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Anime/Manga » Weiss Kreuz » Darkness Revenge
Lady Bogard
Author of 90 Stories
Rated: K - Portuguese - Adventure/Romance - Aya/Ran F. & Youji K. - Reviews: 2 - Published: 02-10-05 - Complete - id:2257471

Título: Darkness Revenge
Ficwriter: Kaline Bogard
Classificação: yaoi, cena dark, sobrenatural, AU
Pares: AyaxYohji
Resumo: Os Weiss são os caçadores de vampiros mais tenazes até que se deparam com um inusitado inimigo.


Darkness Revenge
Kaline Bogard

Capítulo 05
Abraço das trevas

O silêncio dominou o salão por alguns segundos. Sentimentos diferentes tomavam conta dos expectadores daquela cena: a incredulidade cintilava nos olhos dos Weiss. Lilik ria muito, debochando das futuras vitimas. E Aya permanecia indiferente, fitando os antigos companheiros como se mal os conhecesse.

(Ken) Que porra é essa?

(Omi) Agora tudo faz sentido...

Voltou os olhos para Yohji, observando-o. O loiro mais velho não disse nada, mas teve que concordar com o jovem arqueiro. As coisas faziam sentido agora: a hesitação de Aya em se envolver, suas fugas diurnas, a força anormal que o ruivo possuía... o porque dele saber tanto sobre os vampiros...

(Lilik) Se me permitirem, posso explicar tudo... mestre...?

O ruivo não se mexeu. A comandante o conhecia o suficiente para saber que aquele silêncio podia ser interpretado como um 'sim'.

(Lilik) Não sou boa em contar histórias longas, mas... nesse caso será divertido. Esse é Ran Fujimiya, o atual mestre da Grande Casa da Europa, juntamente com Evil, que está em seu repouso. Mestre Ran tinha uma irmã caçula, que foi abraçada na mesma época que ele...

(Yohji) A irmã assassinada...

A voz do loiro saiu estranha, meio rouca. Ainda não podia acreditar no que se passava... era muita loucura. Aya ouviu a afirmação e fixou os olhos frios no ex-companheiro. Não disse nada.

(Lilik) Isso mesmo. O nome dela era Aya... mas Ran foi abraçado pelo antediluviano de primeira geração, que era mestre da nossa casa naquele tempo. Ele ficou simplesmente encantado pela beleza de Ran... e o fez seu discípulo...

(Ken) E a irmã de Aya... er, de Ran também foi abraçada por ele?

(Lilik) Claro que não. Ela foi dada aos servos de nona geração, e foi por puro acaso que se tornou um vampiro... um lixo de décima geração, essa é a verdade.

O espadachim não se moveu, ao ouvir a ofensa a sua irmã. Concordava com a frase: vampiros de tão baixa classe eram lixo irracional e inútil para a sociedade das trevas, mas Aya era sua irmã, e era seu dever cuidar dela.

Foi assim que assumiu para si a responsabilidade de proteger sua pobre irmã durante séculos e séculos.

(Lilik) Mas ano passado, durante uma viagem, Aya e os servos que cuidavam dela fizeram uma parada em Paris e... caíram em uma emboscada feita por caçadores humanos.

Os Weiss sentiram um calafrio correndo por seus corpos. Não restavam mais dúvidas sobre o motivo de estarem ali.

(Yohji) Fomos... nós que a...

(Lilik) Eu mandei espiões de confiança atrás desses caçadores, e descobrimos tudo sobre vocês e a Weiss Kreuz, inclusive sobre uma 'isca' que atraía os vampiros para as garras da morte.

(Ken) Maldição! Matamos a irmã de Aya, er, de Ran... e ele é um vampiro de segunda geração?

Olhou para os outros dois amigos. Omi estava pálido, calculando suas chances, tentando encontrar um jeito de vencer aqueles vampiros tão poderosos.

Yohji ainda estava de joelhos, tentando digerir toda aquela história, mas seu cérebro se negava a cooperar. Só conseguia pensar que quase dormira com um vampiro, e infinitamente pior era o fato de ter depositado o coração nas mãos daquele ruivo desgraçado. Com certeza ele rira de suas atitudes esse tempo todo...

Apesar disso o Weiss não conseguia olhar para Aya com raiva ou rancor... só conseguia vê-lo como o homem que lhe roubara o coração.

(Lilik) Mestre Ran quis conferir com seus próprios olhos quem eram os assassinos de Aya. E encontrou vocês. Divertiu-se analisando-os por um tempo, até que a organização para a qual trabalham descobriu onde nos escondíamos e se tornou prioridade a segurança da Grande Casa.

(Ken) Por isso Aya sumiu. Digo, Ran sumiu...

(Omi) E nós preocupados com a segurança dele...

O ruivo piscou, sem dizer nada. Estava curioso para ver como acabaria aquilo. Podia ler cada um dos pensamentos dos três Weiss e há muito tempo não presenciava fatos tão interessantes.

(Lilik) Sabíamos que viriam atrás dele. Mas o mais importante era dar a segurança ao nosso clã. Poucos vampiros ficaram aqui... nem precisam se alegrar, caçadores desgraçados! Apenas um desses, de quinta geração é suficiente para dar cabo de vocês. Eu sozinha poderia eliminá-los sem problemas.

(Ken) Maldita!

(Omi) Calma, Ken...

Perder a cabeça não os ajudaria em nada, muito pelo contrário.

(Ken) Ei... e quem era o caçador que invadiu esse castelo antes de nós? Pensei que fosse um local secreto...

A comandante mor fez um sinal de pouco caso com as mãos.

(Lilik) Era apenas um enviado da Santa Igreja. De vez em quando isso acontece, mas logo nos livramos do intruso. Temos uma criança muito especial, que adora brincar com suas vitimas...

Os Weiss se entreolharam, deduzindo que era o tal Farfarello.

