Help
Home Just In Communities Forums Beta Readers Search
B s . A A A   full 3/4 1/2   E E   Light Dark
Anime/Manga » Inuyasha » Behind Your Eyes
Mitzrael Girl
Author of 50 Stories
Rated: K+ - Portuguese - Romance - Sesshomaru & Rin - Reviews: 81 - Updated: 05-23-11 - Published: 11-28-05 - id:2680461

Disclaimer: Inuyasha é propriedade de Rumiko-sensei. Faço este fic sem fins lucrativos, apenas por diversão.

Behind Your Eyes

Capítulo Oito: Aproximando-se

Era um dia de sábado, não tinha nenhum lugar pra ir, ninguém com quem ir e nem motivos para sair. A figura pensativa de Rin era quase apática naquela manhã. A jovem estava com um livro em braile sobre as pernas, sentada no sofá da sala e passando os dedos desordenadamente sobre os símbolos em alto-relevo das páginas em branco. Qualquer um que a visse naquele momento, deduziria que estava muito concentrada no assunto do livro, mas a mente dela estava bem longe daquilo, tão longe a ponto de passar as mãos sobre os mesmos sinais várias vezes e esquecer-se de passar a página.

Ela suspirou, irritada consigo mesma, voltando ao início da página para tentar prestar atenção ao que estava fazendo, mas sua mente não se concentrou sequer em duas linhas, quando voltou a vagar no dia anterior, na verdade.

Desde que ouvira a voz de Sesshoumaru na clínica… não conseguia se convencer de que estava ligeiramente feliz por ele ter voltado de viagem. Não poderia ser verdade, afinal… ele era o arrogante que sempre reclamava e implicava com ela por conta de seus olhos. Se bem que… às vezes ela ficava em dúvida sobre o que ele realmente pensava, como da vez em que ele a ajudara na casa de Inuyasha e mesmo do dia anterior, quando ele a ajudara a encontrar o caminho até a saída, mas acima de tudo, as palavras dele ainda estavam em sua cabeça: "Também estou satisfeito por revê-la".

Não parecia com ele… – comentou consigo mesma, mais alto do que imaginara.

– O que não parecia com quem? – a voz de Kagome invadiu os ouvidos de Rin deixando-a surpresa.

A mais nova sequer tinha notado a chegada da irmã… e aquilo não era o tipo de coisa que acontecia com freqüência, tinha que estar realmente perdida em pensamentos pra chegar àquele ponto.

– K-chan… não é nada. Não está muito cedo para acordar numa manhã de sábado? – Rin perguntou, arqueando a sobrancelha. Kagome costumava acordar mais tarde durante os fins de semana, precisamente perto do almoço.

– Já são 10h30min, Rin-chan. – Kagome falou, sentando-se no sofá ao lado do que Rin estava.

– Já? – a mais nova perguntou, espantando-se com o modo como estava distraída naquela manhã. Podia jurar que não era nem nove horas ainda.

– No que estava pensando para estar tão distraída, Rin-chan? E de quem estava falando aí em voz alta? – Kagome perguntou, deixando um sorriso travesso surgir em seus lábios. – Será que era sobre Sesshoumaru-sama? Ainda tiveram tempo pra conversar ontem quando ele chegou de viagem, não foi?

– Eu sabia que acordar cedo no sábado a fazia delirar, onee-chan, mas não tanto. – Rin suspirou, apoiando o rosto nas mãos. – Estava distraída com o livro. Mas agora que acordou, eu vou preparar o almoço pra nós…

– Ah, não precisa preparar pra mim, Rin-chan. – Kagome avisou antes que Rin conseguisse ao menos fechar o livro para se levantar. – Eu vou encontrar com Inuyasha hoje. Vamos almoçar juntos.

– Oh… aí está o motivo pelo qual acordou cedo. Era de se imaginar que tinha que ser por força maior. – Rin desconversou, assegurando-se de que a conversa não voltasse para o irmão mais velho de Inuyasha.

– Você quer ir com a gente? Não vai ficar aí sozinha… – a mais velha falou, levantando-se e arrumando a roupa.

– Nem pensar. Estarei bem acompanhada com o Senshi. – Rin falou, deixando o livro de lado e se levantando. – Aliás, onde é que ele tá?

– Ele deve estar no seu quarto. – Kagome respondeu, afastando-se de Rin na direção da cozinha. – Bom, já que você não quer ir… pode ficar aí pensando no seu cara secreto-nada-secreto. Eu vou indo antes que me atrase mais.

– Pode ir. Bom passeio. Até mais tarde. – Rin despediu-se, aumentando o tom de voz à medida que ouvia os passos da irmã se afastando na direção da porta de entrada.

Ela suspirou demoradamente depois de ouvir a porta sendo fechada, nada delicadamente, por Kagome. Tinha que admitir que estava pensando mais do que deveria no irmão mais velho de Inuyasha. Pensando tanto que perdera a noção do tempo.

– Bom, chega de perder tempo com besteiras. – disse consigo mesma, levantando-se do sofá e seguindo na direção da cozinha. Remexeu os armários buscando alguma coisa para preparar o almoço, mas realmente não estava com disposição para trabalhar com o que quer que fosse.

Deixou que as mãos caíssem pesadamente ao lado do corpo, suspirando pela milésima vez só naquela manhã. Ficou encostada à batente da pia por demorados minutos, pensando no que faria, se sairia pra comer alguma coisa e dar um breve passeio ou se ficaria em casa esperando fome falar mais alto que a preguiça de preparar comida. Antes que tivesse os pensamentos invadidos por um certo alguém em quem não queria pensar, ouviu os passos leves das patas de Senshi adentrando o cômodo. O animal aproximou-se da dona e tocou suas pernas com o focinho, Rin logo se abaixou para acariciá-lo e descobriu o motivo dele não ter latido… estava segurando a coleira entre os dentes.

– Se eu não decido, acho que você consegue fazer isso por mim, não é? – Rin sorriu, acariciando o pêlo macio do cachorro. – Vamos indo então…

Ela deixou a coleira sobre a mesa da cozinha, para primeiro trocar de roupa e se arrumar, em menos de trinta minutos, já estava fechando a porta de entrada da casa para sair, segurando firmemente a coleira de Senshi.

