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Kk-chan
Author of 3 Stories

Rated: K+ - Portuguese - Romance/Drama - Reviews: 166 - Updated: 03-23-08 - Published: 05-12-05 - id:2391329

Além do preconceito


Por Kk-chan.

Revisada por Mary Ogawara.

Para Melyssa-Li.


Capítulo 12

Não se arrependa do que não fez


Nota da autora: Estamos cada vez mais próximos do fim. Yay!

O carro no qual Sesshoumaru e Kagome estavam na hora da batida era dele e, portanto, ou Sesshoumaru voltava pra casa com Miroku e Sango ou não voltava – obviamente que ele não ia pedir carona a Inuyasha...

-O cara cortou o sinal? – Miroku perguntou.

-Isso. Bateu bem do lado do banco do passageiro... – Sesshoumaru explicou.

-Por isso só Kagome se machucou... – Sango deduziu.

-Exatamente.

-Mas, Sesshoumaru, mesmo não aparentando nada errado, você também levou uma boa chacoalhada... Não seria melhor fazer uns exames só pra garantir? – Miroku aconselhou Sesshoumaru.

-Eu conversei com os médicos antes de vocês chegaram e eles fizeram um exame rápido.

-Então está tudo bem? – Sango mostrava-se apreensiva.

-Sim, estou bem... Mas eu realmente preferia que a batida tivesse sido do meu lado do carro.

Sesshoumaru não escondia a preocupação e, embora ele não tivesse provocado o acidente, sentia-se culpado pelo que acontecera com Kagome. Era ele quem estava dirigindo, afinal, talvez pudesse ter evitado de alguma forma – pensou.

-Mas e como ficou o cara? Se machucou? Se ofereceu pra pagar alguma coisa? – Miroku quis saber.

-Ele estava desacordado na hora, não deu pra conversar com ele. A ambulância o levou, mas parece que ele está bem.

-Que safado! Aposto como ele fingiu que tava dormindo!

-Miroku! – Sango deu uma cotovelada em Miroku como sinal de repreensão ao comportamento do marido.

-Calma, Sangozinha! Foi só pra descontrair...

Os três mergulharam num silêncio incômodo por alguns minutos, um olhando pro outro sem muita expressividade. Sango chegou a abrir a boca e esboçar algumas palavras por várias vezes, mas manteve-se calada.

-Aproveitando que estamos só nós três aqui... – Sesshoumaru começou depois de um tempo – Eu queria conversar com vocês.

Sango e Miroku se entreolharam como quem diz “é agora”.

-Nós já sabemos, Sesshoumaru. – Sango disse, secamente.

-Sabem? – ele arqueou uma sobrancelha.

-Sabemos sobre você a Rin. – Miroku completou.

Sesshoumaru encarou intrigado o casal por um breve momento. Esperava que eles desconfiassem de algo, mas não pensou que eles fossem ser tão diretos a respeito do assunto. De qualquer forma, quanto menos rodeios melhor – pensou.

-E o que vocês acham? – ele perguntou, sem deixar de olhar os dois nos olhos.

Não houve resposta.

-Se vocês já sabiam, é bem provável que têm alguma opinião formada.

-Não posso dizer que não aprovo. – Sango afirmou – Mas devo confessar que fiquei um tanto incomodada por não nos contarem antes.

-Sabemos que você não é de fazer besteiras... – Miroku explicou – Só achamos que não custaria nada ter conversado com a gente, entende?

-De qualquer maneira, nada aconteceu. – Sesshoumaru avisou como que tentando tranqüilizar os pais de Rin.

Miroku e Sango procuraram não esboçar nenhuma reação, mas Sesshoumaru tinha certeza de que – por dentro – eles deviam estar pulando de felicidade.

-Então vocês estariam “ok” caso Rin e eu realmente nos envolvêssemos em algo mais sério?

-“Caso”...? – Sango lançou a ele um olhar de “que história é essa de se aproveitar da minha filhinha e não assumir nenhuma responsabilidade, seu animal imundo?!”.

-É possível que ela não tenha comentando a respeito disso com vocês, mas já faz 1 semana que não me deixa falar com ela.

-Por quê? – Miroku tinha uma expressão parecida com a de Sango – Você fez alguma coisa a ela?