(Omi) Mas numa das missões Aya matou dois vampiros...

(Lilik rindo) Eu soube de Vitório e Hugo... dois belos companheiros de sexta geração... numa guerra baixas são necessárias.

(Omi) Oh...

Aqueles monstros eram por demais frios. Não se importavam nem com os próprios colaboradores!

(Lilik) O único obstáculo eram as horas durante o dia. Vocês desconfiariam de mestre Ran, se o vissem dormir todos os dias, então ele se recolhia e repousava em um de nossos covis em Paris, a salvo de vocês.

(Ken surpreso) Então ele nunca saiu atrás de pistas?

(Lilik) Buahahahahaha! Pra que? Ele sempre soube de tudo sobre nós vampiros. Ran é o mestre supremo da Europa, sendo mais forte até mesmo que a própria Evil.

(Omi) Fomos enganados... Aya nos fez de bobos... brincou com a gente...

(Ken) Malditos vampiros!

(Lilik) Agora mestre Ran terá a chance de apreciar a morte de vocês, será um espetáculo e tanto. É hora da vingança: sangue por sangue, caçadores desgraçados.

A comandante fez um sinal para os servos que cercavam os Weiss, e os inimigos avançaram um passo. Omi e Ken tomaram posição de defesa, preocupados pelo fato de estarem cercados, e de Yohji aparentemente ter desistido da idéia de começar a lutar.

A dor no peito do loiro era tão grande, que ele não tinha mais interesse em sair vivo do castelo. Aquela guerra contra os vampiros era por demais desgastante e ingrata. Seria seu destino sempre ser ferido e sofrer por se envolver com eles?

Mas não era por sua vontade que isso acontecia. Não fora da primeira vez, nem dessa: não tinha idéia de que Aya poderia ser um amaldiçoado, no entanto era tarde: já o amava demais pra desejar outra coisa.

Nesse caso só podia implorar pela morte, porque qualquer coisa era melhor do que a consciência de que era apenas o objetivo de vingança na vida de Aya.

Aya queria entender o que acontecia consigo. Estava dividido. Sua intenção ao fugir da Koneko fora simplesmente evitar que os Weiss descobrissem aquele lugar e fossem até lá, exatamente o contrário do que acontecia agora.

Queria ter esvaziado o local, e evitado o confronto... mas era impossível... e o que faria agora? Apenas assistiria a morte dos três? Morte não, massacre era a palavra que melhor descrevia o que estava prestes a acontecer.

Viu pela posição de Omi e Ken que ambos não desistiriam sem lutar, e não cairiam fácil.

Mas Yohji... o ruivo voltou os olhos para o homem que estava lhe causando toda aquela confusão. Arregalou os olhos diante do que viu... todo pensamento coerente abandonou a mente do mestre europeu, e apenas uma coisa dominou sua consciência: Yohji estava chorando.

Tomado por um sentimento tão forte, que não saberia dizer o que era, Aya avançou, e saltou da sacada do segundo andar, caindo em pé, no meio do salão, entre os Weiss e os vampiros que avançavam lentamente.

O tempo pareceu parar diante daquilo. Ninguém entendeu nada.

(Omi) Oh...

(Ken) Merda!

Julgaram que Aya queria acabar com eles usando as próprias mãos.

(Lilik) Mestre!

A comandante captou um pouco daquele sentimento... parecia com ódio e rancor... mas... fora dirigido aos vampiros e não aos Weiss! O que estava acontecendo ali?

Os vampiros recuaram, assustados com a proximidade de Aya. Nunca haviam chegado tão perto de seu senhor antes.

Aya ignorou todos, abaixou-se em frente a Yohji, e segurou-o pelo queixo, fazendo com que o caçador o encarasse.

(Aya) Hora de cumprir uma promessa, loiro.

(Yohji)...

(Aya) Eu prometi que nunca mais o deixaria chorar, não se lembra?

Levantou-se, segurando o Weiss pelo braço, obrigando-o a ficar de pé.

Lilik bufou furiosa, ao ver que Ran estava traindo o clã.

(Lilik) Mestre... perdeu o juízo?

Omi e Ken sentiram um novo ânimo tomar conta de seus corpos, diante do súbito apoio do ruivo. Agora tinham um vampiro de segunda geração ao seu lado... eram invencíveis!

(Omi) Atenção!

Yohji ainda estava meio sem noção com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. Sem dizer nada estendeu a katana para o ruivo, que a aceitou sem questionar.

Lilik rugiu feito um animal irado e subiu sobre a grade de madeira, pronta para saltar em direção aos Weiss.

(Lilik) Mestre Ran, vai ficar ao lado desses... humanos? Os seres que mataram sua irmã?

Aya nem se dignou a responder.

(Omi) Logo vai amanhecer... temos um fator ao nosso lado.

(Ken) Não conte com isso, Omi... esses caras são fortes...

(Lilik) Mestre... recupere o juízo... não nos traía!

Como resposta Aya sacou a katana, retirando-a da bela bainha, e empunhou-a, apontando contra a comandante mor.

A garota abaixou a cabeça, respirando muito rápido. De repente começou a rir de modo desvairado. Voltou a fixar os olhos em seu antigo mestre. Tinha as enormes presas expostas, e os olhos brilhavam intensamente, dominados por labaredas de ódio.

(Lilik) Sei que não temos chances contra você, mestre... podemos até morrer, mas juro que não vai ficar com esse caçador maldito!

Apontou o dedo na direção de Yohji, que engoliu em seco, ao ser fitado com tanto rancor.

(Lilik) ATAAAAQUUUEEEEM!

E ao dar a ordem, a própria comandante saltou da sacada, caindo em pé a frente de Ran.

Ouvindo aquele grito assustador, os confusos vampiros avançaram sobre os Weiss, começando a inevitável batalha.

