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Capítulo V
Juro dizer a verdade, nada mais que a verdade!
A pequena van onde os dois agentes estavam aumentou a velocidade, indo de noventa para cento e vinte quilômetros em três segundos. Duo soltou um sorriso diante da potência do motor do carro e olhou no espelho retrovisor para as três BMW negras que os perseguiam. Virou o volante bruscamente e entrou em uma curva, alcançando a rodovia expressa e afundando o pé no acelerador. Ainda era cedo, apesar de já ser noite, e por isso o tráfego era um pouco intenso, mas não o suficiente para impedir que o americano fizesse a van cortar os outros veículos como faca cortando manteiga, tentando despistar os seus perseguidores.
Heero ergueu-se do seu assento, apertando o botão que abria o porta-malas, e passou por entre os espaços dos bancos indo para o banco traseiro, esperando a porta se erguer de vez e deixar o caminho livre para ele mirar a sua arma nos carros que os perseguiam. Ajoelhou-se sobre o estofado macio e segurou a pistola com as duas mãos, pronto para dar o primeiro tiro, mas uma virada brusca do carro o fez perder o equilíbrio e chocar-se contra o vidro esquerdo do veículo, quase atirando no teto do mesmo.
- Foi mal! – Duo disse pelo retrovisor quando viu o marido quase dar uma cambalhota no banco traseiro por causa da sua manobra.
- Hn. – foi tudo o que Heero respondeu antes de posicionar-se novamente. Começou a disparar e viu com desagrado que os seus tiros não estavam fazendo muito dano nos vidros do carro e mal arranhavam a lataria das BMW.
- Já que isso vai levar um tempo… – continuou o americano ao ver que os disparos de Heero não estavam causando muito efeito nos seus perseguidores. –… me conte alguma coisa sobre você. Alguma verdade. – Heero abriu a boca para falar quando foi interrompido pelo marido. – Fora o fato de que você é um assassino profissional. Disso eu já sei.
- Hum… eu nunca estudei Administração Empresarial em Harvard. – respondeu o moreno de cabelos curtos, disparando mais uma vez nos carros que os perseguiam, segurando-se no banco quando Duo fez uma outra curva violenta para poder se desviar de um corvette que parecia andar a passo lento na frente deles no meio da via expressa. Como o esperado, as BMW também fizeram uma manobra brusca para continuar os seguindo. –Eu estudei História em Los Angeles. – disse, apertando o gatilho freneticamente e quando finalmente viu que não estava conseguindo nada, abaixou a arma. No momento que abaixou a pistola, uma mão apareceu de um dos carros e começou a atirar contra eles. Heero encolheu-se no banco para poder fugir das balas enquanto Duo abaixava a cabeça vez ou outra apenas para fugir de alguns disparos, mas tentando manter a atenção na estrada.
- História? – repetiu descrente quando uma bala transpassou o vidro dianteiro do carro. Olhou pelo retrovisor para ver se Heero estava bem e viu o mesmo erguendo uma sobrancelha como se o desafiasse a dizer algo contra o fato de ter cursado História.
- História é um curso muito interessante. – defendeu-se e Duo apenas fez uma expressão inocente, pulando no banco quando sentiu um tranco do seu lado do carro. Uma das BMW tinha batido no carro deles e estava tentando tirá-los da pista.
- História. É um curso nobre. – respondeu divertido enquanto via Heero movimentar-se no banco traseiro e abrir a porta corrediça para poder atirar no carro que ainda estava batendo neles e os prensando contra a mureta divisória da rodovia.
- Certo. Mas essa verdade é muito fraca, nem deu para me chocar. – provocou o americano, exasperado por nenhum tiro do marido estar funcionando nos carros inimigos. –Desiste amor, acho que eles são blindados. – afundou mais o pé no acelerador, indo para cento e quarenta de velocidade e entrando em uma saída da rodovia bruscamente, quase indo de frente contra a mureta que a separava da pista principal. Heero fechou a porta com um estalo e voltou-se para o porta malas aberto, trocando o pente de sua arma e voltando a disparar contra os carros.
- Certo. Quer uma verdade? – o japonês olhou por cima do ombro e abaixou a cabeça quando ouviu mais tiros atingindo a lataria da van. Duo abaixou a cabeça também, segurando com uma mão o volante enquanto com a outra tirava a pistola presa em sua coxa sob o vestido. Ergueu-se novamente e virou parte do corpo por cima do banco, disparando a sua parcela de balas.
- Duo! – Heero gritou depois de erguer-se novamente e ver que eles tinham saído da mão deles na pista e estavam quase indo de frente contra um caminhão que vinha no sentido oposto. Duo largou a arma em seu colo e virou o volante com violência, saindo do caminho da carreta e depois voltando para a pista deles com um cantar de pneus.
- Me surpreenda. – provocou mais uma vez, não querendo perder o fio da meada dentro da discussão deles e Heero rolou os olhos, voltando a se posicionar sobre o banco.
