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Branca Takarai
Author of 50 Stories

Rated: T - Portuguese - Romance/Mystery - Inuyasha & Kagome - Reviews: 395 - Updated: 01-21-07 - Published: 04-16-05 - Complete - id:2354128

O Sétimo

Resumo: Há pessoas que não crêem em vampiros...

Nota da autora: Este fanfic é baseado no livro “Os Sete” de André Vianco. Há algumas cenas fortes e não recomendo que crianças leiam. Esta é minha primeira fic de Inuyasha.

Quando a água inundar sua rua

Quando o gelo resfriar seu sangue

Ponha-se a correr, use seu cavalo mais rápido

E prepare-se para conhecer Os Sete

Pois eles, agora, vão encenar o espetáculo mais bizarro da Terra”

André Vianco, Os Sete

Prólogo – O encontro sob o luar

O sol começava a desaparecer no horizonte. Kagome deu um suspiro de cansaço sem se dar ao trabalho de levantar a cabeça para olhar o belo espetáculo que acontecia a sua frente. A menina sentia-se tão exausta que nada ao seu redor lhe chamava a atenção.

Aquele dia fora longo. Escola pela manhã, o trabalho a tarde e agora a noite teria que estudar muito se não quisesse acabar por perder o ano. Mas Kagome não reclamava por ter que estudar ou trabalhar, mas sim pela vida tão monótona que levava, sempre da escola para o trabalho, do trabalho para casa. Não tinha tempo para nada. Para nada nem para ninguém, e esse último fato era o que mais a incomodava.

– Cheguei... – Kagome exclamou sem emoção alguma enquanto entrava na modesta casa dos Higurashi.

– Que bom que chegou, querida – a Sra. Higurashi disse com um sorriso enquanto a filha subia as escadas que levavam para o seu quarto. – Não vai jantar? – a senhora perguntou notando que a menina parecia estar muito desanimada com algo.

– Não estou com fome – Kagome respondeu sem parar de subir. – Vou tomar um banho, tenho que ir pra casa da Sango, temos prova amanhã e ela ficou de me explicar algumas coisas.

– Você não acha que seria melhor descansar, Kagome? – a senhora insistiu. Kagome fez um aceno negativo sumindo no alto da escada.

A garota não demorou muito. Tomou o banho que desejava há horas, trocou de roupa e logo saiu. A casa de Sango, sua melhor e praticamente única amiga, não ficava muito longe, dois quarteirões de sua casa, e Kagome ia lentamente aproveitando a brisa fria que batia em seu rosto naquele início de noite.

– Achei que não fosse vir! – Sango exclamou com uma cara emburrada quando Kagome finalmente apareceu.

– Se dependesse da mamãe não teria vindo mesmo – Kagome respondeu encolhendo os ombros. – Esse trabalho na lanchonete é de matar, eu mal me agüento em pé... – acrescentou dirigindo-se para a mesa no centro da sala e largando-se em uma das cadeiras.

– Você parece cansada mesmo – Sango comentou pegando alguns livros que estavam em cima do sofá e sentando-se ao lado da amiga. – Por que não deixa o emprego na lanchonete?

– Você sabe que só com o que o vovô consegue com a venda daqueles amuletos contra fantasmas, vampiros e outras baboseiras não dá nem para o começo das despesas – Kagome falou um pouco aborrecida.

– Kagome, por falar em vampiro – Sango começou animada puxando pegando um livro de capa preta e estendendo para Kagome que simplesmente bufou enquanto girava os olhos. – Esse livro é ótimo! Comprei ontem! Já estou quase terminando, se você quiser eu te empresto depois.

– Ah, Sango, faça-me o favor de parar de falar nessas besteiras – Kagome falou impaciente pegando seus próprios livros e começando a folheá-los. – Temos coisas mais importantes pra fazer, como, por exemplo, estudar essa maldita matemática!

– Não é tão difícil – Sango fez um gesto de impaciência. – E não acho que vampiros sejam besteiras, eu acredito que eles existiram há tempos atrás.

– Você acredita ainda que o papai Noel entrega os seus presentes e no coelhinho da páscoa? – Kagome perguntou sarcasticamente. Sango cruzou os braços emitindo um som de desagrado. – Fala sério, Sango! Vampiros, fantasmas, monstros e qualquer outra coisa desse tipo é invenção de pessoas que não tem o que fazer!

– Eu não acho! – Sango exclamou, firmemente. – São lendas, eu sei, mas uma vez eu ouvi dizer que toda lenda tem um fundo de verdade! O Papai Noel existiu, mas a história foi fantasiada a chegar nesse ponto que conhecemos hoje.

Kagome mordeu o lábio tentando segurar uma risada. Tudo aquilo era uma tremenda besteira, e o pior de tudo na opinião da menina, é que as pessoas criadoras de tais lendas não eram tão culpadas como as que acreditavam nelas, e o melhor exemplo disso era Sango.

