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: B s . A A A    : full 3/4 1/2   : E E   : Light Dark Anime/Manga » Gundam Wing/AC » Entre o sonho e a realidade a vida

Dee-chan23
Author of 18 Stories

Rated: M - Portuguese - Romance/Drama - Reviews: 275 - Updated: 03-23-06 - Published: 01-29-05 - id:2240004
Pares: 1x2x1, 3x4, talvez mais

Romance, Drama, SAP, Angústia, Universo Alternativo, Lemon e etc.

Dedico esta estória a todos os loucos por um bom e sentimental 1x2x1. Em especial a Ana Paula, a Yoru no Yami e a Elise.

Entre o sonho e a realidade...a vida

Por Dee-chan

-Um minuto!

Entre a batida na porta, risos, pequenos gritos excitados, o jovem Duo Maxwell tentou evitar um gemido frustrado. Não queria se atrasar, mas a pequena criança em seus braços parecia pensar diferente. De repente, percebeu que sua gravata tinha virado um interessante mordedor.

-Ty! – ele admoestou o garotinho, puxando gentilmente a boca do menino de sua roupa. Driblando uma porção de brinquedos espalhados pelo chão, dirigiu-se a entrada, suspirando de alívio ao dar de cara com um familiar par de olhos azuis. – Finalmente! Por que demorou tanto??

Ele depositou Tyler nos braços do amigo. O garotinho só ria, obviamente alegre com a chegada do loiro.

-Hey lindo! – Quatre riu, balançando e beijando as bochechas do menino antes de se voltar para Duo – Bom dia pra você também.

O jovem de tranças suspirou.

-Desculpe, Quatre. Eu estou atrasado e ainda tenho que me trocar de novo...

-Que horas você tem que sair?

Os dois entraram e Duo foi logo em direção ao quarto, desabotoando a camisa no caminho.

-O brunch está marcado para as dez e meia...

-Dez e meia? Mas são... – Quatre deu uma olhada em seu relógio de pulso – Sete e quarenta e cinco! – ele riu e Ty a acompanhou brincando animadamente com seus cabelos loiros.

Duo emergiu do quarto, abotoando uma nova camisa.

-Tenho que chegar cedo, não quero causar má impressão. Tenho que pegar três trens!

-Desde quando você costuma respeitar os horários? – outro riso.

-Desde que estou desesperado...

-Hmm sei, e onde está Alex?

-Dormind... – um choro ressoou pelo apartamento. – Estava dormindo...

No mesmo segundo, Duo entrou num aposento logo retornando com uma garotinha sonolenta nos braços. O rostinho arredondado estava rosado, devido ao sono e o pequeno tufo de cabelos castanhos dourados no topo de sua delicada cabeça estava todo desarranjado.

-Falta pouco pra ela poder trançar essas madeixas. – Quatre comentou, brincando, enquanto se aproximava dos dois. – Como está minha boneca?

Duo ignorou o comentário sobre o cabelo, ou falta dele na cabecinha da menina, e tratou de acomodar Alex no outro braço de Quatre. Os dois bebês trocaram risos, felizes e despreocupados. O loiro beijou os dois e foi para o sofá.

-Pronto, já estou aqui. – ele depositou os pequenos no estofado e se voltou para o amigo. – Desde que horas você está acordado? Você parece cansado.

Outro suspiro.

-Desde as quatro horas, mas estou bem, os bebês tinham de comer mesmo e eu não consegui voltar a dormir.

-Talvez você deveria considerar contratar uma babá em tempo integral...

-Não, eu não quero estranhos cuidando deles. E além do mais, onde iria arranjar dinheiro pra isso??

-Se eu tivesse mais tempo...

-Quat, por favor, já me sinto culpado por roubar seu Sábado assim. Desculpe por...

-Hey, não seja bobo, eu adoro meus afilhados – ele o interrompeu – É um prazer ajudar.