- Fui casado uma vez. – disse da forma mais displicente que encontrou e no banco do motorista Duo arregalou os olhos, pisando bruscamente no freio do carro o fazendo marcar a pista com a borracha derretida e o BMW que estava atrás deles bater com violência no pára-choque, enquanto Heero voava por dentro do carro e ia contra o vidro dianteiro com força, sendo prontamente recebido por Duo a tapas.
- Você – tapa – já foi – outro tapa – casado? – e mais um tapa.
- Foi uma besteira de adolescente. Foi há anos! – Heero dizia enquanto tentava se defender dos tapas de Duo. – E foi um daqueles casamentos em capelas de Las Vegas. Não durou nem seis meses. Ela era muito chata.
- ELA? – gritou exasperando, fechando o punho e substituindo os tapas por socos.
- Ai, Duo! – finalmente o japonês conseguiu fugir dos socos do marido, ainda mais quando viu que o carro deles estava preso na BMW com a qual eles se chocaram e um dos seus perseguidores estava saindo do veículo e vindo na direção deles.
- Qual é o nome e número da identidade dela? – falou o americano com uma voz enraivecida enquanto via Heero ir dar um jeito no sujeito que estava vindo na direção deles.
- Esqueça amor, você não vai matá-la. – falou o japonês, dando um soco no estranho e o jogando sobre o capô da BMW que estava encaixada no pára-choque da van.
- Sem graça! – murmurou, dando um tranco no carro para poder soltá-lo do outro carro. Heero apoiou-se no porta malas enquanto subia no capô da BMW e dava um chute no rosto do perseguidor e depois desferia um soco contra a barriga dele, o segurando pela frente do terno para poder socá-lo de novo. Ao fazer isso, soltou o homem, mas viu que junto com a sua mão havia vindo o que parecia ser um pino. Olhou para o sujeito caído sobre o capô e arregalou os olhos quando viu a granada no bolso da frente do casaco dele. Que criatura insana colocaria uma granada no bolso? Esses agentes da Oz, tão mal preparados, não era a toa que deveriam morrer cedo. Vergonhoso.
- Acelera! Acelera! – pediu o japonês, entrando novamente no carro e Duo afundou o pé no acelerador, soltando o pára-choque da dianteira da BMW e afastando-se poucos metros antes da granada explodir, fazendo o impacto da explosão jogar Heero novamente contra o vidro da frente da van. – E não é como se você tivesse me contado alguma grande verdade. – defendeu-se o homem mais velho, tentando se levantar novamente para poder dar cabo dos dois carros que ainda os perseguia.
- Se lembra da nossa lua-de-mel? – disse Duo com um tom extremamente sério e com os olhos fixos na estrada. Heero olhou por cima do ombro e ergueu uma sobrancelha indagadora.
- Sim, e daí?
- Se lembra como eu estava nervoso? – continuou o americano, fechando os dedos firmemente sobre o volante.
- Você me disse que era excitação, pois nunca tinha estado em Veneza.
- Eu menti. – disse o homem de cabelos longos e Heero rolou os olhos. Qual era a novidade nisso?
- Você já esteve em Veneza?
- Não, quero dizer, sim. Mas não foi por causa disso que eu menti. – Heero virou parte do corpo para poder olhar melhor para Duo que tinha os olhos fixos na rodovia e nos carros que estava cortando.
- Então?
- Eu estava nervoso.
- Sim, eu lembro. E daí?
- É que eu… – começou, mas hesitou por um momento, apertando mais os seus dedos sobre o volante e Heero esperou. – Eu… – murmurou tão baixo a continuação da frase que Heero não conseguiu compreender nada.
- Você o quê? – perguntou, inclinando-se no banco para ficar perto do rosto rubro do americano.
- EU ERA VIRGEM POMBAS! SATISFEITO? – gritou e o japonês arregalou os olhos.
- Você o quê? – balbuciou estupefato. Com vinte três anos Duo ainda era virgem, como?
- Nunca tive tempo para relacionamentos sérios. Nunca encontrei aquele alguém especial. E nós namoramos apenas seis meses antes de nos casarmos. Então nunca deu para fazer sexo com ninguém. Você foi o meu primeiro. Eu inventei toda aquela parafernália de excitação pela viagem porque não queria que você soubesse que eu nunca tinha ficado com ninguém na vida. Apenas isso. – olhou por cima do ombro para ver o rosto chocado de Heero.
- Wow. – disse o japonês sem saber direito o que falar diante dessa revelação. Como que aquela criatura que ele conheceu há seis anos atrás poderia ser virgem se ele sempre deixava a entender que poderia ter quem quisesse, na hora que quisesse? Realmente, ficou surpreso com isso.
- Tá legal! Agora pára de viajar e volte ao mundo terreno porque eles ainda estão atirando em nós. – Heero piscou os olhos e viu que realmente os dois carros que sobraram tinham aumentado à velocidade e estavam agora atirando ferozmente contra eles. – Talvez seja bom você economizar balas e acertar um ponto estratégico. – ofereceu o americano e viu Heero ajoelhar-se mais uma vez sobre o banco, segurando a sua pistola firmemente com as duas mãos e a elevando na altura dos olhos, posicionando-se para atirar.
- Dá para manter o carro estável um pouco? – resmungou o agente da Fang.
