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Anime/Manga » Saint Seiya » Coisas banais
Ayumi-tenshi
Author of 74 Stories
Rated: K+ - Portuguese - Romance/Drama - Reviews: 7 - Updated: 04-17-05 - Published: 03-26-05 - Complete - id:2323855

Capítulo 3 - Me proteja

Freya corria rápido apesar da saia tentar impedi-la. A neve fria fazia contato com seu rosto manchado de lágrimas. Como pôde ser tão burra a ponto de confiar em um cavaleiro-deus? Se ela não quisesse tanto ver o sol aquele dia não precisaria ter encontrado com Mime e nada daquilo estaria acontecendo.

Ela continuou correndo pela neve, quase sem conseguir distinguir o que havia em sua frente, seus pés a guiaram para uma colina estreita.

Ainda se amaldiçoando por ter confiado tanto em Mime, Freya sentiu o pé fazer contato com uma elevação sólida, ela perdeu o equilíbrio, o caminho onde estava era na borda da colina. Ela levantou os braços para se proteger da queda, Freya rolou morro abaixo, batendo em raízes e pequenas pedras na decida. Ela caiu ao pé da colina, inconsciente.

Mime correu para fora do palácio, Hilda ria alto no mesmo lugar onde o encontrara. Como ele pôde deixar Freya sair daquele jeito? Ela era delicada demais para ficar naquela tempestade, e no seu estado emocional, não duvidaria se acabasse se perdendo, ou pior.

Ele parou em frente ao palácio, a tempestade não o deixava ver onde estavam as pegadas de Freya, ele conseguiu distinguir uma colina logo à frente.

Correu até lá, talvez conseguisse ter uma idéia do lugar onde estava Freya no alto dela.

Chegando à metade do caminho, ele chutou uma pedra, olhou para o chão, havia marcas de deslizamento, alguém caíra lá de cima recentemente. Ele olhou pela borda, pedindo para que não fosse ela.

Uma massa loira cobria o corpo estirado na neve. Ele deslizou suavemente até o local onde estava o corpo.

Ergueu-a em seus braços, ela estava gelada, seus lábios estavam arroxeados e corpo estava coberto de arranhões. Ele ergueu os olhos para a colina. Era um pouco alta, e Freya conseguira rolar justamente em cima das raízes que eram quase escondidas.

Ele suspirou, começou a caminhar em direção à floresta. Pegou o mesmo caminho do dia anterior, não havia fumaça saindo pela chaminé da cabana, e a neve que a cobria fazia parecer um bolo de casamento.

Bateu na porta, ninguém respondeu, chutou, a porta deslizou escancarada para o lado. Mime entrou com Freya e a depositou sobre as peles que estavam em um canto.

Ela acordou lentamente, estava coberta com alguma coisa felpuda, seus olhos ardiam um pouco com o fogo. Felpuda? Fogo? Ela se endireitou com violência e olhou em volta. Estava em uma cabana de madeira, a alguns metros da lareira e envolvida com peles. E estava...Nua? Passou a mão pelo peito angustiada, mas logo relaxou ao perceber as ataduras que a cobriam.

Mime entrou na cabana, tinha consertado a porta, também porque se não o fizesse Thor o odiaria pelo resto da vida, ele amava aquela cabana. Entrou e viu Freya de pé, envolta de peles vasculhando os armários.

Não vai achar muita coisa aí, a menos que goste de chá. Ou de conhaque. – disse ele rindo fechando a porta atrás de si.

Freya se sobressaltou ao ouvir a voz dele, o que fez com que desse um pulo para trás e batesse a cabeça numa prateleira.

–Você me trouxe aqui? – perguntou ela esfregando o topo da cabeça

–Sim. – concordou ele passando por ela e abrindo a porta de um armário.

–Você também tirou a minha roupa?

–Sim. – concordou ele de novo tirando um cesto com pães e colocando em cima da pequena mesa.

Freya suspirou corada. Ele lhe estendeu um pão que ela aceitou.

–Quem mora aqui? – perguntou olhando em volta

–Ninguém. Thor construiu essa cabana por diversão e vem aqui de vem em quando. – respondeu ele se sentando

–Thor? Mesmo? – ela foi até a lareira arrancando alguns pedaços de pão e colocando na boca sem pressa

–É. – ele a observou, ficava linda apenas com aquelas peles.