– Que tal um passeio pelo parque antes, Senshi? Depois a gente vai almoçar. – Rin falou, ouvindo o latido do cachorro em aprovação, como se ele entendesse cada uma de suas palavras. – Eu acho que vou ter muito tempo livre pra tentar terminar de ler aquele livro…

Ela começou a seguir pela calçada, por um caminho já conhecido há tanto tempo que às vezes tinha certeza de poder fazê-lo sozinha – claro que não se referia ao mesmo caminho da biblioteca que só freqüentava havia uns poucos anos, mas ao caminho que conhecia desde que se entendia por gente, e por deficiente visual, lembrava-se de ir àquele mesmo parque ainda na companhia de sua mãe. Tinha certeza que em menos de vinte minutos conseguiria alcançar o local.

xXx

Já passava de meio-dia quando Kagome finalmente conseguiu chegar ao restaurante em que tinha marcado com Inuyasha de se encontrar. Antes de seguir pra lá, precisara passar na clínica pra resolver uns assuntos pendentes e depois, finalmente pegar o primeiro táxi para praticamente cruzar a cidade até o restaurante.

– Aquele Inuyasha me paga! Tinha que escolher um restaurante tão longe? E eu to aqui morrendo de fome! – reclamou entre dentes, seguindo para a entrada do local, a passos tão rápidos que era de se impressionar que não tivesse caído do salto alto e fino.

Ao passar pelas portas de vidro, sorriu quase que imediatamente com o ambiente climatizado. Tokyo estava quente demais e estar sempre em locais com condicionador de ar era o melhor. Parou por uns segundos, respirando para recuperar o ar e então, dar uma olhada ao redor, em busca da figura conhecida. Antes que pudesse realmente achá-lo em meio a quantidade de pessoas, um garçom apareceu para lhe falar.

– Posso ajudar, senhorita? Mesa pra quantos? – ele falou, educadamente.

– Ah, obrigada, mas não precisa, estou procurando alguém. – ela respondeu, desviando os olhos do homem para olhar ao redor mais uma vez. Quase sorriu novamente ao encontrar aqueles cabelos prateados tão singulares.

O impulso inicial, obviamente, foi seguir na direção dele, mas parou depois de passar por duas mesas. Na cadeira diante da dele havia outra pessoa sentada. Uma mulher de cabelos pretos e longos, presos num bonito coque… ela estava de costas, portanto, não havia como dizer muita coisa mais sobre ela, ou talvez não houvesse. Apenas a silhueta dela era suficiente para Kagome reconhecer-lhe, era um rosto parecido demais com o seu próprio para conseguir esquecer… e acima de tudo, era a mulher que ocupara maior parte da vida de Inuyasha antes que ela o conhecesse.

Ela teria dado uma de superior, teria implicado com a mulher por estar perto de seu namorado e ainda por falar com ele antes que ela estivesse presente. Teria simplesmente agido como a velha e boa Kagome, e roubado Inuyasha da mesa. Mas as coisas não eram tão simples quanto pareciam. Ela estava, naquele minuto, olhando um anel de diamante dentro de uma caixinha preta de veludo, e a imagem foi tão suficiente para chocar Kagome, que sequer se deu ao trabalho de erguer os olhos para observar a expressão de Inuyasha.

Por um tempo, ela não teve reação aparente, queria poder gritar e jogar aquele anel o mais longe possível, ou então, bater naquela mulher até que toda a sua raiva se esvaísse. Mas seu corpo tremia demais para que ela conseguisse fazer alguma coisa de fato. Os olhos continham as lágrimas tão forçadamente que estavam começando a arder. Ao mínimo piscar, elas com certeza fariam longos rastros pelo seu rosto.

A mulher só conseguiu realmente sair do transe quando ouviu a voz do garçom ao seu lado. Não sabia se tempo demais tinha se passado, ou se nem sequer um segundo, e também não estava disposta a saber.

– Senhorita, alguma coisa errada? – ele perguntou, e ela finalmente desviou os olhos para o homem ao lado. Ao mero movimento, as duas primeiras lágrimas escaparam. – Er… senhorita…?

– Não tem nada errado.

Ela queria muito simplesmente se virar e sair o mais rápido que seu andar conseguia, mas não resistiu dar uma última olhada de relance ao homem que tanto esperara ver naquela manhã. Com a aproximação do garçom, provavelmente, ele tinha se virado para encará-la, e ela apenas conseguiu ver um leve arregalar de olhos antes de sair praticamente correndo do restaurante.

Já na calçada, sem diminuir o passo e torcendo para que seu equilíbrio continuasse estável nos sapatos de salto, chamou o primeiro táxi que viu, praticamente se jogando no meio da rua para ter certeza de que ele pararia. Ao abrir a porta, ainda conseguiu ouvir seu nome sendo chamado em alto e bom som, mas não importava, não queria ter que virar para ver qualquer pedido de desculpas inútil ou qualquer explicação sem fundamentos, queria apenas ir para o lugar mais improvável na face da terra para que ele não conseguisse encontrá-la.

Durante muito tempo quando começara a se relacionar com Inuyasha, a sombra da ex-namorada do homem pairava sobre Kagome. Todo mundo costumava ressaltar como ela lembrava a jovem em aparência, e talvez em algumas atitudes também, e aquilo tinha refletido por muito até que Kagome tivesse certeza de que Inuyasha estava com ela pelo que ela era, e não pelo que ela poderia representar da ex. Mas agora não tinha tanta certeza de que aquilo fosse verdade… ela o tinha deixado anos atrás, e Kagome sabia mais que ninguém que tinha sido incrivelmente difícil para Inuyasha superar a perda… vê-los novamente, parecendo se dar tão bem, e ainda naquela situação, certamente era a última coisa que Kagome poderia querer ver em toda a sua vida.

Longe o suficiente do restaurante, finalmente se sentiu à vontade para chorar o quanto conseguisse, ainda sem um destino certo naquele momento. Apenas quando passava de uma da tarde, ela finalmente desceu do táxi que parava diante da porta de casa. Nem se importara com o preço imenso da corrida, queria apenas demorar o máximo que conseguisse até voltar para casa. Não queria ter que falar naquilo ainda, e também não queria que Rin ficasse tentando consolá-la. Mesmo sendo cega, era como se ela conseguisse ver através de cada simples suspiro de Kagome como ela se sentia. Desse modo, mesmo que a irmã mais nova não conseguisse ver os olhos vermelhos e a maquiagem borrada no rosto, certamente saberia, de alguma maneira quase sobrenatural, que Kagome não estava se sentindo bem… e não queria aquilo. Mas não havia mais nenhum lugar para ir.

Andou lentamente até a porta de entrada, com a bolsa numa das mãos e as sandálias penduradas na outra. Ainda se demorou o máximo que conseguia procurando a chave dentro da pequena bolsa de mão, com o intuito de demorar mais o questionamento de Rin, mas ficou incrivelmente surpresa e relaxada quando percebeu que não havia ninguém na grande casa.