- Não dá Hee-baby. Se você não reparou, eles estão tentando nos matar. – retrucou o Preventer com sarcasmo, vendo que Heero ainda tentava mirar nos carros. – Assim que você estiver pronto. – continuou ironizando diante do modo como o homem demorava para posicionar-se para atirar.
- Estou com eles na mira. – verdade? Então por que não atira? Pensou o americano de maneira ácida, rolando os olhos mentalmente. – Estou com eles na mira. – repetiu o japonês e Duo perdeu a paciência. Não era o tipo de homem que ficava esperando as coisas caírem em seu colo.
Já irritado com essa demora, pegou a arma em seu colo e segurou o volante com uma mão, pisando no freio e girando o volante a 180 graus, fazendo o carro dar uma violenta curva, jogando Heero contra uma janela e o tirando de sua posição, logo depois pisou na embreagem com violência e engatou a marcha ré, voltando o pé para o acelerador e com isso o carro começou a andar de costas. Colocou parte do corpo janela afora e começou a disparar. Os primeiros tiros foram direto nas rodas do primeiro carro, que capotou violentamente. Os outros tiros foram no tanque de gasolina do segundo carro que explodiu assim que o primeiro carro caiu em cima de si, causando uma grande e enorme bola de fogo e fumaça. Novamente Duo virou o volante, dando uma guinada brusca na van e a fazendo voltar à posição inicial, trocando mais uma vez a marcha, pisando no acelerador e sumindo rodovia abaixo.
- Eu estava com eles na mira. – protestou Heero, passando pelo vão entre os bancos e sentando-se no lugar do carona.
- Pensou demais baby. – retrucou o americano e silêncio seguiu-se pelo resto da viagem.
Meia hora depois uma van totalmente baleada passava por enormes portões dourados e subia o caminho de pedras que levava a uma enorme mansão que ficava no alto de um morro. Duo estacionou o carro em frente aos degraus de entrada da casa, descendo do veículo e vendo que havia duas vans cinzas estacionadas um pouco à frente. Os outros já tinham chegado ao que parecia. Heero desceu do carro e ergueu as sobrancelhas, olhando com interesse para a enorme casa na sua frente e para o enorme homem que estava os esperando na porta.
- Duo? – virou-se para o americano que deu um grande sorriso maroto, prendendo o seu braço no braço do marido e o levando em direção as escadarias.
- Bem vindo à mansão Winner, Heero. – anunciou enquanto eram escoltados por Rashid casa adentro.
Quatre deu um pulo do sofá, correndo em direção a entrada da espaçosa sala, quando viu Rashid passar pelo portal dela com duas pessoas o acompanhando. Assim que o grande homem árabe cedeu passagem para os dois convidados, o rapaz loiro atirou-se nos braços de Duo o abraçando fortemente. Estava em um estado de nervos puro desde que o americano cortou a comunicação deles assim que a perseguição ao carro deles começou. Afastou-se do rapaz de cabelos compridos e o segurou pelos ombros, o observando de cima a baixo a procura de algum ferimento. Satisfeito, seu olhar voltou-se para o companheiro do amigo e viu-se sob dois orbes azulados escurecidos por algo que lembrava uma mistura de confusão e ira. Deu um sorriso amarelado para Heero e afastou-se mais ainda do japonês, torcendo as mãos de maneira sem graça.
- Duo… – a voz do homem soou baixa e ameaçadora e o americano virou-se para poder olhar para o marido. – o que o nosso terapeuta está fazendo aqui? – Duo soltou uma risada sem graça e esfregou a parte detrás da cabeça com uma mão, dando uma pequena careta dolorida.
- Er… Heero, esse é Quatre Winner, colega de trabalho. – Heero ergueu uma sobrancelha e deu um passo à frente, fazendo o loiro recuar um passo e dar uma risada nervosa, olhando tudo a sua volta a procura de uma rota de fuga, pois o japonês estava com aquele olhar de que estava disposto a matar um. Com certeza ele tinha colocado as engrenagens do seu cérebro para funcionar e somado dois mais dois, descobrindo que aquela história de terapia era tudo uma farsa dos dois Preventers para salvar o casamento de Duo.
O jovem árabe soltou um guincho horrorizado quando a mão grande do agente da Fang segurou na frente da sua camisa de algodão e o trouxe para perto do seu rosto, seus narizes quase se tocando. Trowa rapidamente levantou-se de seu assento pronto para defender o namorado, quando o que Heero disse a seguir o fez parar no meio do caminho.
- Você me deve quinhentas pratas por aquela consulta. – e soltou o herdeiro dos Winner, que deu um suspiro aliviado e ajeitou os amassos em sua camisa.
- Er… – Duo continuou, visivelmente aliviado pelo marido não ter trucidado o amigo. – o Trowa você já conhece, não é mesmo? – continuou indicando o homem que agora estava ao lado de Quatre e com um braço sobre os ombros magros do loiro. Heero ergueu as sobrancelhas e depois as franziu. Trowa? O meu-amigo-de-faculdade Trowa também fazia parte dos Preventers? Realmente uma surpresa, mas não tanto quanto descobrir que Duo era um espião. Afinal, Trowa tinha o perfil para a profissão, diferente do americano tagarela.
