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Damashi no Mori
Capítulo 21: Procurados
Para Rin-chan
Pessoas.
Rin gemeu e tentou abrir os olhos.
Passos.
A cabeça latejou e ela não conseguiu abrir os olhos, pois eles automaticamente se contraíram com a dor.
Vozes.
Não reconheceu nenhuma. E nem teria condições de tentar entender alguma coisa do que falavam para ela. Ou se falavam.
Foi quando lembrou. Sim, a cabeça estava doendo porque...
-Rin-chan... pode falar? – escutou a voz gentil de Kagome ao ouvido dela – Está melhor?
-Ka-Kagome... – murmurou, abrindo uma brecha de olho para ver a companheira de viagem olhando-a preocupada. Ela tinha um pano na mão direita, e por entre os cílios Rin viu quando ela hesitava para tocá-la. Tentou se erguer num cotovelo, mas parecia que a cabeça pesava mais que todos os outros membros do corpo.
-Não se levante. – ela alertou, forçando Rin a voltar para algo macio. Talvez alguma pilha de roupa que servia de almofada – Você tem um ferimento na cabeça.
Rin abriu os olhos lentamente e parecia fazer esforço para mantê-los daquele jeito. Sentiu o pano tocar o couro cabeludo e fez uma careta.
-Ela está melhor? – escutou alguém ao fundo perguntar.
-Acordou agora. – Kagome virou o rosto para falar com alguém atrás dela.
Rin fechou os olhos e escutou passos. De novo.
-Rin. – era Miroku – Está com sede? Com fome?
-Ela mal abriu o olho, Miroku-sama. – Kagome o repreendeu – Nem deve lembrar o que aconteceu quando...
Enquanto Kagome falava, um flash passou pela mente dela. Era uma cena rápida, apenas alguns segundos, de um rapaz mascarado indo diretamente para cima dela com uma enorme... O quê? Ela não tinha conseguido ver. Sabia apenas que ele estava indo na direção dela querendo atacá-la.
Mas por quê?
De olhos fechados, sentiu Kagome continuar a passar um pano úmido num ferimento que ardia. Sentiu o rosto se contorcer numa careta, depois relaxar.
-Mais devagar, Kagome-sama. – falou Miroku ao lado dela.
-Isso é para tratar as feridas dela. – a sacerdotisa bufou ao lado dele – É claro que vai sentir um pouco de dor. Pelo menos os outros ferimentos estão melhorando.
Na mente de Rin, de novo a imagem do rapaz mascarado se preparando para atacar invadiu a mente dela.
-Você lembra o que aconteceu, Rin-chan? – Kagome perguntou suavemente, depois parou de mexer o pano que limpava o ferimento e tocou-a no ombro gentilmente, como se certifica-se de que a outra ainda estava acordada – Rin?
Rin tentou mexer a cabeça para os lados, mas foi sem sucesso. Mal conseguiu mover o pescoço.
-Você não lembra? – Miroku tentou ajudá-la a se comunicar.
-N-Não... – ela forçou os olhos a abrirem de novo – Por... que...?
-É uma longa história... – Kagome voltou a cuidar dela, deslizando suavemente o pano para não provocar mais dor – Fomos atacados no vilarejo que encontramos.
-"Atacados"? – ela repetiu, fraca e lentamente.
Um outro flash iluminou a memória. Desta vez, era a visão dela de quando eles entraram no vilarejo e viram dezenas de pessoas em pé, orando de joelhos, enquanto um homem de branco erguia as mãos aos céus.
Lembrou até o que Kagome falou ao lado dela.
Cristãos.
-Algumas pessoas no vilarejo se assustaram com Ah-Un e Jaken. – Miroku explicou, entregando um vasilhame para Kagome, no qual ela molhou uma ponta do pano e voltou a passar na ferida – E...
Outra memória: desta vez, as pessoas cercavam o grupo – Kagome, Miroku na frente, Inuyasha e Rin atrás. Jaken e Ah-Un estavam ao lado deles. Nisso o homem de branco gritou para que voltassem para as casas e se protegessem, chamando por outra pessoa depois.
As pessoas começaram a correr. Assustadas.
-... eles chamaram um grupo de...
Lembrou de ver os outros moradores correrem: mãe segurando os filhos nas costas e saindo em disparada para as casas. Tudo ficou silencioso em questão de segundos. Depois, de algum lugar, homens e mulheres saltaram de uma vez, cercando-os.
-... exter... minadores... – Rin completou.
-Você lembra, Rin? – Kagome perguntou, soando aliviada aos ouvidos da outra garota.
-Aos... poucos... – tentou se mexer e parecia que o corpo estava pesado também.
-Rin, não se mexa. – Kagome a segurou quando percebeu que ela queria se levantar de novo – Você caiu, está machucada, ficou desacordada por dois dias.
