|
Author of 74 Stories |
- Espinhos -
III
"Não faça isso. Vai matar a planta, sua estúpida".
Meu rosto tornou-se rubro, mas ainda assim não levantei o olhar para aquele que me repreendia.
Passaram-se vários dias desde meu primeiro encontro com Kurama, mas eu ainda sentia calafrios ao avistar aqueles olhos amarelados. Por isso sempre evitava encará-lo, por mais que meu orgulho se ferisse com isso.
Logo após o encontro fui transferida da ala das mulheres onde estava a maioria das amantes de Kurama. Eles me mandaram para um quarto próximo aos aposentos de Kurama já que eu era sua enfermeira.
E que bela enfermeira eu fui me tornar não? Minha habilidade com plantas era quase nula, eu sequer conseguir fazer uma erva daninha florescer. Por mais que eu tentasse aquilo parecia simplesmente ir contra mim, era como se eu nunca pudesse ser capaz de fazer uma única coisa certa na vida.
Eu percebia que Kurama estava cada vez mais desapontado comigo. No início ele demonstrava isso por meios suspiros exasperados, e algum gesto contido. Mas com o passar do tempo ele já começara a me xingar, a se referir a mim por nomes pejorativos.
Eu ficava calada quando isso acontecia, os olhos baixos para que ele não visse transparecer neles a repugnância que eu sentia por aquele ser hediondo.
"Viu? É assim que este corte deve ser feito. Se cortar muito perto dos espinhos a infusão dessa erva torna-se um veneno mortal" disse ele exasperado como se saber daquilo era a minha obrigação.
Recolhi a planta em um lenço branco como ele havia me ensinado nos primeiros dias. Ele se ergueu com alguma dificuldade por causa das pernas extremamente finas e frágeis e esperou que eu fizesse o mesmo para que pudesse apoiar-se em meu ombro para caminhar entre as plantas do jardim.
"Acho que nunca perguntei seu nome, não é mesmo pequena?" perguntou ele após um tempo caminhando lentamente.
"Não senhor"
"Então me diga, qual o seu nome?"
"Eu me chamo Botan, senhor"
Ele parou de andar no ato. E como eu não percebi isso continuei caminhando. Quando dei por mim a mão em meu ombro havia sumido e pude ouvir o som surdo de alguma coisa caindo sobre as plantas.
"Senhor!" exclamei voltando-me para ele e vendo-o caído sentado ao chão "Como fui tola, perdoe-me!"
Ele encarou meus olhos, aqueles que eu por tantas vezes tentei esconder, os mesmos que eu nunca quis que ele visse. Ele percebeu quando eu voltei a tentar escondê-los, virando meu rosto para o lado.
Sua mão fina encontrou meu queixo, e virou-o em sua direção para restabelecer o contato entre os olhos.
E ele sorriu. Mas não como da outra vez. Esse sorriso era mais genuíno, mais tranqüilo.
"Não tem problema, pequena peônia"
Eu tenho certeza que naquela hora parei de respirar. Meus joelhos cederam e eu caí ajoelhada em frente a ele. Senti meu rosto arder e minhas mãos tremerem.
Eu estava encantada por suas palavras gentis que contrastavam com sua aparência grotesca.
Eu estava apaixonada por aquele monstro.
Mais dias se passaram desde a minha chegada. Todas as mulheres do palácio não eram autorizadas a sair para a superfície. Logo então era impossível saber se era dia ou noite lá fora, uma vez que dentro do palácio tudo reluzia a metal.
Minha rotina se resumia a dormir, estudar, fazer curativos para os cada vez mais freqüentes machucados de Kurama – que, diga-se de passagem, eu não fazia idéia de onde surgiam, uma vez que ele não saía de seu quarto – e colher ervas. Fui privada de todo o convívio social. Não que fizesse falta, mas é que eu apenas gostaria de compartilhar com alguém como era se sentir enamorada de um ser grotesco como aquele youkai.
Marquei a página onde estava e fechei o livro. Não conseguia continuar tentando decifrar aqueles desenhos de sons com a cabeça tão cheia quanto a minha.
Havia dias em que o que eu mais queria, era não acordar. Morrer durante a noite.
