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Capítulo 9 – Não poderia ser diferente
– Mamãe? Mãe? MAMÃE! – Akemi gritou tentando atrair a atenção de Saori que estava olhando algo pela janela.
– Me chamou, Akemi? – Saori perguntou fazendo com que a menina revirasse os olhos.
– Imagina, só a uns cinco minutos – a menina exclamou aborrecida.
– Desculpe, meu amor – Saori pediu passando os dedos pelo rostinho da filha.
– A senhora e o papai estão mal – Akemi disse balançando a cabeça levemente. – Vocês mal conversam e ficam um em cada canto.
– Impressão sua – Saori falou forçando um sorriso.
– Só porque eu sou criança vocês se acham no direito de mentir pra mim – Akemi disse após dar um suspiro de reprovação. – Eu só quero saber se posso ir ao clube com as minhas amigas.
– Pergunte ao seu pai... – Saori começou a dizer, mas Akemi a interrompeu.
– Ele mandou perguntar pra senhora – Akemi falou aborrecida.
– Pode ir então – Saori disse após pensar um pouco. – Vai ser bom pra você se distrair um pouco.
Akemi saiu do quarto aos pulos falando qualquer coisa sobre pedir para o motorista levá-la. Saori sorriu balançando levemente a cabeça, e voltou sua atenção para o jardim. Seiya estava dando um banho no cachorro. No momento ele estava sendo ensopado pelo cachorro que se sacudia todo na tentativa de repelir o dono. Não demorou muito e Akemi apareceu para complicar ainda mais a situação.
Fazia quase três semanas que Saori havia tido aquela conversa com Seiya, e realmente as coisas entre os dois iam de mal a pior. Saori tentava voltar a agir como antes, mas era difícil. Apesar de ser a reencarnação de Athena tinha sentimentos mortais e o ressentimento que sentia era muito grande para que ela ignorasse assim. Sabia que Seiya era cabeça dura, mas isso não dava a ele o direito de agredi-la do jeito que bem quisesse e depois pedir desculpas como se nada tivesse acontecido.
Quando Saori voltou sua atenção para Seiya viu que ele mantinha a cabeça erguida, a fitando. Saori até que tentou desviar o olhar, mas Seiya a olhava de um jeito, que ela simplesmente não conseguia virar o rosto. Ficaram assim por minutos até que Akemi quase derrubou Seiya quando o abraçou. Ele riu e segurou a menina no colo.
– Mãe! – Akemi gritou quando Seiya a colocou no chão. – Desce! Vem ajudar a dar banho no Ikari!
Saori sorriu balançando levemente a cabeça, depois fechou a cortina e largou-se na cama fitando o teto. Não conseguiria viver daquele jeito por muito mais tempo.
"Será que meu casamento com Seiya foi um erro?", ela perguntou-se com o coração apertado.
– Aonde o senhor vai, papai? – Akemi perguntou quando Seiya desligou a torneira e começou a recolher as coisas que estava usando para dar o banho no cachorro.
– Vou na casa do Shiriu – Seiya disse tentando sorrir. – Quer ir comigo?
– Nem pensar! – Akemi exclamou cruzando os braços. – Não quero ter que aturar o Dhoko! Aquele chato...
– Sabia que eu e sua mãe começamos assim? – Seiya disse em um tom divertido. Akemi fez uma careta. – Cuidado que eu sou um pai muito ciumento e não quero saber de você namorando ninguém por muito tempo.
– Não fale besteiras, papai – Akemi resmungou virando-se para entrar em casa.
O sorriso de Seiya se desfez assim que Akemi entrou. Ele deu um suspiro e dirigiu-se para o carro. Foi para a casa de Shiriu, precisava conversar um pouco e nada melhor que um amigo que sabia exatamente por tudo que havia passado desde que conhecera Saori.
– Shiriu está no escritório, Seiya – Shunrei disse sorrindo quando atendeu a porta. – Pode ir lá.
– Obrigado, Shunrei – Seiya falou um pouco desanimado.
Shunrei o observou entrar com as sobrancelhas levemente arqueadas, ficou com vontade de perguntar como as coisas como Saori estavam, mas achou melhor que ele fosse conversar com Shiriu mesmo. Foi então para a cozinha preparar algo para eles.
– Não está nada bem mesmo, não é? – Shiriu perguntou cumprimentando o amigo.
