|
Author of 46 Stories |
Disclaimer: Inuyasha e seus personagens são propriedade de Rumiko-sensei. Faço este fic sem fins lucrativos, apenas por diversão.
Ônix
Capítulo Quatro: Falhas
Revisado por Palas Lis - te amo, fofa!
Depois de olhar para o relógio de pulso pela décima vez, Rin ficou feliz de perceber que finalmente estava na hora da aula terminar. Não prestara atenção em nada e a professora não ajudava com aquela voz terrivelmente baixa. Dava vontade até de dormir. Teria feito aquilo, se não corresse o risco de ser tirada da sala duas vezes no mesmo dia. Mas, pensando bem… como uma mulher com uma voz dos infernos daquela virou professora?
Balançou a cabeça para os lados, se dando conta apenas naquele momento de que a professora já tinha saído da sala. Pegou suas coisas e saiu correndo da sala, subitamente sua animação estava de volta, afinal, agora talvez pudesse ir ao cinema com os amigos e, ainda de brinde, poderia estudar no fim de semana com Sesshoumaru. Pensando nisso, precisava encontrá-lo.
Saiu da sala olhando para os lados. Havia muitas pessoas no corredor, não tinha como encontrá-lo daquele jeito. Andou até a saída do prédio de Direito, mais cedo ou mais tarde o encontraria – se Miroku a encontrava ali, Sesshoumaru também poderia.
Parou diante da saída do prédio e virou-se de frente para o mesmo, esperando as pessoas passarem e ter a chance de ver quem procurava. Não precisou se esforçar muito e logo Miroku acenava freneticamente para ela.
– Olá, Miroku! – Rin cumprimentou-o animada, quando ele a alcançou. – Achei que Sesshoumaru-sama já teria cortado sua cabeça fora a essa altura.
– Que é isso, Rin-san. – Miroku coçou a cabeça, sem graça. – Sabe que somos amigos e que ele não faria uma coisa dessas comigo.
– Quem não faria o quê, Houshi? – a conhecida voz se pronunciou no mesmo tom autoritário de sempre, bem atrás do moreno dono dos olhos azuis.
– Er… – Miroku congelou de frente para Rin, ainda sorrindo sem graça. – Eu acho que vou indo na frente, Rin-san! Sangozinha e Kagome devem estar me esperando, ja ne!
E disparou numa velocidade que Rin jamais imaginaria que Miroku conseguia alcançar, como aquela que ele usara para fugir de Sesshoumaru mais cedo. Depois que ele desapareceu de vista, Rin voltou os olhos para o homem que tinha acabado de chegar. Sesshoumaru estava com um sorriso satisfeito no rosto, um sorriso que mais parecia assassino.
– Eto… – Rin chamou a atenção de Sesshoumaru para si, que rapidamente virou os olhos para encarar a garota. – Bom, você disse que marcaríamos depois das aulas, ne?
Ele arqueou as duas sobrancelhas, confuso… do que mesmo ela estava falando? Foi ao encarar os livros na mão dela que ele se lembrou do que a garota estava falando. Bom, pensando naquele momento, realmente não parecia tão ruim, poderia descansar no fim de semana pelo menos.
– Ah, certo. – concordou vagamente. – Na biblioteca, então? Às nove?
– Okay! – ela disse, abrindo um sorriso ainda mais largo que o anterior. – Combinado! Às nove, na biblioteca. Vê se não se atrasa, hein!
– Eu que deveria dizer isso pra você, já que eu sou o tutor aqui. – ele disse, colocando uma das mãos no bolso, enquanto a outra segurava apenas uma pasta.
– Eu estarei aqui, não sei você. Vai que muda de idéia. – Rin disse, balançando-se nas pontas dos pés, atitude que fez Sesshoumaru achá-la incrivelmente infantil.
– Não mudarei. – Sesshoumaru respondeu simplesmente, começando a andar até o estacionamento. – Ja.
– Até mais. – Rin acenou, mesmo que ele não pudesse vê-la, por estar de costas e então olhou o relógio rapidamente, lembrando-se que precisava correr e seguir Miroku. – Ah, o cinema!
Correu até a lanchonete onde costumava encontrar os amigos depois das aulas. Rapidamente avistou o grupo animado com Miroku, Kagome e Sango conversando. Andou a largos passos até alcançá-los.
– E então, vamos ao cinema?! – chegou, colocando as duas mãos sobre a mesa, como se intimasse aquilo.
Os outros três afastaram-se instantaneamente da mesa, ao que Rin bateu nesta, encarando-a.
– Rin-chan está bem animada hoje. – Kagome disse, depois que a outra bateu na mesa. – Já tínhamos decidido ir ao cinema?
– Eu acabei de decidir. – Rin disse, sentando-se numa cadeira ao lado de Miroku, fechando o círculo. – Então, digam que sim, precisamos descansar um pouco da semana.
– Certo… podemos ir. – Sango respondeu, parecendo cautelosa com a animação da amiga. – Mas queria saber porque essa decisão de repente.
– Eu já disse que precisamos descansar, então, o que melhor do que ir ao cinema, comer um monte de besteiras depois e voltar pra casa pra ficar conversando até altas horas da noite?! – Rin disse, dando de ombros. – Amanhã ninguém vai ter aula. Podemos nos divertir.
– Eu concordo. – Miroku disse, animado com a idéia. – Vamos ao cinema! Assim eu posso ficar no escuro com a minha Sangozin…
– MIROKU!
Apenas tiveram chance de ver Miroku caindo com o golpe certeiro de Sango em seu rosto. Se observassem direito, poderiam até mesmo notar uma veia saltando na testa da amiga.
– Er… bom, então que tal irmos andando? – Kagome propôs, depois que Miroku estava se levantando, dando sinal de vida.
– Ótima idéia. – Rin disse, levantando-se também e passando direto por Miroku. – Vamos lá, Miroku-senpai, levante-se daí e vamos andando.
