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GOLPE DO DESTINO
Atendendo a pedidos, resolvi fazer uma fic com um dos personagens mais complexos
de Saint Seiya. Uns gostam dele, outros simplesmente o odeiam...mas,
particularmente, sempre gostei dele. ¬¬
Considerado um vilão...poucos tentaram escrever sobre seu passado. Mas não
resisti ao desafio de transformar uma pessoa como Máscara da Morte em um
herói...quer dizer, anti-herói! ¬¬
Espero que apreciem a fic...sugestões ou críticas...podem mandar! Sou uma
excelente ouvinte!
Capítulo 1:
Ele está sonhando novamente...Seu sono é sempre perturbado por esse pesadelo que
o persegue desde menino.
Uma criança...um menino, de mais ou menos seis anos, de brilhantes olhos azuis
corre atrás de uma bola vermelha. Então, ele a alcança e ouve as risadas
divertidas de seus irmãos e de sua irmã. Ele se vira e os vê...exatamente como
eles eram anos atrás. Valério, o mais velho e protetor, Dante sempre brincalhão,
seu melhor amigo e a meiga e gentil Ângela, que sempre o protegia das
provocações dos mais velhos.
Ele era o caçula, e era amado por todos.
"Giovanni!" -ele ouve a voz serena de sua mãe chamando-o.
Ele a vê, ao lado de seu pai. O menino chamado Giovanni larga a bola e corre até
os braços de sua mãe, que se ajoelha para aninhá-lo em um abraço carinhoso.
"Meu pequeno Giovanni..." -ela dizia com um sorriso meigo.- "Sei que terei muito
orgulho de você, um dia..."
Então, o sonho feliz se transforma...o menino está sozinho agora. Sangue...em
suas roupas, em seu rosto, no chão, pelos móveis da casa e sobre os corpos sem
vida de sua família...ele ouve as risadas dos assassinos...e nada pode fazer.
Estático, ele vê um dos homens recolhendo seus troféus. Essa família serviria de
exemplo a outros que ousassem desafiar seu patrão novamente.
Indefeso, ele vê o homem erguendo um facão e desferir um golpe no corpo de seu
pai, separando a cabeça de seu corpo...Giovanni grita...e desperta!
Suado, ofegante...o homem pragueja e amaldiçoa seus pesadelos! Nunca contara a
ninguém sobre esses sonhos, jamais contaria! Não queria que pensassem que ele
era um fraco.
Ele não era um fraco! Nunca mais seria um...Giovanni Mastrangelo era um
fraco...Mas, Máscara da Morte de Câncer, desconhecia o significado dessa palavra
e abominava os fracos.
Olhou pela janela e viu que o sol começava a surgir...amanhecia! Suspirou
desanimado ao lembrar que Atena o chamou para uma conversa. Ele já sabia qual
seria o conteúdo dessa conversa.
Dizendo um palavrão, ele se levanta e vai tomar um banho, para despertar de uma
vez e afastar qualquer lembrança de seus sonhos perturbadores. Vestiu sua
armadura dourada de Câncer. O protocolo exigia que a usasse sempre que fosse se
apresentar para alguma reunião com Atena.
Andando pelos corredores da Casa de Câncer, Máscara da Morte observou as paredes
vazias que outrora exibiam seus troféus. Desde a luta na Batalha das Doze Casas,
quando Shiryu de Dragão o derrotou, as cabeças desapareceram...e agora que Atena
estava no comando de novo, e ela lhe devolveu a vida...achou melhor que antigos
hábitos fossem esquecidos.
A deusa Atena abominava qualquer ato desumano. E diversas vezes ela o lembrava
de que deveria se portar como um verdadeiro Cavaleiro de Ouro e lutar pela
justiça. Sinceramente, não conseguia imaginar a razão da deusa tê-lo trazido de
volta à vida juntamente com os demais cavaleiros dourados...e achava que a deusa
dizia absurdos ao falar que havia algo de bom nele, pois senão a armadura de
Câncer jamais o teria aceitado de volta.
"Não há nada de bom em meu coração." -murmurou baixinho ao subir as escadas até
o Salão do Grande Mestre.- "Nunca houve e nunca haverá."