Aya se preocupou com Yohji. Sabia que o garrote não era arma apropriada para se lutar a distância, mas Omi e Ken sabiam disso, indo dar cobertura para o companheiro. O próprio Yohji tinha consciência desse fato, e colocando a mão na parte de trás da calça sacou uma longa e afiada estaca.

Mais aliviado, o ex mestre dos vampiros voltou sua atenção para Lilik. A comandante mor era de quarta geração, e não seria páreo para Aya, mas... daria algum trabalho.

Ambos ficaram se encarando durante alguns segundos, trocando farpas no olhar, analisando-se a espera de uma brecha para atacar. Os olhos verdes chispavam de ódio, enquanto as íris violeta fitavam tudo com fria indiferença.

Enquanto isso, os Weiss estavam visivelmente levando a pior. A quantidade de água benta que suas armas continham não parecia ser suficiente para matar os vampiros, apenas fazendo-os recuar uns poucos passos, para logo tentar um novo ataque.

(Yohji) Maldição!

(Ken) Eles são fortes!

(Omi)...

O loirinho deu um passo a frente, assustando os companheiros.

(Ken) Omi, o que foi?

Yohji percebeu que o chibi mantinha os olhos arregalados e sem brilho, como se...

(Yohji) Estão dominando a mente dele!

Antes que fizessem alguma coisa, dois vampiros saltaram, tentando acertar o loirinho. Yohji saltou também, prendendo a estaca nos dentes e esticando o garrote, conseguindo segurar o golpe que o vampiro pretendia dar em seu jovem companheiro. Aproveitando a proximidade, o Weiss mais velho tirou a arma dos dentes, e usou-a acertando o peito do inimigo.

O vampiro foi atingido por uma grande quantidade de água benta e caiu no chão virando pó.

Ken tentou defender o jovenzinho, mas não teve tanta sorte quanto Yohji. Conseguiu parar o golpe a tempo, mas foi atacado por um outro vampiro, que usou as unhas enormes para causar um corte no lado direito do corpo do moreninho.

(Ken) Ahhhhhhhhhhhh!

Um pouco de sangue espirrou sobre a face de Omi.

Yohji foi socorrer os companheiros, acertando cinco estacas pequenas no vampiro que ferira Ken, e apesar de toda a dor, o Weiss moreno enfiou a bugnuk no coração do outro agressor, derrotando-o.

Depois disso caiu de joelhos no chão, mal agüentando a dor.

Yohji tratou de se aproximar dele, enquanto puxava Omi pelo braço. Desesperado acertou dois tapas no rostinho do jovem Weiss, fazendo recuperar a consciência.

Os olhos de Omi voltaram a brilhar, e ele fitou Yohji demonstrando confusão.

(Yohji) Omi, seja forte, não permita que controlem sua mente! Você terá que me ajudar a proteger o Ken.

Omi olhou para o companheiro ajoelhado, segurando o lado direito do corpo que sangrava e doía.

(Omi) KEN!

(Yohji) Não. Concentre-se nos vampiros!

(Omi) Está bem!

Enquanto isso, Lilik debochava de Ran.

(Lilik) Vê? Lutar protegendo alguém o torna fraco...

Apontou para os Weiss que se encontravam em situação difícil. Depois de tanto trabalho haviam matado apenas três inimigos, e tiveram uma baixa, já que Ken não se encontrava em condições de lutar.

Aya desviou sua atenção apenas por um segundo, olhando para os humanos e analisando a situação dos três.

Mas esse pequeno descuido foi suficiente para Lilik agir.

Aya sentiu uma sombra passando por sobre si. Quando virou a cabeça para fitar a comandante, ela havia desaparecido.

Lilik saltara sobre o antigo mestre e praticamente voara, indo cair em cima do Weiss mais velho. Antes que Omi fizesse alguma coisa, recebeu um golpe da garota, que o jogou no chão levemente atordoado.

(Yohji) Maldiç... aaaaahhhhhhhhhhhhhh!

Sentiu o instante em que as presas enormes se cravaram em seu pescoço, e seu sangue começou a ser sugado(1).

(Aya) !

A surpresa durou um milésimo de segundo. Logo o ruivo saltou também, mas foi interceptado por um dos vampiros. Acertou um golpe no rosto do inimigo, forte o bastante para destruí-lo.

Outro vampiro suicida jogou-se em seu caminho, com visível intenção de atrasá-lo, enquanto Lilik continuava bebendo o sangue de Yohji.

Omi recuperou-se e sem levantar do chão mirou a besta nas costas da comandante, mandando uma chuva de pequenas flechas na direção da inimiga, acertando todas.

(Lilik) AHHHHHHHHH!

Apesar de todas as flechas conterem água benta, a quantidade não foi suficiente para matar a inimiga. Lilik saltou outra vez, indo grudar na grande cortina azul, e escalando-a, subindo em direção ao teto. Deixou o Weiss loiro caído no chão, semi-consciente.

Aya destruiu outro vampiro, e dispôs-se a aproximar de Yohji, quando sentiu a energia de mais vampiros se aproximando. Não entendeu o que estava acontecendo, e olhou na direção de Lilik.

Mas a comandante também parecia surpresa.

O ruivo imaginou que deveriam ser aliados, talvez preocupados com a demora do resto do bando em alcançá-los. Tudo o que menos precisava nesse momento era que Lilik recebesse reforço...

Podia sentir os vampiros de quinta e sexta geração se aproximando pelos portões da frente... restava apenas uma saída...

(Aya) Venha, Omi!

O ruivo moveu-se de modo extremamente rápido, correndo até Yohji e jogando-o sobre o ombro. Depois pegou Ken, e segurou-o debaixo do braço esquerdo.

(Omi) Estamos cercados!

(Aya) Pela escada.