– Não acredito que vou dizer isso… mas que bom que não está em casa, Rin-chan. – disse consigo mesma, seguindo direto até o próprio quarto e jogando a chave, a bolsa e as sandálias no chão mesmo, no meio do caminho. A única coisa que queria era se jogar na cama e tentar dormir o mais rápido possível.

Mesmo já passando do meio-dia, Rin ainda estava sentada num dos bancos da praça perto de sua casa, pensando no que ia comer, e onde ia fazer aquilo. Havia algumas lanchonetes por perto com pessoas que já a conheciam há muito tempo, e um ou dois restaurantes em que também era conhecida, mas incrivelmente, depois de todo aquele tempo passeando e depois descansando, estava apenas com vontade de voltar para casa, mesmo de barriga vazia.

– Acho que meu estômago já está anestesiado. – disse consigo mesma, fechando o livro em suas mãos e apenas sentindo a brisa agradável tocando seu rosto. Sentada de pernas cruzadas em posição de lótus, mais parecia uma criança. Senshi estava confortavelmente deitado ao lado do banco, e não tinha se movido muito desde que Rin se sentara, até aquele momento. – O que foi, Senshi? – perguntou, quando sentiu o puxar da coleira e ouviu as patas do animal se moverem apressadas na direção de alguma coisa.

– Se perdeu e não consegue achar o caminho pra casa? – aquela voz irritantemente conhecida invadiu os ouvidos de Rin quase como uma pontada… o estranho era que tinha ficado um tanto quanto ansiosa por ouvi-la. – É nisso que dá sair sozinha.

– E você realmente anda me perseguindo agora? – Rin respondeu, brusca, apertando o livro entre as mãos. – Só precisava disso para estragar completamente o meu dia.

– Claro, se tornou meu hobby persegui-la. – o tom de voz dele era completamente sarcástico, e Rin bufou de raiva apenas ao ouvir. – E você nem almoçou ainda. Se quiser, posso fazer o grande favor de lhe levar a algum restaurante.

– Não preciso da sua ajuda nem pra achar uma agulha num palheiro. – Rin disse, guardando o livro o mais rápido que pôde e se levantando, segurando a coleira de Senshi firmemente. – Vamos Senshi, vamos pra casa.

Rin esperou que o animal a guiasse de volta para casa, mas ele apenas latiu e continuou parado na mesma direção da qual ela estava ouvindo a voz de Sesshoumaru. Ela quase conseguiu sentir a expressão vitoriosa de Sesshoumaru e um sorriso sarcástico surgindo nos lábios dele.

– Pelo visto ele sabe que você tem que aceitar a minha ajuda. – Sesshoumaru disse, e o tom convencido fez com que Rin ficasse vermelha de raiva.

– Já disse que não preciso da sua ajuda, e não precisaria nem em um milhão de anos! – Rin disse, irritada, puxando a coleira de Senshi.

– Nem se por acaso soltasse a coleira do Senshi e ele saísse correndo? – o homem falou, e pela voz, estava mais perto dela do que ela tinha imaginado.

– Claro que o Senshi não ia… – ela calou-se por um minuto, lembrando-se rapidamente que era exatamente aquilo que tinha acontecido algum tempo atrás, quando ela quase fora atropelada e recebera ajuda daquele estranho silencioso. – … fazer isso.

– Pela sua pausa, eu diria que isso já aconteceu.

– Cale-se. Não preciso da sua ajuda. – Rin disse, dando um passo pra trás, puxando a coleira de Senshi de leve. – Vamos pra casa Senshi.

Pelo visto parecia que o cão ia obedecê-la daquela vez, mas antes que tivesse a chance, o som da barriga dela roncando foi maior e chegou aos ouvidos até mesmo de Sesshoumaru. Daquela vez, ela sentiu o rosto ficar ainda mais vermelho de vergonha do que tinha acabado de acontecer.

– Você… quer ir pra casa. – Sesshoumaru não conseguiu evitar o tom vitorioso, arqueando uma das sobrancelhas.

– Eu aceito. – Rin disse, virando-se para ele com uma expressão decepcionada. – Mas com uma condição. – ela deixou que um sorriso travesso surgisse em seus lábios.

Sesshoumaru não falou nada, apenas encarando o sorriso dela com uma expressão desconfiada, até que ela voltou a falar.

– Que bom que consegue ler minha mente. – Rin disse, começando a andar pela calçada na direção de Sesshoumaru, até passar dele. – Fique calado e nos entenderemos muito bem.

– Eu também tenho uma condição. – ele disse, começando a segui-la e Rin quase suspirou ao ouvir a voz dele novamente.

– Você não pode ter uma, eu já aceitei ir almoçar com você. – ela falou, decidida, continuando a andar. – E isso já é uma tragédia por si só.

– Vai deixar que eu a guie no lugar do Senshi. – Sesshoumaru respondeu e antes que ela pudesse reclamar, ele puxou a coleira do cachorro da mão dela e passou-a por seu próprio braço. Qualquer um que os visse andando daquele jeito pensaria que eram um casal.

– E-ei! Eu não concordei com isso! – mais uma vez Rin conseguia sentir o rubor surgindo em sua face. As maçãs do rosto estavam até mesmo queimando.

Sesshoumaru, entretanto, não respondeu à frase dela, e por mais que ela tentasse soltar o braço dele, não adiantava.

– Devolva-me o Senshi e vamos deixar essa coisa de lado. Perdi a fome. – Rin disse, decidida, mas ainda assim, o homem ao seu lado não respondeu. – Ah… ótimo, você vai mesmo ficar calado agora.

Ela não falou nem reclamou mais nada, não ia adiantar de qualquer jeito. Continuou andando, sendo guiada pelos passos dele. Durante a manhã que saíra de casa, estava pensando em duas coisas: a primeira delas era reencontrar aquele que lhe enviara a carta, ainda queria poder falar com ele, mesmo que ele não lhe respondesse; a segunda era Sesshoumaru e a reação dele no dia anterior. Não queria se convencer daquilo, mas por mais irritante que fosse tê-lo ao seu lado falando sobre sua cegueira e implicando incansavelmente com ela… se sentia bem. Podia até parecer estranho, mas ninguém se sentia tão à vontade para reclamar dela com sua deficiência, ele não a tratava como diferente, nem com pena… podia até ser grosso algumas vezes, mas Rin estava começando a duvidar que as grosserias dele não seriam mais brincadeiras do que verdadeiras grosserias. Ele parecia ser a pessoa que a tratava com maior naturalidade, e sequer o conhecia direito.

Perdida em pensamentos, apenas se deu conta de quanto já tinham andado quando ouviu o som de um carro sendo destravado, e então, Sesshoumaru parou, abrindo a porta do automóvel.