-Obrigado. Mas o que você acha? – Duo parou no meio da sala e estendeu os braços, esperando um veredicto a respeito de sua vestimenta.

-Você deve estar mesmo muito nervoso – o loiro riu – pra me perguntar sobre suas roupas...

-Quatre!

-Desculpe...hummm – ele colocou a mão sob o queixo, pensativo – A gravata...você precisa mesmo usar uma?

-Por quê? O que há de errado com ela?

-Eu acho um pouco formal demais para um café da manhã...

-É um brunch – ele enfatizou – Sobre trabalho! Acha estou exagerando???

-Não tenho certeza. – Quatre franziu suas sobrancelhas loiras.

-Como assim??

-Pelo que você me disse, vai ser apenas uma conversa preliminar, uma pré-entrevista. Não acho que toda essa produção seja realmente necessária. – sem mencionar que ele achava que Duo não estava nada elegante naquele terno de segunda mão.

Duo fez uma cara de desalento. Geralmente, Quatre tinha razão.

-Você está certo...no que estou pensando?? Deve ser mesmo o nervosismo. – Duo retirou o acessório e respirou fundo – Estou tanto tempo sem trabalhar...acho que perdi a noção das coisas.

-Ser pai em tempo integral é um trabalho e tanto.

Duo parou e sorriu ao olhar para os filhos com indisfarçada ternura.

-E como...mas acho que é hora de tentar colocar minha vida de volta nos trilhos. Não que eu não esteja feliz com eles. – ele se aproximou do sofá – Você sabe como eu os amo. É só...às vezes eu sinto falta de ser apenas eu, como era antes...

-Eu entendo – o loiro disse, compreendendo a melancolia que permeava as palavras do amigo. Afinal, ele também havia sido pego de surpresa, ganhando dois afilhados tão repentinamente. Com um sorriso, decidiu descontrair a conversa – E você está absolutamente certo! Já faz mais de um ano, não é? Você precisa de um pouco de companhia adulta.

Duo revirou os olhos.

-Não era bem nisso que eu estava pensando, Quat. Estou falando de trabalhar e...

-Mas Duo, isso não é saudável – o pequeno loiro o interrompeu – Você é um homem e um homem tem necessidades...

-Sei...

-Você não está me ouvindo...isso é sério. Além de mim e dos bebês, você tem se relacionado com quem? – Quatre nem esperou uma resposta – Isso mesmo, ninguém! E você é tão jovem, mal completou vinte e quatro e está sozinho!

-Não estou sozinho... – Duo cruzou os braços, tentando pensar num modo de distrair o amigo intrometido – Você fala tanto de mim, mas e você, senhor Winner?

Os lábios de Quatre curvaram-se num sorriso mais que radiante.

-Pensei que nunca fosse perguntar.

Secretamente, Duo também sorriu, contente por ter conseguido mudar o foco da conversa.

-Conheci alguém há alguns dias. Alto, moreno, olhos verdes...o corpo mais delicioso que você possa imaginar, todo esculpido e firme...e que braços! Mais que sexy...

-O que há de errado com você, Q? Não na frente das crianças! – Duo sorriu e tapou os ouvidos dos bebês, que alheios aos adultos, brincavam distraidamente um com o outro.

-Cala a boca, Maxwell. Deixe-me continuar...ele tem esse corpo, mas não é tudo, além de absolutamente maravilhoso esse Deus ainda encontrou tempo para ser inteligente e muito charmoso. Estou mais que impressionado... – ele suspirou. – Não...apaixonado... seria a melhor descrição.

Duo riu. A expressão conhecida do amigo nunca falhava em diverti-lo.

-E o que há de novo nisso? Você se apaixona por alguém diferente toda semana, Quat.

-Ahhh mas dessa vez é diferente! Quero dizer, só nos falamos uma vez, e ele foi um total cavalheiro ao me convidar para jantar hoje à noite! Não me lançou uma daquelas cantadas batidas, ele me encarou direto nos olhos e me convidou! Com todo decoro... Pode imaginar isso?? Geralmente os mais bonitos são uns cretinos...

