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Books » Harry Potter » Além do Véu
entlzab
Author of 84 Stories
Rated: M - Portuguese - Tragedy/Romance - Severus S. & Sirius B. - Reviews: 22 - Updated: 02-20-05 - Published: 02-16-05 - Complete - id:2267434

Agora vamos responder (mesmo atrasada) a algumas reviews:

Lilbeth – Linda beta, eu adorei que tenha deixado uma review. Suas palavras me comovem mais do que eu posso dizer. Essa fic não foi fácil de escrever justamente pela intensidade dos sentimentos envolvidos, e sua sensibilidade me deu a medida do que funcionou ou não. Obrigada pelo trabalho de superbeta!

Marck Evans – Grande reviwer, adorei você ter destacado o que mais gostou. Isso é muito importante para eu poder melhorar minhas fics.

Half-Danes – Valeu mesmo. Sabe, a maturidade que vc vê é meio proposital. Não se entra numa relação a três sem ela, se não a gente pode se machucar muito.

Pytx – Nem posso dizer como fiquei emocionada. Assim vc me deixa encabulada. Quero que saiba que sua opinião é muito importante para mim.

Jessy – A idéia saiu dos pais do Neville, que também sofrem de uma doença parecida. Fiquei impressionada com a cena do papel de bala no livro 5.

Paula – Pois você tem razão. O Dumbledore tem isso de parecer ser onisciente, e eu acho simplesmente o máximo. É um charme no personagem.

Debora – Na verdade, eu não pensei em uma continuação. Mas deixa eu consultar a musa e ver o que ela acha.

Nome da fic: Além do Véu
Pares: SS/HP, HG/RW (mencionado), RL/SB (mencionado), SS/HP/SB.
Gênero: Drama, Romance.
Spoilers: Spoilers máximos para o Livro 5
Alertas: H/C
Sinopse: Sirius volta de Além do Véu. Mas ele está mudado.
Agradecimentos: Lilibeth e Viv, pela betagem fenomenal!

Capítulo 5

Havia uma pressão enorme do lado esquerdo de sua cabeça. Sirius gemeu e tentou se mexer. Duas mãos o impediram.

– Calma, calma.

Ele reconheceu a voz de Hermione, mas estava tão letárgico que não pôde sequer abrir os olhos, quanto mais responder. Gemeu de dor.

– Sirius? Está acordado?

A cabeça inteira agora doía. Ele voltou à inconsciência, grato por não sentir dor.

Da outra vez que sentiu algo, foi um formigamento no corpo. Dessa vez Sirius conseguiu abrir os olhos.

Estava num quarto de hospital, muito branco e muito limpo. Virou a cabeça e viu o rosto sorridente de Hermione olhando para ele.

– Como se sente?

Ele abriu a boca, mas a garganta estava seca. Ela ofereceu um copo de água com um canudinho que ele usou, agradecido. A água trouxe uma sensação de alívio à garganta.

– Dói...

– Vai passar – ela sorriu – O Dr. Lowell veio cuidar de você e disse que tem mais poções para ministrar.

Dr. Lowell. Sirius já ouvira aquele nome antes, mas não estava lembrado direito. Aquela dor de cabeça certamente não o ajudava a pensar.

– Você teve mais sorte do que juízo, Sirius Black – continuou ela – Como você achou que sozinho e desarmado poderia defender Harry de quatro Death Eaters é algo que me espanta até hoje. Não é à toa que você passou dois dias desacordado.

A dor na sua cabeça começou a aumentar e ele teve flashes de cenas. Death Eaters... jogando maldições e feitiços... Harry...

– Harry! – ele tentou se levantar e a monstruoso dor de cabeça só triplicou, o que o fez gemer, com uma careta – Harry!...

Hermione o fez voltar a deitar-se:

– Calma. Harry está sendo atendido.

Outra explosão de dor acompanhou uma cena em sua mente, e ele gritou:

– Snape!...

