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Shampoo-chan
Author of 34 Stories

Rated: T - Portuguese - Mystery/Fantasy - Sesshomaru & Rin - Reviews: 208 - Updated: 04-13-09 - Published: 05-24-05 - id:2407583

Damashi no Mori

Capítulo 12: O demônio tem novo nome

Para Rin-chan

-Uma humana?? – a sacerdotisa arregalou os olhos, tomada pelo susto. O que uma garota fazia ali na frente de um demônio, com os braços abertos, correndo o risco de ser perfurada por uma poderosa flecha?

Foi então que murmurou:

-... defendendo um...? – ela franziu a testa e levantou novamente o arco antes de completar a frase.

No entanto, para o azar dela, Sesshoumaru não estava mais ali, atrás de Rin. Noutro instante, ela sentiu uma dor terrível tomar o braço que segurava a flecha e precisou soltá-la. A mão que segurava o arco foi parar atrás das costas dela. O demônio a rendera.

-Eu não me importo nem um pouco se quer me matar com um truque infantil desses... – a voz iniciou fria, depois se tornou severa – Mas se machucar a garota, essa brincadeira vai custar os olhos da sua cara.

-Ahh... – ela murmurou entre os dentes. E agora? O que vai acontecer com ela? Tentou novamente se defender, mas a dor era insuportável demais. Rin observava a cena apreensiva. Seria Sesshoumaru capaz de matar uma humana? Ele teve todas as oportunidades possíveis para fazer o mesmo com ela, mas não o fez... Por que aconteceria isso agora?

Toda apreensão foi embora ao ver o arco e a flecha escorregarem das mãos da sacerdotisa em sinal de redenção. A mulher havia entendido que não teria chances se lutasse sozinha.

-Só queremos saber do han’yo. Sinto o cheiro dele por aqui. – Sesshoumaru ainda parecia bastante zangado com toda situação – Leve-nos até ele.

Rin percebeu, então, que o braço da outra mulher relaxou. Os dedos do lorde deixaram marcas na pele branca, as garras fizeram arranhões em alguns pontos. Era evidente que ele não brincara na hora de ameaçar. Mas era estranho: era por causa realmente de InuYasha que ele estava fazendo aquilo, por causa do irmão? O que ela já sabia, depois de algumas semanas naquele grupo, é que os dois viviam em conflito, e há décadas não se viam e nem procuraram se ver.

Por que essa mudança tão repentina de atitude?

-Nem pense em reagir, ou o outro segundo será fatal. – ele avisou à mulher, que seguia em frente e o olhou por cima do ombro quando começaram a fazer caminho por entre as árvores. Ela não parecia assustada, mas também não estava calma. O que intrigava era o fato de ela ter lançado naquele momento um olhar tão ameaçador quanto os de Sesshoumaru. Será que ela não tinha medo e não levava a sério o que poderia acontecer com ela?

-Er... desculpe... – Rin a fez parar de trilhar ao se fazer presente. Era a primeira vez que abria a boca desde que quase virou o alvo das flechas dela – Mas quem é você?

Não houve uma resposta imediata. A sacerdotisa a analisava de uma forma que nem Sesshoumaru fizera na primeira vez que se falaram. Parecia que queria ler os pensamentos de Rin, saber mais sobre ela, se poderia mesmo dar aquela informação.

-Kikyo. – finalmente ela se apresentara.

Rin franziu a testa, ficara contente de ver mais alguém normal naquele lugar horrível. Curvou-se educadamente:

-Meu nome é Rin. Muito prazer.

Silêncio.

-Não queremos lutar, só esclarecer as coisas. E... – ela deu uma pausa, umedeceu os lábios e escolheu as palavras – Queremos InuYasha de volta... Ele não atacou você, atacou?

Nisso, o olhar da mulher de estreitou numa dúvida.

-“InuYasha”? – ela repetiu, depois deu uma risada ao fechar os olhos. Parecia satisfeita com alguma coisa – Então ele dizia a verdade...

-Hã? – Rin arregalou os olhos. Kikyo e ela se encaravam.

-Nós estávamos à procura do outro... – Kikyo notou a forma como Rin olhou para Sesshoumaru, pensando que a referência era para ele – Não, é “ele”.

Rin piscou sem entender. Sesshoumaru se aproximou da sacerdotisa.

-Leve-me até meu irmão. Este Sesshoumaru deseja também falar a respeito disso.


Há quanto tempo – horas – InuYasha se encontrava preso ali? A palavra era literalmente a correta: aquelas cadelas que se nomeavam sacerdotisas o prenderam ali sem que ele tivesse sequer chance de defesa e se explicar.

