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AngelloreXx
Author of 17 Stories

Rated: M - Portuguese - Adventure/Romance - Kurama M. & Botan - Reviews: 28 - Updated: 03-18-07 - Published: 10-25-05 - id:2634096

YYH e seus personagens pertencem a Yoshihiro Togashi.


Lust for Blood

-AngelloreXx-

Capítulo01:

Já passava de meia noite quando um homem de cabelos longos e ruivos adentrou a boate, chamando atenção de algumas atendentes que estavam por perto. Apesar do incidente na noite anterior, nada aparentava estar fora do normal: homens solitários ou em pequenos grupos lotavam a localidade, ocupando as várias mesas enquanto bebiam e apreciavam os shows das dançarinas.

Após uma rápida inspeção visual do obscuro local – que incluiu o palco, onde uma dançarina terminava sua apresentação – Shuuichi Minamino se dirigiu ao bar, sendo prontamente atendido por uma solícita mulher.

“Pois não?” Ela perguntou, se debruçando no balcão.

“Boa noite,” ele respondeu com polidez, mas ignorando o tom claramente sedutor dela. “Estou procurando por Yomi.”

“Yomi?” Ela respondeu, erguendo uma sobrancelha, sua postura mudando sutilmente. “Ele não está.”

“Não?” O ruivo retrucou, enquanto tirava uma identificação do bolso do blazer que vestia e a mostrava à mulher. “Eu realmente gostaria de falar com ele.” Shuuichi então se aproximou ainda mais do balcão, diminuindo em muito a distância entre eles, e a observou calmamente enquanto ela analisava o objeto com a testa enrugada.

Ela então encarou os olhos verdes dele por um momento. “Espere um pouco,” disse afinal, uma sombra do sorriso provocativo voltando ao seu rosto, enquanto entrava em uma porta atrás do bar.

Shuuichi suspirou contrariado, recostando-se no balcão enquanto observava uma outra garota adentrar o palco; o locutor a anunciou por algum apelido ridículo qualquer, se referindo a dançarina como a maior estrela da casa. Toda a boate estava escura, a não ser por um feixe de luz que acendera subitamente sobre ela. O ruivo se esforçou para controlar seu sarcasmo diante da roupa que ela usava. Uma colegial? Quão ridículo era aquilo? Tudo bem, ela parecia ser muito jovem, o que de certa forma condizia com as ‘roupas’. Sim, ela devia ser extremamente nova, talvez nem tivesse idade legal para estar naquele lugar.

O ruivo deu de ombros – não era para isso que ele estava lá - e correu os olhos pela boate mais uma vez, um hábito que adquirira desde que entrara para a polícia. Desistindo de enumerar mentalmente todas as possíveis infrações no local, voltou seus olhos para o palco novamente. Admitindo a si mesmo que a dançarina era de fato encantadora, mesmo com os trajes lastimáveis, ele dispensou uma maior atenção no contraste gritante que eram os seus cabelos lisos e volumosos - de um vermelho tão intenso que rivalizavam com os do próprio Shuuchi - com sua pele alva.

Três vítimas. Três strippers. Três ruivas.

Seu olhar nublou-se quase que instantaneamente e Minamino reprimiu-se quando percebeu que correra os olhos pelo corpo da garota, quase instintivamente, mais de uma vez. Forçou-se a olhar para seu rosto. Ela estava sorrindo; tão sensualmente que por um momento Shuuichi se esqueceu do que ela era, tão absorto que estava em sua estranha e súbita atração por aquela garota. Por aquela mulher.

Uma mulher promíscua, ele se reprimiu.

“Sr. Minamino.”

Tirado subitamente de seu torpor, Shuuchi imediatamente se recompôs, virando-se para responder o chamado da mesma mulher que o atendera anteriormente. Ela então o encaminhou até uma sala reservada, que ele logo percebeu ser o camarim. Era um cômodo espaçoso, com um grande espelho acima de uma bancada com várias escovas de cabelo e pequenos objetos; maquiagem, provavelmente. Próximo à parede, ao lado de um biombo – objeto que lhe pareceu um pouco paradoxal no contexto em que estava -, havia uma espécie de suporte, com cabides cheios de roupas pendurados.

“O Sr. Yomi já está vindo. Pode se sentar enquanto espera,” ele ouviu a voz da atendente soar atrás de si. Com um aceno curto de cabeça, ele acatou a sugestão e se sentou em um sofá próximo. O silêncio durou pouco; a atendente, ainda próxima à porta, comentou: “Ainda não descobriram quem fez aquilo?”

Antes que o ruivo pudesse responder, uma porta ao lado do sofá se abriu e por ela a dançarina que saía do palco quando ele chegara adentrou o cômodo. Com sua nudez apenas parcialmente coberta pelas poucas peças de roupa que carregava à sua frente, ela lançou um rápido olhar para a atendente e em seguida para o ruivo, mas permaneceu em silêncio e se encaminhou para trás do biombo.

