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Uma Boa Amiga
Sango vinha caminhando pela estrada de terra. Se odiava ainda mais do que o odiava. Confiara nele a ponto de partilhar sua vida e seu lar com ele e seu irmão. Agora que estavam livres da influência de Naraku, Kohaku era novamente uma criança normal e feliz, Kagome tinha retornado a seu mundo e Inuyasha estavaao lado de Kikyou, Sango pensou que também tinha o direito de ser feliz e aceitar viver com o monge tarado era o início de uma vida feliz, pelo menos ela pensava assim até vê-lo numa situação nada agradável horas antes.
Saíra de casa bem cedo ao perceber que Miroku não estava dormindo ao seu lado. Kohaku ainda dormia, o dia mal tinha amanhecido. Vestiu-se rápido e saiu de casa percorrendo as vielas estreitas até encontrá-lo no mercado beijando a mão de uma garota pouco mais velha que Kohaku. Não fez escândalo, apenas se afastou assim que ele a viu e sumiu o mais rápido que pôde.
Agora caminhava sem rumo. Se Kagome ainda estivesse por perto poderia aconselhá-la sobre qual atitude tomar. Sem a amiga ao seu lado sentia-se tão perdida. Pensou que podia ter pedido pra ir embora com ela. Viver em outra época podia ser divertido, mas e Kohaku? E Miroku? Ela não agüentaria viver sem eles.
Olhou em volta e avistou a casa onde Inuyasha e Kikyou viviam. Não tinha intimidade suficiente com a sacerdotisa e em seu intimo não gostava muito dela, achava que ela tomara o lugar de Kagome. Ainda pensava sobre qual decisão tomar quando um toque gentil em seu ombro a fez virar-se. Era a sacerdotisa. Bela e misteriosa como sempre.
Kikyou? O que faz aqui?
Eu é quem pergunto. Você está em frente a minha casa. Algum problema? Algo te ameaça?
Não. Me desculpe. Eu parei aqui sem perceber, já estou indo embora.
Espere, Sango. Não quer conversar? Você parece preocupada com alguma coisa.
É que o... Esquece. Eu não vou falar dos meus problemas banais a alguém tão importante e ocupado como você.
Sango, eu sei que nunca fomos amigas, sei o quanto você gosta de Kagome e me considera uma intrusa, mas acho que posso ser boa ouvinte.
Problemas estúpidos de uma mulher estúpida, só isso.
O que o monge aprontou dessa vez?
Como sabe...
Não é preciso muita inteligência para perceber que seu problema só pode ser ele. Kohaku é novamente uma criança viva e feliz, então o que mais poderia ser? A ameaça de algum youkai maligno?
Eu acordei hoje cedo e não o vi. Saí pelas ruas e oencontrei beijando a mão de uma criança.
Uma criança?
Uma garotinha que devia ter a idade do meu irmão. Ele é doente ou o quê?
Tem certeza que ele a estava cortejando ou assediando?
Mas é claro! Miroku só se aproxima de uma mulher bonita apenas pra isso, mesmo que ela ainda use fraldas.
Sango, mais uma vez peço desculpas por me intrometer em sua vida, mas você nem ao menos conversou com ele?
Pra quê? Ele ia dizer que ela era “apenas uma amiga.” Inimiga é que não podia ser!
Não sei, mas acho que deviam conversar. Nossos olhos muitas vezes nos enganam.
Desculpe Kikyou, agradeço a conversa, mas tenho que ir.
Kikyou a cumprimentou com a cabeça e voltou paracasa enquanto Sango voltava para a sua.
Ainda pensava nas palavras da sacerdotisa. Kagome certamente diria que o espancasse, que ele era um tarado sem vergonha e merecia apanhar, mas Kikyou dizia que ela conversasse civilizadamente com ele. Pra quê? Ele ia mentir do mesmo jeito!
Voltou pra casa. Kohaku tinha ido pescar, ele tinha dito que faria isso assim que acordasse. Sango olhou em todos os cômodos e não viu sinal de Miroku. O monge ainda devia estar se divertindo com a garota do mercado. Tinha mesmo que surrá-lo e depois jogá-lo na rua e pra fora de sua vida definitivamente.
Percebeu flores recém colhidas num pequeno vaso em cima da mesa. Não estavam lá antes. Ao chegar mais perto para cheirá-las Miroku se aproximou e a agarrou pela cintura. Sango se assustou, pensou em bater nele, mas se controlou. Ficou estática e Miroku sentindo a frieza a soltou.
Minha querida exterminadora de youkais tem um minuto pra esse pobre servo?
Um minuto e nem um segundo a mais!
Ficou muito braba ao me ver conversando com a garota?
Conversando? Você beijou a mão dela. Propôs ter um filho com ela também?
Ah, Sango. Você sabe que eu não sou mais assim. Pra que vou propor filhos a mulheres que não me interessam?
Pensa que me engana? Eu vi quando você a cortejava!
Você viu quando eu agradeci a ela.
Agradeceu o quê?
Isso!
Ele segurou a mão de Sango, a abriu e colocou na palma uma pedra com um pequeno aro dourado na parte de cima.
O que é isso?
Ganhei essa pedra como pagamento por ter orado pela alma de uma princesa suicida. Seu pai ficou muito grato e me deu essa esmeralda. Com um pouco das minhas economias pedi aquela garota, cujo pai é negociante de jóias que colocasse um aro de ouro nessa pedra para que você pudesse usar no pescoço. Ela me avisou que seu pai não ia cobrar nada porque segundo ele minhas orações trouxeram prosperidade para essa aldeia.
Então era só isso?
Sim, mocinha ciumenta. Será que você sempre vai achar que sou um monge pervertido?
Claro que sim, mas seja pervertido somente entre quatro paredes e comigo.
Agarrou-o pelo pescoço e o beijoucom paixão. E por um instante lembrou-se de Kikyou. Ela seria uma boa amiga.
Fim
Nota: Bem, isso aqui foi meu primeiro fic Sango e Miroku. E lógico, eu não podia deixar de incluir a Kikyou nele.
Feliz aniversário atrasado, Tsuki Koorime! Ficou simples, mas é de coração.