- E aqueles são… – continuou o Preventer, voltando a sua atenção para os outros dois integrantes da sala. – LENA E FEI? – gritou chocado ao ver o chinês que olhava com extremo desinteresse para uma porcelana oriental pendurada em uma parede e ao ver a loira que sorria e acenava para ele como se aquilo fosse uma reunião banal de amigos.
- Hn. – Heero murmurou, caminhando até os dois amigos e chamando a atenção de Wufei, que voltou o seu olhar para Duo, e puxou Relena para o seu lado. – Creio que você conhece os nossos padrinhos de casamento. Wufei Chang, meu parceiro na WF. – disse, indicando o homem de cabelos negros ao seu lado. – E Relena Darlian. – Relena franziu um pouco as sobrancelhas, torcendo os lábios. Ainda não estava acostumada a usar o sobrenome Darlian, mas se queria passar despercebida em uma missão o melhor era usar um nome falso como esse. E não era como se ela pudesse ficar dizendo o nome Peacecraft por aí. – O Operador. – concluiu e os olhos violetas se arregalaram quando viram a loira caminhar até si e lhe dar um forte abraço.
- Bom te ver Duo. – sussurrou no ouvido dele e depois se afastou, o olhando de cima a baixo e dando um pequeno sorriso malicioso. – E adorei o vestido. – brincou e Duo saiu do seu transe, segurando a menina pelo braço e mirando intensamente dentro dos olhos azuis dela.
- Você trabalha para a WF? – perguntou incrédulo. Relena sempre lhe pareceu tão doce e pacifista, do tipo de pessoa que não seria capaz de fazer mal a uma mosca. Viu quando o rosto bonito e jovial torceu-se em um sorriso feral e rapidamente soltou o braço dela.
- Por quê? Acha que eu não sou capaz? – perguntou desafiadora. Sabia só pela expressão dele o que o americano estava pensando e, sinceramente, já lhe bastava o idiota do Chang achar que ela não tinha cacife para isso. Do chinês ela agüentaria o preconceito, mas jamais esperaria uma coisa dessas de Duo.
- Não! Claro que você é capaz, apenas estou surpreso, só isso. – respondeu defensivo, erguendo as mãos em sinal de paz e Relena soltou um “hunf” sob a respiração e deu as costas para ele, com o nariz empinado e jogando as mechas douradas por cima do ombro, voltando para onde os dois agentes orientais estavam.
- Que atitude infantil heim? – provocou Wufei e a garota apenas deu uma careta para ele. Heero rolou os olhos e sentou-se no sofá, não acreditando naquilo.
- Lá vamos nós de novo. – murmurou exasperado, esfregando a tempôra com as pontas dos dedos e esperando pelo pior.
- Atitude infantil Chang? – disse a loira com desdém e em seu lugar no sofá Heero começou a fazer mímicas, imitando os gestos de Relena que, no momento, estava mais concentrada em agredir Wufei verbalmente. – Oh, e você é o Sr. Maturidade. Quem foi que deu um piti feito uma perua histérica em loja com liquidação quando soube que o Shinigami tinha mais uma vez superado a agência em uma missão? – Duo ergueu as sobrancelhas e olhou divertido para Wufei, que fazia uma careta de extremo desgosto diante da escolha de palavras da jovem. O americano voltou seu olhar do chinês para o marido e segurou a risada quando viu Heero fazer uma expressão idêntica de Wufei e começar a imitá-lo com escárnio. Parecia que ele estava bem familiarizado com as brigas dos dois companheiros, assim como parecia já estar enjoado delas.
- Não maior do que as penas que você solta cada vez que o Zechs veta você durante uma missão. – Relena pareceu que iria eriçar a crista como um galo de briga quando ouviu isto. O fato de Zechs sempre a estar vetando em uma missão de campo era uma ferida aberta que sempre doía e que Wufei adorava cutucar.
- Argh, você é desprezível Chang! – rosnou furiosa, sua voz elevando-se a cada segundo e um estalo soou vindo de seu punho fechado. Tinha acabado de quebrar o comunicador que segurava em uma das mãos diante da pressão que empregou sobre ele para descontar a sua raiva.
- Ótimo! Agora coloque a língua entre os dentes e fale isso de novo Patolino. – escarneceu e a mulher iria pular em cima dele diante da ofensa, quando sentiu um braço forte envolver a sua cintura e o seu corpo ser jogado contra o sofá dos Winner.
- CHEGA! – a voz de Heero fez os quadros nas paredes tremerem diante da força empregada em seu tom e Quatre, Duo e Trowa recuaram consideravelmente, afastando-se do japonês. Trowa e Quatre porque sentiam o perigo emanando do homem. Duo porque sabia o estrago que o japonês poderia fazer com uma arma na mão.
- Eles são sempre assim? – o loiro árabe virou-se para o amigo de cabelos compridos, já que ao que parecia ele conhecia o casal brigão há mais tempo. Duo apenas deu de ombros. Raramente via Wufei e Relena, e geralmente não era os dois ao mesmo tempo. Da última vez que os vira dividindo um salão foi durante o seu casamento e naquela época Relena era apenas uma menina de quinze anos e Wufei era um homem casado e aparentemente mais calmo.
