo na frente de Aoilia e Shura, não teria paz por um bom tempo com as irritantes gracinhas.
– E vai dizer que você não gostou do efeito do chÿ – Afrodite soltou, sorrindo. – Se eu tivesse contado o real efeito você não teria aceitado que eu sei.
Camus ia dizer uma boa ofensa quando Milo se intrometeu.
– Fique sabendo que não teve diferença alguma. Não foi, Camus? – Camus não respondeu. Milo olhou incerto para ele. – Não foi, Camus?
– De que chá vocês estão falando? – Aiolia perguntou curioso.
– Eu não preciso daquilo pra ficar mais... mais...
– Milo, vamos embora – puxou Milo pela mão antes que ele tornasse a situação mais constrangedora. - Você podia ao menos ter colocado uma camisa e uma calça mais decente. – Olhou para a samba canção que Milo usava.
Milo balançou a cabeça e o arrastou para voltarem a casa de Aquário. Afrodite piscou um olho para Milo agradecendo por ele o ter livrado da possível ira de Camus.
– Nada não, Afrodite. Tava te devendo essa pelos chocolates.
Camus se virou, parando bruscamente.
– Então foi você?
– Ops... – Afrodite desceu correndo, antes que Camus se soltasse de Milo.
– Vamos logo, Camus, eu fiz chocolate quente e vai acabar esfriando.
– Chocolate quente, é? – voltou a atenção para Milo.
Recomeçaram a subir, Milo tentando ajeitar o cabelo bagunçado e Camus animado com o chocolate quente.
– Acho que uns dois dias depois – respondeu com a cabeça apoiada na mesa. – Sinceramente, como você, sendo do jeito que é, achou que eu iria cair em uma dessa?
– Bom... era mais que lógico que você desenvolvesse uma alergia comendo chocolate daquele jeito.
– Até ai tudo bem, mas as manchinhas não sumiriam tão rápido se eu realmente estivesse com alergia.
– Foi assim que descobriu?
– Não. Ouvi o Afrodite contando ao Shura.
– E ele ainda achou de te dar chocolates – disse incrédulo. – Me ajuda com essa idéia absurda e depois afunda meu plano duplamente. Acho que sei até como fez para que ele dessa os chocolates – colocou a caneca vazia em cima da mesa e a mão na cabeça de Milo, acariciando. – Deve ter feito aquela sua cara de quem ia morrer por estar sem chocolate.
– Hum hum... – murmurou deliciado com o carinho na nuca. - E ele me arranjava chocolates e ficava contando historias escabrosas de pessoa com espinhas na cara e me dizendo que meu rosto iria pipocar. Até parece que eu tenho problemas com espinhas.
Camus fez com que ele saísse da cadeira e se sentasse no seu colo. Afastou os fios azulados para que pudesse olhar melhor o rosto perfeito do grego.
– Pra compensar, porque você não derrete mais chocolate e leva lá pro quarto...
Zoaram com a cara de Máscara da Morte o máximo que puderam, vendo-o alegar que não precisa daquilo coisa nenhuma e que Afrodite tinha tendência a ninfomaníaco. Afrodite, que andava bastante irritado esses últimos dias, retrucou dizendo que ele não era ninfomaníaco e que na verdade gostava de experimentar as coisas para ver o resultado. Isso só piorou mais ainda tudo para o seu lado.
– Então quer dizer que você gosta de experimentar coisas novas? E fica experimentado outros também?
– Claro que não! – Afrodite respondeu, indignado. – Eu quis dizer, experimentar coisas novas com você.
Máscara não quis saber e saiu dali, subindo para a quarta casa. Afrodite foi atrás dele.
– Ihhh, acho que esses dois não se acertam nem tão cedo – falou Aldebaran, balançando a cabeça.
– Quem parece que se acertou foi esses dois aí! – Aiolia apontou para Milo e Camus.
– Tá começando a deixar a gente enjoado – Shura colocou a língua para fora.
– Querem parar de dividir esse chocolate? – Shaka repreendendo-os diante da cena: Milo com um chocolate, mordendo um pedaço e dando outro para Camus.
– Ei, Milo, tem mais chocolate ai? – Mu perguntou baixo, mas não o suficiente para a audição aguçada de Shaka.
– Até você, Mu? – Shaka olhou horrorizado para o namorado.
– Você já provou um, Shaka?
Shaka fez sinal pedindo paciência a Buda e subiu as escadas. Mu o seguiu depois que Milo passou dois chocolates. Iria convencer o loirinho de que aquilo era mesmo bom.
– Será que deu a louca no Camus de novo e ele achou de me proibir mais uma vez de comer chocolates?
Subiu as escadas, preocupado, indo ao encontro de Camus perguntar o que aconteceu com seus chocolates. Chegou no quarto e abriu a porta devagar. Camus estava deitado, a caixa de bombons de licor aberta e só com papeis, incluindo os de chocolate sortidos. Nana mão a metade de uma das barras de chocolate e o livro na outra. Camus se deliciava com chocolate, todo esparramado na cama de Milo e lendo o livro, sossegado.
– CAMUS! – Milo berrou. Camus soltou o livro assustado e se sentou rapidamente – MEUS CHOCOLATES! – chegou perto da cama. – Você comeu tudinho?
– Anh... Eu tava aqui sem fazer nada. Não resisti...
– ZEUS! EU CRIEI UM CHOCÓLATRA! – desabou na cama.
– Que isso, mon ange! Foram só uns chocolatizinhos.
– Só uns chocolatizinhos? Você acabou com o meu estoque. Quer dizer, ainda tem essa barra ai na sua mão – Milo olhou para a barra de chocolate. - Vai, me passa a barra, já que você comeu todos os outros.
– Não – Camus saiu da cama. – A culpa é sua se estou assim, agora agüenta.
– Camus, eu queria que você gostasse de chocolates pra parar de jogar fora o meu estoque, e não para dar fim achando de comer tudo.
– Depois a gente compra mais.
Milo pareceu se acalmar.
– Certo, mas me dá essa barra então.
Camus olhou para ele carinhosamente
– Não mesmo! – e saiu rápido do quarto, sendo seguido por Milo.
– VOLTE, CAMUS!
Aquário parou, sorrindo. Esperou que Milo se aproximasse, e ele mesmo ofereceu um pedaço da barra. Milo provou, devagar, e depois se agarrou ao pescoço de Camus.
– E a outra barra, cadê?
– Comi hoje cedo, quando você saiu, mas amanhã eu compro mais chocolate pra nós dois – deu um selinho nos lábios de Milo, o gosto de chocolate sendo notado por ambos.
– Vai acabar passando mal depois de comer todos esses chocolates.
– Vou nada – deixou que Milo dessa mais uma mordida na barra de chocolate e se afastou. – Vou voltar pra ler meu livro – e saiu em direção ao quarto.
Milo voltou a cozinha para tomar um copo d´água. Ficou ali um tempo, procurando o que fazer para comer. Largou as coisas e foi para o quarto perguntar a Camus se ele queria comer algo, quando se aproximava ouviu o barulho de alguma coisa sendo rasgada.
– Não pode ser – murmurou e entrou sorrateiramente. – Aquela era a última.
Camus estava debruçado na cama, com uma barra de chocolate inteirinha.
– EU NÃO ACRETIDO! VOCE DISSE QUE JÁ TINHA COMIDO TUDO.
Camus deu um pulo assustado.
– Eu... eu... – Achou melhor correr.
– VOLTE, Camus. – Milo berrou sendo ouvido pelas dozes casas. – VOCÊ ESTÁ VICIADO.
E começa tudo de novo.
FIM!