– Eu não sei mais o que fazer – Seiya disse cansado. – Saori diz que eu sou teimoso, mas ela também não fica atrás. Eu sei que eu errei, admito isso, mas eu merecia uma nova oportunidade.
– Você tem que ter paciência, Seiya – Shiriu falou com o seu habitual tom de calma, mas Seiya não estava com nem um terço da tranqüilidade do rapaz.
– Eu estou cansado, Shiriu! – Seiya praticamente gritou. – Não agüento mais o clima daquela casa. Saori mal fala comigo, quando fala é hostil! Eu já tentei de tudo, mas ela não consegue me entender!
– E o que você pretende fazer? – Shiriu perguntou franzindo a testa. – Você sempre disse que era feliz com a Saori, e que não conseguiria se afastar dela.
– Eu vou ter que tomar atitudes drásticas – Seiya disse lentamente. – Eu não queria ter que fazer isso, mas não vejo outra saída.
– Você já tinha falado nisso, mas não achei que fosse ter coragem – Shiriu falou pensativo.
– Eu já disse, Shiriu – Seiya continuou. – Minha vida não tem sentindo sem a Saori.
– Ah, claro, agora você diz isso, sabe que ela não te traiu – Shiriu falou sem conter o tom de sarcasmo na voz. – E Akemi? Aonde ela entra nessa história? Não pensa nela?
– Claro que penso – Seiya disse balançando levemente os ombros. – Talvez ela seja a minha maior motivação para isso, não quero que ela sofra. Ela é como a Saori, se faz de forte, mas sei que ela deve estar assustada com tudo que está acontecendo.
– Acho que você está escolhendo o pior caminho, tanto Akemi como Saori precisam de você – Shiriu aconselhou. Seiya levantou e começou a andar de um lado para o outro da sala.
– Não tem jeito! – ele disse após ficar alguns segundos em silêncio. – Não posso continuar assim. – Eu vou pedir o divorcio, vai ser doloroso para mim, e principalmente para Akemi, mas realmente não consigo mais sustentar essa situação.
– Ainda acho que é cedo para que você tome esse tipo de decisão – Shiriu disse enfático.
– Estou decidido, Shiriu – Seiya retrucou parando de andar. – Irei falar com Saori ainda hoje.
– Depois de todos os obstáculos que vocês passaram acho triste que termine assim – Shiriu disse após um leve suspiro de desaprovação.
O cavaleiro de Dragão ainda tentou persuadir o amigo, mas Seiya estava categórico em sua decisão, e por não querer acabar brigando com Shiriu, Seiya acabou resolvendo voltar para casa. Durante todo o percurso Seiya tentou ensaiar algo para dizer para Saori, mas acabava sempre recontando todas as dificuldades que haviam passado, todas as vezes que chegara a se desesperar pensando que não encontraria Saori com vida.
Quando chegou Seiya foi direto para o quarto. Tinha que falar com Saori antes que a coragem lhe faltasse. Quando entrou no quarto, porém, encontrou a esposa dormindo. Com cuidado para não acordá-la Seiya aproximou-se, e sentou-se para poder observá-la melhor.
Poderia passar o tempo que fosse, mas Seiya continuaria achando que Saori era linda, e jamais se cansaria de vê-la dormir serenamente.
Ele deslizou levemente os dedos pelo rosto dela, depois colocou a mão sobre a barriga de Saori e não pode conter um sorriso ao imaginar que dali a poucos meses Daichi nasceria. Ele ficava imaginando com quem o menino se pareceria (queria muito que fosse parecido com Saori), se ainda saberia como segurar um bebê, ter que levantar durante a noite quando ele resolvesse chorar.
Seiya estava tão absorto em seus pensamentos que demorou um pouco para perceber que a mão de Saori estava sobre a sua. Confuso ele olhou para o rosto dela e seus olhos se encontraram enquanto Saori mantinha um sorriso doce nos lábios.
– Acho que ele sentiu o pai – Saori disse emocionada.
– Ele ainda é muito pequeno para mexer – Seiya disse tentando não se deixar levar pela emoção dela. Levantou-se rapidamente e começou a andar de um lado para o outro do quarto.
– Eu senti – Saori murmurou sentando-se e ainda sorrindo acariciou o ventre que começava despontar. – Aliais, eu o sinto o tempo todo. É mágico.
– Nós precisamos conversar, Saori – Seiya falou bastante sério.
– Tudo bem – Saori retorquiu um pouco assustada. – Estou ouvindo.