– O Prof. Snape está com Harry agora, mas eu posso pedir que venha vê-lo.

Snape?

Sirius estava totalmente confuso. Algumas das coisas que ele lembrava não faziam o menor sentido, outras pareciam tão naturais. Ele sentiu uma angústia grande dentro de si, e a dor de cabeça não parava... Tudo tão confuso... Ia acabar, ia arrebentar...

Ele se debateu na cama:

– Ahhh!

Hermione arregalou os olhos e deu um passo para trás, assustada. Obviamente Sirius estava tendo algum tipo de ataque. Ela saiu para buscar uma enfermeira. Sirius ainda estava se debatendo quando ela chegou e ela não teve opção a não ser lançar um feitiço sedativo nele. Sirius voltou à inconsciência, esperançoso de que sua cabeça se resolvesse enquanto ele dormia.

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Severus olhou para a figura adormecida na cama, começando a se mexer. Ele suspirou, exausto. Os piores quatro dias de sua vida. Passados inteiramente dentro de um hospital. Mas agora as coisas pareciam estar melhorando.

Primeiro Harry. Ele chegou ao hospital semimorto, mas por algum milagre, Sirius o protegeu tempo suficiente para ele resistir. Sirius não chegou em melhor estado. Os dois foram atingidos por maldições pesadas. Pelo menos quatro atacantes, segundo testemunhas, vestidos de Death Eaters. Provavelmente fugitivos de Azkaban. Como tinham sido pegos assim, em plena luz do dia?

Durante dois dias, os healers não quiseram dizer se Harry iria sobreviver. Severus lembrou-se de ter entrado em desespero, porque a situação de Sirius também não era melhor. Ele estava arriscado a perder os dois de uma só vez.

Então, Harry melhorou. Voltou à consciência, e finalmente Severus pôde olhar os olhos verdes que tanto amava. Ele iria se recuperar em breve, disseram os medibruxos. Menos tempo do que parecia. Pela primeira vez em dias, Severus respirou aliviado.

Mas aí Sirius acordara e tivera uma espécie de ataque ou convulsão. Devido à condição dele, ninguém se arriscava num prognóstico, mas tinham ministrado todo tipo de poção e realizado todo tipo de feitiço para que ele voltasse à vida.

Um movimento às suas costas o devolveu à realidade.

– Como ele está?

– Ainda está dormindo, Srta. Granger.

Mesmo que Hermione jamais o tivesse corrigido, Severus sabia que deveria chamá-la de Sra. Mas se ela não tinha mudado de nome ao casar com Weasley, então para que se incomodar?

– Vai fazer bem a ele. Por que não tenta descansar um pouco, Professor?

– Ele pode acordar assustado e ter outra crise.

– Ele é muito apegado ao senhor e a Harry.

Severus não respondeu, uma dor no seu peito se espalhando enquanto ele tentava dizer a si mesmo que Sirius o amava. Ele sabia que sim e sabia que amava Sirius. Tentou não pensar na ironia que eram seus sentimentos. Quase 30 anos de ódio transformados em amor...

– S-severus...?

Severus se aproximou da cama.

– Sirius – ele o encarou com ternura – Como se sente?

Sirius tentou fazer uma careta:

– Horrível. Harry?

– Vai gostar de saber que Harry está totalmente fora de perigo e se recuperando muito bem. Vocês dois tiveram muita sorte.

Severus notou os olhos cinza cheios de tristeza, e disse, para animá-lo:

– Veja só quem veio visitá-lo. Srta. Granger.

– Olá, Sirius.

– Oi, Hermione.

– Quer um pouquinho de água?

– Sim, por favor.

Ele se sentou na cama com dificuldade e bebeu água de canudinho.

– Obrigado.

Sirius olhou para o seu colo e disse, baixinho:

– Desculpe, Severus.

Severus franziu o cenho. Alguma coisa estava incomodando Sirius. Ele pegou a mão de Sirius:

– Por que está pedindo desculpas, Sirius?