Na verdade, a parte do cativeiro tinha sido conseqüência de ter tentado atacá-las após o primeiro ataque delas. Mas não foi culpa dele! E elas ainda o chamavam de um nome muito estranho...

E agora ele não conseguia se mexer. Estava preso numa parede de madeira, com uma flecha em cada membro dele. Sangrava e doía a cada movimento que tentava fazer, provavelmente efeito de algum estranho poder espiritual.

E a pessoa responsável por prender InuYasha estava calmamente sentada em frente a ele, meditando profundamente como se não escutasse as reclamações de dor dele. Era até possível que estivesse dentro de alguma barreira espiritual, o que possivelmente impediria alguma chance de Sesshoumaru sentir o cheiro dele e tentar localizá-lo.

Mas o que diabos estava pensando? Sesshoumaru estaria preocupado com ele, com InuYasha, o irmão que não quis procurar durante quase cem anos desde a última vez que se encontraram, quando aquela humana que Sesshoumaru tomou como esposa morrera?

-Você não come nada? – ele resolveu de novo puxar assunto com a garota. Era incrivelmente parecida com a outra mulher que o atacara. Era possível existir gente assim, idêntica à outra, entre os humanos?

Apenas uma sobrancelha se ergueu: ela estava ainda concentrada na tarefa de manter a barreira espiritual.

-Guria, se não tem fome, eu tenho. – ele resmungou – Tem alguma coisa aí que eu possa comer?

Os olhos dela se abriram lentamente. Era possível sentir a ameaça, mas não de sentir medo. Pelos deuses, aquela era uma humana, como é que InuYasha poderia sentir medo dela, a mais primitiva das sensações daquela raça?

-Quié? Acabou a força pra manter a barreira?

-Como sabe que estamos numa?

-Meu irmão poderia chegar a qualquer hora aqui, caso não tivesse uma aqui... Olhe... – ele tentou se mexer e gemeu de dor – Não sei o que fiz pra vocês... Ataquei algum vilarejo? Eu não lembro de ter feito isso nos últimos... Cinqüenta anos, se é que me entende, e eu senti o cheiro de vocês, as duas não têm nem 20 anos humanos.

A garota não respondeu. Manteve a serenidade diante e escutou um suspiro dele.

Novamente, InuYasha tentou se mexer. A cada tentativa, muitas gotas de sangue caiam das feridas e provocavam-lhe pontadas de dor dilacerante. Era carne sendo rasgada, e não era possível a regeneração por causa das flechas.

E tinha muito mais sangue escorrendo para o chão. O piso de madeira não era mais marrom-amarelado naquela barreira, mas sim de uma tonalidade de carmim fresco. O lugar estava impregnado pelo cheiro de sangue. Um filete vermelho escorria pelo chão e se aproximava da garota.

-Tou com fome... – ele resmungou novamente – Tem alguma coisa pra comer aí?

-Eu sei o que pretende fazer. – ela afirmou – Quer que eu saia da barreira para que ela enfraqueça e possa me atacar, não?

-Dá pra fazer isso? – o rosto dele ficou estranhamente maligno – Obrigado pela informação, guria.

-Enquanto estiver com as flechas, não vai poder se mexer até minha irmã chegar.

-Olha... – outro suspiro veio por parte dele – ‘Tá na cara que vocês ‘tão me confundindo com outro demônio... Tou falando sério, eu não lembro de ter encontrado nenhuma das duas e nem ter atacado humanos... Nunca matei nenhum, até porque vai contra minha natureza.

-Sua “natureza”? – ela repetiu – E desde quando tem você o direito de falar isso? E ainda por cima com todas essas mentiras, seu demônio!

A expressão enfatizada era obviamente para ofender. InuYasha riu debochadamente, o que muito a irritou.

-Acha engraçada a sua situação?

-Acho engraçado o que ‘cê ‘tá fazendo.

-O quê? – ela ergueu a sobrancelha novamente.

-‘Cês pegam um meio-demônio como eu – nisso, ele viu a testa dela franzir numa dúvida – prendem numa parede e acham que já venceram só porque ele tá com fome, quieto até ‘cê cansar e na primeira oportunidade ele pegar as duas dormindo... e eu num vou nem me estender nos detalhes do que ele pode fazer depois.

Ficaram em silêncio.

-Maldição! – ele se irritou e se debatia, querendo se soltar da parede – Me solta daqui, guria!

-Uma pena que não possa matá-lo até minha irmã voltar. – ela armou o arco e preparou uma flecha para disparar – Mas acho que vou ter que fazer você “dormir” enquanto ela não vem.