A informação parece que não foi processada por Rin, porque ela se manteve sem emoção. Dois dias desacordada. Dois dias sem procurar por Sesshoumaru.
O cérebro puxou de novo a imagem do rapaz avançando para cima dela. Por que aquilo se repetia?
-Os exterminadores nos atacaram. É um clã bastante conhecido por matar demônios há séculos. Meu avô já contava a respeito. – Miroku explicou – Eles acharam que éramos meio-demônios como Inuyasha e tentaram nos matar.
-Havia... – ela começou suavemente, forçando o rosto a encontrar o mesmo lado que o dele – Um rapaz. Ele não sai da minha cabeça.
-Rapaz? – Miroku trocou um olhar com Kagome.
-Acho que ela lembra um pouco do que aconteceu... – ela comentou.
-Nós só vimos Ah-Un indo embora com você às costas, mas uma exterminadora o derrubou e você caiu bem feio de lá de cima.
-Oh... – murmurou. Isso explicava a dor no corpo inteiro. Lembrou que o rapaz ia atacá-la e Ah-Un a derrubou para que caísse diretamente em cima das costas dele. Ele voou e...
-Inuyasha e Jaken estão cuidando dele, só para você saber. – Miroku deslizou um dedo afetuosamente pelo rosto dela, tirando o cabelo caído na testa – Ele não se machucou muito e nos salvou ainda. É o verdadeiro herói da nossa fuga.
Um sorriso fraco passou pelos lábios dela. Sim, Ah-Un sempre foi um companheiro para ela e Sesshoumaru. Ah, e para Jaken também, por sinal.
-E Jaken? – ela perguntou.
-Também ficou ferido, e esqueceu todos os limites ajudando a nos livrar dos exterminadores. – Kagome continuou – Demônios do tipo de Inuyasha, Sesshoumaru e Jaken não atacam seres humanos. Mas ele não aguentou e teve que usar fogo para afastá-los. A exterminadora que atacou você e Ah-Un conseguiu se proteger das chamas.
Um rugido soou no ambiente. Ela sabia que era sinal de Ah-Un tentando se comunicar com ela, dizendo que estava tudo bem ou algo parecido. Ela não conseguiu mexer o pescoço e só conseguiu olhar para a frente, ela deitada de costas. Foi quando ela notou as tábuas apodrecidas servindo de forro para alguma cabana abandonada. Como eles haviam encontrado aquele lugar?
-Inuyasha e Jaken estão procurando comida, Rin-chan. – Kagome interrompeu as indagações internas de Rin – Ah-Un está nos protegendo aqui.
-P-Protegendo? – proteger significava que estavam correndo perigo.
-Os exterminadores estão atrás de nós, Rin-chan. Estamos fugindo deles durante todo esse tempo.
-Onde estamos?
-Em algum lugar nas terras do Oeste, mas ainda dentro da antiga região da Floresta de Enganos. Os cristãos parecem ter chegado aqui há pelo menos quatro semanas e começaram a construir vilarejos. Há gente por toda parte agora. Achamos esta cabana numa parte ainda não habitada por eles... os donos devem ter morrido de cólera há tempos. Tivemos que exorcizar e limpar muito antes de entrar aqui.
Apesar da explicação soar calma na voz de Kagome, na mente de Rin tudo parecia estar fugindo do controle. As coisas estavam calmas por um longo período depois da derrota de Naraku, depois da destruição da tinta e desaparecimento dos outros companheiros – no sentido de que não enfrentaram ninguém e não se meteram em muitos problemas. Os dias passavam lentamente e a agonia apenas aumentava.
-Isso é... um problema, né? – ela falou receosa, tentando esconder a agonia que agora sentia. O lorde não teria aprovado uma invasão às terras dele, imagine então ter invasores religiosos.
-Inuyasha e Jaken acham que devemos procurar o castelo de Sesshoumaru ao extremo oeste. Acham que ficaremos seguros lá se tivermos que procurar Sesshoumaru e Kikyo pela região. Não ousarão nos atacar por lá.
Rin ponderou a respeito.
-E nesse tempo não tiveram como procurar por eles, né?
-Não. – Kagome falou. Miroku se limitou a balançar a cabeça para os lados ao se curvar sobre Rin.
-Quanto tempo até chegarmos ao castelo? Vocês já sabem?
-Jaken calculou entre quatro e cinco dias. Inuyasha acha que podemos chegar em três se corrermos bastante e pareceu bastante animado. Jaken contou que Sesshoumaru o expulsou de lá há décadas e ameaçou matá-lo se desse um passo além do portão. Ele quer entrar de propósito e deixar uma bagunça por lá.
Algo bastante típico de Inuyasha, querer deixar no mínimo o cheiro dele para Sesshoumaru ter que limpar.
Houve um momento de silêncio. Rin continuou refletindo a respeito dos rumos tomados – invasores cristãos, o castelo de Sesshoumaru. E não lembrava exatamente como a situação chegara àquele ponto.