Sirius não respondeu, apenas deu de ombros e soluçou alto. Hermione ficou compadecida:

– Está tudo bem, Sirius. Está tudo bem.

Baixinho, ele disse, parecendo muito envergonhado:

– Não, não está. Não está nada bem.

Oh, Merlin. Isso não parecia ser nada bom. Será que ele tinha regredido com o ataque?

Severus perguntou, pacientemente:

– Por que diz que nada está bem, Sirius?

Sirius deu um olhar rápido para Hermione:

– Depois eu falo.

Hermione corou:

– Oh, bem, eu... vou ver se acho Ron. Ele ficou de me pegar. Até mais, Sirius. Cuide-se direitinho, viu?

Ela ainda se despediu de Severus respeitosamente, antes de sair. Quando ela fechou a porta, Sirius não se conteve mais e começou a chorar amargamente, retorcendo as mãos:

– Desculpe, por favor, Severus, me desculpe.

– Shhh – Severus se sentou e o tomou carinhosamente em seus braços, balançando-o como se fosse um bebê – Você não fez nada errado.

– Eu fiz, desculpe, Severus.

– Não, Sirius, não fez. Não é culpa sua o que aconteceu com Harry. Você foi muito corajoso tentando defendê-lo. Você sempre foi corajoso.

Mas Sirius não parecia se acalmar:

– Eu não queria que isso acontecesse, Severus. Eu daria tudo para isso não acontecer. Eu daria minha vida!

Severus parou de abraçá-lo e encarou-o:

– O que foi que aconteceu, Sirius?

– Desculpe, desculpe, por favor, não fique bravo comigo.

– Sirius, você sabe que pode me contar qualquer coisa. Agora me diga o que aconteceu que o deixou tão perturbado.

O rosto estava lavado de lágrimas e os olhos cinza estavam vermelhos quando ele respondeu, em voz sumida:

– Eu me lembrei...

– Como assim, lembrou? Do que você...

Ele se interrompeu, afastando-se de Sirius, o corpo todo rígido de repente. Sirius se desesperou:

– Eu não queria, Severus, juro que não! Acredite, eu era muito mais feliz sem me lembrar! Mas aí Hermione começou a falar, e eu me lembrei de Harry quando ele tinha 13 anos e me ajudou a escapar antes que os dementadores me beijassem! E uma das pessoas que nos atacou era minha prima, Bella! Eu me lembro da voz dela! E agora eu me lembro de tudo...

Severus se ergueu, manteve a cabeça altiva, mas olhou para Sirius e indagou com uma única palavra e uma voz que poderia ter secado um martini:

– Quando?

Sirius tentou secar as lágrimas:

– Não sei quando. Depois do ataque. Acordei e Hermione estava aqui. Assim que eu me dei conta do que tinha acontecido, fiquei fora de mim e me debati. Eu daria tudo para voltar a ser como fui antes.

– Quer me convencer que gostaria de voltar a ser tratado como um incapaz e um semiidiota lobotomizado?

– Não. Eu daria tudo para voltar a ser amado – Ele não conseguira parar de chorar – Porque isso é verdadeiro, Severus. Eu amo você e amo Harry como nunca amei ninguém. Nem Remus eu amei desse jeito, e eu sei que ele está morto. Mas nem a morte de Remus me dói tanto quanto saber que vocês não vão mais me querer. Eu era feliz. Estava tão feliz.

Severus tremia, mas não sabia direito por quê. O Sirius que ele odiara durante 30 anos estava de volta, ali diante dele. Só que não era exatamente o mesmo Sirius, não é mesmo? Ele nunca vira Sirius Black tão caído, tão deprimido.

Tão sincero.

– Por favor, Severus, me perdoa. Eu sei que agora você deve me odiar, e eu mesmo estou me odiando também, mas por favor, só me perdoe.