Correram escada acima, sendo apenas observados pelos inimigos. Os vampiros receberam ordens mentais de Lilik, e deveriam esperar que o reforço chegasse.

(Lilik) Dois a menos... mestre Ran, você não vai ficar com aquele loiro...

Passou a língua pelos lábios, limpando o sangue que havia sobre eles.

(Lilik sorrindo) Hum... até que o garoto tem um gosto bom...

oOo

Aya e Omi continuaram correndo, sempre subindo, até que loirinho reconheceu o caminho como uma das torres que podia ser vista do lado de fora do castelo.

(Omi preocupado) Aya... vamos para o alto? Estaremos nos jogando numa armadilha sem saída.

Olhou de lado para o ruivo. Estava meio apreensivo com aquele vampiro. Mas tivera mostras de que ele estava mesmo do lado deles. Só não sabia por quanto tempo...

(Aya) Essa é a torre oeste. Embaixo dela está um rio.

O ex-mestre lera a dúvida na mente do chibi, mas não comentou nada, nem demonstrou ter consciência dela. Era direito do jovem Weiss ficar com receio, diante dos últimos fatos.

(Omi) Oh! Mas... acho que Ken e Yohji não estão em condições de... nadar...

Aya apertou a mão em volta do corpo do loiro que estava sobre seu ombro. Ouviram Ken gemer um pouco. O moreninho havia perdido os sentidos, mas também estava mal...

(Aya) Daremos um jeito.

Finalmente a escada terminou em um longo corredor. Eles continuaram avançando, até uma porta de madeira. Por trás da porta havia uma espécie de cômodo, todo feito de pedra. O mesmo estava vazio, sem moveis ou pessoas.

O vampiro passou a tranca pela grossa porta de madeira, mas sabia que aquilo não seria obstáculo para os inimigos.

No momento tinham que prestar primeiros socorros para os Weiss feridos. Depositou ambos cuidadosamente sobre o chão gelado de pedra.

Primeiro concentrou-se em Ken. O moreninho estava ferido e perdia sangue, mas se recuperaria com certeza. Aya usou a katana para abrir um corte no próprio pulso. Depois deixou que algumas gotas de seu sangue caíssem sobre os lábios do Weiss.

(Omi) O que está fazendo?

(Aya) Salvando-o.

(Omi) Mas... ele não vai...

(Aya) Não. Não é sangue suficiente para transformá-lo.

(Omi aliviado) Oh...

Então o ruivo voltou os olhos para Yohji. Sentiu um nó na garganta. Ele parecia realmente mal.

(Aya) Inferno.

Lilik havia deixado o Weiss a beira da morte. Era um milagre que tivesse sobrevivido até aquele momento, só mesmo uma grande força de vontade o mantinha respirando.

Força de vontade... desejo de viver, mesmo que num mundo de trevas? Aya podia sentir o pedido silencioso vindo da alma do loiro... Yohji queria sobreviver, para seguir ao lado de Aya, o antigo mestre da Grande Casa européia.

Por um segundo o ruivo ficou dividido; teria o direito de transformar Yohji? Seria realmente vontade do loiro, ou apenas seu próprio coração que não queria se separar do caçador? Não queria permitir que ele se fosse...?

Parecia tão certo que Yohji houvesse sobrevivido a muita coisa, até encontrar com Aya... talvez fosse coisa do destino que os caminhos de ambos se cruzassem.

Aya suspirou e tomou uma resolução: não era a maneira correta de fazer aquilo, mas abraçaria o caçador loiro. O transformaria em um vampiro.

Omi estava olhando a ferida do moreninho. Milagrosamente parara de sangrar, e já adquiria uma aparência melhor. Ergueu a cabeça para comentar o fato com Aya, quando viu uma cena que o arrepiou: o vampiro havia aumentado o corte em seu pulso, fazendo-o sangrar em abundância, e aproximava a ferida dos lábios de Yohji... o jovem arqueiro entendeu as intenções do antigo líder da Weiss.

(Omi)...

O loirinho lembrou-se da promessa que os três haviam feito na primeira noite da nefasta jornada. Não permitiria que Aya continuasse com aquilo.

Aya ouviu o som característico de besta sendo engatilhada. Virou o rosto na direção de Omi e viu que o jovem lhe apontava a arma.

(Omi) Não faça isso.

(Aya) Vou devolver-lhe a vida.

(Omi) Vai jogá-lo em um inferno de trevas.

(Aya) Não é tão ruim assim.

(Omi) Jamais permitirei isso.

(Aya) Prefere ver seu amigo morrer?

(Omi)... sim...

(Aya) Essas flechas não me farão mal.

(Omi) Eu sei...

O ruivo franziu as sobrancelhas ao ver os grandes olhos azuis se encherem de lágrimas. Permitiu-se vasculhar a mente do garoto, tentando descobrir o que ele pretendia. Antes que conseguisse terminar sua busca, para surpresa de Aya, Omi abaixou a mira da besta, direcionando-a para o peito do caçador mais velho.

(Aya)...

Omi fechou os olhos e apertou o gatilho.

(Omi) Sinto muito, Yohji...

Abriu os olhos, mas então o ar faltou-lhe.

(Omi) Oh!

Aya havia colocado um dos braços na frente de Yohji e recebera as cinco flechadas em cheio no braço. Apesar de ser um vampiro de segunda geração, a quantidade de água benta feriu-lhe a pele, fazendo-a se queimar, ardendo muito.

(Aya) Garoto estúpido.

Omi olhou para a besta. Não haviam mais flechas...

Abaixou a cabeça. Agora não podia mais impedir o ruivo de transformar um de seus amigos num maldito vampiro. Escutou o som das flechas sendo arrancadas do braço do ruivo e jogadas ao chão, inutilizadas.