Novamente, Duo riu diante o entusiasmo do amigo.

-E onde você conheceu essa criatura divina?

-Numa aula de ioga. Você não tem idéia de como ele é flexível!

-Desde quando você faz ioga? – Duo nem ousou imaginar no que o loiro estava pensando ao dizer a palavra flexível, tamanho era o brilho em seus olhos azuis.

-Eu não faço. Só estava na academia malhando e o vi por acaso. Fiquei tão transfixado que foi impossível ele não me notar, eu estava praticamente babando. Sorte minha ele retornar meus sentimentos... – Quatre moveu a mão sobre a virilha.

-Seu vadio... – Duo jogou uma almofada no loiro, sorrindo.

-Não sou não! Sou apenas um cara normal, com necessidades...

-Por favor, não vamos voltar a isso...

Levantando-se, Duo desapareceu no quarto antes que Quatre pudesse dizer qualquer coisa. Quando retornou, estava vestido de forma totalmente diferente.

-Agora sim estamos falando sério! – Quatre aprovou.

Duo havia trocado o terno barato por um algo mais jovial. Calça social preta, pulôver vinho e um elegante, porém cheio estilo, casaco semilongo de cashmere negro, que era a peça mais chique e cara que possuía no armário, e que ele nunca nem sonharia em ter, não fosse herdada.

Quem não gostava de se vestir bem? Mas Duo não podia se dar ao luxo de gastar muito em roupas, principalmente agora que tinha uma pequena família para sustentar.

-Estou tão nervoso que meu estômago dói – ele encarou o amigo loiro.

Quatre sorriu com gentileza, ele sabia como Duo precisava do emprego, como ele havia lutado e crescido nesse último ano, tentando se adaptar à paternidade, as suas responsabilidades, alegrias e dificuldades.

-Tudo vai correr bem. Agora sente aqui e me conte mais sobre esse emprego.

Suspirando, Duo olhou no relógio. Ainda havia tempo e conversar com Quatre sempre o relaxava. E isso era o que ele mais precisava naquele momento.


Fim de Janeiro e começo de Fevereiro era uma das épocas mais gélidas do ano. Tóquio, como sempre, continuava agitada apesar da neve que caía. Executivos, turistas e todos os tipos de trabalhadores iam e vinham apressadamente pelas ruas, ocupados com seus próprios pensamentos, sem tempo para prestar atenção uns nos outros. Dentro do Café, Heero Yuy observava a movimentação de forma distraída.

Desviando o olhar da rua, aceitou que a garçonete lhe servisse mais café. A conversa a seu redor ressoava com suavidade, de forma quase imperceptível, as outras mesas estavam cheias e ocasionais olhares eram lançados em sua direção. Havia algo naquele ambiente que o relaxava. Talvez o tilintar da porcelana e dos talheres ou a aparência distinta e ao mesmo tempo despojada dos outros freqüentadores. Cruzando as pernas ele pegou a xícara para mais um gole do líquido escuro.

Retornar aquela cidade após anos no exterior havia sido uma mudança agradável. O Japão era seu lar, o lugar que desejava viver permanentemente. Talvez o isolamento fosse um dos motivos que o atraíssem mais. Ele era uma pessoa reservada, que zelava por sua privacidade e não almejava envolvimentos pessoais sérios, mas que apreciava a vida urbana e suas diversões. Tóquio era uma das maiores metrópoles do mundo, uma cidade que oferecia todo e qualquer tipo de entretenimento que ele pudesse desejar, mas ao mesmo tempo também provinha esse isolamento. Em outras palavras, era um local perfeito.

E estar ali, as nove e quarenta e cinco daquela manhã de Sábado, parecia ser exatamente o que ele precisava.

