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Além do preconceito
Por Kk-chan.
Revisada por Mary Ogawara.
Para Melyssa-Li.
Capítulo 12
Não se arrependa do que não fez
Nota da autora: Estamos cada vez mais próximos do fim. Yay!
O carro no qual Sesshoumaru e Kagome estavam na hora da batida era dele e, portanto, ou Sesshoumaru voltava pra casa com Miroku e Sango ou não voltava – obviamente que ele não ia pedir carona a Inuyasha...
-O cara cortou o sinal? – Miroku perguntou.
-Isso. Bateu bem do lado do banco do passageiro... – Sesshoumaru explicou.
-Por isso só Kagome se machucou... – Sango deduziu.
-Exatamente.
-Mas, Sesshoumaru, mesmo não aparentando nada errado, você também levou uma boa chacoalhada... Não seria melhor fazer uns exames só pra garantir? – Miroku aconselhou Sesshoumaru.
-Eu conversei com os médicos antes de vocês chegaram e eles fizeram um exame rápido.
-Então está tudo bem? – Sango mostrava-se apreensiva.
-Sim, estou bem... Mas eu realmente preferia que a batida tivesse sido do meu lado do carro.
Sesshoumaru não escondia a preocupação e, embora ele não tivesse provocado o acidente, sentia-se culpado pelo que acontecera com Kagome. Era ele quem estava dirigindo, afinal, talvez pudesse ter evitado de alguma forma – pensou.
-Mas e como ficou o cara? Se machucou? Se ofereceu pra pagar alguma coisa? – Miroku quis saber.
-Ele estava desacordado na hora, não deu pra conversar com ele. A ambulância o levou, mas parece que ele está bem.
-Que safado! Aposto como ele fingiu que tava dormindo!
-Miroku! – Sango deu uma cotovelada em Miroku como sinal de repreensão ao comportamento do marido.
-Calma, Sangozinha! Foi só pra descontrair...
Os três mergulharam num silêncio incômodo por alguns minutos, um olhando pro outro sem muita expressividade. Sango chegou a abrir a boca e esboçar algumas palavras por várias vezes, mas manteve-se calada.
-Aproveitando que estamos só nós três aqui... – Sesshoumaru começou depois de um tempo – Eu queria conversar com vocês.
Sango e Miroku se entreolharam como quem diz “é agora”.
-Nós já sabemos, Sesshoumaru. – Sango disse, secamente.
-Sabem? – ele arqueou uma sobrancelha.
-Sabemos sobre você a Rin. – Miroku completou.
Sesshoumaru encarou intrigado o casal por um breve momento. Esperava que eles desconfiassem de algo, mas não pensou que eles fossem ser tão diretos a respeito do assunto. De qualquer forma, quanto menos rodeios melhor – pensou.
-E o que vocês acham? – ele perguntou, sem deixar de olhar os dois nos olhos.
Não houve resposta.
-Se vocês já sabiam, é bem provável que têm alguma opinião formada.
-Não posso dizer que não aprovo. – Sango afirmou – Mas devo confessar que fiquei um tanto incomodada por não nos contarem antes.
-Sabemos que você não é de fazer besteiras... – Miroku explicou – Só achamos que não custaria nada ter conversado com a gente, entende?
-De qualquer maneira, nada aconteceu. – Sesshoumaru avisou como que tentando tranqüilizar os pais de Rin.
Miroku e Sango procuraram não esboçar nenhuma reação, mas Sesshoumaru tinha certeza de que – por dentro – eles deviam estar pulando de felicidade.
-Então vocês estariam “ok” caso Rin e eu realmente nos envolvêssemos em algo mais sério?
-“Caso”...? – Sango lançou a ele um olhar de “que história é essa de se aproveitar da minha filhinha e não assumir nenhuma responsabilidade, seu animal imundo?!”.
-É possível que ela não tenha comentando a respeito disso com vocês, mas já faz 1 semana que não me deixa falar com ela.
-Por quê? – Miroku tinha uma expressão parecida com a de Sango – Você fez alguma coisa a ela?