Seiya respirou fundo tentando pensar em um bom jeito de começar, mas tudo parecia doloroso demais. Antes que ele iniciasse a frase batidas insistentes na porta o detiveram.
– Entre – Saori disse sem tirar os olhos de Seiya.
– Senhorita! – era Tatsumi. Apesar de Saori já estar casada há um bom tempo ele não perdera o costume de chamá-la de senhorita. – Telefone...
– Eu estou conversando com Seiya agora – Saori começou a dizer aborrecida.
– É um problema – Tatsumi insistiu. – Com a senhorita Akemi.
-O quê? – Saori exclamou arregalando os olhos. – O que aconteceu? – ela perguntou exasperada, mas mau deu tempo para que Tatsumi respondesse uma vez que pegou o telefone imediatamente. – Alô? Sim, sim, aqui é Saori Kido Ogawara. O que aconteceu com a minha filha?
– Saori, calma – Seiya pediu, mas era inútil. Os olhos de Saori estavam cheios de lágrimas, a respiração lenta e dificultosa. Ele também se sentia angustiado afinal Akemi também era sua filha, mas tinha que manter a cabeça no lugar para poder ajudar Saori.
Sem saber o que fazer ele ficou de pé atrás da esposa, com uma das mãos em seu ombro, para ampará-la caso ela perdesse o equilíbrio.
– Tudo bem. Eu... Eu irei vê-la agora mesmo – Saori murmurou antes de desligar o telefone.
– Saori... – Seiya a chamou preocupado uma vez que Saori não esboçava reação alguma. – Por favor, não me assuste assim!
– Ah, Seiya, Seiya... – Saori exclamou virando-se de repente e abraçou-o. O cavaleiro, pego de surpresa, demorou um pouco para retribuir, mas logo permitiu que ela se aninhasse em seus braços. – A...Akemi.
– Onde ela está? – Seiya perguntou pacientemente.
– Como você pode ficar tão calmo? – Saori exclamou tentando desvencilhar-se dos braços dele, mas não conseguia deixar de se sentir amparada junto ao marido.
– Saori, não é hora de brigarmos.
– Akemi quase afogou! – Saori o interrompeu desesperada.
– Ela o quê? – Seiya exclamou afastando-se um pouco para fitá-la. – Mas... Akemi sempre nadou muito bem! Como isso pode ter acontecido?
– Eu não sei! – Saori exclamou exasperada. – Eu não devia ter deixado que ela fosse.
– Não foi sua culpa – Seiya disse fazendo com que Saori erguesse a cabeça para olhá-lo nos olhos. – Ela quase se afogou, não é?
– Ela ficou alguns segundos sem respirar, Seiya! – Saori murmurou inaudivelmente. – Podem haver seqüelas.
– Mas também podem não haver! – Seiya disse a abraçando novamente. – Não deve ter acontecido nada de ruim afinal ela é nossa filha.
Saori ainda demorou um pouco para se acalmar. Seiya fazia de tudo para ela se sentisse mais tranqüila, a abraçava e dizia palavras de carinho e conforto.
– Vamos para o clube – Saori disse pegando a bolsa que estava largada em cima da cama. – Eu quero ver como Akemi está.
Seiya sabia que não adiantava tentar persuadir Saori a ficar e deixá-lo ir sozinho. Os amigos costumavam dizer a Seiya que ele era muito mais teimoso, mas eles só diziam isso porque não conviviam com Saori vinte e quatro horas.
Foram o caminho inteiro sem trocar uma única palavra. Seiya tentava se concentrar na direção enquanto Saori mentinha os braços em volta da cintura, e um olhar perdido.
Quando chegaram foram em busca de informação, mas quando passavam pela aérea das piscinas Seiya viu a filha brincando despreocupadamente com as amigas.
– Eu não acredito... – Seiya murmurou passando a mão pelo rosto. – Saori, espere.
– O que houve? – ela perguntou confusa, virando-se para fitá-lo, mas Seiya simplesmente apontou em direção a piscina.
– Akemi! – Saori exclamou já indo em direção a menina.
– Volto já! – ela gritou para as meninas e foi até a mãe. Saori a abraçou e respirou aliviada ao constatar que ela estava bem.
– O que você fez, Akemi? – Saori exclamou afastando-se para olhá-la.
– Eu... – Akemi murmurou abaixando a cabeça. – Eu estava brincando, mamãe.