– Isso não tem graça! Por acaso você nunca morreu de medo ao ouvir histórias macabras? – Sango perguntou erguendo de leve a sobrancelha. Sem querer, Kagome sentiu um frio na espinha, já que as duas estavam sozinhas no quarto, de noite, e o único contato com o mundo exterior era a janela que mostrava a bela lua cheia, mas logo balançou a cabeça afastando maus pensamentos. Assombrações não existem, não é?

– Eu nunca me interessei por esse tipo de coisa – a menina respondeu tentando mais uma vez abrir o livro de matemática para tentar entender aquelas fórmulas inúteis, mas não podia deixar de sentir uma pontinha de curiosidade na história que a amiga ia lhe contar.

– Pois devia. Você nunca ouviu histórias de vampiros? Conheço uma em que o tal vampiro ficava escondido no cemitério, e durante anos, procurou por vítimas e mais vítimas que passavam em frente ao seu majestoso túmulo, mas nunca atacara ninguém, pois esperava a pessoa certa para ser sua “rainha” – Sango começou a colocar mais ímpeto no relato quando percebeu que Kagome fechara o livro de matemática e olhava para ela com a cara mais assustada do mundo, por causa do relato, e por causa da coruja, que estava numa árvore próxima a janela e que olhava para as duas amigas com a cara mais bizarra do mundo –Numa bela noite de lua cheia, em que trovejava e relampejava em demasia, sem sequer ter uma única nuvem no céu...

“Lógico – Kagome pensou já sentindo um sorriso de deboche nascer no canto de seus lábios, mas ao mesmo tempo um calafrio tomar conta de si ao constatar que já era quase meia noite e que deveria voltar pra sua casa sozinha, mas ela tentou se manter fiel às suas convicções – É bem capaz de chover nessas condições que ela disse. Acho que a mãe dela devia levá-la num psiquiatra, eu pago a metade do tratamento”

– Pois então, o tal vampiro viu uma menina passando na rua, mas não era uma menina qualquer, era uma herdeira de sua família, e após constatar que ela era de toda pura, ele decidiu que iria aprisioná-la e fazer dela sua rainha, mesmo contra a vontade.

Kagome soltou uma gargalhada. Que espécie de história maluca era aquela? Vampiros em busca de garotas puras, cemitério, chuva sem nuvem no céu, não restava dúvida: Sango perdera o juízo.

Ao ouvir a gargalhada alta da menina, talvez por deboche, talvez para espantar o início do medo que se instalava dentro dela, a coruja até então quieta, bateu asas e voou, assustando as duas meninas com a impetuosidade do ato do animal, mas Kagome logo voltou a sorrir.

– Pode rir. Tomara que nunca aconteça nada dessas cosias com você. Tomara que nunca nenhuma aberração te procure por aí, porque com certeza você seria muito castigada.

– Sango, eu estou cansada, trabalhei o dia inteiro, e se me permite dizer, não tenho medo de vampiros, eles não me assustam nem um pouco – Nem bem a menina proferiu essas palavras, a luz da casa começou a falhar, dando indícios de que ambas ficariam no escuro, e durante uns poucos segundos, a única coisa que iluminou o quarto de Sango fora a luz do luar.

– Está vendo o que foi que você fez? – Sango perguntou com medo.

– Eu não fiz nada, mas será que nunca acabou a luz na sua casa?

– Depois de uma louca ter blasfemado e tirado sarro de uma crença minha, nunca – ela devolveu marota.

Felizmente, o “apagão” durara apenas alguns segundos e logo a luz voltara.

– Parece que dessa vez tiveram piedade da sua alma – Sango disse como se fosse a coisa mais natural do mundo, e Kagome franziu o cenho numa expressão como “Enlouqueceu”.

Kagome revirou os olhos percebendo que aquela discussão iria longe caso ela estivesse com disposição para tal. Kagome gostava muito de Sango, mas achava extremamente crédula, acreditava em qualquer besteira que lhe contavam, mas o assunto favorito da morena era vampiros, coisa que Kagome era totalmente descrente.

A menina deixou que Sango continuasse seu discurso inflamado sobre lendas e ainda contou a história do tal livro, logicamente Kagome não ouviu nada com os pensamentos na prova do dia seguinte, nem sequer se manifestou naquelas histórias de estacas, alho e crucifixos. Quando finalmente percebeu que Kagome não estava ouvindo, Sango bufou de raiva indo se juntar a amiga nos estudos.

Passaram horas estudando. Kagome era inteligente, e não demorava muito a pegar as coisas, o que era uma sorte, assim não perdia muito tempo estudando e poderia se dedicar mais ao trabalho. Sua mãe e seu avô eram totalmente contra que ela trabalhasse, mas se não fizesse isso, seu irmão, Souta, não poderia continuar estudando.

– E então, Kagome – Sango começou com um sorriso, fechando o livro, enquanto a menina reunia suas coisas para ir embora. – O que você vai fazer no sábado à noite?

– Dormir – Kagome respondeu com monotonia. – Sério, eu não agüento fazer nada!

– Kuranosuke me convidou para dançar – Sango disse sem esconder uma careta de insatisfação. – Mas não estou com vontade de ir, você sabe o que eu acho dele...