A atendente grunhiu algo que pareceu muito com uma risada de escárnio e desaprovação e se retirou do local, fechando a porta atrás de si. Mais um momento de silêncio, que Shuuichi preferiu respeitar.

“...Você é da polícia?” A voz ligeiramente rouca e arrastada dela soou por trás do fino objeto.

“...Sim.” Ele respondeu, observando-a: saindo com passos lentos de trás do biombo, ela agora vestia uma calça jeans e uma blusa simples de malha.

“Sabe,” ela começou, jogando seus cabelos castanhos claro para trás. “Ela trabalhou aqui por muito tempo. Não gostava dela, nunca gostei.” Parou, encostando-se no balcão, de frente para ele, enquanto acendia um cigarro. “Mas não desejo aquilo para ninguém.”

“Acredito em suas palavras,” ele respondeu simplesmente, mas o olhar indecifrável que ele a destinou deixou implícito que seus pensamentos não eram tão simples quanto seu discurso.

Ela o encarou, enquanto tragava profundamente. “As meninas estão com medo,” comentou então, dando de ombros.

O ruivo a encarou de volta, curioso com sua postura relaxada. “E você não?”

Ela tragou mais uma vez. “Nenhuma de nós pode se dar ao luxo de simplesmente parar de dançar...” Comentou, soltando a fumaça devagar, em um tom conformado, mas um pouco pesaroso.

Shuuichi não pode deixar de arquear uma sobrancelha diante do tom da declaração e um breve instante silencioso foi logo quebrado pelo ruído da porta ao lado do balcão se abrindo. De lá saiu uma altiva figura; um homem alto, de longos cabelos negros e feições sérias. O ruivo se levantou de imediato, a mesma seriedade refletida em seus olhos.

“Sr. Yomi?” Shuuichi afirmou mais do que questionou.

“Sim,” ele respondeu com um aceno de cabeça. “Suponho que esteja aqui por causa da Luka,” ele comentou secamente. “...Siga-me.”

E assim o ruivo fez, adentrando, logo após Yomi, em uma sala que aparentava ser seu escritório. Yomi se sentou frente à mesa que ocupava a maior parte da sala, sinalizando para o ruivo fazer o mesmo à sua frente.

Shuuichi foi o primeiro a se pronunciar. “Serei breve. Como o senhor mesmo concluiu, estou aqui devido ao assassinato de Luka. Recebi informações de que ela foi uma contratada de sua boate por alguns anos, isso é correto?”

“Cinco anos,” Yomi respondeu, mantendo o tom pouco amigável em sua voz.

“Você sabe me informar quais eram os hábitos dela? Lugares que costumava freqüentar, companhias, compromissos?”

“Não sei informar nada além dos horários de trabalho e termos do contrato.”

“Isso seria de grande valia,” o ruivo respondeu, preferindo ignorar a postura defensiva do outro homem. “Sabe informar se ela estava em algum relacionamento?”

“Não,” Yomi respondeu após um segundo de hesitação.

Shuuichi não conseguiu conter o leve arquear de uma sobrancelha. “...Sabe se ela morava sozinha?”

“Não”.

“Se mantinha contato com parentes?”

“Não.”

Minamino o encarou por alguns momentos. Yomi estava claramente desconfortável com as perguntas.

“Sr Yomi, creio que você possa me informar como era o relacionamento de Luka com as outras dançarinas de sua boate?”

A face de Yomi se contraiu em desagrado. “Não sei informar nada sobre a vida pessoal de Luka ou das outras dançarinas”.

Certo de que havia algo que Yomi preferia manter em segredo, Minamino, mesmo sabendo que poderia descobrir algo potencialmente importante ali, decidiu por sorrir em aparente cordialidade e encerrar a conversa.

Afinal, ele tinha uma idéia melhor.

oOoOo

Shuuchi saiu da sala, reparando que a dançarina com quem conversara anteriormente estava agora sentada no sofá, ainda fumando. Ao lado dela, uma mulher vestindo um longo yukata branco estava abaixada, aparentemente arrumando algo que estava sobre o sofá. Ele a reconheceu pelos cabelos: era a dançarina ruiva ‘vestida’ de colegial.

Ele ainda caminhou um ou dois passos antes que ela se levantasse. Provavelmente esperando ver unicamente Yomi, ela se espantou ao ver o ruivo quando se virou em sua direção. Seus olhos logo se encontraram e ela não conteve uma expressão de surpresa ao encara-lo. Não era muito comum ver homens assim no camarim; Yomi sempre fora rígido quanto a isso, dizendo que sua boate era “uma instituição séria e que as dançarinas não deveriam dar margem a comentários degradantes”.