Com um sorriso sereno nos lábios, ele recostou-se na cadeira e exalou os aromas agradáveis que o rodeavam. Toda a cena de tranqüilidade, porém, foi abruptamente interrompida pela entrada nada discreta de uma pessoa no Café. Levemente irritado, Heero se viu analisando o estranho, um jovem agitado, que possuía uma distinta e longa trança. Ele se moveu até o balcão e fez perguntas ao atendente, sendo em seguida, conduzido a uma das mesas no canto esquerdo do recinto, perto das janelas. O modo como ele se movia mostrava que ele não estava nem um pouco à vontade em estar ali.

O minúsculo sorriso voltou aos lábios de Heero. Apesar do aborrecimento inicial, agora ele estava curioso. As faces do estranho estavam coradas, como se ele tivesse corrido até ali e ele não parava de ajeitar suas roupas, checando se estava bem, parecendo apreensivo e deslocado.

Heero se achou muito interessado.

O jovem em questão não era japonês, talvez de ascendência européia ou americana, Heero não sabia ao certo. Mais uma coisa ele sabia: o estranho era deliciosamente atraente. E melhor, de um jeito totalmente desproposital. Ele estava vestido de acordo com o ambiente, mas era como se não estivesse acostumado a isso. Seu corpo esbelto estava tenso e suas mãos se moviam demais. Quando a garçonete serviu-lhe café, ele sorriu e Heero ficou ainda mais fascinado.

Um olhar, era tudo que ele precisava para saber. Afinal, ser gay não dava a Heero um radar para identificar quem poderia ou não corresponder a seus interesses, mas um olhar, era mais que o suficiente. E naquele momento ele precisava, desesperadamente, daquele reconhecimento.

Vamos, olhe pra mim”. Heero mentalizou.

E como esperado, o jovem o fez; de forma hesitante, ele virou o rosto e seus olhares colidiram.

Foi eletrizante. E Heero não estava preparado para o deleite que o tomou ao ver o jovem desviar os olhos, claramente embaraçado, por ter sido pego encarando, para depois retornar esse olhar, tentando parecer discreto, mas falhando enormemente.

Bingo!

Definitivamente, havia interesse. E Heero quase sorriu, coisa que não fazia com freqüência, tamanho era seu contentamento. Há tempos não sentia sua atenção ser fisgada de forma tão poderosa e instantânea. Sim, talvez voltar ao Japão houvesse sido a melhor das idéias.

Tudo que ele precisava fazer agora era agir. Mas seus planos foram inadvertidamente interrompidos pela chegada de uma mulher, que vestindo um tailler negro mais que apertado, tomou a atenção de seu alvo, juntando-se a ele na mesa.

Droga!

Bem, ele não era particularmente paciente, mas dessa vez, sentiu que a espera poderia valer a pena. Por isso ele ficou lá, placidamente observando, e recebendo, vez ou outra, um furtivo olhar em retorno.


“Negócios! Trabalho! Deus eu preciso desse emprego! Não devia estar me sentindo desse jeito!” Duo se beliscou mentalmente.

Mas como podia pensar em trabalho? Não, ele não podia! Primeiro por que se sentia totalmente fora de seu ambiente. Aquele lugar era caro demais! As pessoas ali pareciam tiradas de uma revista de moda e ele se sentia um garotinho com as roupas emprestadas do pai. E ainda havia um estranho divinamente atraente do outro lado, olhando para ele! Era estupidez. Duo sabia que um cara como aquele, nunca se dignaria a olhar para alguém como ele. “Caia na real Duo! Ele deve estar apenas se perguntando o que um tipo como eu está fazendo num lugar como esse!”

Trabalho. Era por isso que estava naquele lado da cidade. Ficar sonhando acordado era a última coisa que ele precisava.

Para seu alívio, a pessoa que estava esperando chegou, resgatando-o de pensamentos inúteis.

-Senhor Maxwell! É bom saber que pontualidade é uma de suas qualidades.

Duo se levantou e apertou a mão que lhe era estendida.

-Sou Sakae Rei.