-Pra ser completamente sincero, até ontem não tinha idéia alguma do que ela estava pensando. – Sesshoumaru tentou se justificar de algo que não fez – Entretanto, ontem ela atendeu o celular e começou a falar umas coisas que não faziam sentido...

-Durante a festa? – Sango perguntou.

-É bem provável que sim. Foi pouco antes de eu ligar para vocês.

-E o que ela disse?

-Ficou falando a respeito de uma “mulherzinha”, mas não me disse de quem se tratava. Cheguei a pensar que falava de Kagura, mas na noite em que eu saí com ela nós...

-Já sabemos!

-Não precisamos dos detalhes!

Sango e Miroku o interromperam em um ato de autoproteção. Aceitar que a sua menininha já não era mais uma criança era uma coisa, ficar sabendo das coisas que ela fazia que não mais a classificavam como uma criança era outra completamente diferente...

-Enfim, é por isso que acredito que não seja de Kagura que ela esteja falando, se é que me entendem.

-Entendemos!

-Perfeitamente!

Miroku e Sango ainda permaneciam visivelmente encabulados.

-Você precisa conversar com ela. – Sango sugeriu – Saber do que ela estava falando.

-É como eu já disse, Sango, se ela não quer, não posso forçá-la a falar comigo.

-Cara, tem certeza de que não sabe do que ela está falando? Será que ela não viu algo “que não deveria ter visto”? – Miroku procurou esquecer que estava falando da própria filha por um segundo.

-Não sei qual é o tipo de homem que você acha que eu sou... – Sesshoumaru disse, parecendo incomodado com as suspeitas do amigo – Mas tenho absoluta certeza de que não partiu de mim o que quer que seja que despertou esse comportamento em Rin, Miroku.

-Acreditamos em você, Sesshoumaru. – Sango se justificou – Mas tem que entender que é da nossa filha que estamos falando.

-Compreendo perfeitamente, Sango, e é por isso, acima de qualquer coisa, que espero que vocês dois também entendam que eu não apostaria numa loucura com esta caso não tivesse total confiança de que é o que quero. No passado, já cheguei a tratar mulheres de uma forma da qual não sinto orgulho, mas isto é diferente. Não é uma brincadeira, não tenho intenção alguma de magoá-la.

Miroku e Sango não puderam deixar de confiar nas intenções do amigo, que pareciam ser as mais verdadeiras.

-Nós vamos ajudar você.


No hospital, Rin e Inuyasha continuavam no quarto de Kagome, que ainda não acordara. Segundo os médicos, entretanto, a garota estava perfeitamente bem, à exceção dos ferimentos no braço esquerdo.

Inuyasha estava muito preocupado, beirando o desespero. O irmão mais novo de Sesshoumaru sempre reagiu exageradamente a tudo, especialmente quando se tratava de Kagome. Prova disso é que Rin nem se espantou quando o viu pular da poltrona assim que sua esposa abriu os olhos.

-Kagome?! Meu amor, está tudo bem? Como se sente? Quer que eu traga alguma coisa pra você comer? Beber? Está com frio? Precisa de outro cobertor? Este travesseiro está confortável?

-Inuyasha... – Kagome o interrompeu com uma voz fraca – Estou bem.

Inuyasha sorriu com os olhos cheios de lágrimas e beijou Kagome nos lábios de leve.

-Rin também veio te ver, amor. – ele apontou para a garota sentada no sofá do outro lado da cama – Miroku, Sango e o idiota do meu irmão também vieram, mas já foram embora.

-Olá, Rin-chan. – Kagome sorriu – Obrigada por vir.

-Tem certeza que está bem? – Rin tornou a fazer a pergunta de Inuyasha.

-Não se preocupem, não estou sentindo nada no momento... Só um pouco de sede.

-Vou agora mesmo buscar água pra você. – Inuyasha decretou – E gelo! E suco! E refrigerante! Ou será que não pode tomar refrigerante? E se for diet, pode? E light? Vou perguntar ao doutor, já volto!

Rin e Kagome não puderam deixar de rir de Inuyasha, que saiu mais que depressa do quarto à procura de um médico que pudesse lhe informar qual a seria a bebida mais adequada para acabar com sede da sua amada.