Sem mais interrupções, Aya levou ao pulso aos lábios quase sem vida de Yohji, obrigando-o a entreabrir a boca. Uma quantidade muito grande de sangue demoníaco invadiu o corpo do loiro, fazendo-o recuperar a vida.

Achando que já estava bom, Aya afastou o pulso, apertando-o com a outra mão e observou. Agora era a parte mais difícil e dolorosa do abraço.

Omi estava apreensivo. Nunca havia visto isso antes. Achava terrível o que o vampiro estava fazendo, mas não cabia mais a ele decidir.

Então, Yohji arregalou os olhos e olhou em volta, fitando todos ali, sem dar mostras de reconhecer ninguém. Antes que pudesse falar qualquer coisa, sentiu uma dor horrível em seu ventre. Parecia que estava queimando de dentro pra fora, numa agonia nunca sentida antes.

(Yohji) AAAAAAAAHHHHHHHHHHHH!

Apertou o abdômen, dobrando-se sobre si mesmo. Imaginou que deveria estar morrendo... jamais desconfiaria que era possível sentir tanta dor.

(Omi surpreso) Yohji!

Mas foi segurado por Aya, que impediu que se aproximasse do caçador.

(Aya) Não faça isso. Se chegar perto ele pode matá-lo.

(Omi preocupado) O que está acontecendo? Ele está bem?

(Aya) Acontece com todos. Para viver, é preciso morrer.

(Omi confuso) Mas...

(Aya) Maldição! Lilik e os outros estão vindo!

Sentiu a presença dos inimigos começando a subir a longa escadaria em direção a torre. Logo eles estariam ali.

(Omi) Estamos perdidos!

(Aya) Vamos saltar.

(Omi) Mas é muito alto! Se você não percebeu, eu não tenho as suas habilidades.

(Aya) Não precisa. O rio é fundo, e a queda não será fatal. Você mergulha com Ken, ajude-o. Eu saltarei com Yohji e...

(Yohji) AAAAAHHHHH!

O loiro ainda se contorcia, tentando sobreviver àquela dor. Aya respirou fundo. Seria complicado saltar com o loiro em plena metamorfose, mas não tinha outra opção.

(Aya) Tente segurar-se na margem. Eu irei ajudá-los assim que salvar Yohji.

(Omi) Não tem jeito mesmo, não é?

Aya não respondeu, foi até Ken, pegando-o nos braços e aproximando-se de uma das janelas. Omi seguiu-lhe os passos. Sentou-se no parapeito da janela e deu uma olhadinha pra baixo.

A torre era bem alta, mas como Aya disse não seria fatal. Podia ver o rio largo e profundo, de águas escuras. A salvação dos quatro, naquele momento.

(Aya) Rápido!

Omi abriu os braços, esperando que o ruivo depositasse Ken cuidadosamente em seu colo. Abraçou-o apertado, e suspirou.

(Omi) Boa sorte, Aya.

Fechou os olhos, e segurando mais forte em Ken deixou o corpo inclinar para a frente, jogando-se no meio da noite escura, com Ken em seus braços.

Ambos caíram e mergulharam nas águas profundas do rio.

Aya observou por um segundo, mas não os viu emergir. Não se preocupou com isso, precisava cuidar de Yohji. Voltou-se para o interior do cômodo, notando surpreso que o caçador tentava ficar em pé.

(Yohji) A...ya...

Os olhos de jade brilhavam de modo anormal, a face banhada em suor, e o rosto ainda exibia um traço de toda a dor passada. O ruivo sentiu um alivio imenso: o pior fora vencido. Yohji superara a prova de fogo.

Mas ainda não estava acabado. O loiro estava fraco pela transição, precisaria de sangue fresco urgentemente, ou tudo seria em vão. Porém o mais importante era que ambos saíssem vivos daquela ratoeira.

Yohji, por sua vez, estava muito confuso. Sentia o corpo estranho... uma fome incontrolável fazia seu estomago se contrair em ânsia... mas... havia muito mais ainda... o modo como seus olhos filtravam as cores, as formas das coisas... e mesmo sua audição que parecia muito mais sensível... de certo modo ampliado.

O loiro podia sentir o menor grão de poeira movendo-se no espaço, invisível a olhos de humanos comuns. Podia sentir o deslocamento de ar ao redor de seu corpo...

Passou a mão pelo rosto e voltou os olhos em direção de Aya, exibindo um mudo pedido de socorro nas íris de jade. Não entendia o que acontecia a seu corpo.

Aya sorriu e aproximou-se do loiro.

(Aya) Eu abracei você, Yohji. Agora seu corpo está se adaptando as reações de um vampiro de terceira geração.

(Yohji) Eu... o... que?

(Aya) Essa confusão é normal. Não se preocupe, logo passa. Eu estarei ao seu lado, pra lhe ensinar tudo o que precisa saber de sua nova vida.

Essa parte o loiro entendeu: seu cérebro registrou muito bem que ambos ficariam juntos.

Aya virou-se em direção a janela, mas cambaleou um pouco. Vendo aquilo, Yohji moveu-se tão rápido, que ele mesmo mal acreditou. Quando deu por si estava ajudando o ruivo a se manter em pé.

(Yohji) O que... hou...ve?

Estava difícil mover os lábios e pronunciar as palavras.

(Aya) Nada. Eu perdi um pouco de sangue para curar Ken e abraçar você... e as flechas de Omi também me afetaram um pouco. Vamos sair daqui. Depois nos preocupamos com isso.

Então ambos sentiram a presença de Lilik e de vários outros vampiros, que se aproximavam. Se entreolharam, intuindo que dificilmente escapariam. Mesmo se saltassem, os inimigos saltariam atrás, indo persegui-los.

Aya recuperou o senso prático, sentou-se na janela e passou as pernas para o lado de fora. Depois abriu os braços e chamou Yohji.

(Aya) Venha. Eu protejo você durante a queda.

