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Anime/Manga » Saint Seiya » Encontro Repentino
Juliane.chan1
Author of 132 Stories
Rated: M - Portuguese - Romance/Humor - Reviews: 5 - Published: 04-14-05 - Complete - id:2351517
ENCONTRO REPENTINO

CAPÍTULO FINAL:

"Sou uma covarde! Covarde!"

Esmeralda foi repetindo essa frase em sua mente desde que saiu do quarto de hotel às escondidas, dias atrás. Ela havia deixado Ikki no quarto, ainda de madrugada, fechado a conta e depois pegou uma carona até o aeroporto.

Esmeralda chorou durante quase todo o trajeto de volta para casa. A lembrança dele invadia sua mente todas as vezes que fechava os olhos.

Mas quem ela queria enganar? Sabia que no fim ele partiria para o Japão e nunca mais se veriam novamente. Ela apenas adiou a difícil despedida. Se ficasse com ele mais um dia sequer, não teria forças para deixa-lo e sofreria mais ainda.

"Sou uma covarde!"-murmurou para si mesma, olhando pela janela da biblioteca de sua casa.

"É o Jango de novo ao telefone, minha querida."-falou a mãe, segurando o aparelho sem fio na mão e estendendo para ela.-"Vai falar com ele?"

"Não."-e voltou sua atenção para o jardim.-"Diga qualquer coisa a ele. Não vou sair com meu ex-noivo só porque meu pai quer."

A jovem senhora suspirou e deu uma desculpa qualquer ao rapaz no telefone e desligou.

"Filha, o que aconteceu com você nessa viagem? Voltou antes do tempo, e desde então anda triste pelos cantos da casa. Até seu pai está preocupado!"

Esmeralda não conseguiu conter-se e começou a chorar.

"Conheceu alguém?"

"Sim."

"Está apaixonada por ele?"

"Estou."-e deu um sorriso triste.

"Então...por que não vá atrás dessa pessoa por quem está apaixonada?"

"Apenas porque somos tão diferentes...e ele mora do outro lado do planeta, e eu...eu não sei onde encontra-lo!"-falou se afastando da janela e se jogando no sofá.-"E eu fui embora sem me despedir dele, escondida como se tivesse feito algo errado! Ele deve estar me odiando agora!"

Sua mãe a olhou surpresa.

"Tem certeza disso, querida?"

"Sim...não...Ah, eu não sei!"-suspirou.-"Esquece mãe. Ikki Amamiya não é para mim."

"Esse é o nome dele? Ikki Amamiya? Um nome forte!"-a senhora sorriu.-"Ele é oriental? É bonito?"

"Mãe, esquece isso está bem."

"Esmeralda como você é cabeça dura!"-a senhora pôs as mãos na cintura e falou brava.

"Mamãe!"

"Esmeralda, finalmente você encontra um homem que a faz amar e você deixa-o ir embora?"-ela começou a andar de um lado para o outro da biblioteca e continuou diante do olhar surpreso da filha.-"Você nunca se apaixonou antes minha filha, eu sei. Acompanho sua vida há muito tempo e isso me preocupava e muito...agora deixa o primeiro homem a entrar em seu coração fugir? Aliás...você fugiu! Fugiu de um homem que pode estar te amando!"

"Não creio que ele me ame."

"Ele te disse isso?"

"Não, eu..."

"Então não pode afirmar nada. Pergunte a ele!"

"Você fala como se isso fosse fácil! Nem sei por onde começar a procurá-lo!"

Dias depois, do outro lado do mundo.

"Mas que inferno!"-resmungou Ikki, afrouxando a gravata e segurando a vontade de usar a cadeira em seu computador.-"Nada dá certo hoje!"

Desde que retornara de Cancun, dias atrás, logo depois de Esmeralda ter fugido dele, tudo o estava irritando. Nada lhe agradava, menos ainda seu emprego. Como conseguiu trabalhar nesse lugar durante tantos anos?

Havia recebido um e-mail de Shun, estava feliz com June, iria estudar Turismo no próximo semestre e mandado várias fotos. Estava feliz pelo irmão, mas no fundo sentia uma pontada de inveja por ele estar com uma mulher que amava e seguindo um rumo completamente novo em sua vida. Bem, a mãe deles quase teve um chilique pelo caçula não voltar ao Japão tão cedo, mas se conformou. Principalmente porque está de malas prontas para conhecer a 'nora'.

"Ikki, não esqueça as planilhas!"-falou Hyoga aparecendo na porta de sua sala.

"Ikki a reunião com o senhor Kido e o senhor Solo é às dezesseis horas. Não se atrase!"-avisou Shiryu.

"Tá...tá..."-respondeu desanimado, como se tivesse ouvido alguma coisa, mas seu pensamento já estava longe.

Seiya apareceu e ergueu a sobrancelha e disse:

"Ikki seu carro tá pegando fogo no estacionamento."

