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Author of 132 Stories |
Disclaimer: Os personagens de Matrix não pertencem a mim, e sim aos Estúdios Licenciados da Warner Bros.
Melissa é uma personagem original criada por mim.
Os fatos se passam antes de Matrix Reloaded.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX"Melissa. Vai se atrasar para a escola!"-gritou-lhe a mãe, da cozinha.
Com um suspiro resignado e aborrecido, a menina estava a ponto de desligar o computador quando ele entrou.
"Oi, Mel."
Ansiosa, Melissa respondeu logo:
"Demorou? O que houve?"
"Tive alguns problemas. Então? Como se sente?"
"Me sinto deslocada."
"Como assim?"
"Como se tudo ao meu redor fosse uma grande ilusão. Nunca me ajustei bem a esse mundo. E depois das conversas que tivemos aqui, começo a ter certeza de que algo de muito errado acontece comigo.¬ ¬..."
"Hum..."
"E não venha me dizer que é coisa de adolescente. Sei o que digo.òó"
"Hahaha..nunca diria isso, Mel. Você é especial, pois sente o que há de errado em seu mundo. Por isso tenho conversado com você."
"O que há comigo?"
"A pergunta teria que ser outra. Você sabe qual?"
"Sim..."-ela faz uma pausa e respira fundo antes de digitar.-"O que é o Matrix, Neo?"
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXNa escola, antes da aula começar, Melissa Evangeline observava a paisagem da janela da sua sala de aula, enquanto seus colegas conversavam sobre assuntos que em nada despertavam seu interesse. Apenas a conversa que teve com Neo invadia a sua mente naquele momento.
Então a professora entrou na sala e todos foram para seus lugares, Melissa ainda mantinha o olhar perdido na janela.
"Esta pronta para a realidade, Melissa?"-ele lhe perguntara.-"Será que agüentará a verdade?"
"Melhor a verdade do que viver uma mentira, não acha?"
"Você é jovem ainda. Talvez não suporte a verdade."
"Preciso saber a verdade. Ou acabarei enlouquecendo com essa vida que levo. Sinto que não sou a dona de mim mesma, e isso me irrita Neo."
"Senhorita Evangeline?"-a voz da professora a despertou da lembrança da conversa com Neo.-"O que há com a senhorita? Não presta atenção nas aulas, suas notas caíram. Acho que terei que conversar com seus pais sobre isso."
"Desculpe senhora Blair."-ela respondeu.-"É que não me sinto eu mesma."
"Esta com febre?"-a professora toca a fronte dela.-"Não. Não é febre. Mas é bom se cuidar. O diretor Howell quer vê-la."
Ouvindo as risadinhas dos colegas, ela se levanta e se dirige a sala do diretor. Um homem alto, de pele negra e porte assustador, que lia sua ficha estudantil, enquanto a avaliava.
"Não entendo. Era a melhor aluna da sua turma, senhorita Evangeline."-falou o educador.-"Algum problema em casa? Seus pais estão brigando?"
"Não. Tudo bem."-deu os ombros.
"Acaso esta experimentando...drogas?"-inquiriu a queima roupa.
"Não!"-respondeu imediatamente.-"Fala serio, não me envolvo com essas paradas."
"Terei que ligar para seus pais e conversaremos sobre o que esta acontecendo."-falou largando a ficha sobre a mesa e apoiando o queixo nas mãos em uma posição contemplativa.-"Em sua idade, senhorita Evangeline, tendemos a nos sentir deslocados do resto do mundo. É muito comum isso. Espero que não se deixe levar por essa fase e prejudique seu futuro."
Ela não respondeu.
"Fique aqui. Pedirei que chamem seus pais."
Quando o diretor saiu, deixando-a a sos, a menina continuou a refletir sobre o que estava acontecendo com ela. Seu mundo não era real. Era tudo uma ilusão. Uma grande prisão criada para mante-la. Ela e todos que a cercavam.
"Neo..."
De repente, seu celular tocou e atendeu rapidamente.
"Saia daí agora, Mel."-era a voz de Neo.-"Eles sabem que você esta sabendo a verdade."