Os olhos verdes brilharam, e Yohji aproximou-se, mas não deixou que Aya o tomasse nos braços. Balançou a cabeça dizendo que 'não'.

(Yohji) Obrigado.

Depositou a mão sobre o peito do ruivo e empurrou com força, jogando Aya pela janela. Com grande habilidade, o ex-líder da Weiss ainda conseguiu segurar na mão do loiro, ficando pendurado entre a janela e o rio. A única coisa que impedia sua queda eram os dedos de Yohji, entrelaçados nos seus.

(Aya confuso) Por que?

Já não tinha tanta facilidade em ler a mente do loiro, fosse devido a sua condição debilitada, ou talvez porque a diferença entre vampiros de nível dois e três fosse mínima, salvo os anos de experiência.

(Yohji) Se nós dois saltarmos, não teremos chance. Você sabe disso.

(Aya)...

(Yohji) Aqueles malditos vão atrás da gente. Eu posso ficar aqui e atrasá-los um pouco.

(Aya) Não!

(Yohji) Sinto que estão próximos, Aya. Não vou deixar que lhe façam mal.

(Aya) Se ficar aí eles vão lhe matar!

O ruivo estava desesperado! Se Yohji caísse nas garras de Lilik...

(Yohji) Ora, nunca tive medo disso. Você precisa sair vivo dessa, não apenas por você, mas por Omi e Ken. Eles não vão sobreviver sozinhos, cuide deles, Aya.

A cada segundo o loiro se enchia de força e determinação. A vitae de Aya circulando por suas veias lhe fazia sentir que era poderoso. Entendia agora sua nova condição de vampiro. A consciência dos fatos cada vez mais firme em sua mente.

Ouviram o momento em que a comandante chegou a porta e acertou um primeiro chute na madeira. A porta resistiu ao ataque, mas não seria por muito tempo. Logo Lilik e os outros vampiros estariam ali dentro...

Yohji observou Aya por um segundo, querendo gravar bem a imagem daquela bela face em sua mente. Depois abriu um sorriso maravilhoso, que fez o ruivo perder o fôlego.

(Yohji) Uma vida por outra vida, Aya... essa é a vingança pela morte de sua irmã.

(Aya desesperado) Idiota, as coisas mudaram!

(Yohji) Eu sei. Sobreviva, Aya... e um dia volte para me vingar.

Ao ouvir aquilo o espadachim arregalou os olhos, sem forças para retrucar. Viu os lábios do loiro se moverem em uma frase silenciosa.

"Eu amo você..."

Foi a declaração que ecoou direto na mente do vampiro de segunda geração.

No momento exato em que Yohji abriu a mão soltando Aya em direção ao rio, a porta de madeira foi arrombada, e Lilik invadiu a torre. Vinha com os longos caninos expostos, sedenta de sangue, e com as unhas afiadas a procura de algo pra destruir. Pronta para arrasar qualquer inimigo que lhe surgisse a frente.

Yohji afastou-se da janela, já resignado com seu destino. Bastava-lhe saber que Aya, Ken e Omi estavam bem e a salvo. Faria todo o possível para impedir que aqueles vampiros malditos fossem atrás das pessoas que amava.

oOo

Enquanto Aya caia direto para o rio, pode ouvir os sons de uma luta furiosa que se passava dentro da torre sombria. Amaldiçoou sua audição apurada.

Segundos antes de mergulhar nas águas sombrias, percebeu que a pequena batalha tivera um fim... sobrara apenas um nefasto silêncio, quebrado pela gargalhada diabólica de Lilik.

Foi recebido pelas águas frias, tão frias quanto a dor que lhe atravessava o peito e as lágrimas que desciam por sua face.

Por um segundo pensou em ficar naquele rio, apenas afundar até que amanhecesse e o sol viesse lhe dar o alívio da morte. Mas não podia, tinha que ir atrás de Omi e Ken, e ajudá-los. Ainda haviam assuntos inacabados.

E é claro... havia uma nova vingança...

oOo

Uma semana se passou. Aya, Ken e Omi estavam de volta a Koneko. Um clima estranho dominava os três. Ainda não se conformavam com a perda do companheiro mais velho.

Ken levava alguns sinais do sangue de Aya em seu corpo. No começo seus sentidos haviam ficado super sensíveis, aguçados, e pouco a pouco voltavam ao normal.

Apesar da condição de Aya de ser um vampiro, ele foi aceito pelos outros dois. O que realmente interessava era o objetivo que os três tinham em comum: encontrar o novo local da Grande Casa da Europa, e acabar com a raça daqueles vampiros malditos.

Aya revelara que a intenção era se mudar para a cidade de Mezen na União Soviética, mas com certeza os vampiros não se mudariam mais pra lá. Buscariam um novo refúgio, que fosse desconhecido do antigo mestre da grande casa, atual traidor que passara para o lado dos humanos.

Não haviam revelado a Manx a verdade sobre Aya. Acharam desnecessário que a Kritiker soubesse desse detalhe.

Era uma ironia que finalmente fossem uma equipe, agindo para o bem de um objetivo comum.

Aya podia sentir um leve ressentimento contra a sua pessoa, e não culpava aqueles garotos. Se não fosse a sua 'vingança' idiota, provavelmente Yohji não teria morrido... e possivelmente Aya não o teria conhecido...

O ruivo estava confuso.

Mas havia coisas mais importantes do que tentar entender seus sentimentos.

Com a equipe dividida não seriam eficientes. Precisava uni-los de uma vez. Prometera a Yohji que cuidaria deles, e era isso mesmo que faria.

Na noite do sétimo dia, Omi e Ken estavam sentados silenciosos na cozinha, quando Aya entrou. Os três se entreolharam, o incomodo mais uma vez tomando conta deles.

O ruivo decidiu que era hora de por um ponto final naquilo.

