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As pessoas não podem ganhar nada sem sacrificar algo, você pode dar algo do mesmo valor para ganhar alguma coisa. Esse é o princípio da Troca Equivalente. Naquele tempo, acreditávamos ser essa a verdade do mundo. Contudo, o mundo não é perfeito, então não existe apenas uma lei que governa tudo que acontece nele. É o mesmo para a Troca Equivalente. Ainda assim, acredito que as pessoas não podem obter algo sem pagar um preço. A dor que sentimos foi com certeza preço suficiente a ser pago. E qualquer um que pague o preço conhecido como trabalho duro, certamente ganhará algo. A Troca Equivalente não é a lei que governa o mundo.
Os cabelos balançavam bruscamente, impedindo que pudesse ver alguma coisa em sua frente, não sabia há quanto tempo estava vagando por aquele deserto demoníaco, onde não se podia dormir sem medo de ser soterrado pela areia que vinha com o vento forte. Comida? Não, isso era algo que não sentia o gosto há muitos dias. Suas pernas se recusavam a continuar sob aquele caminho desconhecido, e sob seu peso, cederam.
Não se forçou a levantar, e continuou jogado na areia, apenas contemplando o céu. Sabia perfeitamente o porquê de estar ali, voltara para seu mundo, mas muitas de suas memórias vagavam pelo esquecimento, não lembrava de muita coisa que acontecera nos últimos anos, mas cada vez que se deparava com algo que já vira, imagens passavam por sua mente, como se suas memórias sobre aquilo, fossem recolocadas.
Travava uma batalha interna contra seus olhos, que teimavam em fechar, não podia dormir, não antes de encontrar algum lugar para ficar. Mas seus esforços foram desnecessários, e seus olhos se fecharam, fazendo-o afastar-se de tudo o que acontecia a sua volta.
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Não pode dizer quanto tempo ficou “dormindo”, mas sabia que era muito, pois sentia seu corpo mais forte. Duas coisas que estranhara, era a falta do vento constante do deserto e da sensação de calmaria do lugar onde estava. Finalmente abriu os olhos, permitindo-se ver tudo, estranhamente, não se lembrava de ter adormecido ali. Aliás, não lembrava de ter estado em algum momento dentro de uma barraca. Ainda assim, podia sentir que o vento se chocava com as “paredes”.
Ouviu passos, e em um segundo, juntou a palma das mãos à sua frente e tocou o chão com elas. Da Areia, surgiu uma lança, que empunhou rápido, e quando viu alguém se aproximando, apontou-a para a pessoa.
Ao contrário do que imaginava, a pessoa não tentou desviar, apenas sorriu brandamente, tentando inspirar confiança. O homem que estava diante dele aparentava ter uma idade considerável, a pele morena, castigada pelo sol sempre presente, e os olhos vermelhos, ao olhá-los fixamente, sua mão afrouxou a lança e algumas imagens passaram por sua cabeça.
Centenas de pessoas com pele e olhos iguais àquele, vestidos com trapos no meio do nada. Um homem com as mesmas características com uma cicatriz na face tinha a mão em sua cabeça, aqueles olhos vermelhos, o miravam com um profundo ódio.
Caiu sobre suas pernas, seus olhos miravam o homem se aproximar, e num reflexo, quando ele tentou toca-lo, sua mão foi em direção à do homem.
–Se você prefere ficar no chão, podemos conversar assim. O que faz aqui? –Ele não parecia se importar pelo que acabara de acontecer, sustentava uma voz bondosa e um sorriso brando. Edward não pronunciou palavra alguma, apenas continuou a olhar o homem. –Não vou lhe fazer nada, poderia tê-lo feito quando dormia. –Parecendo que algo entrara na cabeça do garoto, ele respondeu.
–Eu...eu não sei –sua voz soou rouca, pela falta de uso desde que voltara ao seu mundo.
–Não quer comer? Parece que não come há dias. –dizendo isto, estendeu uma mão para o garoto, que a segurou e fez força para se levantar.
–Quanto tempo demora até a próxima cidade? –estranhamente o homem riu, não um riso de deboche, mas um riso de alguém que ouvira algo engraçado.
–Vai demorar um pouco, mas mesmo assim tenho que passar lá. Mais ou menos uns cinco dias. –aquelas palavras chegaram a Edward como um choque, onde estava, perguntava-se todo momento. –Tome –Estendeu uma tigela de barro com algo meio líquido dentro, que Edward creia ser comida, e a tratou como tal, colocando-a a na boca e engolindo. Após terminar, olhou o homem de novo.
–Por qual motivo me trouxe para cá?
–Pelo motivo de não haver nenhum para deixá-lo. Mas...Quem é você?
–Ah, certo, Edward, Elric! Mas...eu já vou indo…não posso perder tempo. Para que lado fica a cidade?
–Se não quer esperar amanhecer...a cidade fica para o norte, e leve isso com você –o homem lhe deu duas bolsas feitas de pele –A escura, tem comida e a clara, água. Acho que isso basta para chegar na próxima cidade. Cuidado com as dunas e com o vento.
–Obrigado, quando nos vermos da próxima vez, retribuirei a ajuda! –Edward sorriu como não fazia há muito tempo e saiu da barraca improvisada rumando para o norte.
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N/A: Vamos ao primeiro capítulo...