"Certo."-respondeu olhando para o computador.

"Ele nem ouviu o que vocês disseram!"-falou Seiya.-"Ô Amamiya! Acorda cara!"

"Dá para vocês largarem do meu pé e saírem daqui?"-ordenou Ikki quase explodindo com a brincadeira do Seiya.

"Ele está estressado gente, relevem."-pediu Seiya.

"Ogawara..."-avisou Ikki.

"Afinal, uma garota largou ele sozinho em Cancun sem mais nem menos.."-continuou.

"Pare de me defender, Ogawara!"-Ikki levantou-se furioso.-"Caiam fora da minha sala!"

Depois de praticamente expulsa-los de sua sala, Ikki jogou-se em sua poltrona e fechou os olhos, suspirando. Nesse momento a imagem dela veio a sua mente, novamente.

Tudo o que fazia, todas as vezes que para pensar, tudo o lembrava daquela linda mulher e dos momentos que passaram juntos. Quando fizeram amor na praia, no chuveiro, no quarto do hotel...essas lembranças não o deixavam em paz. Sentia sua falta...estava apaixonado por Esmeralda, precisava dela mas não sabia onde e nem como encontra-la.

Sabia seu nome, mas nem tinha idéia de onde começar a procurar. Talvez um detetive particular...Colocou a mão no bolso e retirou a carta de despedida que ela havia lhe deixado. Abriu-a mais uma vez e releu.

"Ikki...

Sei que estou sendo covarde por deixá-lo assim,

sem mais nem menos. Você não merece isso,

tentei lhe dizer sobre a minha decisão, me despedir de você...

mas não consegui.

Nunca daria certo entre nós.

Sinto muito.

Esqueça-me e procure outra pessoa para amar.

Sei que será feliz!

Adeus.

Esmeralda."

"Não serei feliz sem você, sua teimosa!"-falou para si mesmo em pensamentos.

Então, seus pensamentos foram interrompidos com o som característico do seu micro, avisando que chegou um e-mail novo.

Duas semanas depois...

"Gostou daqui?"-perguntou Esmeralda à mãe, enquanto olhavam o cômodo comercial em uma aconchegante rua de Seattle.-"Não é lindo!"

"É..."-a senhora não parecia muito animada.

"Uma mãozinha de tinta aqui, uma reforminha ali..."-ia apontando.

"Uma equipe de demolição."

"Mãe!"-Esmeralda a repreendeu com o olhar.-"Não fala isso. Minha floricultura vai ser linda!"

"Eu sei meu anjo. É muito bom que pense em ser independente."-falou com orgulho.-"Aqui era o que antes?"

"Um salão de beleza."

"Ficará perfeito!"-a senhora sorriu.-"Vou na loja da esquina ver aquele xale lindo da vitrine. Você vem?"

"Ainda não. Daqui a pouco."

Enquanto a sua mãe saia, Esmeralda distraiu-se examinando os cômodos nos fundos da propriedade. Nesse momento, ouviu a porta da frente abrir-se, imaginando ser sua mãe que esqueceu de lhe dizer algo andou calmamente até a entrada, mas um vulto enorme impediu sua saída. Era Jango e não parecia muito feliz.

"O que está fazendo aqui?"-perguntou tentando ser natural.

"Vim te ver."-ele deu os ombros.-"Você anda sumida, não fala mais comigo..."

"Não tenho muito que falar."

"Você me fez parecer um palhaço no dia do nosso casamento. Saindo daquele jeito sem mais nem menos..."

"Jango preciso ir e encontrar minha mãe..."-a atitude dele a estava preocupando.

"E viajou para uma lugar qualquer."-continuou ignorando-a.-"Você o ama?"

"Quem?"-espantou-se.

"O carinha que conheceu em Cancun. O motivo de você me rejeitar e não querer sequer atender meus telefonemas."- falou com um olhar gélido.

"Como você sabe sobre isso?"

"Escutei seus pais conversando no escritório."

"Estava espionando a conversa dos meus pais?"-Esmeralda falava, andando devagar, tentando ir até a saída.

Mas ele se colocou diante dela, impedindo sua passagem.

"Acha que deixarei que saia assim?"-e em seguida esbravejou.-"AINDA NÃO TERMINEI O QUE TINHA QUE CONVERSAR COM VOCÊ!"

Em seguida chutou um monte de entulhos, e quebrou uma janela ao jogar uma cadeira velha por ela. Como pode pensar em se casar com aquele homem um dia? Sem pensar nas conseqüências, Esmeralda correu tentando alcançar as portas dos fundos, mas ele a alcançou, o peso de seu corpo os fez cair no chão, sem dificuldades ele a ergueu, puxando-a pela blusa que usava.

"Como pode estragar tudo, Esmeralda?"

"Me solta!"