Sentou-se na mesa, em frente aos dois e olhou-os fixamente.

(Aya) Vocês conhecem minha história. Estou pronto para ouvir a de vocês.

Omi e Ken se entreolharam. Entenderam o que o ruivo propunha. Era a consolidação da equipe. Era a proposta definitiva da Weiss Kreuz, deixando de lado as diferenças e o rancor. Ele estava estendendo uma página em branco, propondo que começassem tudo do zero.

Mais do que isso: era o corte definitivo com seu passado de trevas. Aya estava dizendo do seu jeito, que queria seguir passo a passou com os dois humanos, lutando as mesmas lutas.

Estava nas mãos de Ken e Omi. Eles poderiam dar as costas a oferta que o ruivo lhes fazia... podiam tentar esquecer a dor da perda de um amigo querido e se convencer que Aya era sincero.

Ken fechou os olhos, pensando seriamente. Por fim ergueu-se com o semblante muito fechado. Por um segundo Omi e Aya acharam que ele ia mandar tudo as favas.

(Ken) Vou fazer um pouco de café. Nossas histórias são longas, Aya.

Omi sorriu, e enquanto Ken ia colocar a água para ferver, voltou os grandes olhos azuis para o novamente líder da Weiss.

(Omi) Eu fui treinado para ser um caçador quando completei seis anos de idade.

(Aya)...

Ouviu tudo com atenção. Tinha início àquela noite uma nova jornada. Mais que uma jornada, na verdade queriam dar o troco aos vampiros.

Estava decidido: seria uma vingança das trevas.

EPÍLOGO

Japão – 1692

Lady Bogard estava sentada na varanda, observando atentamente a enorme lua cheia que preenchia a noite de Kyoto.

Ouviu uma batida na porta, e logo seu tutor entrava no local.

(Lady) Boa noite, Brad.

Crawford inclinou-se um pouco.

(Brad) Boa noite.

(Lady) Veja só, que bela lua cheia. Você não acha que ela parece muito perto da gente essa noite?

(Brad)...

(Lady suspirando) Estou muito melancólica hoje... que notícias você me traz?

O americano estendeu uma carta para sua mestra.

(Brad) Da Europa. Um pedido oficial solicitando nossa ajuda.

(Lady) Oh...

Leu a carta em silêncio. Logo caiu em um estado de reflexão, tentando decidir o que faria.

(Brad) Tudo foi um plano de Ran e Lilik para vingar a morte de Aya.

(Lady) E as coisas deram erradas. Quem diria que Ran se apaixonaria por sua vitima... interessante, não acha?

(Brad) De fato. Ran é um idiota, sempre foi. Um desperdício ser tão forte.

(Lady) Você o acha forte?

(Brad) Infelizmente tenho que aceitar que ele é mais forte do que eu.

(Lady) Ran não é mais forte que você, Crawford. Apenas mais experiente, porque foi abraçado antes.

(Brad) Essa vantagem ele nunca vai perder. A não ser que Ran morra.

(Lady) Ou seja assassinado.

O americano olhou para sua mestra por um segundo. Não se deixou enganar, apesar das palavras Lady Bogard não era de briga. Dificilmente se arriscaria a um desafio.

(Brad) De qualquer forma o que pretende fazer?

(Lady pensativa) Um vampiro de segunda geração desejando vingança pode ser perigoso...

(Brad) Lilik vai pagar pelo que fez ao tal garoto humano.

(Lady) Mas pelo que entendi talvez Ran não saiba de toda a verdade...

(Brad) Quando ele souber... Lilik vai perder o pescoço...

(Lady) Interessante... quer ir à Europa comigo? Vai ser uma boa experiência pra você.

(Brad) Já comprei as passagens do navio, e mandei que Schul fizesse suas malas, Lady Bogard.

(Lady) Oh, Crawford, você é incrível!

O americano deu de ombros. Ele sabia que era mesmo eficiente e eficaz, mas elogios nunca são demais.

(Brad) Partimos depois de amanhã.

(Lady) Brad, você sabe que não é mais meu tutor, não é?

(Brad)...

(Lady) A partir de hoje você é o novo mestre da Grande Casa Oriental. Faremos essa viagem a Europa, e na volta você irá repousar para completar o ciclo da nossa sociedade e depois despertará, ficando em meu lugar, enquanto eu repouso.

(Brad) Esperava por isso a muito tempo.

(Lady) Eu sei.

(Brad) E a cerimônia de anúncio?

(Lady) Farei na Europa, não se preocupe.

(Brad) Acha que é bom que ambos os mestres deixem a casa do Oriente?

(Lady) Confie em Schuldig. Ele cuidará das coisas.

(Brad) Arrumarei minhas malas.

(Lady) Ótimo! Faz muitos anos que não vou a Europa. Na verdade não vou desde que Lord Bogard caiu em seu repouso eterno.

(Brad) Isso já faz quase quatrocentos anos...

(Lady) Nem parece tanto tempo assim... é... estou mesmo melancólica... não me dê ouvidos, Brad. Vá se preparar para a viagem... vamos à Europa! Espero saber me comportar...

Crawford sorriu de leve e fez uma reverência, saindo da varanda.

Lady Bogard observou a lua mais uma vez. Depois ficou em pé, cruzando as mãos a frente do corpo.

(Lady) Tenho um mal pressentimento... acho que nada bom estará nos esperando, mas... não posso me pôr a margem dessa vez.

Talvez aquela viagem a Europa fosse o sinal que tanto esperava...

América – 1692

Mystik entrou no aposento sem bater. Sabia que Suryia não se importaria.

A mestra estava sentada em mesa, observando fixamente os corpos de dois jovens rapazes. Ambos eram loiros e possuíam rostinho angelical.

A comandante mor notou as marcas de presas nos pescoços dos garotos. Mas sentiu que eles não estavam mortos ainda.