Depois de um tempo, chegou ao seu destino. Adentrou o Grande Salão e encontrou
Atena sentada na cadeira do Mestre. Ao seu lado, estava Mu de Áries, que nas
ausências de Atena, quando ela precisava viajar e cuidar de negócios como Saori
Kido, ele assumia o manto de Mestre do Santuário.
"Máscara da Morte." -Atena o chamou, e ele se aproxima e se ajoelha em
respeito.- "Vamos falar de seu comportamento nos últimos meses."
"Meu comportamento?"
"Sim." -a deusa faz um gesto para que ele se levante.-"Tenho recebido muitas
reclamações referentes a isso. Tem provocado desentendimentos entre os demais
Cavaleiros, sempre brigão e ...não é nada cortês. Em sumo, anti-social!"
"Foi pra isso que fui chamado...pra que discutam por que eu sou anti-social?"-Máscara olhou aborrecido para os dois e reparou que Mu tentava em vão, sufocar uma risada.
"A briga que teve com Kanon foi a gota d'água nessa história! Por isso, eu tomei uma decisão." -ela o olhou de uma maneira que dizia que não queria ser contrariada.- "Terá que melhorar suas maneiras e seu temperamento...então, irá representar o Santuário em um festival em Asgard. Como meu embaixador."
"QUÊ?" -Máscara da Morte esbravejou.
"Isso mesmo que você ouviu." -a deusa lançou um olhar para Mu que tentava
segurar o riso.- "Será muito bom para você realizar uma missão diplomática, mas
como eu não sou nenhuma tola em deixar que vá sozinho..Mu irá com você."
"QUÊ?" –Mu gritou.
"Exatamente, Mu. Jamais deixaria Máscara da Morte ir sozinho. Você irá
acompanhá-lo nessa viagem." -Atena se levanta.- "Partirão para Asgard amanhã."
"Se assim desejar, senhora Atena."-Mu diz fazendo uma reverência.
"Puxa-saco."-Máscara da Morte resmungou, fazendo Atena e Mu o fuzilarem com os
olhares.
Assim que saem do salão, Máscara da Morte explode.
"Isso é demais! Eu terei que ficar no meio de um bando de Pavões gordos,
sanguessugas e sedentários, que só sabem puxar o saco daquela tal de Hilda!"
"Puxa, que bela descrição da família real de Asgard!" -disse Mu irônico.
"Num começa, Mu!" -Máscara avisou.- "Eu vou nessa porque não quero queimar meu
filme com Atena. De todos no Santuário, eu sou o mais visado por ela...mas é bom
nenhuma nobre gorda tentar chegar perto de mim ou eu mando todos pro Yomotsu!"
"É por isso que eu vou com você...para mantê-lo calmo e equilibrado." -disse
numa serenidade que irritou Máscara da Morte.- "Além do mais, é só uma festa!
Vamos pra jantar, beber, dançar...Estamos em tempo de paz agora! Acabaram as
batalhas! Ao há nada em Asgard que possa nos preocupar...ou te perturbar."
"É. Espero que tenha razão."
Asgard...
"Você tem que desposar sua prima!" -disse o Barão Gunnar a seu filho.- "Só assim
poderemos continuar a cuidar de seu legado."
"Pai. Não se preocupe." –Hannor, um homem bruto de cabelos e barbas ruivas e
olhos verdes, respondeu jogando um pedaço de carne para os cães e se divertindo
ao vê-los brigarem por ele.- "Mesmo que Maeve não queira, não tem muita escolha.
Os pais morreram, o irmão ninguém tem notícias há meses...ela está sozinha. Uma
mulher fraca e sozinha. Ela sabe que não tem ninguém."
"Sua prima pode ser qualquer coisa, mas não é uma fraca! Ela irá se rebelar
contra essa decisão!" -replicou a baronesa, que até aquele momento só ouvia a
conversa.
"Como seu filho disse, mulher. Maeve não tem escolha!"
"Sim" -completou Hannor.- "Quem duvidará da palavra de um fiel súdito de Hilda.
Será o devaneio de uma garota que quer atenção contra a honra de um nobre. Além
do mais, se ela me desafiar, terei que castigá-la daquela vez."
A baronesa desviou o olhar. Ela sabia o que o filho havia feito, e se perguntou
se aquela criatura vil poderia ser realmente seu filho. Ele era uma serpente,
como o pai.