Severus adotou uma voz um pouco mais suave para dizer:

– Você não tem culpa, Black. Foi um acidente. Sabe dizer o que o curou?

Ele deu de ombros e se sentou na cama:

– Alguma velha maldição de Voldemort, quem sabe? Não importa agora. Nada mais importa.

Sirius se ergueu, mas se segurou na cama, fraco. Severus indagou:

– O que está fazendo?

– Vou embora.

– Agora que está curado?

– Você não entendeu, não é, Severus? Nada mais tenho a fazer aqui. Você e Harry não me querem mais, e ficar perto de vocês sem tê-los... A dor, eu não vou agüentar.

– Mas para onde você vai? O que pretende fazer?

– Não sei ainda. Talvez para os States. Mas não se preocupe, eu não espero vê-lo novamente. Diga ao Harry que eu tive uma recaída e morri. Ele vai ficar muito triste, mas vai superar.

Severus se irritou:

– Não, eu não vou cobrir sua fuga, Black! Você vai ficar e explicar para seu afilhado por que está fugindo da vida dele!

– Droga, Severus! Eu não posso! Eu nunca amei assim na minha vida. Nunca fui tão feliz. Eu preferia ter morrido.

Uma dor perpassou o coração de Severus. Sirius Black estava dizendo a verdade. Ele estava disposto a fugir. Severus segurou-lhe o braço:

– Por que vai embora?

– Eu já disse: não tenho mais o que fazer aqui, se você não me quiser. E você não me quer, Severus – As lágrimas voltaram a cair – Você amava aquele Sirius doente, não a mim. Você mesmo disse que era como se aquele fosse uma nova encarnação. Pois bem, a velha encarnação voltou, e você não a quer. Só que... não posso mais viver sem você. Sei que você me odeia, mas eu te amo. Obrigado por tudo, mas agora eu tenho que ir.

Severus o segurou pelos dois braços:

– Não! Não pode ir!

– Por quê?

– Você não está bem. Conheço você, Black. É irresponsável e não mede as conseqüências do que faz. Certamente vai fazer alguma besteira!

– E o que acha que vou fazer? Me atirar de uma ponte? Me jogar debaixo de um ônibus Muggle?

– Eu acho que vai fazer algo parecido, sim. E seria uma ironia, ver o homem que voltou dos mortos acabar com sua própria vida com suas mãos.

– Minha vida não vale nada. Tudo acabou.

Severus o sacudiu, com raiva:

– Droga, Black! Não pode fazer isso! Harry te ama! Eu te amo! Não quero que você vá embora!

Os dois se encararam, por alguns minutos, até as palavras de Severus serem totalmente absorvidas. Sirius o olhou, buscando a verdade nos olhos pretos profundos:

– Fala sério, Severus? Por favor, não brinque comigo.

– Não estou brincando – ele disse, controlado – Eu acabo de perceber que você fala a verdade. Viver sem você seria... muito penoso.

– Mas... vocês não vão ser mais meus guardiões. Eu não preciso mais disso.

Severus ergueu uma sobrancelha:

– Isso se alguém descobrir.

Sirius abriu a boca, espantado. Severus não estava sugerindo... estava? Mas como aquilo podia dar certo?

– Você diz... não contar a ninguém? Mas... e se descobrirem?

– Por que descobririam? Sirius, você mesmo se lembra que estava razoavelmente bem nos últimos meses. Não era mais aquele autômato do início, de olhos vazios. Bom, eu sei que seu trabalho em Hogwarts não se constitui exatamente um desafio intelectual, mas...

Sirius interrompeu:

– Eu não me importo em fazer tarefas manuais. Para ser sincero, eu até gosto. É relaxante. E é um preço pequeno a se pagar para continuar com vocês.

Severus deu um sorriso malicioso:

– Então está combinado. Nada mudou. Harry e eu continuamos a ser seus curadores, porque você sofreu um acidente e ficou incapaz.