E ela nunca esteve no castelo dele! Eles estavam querendo alcançar a propriedade dele, e não fazia ideia de como era... Será que era grande? E o quarto dele... Ele dormia no quarto dele?
Pensar nele a fez lembrar...
-Foi minha culpa de novo... – murmurou – Eu me deixei ser atacada como sempre e ficamos presos aqui, sem procurar por Sesshoumaru e Kikyo-sama...
-Sei que vai parecer clichê, mas... não precisa se culpa. Não tinha como você saber. Não tinha como nós sabermos. – Miroku tentou acalmá-la – Não houve nada de errado darmos uma pausa de dois dias. Pelo menos nos ajudou a pensar melhor a respeito do quê fazer.
-Eu...
Rin não pôde continuar a falar. Kagome e Miroku se viraram ao mesmo tempo em que Rin escutou uma porta de papel-arroz ranger e emperrar ao ser deslizada para o lado. Minutos depois, escutou um suspiro de alívio por parte de Kagome.
-Inuyasha... Jaken... – ela murmurou. Inuyasha, já na forma de meio-demônio novamente, e Jaken tinham, cada um, uma sacola de pano em mãos, pano este que era originalmente um quimono de Rin.
Logo o irmão mais novo viu que a garota estava desperta.
-Ei... ela tá bem? – perguntou.
Rin não ouviu uma resposta, então concluiu que eles devem ter confirmado com a cabeça.
-Trouxe comida para os humanos. – ele falou, enfatizando a última palavra com certo desprezo – Os outros e eu podemos aguentar alguns dias sem comer.
Uma bufada de Kagome foi audível a todos. Era óbvio que odiou o comentário a respeito da fraqueza dos humanos e a necessidade de se manterem alimentados sempre. Levantou-se e marchou até ele para pegar a comida.
-Bem... eu estou faminta. – Kagome afirmou, pegando o material que Inuyasha trouxe. Ele pareceu ligeiramente assustado com a reação dela – Pena que não temos mais arroz... – murmurou ela num tom triste, perguntando-se quanto tempo ainda sobreviveria sem comer algo além de sopas de carne.
Rin lembrou-se então do estoque que Sesshoumaru mandou Jaken comprar há muito tempo – comida que era apenas para ela, e algumas vezes também para Inuyasha, dependendo do humor do irmão mais velho.
Vendo Kagome e Miroku prepararem a carne que parecia ser de coelho, Rin tentou se erguer.
-Ei, ei, o que pensa que tá fazendo? – Inuyasha estava num instante ao lado dela, tentando impedi-la.
-Quero ajudar com a comida. – Rin se justificou, depois fez uma careta de dor. As costas doíam demais.
-Fica quietinha aí. Depois tem comida pra você. – ele a acomodou no leito improvisado e sentou-se ao lado dela, como se fosse um cão de guarda.
-Não se preocupe, Rin-chan. – Kagome deu uma pausa no preparo da carne e dos legumes – Pode descansar.
-Vamos ter ensopado de coelho com tempero secreto dos monges Nichiren. – Miroku piscou para Rin, num gesto genuíno e descontraído. Há quanto tempo não o via assim? Aliás, ela nunca o viu daquele jeito, nem quando estava sendo mantida prisioneira por ele. Ele era descontraído... mas extremamente irônico e convencido.
Voltou a observar as tábuas do teto. Escutou muitos sons próximo e distantes a ela ao mesmo tempo, até se dar conta de que estava quase adormecendo de novo. Não sentia fome, talvez por conta do excesso de informações ruins que recebera. Sentiu, minutos depois, a cabeça ser erguida e abriu sonolenta uma brecha entre os olhos, enxergando através dos cílios o rosto preocupado de Miroku segurando uma tigela nos lábios dela para que bebesse – tinha um gosto muito ruim, provavelmente algum remédio de Kagome. Ele murmurava alguma coisa, mas não conseguia entender. Mas não sentiu o mesmo pânico de quando ele a sequestrou dominá-la por estar tão perto ao mesmo tempo, tão amigável, tão solidário naquele momento.
A última coisa que viu foi ele colocando um pano umedecido e com um cheiro estranho na testa dela.
Nota da autora: Desculpem o atraso... acidente dentro de casa, cuidados médicos, site em manutenção... Espero que nada mais me impeça de atualizar isto aqui. Sairá pelo menos um capítulo por semana até o final.
Espero que possam comentar sobre o que acharam a respeito :)
~oЖo~
Eu não sei se existe Fanfiction Ponto Net no céu, mesmo assim vou tentar fazer com que este capítulo seja seu presente, mesmo não estando mais aqui, mesmo que aniversário signifique comemorar a vida da pessoa... mas é isso, eu acho. Você sempre estará viva pra mim. Agora, sempre, mais do que nunca.
Feliz aniversário, florzinha, minha irmãzinha querida.