– Já disse que não precisa me chamar desse jeito, Rin-chan. – Miroku replicou, sem graça, vendo Sango e Kagome passarem por ele antes mesmo que conseguisse se levantar.
– Levante daí, Miroku e pare de falar besteiras… ou vai ficar pra trás. – Sango disse, virando o rosto rapidamente, dando um sorriso discreto para o homem.
Ele suspirou e finalmente ficou de pé, limpando a roupa. Quando estava preste a dar os primeiros passos para sair do local, uma mulher com roupa de garçonete deteve-o.
– A conta, senhor. – ela disse, estendendo a ele um pequeno pedaço de papel, com um sorriso gentil em face.
– A… a… quê?! – ele pegou o papel em mãos, suspirando derrotado mais uma vez e então, tirando a carteira do bolso para poder pagar. Daquela vez, Sango tinha realmente se vingado dele.
Quando ele saiu da lanchonete, as três mulheres esperavam lá fora, conversando sobre alguma coisa que fizeram questão de esconder quando ele chegou perto o suficiente. Não teve nem tempo de falar, quando Sango comentou:
– É, está começando a demonstrar o seu real cavalheirismo, Miroku. – e sorriu, vitoriosa, se virando novamente e começando a andar ao lado das duas outras amigas, que apenas sorriram.
– Você é má, Sangozinha! – Miroku reclamou, apressando o passo para poder alcançá-las.
Dali da faculdade, eles demoraram cerca de quarenta minutos até alcançarem o Shopping Center, onde iriam assistir ao filme. Ficaram um bom tempo apenas decidindo qual filme assistir e depois disso, ainda puderam dar voltas pelo local até o início da sessão. O filme era de ação e quando finalmente saíram da sala de cinema, estava perto das dez da noite.
– Nossa… como esse filme demorou. – Rin disse, observando o relógio de pulso. – E agora vamos demorar mais uns séculos para chegar em casa.
– Não tem problema, até que valeu a pena. – Kagome disse, colocando as mãos na cintura. – O filme não foi ruim, e ainda deu pra relaxar. Agora, poderei dormir amanhã até mais tarde, isso é tão bom!
– Claro, um sábado sempre é ótimo. E domingo também. – Sango concordou. – O que achou do filme, Miroku? Está calado.
– Você é uma pessoa muito má, Sangozinha! – Miroku reclamou. – Sentaram as três em uma fileira e deixaram que eu sentasse na fileira da frente…
– Oras, não foi culpa nossa. – Rin respondeu. – O problema é que o cinema estava cheio, e não tinha um lugar com quatro cadeiras vazias.
– É, deixe de reclamar tanto, Miroku. – Kagome disse, dando a volta para andarem para fora do lugar. – Depois você pode arrumar outro lugar pra sentar junto da Sango.
– Bom, vamos nos apressar. – Sango deu vários passos à frente, distanciando-se de Miroku e passando pelas outras duas garotas.
Rin e Kagome apenas trocaram sorrisos travessos e seguiram a amiga, assim como Miroku que suspirava derrotado. Elas ainda pararam na praça de alimentação para comer alguma coisa rápida, antes que todas as lojas do shopping fechassem. Precisaram correr para pegar o metrô antes que perdessem o horário e tivessem de esperar mais algumas horas até o próximo metrô.
As quatro garotas chegaram em casa perto de meia-noite. Rin foi a última a entrar na casa, com uma aparência completamente cansada e indisposta.
– Ah! Finalmente, casa! – respirou aliviada, andando pelo corredor de entrada até a sala de estar. Colocou algumas sacolas que tinha trazido do shopping sobre a mesinha de centro e se jogou no sofá.
– Hei! Vamos ver mais filmes? – Kagome apareceu na sala correndo, vindo da direção do corredor dos quartos. Ela se jogou no sofá, por cima das pernas de Rin, quase a partindo em duas.
– Kagome! Você está louca?! Vai me deixar paralítica desse jeito! – Rin reclamou, tentando se ajeitar no sofá de três lugares.
– Não seja tão dramática, Rin-chan. – Kagome retrucou. – E não vai me dizer que está cansada. Você que propôs para assistirmos o filme no cinema.
– E assistimos lá no cinema, por que quer assistir mais filmes em casa? – Rin reclamou, desistindo de tirar as pernas debaixo de Kagome, que não se movera um centímetro para livrá-la.
– Porque agora vamos assistir a filmes românticos! – Kagome respondeu empolgada, mostrando três DVDs para a amiga. – Veja, comprei todos hoje.
– E vamos assistir todos agora?! – Rin perguntou, incrédula. – Já viu que é quase meia-noite?!
– Então teremos muito tempo até o sol nascer para assistir os três. – Kagome levantou-se de súbito, correndo para fora da sala.
Rin suspirou cansada mais uma vez.
– Eu mereço. – comentou consigo mesma. – Até trabalhar de noite deve ser menos cansativo que isso.
– Já está aí reclamando de quê, Rin? – Sango apareceu na sala, menos alvoroçada que Kagome, com uma bacia de pipoca em uma das mãos e um copo do que parecia ser refrigerante na outra. – Quer pipoca?
– De onde saiu essa pipoca? – ela perguntou, sentando-se no sofá.
– Acabei de fazer no microondas. – Sango respondeu, estendendo a bacia para a garota, sentando-se no extremo do sofá. – Não me diga que nem ouviu?
– Você já trocou de roupa? – Rin parecia um tanto quanto sonolenta quando aceitou as pipocas da garota.
– Rin, acorde! – Sango praticamente gritou para ela. – Chegamos em casa há quase meia hora, queria que ainda estivesse como? E você, vai logo trocar de roupa pra gente assistir os filmes.
– Meia hora?! – ela perguntou, surpresa. – Nossa, como o tempo está passando rápido.
– Não é o tempo que está passando rápido, é você que está perdendo a noção. – Sango respondeu, acomodando-se melhor no sofá. – Ah, e quando voltar, traz o travesseiro e alguns cobertores, por favor?
– Hai, hai.
