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: B s . A A A    : full 3/4 1/2   : E E   : Light Dark Anime/Manga » Saint Seiya » Curtindo A Vida Adoidado Ano I Mês Setembro

Bela Patty
Author of 14 Stories

Rated: M - Portuguese - Drama/Humor - Reviews: 52 - Updated: 09-07-06 - Published: 01-19-06 - Complete - id:2759706

CURTINDO A VIDA ADOIDADO - Ano I - Mês Setembro

Capítulo Anterior – No capítulo anterior Kamus consegue descobrir quem é o primeiro do Escorpiniano e chama o Canceriano para conversar. Milo e Afrodite têm uma grata surpresa ao saberem que a Fundação foi indicada para concorrer ao prêmio UNICEF. O grego liga para contar a novidade ao namorado e percebe algo estranho. Após ler uma carta do francês, desespera-se e sai com o sueco à procura dos dois. Máscara da Morte revela que foi o primeiro do Escorpiniano e deixa Kamus enfurecido.

- NÃO FOI POR MAL ? - perguntou com ódio e aumentou o cosmo imediatamente, recebendo a armadura de Aquário – VOCÊ O MACHUCOU. - disse com uma voz gutural - Morrerá sentindo ainda MAIS dor.

O Canceriano aumentou o cosmo e também se revestiu de sua armadura.

- Kamus, calma. - disse receoso - Eu já disse que se machuquei não foi por mal. Foi ele quem veio se oferecer para mim e eu... eu estava bêbado.

O francês atacou. Não aceitou a explicação. O tempo de argumentações já havia se esgotado.

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CVA - Semana IV – Páginas viradas

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No alto do morro...

Máscara da Morte conseguiu bloquear o primeiro golpe, mas o segundo atingiu-o em cheio, derrubando-o.

Apesar de ser um cavaleiro muito forte e ágil, o italiano estava em desvantagem. Tentava atacar o francês, mas Kamus investia violentamente, sem dar brechas ao Canceriano. A regularidade dos golpes gelados era tamanha que Máscara da Morte mal conseguia defender-se, quanto mais atacar.

O Aquariano não dava trégua. Quando lutou contra seu pupilo tinha um propósito: precisava despertar o sétimo sentido no jovem. Executando o golpe proibido junto de Saga e Shura, encenou uma farsa. Em todas as lutas sempre elevava sua força ao nível estritamente necessário.

Entretanto agora a aura do francês alcançava um poder jamais atingido. Diferente das vezes anteriores, cujo objetivo era portar-se como um cavaleiro, sua intenção era outra. Com a alma carregada de ódio só queria uma coisa: destruir.

E de fato, contra aquele que machucou seu querido Anjo, Kamus era uma arma letal.

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Perto dali...

Milo e Afrodite sentiram os cosmos ardentes dos outros dois cavaleiros se encontrando. O Escorpiniano acelerou a moto ao máximo. Sentira a intensidade que vinha de cada um e facilmente percebeu uma luta desigual. Se demorasse muito, não haveria mais tempo de salvar o Canceriano.

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Quando os dois chegaram em cima do monte, havia vários focos de destruição.

Um vento muito frio cortava o lugar e várias rochas tinham virado blocos de gelo. Do francês saía uma aura em tom dourado enquanto o italiano estava de joelhos com a armadura quase completamente congelada e os membros também, impossibilitando os movimentos.

Parando a moto de qualquer jeito, os dois desceram a tempo de ver o cavaleiro de Aquário fazendo a pose de seu golpe mais temido.

- NÃO ! - Milo gritou, correndo para ficar na frente de Máscara da Morte, a fim de barrar as intenções do namorado.

Afrodite preparou suas rosas contra o francês, mas este criou uma imensa parede de gelo à volta do Pisciano e do grego, prendendo-os. Novamente levantou as mãos e sua aura tornou-se ainda mais dourada.

- KAMUS, POR FAVOR, NÃO FAÇA ISSO ! - o Escorpiniano implorou.

- Ele te machucou, Milo. - disse com uma voz gutural - Confessou que foi o seu primeiro. Já fiz o julgamento. Ele DEVE morrer.

- O QUÊ ? - o sueco perguntou olhando surpreso para o outro – SEU PRIMEIRO ? Vocês... transaram ? - perguntou e logo seus olhos cerraram e adquiriram um tom dourado.

O cosmo de Afrodite subiu rapidamente.

- Você ERA meu melhor amigo, Milo. - disse e atacou-o com fúria.

O grego desviou do golpe e concentrou-se.

- RESTRIÇÃO !

Seu ataque não teve efeito algum no sueco, que o golpeou mais uma vez.

- Dido, nós não transamos, eu juro. – com as mãos tentava bloquear o ataque - KAMUS, PÁRA ! NÃO FOI ELE. PÁRA ! - gritou.

- Você está mentindo, Milo. Apenas não quer que eu o mate. - o francês continuou a concentrar o golpe em suas mãos.