Eu sei que isso soa um tanto covarde. Um tanto patético. Mas por vários dias aquele era o meu único desejo.
Uma morte sem dor.
Mas aquilo nunca aconteceria. Eu não tinha tanta sorte.
Com o passar do tempo fui percebendo que Kurama já não me xingava mais. Talvez estivesse cansado de me minimizar, eu pensei.
Mas estava errada. Deus como eu estava errada. Teria cortado os dedos fora apenas para que alguém mentisse para mim e dissesse que eu estava certa. Mas como eu não via ninguém além de Kurama era difícil de tal coisa ocorrer.
Acordei à noite com a garganta seca, minha jarra de água estava vazia e a fonte de água limpa mais próxima ficava dentro do quarto de Kurama. Não eu achasse aquilo um problema, ainda devia ser noite e ele certamente estava lá pelo sétimo sono.
Pé ante pé adentrei os aposentos de meu mestre. Avistei em meio à penumbra do quarto as águas cristalinas que corriam silenciosamente da boca de leão de pedra. Segurei a jarra de barro firmemente e dei uma corridinha até a fonte.
Foi depois de encher a jarra que notei uma coisa estranha. Forcei os ouvidos para tentar captar algum som. Mas não ouvi nada. E isso era o estranho.
Por estar conectado a tantos tubos, toda vez que Kurama respirava produzia uma leve som metálico, como se batessem com uma colher de cristal em uma chapa de ferro.
Mas lá estava eu, no meio do quarto de Kurama, segurando uma jarra pesada por causa da água, e não ouvia sequer um farfalhar de tecidos.
Foi então que uma idéia me ocorreu. E se Youko Kurama tivesse morrido enquanto dormia?
Minha respiração falhou. Mesmo não querendo eu o amava. Se agora ele estava morto, eu não tinha mais nada. Nada. Não tinha casa, família, amigos, inimigos, propriedades, amor-próprio, orgulho. Nada.
Deixei que a jarra de barro se espatifasse no chão, mas nem sequer ouvi seu barulho. Estava preocupada demais em chegar próximo ao leito de Kurama para pensar nisso.
Afastei os véus coloridos apressadamente, atrás deles eu podia ver uma forma difusa. Cheguei aos últimos véus e só então pude distinguir as formas sobre o leito de Kurama.
Se por algum momento eu achei que Kurama estivesse morto, novamente não podia estar mais errada. Ele não só estava vivo como em excelente forma.
Certa vez ouvi que Kuronue achava que Kurama estava em um pedestal. Onde mulher alguma podia jamais chegar ¹. O que estava diante de meus olhos provava isso.
Aos poucos fui recuando. Os sons fracos e os gemidos estrangulados feriam meus ouvidos. Não que eu nunca os tivesse ouvido – muito pelo contrário – mas é que ouvi-los sair da boca fina e ressequida de Kurama me deixava desesperada.
Eu queria silenciá-lo. Nunca mais ter que ouvir aqueles sons. Eu sabia que se não fizesse aquilo acabaria por enlouquecer.
"Dormiu demais pequena peônia?" perguntou Kurama venenosamente ao me avistar horas mais tarde.
"Não senhor. Sequer fechei os olhos." respondi seca.
"Então devo pensar que seu atraso se deve a pura preguiça?" perguntou ele com seu veneno matutino a todo vapor.
"Se assim quiser pensar senhor." respondi sem encará-lo e colocando a água fresca na bacia de pedra.
Eu sequer conseguia erguer os olhos, tamanha era a minha repugnância. Empurrei a bacia até os pés dele os lavei delicadamente como sempre. Tocando a pele ressequida e fria tentando fazer parecer que nada havia mudado.
Era estranho como perto dele eu me sentia estranhamente grande e gorda, mesmo sabendo que já era bastante magra.
"Você estudou à noite?" perguntou ele notando o silêncio que se instalara e falando como se eu fosse a culpada por ele.
"Não senhor. Lembrei de uma coisa que não me permitiu ter a calma para estudar." respondi honestamente.
"Entendo. Então dar-lhe-ei tarefas redobradas hoje para se redimir." comentou Kurama como se falasse para si mesmo.