Rin seguiu até o quarto, quando Kagome estava passando de volta para a sala, correndo. Ela mesma tinha proposto o cinema e o passeio e não imaginava que poderia estar tão cansada com tudo aquilo. Quando chegou ao quarto, para a sua infelicidade, sentiu o celular vibrando no bolso da calça. Nem sequer evitou quando bateu a mão na testa, cansada daquilo. Quem inferno poderia estar ligando àquela hora da noite?!
Quando puxou o aparelho e olhou o número no visor, quase teve vontade de vomitar. Jogou o celular sobre a cama, ignorando a insistente ligação. Não queria atender, não naquela noite. Depois daria uma desculpa qualquer. Trocou de roupa, lavou o rosto para tentar acordar e finalmente voltou para a sala, carregando alguns lençóis e travesseiros.
– Que demora, Rin-chan! Achei que tinha se afogado na cama. – Kagome disse, impaciente, enchendo a boca de pipocas e puxando um travesseiro da mão de Rin.
– De nada, K-chan. – Rin disse, deixando que ela tomasse o travesseiro.
– Agora podemos dar play no filme. – Sango disse, colocando o DVD para rodar.
Rin sentou no sofá para assistir o filme com as amigas. Conversaram metade do filme e na outra metade, comeram. Quando colocaram o segundo DVD, passava de duas da manhã. O filme não devia estar nem na metade e elas estavam adormecidas no sofá, em posições completamente incômodas. Sango estava espremida em dois lugares do sofá, com as pernas por cima do braço deste e a cabeça deitada nas pernas de Rin. Kagome estava deitada no chão, com uma das pernas sobre a mesa de centro e o lençol cobrindo mais o chão do que ela mesma. Rin estava sentada, com a cabeça apoiada no encosto do sofá e o pescoço completamente dobrado, o que iria render certamente um bom torcicolo.
Mas a jovem sequer conseguiu dormir direito. Dez minutos naquela posição e estava sentindo o pescoço doer. Acordou e viu o filme ainda rodando no DVD. Os olhos desviaram-se da televisão para um relógio de parede ao seu lado esquerdo. Marcava por volta de três e meia da manhã, se os olhos cansados dela não a estivessem enganando.
– Sango? Sango… acorda, precisamos ir pra cama. – Rin balançou a amiga pelos ombros, contendo um bocejo cansado.
– Hm… só mais cinco minutos, mãe. – Sango respondeu, virando-se para o outro lado para ficar melhor acomodada.
– Sango…! – Rin tentou chamá-la de novo, mas voltou a bocejar. E não parecia que ia conseguir acordar a outra tão cedo. – Ah… fique aí então.
Ela se levantou, deixando Sango deitada sobre um dos travesseiros que estavam largados e foi até sua cama. Simplesmente se jogou nesta, sem perceber que estava deitada sobre o aparelho celular.
Quando ela voltou a acordar durante a manhã, foi apenas por conta do celular que insistia em vibrar bem debaixo da sua barriga. Devia estar vibrando há pelo menos uns dez minutos. Praguejou mentalmente, e se tivesse condições de comprar um celular novo, teria jogado aquele contra a parede, com certeza. Mas, calmamente, pegou o celular e olhou no visor para descobrir quem estava incomodando-a a qualquer hora que fosse durante seu sono num dia de sábado!
Estranhou ao ver o que estava escrito no visor do celular. Não era um número de telefone, tampouco o nome de algum de seus contatos… na verdade, era um lembrete. Estreitou os olhos para ver do que se tratava e quase pulou da cama.
– Kami-sama! Estou atrasada! – ela levantou praticamente correndo até o banheiro. Esqueceu mesmo até de desligar o lembrete do celular, onde ainda piscava uma nota com os dizeres: “Estudar – Sesshoumaru”.
Precisou tomar banho e escovar os dentes às pressas. Nem comeu alguma coisa. Tinha marcado com ele as nove na biblioteca da faculdade, e o celular estivera apitando desde as oito horas. Claro que, atenta como ela era e com o tanto de sono que estava, o deixara tocando por pelo menos dez minutos até tomar vergonha na cara para ver o que a estava incomodando àquela hora.
Quando terminou de se arrumar, passava das 8h40min. Se corresse um pouco, chegaria ainda dentro do horário marcado. Por sorte a casa era perto da faculdade e não tinha que perder mais tempo esperando ônibus ou metrô.
– Acho que precisamos pensar seriamente na possibilidade de ter um carro. – Rin comentou consigo mesma, quando estava seguindo na direção da porta de entrada. Passou pela sala e seu rosto se contraiu numa careta. Kagome e Sango continuavam dormindo profundamente nas mesmas posições desconfortáveis de quando ela tinha se levantado para ir para a cama. – Vocês não têm jeito…
Balançou a cabeça um pouco para os lados, suspirando, até lembrar-se que ainda estava atrasada. Pegou as chaves e saiu de casa correndo, trancando a porta o mais rápido que conseguiu.
Correu animada pelas ruas e tentando evitar os bocejos que queriam escapar. Ia ter aulas particulares com um aluno novo e nada mau, pelo visto. Sesshoumaru era um homem que com certeza atraía atenção. E ter essa atenção voltada só para ela por um tempo, não ia ser tão ruim, dava pra relaxar mais um pouco de vez em quando. Esperava poder ficar em casa o fim de semana inteiro, sem maiores preocupações além das que já tinha.
Quando a jovem alcançou a faculdade, ainda faltavam cinco minutos para as nove da manhã. Ela suspirou aliviada e se dirigiu direto para a biblioteca. Toda a faculdade estava funcionando, muitos cursos tinham aulas durante o sábado e o movimento era grande entre os blocos. Apenas quando alcançou a porta da biblioteca foi que sentiu o estômago roncar de fome.
– Droga. – reclamou, colocando a mão sobre o estômago e olhando o relógio em seguida. – Agora nem dá mais tempo. Blá… depois eu como alguma coisa.