– Nós vamos de carro? Eu achei que iríamos ficar aqui mesmo… tem muitos restaurantes e… – ela foi empurrada levemente para entrar no carro e ouviu ainda a porta de trás sendo aberta provavelmente para que Senshi entrasse. – Ah, claro… você não vai falar. – acrescentou quando ouviu a porta do lado dela sendo fechada. Colocou o cinto de segurança e suspirou, quase se lamentando por ter feito aquele acordo estúpido.

E o pior de tudo era que ter Sesshoumaru tão calado ao seu lado só a fazia se lembrar daquele outro homem que não sabia a identidade. Depois de dez minutos com o completo silêncio no carro, às vezes apenas Senshi dava alguns latidos, mas Rin suspeitou que ele devia ter dormido no banco de trás, finalmente Rin se convenceu a falar alguma coisa.

– Olha, você pode falar. – Rin disse, as mãos mexendo delicadamente no chaveiro da bolsa. – Não importa, você pode me guiar no lugar do Senshi, só não precisa ficar calado.

– Por que resolveu mudar de idéia? – Sesshoumaru perguntou, concentrado no trânsito e esperando o sinal abrir. – Descobriu que não consegue ficar sem ouvir minha voz.

– Descobri que você fala mais do que os outros dizem, principalmente quando é pra me insultar. – Rin reclamou, arrependendo-se mentalmente por ter proposto que ele voltasse a falar.

– Eu nunca a insultei. – Sesshoumaru fez questão de dizer, acelerando o carro para virar a esquina. – Só falo a verdade.

– Eu prefiro nem comentar.

Eles voltaram a ficar em silêncio, e apenas depois de mais dez minutos no carro, Rin voltou a falar.

– Afinal, onde estamos indo? Está andando em círculos nesse carro? – ela perguntou, e sentia que a sua fome estava começando a falar mais alto.

– Até que enfim percebeu. – o homem fez questão de falar, mas ela não se importou em responder, ao sentir o carro finalmente parar. – Chegamos.

– Onde chegamos afinal? – Rin perguntou, indo abrir a porta do carro, mas incrivelmente já tinham feito isso para ela. Não poderia ser Sesshoumaru, ele não teria aquela capacidade de sair do carro e rodeá-lo até abrir a porta para ela.

– Senhorita…?

Rin arregalou um pouco os olhos ao ouvir uma voz completamente desconhecida, e então, sentiu alguém tocar sua mão para guiá-la para fora do carro.

– Eu assumo daqui.

Ela finalmente ouviu a voz de Sesshoumaru e ele tinha segurado a sua mão. O homem que falara antes tinha respondido apenas um "sim, senhor".

– Cuide dele para mim enquanto isso. – Sesshoumaru falou novamente e Rin ouviu a porta de trás do carro sendo aberta, para deduzir que ele estava falando de Senshi. Algumas passadas do homem desconhecido e Rin já estava ouvindo o latido de Senshi. Apenas depois daquilo, Sesshoumaru voltou a andar, guiando-a.

– Onde é que nós estamos, afinal? – ela perguntou, um pouco assustada com todo aquele tratamento.

– Num restaurante. Não queria almoçar? – Sesshoumaru disse, continuando a guiá-la.

– Eu queria… num normal. – Rin disse, e logo sentiu quando entrou no lugar, com ambiente climatizado. Tinha uma melodia suave de fundo e as conversas dos presentes eram muito baixas para um restaurante que ela poderia considerar comum. Não demorou e um frio incômodo subiu pela sua espinha, sentia como se todos lá dentro estivessem olhando para ela. – Que lugar é esse, Sesshoumaru? Eu estou vestida pra ir a uma lanchonete do lado da minha casa. – ela precisou baixar o tom de voz para falar.

– Por que está preocupada? Não importa o que eles vêem. – Sesshoumaru disse, parando, quando Rin sentiu alguém perto demais deles.

– Mesa para dois, senhor? – mais uma voz de um homem desconhecido.

– Sim. – Sesshoumaru respondeu prontamente.

– Por aqui…

Mais uma vez os dois começaram a andar, e Rin finalmente conseguiu pensar em alguma coisa para responder.

– Tem razão. – ela disse, tomando cuidado para acompanhar todos os passos dele e não tropeçar em nada. – Essas pessoas são incômodas em qualquer lugar que eu vá…

Rin pensou ter sentido o olhar de Sesshoumaru sobre si, mas com tantas pessoas olhando pra ela, aquilo parecia até um sexto sentido gritando desesperado para que ela corresse dali, e não dava pra definir se ele também a estava olhando ou não. A única coisa que ouviu dele novamente foi quando disse "cuidado com o degrau", e depois daquilo, já estavam acomodados numa das mesas.

– É só impressão minha… ou as pessoas pararam de olhar? – Rin perguntou, quando já estavam sentados.

– Não tem como olharem. – Sesshoumaru respondeu, estava com o cardápio em mãos. – É uma mesa reservada.

– Uma mesa reservada? Por que estamos numa mesa reservada? – ela perguntou, ainda desconcertada.

– Preferia que todos continuassem olhando? – ele perguntou, concentrado no cardápio.

– Hm… seu celular está tocando. – foi a única coisa que ela disse em resposta.

Sesshoumaru ergueu os olhos para ela, para finalmente colocar a mão no bolso da calça e perceber que ele estava vibrando.

– O vibra do seu celular é barulhento. – Rin disse, encostando-se confortável na cadeira e virando o rosto um pouco para o lado. Quem a visse naquele momento e não soubesse que era cega, provavelmente acharia que ela estava olhando a rua através da janela.

– O que foi? – Sesshoumaru atendeu o celular, tentando deixar o tom de voz mais calmo e mais baixo possível.

Rin continuou calada, apenas ouvindo a conversa do outro no celular, claro que não sabia o que a pessoa do outro lado estava falando, e nem tinha audição biônica, mas ainda dava para ouvir alguns ruídos do celular.

– Inuyasha, hoje é sábado. Não tire a minha pouca paciência. – Sesshoumaru suspirou. – Eu tentarei aparecer aí em duas horas.

Sesshoumaru desligou o celular e precisou conter outro suspiro.

– Se tem alguma coisa pra fazer, é melhor ir agora. – Rin disse. – Eu não devia ter concordado em vir, você tem compromissos.

– Eu que convidei. – ele respondeu. – E se deixá-la morrer de fome, vou ser acusado de homicídio culposo.

– Doloso. – Rin corrigiu, com um sorriso de lado.

– O que vai querer? – ele perguntou, ainda consultando o cardápio.