– Pois eu acho que você deveria ir – Kagome falou sorrindo. – Você não implica apenas com o Kuranosuke, mas com qualquer um que te chame pra sair! O que você quer afinal? Que o cara tenha olhos vermelhos e caninos afiados?

– Muito engraçado, Kagome – Sango resmungou sem graça. – Não, eu apenas quero alguém com mais personalidade do que o trouxa do Kuranosuke.

– Sei, vai me enganando – Kagome disse descrente. – Você quer é um vampiro mesmo, logo, como eles não existem você vai morrer solteira!

– Tá, Kagome, vai que já está tarde, daqui a pouco sua mãe está ligando pra cá toda preocupada – Sango disse levando a amiga até a porta.

Kagome sorriu. Adorava quando deixava Sango sem resposta. Despediu-se e começou a refazer o caminho até sua casa. Naquela hora tudo ficava mais assustador. As ruas estavam desertas, e para piorar, as luzes dos postes estavam apagadas. Kagome sentiu um arrepio percorrer o seu corpo e tratou de apressar o passo para chegar logo em casa.

A lua cheia era a única fonte de luz, e Kagome tinha que admitir que apesar do medo que sentia andando sozinha, aquela noite estava realmente muito bonita. A lua lá em cima brilhando forte e uma fina garoa caindo...

– Chuva? – Kagome murmurou confusa. Não havia uma única nuvem no céu, como era possível que estivesse chovendo? Era como se chuva caísse do nada, como se fosse... – Sobrenatural? – a menina murmurou nervosa, mas logo balançou a cabeça como se tentasse afastar pensamentos tão absurdos da mente. Sobrenatural! Que bobagem! Aquele tipo de coisa não existia. Se chovia algum motivo deveria ter.

Foi então que percebeu que havia alguém a seguindo. Nervosa e sem saber ao certo o que fazer Kagome começou a andar cada vez mais rápido, e logo estava correndo. O estranho a seguia de perto, e não parecia fazer nenhum esforço. Kagome logo começou a se desesperar, a chuva caia com mais, suas roupas grudavam em seu corpo deixando-a com a sensação de estar bem mais desprotegida. Sua franja também ensopada não ajudava em nada caindo o tempo todo sobre seus olhos.

Kagome sentia que corria, mas que dentro em breve o estranho a alcançaria. Era uma sensação horrível, pois parecia que de nada adiantaria seus esforços de correr toda molhada, temendo que a qualquer momento estivesse nas garras de algum bicho horrendo.

Cansada, e com uma sensação de que logo, o que quer que a estivesse perseguindo fosse alcançá-la, Kagome sentiu uma mão gélida tocar seu ombro:

– Sango! – mas que susto que você me deu – a menina disse cansada e arquejando de tanto correr.

– Pensou que fosse quem, Kagome? O bicho papão? – Sango perguntou marota erguendo a sobrancelha de leve, mas Kagome nada respondeu, tamanho era seu espanto. – Vim te trazer o livro de matemática que você esqueceu em casa.

– Ah, obrigada – Kagome respondeu sem entender nada e com a respiração ofegante, depois disso pegou o livro e continuou o seu caminho até sua casa, perguntado-se se Sango não poderia esperar até o dia seguinte para fazer isso.

Entretanto, a chuva logo voltara a cair mais intensa, e Kagome começou a sentir a mesma sensação de perseguição de era horrível pensar isso, sem contar o coração que parecia querer sair ela boca. Sem pestanejar, a menina apertou o passo, e começou a andar com mais pressa, temendo ser pega a qualquer instante. Mas, tinha quase certeza de que se tratava de mais uma pegadinha de Sango.

“Isso não tem graça, Sango” – Kagome gritou enchendo seus pulmões. Está bem, você venceu. Eu estou com medo de ver algumas daquelas aberrações que você adora, agora pára com isso, por favor – a menina caiu de joelhos em prantos, enquanto a água da chuva se misturava com as lágrimas que caíam de seus olhos.

Quando se levantou para ir embora, depois de muito chorar, a menina sentiu que alguém a segurou pelo braço, e definitivamente, desta vez não era Sango.

– Não é bom uma menina andar sozinha por aí há essa hora... – Kagome congelou ao ouvir uma voz baixa atrás de si. Como ele a alcançara tão rápido? Não se virou para responder, iria continuar como se não fosse com ela, apesar dela ser a única pessoa a andar por ali. – Estou falando com você, humana!

– O quê? – Kagome exclamou, confusa, mas mal teve tempo de se admirar do modo como aquele homem a chamara, pois foi puxada com uma certa violência por ele.

A garota sentiu náuseas quando seu corpo colidiu com o do estranho. O que ele pretendia fazer? Era a única pergunta que passava pela cabeça da garota. Ele era apenas um ladrão? Ou iria desonrá-la? Kagome sentia as pernas fraquejarem só de imaginar aquele imbecil a tocando! Levantou a cabeça para fitar o homem, e se ele não estivesse a segurando certamente teria ido de encontro ao chão.

Apesar da escuridão Kagome podia ver os olhos vermelhos dele brilhando na escuridão.



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