– Não fale assim, mocinha! – Saori disse severamente. – Quase me matou de susto! Quem te ajudou a montar essa peça?
– Ninguém – Akemi disse com um ar inocente.
Saori passou a mão pelo rosto e respirou fundo.
– É sua culpa! – Saori murmurou quase inaudivelmente. – Sua culpa, Seiya!
– Minha? – Seiya repetiu erguendo a sobrancelha.
– Com o exemplo que você dá Akemi só podia mentir! – Saori gritou descontrolada. – Vai ser assim também quando Daichi nascer?
– Se está tão preocupada assim com a educação deles peça o divórcio de uma vez e os crie sozinha! – Seiya disse friamente.
– É o que eu devia fazer! – Saori exclamou impetuosa.
– PAREM! – Akemi gritou com os olhos cheios de lágrimas. – Parem de brigar... Eu achei que quando ficassem preocupados comigo vocês fariam as pazes! – ela murmurou chorando descompassada. – Não agüento mais! Vocês nem se falam direito, brigam por qualquer bobagem. Onde eu fico nessa história?
– Akemi, escute... – Saori tentou começar a explicar, mas simplesmente não conseguiu pensar em nada para reconfortar a menina.
– Não quero ouvir mais nada! – Akemi gritou batendo o pé no chão. – Eu acho que o que vocês contaram, sobre as dificuldades para ficarem juntos, é tudo mentira! Cada um só pensa em si. Eu e Daichi não significamos nada!
– Você sabe que não é assim, Akemi – Seiya disse ajoelhando-se e fazendo com que a menina erguesse a cabeça para fitá-lo. – Nós te amamos, e por amar tanto que acabamos ficando nervosos e brigamos, tentando encontrar um culpado que não existe para o que aconteceu.
Akemi tossiu um pouco uma vez que sua garganta estava extremamente seca e por estar demasiada nervosa não conseguia parar de chorar.
– Você sabe que eu não suporto te ver chorar – Seiya disse passando os dedos pelo rosto dela. – Eu vou conversar com a sua mãe...
– Vão brigar – Akemi murmurou.
-Prometo que não – Seiya disse sério. – Só vou conversar. Enquanto isso você pode ir brincar com as suas amigas?
A expressão da menina dizia que ela não queria obedecer, mas depois de muita insistência de Seiya ela acabou concordando e deixando os pais a sós.
– A cada dia ela se parece mais com você – os dois disseram em uníssono.
Depois se fitaram longamente ficando em total silêncio.
– Não acho que ela se pareça comigo – Saori disse balançando levemente a cabeça. – Herdou a sua teimosia.
– Minha teimosia? – Seiya repetiu erguendo a sobrancelha. – Tem certeza?
– Quem nunca desiste de nada? – Saori perguntou ironicamente. – Akemi parece não querer nos ver separados e armou tudo isso.
– A situação entre nós está insustentável – Seiya disse após um suspiro. – Mas não acho justo que Akemi pague por um erro que nós dois cometemos.
– Você... Você estava falando sério quando disse que quer se separar? – Saori perguntou em um murmúrio.
– Fale francamente, Saori, não é o que você deseja? – Seiya retrucou sem perder a calma. Prometera a Akemi que não iria brigar com Saori, e faria o possível para cumprir.
Ele notou que o rosto da esposa empalidecera enquanto seus olhos percorriam insistentemente o rosto dele. Os gritos das crianças se divertindo ao longe na piscina e o canto dos pássaros era um contraste com o clima tenso que havia entre o casal.
– Eu nunca... – Saori começou a dizer confusa. – Jamais falei nada disso a você!
– Nem era preciso que me dissesse, não é, Saori? Eu te conheço, percebo quando está nervosa, ansiosa ou me escondendo alguma coisa. Eu mereço o jeito frio que você está me tratando, por te conhecer tão bem deveria saber que você jamais pensaria em me trair, mas eu te amo tanto que perco completamente a razão. Sei que esse é um sentimento errado e que eu não deveria desconfiar tanto assim de você – Seiya disse com um triste sorriso. – Não quero ser mais o causador de suas lágrimas, e se o divórcio for a única solução, eu o assinarei sem hesitar.
Saori ficou completamente paralisada e não tinha a menor idéia do que responder. Seiya era tolo, teimoso e não conseguia controlar seus impulsos, mas fora assim que Saori o conhecera, fora assim que se apaixonara.