Ela entrou na biblioteca sentindo o ar gelado do condicionador de ar bater em sua pele. Andou ao longo das fileiras de estantes e livros e não demorou até encontrar uma pessoa incomum, dona de cabelos prateados e olhos dourados, sentada numa das mesinhas entre as estantes, lendo algum livro de Direito que ela não prestou atenção.
– Eu… não me atrasei, atrasei? – Rin perguntou, aproximando-se da mesa e colocando a bolsa nesta, confirmando que ainda eram nove horas.
– Iie. – ele respondeu simplesmente, desviando os olhos do grosso livro com o qual estivera entretido.
– Está aí há muito tempo? – Rin perguntou, procurando alguma coisa na bolsa.
– Não, acabei de chegar. – ele respondeu, fechando o livro e deixando-o de lado.
– Que bom. – Rin sorriu aliviada.
– Então, o que é pra estudar? – Sesshoumaru perguntou, recostando-se à cadeira, numa pose sempre ereta.
– Hum… – Rin vasculhou a bolsa, puxando um grosso livro de lá. – Sociologia do Direito. – ela precisou evitar uma careta ao pronunciar o nome da matéria.
– Não é de se impressionar que estivesse dormindo no meio da aula. – Sesshoumaru disse, puxando o livro que ela tirara e folheando algumas páginas.
– Então… o professor deu os capítulos… – antes que ela terminasse de falar, ele fechou o livro com força e jogou para o lado, por pouco ele não caiu da mesa. – H-Hey!
– Esse livro não presta. – Sesshoumaru se levantou da cadeira, colocando as mãos no bolso e procurando um novo livro na prateleira que estava bem atrás de onde ele estivera sentado.
– Ahn…? – Rin apenas franziu a testa com a atitude dele, mas não tinha muito o que reclamar: ele era o veterano ali.
– Esse… – ele puxou um livro da prateleira e colocou em cima da mesa com força, fazendo um barulho que ecoou pela biblioteca fechada. – Esse… – pegou mais um livro e fez a mesma coisa. – E esse.
– Eh?! – ela não conseguiu pronunciar mais nada depois de ver os grossos livros que ele tinha tirado da prateleira. – Mas…
– Vamos estudar com esses livros. – Sesshoumaru voltou a sentar, tirando os livros um de cima do outro.
– Você ‘tá de brincadeira, né? – Rin perguntou, forçando um sorriso desanimado, mas o sorriso logo se apagou quando Sesshoumaru continuou a encará-la com o semblante sério. – Acho que não.
– Quem é seu professor? – ele perguntou, ignorando o que ela tinha falado e abrindo um dos livros, folheando-o rapidamente.
– Yamamura, Takeshi Yamamura. – Rin respondeu, sem entender até onde ele queria chegar, observando-o folhear os livros.
– Não preste atenção ao que ele diz. – Sesshoumaru tinha parado numa das páginas e corria os dedos rapidamente pelas palavras, portanto, não percebeu a expressão completamente confusa de Rin.
– Como assim…? – Rin perguntou, sem graça, tentando tirar a atenção dele do livro para que a encarasse pelo menos por dois segundos, mas não aconteceu.
– Ele não sabe ensinar. – Sesshoumaru respondeu, deixando a página marcada e abrindo o livro seguinte. – Ele não sabe o assunto, ele não sabe falar, ele é um péssimo exemplo de professor.
– Hum… parece que teve experiências passadas com ele. – Rin comentou, ainda um pouco surpresa com a atitude do homem. Foi apenas com aquele comentário que Sesshoumaru desviou os olhos do segundo livro para Rin.
– Pode-se dizer que sim. – ele respondeu, estendendo o segundo livro para ela e puxando o que estava com a página marcada para si mesmo. – Vamos começar.
– Hai. – ela não viu opção senão concordar. Pelo visto, mesmo na companhia de Sesshoumaru, aquela seria uma péssima manhã. Estava com sono, com fome e ainda por cima, estudando a pior matéria que podia pensar no momento.
Quando Sesshoumaru começou a explicar o assunto, ela sentiu toda a fome e o sono virem de uma vez e teve que se segurar para não dormir ali em cima da mesa. Mas o mais interessante daquilo era que mesmo quase dormindo, ela estava conseguindo associar cada palavra do que ele falava, quase como se aquela não fosse a pior matéria do curso. Na verdade, parecia até boa demais para o que ela tinha estudado até então com o outro professor.
“Droga, por que eu tinha que estar com sono justo agora que estou com um professor decente?”, a jovem pensava, tentando evitar os bocejos. “Acho que esse ar condicionado ‘tá me deixando com mais sono e mais…”.
Sesshoumaru interrompeu a explicação quando ouviu o espirro de Rin. Apenas naquele minuto notou que o nariz dela estava vermelho, e até mesmo a própria Rin só veio perceber o estado depois do espirro.
– Está se sentindo bem? – ele perguntou, arqueando uma das sobrancelhas.
– Que tal a gente procurar um lugar ao ar livre pra estudar? – Rin propôs. – Se eu ficar aqui mais dois minutos, vou gripar.
– Não acha melhor ir para casa? – ele perguntou novamente.
– Não. – a garota respondeu de imediato. – Pela primeira vez na vida estou entendendo esse inferno de matéria. Não vou perder a chance de jeito nenhum. Vamos lá pra fora, eu loco os livros e estudamos no gramado.
Sesshoumaru não respondeu com palavras, apenas pegou os livros e se levantou, assim como Rin, que fechou a bolsa e seguiu o homem. Como ele estava andando a frente dela, ainda sentiu-se livre para bocejar demoradamente sem que ele percebesse, mas então, tinham alcançado o balcão, onde ela alugou os livros e saíram do ambiente frio.
Ela conseguiu respirar fundo quando chegaram aos gramados na frente do prédio. Havia muitos bancos e mesas por todo lado, quase como se fosse uma pequena praça. E a quantidade de árvores também ajudava para projetar sombras sobre eles.
– Ali, vamos sentar ali! – Rin disse, animada, indicando um gramado onde não havia ninguém, debaixo da sombra de uma enorme árvore.