A menina corre para a janela, ainda com o celular e presencia a chegada de um furgão onde quatro homens de ternos pretos, e óculos escuros desciam.
"Não deixem que a peguem."
"O que eu faço?"
"Saia da escola e vá ao endereço que te mostrei no chat. Agora!"
Melissa desligou o celular e se preparava para sair pela porta, mas viu aqueles homens conversando com seu diretor e ele apontava para a sua sala. Correu para a janela, e no momento que ia saltar, a porta se abre e os agentes a vêem.
"Pare!"-ordenaram.
"Senhorita Evangeline!"-chamou o diretor.
Mas Melissa saltou, e assim que atingiu o chão começou a correr.
"Cerquem ela."-ordenou o agente que estava ao lado do diretor.
"O que significa isso? É apenas uma menina!"-indignou-se o diretor.
"Isto agora não é um assunto seu, diretor Howell."-e saiu.
Melissa corria e viu que dois agentes se aproximavam. Em um ato desesperado, ela derruba um garoto de sua bike e a rouba.
"O que esta fazendo!"-protestou o menino.-"Minha bike! Ela roubou minha bike!"
Começou a pedalar como louca, saindo da escola. Os agentes que a perseguiam pararam e pareciam conversar pelo fone. Melissa já comemorava o fato achando que havia se livrado deles, mas um carro a alta velocidade apareceu, perseguindo-a.
"Merda!"-praguejou subindo na calçada e virando em um beco, quase atropelando alguns trausentes.-"Sai da frente!"
O carro não desacelerou e continuou a persegui-la, atropelando caixas, latas de lixos, sempre em seu encalço. Melissa avistou a saída do beco e ganhou a rua, quase sendo atropelada por outros carros. O seu perseguidor bateu na frente de um dos carros da rua movimentada, mas continuou a perseguição.
Melissa xingou aquele motorista e com uma manobra ousada subiu novamente uma calçada, adentrando em uma praça, desviando das pessoas e saltando escadas. Parou um minuto para ver onde estava seu perseguidor ensandecido. Para a sua surpresa e horror, ele continuava a persegui-la dentro da praça.
"Ele não para?"-pensou angustiada.
Voltou a pedalar, já começando a sentir os efeitos do cansaço pelo esforço. Então avistou um grupo de trabalhadores fazendo reparos nos encanamentos de esgotos. Caminhões iam e vinham, estava cheio de pessoas. Uma idéia ousada veio a sua mente. Começou a pedalar e se dirige ate eles. Desvia de um, ouve desaforos de outro, e salta por uma rampa improvisada feita por madeiras esquecidas sobre um caminhão, caindo no chão antes que um enorme caminhão de cimento bloqueasse seu caminho.
O automóvel dirigido por um agente freia bruscamente, antes de bater no caminhão de cimento, encerrando a perseguição.
"Perdi ela de vista."-avisou em seu fone, aborrecido.
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Já era noite e chovia muito quando finalmente chegara ao endereço que Neo lhe passara pelo computador. Evitou ser vista, escondeu-se esperando a noite chegar, tudo para que aqueles homens de preto não a encontrassem e a seguissem ate ali.
Parou diante da porta de um enorme edifício, antigo e abandonado. Hesitou um momento se deveria ou não bater na porta. Então como se soubessem da sua hesitação, a porta se abre.
"Bem vinda, Mel."-um rapaz bonito, de cabelos curtos e negros, olhos negros e intensos a saudou. Ele vestia um sobretudo negro, bem como suas roupas também eram negras. Melissa engoliu em seco, achava que Neo era mais o tipo nerd que não saia de frente a um computador, o famoso hacker que a policia tanto procurava. Não que fosse um homem tão lindo quanto misterioso.
"Neo?"
"Sim. Entre."-ele lhe deu passagem e a garota entrou, observando atentamente o local.-"Venha."
Ela o obedeceu, seguindo-o por corredores que pareciam não ter fim, ate um sala confortável, com duas poltronas e uma lareira. Perto da poltrona uma mesinha com uma caixinha pequena de metal e um copo com água.