– Você convidou, escolha algo. – ela fez um movimento com a mão. – Acho que não estou em condições de ler o cardápio.

– Imagino se o Senshi tenha essa capacidade para quando você se mete a sair sozinha. – ele disse, e fez um movimento com o braço para chamar o garçom.

– Estou me arrependendo de ter pedido para você falar. – Rin disse, quando sentiu o garçom se aproximar e Sesshoumaru fez os pedidos.

– Eu fico calado, e deixo que você fale então. – Sesshoumaru se recostou na cadeira e apoiou o queixo na mão, fitando-a intensamente a ponto de a jovem sentir o olhar fixo nela.

– Eu não tenho nada o que falar, principalmente com você. – ela disse, mexendo-se na cadeira, incomodada com o olhar dele. – E precisa ficar olhando pra mim?

– Se estamos numa mesa reservada, não tem muito para onde olhar. – Sesshoumaru disse, mas ainda assim, desviou os olhos dela para fitar a janela de vidro por onde escorria água de uma fonte artificial. Certamente Rin teria adorado poder ver aquilo. – Você já pensou na possibilidade de poder enxergar?

– Todos os dias. – Rin respondeu, com tamanha simplicidade que não ver realmente parecia o menor de seus problemas, aquilo fez com que Sesshoumaru voltasse os olhos sobre ela mais uma vez. – Não tem muita graça acordar de manhã e não mudar nada. Eu só sei que é manhã pelo relógio e pelo barulho.

– Você não deveria ter uma bengala com você mesmo além do Senshi? – Sesshoumaru perguntou, convencendo-se de que qualquer coisa que ele falasse da deficiência dela não iria afetá-la realmente. Só não sabia se era porque já se conheciam, ou porque ela realmente não se importava. A reação dela tinha mudado consideravelmente desde o dia do acidente.

– Você ainda acha que eu vou esbarrar em tudo que estiver na minha frente, não é? – Rin sorriu sarcástica. – Eu sou cega, não retardada. Sei muito bem quais as coisas que sou capaz de fazer e quais as que não consigo. Eu tenho o Senshi, não gosto de usar bengala.

– Eu não acho que ela seria capaz de fazê-la parecer muito mais velha do que é, se é essa a preocupação. – Sesshoumaru sorriu de lado também.

– Ah, claro, minha aparência é certamente a minha preocupação crucial, afinal, não posso ver minha cara feia. – Rin falou, e por mais que não quisesse admitir, a conversa não estava sendo tão desagradável, mesmo que ele parecesse tentar atacá-la o máximo possível através de seus olhos. Na verdade, se sentia muito confortável conversando com ele daquela maneira descontraída… ele estava tratando-a como uma pessoa normal. – Uma bengala não pode me dizer se um carro está vindo quando vou atravessar a rua, não pode me dizer se vou esbarrar em alguém, nem me deter quando eu tentar entrar no beco errado. Eu usei uma quando era criança, mas ela me causava muitos problemas. O Senshi está ótimo. Se ele não pode ir aonde eu vou…

– Então você não vai. – Sesshoumaru completou a frase dela e ficou satisfeito de ver um sorriso no rosto da mulher.

A conversa dos dois foi interrompida quando o garçom entrou e serviu os pratos dos dois, acompanhados de água. Apenas quando ele saiu, Rin voltou a falar.

– O que pediu? – ela perguntou, pegando o par de hashi's do lado para parti-los e começar a se servir.

– Adivinhe. – Sesshoumaru ainda nem tinha pegado os hashi's, tão desinteressado estava na comida. – Ou quer que eu dê na sua boca?

Rin não se deu ao trabalho de responder, começando a tocar a comida com os hashi's para levar os pedaços à boca. Durante aquele tempo, os dois ficaram calados mais uma vez. A cada minuto que passava, Sesshoumaru tinha certeza de que lembrava cada vez menos que ela era deficiente visual. Eles praticamente não trocaram mais nenhuma palavra durante do resto da refeição, Sesshoumaru continuava a encarar a mulher diante de si, e Rin a se sentir incomodada com o olhar fixo dele. Apenas quando eles terminaram de comer, a morena voltou a falar.

– Estava tudo ótimo. Mas acho que está na hora de voltar pra casa. – Rin disse, tomando mais um gole da água. – E estou preocupada com o Senshi.

– O Senshi está bem. Só está arrumando uma desculpa para se livrar de mim. – Sesshoumaru disse, apoiando o queixo na mão, os cotovelos apoiados na mesa.

– Nossa… que pena que descobriu, não sabia que era tão óbvio. Será que viu nos meus olhos? – Rin respondeu, uma das sobrancelhas arqueadas.

– Pelo menos eu posso ver alguma coisa. – Sesshoumaru sorriu de lado.

– E eu posso sentir seu sorriso sarcástico. – a mulher respondeu, rápida.

– Eu vou levá-la para casa. – ele se levantou e ela ouviu o barulho da cadeira arrastando. A conta já estava paga, então, precisou apenas segurar a mão dele para sair do local.

Rin ficou feliz de encontrar com Senshi novamente, e ele parecia bem animado. Devia ter sido muito bem tratado para estar daquele jeito, então, entraram todos no carro e seguiram o caminho de volta à casa de Rin. Dentro do carro, tudo estava ainda mais silencioso, até Senshi parecia sentir a atmosfera nada amigável entre Sesshoumaru e Rin, pois se manteve calado o resto do caminho. Depois de um tempo que a mulher achou incontável, ela finalmente respirou fundo para falar com Sesshoumaru.

– Por que me chamou para almoçar? – ela perguntou, quando achou que já estavam perto demais da casa dela.

– Porque você estava morrendo de fome. – Sesshoumaru respondeu, como se fosse óbvio, fazendo mais uma curva.

– Ah, claro. – Rin respondeu, sarcástica. – Se ainda está tentando, forçadamente, me compensar pelo acidente, não precisa, acredite.

– Não me importo com o sacrifício. – ele disse. – Não posso deixar uma deficiente visual solta por aí sozinha.

– Claro, então, tem que agüentar a minha companhia desagradável. – Rin disse, incrivelmente se sentia um pouco decepcionada com o que ele respondera.

– É mais agradável do que imagina.

Rin instintivamente virou o rosto na direção dele, sem saber se tinha ouvido a frase certa. Estava distraída depois da última sentença dele, e o barulho do trânsito não ajudava, mas antes que pudesse questioná-lo sobre o que tinha dito, sentiu o carro parar.

– Chegamos. – ele anunciou.

– O que você…? – ela parou a frase na metade, incerta se deveria mesmo perguntar o que ele tinha dito antes.