Suryia voltou os olhos para Mystik, observando-a de modo pensativo.

(Mystik) O que foi? O gosto deles não a agradou, mestra?

(Suryia) Não é isso... achei esses dois tão bonitinhos. Estava pensando se os abraçava ou não.

(Mystik) A mestra já tem tantos garotos bonitinhos a seu redor.

(Suryia) Homens bonitos nunca são demais.

(Mystik)...

(Suryia) O que você quer afinal?

(Mystik) Trouxe uma carta... da Europa...

Ao ouvir isso Suryia deu um salto da cadeira e moveu-se rapidamente até Mystik, arrancando-lhe a carta das mãos.

(Suryia) Deixe-me ver isso...

Os olhos azuis correram pelo papel, lendo cada palavra avidamente.

(Mystik) O que foi?

(Suryia) Buahahahahahaha! Você leu?

(Mystik) Não.

Claro que ela não leria a carta antes da mestra. Se fizesse isso a vampiro mais forte acabaria com sua raça...

(Suryia) Pois Lilik me escreveu, IMPLORANDO por ajuda! Há, há, há... Ran deu um pé na bunda daqueles europeus... e traiu o clã.

(Mystik) Oh...

(Suryia) Ele passou pro lado dos humanos... Lilik se ferrou e agora tem medo de enfrentar a fúria de Evil...

(Mystik) Ora, todos temem Evil... não apenas Lilik.

(Suryia) Nem todos a temem... tem uma pessoa que sempre testa os limites de Evil sem medo nenhum.

(Mystik surpresa) E quem seria o louco?

(Suryia) Não vem ao caso. Mas isso aqui é interessante...

Devolveu a carta para sua comandante mor, e só então Mystik se permitiu ler o conteúdo da mesma.

(Mystik) Que plano estúpido, não podia dar em outra. Então Ran nunca sumiu. Fomos enganadas da primeira vez.

(Suryia pensativa) Pois é...

(Mystik) E o que a mestra vai fazer?

A jovem loira começou a andar de um lado para o outro, com a mão no queixo e uma expressão pensativa no olhar.

(Suryia) O que aquela japonesa fez?

(Mystik) Por enquanto nada...

(Suryia irritada) Tem certeza, Mystik? Não quero surpresas.

(Mystik) Sim, tenho certeza...

(Suryia) Bom, de qualquer jeito acho que vou atender o pedido de Lilik. Evil ficará nos devendo uma depois disso.

(Mystik) Sim, senhora.

(Suryia) Tenho certeza que Lady Bogard vai dar as caras por lá também... ela entende de estratégias... a Europa terá uma queda em seu prestígio depois disso.

(Mystik)...

(Suryia) Providencie passagens para o próximo navio e mande preparar minhas malas.

(Mystik) Sim, senhora. Eu devo ir também?

(Suryia sorrindo) Não. Fique aqui tomando conta das coisas. Levarei Nagi comigo.

(Mystik) Entendi. E quanto a Akemi?

(Suryia surpresa) Que tem ela?

(Mystik) Devo acordá-la?

(Suryia irritada) Claro que não, criatura! Pra que?

(Mystik)...

(Suryia) Mas você só diz asneiras mesmo... agora vejo que preciso de férias longe de tudo isso.

Caminhou em direção a porta, querendo sair dali e preparar seus vestidos mais belos para levar para a Europa.

(Mystik) Oh, mestra... o que eu faço com eles? Tão bonitinhos, pena que não podem mais ser abraçados...

Apontou para os dois rapazes que estavam caídos no chão. Percebeu pelos olhos vidrados que estavam mortos. Não resistiram a perda de sangue.

(Suryia) E que me importa? Livre-se desses cadáveres, eles estão me irritando. Já não os acho tão bonitos quanto antes. Tenho certeza que encontrarei espécies melhores na Europa...

E saiu da sala aparentando muita irritação. Mystik observou sua mestra indo embora e suspirou.

(Mystik) Hum... reunir minha mestra (tão cruel), Evil (sempre tão fria), e Lady Bogard (meio insana), no mesmo lugar, vai ser algo inesquecível...

Foi até os dois garotos, e ergueu os corpos segurando em suas blusas.

(Mystik) As más línguas dizem que Crawford deu um jeito na loucura de Lady Bogard, e que Lilik conseguiu ensinar um pouco de simpatia a Evil, mas duvido... burro velho não pega marcha... é ruim que elas mudem assim tão fácil. Nessa história minha mestra é a única que não engana. Continua cruel como sempre foi. He, he, he... essa reunião será algo que realmente vale a pena presenciar.

A comandante mor começou a gargalhar. Apesar de não viajar com a mestra sabia que as notícias viriam a ela de qualquer maneira.

Era realmente interessante ser um vampiro.

(Mystik) Obrigada, Ran. Isso aqui estava mesmo precisando de um bom entretenimento! Quem sabe um dia a gente não se encontra, não é?

Pelo que ela lera da carta, ele estava atrás de vingança e Lilik ia pagar caro por ter ousado interferir com o interesse de um mestre.

(Mystik) Ah, se Ran souber o que Lilik realmente fez com aquele garoto humano... o inferno será pouco pra ela se esconder! Há, há, há...

Era hora do circo pegar fogo!

Fim


(1) Não acredito que deixei a Lilik morder o pescocinho lindo do playboy... será q fui generosa demais? -.-

Ufa... aqui está a vacina pra minha febre AyaxYohji. Finalmente percebo que essa não é minha praia. Só fico irritada de pensar que tenho de terminar "Viagens", afinal a primeira fic da trilogia foi escrita AyaxYohji, as outras duas tem que ser assim também.

E que Koyasu sama me ajude!

PS: MAIS UMA FIC DE VINGANÇA CHEGA AO FIM! BUAHAHAHAHA!

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