– Por quê, Severus? Por que vai mentir?

– Porque Harry não vai suportar perder você pela segunda vez – Os olhos dele adquiriram ternura, bem como a voz melodiosa – E eu também não.

Sirius não hesitou em se agarrar a ele, emocionado:

– Eu amo você, Sev.

Severus o segurou nos braços e avisou:

– Se me chamar assim de novo, eu mando castrá-lo.

– Eu amo você.

– Eu também.

A porta se abriu e o Dr. Lowell entrou:

– Ah, Sirius – Os dois se separaram rapidamente – Ouvi dizer que você estava meio agitado. Está até de pé.

Severus ajudou Sirius a voltar para a cama:

– Ele insiste em ver Harry, Dr. Lowell.

– Bom, deixe-me examinar você e logo vamos ver se você pode fazer uma visitinha – O medibruxo sentou-se perto de Sirius e puxou sua varinha – Como se sente, Sirius?

– Dói – respondeu Sirius sinceramente – Minha cabeça dói.

– É, eu aposto que dói mesmo. Você teve muita sorte. E muita coragem, também. Graças a você, Harry já está quase bom.

– Harry está aqui?

– Ele está num outro quarto e perguntou por você. Ficamos preocupados com você, Sirius. Suas leituras estavam bem estranhas.

– Eu posso ir ver Harry?

– Calma, rapaz. Você realmente está impaciente, não? Mas pode ficar tranqüilo. Suas leituras estão ótimas. Na verdade, estão realmente muito boas. Agora me dê licença por um instante. Prof. Snape, posso falar com o senhor?

– Claro.

Sirius tentou disfarçar o nervosismo, e notou que Severus também apertava as mãos, nervosamente. O Dr. Lowell o puxou para um canto:

– As leituras de Sirius mudaram muito. Todas aquelas maldições, pragas e azarações o afetaram.

– Ele está pior, doutor?

– Não, não, pelo contrário. Estou lendo que algumas áreas do cérebro na verdade ficaram mais limpas. Ele pode sentir maior clareza nas idéias. Ele esteve próximo de apresentar um quadro depressivo, mas parece que os níveis hormonais se estabilizaram. E outra coisa: ele apresentou uma leitura mágica.

– Leitura mágica? – repetiu surpreso.

– Níveis de magia apareceram nas minhas leituras. Muito baixos, mas foi a primeira vez que apareceram.

– Isso quer dizer que a magia dele está voltando?

– Talvez. Eu não recomendaria fazer testes com ele ainda, nem providenciar a compra de uma varinha. Mas o fato de haver magia nele pode significar tremendo progresso em sua condição. O senhor deve manter a esperança, Prof. Snape. Nosso Sirius ainda pode nos surpreender.

Severus concordou:

– Disso eu não tenho a menor dúvida. Tenho certeza de que Harry ficará maravilhado com a notícia.

– Bom, baseado nessas leituras, eu tenho algumas notícias a dar. Acho que Sirius gostará de saber. Vamos falar com ele.

O Dr. Lowell chegou-se perto de Sirius com um sorriso:

– Bom, meu rapaz, eu tenho duas boas notícias para você. A primeira delas é que você está muito bem, e poderá voltar para casa amanhã.

– E Harry também?

– Harry também, é claro. Vocês dois poderão voltar para casa amanhã.

Sirius sorriu, satisfeito, e foi com sinceridade. Ele teve o impulso de bater palmas de felicidade, e terminou fazendo isso. O Dr. Lowell também sorriu:

– Mas eu deixei a melhor notícia por último. Se você estiver disposto o suficiente, eu vou deixá-lo visitar Harry por alguns minutos – Sirius voltou a bater palmas – Mas tem que ir com o Prof. Snape.

– Sim, Dr. Lowell.

– Então, o que está esperando?

O sorriso de Sirius aumentou:

– Agora? Posso ir vê-lo agora?

– Claro, rapaz.