– Eu posso levá-la até a porta também. – Sesshoumaru disse, deixando um meio-sorriso surgir em seu rosto.

– Eu não preciso! – Rin respondeu, ríspida como de costume, já abrindo a porta do carro e tateando um pouco para abrir a porta traseira e tirar Senshi de lá. Fechou as duas portas, e ainda voltou até a porta da frente, um tanto que a contragosto. – Obrigada pelo almoço, mesmo assim.

Sesshoumaru não respondeu, e ela deu um breve "tchau" antes de seguir até a porta de casa, bem atrás de Senshi. O irmão mais velho de Inuyasha já tinha saído com o carro antes dela conseguir entrar, apenas naquele momento lembrou que ele precisava ir resolver alguma coisa no trabalho com o mais novo, mas pensando nele, se tinha ido resolver assuntos na empresa, então, Kagome já deveria estar em casa, provavelmente.

Ela teve a confirmação quando entrou em casa, soltou a coleira de Senshi e precisou dar apenas alguns passos para tropeçar nos sapatos de salto da irmã. Pegou o par e levou para dentro da casa, deixando a bolsa de lado, e continuando até o quarto da irmã. Bateu na porta algumas vezes, mas não houve resposta, então, apenas entrou, deixando os sapatos bem ao lado da cama. Precisou tatear o colchão até tocar os pés de Kagome para ter certeza de que estava mesmo ouvindo a respiração compassada dela. Bom… para quem tinha acordado tão cedo num sábado, ela precisava mesmo descansar, então, saiu do quarto o quanto antes para ir ao seu próprio quarto, dormir.

Quando se deitou, porém, não resistiu a rever o bilhete que aquele homem tinha lhe mandado no outro dia. Enquanto passava os dedos delicadamente pela mensagem em braile, não conseguia deixar de pensar na idéia de encontrá-lo de novo; entretanto, agora havia mais um espaço ocupando sua mente. Sesshoumaru estava lhe fazendo umas surpresas e tanto desde que voltara dos Estados Unidos. Imaginava se havia acontecido alguma coisa lá para ele mudar as ações diante dela, mas se pensasse melhor… ele estava agindo como sempre, os dois só estavam começando a se perceber por outro ponto de vista, talvez. E por mais arrogante que ele fosse, era bom ter alguém que não evitasse falar de seus olhos ou de imagens lindas a cada dois segundos, sentindo pena de sua deficiência. Quando dobrou o bilhete e colocou sobre o criado-mudo ao lado da cama, não sabia mais em quem estava pensando exatamente.

Quando se deu conta do que tinha acontecido, o relógio já apitava indicando que mais uma hora tinha se passado. Ela bateu sobre o aparelho para apertar o botão e ouvir a pronúncia de voz robótica que informava que já eram 18h.

– Por Kami… acho que acabei dormindo. – ela sentou-se na cama, passando as mãos pelos cabelos desarrumados para ao menos deixá-los alinhados. – Melhor ir preparar o jantar, K-chan já deve estar acordada.

Ela levantou-se da cama, esticando os braços para se espreguiçar. Passou no banheiro apenas para lavar o rosto e então seguir na direção da cozinha, no mesmo instante que entrou no aposento, Senshi pulou em cima dela, animado, e provavelmente querendo sua parte da refeição.

– Calma aí, Senshi, já vou colocar a sua comida também. – ela sorriu, pegando a ração do cachorro e colocando na vasilha dele. – Prontinho, coma tudo direito.

Passou a mão na cabeça dele para acariciá-lo e colocou água no fogo para fazer chá. Enquanto esperava que a água esquentasse, estranhou o fato de Kagome ainda não ter acordado. Saiu da cozinha até a sala e não havia sinal nenhum de que a irmã estivesse por perto, voltou até o quarto dela, sem acreditar que ela ainda pudesse estar dormindo, afinal, ela estava dormindo desde que Rin chegara em casa.

– Ka-chan? – Rin bateu à porta do quarto, mas não obteve resposta. Estranhando o silêncio, ela abriu a porta e entrou no aposento. – Ka-chan? Está dormindo ainda?

– R-Rin-chan… – Kagome tentou forçar um sorriso para que sua voz fosse um pouco mais convincente, mas falhou terrivelmente na tentativa.

– Ka-chan, o que você tem? – imediatamente, a mais nova se aproximou da cama, de onde a voz da irmã vinha. – Você estava chorando?

– Não é nada, Rin. – respondeu Kagome, apressando-se em limpar o rosto antes que Rin sentasse na sua cama.

– Onee-chan… diga-me o que aconteceu. – Rin levantou as mãos até segurar as de Kagome, que ainda tentavam limpar o rosto enquanto ela tentava evitar que as lágrimas escorressem de novo. – Eu achei que tivesse ido encontrar com Inuyasha… ele fez alguma coisa?

– Eu não quero falar dele! – Kagome respondeu de uma vez, abraçando as pernas junto ao corpo, apoiando a testa nos joelhos. – Ele é um idiota insensível que não merece que eu derrame uma lágrima por ele!

– Acalme-se, Kagome. – Rin aproximou-se dela e colocou uma mão no topo de sua cabeça. – Diga-me por que está assim…

– Ah, Rin-chan… – a mulher rendeu-se às próprias lágrimas e estendeu os braços para abraçar a irmã e esconder o rosto choroso no ombro dela. – Eu não… acredito ainda… que ele… fez aquilo… comigo.

– O que ele fez? – perguntou Rin, retribuindo o abraço dela e passando os dedos pelos cabelos da outra. – Eu não acho que Inuyasha teria capacidade de fazer algo pra deixá-la desse jeito, onee-chan.

– Ele… ele estava com ela, Rin-chan! – Kagome disse de uma vez, os soluços cortando suas falas. – E justo quando… me chamou pra encontrá-lo! Como… como ele pode fazer isso!

– Com ela? – Rin arqueou as sobrancelhas em confusão. – Do que está falando, Kagome?

– No restaurante! Eu vi! Quando eu cheguei lá, ele estava conversando com a Kikyou! – respondeu Kagome em sua voz chorosa. – Ele me chamou pra ver isso? Como ele pode fazer isso comigo, Rin!

– Ka-chan, acalme-se… – foi inevitável que um sorriso surgisse nos lábios de Rin, enquanto ela continuava a passar as mãos pelos cabelos longos da irmã. – Tem certeza do que viu? Pode não ter sido a Kikyou… e você acha que Inuyasha realmente faria isso com você?

– Claro que era ela! Como eu poderia esquecer? – Kagome respondeu de uma vez. – Como ele podia estar com ela? E ainda… e ainda… ele estava mostrando um anel a ela, Rin! Sabe o que isso significa?