"Além do mais, o meu irmão foi tolo o suficiente de me nomear o guardião dos
bens de Maeve até que ela se case...e nós sabemos que isso só poderá acontecer
quando ela aceitar você, meu filho."
Uma corda pendia sob a janela do quarto de Maeve. Vestindo-se com roupas de seu
jovem criado Senet, a jovem desceu, alcançando os jardins da casa de seu tio em
pouco tempo.
Senet, seu pai Ulrik e a velha criada de confiança Grinnhilld, esperavam com um
cavalo selado.
"Você demorou, milady." -disse Ulrik.- "Pensávamos que havia sido descoberta!"
"Meu tio é um grande idiota!" -disse Maeve montando no cavalo.- "Enquanto ele
planeja 'meu casamento' com o parvo do meu primo, irei até o palácio Valhalla e
resolverei essa questão."
"O que importa é que está aqui." -respondeu Senet.- "Vamos embora, antes que
percebam a nossa fuga."
"Sim." -Maeve cobriu os longos cabelos dourados com a capa, havia determinação
em seus olhos azuis.- "Vamos agora."
"E que as deusas do Destino nos protejam." -exclamou Grinnhilld, fazendo um
gesto se abençoando, e beijando um dos muitos talismãs que usava em seu pescoço.
Amanhecia quando Maeve avistou as grandes muralhas do palácio Valhalla e
suspirou aliviada. Ainda tinha receio de ter sido descoberta e estar sendo
seguida por seu tio.
Sir Gunnar era um homem cruel. Maeve sabia que o tio era capaz de castigá-la
severamente por ter fugido. Tempos atrás ele havia feito coisas incríveis para
se apossar dos bens deixados por sua família e desconfiava que ele tivesse
alguma participação no desaparecimento do irmão. Mas não temia por sua vida, e
sim por aqueles que lhe eram fiéis e lhe ajudaram.
Jamais se casaria com Hannor...estremecia só de pensar na possibilidade. Jamais
se casaria com homem algum, pois não tencionava aceitar caça-dotes. O problema
era que precisava de um marido para ajudá-la a ser independente, reaver seus
bens e se livrar do jugo de seu tio e primo. Mas esse marido teria de aceitar
suas exigências.
Era o Festival da Primavera, em homenagem à deusa Freiya. Haveria pessoas de
todo o reino e de países vizinhos. O local perfeito para encontrar um homem que
atendesse suas expectativas. Será que encontraria alguém disposto a aceitar sua
proposta?
Naquela tarde.
Salão de Festas do Palácio.
"Essa maldita roupa coça!" -Máscara da Morte reclamou pela décima vez a Mu,
que já revirava os olhos impaciente.- "Me sinto ridículo! Odeio essas roupas de
mauricinho!"
"O evento exige que nos vestimos socialmente, Máscara da Morte." -explicava mais
uma vez.- "Está parecendo um velho ranzinza reclamando de tudo. Só mais uns dois
dias e iremos embora."
"Não sei se agüento mais uma hora sequer com esses esnobes." -resmungou.
"Vou ali conversar com Siegfried." -avisou.- "Vê se não arruma problemas."
"Vê se não arruma problemas."-repetiu fazendo uma vozinha irritante.-"Até parece
que vivo procurando problem..."
No meio do salão, reparou em uma jovem de rosto pálido, adornado por cabelos
dourados e expressivos olhos azuis que conversava com um grupo de senhores.
Embora prestasse atenção na conversa por educação, vez ou outra o olhar da jovem
percorria o salão como se procurasse alguém. Ela usava um vestido azul que
destacavam a cor de seus olhos e as curvas generosas de seu corpo.
Por um momento o olhar dela pousou sobre ele, mas logo ela voltou à atenção para
os nobres que a acompanhavam.
Um dos serviçais passou por Máscara da Morte, e ele o agarrou pela gola da
túnica, perguntando com toda a 'delicadeza':
"Quem é aquela moça de cabelos loiros e vestido azul?'
'A-aquela senhor...é lady Maeve."-respondeu o criado, sendo solto logo em
seguida.
Maeve afastou-se rápido do salão. Não encontrou ninguém que correspondesse as
suas expectativas. Muitos dos nobres que se sentiram atraídos por ela, deixaram
a impressão de que suas intenções eram o de aumentar suas posses à suas custas.
Estava se sentindo frustrada. Preferiu se retirar aos seus aposentos e
descansar.