-Muito prazer senhorita Sakae.

-Por favor, me chame de Rei.

Os dois se sentaram e Duo tentou se concentrar na entrevista, afinal, o emprego era mais importante que um flerte imaginativo. Mas ele não conseguiu evitar de olhar, como o tolo que era, para o estranho do outro lado do Café.


Uma hora depois, Duo tomava seu café com um sorriso mais natural no rosto. Rei era uma mulher firme, sem deixar de ser carismática. A conversa estava sendo relaxada e ela parecia genuinamente interessada em seus desenhos.

-Você tem talento. Um estilo muito intenso e criativo. Pode ser exatamente o que estamos procurando. – ela também sorriu – Mas me diga, tem certeza de que poderá cumprir com os prazos?

-Absolutamente! – ele afirmou com convicção – Fui sincero ao dizer que meus filhos tomam grande parte de meu tempo, mas trabalhando em casa, não terei problemas com as entregas. Mantive-me ocupado nos últimos seis meses, os desenhos nessas pastas foram todos produzidos durante esse tempo. – ele apontou para os trabalhos nas mãos de Rei.

-Muito bem. Isso era para ser apenas uma pré-seleção, mas o senhor me convenceu Senhor Maxwell. Acho que temos um acordo.

Duo não acreditou em seus ouvidos! Ele havia conseguido o emprego!

-Obrigado Rei! Você não irá se arrepender! E por favor, me chame de Duo! – ele se levantou com rapidez, apertando a mão de sua nova chefe com entusiasmo contagiante.

Rei não pôde deixar de rir ante a tamanha energia.

Duo não podia estar mais satisfeito! Após acertarem o começo do projeto, os dois dividiram a conta e se despediram. Somente quando se viu sozinho, ele se permitiu notar que o estranho maravilhoso já não estava mais lá. Não podia dizer que se sentia desapontado, pois não havia motivos para tal, afinal nunca havia existido a possibilidade de algo acontecer, portanto também não havia motivos para o desapontamento.

Vestindo seu casaco, ele suspirou. Havia conseguido o trabalho, isso era o que mais importava, não era?

Bem, antes que se perdesse em pensamentos que não o levariam a lugar nenhum, a não ser a uma rua chamada depressão, Duo voltou a sorrir e deixou o Café. Sorte em algumas coisas, azar em outras. Era assim que as coisas funcionavam, pensou consigo mesmo.

Uma vez na calçada, levantou o rosto e fechou os olhos, sentindo a neve tocar-lhe a pele.

-Pensei que eu fosse a única pessoa a fazer isso.

Surpreso, Duo arregalou os olhos e se virou. Era ele! O estranho do Café...o estranho japonês que possuía...Deus...ele tinha olhos azuis...

-O quê? – ele murmurou debilmente.

-Sentir a neve, num frio desses. – o estranho sorriu.

Duo estava atônito! Não conseguia pensar! Tudo que podia fazer era ficar ali, de boca aberta encarando aquele homem como um idiota! Depois do que pareceu uma eternidade, ele piscou e resolveu dizer algo.

-S-sim...eu gosto de neve...

Merda! Podia ter sido mais patético??? Mas o estranho ainda sorria, não abertamente, mas sorria. E, pelos céus! Como alguém podia ser tão atraente??

-Convida-lo para um café agora seria besteira, não seria? – o moreno olhou de relance para o lugar de onde haviam acabado de sair.

Duo ainda não compreendia o que estava acontecendo, mas se viu sorrindo como um adolescente nervoso.

-Acho que sim.

-Um almoço então?

Direto! Aquele cara era mesmo muito direto! Duo nem sabia se estava imaginando coisas, mas ele havia sido convidado para almoçar??? Assim??

-Desculpe, mas...o quê?

Dessa vez, o japonês riu, de forma baixa e rouca. Duo sentiu todos os cabelos de seu corpo se arrepiarem.