– Onee-chan… eu acho que devia ter dado a chance dele se explicar. – disse Rin. – Eu não acho que o Inuyasha tem muita inteligência pra trair você, de todo jeito.

– Se ele quisesse se explicar… ele teve tempo suficiente pra me achar, mas não fez isso no fim das contas. – a voz de Kagome tinha ficado mais calma, mas carregada de tristeza e Rin só teve como abraçá-la mais forte.

– Não fique assim, Ka-chan. Eu tenho certeza que tudo vai se resolver, confie em mim. – disse Rin, tentando acalmar a irmã. – Sei que Inuyasha a ama mais do que tudo, e que você sente o mesmo por ele… não tem nada que consiga separá-los agora.

– Ele acabou de conseguir. – a afirmação foi num tom trêmulo e definitivamente não havia convicção alguma nas palavras dela.

Rin teria continuado a consolar a irmã se a campainha da casa não tivesse tocado insistentemente.

– Acho que eu devia atender. – disse Rin, quando Kagome também se alarmou com o som e levantou o rosto.

– Se for o Inuyasha, mande-o embora! Por favor, Rin! Não quero falar com ele! – Kagome praticamente implorou, enquanto a campainha continuava a soar.

– Não se preocupe, Ka-chan, eu sei o que é melhor pra você. – Rin sorriu na direção dela e levantou-se, enquanto Kagome voltava a se encolher na cama, puxando o lençol por cima do corpo. – Não demoro.

– Mande-o embora, Rin! – Kagome insistiu, antes que Rin saísse do quarto e fechasse a porta, apenas com um aceno de cabeça.

Rin fez questão ainda de passar na cozinha para pegar a coleira de Senshi, enquanto a campainha continuava a soar, sabia que o cão já estava na porta latindo eufórico por conta do barulho exagerado. Por sorte, lembrou de tirar a água do fogo e seguiu até a porta como se o caso não fosse tão urgente.

– Aqui, Senshi, deixe-me abrir a porta, sim. – ela tocou no cachorro para que ele se afastasse da porta de entrada, e ao abri-la, a pessoa entrou imediatamente, ofegante e parecendo bem cansada.

– Rin! A Kagome está aí? – a voz de Inuyasha se pronunciou, alarmada. – Eu preciso mesmo falar com ela! Quando saí do restaurante e vim pra cá, ela não estava, não sei onde se meteu. Tentei falar com ela no celular, mas ela não atende! Ela entendeu tudo errado… eu realmente preciso falar com ela!

– O que quer que tenha feito, conserte, Inuyasha. – disse Rin, abaixando-se para colocar a coleira em Senshi. – Eu sei que não faria nada do que Kagome está pensando agora, então, tente não estragar tudo, certo? Ela está no quarto.

– Arigatou, Rin. – ele não se importou de esperar um segundo sequer, correu na direção conhecida do quarto de Kagome enquanto Rin se voltava para falar com Senshi.

– Eu acho que eles precisam de um tempo a sós, não é, Senshi? Vamos deixá-los se resolver. – ela sorriu, e em seguida, pegou um casaco pendurado no cabide ao lado da porta para poder sair acompanhada do cão.

Inuyasha, por outro lado, seguiu às pressas até o quarto de Kagome. A roupa estava toda desalinhada e a expressão não negava que a tarde dele não tinha sido das melhores. Ele parou diante da porta do quarto da namorada e respirou fundo, pensando se batia ou se simplesmente entrava no quarto e pensando no que falar exatamente. Por fim, abriu a porta de uma vez e Kagome voltou-se para ele imediatamente.

– Quem era, Ri… – a mulher parou de falar assim que os olhos pousaram sobre a imagem do namorado. Os olhos vermelhos não escondiam o fato de que ela tinha passado a tarde inteira chorando e a expressão de decepção que surgiu em seu rosto foi o suficiente para deixar Inuyasha mais desnorteado. – I… Inuyasha… o que faz aqui?

– Kagome…! Eu estava preocupado. Não conseguia ligar no seu celular e quando vim aqui, você não estava em casa… você está be…

– Como você ainda se atreve a me dizer isso! – Kagome levantou-se da cama, afastando-se um passo dele, notavelmente exaltada e tentando segurar as lágrimas. – Se estivesse tão preocupado, não teria encontrado com aqu… aquela…

Ela não conseguiu evitar que as lágrimas escorressem teimosamente por seus olhos. Pela primeira vez em muito tempo, Inuyasha sentiu alguma coisa apertar dentro do peito ao ver a namorada com aquela expressão desolada.

– Kagome, você entendeu tudo errado. Não é nada do que está pensando! – ele tentou se explicar, mas a única reação de Kagome foi pegar um livro que estava sobre a cabeceira da cama e jogar nele.

– Sai daqui, Inuyasha! Não quero nunca mais ver você! – a resposta dela foi veemente, completamente exaltada. Ela virou-se para a parede e colocou as mãos sobre os ouvidos, fechando os olhos com força, como se aquilo fosse o suficiente para que ele desaparecesse. – Nunca achei que você fosse capaz de uma coisa dessas! Deixe-me em paz! De uma vez por todas, deixe-me em…

Kagome não teve como completar a frase quando sentiu os braços dele envolverem-na com firmeza por trás. Ela tentou resistir e se afastar do toque dele, mas ele parecia decidido o suficiente a não deixá-la partir.

– Me… me largue, Inuyasha… – ela mais pediu do que mandou. Seu tom de voz vacilou e se confundiu com os soluços de choro. – Eu realmente… não quero…

– Me desculpe, Kagome. – o pedido dele fez apenas com que mais lágrimas escorressem pelo canto dos olhos dela, afinal, se ele estava se desculpando, devia mesmo haver um motivo. – Desculpe por não ter vindo antes.

O resto da frase dele quase provocou um suspiro aliviado na mulher, se ela ainda não estivesse magoada demais com a cena que continuava a se repetir em sua mente. As lágrimas continuavam a cair e Inuyasha a abraçou ainda com mais força.

– Eu estava esperando por você. Ela apareceu para falar comigo, eu juro que não tinha nada com ela. – ele disse, num tom de voz bem mais brando do que era de costume. – Você sabe que é você que eu amo.

– Se sou eu… por que… como… você tinha um anel, Inuyasha…! – ela insistiu, ainda tentando inutilmente conter as lágrimas, mas desistindo completamente de se afastar dele. Sabia que não queria se afastar.