-Pra ser completamente sincero, até ontem não tinha idéia alguma do que ela estava pensando. – Sesshoumaru tentou se justificar de algo que não fez – Entretanto, ontem ela atendeu o celular e começou a falar umas coisas que não faziam sentido...
-Durante a festa? – Sango perguntou.
-É bem provável que sim. Foi pouco antes de eu ligar para vocês.
-E o que ela disse?
-Ficou falando a respeito de uma “mulherzinha”, mas não me disse de quem se tratava. Cheguei a pensar que falava de Kagura, mas na noite em que eu saí com ela nós...
-Já sabemos!
-Não precisamos dos detalhes!
Sango e Miroku o interromperam em um ato de autoproteção. Aceitar que a sua menininha já não era mais uma criança era uma coisa, ficar sabendo das coisas que ela fazia que não mais a classificavam como uma criança era outra completamente diferente...
-Enfim, é por isso que acredito que não seja de Kagura que ela esteja falando, se é que me entendem.
-Entendemos!
-Perfeitamente!
Miroku e Sango ainda permaneciam visivelmente encabulados.
-Você precisa conversar com ela. – Sango sugeriu – Saber do que ela estava falando.
-É como eu já disse, Sango, se ela não quer, não posso forçá-la a falar comigo.
-Cara, tem certeza de que não sabe do que ela está falando? Será que ela não viu algo “que não deveria ter visto”? – Miroku procurou esquecer que estava falando da própria filha por um segundo.
-Não sei qual é o tipo de homem que você acha que eu sou... – Sesshoumaru disse, parecendo incomodado com as suspeitas do amigo – Mas tenho absoluta certeza de que não partiu de mim o que quer que seja que despertou esse comportamento em Rin, Miroku.
-Acreditamos em você, Sesshoumaru. – Sango se justificou – Mas tem que entender que é da nossa filha que estamos falando.
-Compreendo perfeitamente, Sango, e é por isso, acima de qualquer coisa, que espero que vocês dois também entendam que eu não apostaria numa loucura com esta caso não tivesse total confiança de que é o que quero. No passado, já cheguei a tratar mulheres de uma forma da qual não sinto orgulho, mas isto é diferente. Não é uma brincadeira, não tenho intenção alguma de magoá-la.
Miroku e Sango não puderam deixar de confiar nas intenções do amigo, que pareciam ser as mais verdadeiras.
-Nós vamos ajudar você.
No hospital, Rin e Inuyasha continuavam no quarto de Kagome, que ainda não acordara. Segundo os médicos, entretanto, a garota estava perfeitamente bem, à exceção dos ferimentos no braço esquerdo.
Inuyasha estava muito preocupado, beirando o desespero. O irmão mais novo de Sesshoumaru sempre reagiu exageradamente a tudo, especialmente quando se tratava de Kagome. Prova disso é que Rin nem se espantou quando o viu pular da poltrona assim que sua esposa abriu os olhos.
-Kagome?! Meu amor, está tudo bem? Como se sente? Quer que eu traga alguma coisa pra você comer? Beber? Está com frio? Precisa de outro cobertor? Este travesseiro está confortável?
-Inuyasha... – Kagome o interrompeu com uma voz fraca – Estou bem.
Inuyasha sorriu com os olhos cheios de lágrimas e beijou Kagome nos lábios de leve.
-Rin também veio te ver, amor. – ele apontou para a garota sentada no sofá do outro lado da cama – Miroku, Sango e o idiota do meu irmão também vieram, mas já foram embora.
-Olá, Rin-chan. – Kagome sorriu – Obrigada por vir.
-Tem certeza que está bem? – Rin tornou a fazer a pergunta de Inuyasha.
-Não se preocupem, não estou sentindo nada no momento... Só um pouco de sede.
-Vou agora mesmo buscar água pra você. – Inuyasha decretou – E gelo! E suco! E refrigerante! Ou será que não pode tomar refrigerante? E se for diet, pode? E light? Vou perguntar ao doutor, já volto!
Rin e Kagome não puderam deixar de rir de Inuyasha, que saiu mais que depressa do quarto à procura de um médico que pudesse lhe informar qual a seria a bebida mais adequada para acabar com sede da sua amada.
-Acho que ele não demora muito a voltar, mas se quiser posso buscar um copo d’água pra você agora... – Rin se ofereceu.