-Eu é que peço desculpas. Nem ao menos me apresentei. Sou Yuy, Heero Yuy. – ele deu um passo a frente e estendeu a mão.

Ambos usavam luvas, mas o contato não foi menos elétrico por causa disso.

-E-eu sou Duo Maxwell. – retornou, quase incerto.

Quando suas mãos se separaram, Duo teve de fazer força para se manter reto, uma vez que seus joelhos pareciam querer falhar.

-Então, Duo Maxwell, o que acha do almoço?

Antes que pudesse contemplar aquela estranha fantasia, a realidade voltou num estalo. Ele não podia!

-Desculpe, eu...eu não posso. Tenho um compromisso agora. – era verdade, ele tinha de voltar para casa e liberar Quatre.

Obviamente desapontado, Heero o observou. Duo não sabia se devia sentir-se nervoso ou se devia se bater por recusar aquele convite.

-Entendo – Heero disse – Quem sabe outro dia.

Duo balançou a cabeça, meio triste, sabendo que não haveria outro dia. Mas Heero o surpreendeu novamente, retirando um cartão do bolso de seu casaco.

-Me ligue, ok? Qualquer hora.

Pegando o pequeno retângulo de papel, Duo sentiu seu coração querer saltar de seu peito. Isso não podia ser real, podia??

-O-ok... – novamente, suas habilidades vocais pareciam tê-lo abandonado. Mas isso não tinha importância, pois com um meio sorriso e um olhar tremendamente intenso, Heero se virou e partiu, deixando-o no meio daquela calçada movimentada sem a chance de dizer outra besteira.


De volta ao apartamento, Duo deu a feliz notícia ao amigo e antes que não agüentasse e confessasse sobre o “outro” acontecimento do dia, ele tratou de despachar o loiro, lembrando-o de se preparar para o jantar com o moreno flexível.

-Você tem razão Duo! Preciso mesmo ir indo! – eles se abraçaram – Eu disse que você ia conseguir!!! Estou tão feliz por você!!!!!

-Obrigado de novo, Quat. Agora vá – ele riu – você precisa se arrumar para seu encontro. E depois quero detalhes.

Depois de outra rodada de abraços e despedidas, ele se encontrou finalmente sozinho. Os bebês estavam tirando a soneca da tarde e os pensamentos de Duo voltaram-se novamente para Heero e seus olhos azuis.

O cartão em seu bolso parecia pegar fogo, e Duo se jogou no sofá, pegando o pedaço de papel entre os dedos.

“Ele estava mesmo falando sério?”, pensou. Seu coração esperançoso batia como louco só de lembrar do modo como Heero havia olhado para ele.

Fazia tanto tempo desde a última vez que sentira daquela forma. A excitação, o desejo, a novidade...ahhh...era fantástico se sentir desejado! Mesmo que isso pudesse parecer irreal, afinal, ele ainda não acreditava que Heero pudesse estar mesmo interessado nele. Mas aquele cartão era real, e talvez, quem sabe, as intenções de Heero também fossem.

Passando a mão por sua franja, Duo se levantou, indo para o quarto das crianças. Os pequenos dormiam como anjos, tão serenos e contentes. Inclinando-se sobre o berço, Duo estendeu a mão para acariciar os rostinhos macios.

-O que vocês acham? Devo ligar, ou não? – sussurrou, com um sorriso terno nos lábios.

Os bebês nem se moveram, mas Duo continuou sorrindo.

-Talvez Quatre esteja certo...preciso de um pouco de companhia adulta...

Saindo do quarto, ele se jogou novamente no sofá, dessa vez, com o telefone em mãos.


CONTINUA...

Ahhhhhh comecei outra estória! Não consegui evitar. Mas sempre consegui trabalhar melhor com várias fics em andamento.

Espero que vocês tenham gostado. Eu tava precisando de um pouco de açúcar.

E antes que eu perca a tradição...

Dedinhos felizes digitam mais rápido.

Não se esqueçam!

Bjos,

Dee


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