Ela andou até lá sem precisar que Sesshoumaru assentisse. Ele não iria responder nada mesmo, do modo como falava pouco. Ele apenas a seguiu e logo estavam sentados, encostados ao grosso tronco de madeira da árvore.
– Bem melhor assim. – Rin disse, olhando para Sesshoumaru bem ao seu lado. – Podemos continuar agora.
– Certo. – Sesshoumaru concordou, voltando a abrir o livro e mostrando-o para a garota ao seu lado.
À medida que ele ia explicando, Rin sentia os olhos começarem a pesar mais e mais. Por melhor que fosse a explicação da matéria vinda de Sesshoumaru, ela definitivamente não tinha dormido o suficiente para se manter atenta a todas as palavras dele. Às vezes, ele lia algum trecho que tinha no livro e ela não conseguia mais enxergar direito as pequenas letrinhas negras. Antes mesmo que se desse conta, não estava escutando mais nada e seus olhos fecharam instintivamente. A cabeça pendeu para o lado inconscientemente e adormeceu, apoiada em alguma coisa.
Sesshoumaru calou-se de imediato quando sentiu o peso de Rin sobre seu ombro. Precisou virar o rosto apenas alguns centímetros para ver que a jovem estava dormindo. A respiração ritmada ressoava lentamente e o nariz dela ainda estava vermelho do tempo que tinham ficado na biblioteca. Não tinham se passado nem dez minutos de explicação e ela estava dormindo! Aquilo era um absurdo. Precisou contar até dez para manter a calma. E ele tinha disposto de algumas horas de seu tempo para ajudá-la, para que ela fizesse aquilo?
Levantou a mão para poder acordá-la, mas antes que conseguisse concretizar a idéia, parou a mão, observando a expressão calma dela. Os olhos dourados ficaram fitando a garota por algum tempo. Parecia realmente cansada e ele não queria ser o responsável por tirá-la do seu sossego. Talvez tivesse um motivo que não fosse a explicação dele para que ela tivesse caído no sono. Relaxou um pouco mais, acalmando-se, evitando fazer movimentos bruscos para que ela acordasse. Não podia ser tão ruim assim que ela tivesse dormido, depois poderia completar a explicação.
Ele quase balançou a cabeça com o modo como estava pensando. Àquela altura, ele deveria estar com muita raiva de perder seu tempo para que ela começasse a dormir e provavelmente nunca mais iria propor que ela aprendesse alguma coisa com ele. Mas não tinha como pensar daquele jeito quando olhava o jeito sereno como ela dormia. Fazia muito tempo que não via expressões tão despreocupadas… fazia tempo que ele mesmo não dormia daquele jeito.
Apenas deixou que ela continuasse descansando e voltou os olhos para o livro que estava aberto sobre suas pernas. Começou a folheá-lo lentamente, lendo algumas coisas mentalmente, livrando a cabeça de quaisquer preocupações. Não percebeu quanto tempo exatamente tinha se passado, mas sabia que não tinha sido muito, quando ouviu um toque de celular. Teria buscado dentro dos bolsos, mas não reconhecia aquele toque.
De repente, Rin acordou, assustada, levando a mão rapidamente ao bolso. Ele ficou apenas observando-a, quando ela finalmente alcançou o aparelho e atendeu, como se nem tivesse se dado conta de que estivera dormindo.
– Moshi, moshi?
Ela passou a mão no rosto enquanto ouvia a pessoa falar do outro lado. Sesshoumaru desviou os olhos dela e voltou a ler alguma coisa do livro que segurava, apenas escutando o que ela falava.
– Gomen… eu não vi a ligação. Acabei chegando tarde em casa. – ela respondeu, e mesmo que Sesshoumaru continuasse olhando o livro de Direito, estava atento a cada palavra que ela respondia no celular. – Hai. Sem problemas. Hai. Até mais, então.
Depois daquilo, ela desligou o celular e colocou de volta no bolso. Respirou fundo e voltou os olhos sonolentos para Sesshoumaru.
– E então, onde estávamos? – ela perguntou, com um sorriso no rosto, parecia não ter idéia de que estivera dormindo por algum tempo.
Sesshoumaru arqueou uma sobrancelha ao encará-la. Ficou calado, vendo a expressão confusa dela, tentando descobrir se ela não estava de algum modo brincando com ele.
– Você quer dizer antes ou depois que dormiu? – ele perguntou, depois de um tempo, vendo os olhos dela se arregalarem por um instante.
– Eh? – ela sorriu sem graça, corando levemente. – Do-dormir? – questionou e não precisou de palavras para que soubesse a resposta. – Go-gomen, Sesshoumaru-sama! – ela curvou-se rapidamente sobre os joelhos, completamente constrangida de que tinha realmente dormido durante a explicação dele.
– Acho que não é uma boa idéia estudarmos essa matéria. – Sesshoumaru respondeu, fechando os livros e se preparando para se levantar.
– I-iie! – ela segurou-o pelo braço antes que fosse embora. – Eu… realmente sinto muito. Não foi culpa sua. A explicação estava ótima. Realmente não foi isso… eu dormi pouco durante a noite, só isso.
– Então acho melhor estudarmos num dia que tenha dormido tempo suficiente. – Sesshoumaru respondeu, levantando-se de uma vez, desvencilhando o braço dela.
– H-hai. – ela concordou, percebendo que ele não ia voltar a estudar com ela tão cedo. Nem levantou ou virou o rosto para encará-lo depois do desastre que tinha feito.
– Vou me assegurar para que da próxima vez eu marque um horário de tarde. – Sesshoumaru comentou, e apenas naquele minuto ela ergueu a cabeça, confusa com o que ele tinha dito.
Quando ela olhou para cima, viu a mão dele estendida para ajudá-la a se levantar. E mesmo que não estivesse com alguma expressão feliz – na verdade, era a mesma expressão fria de sempre –, não parecia tão zangado com o que ela tinha feito. Ficou sem reação diante do ato dele.
– Não quer uma carona pra casa?