Sirius praticamente pulou para fora da cama. Severus indicou:

– Sirius, você não vai a lugar nenhum sem sapatos.

Ele rapidamente calçou sapatos e Severus o levou até o quarto de Harry, no mesmo andar. Sirius reconheceu que era o andar onde ele ficara antes, o quarto andar de St, Mungo's, onde eram tratados danos causados por feitiços.

Severus deu uma batidinha na porta e abriu-a, deixando Sirius entrar primeiro.

– Visita.

Quando ele olhou para dentro do quarto de Harry, verificou que visita era o que não faltava. Olharam para ele Molly e Arthur Weasley, Hermione e Ron, o Prof. Dumbledore, Alastor Moody e Nymphadora Tonks. Mas o brilho no olhar de Harry foi absolutamente precioso.

– Sirius!

Alguns dos presentes também saudaram Sirius, mas ele estava muito emocionado. Com sinceridade, ele abraçou Harry, entre lágrimas:

– Harry...!

Hermione explicou, vendo os olhares espantados dos presentes:

– Sirius ficou muito preocupado com Harry. Mas está tudo bem agora, Sirius. Viu, Harry está bem.

Mas Sirius continuava agarrado a Harry, trêmulo, soluçando, pensando no quanto estivera próximo de perdê-lo. Harry o consolou também:

– Tudo bem, Sirius, tudo bem.

– Desculpe, Harry, desculpe.

Hermione continuou explicando:

– Sirius acha que o que aconteceu é culpa dele.

Molly Weasley logo disse:

– Não tem por que pensar assim, Sirius. Está tudo bem agora. Harry está ótimo, e eu ouvi o medibruxo dizer que ele vai voltar para Hogwarts logo.

Sirius fungou, enxugando as lágrimas. Harry procurou mudar de assunto:

– Você está ótimo, Sirius. Acho que você também vai ser liberado em breve.

Arthur comentou:

– Que ótimo, hein? Aposto como você já deve estar cansado de tanto hospital, não é, Sirius?

Sirius continuava olhando para Harry, e concordou com a cabeça:

– É. Cansado. Queria ir para casa agora.

Todos riram, e Severus revirou os olhos. Pelo visto, Black não teria dificuldade nenhuma em bancar o lobotomizado. Nenhuma surpresa aí, pensou.

Tonks, agora com uma cabeleira ruiva de fazer inveja a qualquer Weasley, disse:

– Calma, Sirius. Vai tudo dar certo.

Mad-Eye Moody o inspecionou de cima a baixo e repetiu:

– Isso mesmo, Sirius, mantenha a calma. Você logo vai sair daqui. Agora por que não responde a umas perguntas? Eu gostaria que me contasse o que aconteceu.

Sirius o encarou, ainda enxugando lágrimas.

– Quando?

– Quando vocês foram atacados. Conte como foi.

– Nós íamos tomar sorvete, e então eles apareceram de repente. Começaram a soltar raios e eu tentei ficar na frente de Harry, mas eles soltaram mais raios, e aí eu caí no chão, e Harry também. Depois eu não me lembro.

– Quantos eram?

– Uns quatro.

– E como eles eram?

– Eu não sei. Eles vestiam preto, e usavam capuzes. Um deles era mulher.

– Como você sabe?

– Ela falou comigo.

– O que ela disse?

– Hum... Ela disse que ia ter que me matar de novo.

Moody olhou para Tonks:

– Bellatrix Lestrange. Não é de surpreender.

Tonks concordou:

– Sim, ela fugiu de Azkaban há alguns meses. Deveriam estar esperando o momento certo de atacar.

– E isso confirma tudo – Moody apertou a mão de Sirius – Obrigado, meu rapaz. Você foi de imensa ajuda.

Sirius concordou com a cabeça, e Harry deu-lhe um apertão no braço, orgulhoso. Aquela foi a deixa para os dois Aurores se erguerem.