– No que Akemi se parece comigo? – Saori perguntou após refletir alguns minutos.
– Ela é determinada. Teimosia e determinação são bem diferentes – Seiya respondeu maneando levemente a cabeça. – Ela é doce, mas apesar da pouca idade já consegue ser séria quando precisa ser.
– Akemi não conseguiria ficar longe de você – Saori murmurou. – Só você consegue acalmá-la...
Saori parou de falar e olhou confusa para Seiya. Apenas ele conseguia dar a ela aquela sensação de proteção, de conforto. Devia ser a mesma sensação que Akemi tinha.
– Você lembra que quando Akemi nasceu só dormia se você a ninasse? – Saori disse com um tímido sorriso nos lábios.
– E eu não tinha o menor jeito para segurá-la – Seiya lembrou-se com carinho.
– Se acontecer o mesmo com Daichi? – Saori perguntou preocupada.
– Tenho certeza de que não vai – Seiya balançou levemente os ombros. – Você vai tratar de deixá-lo bem acostumado a sua presença e completamente indiferente a minha.
– Claro que não, Seiya! – Saori exclamou revoltada. – Você fala como se eu fosse um monstro! Eles são seus filhos, tem todo o direito de ver você. Eu fui criada pelo meu avô, mas eu sentia falta de uma família grande, pais, irmãos...
– E descontava em nós no orfanato – Seiya disse displicente.
– Está impossível conversar com você! – Saori retrucou após um suspiro de desaprovação. – Você prometeu a Akemi que iríamos conversar, mas não colabora!
– Saori, você cresceu com o seu avô e nos momentos de distração costumava nos humilhar, não é verdade? – Seiya perguntou após um suspiro. – Parte da minha infância foi em um orfanato, e a outra metade em um santuário longe da minha irmã e passando por um duro treinamento.
Saori fitou o marido por algum tempo. Ele estava insinuando que a infância dela fora mais feliz que a dele, talvez tivesse sido mesmo, mas as coisas mudaram e muito.
– Por minha culpa – Saori disse tristemente. – Sempre por minha culpa. Fiz você sofrer quando éramos pequenos, quando você me defendia por eu ser Athena... Mas, você conseguiu pagar na mesma moeda.
Seiya estava farto daquilo. Antes que Saori tivesse tempo de entender o que ele iria fazer, o cavaleiro a abraçou com força, e sem nenhuma cerimônia fez com que seus lábios se encontrassem. A principio, ela tentou resistir, mas aos poucos foi se entregando, e deixou que o marido a beijasse como bem queria. Como tinha saudade daquele carinho!
– Seiya – Saori murmurou sem ar assim que ele se afastou um pouco. – Eu tenho certeza de que não vou me arrepender do que irei dizer... Não são só as crianças que vão sentir a sua falta, eu também irei, eu estou disposta a virar essa página, e começar outra vez.
– Você... Você está falando sério? – Seiya perguntou com um lindo sorriso.
– É claro que estou, Seiya! – Saori disse encostando sua cabeça no peito dele, e ouviu seus batimentos acelerados. – Apesar de tudo que passamos, de todo o sofrimento e dor, nós estamos juntos, nada poderia mudar isso, não poderia ser diferente. Só me prometa que vai confiar mais em mim.
– Pode ter certeza que sim, Saori – ele apertou a esposa em seus braços. – Eu não quero correr o risco de perder outra vez.
Saori sorriu e ficou ainda mais a vontade para abraçá-lo. De longe, Akemi viu os pais abraçados e não conseguiu esconder a sua felicidade. Tudo ficaria bem outra vez, foi tudo o que pensou.
FIM
ALELUIA! rs rs Depois de séculos (deve ter sido mais de um ano...) sem atualizar finalmente eu consegui terminar este fic. Esse capitulo passou muito tempo engavetado, eu não tenho mais animo para escrever fics de cavaleiros, mas como o capítulo estava quase todo pronto resolvi terminar. Foi bem estranho escrever com esses personagens porque há muito tempo eu não escrevia nada com eles. Bom, eu só tenho a agradecer quem leu e dizer que com esse 'fim' aí em cima eu também estou dando um fim a minha 'carreira' como autora de fics de Cavaleiros. Este foi meu ultimo fic sobre a série. Continuarei escrevendo sobre outros animes, Cavaleiros vai ficar sempre no coração, mas as fics vão se encerrar por aqui mesmo.
Muito obrigada a todos.
Bianca Potter.