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Shampoo-chan
Author of 34 Stories

Rated: T - Portuguese - Humor/Romance - Syaoran L. & Sakura K. - Reviews: 66 - Updated: 03-12-07 - Published: 12-20-05 - id:2711803

Nota da Autora: Mary é uma pessoa sempre muito paciente e sabe porque eu demorei :) É por isso que eu a adoro muito.

Comentários são sem muito bem-vindos:)

Anata no Koe

A sua voz

Capítulo 3

Geralmente os domingos de Kinomoto Sakura são marcados pela falta de agitação. Começava ao meio-dia, quando decidia se levantar, e se estendia até às dez da noite sem nada muito especial para fazer. Não saía de casa, não ia para as “baladas”. Para quê sair e não poder beber para não ressecar a garganta? Só recebia a visita de Tomoyo, lia alguma coisa, via animes que dublara na tevê. Às vezes - muito raramente - sentia vontade de sair, e isso só costumava acontecer quando os pais estavam passando alguns dias na casa dela.

-Sakurinhaaaa… - a voz musical da mãe, Kinomoto Nadeshiko, podia ser ouvida do corredor antes mesmo da entrada triunfal dela no quarto da filha – Hora de acoooordaaar.

Sakura não se mexeu. Ignorou o que se passou. Talvez fosse melhor se fingir de morta, enterrando a cabeça entre as almofadas. Sim, sim, isso daria certo, com certeza.

-Filhaaa… - Nadeshiko nao se tocou e sentou na ponta da cama – Tá na hora de levantar.

A garota arriscou olhar o despertador e voltou a cobrir o rosto com a almofada preferida.

-Tá cedo.

-Todo mundo já acordou.

-Bom pra eles. – Sakura falou com a voz abafada.

-Hoje é dia de festa! – Nadeshiko ergueu os braços numa comemoração.

-Feliz aniversário, mamãe. – a frase saiu sem uma gota de emoção.

-E Syaoran já chegou. Quer saber quando você vai levantar.

-Depois das onze… - ela respondeu meio sonolenta.

Segundos se passaram até Sakura levantar-se abruptamente, gritando um QUÊÊÊÊ que agitou a casa.

Perto dali, Syaoran voltava a beber o chá que aquela senhora – senhora não, porque pela aparência podiam dizer por aí que Nadeshiko era alguma irmã mais velha da dona da casa -, a mãe de Sakura, havia preparado com carinho para ele. Um carinho desnecessário: o chá era horrível.

A xícara voltou a tocar os lábios depois de um grito de Sakura ser ouvido, seguido de passos de alguém furioso pelas escadas.

-É a monstrenga chegando. - Tooya falou ao lado dele.

Syaoran riu alto e teve que se fingir de sério quando Sakura inrrompeu na sala. Estava apenas de roupão e aquilo o fez lembrar das dublagens do dorama chinês.

-Li! – ela estava vermelha, a face corada de indignação – Desde quando você tem autorização pra pisar na minha casa?

-Sua mãe abriu a porta. – ele sorriu descaradamente e apontou discretamente aquela figura atrás dela – Disse que foi ótimo eu ter vindo pra festa.

-“Festa”? – ela piscou.

-É meu aniversário, Sakurinha. – a mãe parecia a pessoa mais feliz do mundo com aquele sorriso – Papai está arrumando tudo lá fora… Lembra que você sugeriu isso?

-Não, não lembro. – ela negou, séria e desconfiada.

-Nem do bolo e da reunião de família?

Sakura piscou de novo. Depois alarmou-se e correu até a janela que dava para o quintal da casa, dando um grito ao ver a área completamente lotada.


-Fala sério, Sakura... – Syaoran ainda tentava controlar a vontade de rir que tinha ao entender a situação da dona da casa – Esquecer do aniversário da própria mãe é tão imperdoável quanto fazer um filme pornô escondido da família.

Recebeu um olhar estreitado da garota.

-Eu não esqueci... – ela se defendeu – Só não imaginava que eles fariam algo assim. Parece liqüidação.

Os dois estavam na fila do buffet para pegar a sobremesa, aproveitando a distração dos outros para conversarem sem interrupções.

-Eu tinha dito que podíamos fazer uma festinha... – ela continuou – E uma “festinha” pra mim tem um bolinho, cinco ou seis pessoas e chá.

-Nada de cerveja ou chá?

-Só chá. – ela respondeu resoluta.

-Todos seus parentes estão aqui hoje?

-Todos. Uns que nunca vi na vida. – ela deu um suspiro profundo – Sabe aquele negócio de “aparece depois lá em casa”? Pois é, eles levam a sério isso. Foi só falar em uma festinha e...

-Podia ser pior. – foi a primeira vez que Li suspirou – Você poderia ter seis irmãs muito perigosas e acabar fantasiado de mulher em todas as festas de família.

-É verdade. – ela concordou. Depois um cômico silêncio se fez e ela observou desconfiada o rapaz pelo canto dos olhos.

-Não faça perguntas. – Syaoran insistiu.

-Tá bom. Se ‘tá dizendo... – ela continuou desconfiada.

-Você viu o capítulo da novela? – uma tia meio afastada de Sakura perguntou a uma vizinha com quem a garota nunca trocou uma palavra.

-Acha que eu perderia...?

Sakura e Syaoran engasgaram ao mesmo tempo e olharam para o lado onde ocorria a tal conversa, ficando atentos.

-Ontem Ho Lao se declarou pra Xin Yang Lin! Eles não são mais que simples amantes!