"Sente-se."-ele pediu.-"Fiquei feliz que tenha conseguido chegar aqui."
"Posso fazer duas perguntas?"
"Sim."
"Por que eu?"
"Você sente algo errado. Que sua vida não esta correta. Sente-se presa em uma gaiola dourada, não?"
"Sim."
"Eu mesmo me senti assim."-respondeu sentando diante dela.-"começamos a nos indagar sobre nossa existência, o que fazemos aqui. Quem somos. Poucos conseguem perceber isso, e poucos conseguem descobrir a verdade e aceita-la."
"Quero saber a verdade."
"Tem certeza?"-ele estendeu a mão e abriu a caixinha, onde haviam duas pílulas. Uma azul e uma vermelha.-"Ainda há tempo de desistir disso. Retornar para casa e voltar a sua vida de adolescente. Poderemos ter essa conversa quando..."
"Não. Estou aqui, não estou?"-ela o interrompeu.-"Fui perseguida por um carro guiado por um maluco de óculos escuros. Não saio daqui ate saber o que esta acontecendo. O que é esse Matrix!"
Neo suspirou e pegou as pílulas, uma em cada mão e as mostrou novamente.
"Escolha então, Melissa. Se quer ir adiante e escolher a verdade, pegue a pílula vermelha. Mas aviso se fizer isso, não voltara jamais a ver seus ditos pais, a escola, a vida que você leva mudara radicalmente."-ela hesitou em pegar a pílula vermelha ao ouvir isso.-"Se quiser esquecer e continuar sua vida despreocupada, pegue a azul e volte ao seu mundo."
Melissa olhava para as pílulas. O que escolher? A verdade ou a doce ilusão?
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Batidas insistentes na porta a acordam. Ainda era cedo, mas tinha muito o que fazer. Lições a serem aprendidas, amigos para conversar e zoar. Muita coisa ainda.
"Vai se atrasar."-uma voz feminina a chama, insistindo em acorda-la.
Melissa Evangeline se levanta, ajeita os cabelos que agora não são tão grandes, eles chega ate a nuca, com as próprias mãos e suspira. Levanta e se veste rapidamente. Abrindo a porta de seu quarto, da de cara com a mulher que ainda insistia em acorda-la com batidas na porta.
"É serio. Na próxima vez eu derrubo a porta. Que sono pesado você tem, Melissa!"
"Desculpe, July."-respondeu com um sorriso sem graça.
"O capitão quer nos ver. Temos que treinar."-a mulher com traços de cabelos vermelhos mais curtos que os dela falava andando na frente.-"Ou se esqueceu que na Ninrod o capitão Gedeon não tolera atrasos da sua tripulação?"
"Eu já me desculpei. Quando chegaremos a Zion?"
"Em algumas horas."-respondeu sorrindo.-"Mel?"
"Hum?"
"Você se arrepende de ter escolhido a pílula vermelha?"
Melissa sorriu, um sorriso franco que há anos não tinha. Lembrou-se da antiga vida que possuía, do seu choque ao descobrir a verdade, bem como o apoio que Neo lhe deu logo em seguida. De Zion, do carrancudo capitão Gedeon e olhou para a sua companheira July, depois alargou o sorriso e falou:
"Em nenhum momento me arrependo de ter escolhido a verdade, a continuar vivendo uma ilusão. "
July sorriu, satisfeita com a resposta da menina. Melissa podia ser apenas uma menina, um Petit Ange, como o capitão já havia se referido a ela uma vez, deixando-a furiosa a ponto de presenteá-lo com um olho roxo durante uma simulação de treino de lutas. Mas ela possuía uma visão da vida e do mundo que poucos adultos possuíam. Sentia-se orgulhosa de te-la como amiga.
Caminharam juntas para a ponte de comando. Receberiam suas ordens, a luta contra as maquinas prosseguia.
Fim...
Nota: minha primeira fic no Universo Matrix. Peguem leve que nunca pretendi escrever uma super saga, mas me contento em escrever pequenos contos desse intrigante e apocalíptico futuro.
O fic é uma homenagem a minha amiga Petit Ange, a Melissa. Espero que tenha gostado.
Beijos