Viu um sorriso maligno dele. O rosto, antes voltado para o chão, se ergueu e ele falou:

-Manda ver, guria!

Foi então que sentiu as energias dele recarregadas. Era um ataque que ele preparava.

E aquilo se manifestou através do sangue dele: do chão, surgiam lâminas de sangue prontas para atacá-la.

-KAGOME! – a irmã a jogou no chão antes que uma das lanças a atingisse – CUIDADO!

As lanças, no entanto, encontraram outro destino: foram pulverizadas nas mãos de Sesshoumaru.

-Vejo que perdeu o medo de atacar gente da sua própria espécie, irmãozinho. – o lorde entrou na área que antes abrigava a barreira espiritual, desfeita após Kagome perder a concentração – Ou isso ou agora seu novo divertimento é gastar seu sangue com novos alvos?

-INUYASHA! – Rin apareceu correndo e escorregou no sangue espalhado pelo chão. Caiu e gemeu alguma coisa, erguendo-se de novo lentamente para se aproximar dele. Ela hesitava em tocar nas feridas abertas, com medo de machucá-lo e parecia perto de chorar – N-Nós viemos o mais rápido possível... Você... Você... ‘tá... bem? – a pergunta veio junto com um sorriso meio sem graça, ao perceber que não tinha muito sentido perguntar sobre o estado de alguém que parecia seriamente muito ferido.

-Rin... – ele gemeu fracamente – ‘Cê tá coberta de sangue...

-Não é a primeira vez, eu te garanto... – ela deu um sorriso tranqüilizador, apesar da situação.

-Caramba, no que meu irmão já te meteu e que não me contou ainda, hein?

-Saia logo daí, InuYasha... – Sesshoumaru se aproximou e parou altivamente em frente ao irmão – Parte disso é culpa sua, e nós não tínhamos nem obrigação de vir à sua procura.

-Se eu pudesse sair, já teria feito há muito tempo. – ele gemeu, ainda mais fraco – Rin, você pode me tirar daqui? – murmurou no ouvido dela.

A garota tentou arrancar a flecha fincada na mão esquerda dele. Mas nada aconteceu. Fez uma força extraordinária, colocou o pé na parede para servir de apoio e puxar, mas foi inútil. A flecha continuava lá, como se InuYasha já estivesse há muitos séculos com ela nas mãos e nos pés.

-Pedimos desculpas pelo que aconteceu. – Kikyo falava suavemente quando estava perto dos dois – Mas há alguém que procuramos nesta região, um demônio completo que tem causado as estranhas transformações na Floresta de Enganos e tem matado muita gente... humanos, meios-demônios e poderosos demônios... E ele fica cada vez mais forte. – ela tocou numa das flechas presas – Achamos que poderia ser você.

A flecha foi facilmente retirada da parede por Kikyo, para a surpresa de Rin e dos outros.

-Ouvi rumores dessa história. – de longe, Sesshoumaru apenas a observava pela forma como ela habilmente desprendia o irmão da parede – Acredito que ele também tem a ver com os ataques que vêm ocorrendo há algum tempo contra nós... – evitou falar que os ataques aconteciam por causa estritamente de Rin. Sabe-se lá se aquelas sacerdotisas mudariam de idéia por saber que a garota agora estava ligada com um objeto das trevas – Sabe como ele se chama?

Kikyo parou na última flecha. Ela olhava para trás e pronunciou o nome lentamente:

-Naraku. e finalmente desprendeu InuYasha. Ele ia cair, se não fosse Rin segurá-lo e deitá-lo no chão, com a cabeça pousada sobre as pernas dela. Parecia extremamente fraco por ter perdido muito sangue. A cena causou certo... desconforto a Sesshoumaru, que resolveu voltar a atenção de novo ao assunto.

-E vocês acreditavam que esse poderoso demônio era meu irmãozinho, que foi facilmente abatido por duas mulheres? – era evidente a ironia na voz dele.

-Chega, Sesshoumaru... – Rin murmurou num conselho. Era possível acontecer alguma outra confusão por causa dele – Elas já pediram desculpas... InuYasha ainda está fraco...

-Vamos cuidar dos ferimentos dele. – a irmã de Kikyo se manifestou – E eu acredito que os humanos estão com fome, não é mesmo?

Rin concordou com a cabeça. Estava há quantas horas sem comer?

-Podem passar a noite aqui. Precisamos falar seriamente sobre os problemas que Naraku está nos causando.

Um sorriso maligno curvou os lábios de Sesshoumaru.

-Pode ter certeza de que aceitamos sua hospitalidade.



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