Quem sabe teria mais sorte à noite durante o jantar? De repente, alguém a
intercepta pelo caminho.
"Ora, ora, ora...aí está você, minha cara."
"Hannor!" -ela fica surpresa, e apesar do medo o encara.
"Não devia estar surpresa. Saiba que eu jamais deixaria minha linda noiva por
aí, sozinha."
"Não sou sua noiva!"
"Há,há,há,...será que esqueci de dizer? Que já anunciei nosso compromisso. E não
vou fazer papel de palhaço, sendo rejeitado por você!" -ele a pega pelo braço,
machucando-a e sorri malicioso.- "Se ousar me desafiar de novo, Maeve...terei
que castigá-la de novo! Como daquela vez."
Aflita, Maeve não conseguia se mexer. A mão de Hannor era forte demais para ela
se desvencilhar.
"Quando meu irmão Erik retornar, ele o matará!"
"Vamos, Maeve! Sabe que Erik não vai voltar, e que você não tem escolha." -ele
acrescenta divertido.
"Por que tem tanta certeza de que ele não voltará?" -ela o fita com raiva.-
"Vocês tem algo a ver com isso?"
"Não diga tolices. Vamos voltar para a casa, agora!"
"Não! solte-me seu porco!"
"Você vai ser a minha mulher!"
De repente, escutaram uma voz profunda.
"Com licença.Tão no meu caminho!"
Maeve fitou o rosto do homem que estava no salão, ela o havia notado.E
sinceramente não havia apreciado a maneira que ele a admirava. Mas o homem
encarava Hannor com puro desdém.
"É. Estou em seu caminho?"-Hannor rebateu, nem um pouco intimidado.-"Se dá valor
a vida, dê a volta."
Máscara da Morte sorriu e voltou o olhar para Maeve.
"Do que o chamou?".
"Que! Eu...eu o chamei de porco." -Maeve não conseguia entender a pergunta.
"Diga-me, amigo." -Máscara da Morte o encarou com um sorriso divertido.- "Já viu
um porco voar?"
"Hã?"
De repente, Hannor sai voando de uma janela que dava nos fundos do castelo, indo
parar no chiqueiro, caindo na lama, assustando os animais e alguns criados que
presenciaram a cena, estupefatos.
Do alto da janela, Máscara da Morte olhava Hannor tentando se levantar e
escorregando na lama, caindo de cara de novo. Dando gargalhadas, ele se vira
para a moça que o encara incrédula.
"O senhor é um Animal!" -esbravejou.- "Poderia tê-lo matado!"
"Não se preocupe, não mirei nos porcos." -ele respondeu.-"Se bem que o Mu quando
souber vai torrar a minha paciência."
Maeve o encarou, e uma idéia passou em sua mente.
"Sabem quem ele era? Hannor de Lonnrot. Ele vem de uma das mais poderosas
famílias de Asgard!"
"E voa muito bem."
Ele não tinha medo do nome Lonnrot, como muitos o tinham. Pelo sotaque era
estrangeiro.
"Não devia estar defendendo ele." -ele falou de repente.- "Bah, não dá pra
entender as mulheres!"
"Eu não o estava defendendo!" -ela rebateu.- "Por mim...Hannor pode se afogar
naquele chiqueiro!"
Maeve suspirou, recuperando a pose e acrescentou séria.
"Obrigada milorde, por ter me ajudado."
"Não quero seus agradecimentos." -ela ergue a sobrancelha espantada.- "Mas se
quer me agradecer...agradeça assim."
Sem esperar, ele a abraçou e a beijou. O grito de indignação de Maeve morreu
diante da pressão dos lábios dele sobre os seus. Ela tentava empurrá-lo, mas era
forte demais. Acabou cedendo e entreabriu os lábios, permitindo que ele
aprofundasse o beijo.
Maeve se afastou dele e com uma expressão de incredulidade, deferiu um tapa na
cara dele pelo atrevimento.
"Você...Você é um animal!" -E saiu de lá, bufando de raiva.
Máscara da Morte sorriu, esfregando o local do tapa. Não sentiu nada, mas uma
coisa sabia. Ela beijava muito bem.
Continua...
Nota: A briga entre Máscara da Morte e Kanon, na qual Atena se refere ocorreu na
fic Intrigante Atração.