Engoli em seco. Aquele era um preço pequeno a se pagar. Pelo menos era o que eu achava.
"Senhor Kurama, posso fazer-lhe um pedido?" perguntei timidamente após secar os pés frágeis dele.
"Um pedido?" replicou ele estranhando.
"Sim. Sabe o que é hoje faz vinte e dois dias que aprendi a decifrar desenhos..."
"Ler." interrompeu-me ele em tom irônico.
"Isso. Então pensei... E-eu imaginei... S-se o senhor não gostaria de compartilhar esta celebração comigo esta noite." finalizei nervosa, esfregando as mãos às costas.
"'Compartilhar esta celebração'?" desdenhou ele rindo das minhas palavras "De que lhe adianta celebrar se nem ao menos sabes ler ainda?"
"Eu achei que..."
"Pois achou errado." sentenciou ele em tom firme.
Senti um calor subir pelo nariz, e meus olhos começarem a ficar úmidos. Mordi a parte interna da boca com força. Não era hora de demonstrar minha fraqueza.
"Sim senhor." me forcei a dizer.
Kurama me observou por um tempo. Os olhos amarelados e opacos já não demonstravam nenhuma emoção. Até que um sorriso cínico se formou no canto dos lábios finos.
"Mas você tem se mostrado uma boa serva durante estes... Quantos mesmo?"
"Vinte dois" apresei-me a dizer-lhe.
"Estes vinte e dois dias. Talvez mereça mesmo uma noite de folga." disse ele pensativo.
Não pude conter um sorriso tímido de se formar em meus lábios unidos.
"Muito obrigada senhor." agradeci com uma reverência.
"Agora vá colher algumas ervas para o chá, estou esperando a visita de Kuronue mais tarde." disse-me ele em tom distraído, como se não fosse nada de mais.
Talvez para ele não fosse nada de mais mesmo. Mas meus olhos se vidraram ao ouvir novamente aquele nome sair da boca de Kurama.
Um sorriso afetado preencheu meus lábios. Eu me sentia estranha. Não conseguia mais controlar o que sentia. Eu tinha raiva de Kuronue por amar Kurama. Mas odiava Kurama por não me amar. E me odiava por amá-lo. E, sobretudo, eu amava odiá-lo.
Meus pés me guiaram para longe do corpo magro e cavernoso de Kurama. Eles me levaram diretamente ao jardim de ervas que eu já conhecia tão bem. Meus joelhos bateram na grama fresca. Rocei minhas mãos sobre as folhas macias, desprendendo delas um aroma doce.
Em pouco tempo meus olhos rastrearam a erva que eu procurava. Era exatamente aquela que eu quase cortara errado dias atrás ².
Com a faca eu a cortei quase em cima do espinho pontiagudo e afiado. Rapidamente, para não correr perigo de desperdiçar a preciosa seiva da planta, enrolei-a em um pedaço de tecido que eu trouxera escondido.
Cortei também as ervas de gosto doce que Kurama apreciava tanto para o chá.
Senti-me imensamente tola ao entregar àquele ser moribundo a trouxa cheia de ervas e ainda mais tola me senti quando ele disse que podia me retirar se quisesse, já que, de acordo com as palavras dele, precisava preparar-me para aquela noite.
Assim, fui para o meu quarto. Aqueci um pouco de água precariamente em uma panela de barro velha que eu desenterrara do quarto assim que cheguei. Quando a água ferveu apaguei o fogo e coloquei a erva lá dentro. Depois me sentei na ponta da cama comportadamente, e esperei.
Uma hora. Duas. Quem sabe naquele exato momento Kurama e Kuronue já não estariam entre os véus coloridos, tirando suas roupas e rindo. Três horas. Quatro. Cinco. Há essa altura eles já devem estar naquelas de ficar séculos pra finalizar a relação. As meninas da casa de dança me contavam que quando o homem estava muito cansado a relação podia durar milênios para acabar. Seis horas. Sete. Oito. Será que Kurama ficara assado? Nove. Dez. E se ele dormisse antes que eu pudesse sequer falar-lhe 'Boa noite'? Seria muitíssimo engraçado se isso acontecesse. Onze horas. Doze.