Minamino manteve seu olhar fixo no dela, sua expressão neutra, enquanto estudava as duas ametistas com mais atenção. Os cílios pesadamente maquiados e as pálpebras artificialmente coloridas davam ainda mais destaque aos olhos grandes e chamativos.

“...Esse é o agente Minamino,” Yomi o apresentou de forma abrupta, aparentemente nada satisfeito com a intensa troca de olhares entre os dois.

Kurama acenou discretamente com a cabeça enquanto a garota apenas o imitou, lançando depois um olhar levemente irritado para seu patrão.

“E aí, bonitão? Descobriu o que queria?” A mulher sentada – provavelmente percebendo o clima tenso que se formara – perguntou, com o que Shuuichi considerou um tom sutilmente zombeteiro, aquele mesmo jeito cínico característico que o ruivo já aprendera a reconhecer.

“Shizuru.” Yomi advertiu com frieza. “Mais respeito com o Sr. Minamino.”

Ela riu divertida – que para Shuuichi soou estranhamente forçado-, para irritação de Yomi. “Bom, a gente já tava de saída, não é, Botan?” Ela perguntou, se dirigindo à outra mulher.

“Hum... Sim, já vou me vestir,” a ruiva retrucou, enquanto se ocupava em retirar o batom escuro de seus lábios com um lenço, observando a cena com um olhar ressabiado.

Shuuichi se virou para Yomi, enquanto procurava algo no bolso de seu casaco. “Obrigado pela ajuda. Qualquer coisa que o Sr. se lembrar pode ser útil.” O ruivo concluiu, entregando-lhe um cartão contendo seu número de telefone. Ele então se virou novamente às duas mulheres. “Foi um prazer,” disse, com algo que talvez pudesse ser considerado um discreto sorriso enviesado. “Boa noite,” acrescentou, pouco antes de se retirar, fechando a porta atrás de si.

Yomi lançou mais um olhar sério para as duas dançarinas antes de voltar ao seu escritório, fechando a porta com mais força do que o necessário. Botan e Shizuru se entreolharam e a morena apenas deu de ombros, apagando seu cigarro em um cinzeiro próximo.

oOoOo

“Pode admitir, você adorou aquela encarada que ele te deu.” Botan apenas lançou um olhar irônico em resposta à provocação da amiga. “Vai falar que ele não era bonito?” Shizuru insistiu, com uma risada divertida.

“Hum...” Botan ponderou. “Ruivo, olhos verdes, elegante e ainda com aquele ar misterioso?” Enumerou, enquanto abria a porta dos fundos da boate, arrumando melhor seu cachecol ao sentir o vento gélido da madrugada castigar sua pele. “O que mais...?” Perguntou em um tom sarcástico. “Ah, sim, esqueci de mencionar a voz totalmente sexy.” Ela riu, esperando a amiga se retirar, trocando um olhar atravessado com o segurança posicionado ao lado da porta. “Ele só me pareceu muito sério.” Botan comentou, enquanto fechava mais seu casaco e caminhava lado a lado com a amiga.

“Claro, não vê o assunto que ele veio tratar?” Shizuru retrucou sombriamente.

A frase de Shizuru caiu como um balde de água fria sobre Botan. De repente, todo o terror que ela havia sentido nos últimos tempos superou sua fugaz empolgação com o detetive ruivo. Tentando disfarçar sua tristeza, ela falou: “E Yomi...? Vocês brigaram de novo?”

“Esqueça isso,” Shizuru cortou friamente, um contraste com o sorriso amigável que logo em seguida estampou em seu rosto. “E quando vou pintar seu cabelo? Amanhã?” Comentou enquanto puxava de leve uma mecha dos cabelos rubros de sua amiga.

Botan a encarou seriamente. “Sim, sem falta.”

“Já decidiu a cor?”

“Acho...” Ela hesitou por um momento. “Acho que vou voltar a usar a cor natural.”

Shizuru sorriu verdadeiramente. “Ele vai estranhar um pouco.”

“Sim...” Botan respondeu, espelhando o sorriso da amiga, mas com uma nota claramente infeliz. “Espero que não estranhe demais, já que ele sempre me viu ruiva...”

“Hum...” Shizuru começou, apontando para frente enquanto arqueava uma sobrancelha. “Acho que sei o que vai te animar rapidinho.”

Botan levantou os olhos para conferir o que a amiga apontava e não deixou de se surpreender com o que viu. Encostado de maneira casual em um carro no outro lado da rua, estava Minamino, com um pesado sobretudo negro e um leve sorriso em seu rosto perfeito.

“Pensei que vocês pudessem querer uma carona.”

oOoOo

Dia seguinte

“Essa foi a terceira vítima. Agora temos, oficialmente, um serial killer em nossas mãos.”