"Era para sermos um casal invejado pela alta sociedade desta cidade. Seriamos perfeitos juntos!"

"Me solta!"

Esmeralda estava apavorada e também com muita raiva.

"Ainda seremos um casal perfeito!"-ele murmurou.

"Solta ela."

Uma voz firme, conhecida para ela. Que pertencia a alguém que ela jurava nunca mais ser possível reencontrar e que amava, fez Jango olhar para trás e encarar o homem de blazer escuro parado na porta.

"Se não soltá-la, eu mesmo quebro a sua cara feia!"-Ikki ameaçou, com um olhar que gelaria a alma de qualquer um.

"Vai embora cara. Isso não é assunto seu!"

"Temos um problema. É assunto meu se você ameaça a minha mulher!"-vociferou.

"Como é?"

Jango não teve tempo de pensar em mais nada, pois a ultima coisa que viu antes de apagar foi o punho fechado de Ikki indo em direção ao seu rosto. Em seguida, Ikki o agarrou pelo colarinho da camisa e o jogou para fora, na rua. Ainda tonto, Jango tentou se levantar, mas Ikki o fez encará-lo.

"Se você ousar se aproximar dela de novo, acabo com sua raça!"

"Você sabe com quem está falando, cara?"-Jango ainda tentava manter sua dignidade.

"Com o ex-sócio do meu marido, eu creio."-falou a voz da mãe de Esmeralda.

"Senhora Diaz?"-o outro espantou-se.-"Não é o que..."

"Ameaçou a minha filha. Ele ficará sabendo disso."-a senhora mantinha uma pose austera.

Ikki o soltou e ele saiu andando, cambaleante atraindo os olhares das pessoas na rua, curiosas com o que estava acontecendo.

"Ikki?"

Esmeralda o chamou. Ainda não acreditava que ele estava ali, diante de seus olhos e a salvou a poucos instantes. Ele a encarou com aqueles belos olhos que tanto a fascinaram desde a primeira vez que o viu.

Os cabelos rebeldes, vestido de maneira informal, apropriada para o clima frio daquele dia. Agora a raiva que ele demonstrou ao enfrentar Jango havia dado lugar a uma expressão mais serena, descansada até. Nem de longe lembrava o rapaz estressado que conheceu.

"Como vai, Esmeralda?"

"O que...?"-seu coração disparou descontroladamente.-"Como?"

"É engraçado. Recebi um e-mail me dando o seu endereço. Fui até sua casa e um homem muito mal humorado me disse que havia saído com sua mãe. Quando me apresentei, ele me deu o endereço daqui."-respondeu com naturalidade.

"Meu pai?"-Esmeralda olhou para a mãe.-"E-mail? E o seu trabalho? Como saiu assim do Japão e..."

"Pedi demissão."

"Pediu demissão?"

"Não estava feliz lá, Esmeralda. Não sem você."-ele se aproximou e a enlaçou pela cintura.-"Pensei em comprar uma casa por aqui, abrir meu próprio negócio. Sou muito bom naquilo que faço."

"Aqui em Seattle?"-ela não sabia se ria ou se chorava com tudo isso.

"Sim. Acaso depois de casarmos, você pensa em morar em outro lugar?"

Esmeralda fechou os olhos imaginando se estava sonhando, mas ao sentir os lábios dele sobre os seus, em um beijo terno e apaixonado, percebeu que era a mais pura realidade.

"Senti sua falta."-ele murmurou.

"Ikki...perdoe-me por ter ido embora daquele jeito. Eu..."

"Tudo bem."-ele a abraçou com mais força e disse com um tom sério.-"Não faça isso de novo! Quase enlouqueci sabia?"

"Não se preocupe. Nunca mais vou deixar você."

"Eu te amo, Esmeralda."

"Eu também te amo."

Eles voltaram a se beijar. A senhora Diaz sorriu e discretamente os deixou a sós. Enquanto se beijavam, Ikki puxou-a para mais perto de si...O futuro estava diante deles, e o seguiriam juntos.

Fim.

Quero agradecer a todos que tenham acompanhado esse fic, os reviews maravilhosos que me mandaram e até mesmo as criticas que me ajudaram a ver meus erros e a melhorar cada vez mais como escritora.

A idéia de usar a Esmeralda como par do Ikki veio no dia em que assisti pela décima vez a reprise dos cavaleiros no meu vídeo quando Fênix contava sobre seu treinamento e sobre a morte da jovem aos amigos e ao seu irmão.

Confesso que essa é uma das cenas mais emocionantes do anime e pensei que esse amor deveria ter tido um final feliz. Apesar de ser mais a favor do casal Ikki e Pandora, esses dois ficam lindos juntos e como na época não pensei em ressuscitar Esmeralda, fiz um U.A, e fui feliz na escolha.

Em breve, mais romances. Sou uma romântica incurável!

Beijos a todos e mais uma vez obrigada.

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