– Bom, vamos voltar para o Ministério e investigar o que houve.

– Obrigado pela visita.

– Harry – disse Ron – Hermione e eu também estamos de saída.

– Claro, Ron. Obrigado, Hermione, por ficar com Sirius.

– Não foi problema. Cuidem-se vocês.

– Venha, Arthur, é melhor irmos também.

– Claro, Molly. Albus, você vem conosco?

Os olhos azuis brilharam quando ele respondeu:

– Se não se importa, Arthur, eu gostaria de ficar mais um pouco com Harry.

– Sem problema.

Em poucos segundos, o quarto de Harry se esvaziou, e ficaram apenas Severus, Sirius e o Prof. Dumbledore. O diretor de Hogwarts sorriu:

– Sirius, eu fico muito satisfeito em vê-lo tão bem.

Harry concordou:

– É verdade, Sirius. Você parece mesmo muito bem. Está até com um ar... diferente.

Sirius empalideceu, e Severus também perdeu um pouco de cor. O Prof. Dumbledore sorriu:

– Ah, mas ele está diferente. Não está, Sirius?

Pego em flagrante. O velho sabia. Mal tinha acontecido e ele já sabia. Será que Dumbledore sabia mesmo tudo que se passava? Sirius tentou articular uma pergunta:

– Como...?

O velho professor deu de ombros:

– Sua assinatura mágica está bem diferente. Calculo que seus poderes estejam começando a voltar. Mas posso ver que não há nada de errado com sua memória.

Harry arregalou os olhos:

– Sirius? Isso é verdade?

– É, Harry. Mas eu não quero que ninguém saiba. Prefiro deixar as coisas como estão. Voltar à minha vida. Isso é, se o Prof. Dumbledore concordar.

– Tem certeza de que é isso que quer fazer, Sirius? Você pode retomar sua vida.

– Albus, minha vida não teve muitos atrativos. Você conhece minha família, sabe como fui criado e que tive de sair de casa muito cedo. Logo depois, fui parar em Azkaban, 12 anos, acusado de ter matado meu melhor amigo. Durante dois anos fui um fugitivo, vivendo como um cão, às vezes comendo ratos para sobreviver. Depois disso eu fui morto por minha própria prima. Agora que voltei, eu quero um pouco de felicidade, se não for pedir muito. Pode entender isso?

– Mas você pode tomar pé de sua vida, dirigi-la com as próprias mãos. Não precisa mais ter guardiões. Pode ser o senhor de sua vida.

– Com todo o respeito, minha vida é em Hogwarts. Sou feliz lá, com Harry e Severus.

Dumbledore deu um sorrisinho para seu Mestre de Poções:

– Devo concluir então que vocês finalmente resolveram suas diferenças, depois desses anos todos?

Severus enrubesceu:

– Surpreendentemente, sim.

Sirius emendou:

– Só que eu tive que morrer para podermos nos entender.

Harry tentou esconder um sorriso. Dumbledore olhou os três:

– Presumo que estejam todos de acordo com essa solução. Harry?

Ele sorriu para seus dois maridos:

– Para mim, é a solução perfeita.

– Que assim seja. Hogwarts sempre será um porto seguro para todos que procurarem. Eu só quero fazer uma pergunta a Sirius.

– Pois não?

– Você se lembra... do Véu?

Sirius negou com a cabeça:

– Lamento, mas não.

Dumbledore deu um sorriso e deu de ombros, suspirando:

– Bom, eu tinha que perguntar – Ele se ergueu – Vejo-os em Hogwarts. Tenham juízo, vocês três. Ah, só mais uma coisa: lembrem-se de que há crianças morando na escola. Sejam discretos, por favor.

Ele piscou um olho muito azul e saiu do quarto, deixando atrás de si três homens boquiabertos e enrubescidos.

Oh, bem.

Os corredores de Hogwarts guardavam muitos segredos. Um a mais não faria diferença.

THE END

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