Mesmo M.O.?” A voz soou no telefone.

Shuuichi deu um longo suspiro, se levantando da cadeira e contornando a mesa de sua sala, tomando o cuidado de desviar o fio do telefone dos objetos em cima do móvel. “Exatamente o mesmo. Vítima escalpelada, escalpo desaparecido... Desfeminização, a genitália estava completamente destruída... O laudo ainda não chegou, mas estava claro que foi causada por explosivos.”

Hum... Stripper também?”

“Sim. E garota de programa. Isso pode ter facilitado a abordagem.”

Deixa eu adivinhar. Não dá pra saber se ele violentou ela, certo?”

“Certo. A explosão apagou qualquer possível vestígio do corpo dela.”

Alguma pista?”

“Nada. O local estava limpo. Ontem fui investigar na boate onde ela trabalhava, mas tinha pouco tempo que estava lá. Ninguém a conhecia direito. Então... Tive que ir até o antigo local de trabalho dela,” o ruivo acrescentou, enquanto abria uma pasta com arquivos sobre o caso. Fotos, documentos, laudos... Não estava ali. Onde ele tinha guardado aquilo? Ele continuou a conversa: “Falei com o dono do lugar, mas não adiantou muito. Descobri mais coisas com duas strippers que estavam lá na hora.”

Minamino, obviamente, já esperava pelas provocações que se seguiram. “Ah, sua raposa! Aposto que ficou de olho nas strippers... Não é, Kurama?” Ele comentou em um tom malicioso, complementando com uma risadinha e dando ênfase ao apelido.

“Mesmo assim, foi pouca coisa,” o ruivo continuou, preferindo ignorar o comentário. “Ela morava sozinha, pelo jeito, tinha saído de casa jovem. Trabalhou durante cinco anos nessa tal boate e, ao que me pareceu, teve um caso com o dono, o tal Yomi... Yusuke, você está prestando atenção?” O ruivo falou um pouco irritado ao ouvir o parceiro conversando com outra pessoa no outro lado da linha.

“Ah, foi mal, é que aquela enfermeira que eu te falei tava aqui,” Yusuke respondeu sem a mínima resignação.

Kurama passou a mão pelos cabelos, como sempre fazia quando se irritava com algo. “Quando vai sair do hospital?” Perguntou, com um tom derrotado.

“O mais rápido possível! Não agüento mais ficar deitado nessa cama o tempo todo. Tem séculos que eu tô aqui!”

“Yusuke... Tem quatro dias que você foi internado. Você quase morreu.”

“Mas parecem quatro meses, ok?” Ele retrucou irritado. “Se não fossem as enfermeiras, já teria dado o fora há muito tempo.”

Shuuichi revirou os olhos. “Você me parece bem animado pra quem saiu a poucas horas da UTI.”

“Se eu saí é porque eu já to legal, sacou?”

Preferindo ignorar o comentário, Kurama deu a volta novamente pela mesa, se dirigindo à cadeira, onde seu blazer estava pendurado. De um dos bolsos, retirou um pequeno pedaço de papel dobrado cuidadosamente. Prendendo o telefone entre o ombro e o rosto, o ruivo resmungou algo enquanto abria o papel, exibindo a caligrafia feminina.

“...Yusuke, preciso desligar.”

“Uh? Como assim? Mas você ainda não me contou os detalhes,” ele respondeu, um tom ressabiado em sua voz.

“Eu passo no hospital em algumas horas. Vou levar todos os documentos, para discutirmos melhor.”

“Ih, a enfermeira voltou,” a voz de Yusuke soou excitada do outro lado da linha. ”Vou desligar, beleza? Falou!”

Kurama suspirou e colocou o telefone no gancho, sentando-se à mesa logo em seguida. Hesitou por um momento, mas decidiu pegar o telefone novamente e discar o número escrito no pequeno pedaço de papel em suas mãos.

Três toques, e uma voz feminina atendeu. Ele sorriu de lado.

“Botan?”

-Continua...-


N/A: Peço perdão pela demora com a atualização... como sempre. Espero que gostem desse capítulo. Obrigada à Spooky por continuar sendo minha vítima leal e corajosa. Comentários sobre a fic e as respostas das reviews estão no meu Live Journal (link no profile). Muito obrigada a 1, Pri, Megawinsone, LikaJunge, Pyoko-Chan, Naru-L, DM Tayashi, Botan Kitsune, Madam Spooky, Kisamadesu, Misha Nightfall, Teella, Mel A.T, Ayumi, CaHh, Misao Kinomoto, Bianca Potter, Vane Nascimento, Ana Paula-Mitos, Thai, Maia Sorovar e Ana Yukina pelas reviews inspiradoras. :)

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