- Eu juro que se eu ouvir mais um de vocês soltando ofensas e farpas como duas velhas frígidas eu atiro nos dois… ESTAMOS ENTENDIDOS? EU JÁ ESTOU DE SACO CHEIO DISSO! – Heero brandiu sua arma em uma das mãos e Relena encolheu-se no sofá enquanto Wufei tentava arrumar algum abrigo diante da explosão do japonês.
- Mas Hee… – a loira começou a se defender, mas calou-se quando o famoso olhar “omae wo korosu” do japonês voltou-se para ela.
- Você! Pare de criancice e admita de vez que está afim do Chang! – acusou, apontando um dedo entre os olhos dela e a garota engoliu em seco, dando um aceno positivo com a cabeça. – E VOCÊ! – virou-se para o chinês num estalo, fazendo Wufei dar um pulo no lugar e se retesar todo. – A convide para sair. Mas pelo amor de Deus parem com isso! – soltou exasperado e deixou o seu corpo cair no sofá, voltando a massagear a tempôra com as pontas dos dedos da mão esquerda enquanto sua arma oscilava pendurada em seu dedo indicador da mão direita. – Vocês já estão me dando dor de cabeça.
- Grrr, Ro! – Duo caminhou rebolativo em direção ao marido e Heero ergueu a cabeça, arqueando uma sobrancelha para o americano. Era impressão sua ou o homem tinha ronronado? – Sabia que você fica extremamente sexy quando está furioso? – inclinou-se sobre o japonês, apoiando um joelho entre as pernas do homem mais velho e colocando os braços ao lado da cabeça dele, aproximando o seu rosto do rosto de Heero. – Quatre tem trinta quartos disponíveis dentro desta mansão. Que tal você e eu nos perdermos em um deles? – sacudiu as sobrancelhas sugestivamente e Heero riu, não acreditando no que estava ouvindo.
Puxou o americano pela cintura, o trazendo para se sentar em seu colo e fazendo a sua mão encontrar caminho por aquela coxa macia e sob a fenda do vestido negro. A outra mão perdeu-se nas longas mechas castanhas do cabelo do americano e ele o puxou de encontro a sua cabeça, arrebatando os lábios dele em um beijo. Duo enterrou os dedos nos cabelos rebeldes do marido e gemeu contra a boca dele, começando a se mexer sobre o colo do japonês e provocando o membro adormecido que estava confinado na calça do smoking do homem.
- Com licença? – a voz de Wufei interrompeu o amasso dos dois homens e dois orbes, violetas e azuis, fixaram-se no chinês, irados diante da interrupção. – Temos um trabalho para fazer aqui, sabia? Antes de vocês chegarem o chefe nos contatou Yuy, querendo saber como foram às coisas no restaurante. Ao que parece chegou aos ouvidos dele que houve uma pequena confusão no lugar. Bombas e defuntos.
- Hunf! Fale com Duo sobre isso então. – resmungou o japonês, tirando Duo de seu colo e o colocando ao seu lado no sofá. O americano apenas deu um sorriso maroto. Parecia que Heero ainda não tinha superado o fato de que ele tinha chegado primeiro ao alvo e usado ele como distração. Porém, negócios eram negócios e maridos à parte.
- Duo? – Wufei virou-se para o rapaz e o sorriso do mesmo alargou-se. Duo remexeu-se no sofá e enfiou a mão dentro do decote de seu vestido, primeiro retirando as próteses de silicone que serviam como seios falsos e depois tirando um pequeno disco de dentro do decote.
- Yeah baby, yeah! Eu sou bom, podem dizer, eu sou muito bom! – disse matreiro, rodando o disco por entre os dedos delgados. Num movimento rápido Heero tirou o disco das mãos de Duo, que ficou piscando diante do que tinha acontecido. Num momento o pacote estava entre os seus dedos e no outro não estava mais, e ele nem tinha visto o japonês se mexer. Virou-se para ele com uma expressão surpresa e depois sorriu abertamente. – Hum Hee que mãos rápidas você tem. – provocou com uma voz sexy e Wufei rolou os olhos negros.
- Ah pelo amor de Deus! – e virou-se para Quatre e Trowa. – Qual é o problema dele? – perguntou, apontando para o americano que tentava voltar para o colo de Heero, que dessa vez o impedia muito ocupado tentando catar um dos laptops sobre a mesa de centro para ver o que continha o disco.
- Adrenalina. Parece que Duo ainda não descarregou toda a energia que surgiu diante da perseguição. E como Heero é o alvo mais direto… ele é uma bomba sexual pronta para explodir. – respondeu Trowa dando de ombros.
- Duo! Duo quer parar? – Heero tentou afastar o homem, mas esse já estava em seu colo e abrindo os primeiros botões da sua camisa social. Vendo que nada faria o americano recuar, resolveu apelar. – Pooh-bear, por favor! – Duo fez uma careta e as suas mãos congelaram no ar. Pooh-bear? Odiava esse apelido. Era meloso demais, fofo demais, o fazia se sentir como um bichinho de pelúcia para ser apreciado e apertado, mas não para ser levado para cama para uma noite de diversões. Em resumo: era um apelido ridículo. E Heero sabia disso.