Chegara a hora. Peguei um copo que estava ali por cima e enchi-o com a infusão. Arrumei sabe-se lá de onde um sorriso que exprimia uma alegria que eu não sentia, e sai.
O quarto de Kurama estava iluminado por muitas velas, que tremeluziam suavemente. Notei com certo espanto que os véus coloridos do leito de Kurama haviam sido presos para cima, constituindo uma espécie de passagem.
No meio do leito estava Youko Kurama, ele sorria suavemente, e parecia muito tranqüilo – ao menos parecia bem menos perverso do que pela manhã, certamente Kuronue tomara conta do mau-humor do amante – com a minha visita noturna.
"Aproxime-se pequena peônia. Desfrute comigo esta noite adorável." disse ele com a rouca parecendo-me extremamente sedutora aquela noite.
"Sim senhor." respondi-lhe enquanto caminhava por baixo dos véus.
"Não me chame de senhor." pediu ele segurando minha mão delicadamente "Esta noite chame-me apenas de Kurama."
Senti meu rosto aquecer levemente. Sem descuidar do copo cheio que carregava na outra mão, sentei-me tendo o cuidado de colocá-lo um pouco afastado de onde nós estávamos.
"Senhor... Digo, Kurama, como sabe que já é noite?" perguntei sem conseguir conter minha curiosidade.
Ele observou meus olhos com os grandes olhos amarelados e opacos. E logo riu.
"Ora pequena peônia, olhe a sua volta. Não vê tudo escuro, e nem sente o cheiro de terra em repouso?" perguntou ele fazendo um gesto amplo.
"Sim, vejo e sinto tudo isso. Mas não há neste céu falso que inventaste para ti mesmo nenhuma sombra da beleza da lua." repliquei.
Ele olhou-me parecendo chocado por um momento, mas logo se recompôs e sorriu para mim. Com uma das mãos segurou meu pescoço e aproximou seus lábios de meu ouvido.
"De que me serve a beleza da lua se não posso tocá-la? Prefiro ter uma beleza menor, porém mais acessível à minha forma terrestre." sussurrou-me ele.
Senti meu rosto aquecer suavemente. E voltei a fitar meus pés, como se eles fossem as coisas mais complexas que já vira na vida.
"Kuronue me contou..." começou ele fazendo com que sua voz rouca atravessasse meus ouvidos como uma lâmina.
Prendi a respiração. Incrível como a simples menção do nome daquele homem me deixava agoniada.
"... Que você ainda é pura." completou ele sem perceber minha angústia.
Fiquei em silêncio. Quem cala consente não é mesmo? E além do mais, eu nunca percebera o quanto minhas unhas do pé eram tortas.
"Havia uma lenda que me contaram quando criança, lá nas terras onde nasci. Diziam que se um homem morresse pelas mãos de uma curandeira pura, sua carne podre jamais seria violada pelos vermes." comentou ele passando os dedos pelos lábios finos.
"Contavam isso a crianças?" perguntei forçando-me a sair do estupor de minha mente.
"Oh sim. Contavam coisas muito piores do que isso." riu ele.
Desviei o olhar. Talvez fosse por causa daquela educação precária que tivessem feito de Youko Kurama o que ele é hoje. Ou talvez não. Eu particularmente nunca acreditei que a educação pudesse influenciar na índole da pessoa, mas talvez a falta dela possa.
Avistei um pequeno bule de cerâmica sobre uma bandeja de prata um pouco afastada de onde estávamos.
"Gostaria de um pouco de chá senhor Kurama?" perguntei gentilmente.
"Sim, senhorita Botan, seria maravilhoso." respondeu ele ironicamente "Já não lhe disse para não me chamar de senhor está noite?"
"Desculpe-me" redimi-me sorrindo timidamente e me erguendo um pouco para alcançar a bandeja.
Eu estava nervosa. Mesmo sabendo que não deveria ficar. Minhas mãos tremiam levemente ao pegar o bule ainda quente e servir somente uma xícara. Olhei se esgueira para Kurama e vi que este estava distraído. Aproveitando-me disso tateei às minhas costas procurando o pequeno copo de barro. Encontrei-o sem demora e despejei seu conteúdo no copo de Kurama.