Eles ficaram em silêncio durante um tempo. Freya comeu o último pedaço de pão, mas não tinha desviado os olhos do fogo nem um segundo, agindo como se seu corpo a controlasse.

Mime apenas a olhava, perdido em pensamentos, lembrando do beijo que tinha dado nela.

–Você ainda não confia em mim não é? – perguntou ela ainda mirando o fogo

–Não é que eu não confie em você Freya, todos os cavaleiros sentiram que tem algo estranho em Hilda, mas não acha que é um pouco de exagero seu achar que ela te odeia?

–Talvez. – concordou Freya desviando os olhos do fogo e encarando Mime

Ele ficou parado, o olhar de Freya não transmitia nenhuma emoção, era até mesmo um pouco hostil.

–Você está bem Freya? – perguntou ele inquieto com o vazio daqueles olhos

–Estou. – concordou ela com um sorriso

Mime desviou os olhos, não conseguia acreditar que aquela mulher pudesse rende-lo apenas com os olhos.

Freya começou a olhar a cabana em volta dela, haviam algumas cabeças empalhadas decorando as paredes. Se ela bem conhecia Thor, tinha certeza que ele próprio abatera todos aqueles animais. Ela sabia que Mime ainda a olhava, era um olhar estranho, confuso até.

–Por que continua a me olhar dessa maneira? – exclamou ela se virando e encarando os olhos vermelhos

–Que maneira?

–Dessa maneira. – ela apontou para ele

–Não seja idiota. Não estou olhando você de nenhum jeito diferente.

Freya não gostou muito do adjetivo que ele usara para se referir a ela, virou a cabeça para o fogo, irritada.

Ele desviou o olhar, estivera olhando para ela com desejo, por sorte ela não percebeu, seria difícil lhe explicar o quão atraente ela parecia vestindo apenas peles. Olhou pela janela, a tempestade ficara mais forte, não seria seguro sair da cabana aquela noite. Lembrou-se do que Freya tinha lhe dito.

–De que oitavo cavaleiro-deus você falou? – perguntou ele voltando a olha-la

–Não ti interessa. – respondeu ela áspera cruzando os braços

–Ah então é assim que você me agradece por ter salvado a sua vida? Sua ingrata. – disse ele se levantando, iria obter as respostas para suas perguntas de qualquer jeito.

–Quer parar de me xingar? – exclamou ela se virando para ele com raiva

Mime não respondeu, se aproximou dela lentamente, havia alguma coisa dos olhos dela, além da raiva que sentia e demonstrava agora, era medo.

–O que você teme Freya? – perguntou ele carinhosamente parando na frente dela

–O que? – perguntou ela num fio de voz, sua raiva de esvaindo enquanto via os olhos vermelhos que agora lhe pareciam tão protetores.

–Do que tem medo? – perguntou ele de novo chegando mais perto

–E-eu... – Freya não sabia responder à pergunta dele, mesmo querendo, não conseguia encontrar a resposta.

Mime entendeu o silêncio dela, num ímpeto passou seus braços ao redor dos dela, encaixou sua cabeça próximo no pescoço de Freya, queria que ela sentisse por ele a mesma coisa que Mime sentia agora. Ele sabia do ele tinha medo, depois de tudo o que tinha acontecido em sua vida, era a primeira vez que alguém ficava tão próximo dele como Freya, ele tinha medo de perde-la.

Freya relaxou nos braços de Mime, a pergunta dele ainda pairava em sua cabeça, nos últimos dias ela tivera medo de muita coisa, de sua irmã, do destino de Asgard, mas, sobretudo, de que alguma coisa acontecesse que tivesse poder suficiente para mudar o destino de sua vida. Ela era acostumada à mesma vida desde que nascera, e agora tinha alguém que a estava puxando para fora da barreira que criara ao redor de si mesma. Havia alguém que queria ficar com ela, só com ela. Isso era uma coisa nova, uma sensação de perda misturada à alegria. E Freya não sabia se estava pronta para sentir aquilo.

Eles ficaram ali, abraçados, por quanto tempo, nenhum deles sabiam, só queriam sentir o calor que fluía pelos dois corpos numa harmonia perfeita. Era como uma música, lenta, sem expectativas, mas bela.

Mime deu um passo para frente, Freya o acompanhou, caminhando para trás. Ele a colocou sobre as peles no chão, ainda a abraçando e deitou-se ao seu lado. Freya acomodou seu rosto contra a armadura já não tão fria como antes.