– Ah… hai! – ela aceitou a mão dele e se levantou, sorridente.
Começou a segui-lo até o estacionamento, estavam completamente em silêncio, Rin ainda não sabia o que dizer exatamente, mas as palavras quase saltaram de sua boca.
– Gomen. Eu realmente não queria ter dormido. – ela disse e ele não se deu ao trabalho de virar o rosto para observá-la. – E arigatou… pela carona.
– Estou apenas me certificando de que não vai dormir no meio do caminho e ser atropelada. – Sesshoumaru respondeu, no mesmo tom de sempre. – Uma morte a menos para me preocupar.
– Já disseram o quanto você é sensível? – Rin comentou rapidamente, quando alcançaram o carro e ele destravou.
Sesshoumaru não respondeu e Rin entrou no carro, sorrindo, mas logo bocejou. Quando ele fechou os vidros do carro e ligou o ar condicionado, ela estava a ponto de dormir novamente, mas não conseguiu, ouviu a voz do homem invadindo seus ouvidos.
– Não esqueça que não sei onde mora. Se dormir, não vai chegar em casa. – Sesshoumaru disse, dando ré no carro e fazendo a curva para sair do estacionamento.
– Hai, hai. – Rin respondeu, cansada.
Não demoraram nem dez minutos direito e logo o carro suntuoso estava parado diante da casa de Rin e das amigas. Ela se virou para Sesshoumaru antes de abrir a porta para sair.
– Arigatou. – agradeceu novamente. – Nos vemos semana que vem. Ja ne.
– Ja. – Sesshoumaru fez um breve aceno com a mão e esperou que ela fechasse a porta para passar a marcha e sair na direção de sua casa.
Rin andou até a entrada da casa e ainda se confundiu para acertar a chave da porta da frente em meio ao molho de chaves que tinha na bolsa. Quando entrou em casa, passou pela sala e não viu mais Kagome e Sango, mas os lençóis e a bagunça ainda estavam lá da noite anterior. Ela passou direto para o quarto e quando abriu a porta, viu que Kagome estava dormindo profundamente na sua cama. Apenas conseguiu balançar a cabeça negativamente e fazer o mesmo que ela. Jogar-se na cama e dormir em menos de dois minutos.
Diferente da jovem, Sesshoumaru andou direto até o escritório quando alcançou sua casa, um pouco distante de onde Rin morava. Pelo silêncio no ambiente, Inuyasha ainda estava dormindo, o que era um conforto parcial. A casa só era boa o suficiente quando Inuyasha ou dormia ou estava fora dela.
Fechou a porta do escritório ao passar e andou até a cadeira atrás do gabinete. Olhou de lado para o aparelho de fax, mas estava normal, não havia nada indicando que ele tinha recebido ligações ou qualquer coisa do gênero. Sentou-se e abriu o laptop no centro da mesa. Esperou ligar e olhou por alguns minutos para a imagem de fundo da tela do computador. Suspirou e logo abriu um programa onde começou a digitar uma série de informações rapidamente. Aquela simples tarefa o distraiu por não mais que meia hora. Ele imprimiu o que tinha escrito e andou até o aparelho de fax, discando um número e esperando até que fosse atendido.
O Taisho mais velho só saiu da sala quando passou o fax e desligou o laptop. Não tinha muita coisa para fazer numa manhã de sábado além de esperar. Sentou-se numa das cadeiras da mesa de jantar e serviu-se de água, permanecendo ali por algum tempo, pensativo.
Apenas quando o relógio de parede marcava por volta de meio-dia, alguma das mulheres da casa onde Rin morava acordou. Kagome levantou-se da cama mais por fome do que por vontade de acordar. Havia dormido tempo o suficiente para completar as suas oito horas de sono diárias. Apenas quando a estudante de veterinária sentou-se na cama foi que notou que Rin estava de volta e bem adormecida na outra cama do quarto.
– Rin-chan? – Kagome chamou-a, ainda sonolenta e, como resposta, a outra se virou na cama, tentando tapar os ouvidos. – Rin-chan!!! Acorde!
– No momento não posso atender… deixe recado. – Rin respondeu, a voz abafada pelo travesseiro e muito sonolenta.
– Rin-chan, deixe disso, acorde logo, mulher. Estou com fome. – Kagome reclamou, passando a mão sobre o estômago.
– Vá procurar alguma coisa pra comer, oras. – ela respondeu, ainda com muito sono, pelo tom de voz.
– Mas está na hora do almoço. Precisamos fazer o almoço… – Kagome retrucou novamente, agora bocejando.
– Não complique minha vida, K-chan. É só pedir alguma coisa por telefone. – Rin disse, irritada por estar tendo o seu sono interrompido.
– Hai, hai. – Kagome foi vencida pelo sono de Rin e se levantou, andando até a porta do quarto, mas antes de sair, voltou-se para a amiga de novo. – E onde você foi hoje?
– Estudar… agora me deixe dormir. – Rin virou para o outro lado, escondendo-se completamente sob o edredom.
Kagome fechou a porta antes que fosse atacada pela outra e seguiu até a cozinha. Em poucos minutos, Sango também tinha acordado e juntou-se a Kagome na espera pelo almoço. Apenas quando as duas estavam terminando de comer foi que Rin deu sinal de vida novamente. Ela apareceu na cozinha bocejando demoradamente, parando em pé, encostada no batente da porta.
– Boa… tarde. – Rin cumprimentou as duas, passando a mão pelos olhos para tentar acordar.
– Até que enfim acordou, Bela Adormecida. – Sango disse, virando-se para encarar Rin.
– Olha quem fala. – Rin respondeu. – Vocês que dormiram bem mais que eu. E ainda tive que sair de manhã.
– E pra onde você foi? – Sango perguntou de novo, acompanhando Rin com os olhos enquanto ela ia até um dos lugares vazios à mesa.
– Faculdade. Estudar a matéria que eu perdi essa semana. – ela respondeu, puxando um prato para servir-se também.