-Não, não, está tudo bem. Eu espero.
Kagome sentou-se na cama, apoiando as costas na montanha de travesseiros arrumada por Inuyasha logo atrás de si.
-Sabe... – ela começou a falar – Nessa última semana que passou percebi que Sesshoumaru estava bem mais impaciente do que de costume.
-É mesmo? – Rin “fez que não era com ela”.
-É... Além disso, notei que ele não saiu pra almoçar fora nenhum dia. E pra completar, nunca o vi tão grudado no celular como nesses últimos dias.
-Hum...
-Vocês estão brigados? – Kagome resolveu ir direto ao ponto.
-Brigados? Como assim?
-Ora, Rin-chan. Não acho que seja tão ingênua a ponto de acreditar que ninguém saiba o que há entre vocês dois...
A expressão de surpresa de Rin foi nítida.
-Parece que me enganei... – Kagome sorriu.
-Então você...?
-Claro que sabia.
-Os meus pais...?
-É bem provável que eles também saibam... – ela alertou a garota – Miroku e Sango não são duas pessoas fáceis de enganar.
-Torço pra que esteja enganada. – Rin parecia bastante nervosa.
-E você pretendia esconder deles pra sempre, é?
-Não, não! Eu pretendia contar, mas... – os olhos da garota encheram-se de lágrimas – Já que não há mais o que contar, seria melhor se eles ficassem sem saber...
-Então vocês estão realmente brigados...
-Não é bem isso. Não brigamos. Apenas me afastei, pois não quero mais me envolver com ele.
-E por quê fez isso? Pensei que gostasse dele...
-Eu gosto... Mais que isso, eu... – houve uma pausa – Mas não é isso que importa, já que ele nunca ia querer ficar com uma menina como eu.
- Ele disse isso a você?
-Não, mas fizeram o favor de dizer por ele...
-Do que está falando, Rin-chan? Quem te disse uma coisa dessas?
-Aquela mulher chamada Kagura... Ela me disse que quando conversou com Sesshoumaru-sama... – o tratamento saiu de forma forçada – Ele se referiu a mim como seu “novo passatempo”... Que estava comigo por diversão e que não duraria muito.
-Que coisa horrível! Quem essa mulher pensa que é? – Kagome se exaltou – Rin-chan, você não acredita que Sesshoumaru tenha dito algo desse tipo, acredita?!
-De início não acreditei, Kagome-sama... Quer dizer, acho que não queria acreditar...
-E por que não falou com ele? Você nem ao menos perguntou se era verdade?
-Não pensei nisso na hora... E depois de pensar, confesso que o que ela disse fez um pouco de sentido... Afinal, o que ele ia querer com uma menina sem graça como eu? Achei melhor facilitar as coisas... Pelo menos assim não vou sair machucada no final. – Rin tentou passar uma segurança que não possuía.
-Mas... Você já não está magoada agora...?
A resposta para a pergunta de Kagome não veio. Na sua frente, a garota viu Rin esconder o rosto por entre as mãos e chorar.
-Rin-chan... Tenho certeza de que isso não é verdade. Dê uma chance a Sesshoumaru de se explicar... Se ele realmente não quer nada, por quê ele ainda não está com aquela mulher mesmo depois que você o deixou? Se ele realmente não gosta de você, por quê passou a semana tentando entrar em contato?
-Não sei...
-O único jeito de saber é conversando com ele, Rin. Não há outra saída.
-Não tenho coragem, Kagome-sama. – Rin continuou a chorar – Tenho medo da resposta...
-Quando o Inuyasha veio falar comigo pela primeira vez, ele me disse uma coisa que lembro até hoje...
Kagome, que havia levantado da cama e sentando no sofá ao lado de Rin, levantou o rosto da garota e sorriu para ela:
-Ele disse que tinha receio de que eu não sentisse nada por ele, mas que mesmo que tudo desse errado a única coisa que ele não queria era se arrepender de algo que não fez...
Nota da autora: Pensaram que não ia mais sair nenhum capítulo? Eu também... Não sei se choro ou rio... Até a próxima (ou devo dizer, o “próximo”?).