- Ai Ro, você sabe como brochar um homem. – falou em um muxoxo, finalmente saindo do colo do marido e sentando-se ao lado dele com os braços cruzados sobre o peito e um biquinho infantil nos lábios vermelhos de batom. Heero apenas rolou os olhos, inserindo o disco no laptop.
O programa rapidamente carregou e planilhas e desenhos gráficos surgiram na tela do laptop, fazendo o japonês inclinar-se um pouco sobre o aparelho para poder compreender as imagens que se apresentavam em frente aos seus olhos. Pouco a pouco os outros agentes foram rodeando Heero para poder ver o que ele observava com tanta intensidade, também tentando decifrar aqueles cálculos complexos e desenhos geométricos complicados. Um silêncio tenso estava na sala até que Relena soltou um longo assovio de admiração.
- Eu não acredito nisso! – murmurou a loira, empurrando Heero para o lado e assumindo o lugar dele no sofá. – Olhem só isso. Sistema de interação neuro-cerebral. Cálculos de precisão e probabilidade… – a jovem continuou rodando o programa a procura de mais gráficos e notas, resmungando uma coisa ou outra sob a respiração. Heero e Wufei trocaram olhares, com o japonês erguendo-se do sofá e começando a perambular pela sala.
- O que está acontecendo? – Quatre perguntou ao chinês parado ao seu lado e esse deu um meio sorriso.
- Quando a Darlian fica com aquele olhar sobre alguma coisa remotamente científica, pode ter certeza de que vai demorar um bom tempo até ela nos explicar o que é aquilo. – respondeu o homem e o jovem árabe assentiu com a cabeça. Poderia ser um rapaz inteligente, mas o conhecimento de Quatre restringia-se apenas a objetos informáticos. Conseguia penetrar em qualquer arquivo virtual do mundo, mas não saberia decifrar os intricados de uma arma construída por engenharia robótica sem ao menos ter um bom manual de conceitos básicos por perto e uma longa aula sobre o assunto.
- Bem, alguém quer alguma coisa enquanto espera? Café? Chá? – oferece o loiro ao lembrar-se de que era o anfitrião aquela noite. Cada um fez o seu pedido ao rapaz, exceto Relena que ainda estava concentrada no projeto, e Quatre sumiu dentro da mansão para providenciar as bebidas. Enquanto isso Duo recolhia o seu celular e sumia em uma das ante-salas da casa, sendo imitado por Heero que também fez o mesmo, mas escolhendo as portas que levavam para o jardim interno ao invés de um escritório qualquer.
Meia hora depois um Duo devidamente vestido com roupas masculinas tomava a sua terceira lata de refrigerante enquanto Wufei folheava algumas revistas a um canto da sala. Heero estava recostado contra o batente da porta que levava a varanda, com os braços cruzados e os olhos fechados enquanto Trowa e Quatre conversavam quietamente perto do bar. O americano ergueu-se de seu assento e caminhou até o seu marido, parando em frente a ele e esperando que esse esboçasse alguma reação diante da sua presença.
- O que foi? – perguntou o japonês depois de dois minutos com Duo o encarando intensamente.
- Contatei o meu chefe e pedi para que ele viesse para cá, parece que ele tem uma proposta a fazer para a White Fang. – respondeu o rapaz, enrolando uma mexa da ponta da trança no dedo. Os olhos azuis abriram-se vagarosamente e fixaram-se no rosto arredondando de Duo.
- Hn, eu fiz o mesmo. Marquise deve estar chegando – mirou o relógio em seu pulso. – daqui a dois minutos. – terminou de falar no momento em que a campanhia da porta tocou. – Ou menos.
O moreno desencostou-se do batente quando viu Rashid entrar na sala acompanhado por um homem alto e de longos cabelos loiros presos em um rabo de cavalo na nuca. Usava um terno escuro que descia impecável pelas curvas do seu corpo, enquanto os olhos azuis vagavam por todos e tudo naquela sala até fixarem-se nas figuras de Heero e Duo. Deu um sorriso de lado e caminhou a passos lentos, quase felinos, em direção aos dois homens.
- Duo, quero que conheça o meu chefe Zechs Marquise. – apresentou Heero e lançou um olhar duro ao marido quando percebeu que esse estava de queixo caído diante da presença imponente do loiro. – DUO! – chamou em um tom mais firme e o americano pareceu sair do transe em que estava.
- Muito prazer senhor Marquise. – o cumprimentou ainda embasbacado por conhecer o chefe da poderosa White Fang. Na sua concepção ele sempre imaginou um cara velho e mandão, nada comparado ao homem na sua frente.
- O famoso Shinigami. – Zechs respondeu com uma voz rouca – É uma honra conhecê-lo. – e deu um sorriso charmoso. Embora fossem rivais, ainda sim Marquise não era estúpido ao ponto de não admitir que Shinigami era bom, bom o suficiente para desbancar até o seu melhor agente. E conhecê-lo pessoalmente realmente era uma honra.