– Eu tive que convencê-la… de uma vez por todas… que é você que eu quero pra minha vida. – as palavras dele deixaram Kagome confusa, mas antes que ela pudesse questioná-lo sobre aquilo, ele tinha soltado uma das mãos de volta da cintura dela, para pegar algo no bolso do terno e colocar diante dela. Abriu a caixinha de veludo com o polegar e o brilho do anel refletiu nos olhos marejados de Kagome. – Era pra você, o tempo todo.

Kagome apenas engoliu em seco, arregalando de leve os olhos e levando uma das mãos sobre os lábios para conter a surpresa.

– Então você… não gosta… dela? – foi a única coisa que Kagome conseguiu formular para perguntar a ele.

– Você mais do que ninguém devia saber que é de você que eu gosto. – disse Inuyasha, apertando o braço em volta dela. – Case-se comigo, Kagome. Eu quero que case comigo.

– I… Inu…

As palavras se perderam na garganta dela e a única coisa que conseguiu fazer foi virar-se de uma vez e abraçá-lo pelo pescoço. O movimento foi tão brusco que Inuyasha deu um passo para trás, quase se desequilibrando, deixando a caixa com o anel cair de sua mão.

– É claro… claro que eu quero! – Kagome respondeu, a voz abafada enquanto abraçava-o com toda a força que tinha e escondia o rosto no ombro dele. – Mas nunca… nunca mais me assuste desse jeito, Inuyasha!

Inuyasha sorriu aliviado, retribuindo o abraço da mulher por um tempo demorado.

– Aishiteiru, Kagome… – ele disse, próximo ao ouvido dela.

– Eu também te amo, Inu… quero ficar com você o resto da vida. – ela respondeu, sem conseguir conter o sorriso que surgiu em meio às lágrimas.

Inuyasha afastou-se o suficiente apenas para beijá-la demoradamente nos lábios, ao que Kagome prontamente retribuiu. Quando o ar faltou, ele apenas afastou os lábios dos dela para beijar-lhe o rosto onde as lágrimas tinham deixado um grosso rastro, beijando os olhos em seguida, e por último a testa.

– E por que demorou tanto pra vir? – Kagome fez questão de reclamar, sem soltar os braços em volta do pescoço dele.

– Eu vim atrás de você assim que entrou feito louca naquele táxi, mas não estava em casa. – Inuyasha respondeu. – Pensei em esperar, mas o idiota do Miroku me ligou pra resolver alguns problemas na empresa e fiquei preso lá até agora! Eu queria ter vindo antes…

– Desculpe por fugir, eu devia ter esperado você me explicar… – ela pediu, abaixando o rosto.

– Devia mesmo, feh! – ele torceu o nariz.

– Inuyasha! – imediatamente, Kagome respondeu batendo de leve no ombro dele, mas os dois apenas sorriram em seguida.

– Agora está tudo bem.

– Está sim… – Kagome concordou, encostando a cabeça no peito dele. – E estamos noivos!

– Logo estaremos casados. – disse Inuyasha, apoiando o queixo no topo da cabeça dela.

– Sim! – o sorriso se alargou ainda mais no rosto de Kagome, mas logo ela colocou uma expressão séria e levantou o rosto para encará-lo. – E eu quero outro anel de noivado!

– Eh? – Inuyasha arqueou as sobrancelhas em surpresa.

– Não pode me pedir em noivado com esse anel! Ela viu antes de mim! – Kagome implicou. – Não espera que eu o aceite, não é?

Inuyasha não conseguiu conter a risada diante da reação exagerada dela.

– Certo, eu lhe darei outro anel. – ele concordou. – Agora que tal sairmos para comer alguma coisa e comemorar?

– É uma ótima idéia. – Kagome sorriu. – Não comi nada o dia todo… aliás, onde está Rin que deixou você entrar?

– Acho que ela saiu com o Senshi, estava com a coleira dele na mão quando eu cheguei.

– Ela não tem jeito mesmo. – ela balançou a cabeça de forma pesarosa. – Eu vou só me arrumar então, espere um minuto.

– Hai. – ele respondeu, mas antes que ela pudesse se afastar, ele segurou-lhe o braço e puxou-a para mais um abraço acompanhado de um beijo demorado. – Não fuja de novo.

– Não vou. – disse ela, o sorriso contente nos lábios e o ar faltando pelo beijo urgente que ele lhe dera. – Nunca mais.

Inuyasha apenas sorriu em resposta e seguiu até a sala de estar para esperar enquanto Kagome ia até o banheiro para lavar o rosto e se recompor, em seguida se arrumar e sair com o noivo. Foi inevitável o sorriso enorme que surgiu em seus lábios ao lembrar daquilo, a primeira coisa que conseguiu pensar foi que precisaria agradecer Rin por não ter seguido o que ela pedira, e como resultado, logo, logo estaria casada com o homem da sua vida. Definitivamente, nada poderia ser mais perfeito do que aquele momento.

Final do Capítulo Oito

SURPRESA

OMG, acho que quem ainda tem alert desse fic deve estar pensando algo tipo WTF? Esse fic realmente foi atualizado! Pois é, eu pensei a mesma coisa quando voltei a escrever! Sei que estou demorando muito (muito MESMO) pra atualizar e tudo mais, e não tenho justificativas pra meus leitores. Peço que me desculpem pelos atrasos, mas acontece que às vezes chega um momento que você muda os gostos e tudo mais, ou está ocupada demais. Eu confesso que fiquei muito desligada do fandom nesses últimos anos e por isso acabei não continuando nada, além de estar totalmente complicada com a faculdade e projetos de conclusão de curso. Estou trabalhando também em projetos originais e acabou que sobrou pros coitados dos fics. Peço desculpas pela demora e tentarei voltar a atualizar os fics, e possivelmente terminá-los o quanto antes.

Espero que aqueles que ainda acompanham tenham gostado do novo capítulo e me perdoem pela demora. Os que eventualmente começarem a acompanhar agora, tentarei atualizar com mais frequência. Obrigada mesmo por todo o apoio de vocês até hoje e espero voltar em breve com os capítulos finais do fic!

Muitíssimo obrigada a todos que comentaram no último capítulo, dois anos atrás!, Palas Lis, queenrj, Lola Sama, Debs-chan, Uriel-sama, hika-lly, Hinata-chan, susan, Lin-chan, SaintNis, Rukia-hime, Jeen V., Rin Taisho Sama, Gege-ups.

Mais uma vez, perdão pela demora, e tentarei nos próximos meses concluir esse fic de uma vez!

P.S.: Desculpem também se estou meio enferrujada no fandom e os casais ficaram meio OOC. Dediquei esse capítulo pra entender a Kag e o Inu, então num sei se ficou muito bom. XD

Beijos a todos e até a próxima! Se gostarem, adoraria receber comentários!

Review this Chapter
Share


Return to Top