– É bom que tenha recuperado mesmo a matéria, porque acordar tão cedo numa manhã de sábado pra nada. – Kagome comentou rapidamente, no breve momento em que sua boca estava sem comida.
– É… ne. – Rin respondeu vagamente, achando completamente desnecessário que estava estudando com Sesshoumaru e, que por sinal, mesmo com a boa explicação, tinha dormido tamanho era o sono que estava.
– Veja por esse lado, vai poder descansar o resto da tarde ainda e amanhã também. – Sango comentou, colocando os pés em cima do assento da cadeira onde estava.
– É… não. – ela começou a responder num tom animado, mas logo deixou o rosto assumir uma expressão derrotada.
– O que foi? – Kagome perguntou, ao notar o tom da amiga.
– Eu vou ter que sair mais tarde. – Rin respondeu, ainda completamente desanimada e bocejando mais vezes, demoradamente.
Kagome e Sango viraram-se instintivamente para ela, franzindo as testas, curiosas.
– E para onde você vai sair de tarde? – Kagome perguntou, num tom desconfiado.
– Eu vou… – apenas naquele minuto Rin interrompeu a frase para poder encarar as expressões maliciosas das amigas. – Parem de pensar. Vocês não pensam nada que preste.
– Vai dizer que não é pra encontrar o tal do Ken que vai sair hoje? – Sango comentou, no mesmo tom de Kagome.
– Eu vou… – Rin admitiu, e ao ver os sorrisos satisfeitos das outras duas, precisou suspirar fundo para manter a paciência. – E já disse pra pararem de pensar, sei que não é nada decente.
– Rin-chan! Estou indignada com sua atitude! Você ainda não nos apresentou esse talzinho aí! – Kagome disse, quase derrubando o copo com o movimento brusco ao se virar na cadeira para encarar Rin.
– Um dia, talvez. – Rin respondeu, terminando de almoçar e se levantando para colocar o prato na pia.
– Hei, você já terminou de comer? – Sango perguntou, como se não tivesse visto Rin levando o prato até a pia. – Você jogou a comida onde, hein?!
– Eu não joguei em lugar nenhum, vocês que comem demais e ainda demoram demais conversando o que não deve. – Rin disse, dirigindo-se para o portal que era a saída da cozinha.
– Hei, vai sair? – Kagome perguntou, esticando-se na cadeira para poder enxergar o corredor por onde Rin estava indo.
– Iie. Ainda vou dormir. – Rin respondeu, ao longe. – Eu só acordei por fome, ainda posso dormir até mais tarde.
Elas escutaram o som da porta sendo fechada e Sango sorriu.
– Ela não tem jeito. – comentou rapidamente.
– Acho que nós é que não temos. – Kagome consertou a frase da outra, sorrindo também.
– Bom, vamos terminar com isso que ainda precisamos arrumar a casa. – Sango apressou-se em terminar o refrigerante que estava no copo.
– Ah!!! Temos que arrumar a bagunça!!! – Kagome quase gritou aquilo.
– Hei, pra que tudo isso?! – Sango se assustou com a reação dela.
– Por isso que a Rin voltou pra dormir! Assim ela não precisa arrumar! Que tratante! – Kagome reclamou a plenos pulmões.
– Deixe de ser preguiçosa, Higurashi. – Sango repreendeu-a. – Amanhã deixamos a arrumação com ela.
– Isso é injusto, injusto! – Kagome reclamou, voltando a encher a boca com a comida.
Sango apenas suspirou desanimada com a reação infantil dela e terminou o almoço para levar o prato até a pia também.
Depois daquilo, as duas passaram praticamente a tarde inteira limpando a casa, principalmente a bagunça que estava na cozinha e na sala depois da noite agitada que tiveram. Apenas por volta das cinco da tarde Kagome e Sango descansaram nos sofás da sala, agora, impecavelmente limpa. Foi naquela hora também que Rin resolveu dar sinal de vida.
– Wahh… que horas são? – Rin perguntou, ao chegar à sala e se jogar num dos sofás vazios. Kagome fazia questão de ocupar todos os três lugares do maior sofá e Sango estava sentada desleixadamente sobre uma enorme poltrona.
– Sei lá. Cinco e alguma coisa? – Kagome respondeu, com a voz abafada no assento do sofá.
– Hum… então está na hora de jantar? – Rin perguntou.
– Seu relógio biológico foi ajustado para acordá-la só pra comer? – Kagome perguntou, sarcástica, levantando a cabeça para encarar a dona dos olhos castanhos.
– Acho que sim. – Rin respondeu, e estava bem mais acordada do que mais cedo. – Vocês parecem acabadas, o que estavam fazendo?
– Faxina. – Sango respondeu. – Acho que quero só um banho e cama.
– Hum… então, acho que vou preparar alguma coisa para o jantar. – ela disse, levantando-se e indo até a cozinha.
– Ótima idéia! – Kagome comentou, quase dormindo no sofá.
Quando elas se reuniram na mesa mais uma vez, passava das sete e meia. Rin ainda teve que jantar rápido, lembrando-se, por conta de Sango e Kagome, que tinha um encontro, e que era às nove.
Quando ela saiu de casa, era quase oito e meia, e provavelmente chegaria atrasada. Mas aquilo era uma coisa que não acontecia. Ela era sempre pontual em todos os seus encontros.
Naquele momento, Kagome ainda comentou com Sango sobre a possibilidade de esperarem Rin chegar em casa, mas tinham excluído aquela idéia desde que sabiam que a jovem sempre chegava tarde demais. Entretanto, as duas se surpreenderam quando ela chegou antes da meia-noite.
– Rin-chan?! – Sango quase gritou o nome dela quando a viu aparecer no portal da sala de estar. – O que faz aqui?!
– Eh? Eu não morava aqui…? – Rin perguntou, confusa, ainda segurando a bolsa nas costas, parada na entrada da sala. – Ou me expulsaram antes mesmo de eu chegar?
– Você nunca chega a essa hora. – Kagome disse, desviando o rosto da televisão para poder encarar a amiga. – A noite não foi boa?