Heero pigarreou ao lado deles e lançou um olhar frio ao chefe, envolvendo rapidamente a cintura do marido e o levando para longe do loiro. Zechs soltou uma pequena risada diante da atitude do japonês e sacudiu a cabeça de um lado para o outro. Prontamente o loiro se recompôs e seguiu os dois homens, dando um aceno de cabeça como cumprimento para Wufei.
- Esses são Quatre Winner e Trowa Barton. – Heero continuou as apresentações, apontando para os dois agentes dos Preventers que trabalhavam com Duo e silêncio retornou a sala, sendo preenchido somente com o barulho dos dedos de Relena contra as teclas do laptop.
- Agora que estou aqui, onde está o chefe dos Preventers? – perguntou Zechs em um tom baixo. Havia sido contatado por Heero que disse que o chefe dos Preventers queria uma reunião com ele, mas não via o homem em lugar algum, a não ser que ele fosse um dos dois jovens que lhe fora recém apresentados.
- Relaxa, pega uma bebida. – Duo sorriu para o loiro, jogando uma lata de refrigerante para ele que Zechs pegou no ar. – Cacique Supremo deve estar chegando a qualquer momento. – e novamente a campanhia tocou assim que o rapaz terminou de falar e esse deu um sorriso enviesado.
- Mestre Quatre? Sr. Khushrenada. – Rashid anunciou o segundo visitante e Treize entrou na sala, não se importando em olhar a sua volta como Zechs, pois já estava mais do que familiarizado com os seus arredores.
- Chefe! – Duo fez uma continência exagerada para o homem que torceu o rosto em uma careta contida.
- Maxwell! – sibilou em um tom baixo, sentindo os pêlos de sua nuca eriçarem quando percebeu que estava sendo observado demais pelas costas. Lentamente virou-se em direção ao seu observador e um lento sorriso predador surgiu em seu rosto. – Yuy, há quanto tempo. – disse com uma voz irritantemente agradável e Heero virou-se para Duo soltando um rosnado do fundo da sua garganta.
- Maxwell! – pronunciou cada sílaba do nome de solteiro do marido. – O seu chefe é o seu tio? – do outro lado da sala Quatre soltou um resmungo semelhante a uma risada abafada, Trowa parecia impassível diante da situação enquanto Wufei e Zechs olhavam a cena sem entender. Relena? Bem, Relena não estava reconhecendo nada ao seu redor além da tela do computador em frente aos seus olhos.
- Okay, okay! Minha família inteira é um clã de espiões. Não é como se eu tivesse que dizer isso a você no nosso casamento. Os votos falavam claramente: amar e respeitar, não tinha nada de dizer a verdade, nada mais que a verdade. – caçoou em um tom maroto e Zechs soltou uma risada diante da controvérsia que era Duo Yuy. Ou seria Maxwell?
O loiro voltou a sua atenção para o homem mais velho, o chefe da Agência Preventers, e polidamente estendeu seu braço para ele em sinal de cumprimento. Treize olhou longamente para a mão estendida a sua frente, seus orbes azuis observando os dedos pálidos e subindo vagarosamente pelo braço até fixar-se no rosto do jovem. O mesmo pensamento que Duo teve mais cedo passou pela cabeça do homem. Achava que o líder da White Fang fosse algum velho, com certeza de origem militar e pretensões políticas duvidosas. O inverso do que se apresentava a sua frente. Ao menos na questão de ser velho. Sem contar que o loiro lhe era estranhamente familiar. Fechou os olhos por um breve momento para poder tentar associar a figura dele com alguma lembrança quando algo clicou na sua mente.
- Milliardo Peacecraft. – os ombros de Zechs retesaram levemente, algo que somente um bom observador perceberia, coisa que aquela sala tinha de sobra, mas o homem não mudou a sua postura e a sua mão continuava estendida. Em um movimento rápido Treize a segurou, lhe dando um aperto firme. – Eu lembro de você… da academia militar. Contudo, sua figura era mais morena e seus olhos… mais castanhos. – Treize concluiu calmamente. Como poderia esquecer o arrogante filho do Ministro de Relações Exteriores, Dominic Peacecraft?
- Falando em ironia. – Quatre murmurou para Duo que deu um aceno positivo de cabeça. Jamais poderia imaginar que os líderes das duas maiores agências de espionagem do país ao menos já tivessem se cruzado alguma vez na vida.
- Ainda tentando superar meu recorde? – rebateu o loiro, sabendo que seria inútil fingir que não era quem Treize o acusava de ser, ainda mais agora que havia se recordado do homem, o sargento que achava que era dono do mundo. Ou ao menos era isso que Zechs pensava. E, além do mais, se iam trabalhar juntos, ao menos uma mínima confiança teriam que ter um no outro.
Treize soltou um som de irritação e largou rapidamente a mão do loiro, vendo que, apesar dos anos, ele não tinha mudado muita coisa. E ainda era extremamente pomposo diante do recorde que quebrou por mais tempo gasto dentro do simulador de vôo.