Era difícil de descrever o que eu sentia. Mas do pouco que eu sabia sobre sentimentos, este me lembrava muito àquele que os nobres chamam de 'orgulho'.
Peguei delicadamente a xícara ricamente desenhada e de aspecto estrangeiro – não que eu conhecesse alguma xícara estrangeira, mas tenho certeza de que aquele se pareceria muito com aquela – e passei-a para ele. Tomei a outra em minhas mãos e o fitei curiosamente.
Ele levou a xícara inocentemente até o nariz e aspirou o odor suave, suspirando tranquilamente.
"Eu posso contar-lhe um segredo Botan?" perguntou ele mexendo o conteúdo da xícara com o indicador.
"Se é o que quer" respondi-lhe suavemente aproximando a xícara da boca.
"Eu a amo." disse ele ainda fixando o olhar no chá.
Eu estava a meio caminho de um gole e me engasguei feio ao ouvir aquilo.
"O-o que?" perguntei fraca fitando pasma o rosto cadavérico.
"Eu a amo." repetiu ele encarando meus olhos seriamente "Mas eu odeio esse sentimento. Odeio amá-la."
Eu sabia que estava fazendo um papel terrivelmente ridículo na frente de Kurama, mas não pude evitar. Mal acreditava nas palavras que ele me dizia.
"Por isso eu..." começou ele voltando a brincar com o chá em sua xícara "... Envenenei o chá que estamos tomando."
Inesperadamente eu comecei a rir. Kurama me olhou sem entender, mas eu pouco ligava. Nós dois nos sentíamos da exata mesma maneira e havíamos feito exatamente a mesma coisa.
"Pois eu também desejo contar-lhe um segredo, senhor Youko Kurama. Eu o amo. Odeio fazê-lo. E como o senhor, envenenei o chá que está nessa xícara." contei-lhe sorrindo debilmente.
Nós dois rimos em mútua compreensão.
Eu nunca vi muitos lugares no mundo. Nunca conheci muitas pessoas. Mas tenho a certeza de que no mundo inteiro, não há duas pessoas mais infelizes que nós dois.
"Sentiu ciúmes de Kuronue?" perguntou Kurama subitamente levando o dedo molhado de chá até os lábios.
"Oh sim, muito. E o senhor?"
"Sim. Mal pude acreditar quando ele me disse que não a havia maculado." sorriu ele com a lembrança recente.
Olhei em volta, mesmo que não fosse noite lá fora, ainda era noite lá dentro. E sorri.
"Sabe de uma coisa? Minha mãe costumava dizer, que se morremos à noite, as cigarras cantam por nós." disse-lhe ternamente.
Kurama sorriu e tomou mais um gole da bebida envenenada. Imitei-o e levei o líquido à boca.
Abaixei a xícara sem notar nenhuma mudança. Eu tinha consciência de que morreria logo. Tinha a certeza de que o amanhã jamais viria. Mas me sentia feliz por saber que jamais no mundo, haveria mais desafortunada pessoa que eu.
Levantei-me e caminhei para longe dos véus, seguindo a textura da terra fofa.
Kurama fez o mesmo, erguendo-se com dificuldade. Ele veio até mim e segurou minha mão.
"Está pronto?" perguntei sussurrando.
"Nasci pronto para morrer minha querida peônia. Assim como você." sussurrou ele em resposta.
Nossos pés avançaram juntos para dentro do jardim e grama verde. Os rostos erguidos e os olhos fechados.
Era como uma vez me disseram. Nesta terra de ninguém, a única lei a que obedecemos é nunca se arrepender dos crimes que cometeu ³.
Fim
1 – vide capítulo I
2 – vide o início deste capítulo
3 – vide prólogo
Nunca. Nunca mais escrevo nada como isso. O.O
Gente eu juro que chorava enquanto terminava esse capítulo. Nããão, ninguém merece. u.ú
Desculpe-me os atrasos com a fic, e Limão-chan, espero que tenha gostado porque é a última vez que eu faço! Ò.ó
Quem pedir continuação apanha!