- Eu não acredito, Mi. – Afrodite disse profundamente magoado - POR QUE VOCÊ NUNCA ME CONTOU ? – questionou enfurecido e forçou a bola de energia de suas rosas contra o amigo.

- PORQUE NÃO ACONTECEU ! – empregou uma força ainda maior para conter o Pisciano - NÃO FOI ELE, KAMUS ! PÁRA ! ELE SÓ ME BEIJOU, NÃO TRANSOU COMIGO ! O MEU PRIMEIRO FOI UM ITALIANO, MAS NÃO FOI ELE. – gritou - FOI O MARCELLO DI MONTELLE, O MAFIOSO, O MÁSCARA DA MORTE SÓ ME BEIJOU. SÓ ME BEIJOU !

O Aquariano permaneceu com os braços levantados, mas não proferiu nenhum golpe.

- Milo, diz que é verdade. Diz que você e o Amore não transaram. – o sueco implorou, sem deixar de atacar o outro.

- É verdade, Dido. Eu e o Máscara NUNCA transamos.

O Pisciano desviou a bola de energia que se formara entre os dois para a parede de gelo, despedaçando-a.

O grego correu até o namorado e Afrodite foi ver como o italiano estava.

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O rosto do francês estava lívido e banhado em lágrimas.

- Kâ ? - o Escorpiniano perguntou se aproximando.

- Fiz um mau julgamento. – balbuciou em resposta.

- Está tudo bem, Kâ. – aproximou-se um pouco mais.

- Eu tentei matar um inocente. Fiz um mau julgamento. – repetia baixinho, com os olhos fixos no Canceriano e as lágrimas caindo pelo rosto.

- Kamye, está tudo bem.

- Não. - olhou para o grego - Tentei matar um cavaleiro inocente. Não fui correto em minha avaliação e tenho que ir a julgamento. Devo perder o posto de guardião do templo de Aquário e ser banido do Santuário para sempre.

- Não, Kâ, não diga isso. – seus olhos se entristeceram antes de abraçar o namorado.

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- Como você está ? – o Pisciano questionou friamente, sem aproximar-se demais.

Máscara da Morte permanecia no chão, ofegante e com a armadura praticamente congelada.

- Amore, – olhou para o sueco - me perdoa. – pediu.

Afrodite permanecia impassível.

- Dido, eu te amo tanto. Eu sei que quase nunca te digo essas coisas, mas te amo muito, muito mesmo.

- Me ama ? Humpf ! – desdenhou.

- Amore, perdão. – tentou se levantar, mas não conseguiu, voltando a cair e sentindo muita dor em seus membros congelados. – Perdão. – suplicou novamente.

- Perdão ? Humpf. – indagou sarcástico - Tarde demais para esta palavra. – replicou sem emoção alguma e dando as costas, começou a andar – Adeus. Estou perdendo uma festa por sua causa.

- DIDO, por favor ! - implorou - Se você me abandonar, eu morro.

- Morre ? – questionou debochado – Não. Não morre não. Quantas vezes você não me abandonou sozinho em casa e foi trepar com alguma vagabunda para garantir sua fama de machão ? Se eu não morri e estou aqui, vivinho, por que você morreria ?

- Amore, por favor.

- Sabe Máscara, antes de ir embora, tenho uma dúvida: você foi mesmo o primeiro do Milo ?

O Canceriano ficou mudo.

- RESPONDA ! – disse imperativamente.

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Kamus deixou-se cair de joelhos.

- Me perdoa, Mon Ange. Eu falhei. Não fui capaz de descobrir quem tinha te machucado e tentei matar um inocente. – deu uma pequena pausa - Ele disse que foi o seu primeiro e eu... eu enlouqueci.

- Ele foi o primeiro. – abaixou-se junto do namorado - Foi o primeiro homem a me beijar. Mas não passou disso. Foi só um beijo, Kâ.

- Ele disse que estava bêbado... e achava que tinha sido o seu primeiro... e te machucou. – as lágrimas continuaram a cair.

O grego suspirou e secou as lágrimas do namorado.

- Ele só me beijou. Foi um pouco rude, mas não tentou transar comigo. – deu um beijo no rosto do Aquariano e o abraçou.

- Eu tentei matar um inocente. Se eu tivesse conseguido eu seria um assassino.

- Calma Kâ. Você não é um assassino. Você não o matou.

- Como ele está ?

- Eu não sei. - disse soltando-se do francês e olhando para os outros dois cavaleiros um pouco afastados.

- Eu preciso saber como ele está. - levantou-se.

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- Vamos Máscara. Estou esperando uma resposta. – disse com extrema frieza – Você foi ou não foi o primeiro do Milo ?

- Amore, por favor, não me chama de Máscara. – suplicou.

- RESPONDA ! – ordenou.

O Canceriano ficou com receio. Era fácil perceber que seu relacionamento com Afrodite estava por um fio. Se mentisse, seria muito pior.