- Ao meu ver senhor Peacecraft…
- Marquise! – Zechs o interrompeu, afastando-se dele e indo para o outro lado da sala, postando-se atrás do sofá onde estava Relena. Automaticamente Wufei e Heero seguiram o seu superior, posicionando-se ao lado dele como dois fiéis guarda costas. Afinal, Marquise era filho da maior família política do país e a sua morte com certeza causaria grande reboliço na estrutura nacional.
Duo, Quatre e Trowa seguiram o exemplo de seus colegas e cercaram Treize. Ele não poderia ser um quase príncipe, mas ainda sim pertencia a um alto escalação das forças armadas e com certeza qualquer coisa que acontecesse a ele também causaria um certo impacto no Estado.
-… A sua Agência possui informações que complementam as da minha Agência no caso referente à organização Oz. E, pelo visto, segundo as nossas avaliações, precisaremos de mais do que bons espiões-assassinos – deu uma longa olhada para Duo e Heero, os melhores dos melhores de ambas as agências. – para resolver este problema. Temos um interesse em comum e creio que resolveríamos as coisas mais rápido se nos unirmos.
Zechs lançou um olhar para os dois agentes emparelhados ao seu lado, ergueu ambas as sobrancelhas loiras e apoiou-se preguiçosamente no encosto do sofá, observando desinteressado o que tanto prendia a atenção de Relena naquele computador. Seu paletó entortou-se com o movimento, revelando o punho de duas pistolas que ele carregava sob a roupa. Mechas do cabelo loiro caíam por sobre um dos ombros enquanto a sua longa franja causava algumas sombras em seu rosto, lhe dando um ar pensativo.
- Um belo discurso sargento. – seu tom não era sarcástico, na verdade era extremamente polido, mas as palavras deram a entender claramente a zombaria implícita nelas.
- Coronel. – Treize corrigiu, não perdendo a compostura diante da atitude relaxada do rapaz mais novo. Ele era extremamente compenetrado, não lembrando em nada o jovem impulsivo que conheceu, o fazendo se questionar se realmente este era Milliardo Peacecraft. Porém, os cabelos e os olhos diferentes não eram suficientes para mudar totalmente as feições do loiro. Sem contar que Khushrenada tinha uma memória fotográfica.
- Hum, Coronel. – repetiu Zechs. – Eu acho uma boa proposta. – respondeu como se estivesse negociando o financiamento de um carro. – Mas se vamos trabalhar juntos quero ter o direito de ter acesso irrestrito a todas as informações que vocês possuem da Oz. Além de colocar meu melhor homem na chefia do caso. – automaticamente os olhos de Treize caíram sobre Heero.
- Óbvio. – retrucou, dando um relance para Quatre que havia compreendido o recado mudo do chefe. Deixar a White Fang ter acesso ao arquivo Oz e desaparecer com qualquer outro arquivo da agência. Iriam confiar neles, mas não iriam confiar tanto. – Se você não se importar de meu melhor homem trabalhar com o seu. E claro, também quero ter acesso irrestrito ao que você tem. – Zechs ergueu as sobrancelhas, fixando seu olhar em Duo, e deu um sorriso enviesado.
- Claro! Creio que estamos acertados então. – finalizou e soltou um longo suspiro. – Relena! – chamou em um tom firme e isso pareceu acordar a garota de seu transe. Grandes olhos azuis piscaram freneticamente, mirando primeiro Treize a sua frente, tentando reconhecê-lo. Quando não conseguiu, se virou para Zechs as suas costas e surpreendeu-se de ver o irmão ali. Quando foi que ele tinha chegado?
- Como você surgiu aqui? – perguntou abobada.
- Invenção do século, minha querida. Chama-se carro! – respondeu, fazendo pouco caso da inteligência irmã. – E sei que para você se alienar do mundo desta maneira é porque algo de interessante está neste computador. Se importaria de compartilhar conosco? – a resposta atravessada que estava na ponta da língua da garota teve de ser engolida ao ouvir o tom de ordem do homem. Suspirando resignada, ela ergueu-se do sofá para esticar as pernas e o corpo e começou a perambular pela sala para explicar a sua nova descoberta.
- É extremamente fascinante. – começou com um brilho peculiar nos olhos. Zechs, Heero e Wufei soltaram um suspiro sofrido, já conhecendo aquele brilho, e os três acomodaram-se no sofá já sabendo que a explicação seria longa ou cansativa. Relena não sabia dizer que dois mais dois era igual a quatro, ela sempre tinha que meter várias equações no meio.
- É um sistema integrado de emissão de ondas neuro-cerebrais e cálculos de probabilidade exata, acoplado aos comandos do que seria esse protótipo de MS. Dá ao piloto a exatidão dos movimentos adversários, suas estratégias e conseqüências de seus próprios ataques. É simplesmente genioso. – Treize ergueu uma sobrancelha diante da explicação da garota enquanto Quatre fazia uma expressão de que somente tinha entendido 1/10 de tudo. O restante não precisava dizer que não havia compreendido a missa a metade.
- Traduzindo? – perguntou Wufei.
- Uma máquina de prever o futuro. – Relena caminhou até o computador e posicionou-o de modo que todos pudessem ver o que estava escrito na tela. – Que eles batizaram de Sistema Zero.
Continua...