Não demorou para que ela dormisse nos braços de Mime. Ele não tinha nenhuma intenção de passar dos limites, amava Freya por ela ser de seu próprio jeito, queria ficar com ela para sempre, mesmo que não nesse mundo.

–Ninguém poderá nos separar... – sussurrou ele passando os dedos pelos longos cabelos loiros.

Ao primeiro raio de sol Freya abriu os olhos lentamente, sentia os braços fortes de Mime ao redor de si. Queria ficar ali com ele para sempre, sentir a respiração fraca e sonolenta dele em seu rosto, vê-lo sonhando tranqüilo.

Mas não podia, não podia ficar sentada esperando que sua irmã destruísse Asgard e a ela própria, afinal de contas ela era sua irmã e precisava protege-la. Também não queria que nada acontecesse com Mime, e se sua irmã continuasse a negligenciar suas tarefas, alguma coisa de ruim poderia acontecer a ele. Freya nunca se perdoaria se Mime se machucasse, ela o amava, mas ainda tinha muito medo de dizer-lhe isso, não queria se tornar um fardo para o caveliro.

Freya retirou delicadamente as mãos de Mime ao redor de si, se levantou e observou ele se mexer um pouco, procurou suas roupas. Já vestida e pronta para sair, ela o olhou de novo. Talvez ele não entendesse o que estava prestes a fazer, ela própria não entendia direito, mas sabia que aquilo deveria ser feito. Sua irmã precisava ser impedida e só conhecia um meio para isso.

Ela se abaixou sobre o corpo de Mime, ter que partir daquele jeito covarde não lhe agradava em nada, mas sabia que ele não concordaria com Freya, e pior, tentaria impedi-la.

Ela retirou o colar que usava desde pequena do pescoço, era um cordão que ganhara de sua mãe, trazia o símbolo da proteção, sabia que enquanto Mime estivesse com ele nada lhe aconteceria.

Colocou o colar perto da mão dele, seu coração estava apertado, nunca gostara de despedidas, muito menos quando não sabia se voltaria a ver Mime de novo, mas precisava confiar no que seu coração lhe dizia. Ela colocou seus lábios sobre os de Mime, queria poder parar o tempo e ficar ali junto dele para sempre. Mas não podia, tinha que enfrentar a realidade.

–Adeus...

Levantou-se abruptamente, não queria chorar, correu para fora da cabana em direção ao palácio, já não sobrara nada da tempestade da noite passada.

Mime acordou silenciosamente, já não sentia o corpo de Freya em seus braços, assustado ele se ergueu e olhou em volta, não havia mais nenhum vestígio da mulher na cabana. Seu movimento brusco fez um objeto deslizar para o lado. Ele olhou para ver o que era, um simples cordão de couro e um pingente de ferro com o símbolo de proteção gravado repousavam em cima das peles desarrumadas. Era o cordão de Freya, ele o pegou, subitamente a compressão lhe veio. Freya tinha ido salvar aquele homem que tinha sido pego rodeando o palácio, ela traíra Hilda indo procurar alguém que pudesse faze-la ver o que estava fazendo.

Mime apertou o cordão junto com o pingente, Freya o abandonara, e depois de tudo aquilo, ela renegara seu amor, partira seu coração sem pena. A força que aplicava sobre o pingente era tanta, que ele se quebrou, cortando a mão de Mime e fazendo o sangue vermelho fluir.

–Maldita... – sussurrou ele jogando o cordão longe

Naquele momento prometeu a si mesmo que nunca mais se apaixonaria, principalmente por uma mulher como Freya, uma mulher fria que agia de acordo com sua mente.

Levantou-se, não permitiria que Freya impedisse Hilda, ele iria proteger a reencarnação de Odin contra qualquer ajuda que Freya pudesse achar.

Seu coração estava tomado de ódio, ele estava confuso dentro de si, mas sabia que Freya iria pagar pelo que fizera, pagaria por tê-lo magoado.

O sol já não brilhava dourado no horizonte.

Fim


Gente só uma coisa, a parte em que o Thor tranca a Freya no calabouço e a guria foge fica subentendida ok?

Também tem a parte em que ela salvou o pato, mas não da pra inclui, me perdoem, eu juro que queria!

Gomen nasai

Agradecimentos para e Morgana the Wicth, que acompanharam a fic -, valew gurias!

Bjinhusssssss

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