-Acho que ele não demora muito a voltar, mas se quiser posso buscar um copo d’água pra você agora... – Rin se ofereceu.

-Não, não, está tudo bem. Eu espero.

Kagome sentou-se na cama, apoiando as costas na montanha de travesseiros arrumada por Inuyasha logo atrás de si.

-Sabe... – ela começou a falar – Nessa última semana que passou percebi que Sesshoumaru estava bem mais impaciente do que de costume.

-É mesmo? – Rin “fez que não era com ela”.

-É... Além disso, notei que ele não saiu pra almoçar fora nenhum dia. E pra completar, nunca o vi tão grudado no celular como nesses últimos dias.

-Hum...

-Vocês estão brigados? – Kagome resolveu ir direto ao ponto.

-Brigados? Como assim?

-Ora, Rin-chan. Não acho que seja tão ingênua a ponto de acreditar que ninguém saiba o que há entre vocês dois...

A expressão de surpresa de Rin foi nítida.

-Parece que me enganei... – Kagome sorriu.

-Então você...?

-Claro que sabia.

-Os meus pais...?

-É bem provável que eles também saibam... – ela alertou a garota – Miroku e Sango não são duas pessoas fáceis de enganar.

-Torço pra que esteja enganada. – Rin parecia bastante nervosa.

-E você pretendia esconder deles pra sempre, é?

-Não, não! Eu pretendia contar, mas... – os olhos da garota encheram-se de lágrimas – Já que não há mais o que contar, seria melhor se eles ficassem sem saber...

-Então vocês estão realmente brigados...

-Não é bem isso. Não brigamos. Apenas me afastei, pois não quero mais me envolver com ele.

-E por quê fez isso? Pensei que gostasse dele...

-Eu gosto... Mais que isso, eu... – houve uma pausa – Mas não é isso que importa, já que ele nunca ia querer ficar com uma menina como eu.

- Ele disse isso a você?

-Não, mas fizeram o favor de dizer por ele...

-Do que está falando, Rin-chan? Quem te disse uma coisa dessas?

-Aquela mulher chamada Kagura... Ela me disse que quando conversou com Sesshoumaru-sama... – o tratamento saiu de forma forçada – Ele se referiu a mim como seu “novo passatempo”... Que estava comigo por diversão e que não duraria muito.

-Que coisa horrível! Quem essa mulher pensa que é? – Kagome se exaltou – Rin-chan, você não acredita que Sesshoumaru tenha dito algo desse tipo, acredita?!

-De início não acreditei, Kagome-sama... Quer dizer, acho que não queria acreditar...

-E por que não falou com ele? Você nem ao menos perguntou se era verdade?

-Não pensei nisso na hora... E depois de pensar, confesso que o que ela disse fez um pouco de sentido... Afinal, o que ele ia querer com uma menina sem graça como eu? Achei melhor facilitar as coisas... Pelo menos assim não vou sair machucada no final. – Rin tentou passar uma segurança que não possuía.

-Mas... Você já não está magoada agora...?

A resposta para a pergunta de Kagome não veio. Na sua frente, a garota viu Rin esconder o rosto por entre as mãos e chorar.

-Rin-chan... Tenho certeza de que isso não é verdade. Dê uma chance a Sesshoumaru de se explicar... Se ele realmente não quer nada, por quê ele ainda não está com aquela mulher mesmo depois que você o deixou? Se ele realmente não gosta de você, por quê passou a semana tentando entrar em contato?

-Não sei...

-O único jeito de saber é conversando com ele, Rin. Não há outra saída.

-Não tenho coragem, Kagome-sama. – Rin continuou a chorar – Tenho medo da resposta...

-Quando o Inuyasha veio falar comigo pela primeira vez, ele me disse uma coisa que lembro até hoje...

Kagome, que havia levantado da cama e sentando no sofá ao lado de Rin, levantou o rosto da garota e sorriu para ela:

-Ele disse que tinha receio de que eu não sentisse nada por ele, mas que mesmo que tudo desse errado a única coisa que ele não queria era se arrepender de algo que não fez...


Nota da autora: Pensaram que não ia mais sair nenhum capítulo? Eu também... Não sei se choro ou rio... Até a próxima (ou devo dizer, o “próximo”?).



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