Outra pessoa se uniu na conversa. Era o irmão de Sakura, Tooya, completamente bêbado.

-Poiss eu achooo que eles ‘tão er... erradoos! Ela tinha que ficar com aquela amiga dela! – falou o nome da personagem dublada por Tomoyo.

A opinião de Tooya chocou metade da sala que prestava atenção. Entre os comentários ouvidos, estava o da irmã:

-Onde é que esse mundo vai parar? - ela estava indignada.

-Eu é que pergunto isso... - Syaoran deu a opinião - Como é que você deixa seu irmão ver essas porcarias?


A festa acabou e os convidados foram embora, com exceção de um: Li Syaoran fora forçado a ficar para ajudar Sakura a arrumar a casa.

-Tarefa ingrata. – ele reclamou na cozinha ao passar por ela com uma caixa de papelão cheia de lixo – Todo mundo foi ver a reprise da novela, só nós fazemos o serviço!

-Eles são uns pervertidos! – Sakura protestou, jogando mais lixo na caixa para ele levar.

-Ei, é um sucesso de audiência, não esqueça!

-Isso só mostra o quanto eles são pervertidos!

-ora... mais “pervertidos” – colocou a caixa em cima de uma mesa e fez o sinal de aspas com os dedos – que os telespectadores são os malditos dubladores dessa novela, que parecem sentir prazer no trabalho – enfatizou “prazer” para ter duplo sentido – Não é verdade... Xin Yang Lin? – usou o mesmo tom profissional para segurar o queixo de Sakura, como se os dois estivessem dublando naquele momento.

Li sentiu apenas o lado esquerdo da face esquentar por causa da mão direita de Sakura, que bateu ali.

-Não ouse me tocar depois do que aprontou, Ho Lao. – a voz soou igualmente profissional e o rosto estava sério – Não pense que seus toques vão me fazer esquecer que fugiu para outro país e “esqueceu” do nosso noivado.

-“Noivado”? ele repetiu – E quando tivemos isso? Já chegamos nesse capítulo?

Os lábios de Sakura tremeram um pouco, e ele não soube definir o que viu naqueles enormes olhos verdes: frustração, raiva... tristeza?

-Termine logo e vá embora, Li. – Sakura desviou o assunto e deu-lhe as costas –Temos que trabalhar cedo amanhã.

Saiu da cozinha e foi para a sala, fechando a porta atrás de si.


No dia seguinte, não esquecido daquela história, Li foi para o trabalho disposto a arrancar respostas satisfatórias de Sakura.

-Bom dia, Sakura. – ele cumprimentou com gentileza e alegria inéditas e suspeitas.

A garota, que acabara de entrar no estúdio, deu nos ombros e fechou a porta com certa agressividade.

-E o que tem de bom até agora? – perguntou com frieza que congelou quem estava por perto.

O sorriso de Syaoran ficou forçado e meio abobalhado depois da resposta atravessada, e ele olhou a saída dela – a porta da outra sala estava aberta e pôde vê-la conversando com Tomoyo.

-Qual o motivo da briga desta vez? – Yamazaki chegou por trás e deu a impressão de ter se divertido com a cena – Ela não quer ser a sua amante?

-Já ‘tá podendo falar, Yamazaki? – Os olhos de Syaoran brilharam de ódio e os lábios sorriram vitoriosamente.

Lembrando-se que havia tirado licença por causa da garganta, Yamazaki começou a fingir um engasgo violento, algo que pareceu tão forte e real que caiu no chão, tudo observado por um esperto Li Syaoran – que estava parado, observando calmamente aquele teatro.

Deixando para trás um Yamazaki que se fingia de morto ou havia desmaiado de verdade depois de forçar muito a garganta numa tosse seca, Li rumou para a sala onde Sakura e Tomoyo estavam. Prontas para dublar, as duas conversavam – e a tela estava congelada, o gravador estava pronto.

-Bom dia, Li. – Tomoyo foi supereducada, como sempre.

-E o que tem de bom até agora? – ele disparou.

Tomoyo não se deu por vencida e continuou a sorrir ao comentar:

-Muitas coisas. Hoje é o dia da separação de Ho Lao e Xin Yang Li.

-Vamos nos separar? – Sakura e Li perguntaram ao mesmo tempo.

-Vocês não leram o capítulo de hoje?

-Claro que lemos. – responderam num tom mentiroso, porque realmente não haviam lido uma única linha.

-Bom, então comecem. – ela ligou o gravador e apertou “play”.

A música da cena começou, os cenários passaram, os atores apareceram. Xin Yang Lin e Ho Lao ficaram frente a frente e a trilha sonora de momentos decisivos indicavam a tensão entre os amantes.

Mas os dois dubladores, mesmo com as falas em mãos, não tinham idéia de como começar.

-Isso é tudo culpa sua. – Sakura o acusou. Coincidentemente, os lábios da personagem dela também se moveram na tela.

-Ora... – Syaoran estava tão indignado quanto Ho Lao estava na tela, os dois abrindo a boca num protesto – Não fui eu quem inventou essa história de noivado!

-“Inventou”? – a voz de Sakura soou mais furiosa – Mas que memória de topeira ‘cê tem, né?

-Ei, não ofende, não! Fala isso de novo e jogo uma em cima de você!

A discussão continuou coincidindo em algumas partes com as falas, em outras não. Toda a equipe via pasma a discussão, e Sakura e Li pareceram não se dar conta disso. Só pararam quando a cena acabou e os quatro – personagens e dubladores – deram-se as costas e foram embora.



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