– Ou não acharam um lugar mais apropriado? – Sango sorriu com a idéia.
– Vocês não prestam. – Rin balançou a cabeça negativamente. – A noite foi ótima. Sem interrupções.
– Nossa… foi muito boa mesmo, hein?! – Kagome se animou com a notícia.
– Eu vou indo pro quarto, vou tirar essa roupa e tomar um banho. – Rin disse, indo pelo corredor.
– Hai. – Sango e Kagome responderam ao mesmo tempo.
O resto da noite foi simplesmente tranqüilo. As três se reuniram na sala, para assistir o resto dos filmes que não tinham visto. Fizeram menos bagunça e ainda voltaram ao quarto para dormir, diferente da noite anterior, que tinham adormecido na sala mesmo. Ainda assim, não tinham dormido cedo o suficiente, o que certamente as faria demorar a acordar no domingo. Mas quem se importava? Era domingo, era dia de descanso e não precisavam se dar ao trabalho de dormir de menos. Além do mais, ninguém estava planejando estudar ou fazer qualquer outro programa naquele dia. Certamente que o café da manhã delas seria o almoço.
Contudo, diferente das três jovens mal acostumadas, havia pelo menos uma pessoa que ainda acordava cedo num dia de domingo. Às oito da manhã, Sesshoumaru tinha acordado e preparado chá. Inuyasha, obviamente, estava dormindo e ele apreciava o silêncio mortal da casa.
Saiu da cozinha ainda com a xícara fumegante em mãos e andou até o primeiro andar da casa, seguindo para o lugar em que mais ficava naquela casa: o escritório.
Fechou a porta ao passar. Bebeu mais um gole do chá e colocou a outra mão no bolso. Andou até o gabinete e colocou a xícara na mesa impecavelmente limpa, logo depois, seguiu até a janela e abriu, deixando que a luz do Sol adentrasse o ambiente, assim como as brisas leves da manhã. Voltou até o gabinete e sentou-se na cadeira, ligando o laptop e tomando o chá enquanto este não iniciava por completo.
A primeira coisa que fez foi conectar à internet e abrir uma página cujo site inicial era de notícias locais. Com certeza não devia ter nada de interessante àquela hora da manhã, e principalmente nada que lhe chamasse a atenção… ou talvez tivesse. Precisou colocar a xícara de volta em cima da mesa para não correr o risco de derrubá-la. Aproximou-se do computador e viu a notícia de capa do site.
– Não pode ser… – foi a única coisa que conseguiu pronunciar quando seus olhos dourados percorreram o título da notícia.
“Ônix e mais um sucesso. A polícia continua sem pistas?”, ele precisou repetir o que lia mentalmente pelo menos três vezes até confirmar que estava lendo aquela notícia. Não era possível que tivesse atacado de novo, era? Mas… não havia informações, nenhuma… precisou abrir a página da notícia para saber o que tinha acontecido, e ficou com um misto de surpresa e raiva quando leu que uma famosa joalheria tinha sido assaltada na noite anterior, e a única pista do assaltante, claro que era uma pedra de ônix sem um mínimo rastro de digitais.
Teve vontade de quebrar o computador, mas seus olhos foram desviados quase que inconscientemente para o aparelho de fax. Havia uma luzinha piscando ali. Era pra informar que ele havia recebido um fax… mas quando? E ainda por cima… onde estava o fax?
Levantou-se, indo até o aparelho e apertando num botão para que a luz parasse de piscar. Qualquer coisa estava parecendo irritante para ele. Será que Inuyasha tinha sequer cogitado a possibilidade de ter entrado ali e pegado aquele fax? Não… ele não faria aquilo… não tinha motivos para esconder os fax que ele recebia ou qualquer coisa do gênero. Na verdade, não tinha motivos nem para entrar naquele escritório.
Ele suspirou irritado, virando-se e olhando o escritório ao redor. Não demorou a notar um pedaço de papel que estava no chão, escondido parcialmente sob uma estante cheia de livros e com algumas portas de vidro de compartimentos praticamente vazios. Andou até lá, pegando o papel entre as mãos. Como era de se esperar… havia apenas uma frase visível na folha. Ele leu as poucas palavras impressas e sentiu a raiva correr todo o seu corpo.
Por instinto, e sendo a única maneira que encontrara de descarregar sua raiva, socou uma das pequenas portas de vidro da estante, ouvindo o barulho ensurdecedor do vidro se espatifando ecoando pelo escritório. Ignorou a dor do impacto e até mesmo o sangue que estava saindo de alguns cortes em sua mão, assim como uns pequenos pedaços de vidro que tinham ficado presos na sua pele. Voltou os olhos para as palavras na folha mais uma vez.
“Joalheria Hitsuzen; sábado, 22h45min.”
Amassou o papel com raiva, ainda fechando a mão em punho com força.
– Isso não vai acontecer de novo. – ele falou consigo mesmo, arremessando o papel na lata de lixo ao lado do gabinete. – Não vai mais escapar de mim… não desse jeito.
Final do Capítulo Quatro
Rufem os tambores!! Porque eu ressucitei Ônix, minha gente!!! Que coisa incrível... e.e
Pois é... exatamente como ces tão vendo aqui!! E melhor, vou tentar postar capítulo novo no mês que vem... se eu conseguir escrever alguma coisa até lá.
Bom, peço desculpas pela exagerada demora em atualizar o fic, mas finalmente... está aí. Capítulo mais levezinho... espero que se divirtam!
Tentarei não deixar esse fic abandonado de novo... fazer o que né... XDD
Então, Kissus a todos e obrigada a quem continua acompanhando até agora, e que ainda lembra que esse fic existe! XD
Agradecimentos especiais à Hiwatari Satiko, Natsumi Omura, Lilih, Srta. Lenita, Carlinha Higurashi e Lis Winchester. que pacientemente deixaram reviews no capítulo anterior. XD
Agora sim, até a próxima... e espero que não seja tão demorada quanto essa foi. XD
Ja ne!