- Fui. – disse baixinho - Fui o primeiro homem a beijá-lo. – olhou para o Pisciano - Mas não passou disso. Eu juro !

- Acha mesmo que vou acreditar ?

- É verdade. Juro !

- Quando foi isso ?

Máscara da Morte ficou calado.

- QUANDO FOI ISSO ? – berrou.

- Foi... naquele dia em que encontrei o Milo tomando banho no vestiário. (1)

- É mesmo ? – falou com sarcasmo – Que engraçado. Se me lembro bem, você disse ter encontrado o Milo sozinho no vestiário e que, por estar bêbado, você o confundiu comigo e QUASE o agarrou. – deu uma pequena pausa – Isso não é estranho ? Na sua primeira versão você nem o tocava. Agora você diz que o beijou. Será que se eu te pressionar para contar a história novamente, – começou a andar em volta do outro cavaleiro – você vai confessar que fxxxx com ele ? VAI CONFESSAR QUE TREPOU COM O MEU MELHOR AMIGO ? – indagou furioso.

- Amore, por favor, me perdoa. Eu não tive coragem de te contar. Eu estava bêbado. Fiz uma grande bobagem.

- Você MENTIU para mim. Você me traiu. – o Pisciano replicou, elevando o cosmo.

- Afrodite, não. – o Aquariano interveio – Isso não vale a pena.

- Tem razão, Kamus. – falou controlando o cosmo – Não vale a pena. Quem fez uma grande bobagem fui eu ao me entregar a esta relação ESTÚPIDA. Eu ficava em casa e me anulava enquanto este traste saía à caça de uma piranha qualquer para mostrar que era “o pegador” – suspirou - Eu rejeitei a todos por causa deste aí e agora, ISSO. – observou o Canceriano com desprezo – Ele só me usou. NUNCA gostou de mim.

- Eu sempre te amei, Dido.

- MENTIRA ! Quem ama NÃO TRAI. Quem ama, DIZ que ama. Quem ama, MOSTRA que ama. – deu uma pequena pausa – Acabou.

- O quê ?

- Acabou. Cansei. Cansei de me anular. Cansei de sofrer. Cansei de chorar. Cansei de você. – disse enquanto pegava o celular e digitava alguns números.

- Amore, por favor.

- Alô ? Central de Táxi ? Aqui é o Afrodite. Estou no alto do morro do uivo. Você pode me enviar um táxi ? Destino: Santuário. – deu uma pausa para ouvir – Ok. Obrigado. – desligou. Deu as costas para Máscara da Morte e virou-se para o francês. – Obrigado Kamus. Deveríamos ser amigos há muito mais tempo pois em uma única noite você conseguiu arrancar dois vermes da minha vida: um lixo italiano e um grego desprezível.

- Amore, por favor, não vá embora. Amore.

O Canceriano chamou-o, mas o outro continuava a seguir, afastando-se

- Kamus, por favor, diga a ele que eu o amo. - suplicou.

- Afrodite...

- Não tente. – respondeu ainda de costas para o francês - Qualquer coisa que você diga NÃO vai amenizar a situação. O Milo ainda não era seu namorado. Para você foi só um beijo, para mim uma traição. Uma traição com meu EX-melhor amigo.

- Dido... – Milo aproximou-se.

- NÃO TOQUE EM MIM ! - vociferou - Eu te ODEIO. Você SABIA que eu me interessava pelo Máscara e MESMO ASSIM aceitou o beijo. E agora fica se fazendo de santo para o Kamus. Humpf – desdenhou – O francês é só mais uma vítima sua. Aposto que você nunca quis falar da sua primeira vez porque foi COBERTA de luxúria e ia manchar essa sua falsa pele de cordeiro. – disse agressivamente - Tenho NOJO de você. Você é desprezível.

- Está me chamando de falso ? - questionou com os olhos cerrados – Acha que tive uma primeira vez coberta de luxúria ? Acha que só estou usando o Kamus ?

- Eu te conheço, Milo. – o Pisciano falou se aproximando – Você é venenoso e egoísta. Faria qualquer coisa para alcançar aquilo que chama de felicidade. Até fazer as coisas mais desprezíveis.

- A minha felicidade é estar junto com o Kamus.

- Claro. E foi em nome deste amor que você fez coisas abomináveis. Como as que fez na minha casa, não ? – o sueco desafiou-o.

O grego ficou mudo.

- Que história é essa ? O que você fez ? – o Aquariano perguntou.

- Do que você tem medo ? – Afrodite continuou – O Kamus acabou de mostrar que te ama tanto que até mataria por você. Tem medo dele deixar de te amar se descobrir quem é o verdadeiro Milo ?

- Você não sabe de nada. – o Escorpiniano replicou.

- Não sei ? – o Pisciano indagou sentando-se em uma rocha - Então por que você não conta. Vamos lá. Use mais uma das suas mentiras para convencer o Kamus que você é um anjo de bondade. Ou prefere que eu conte o que sei ?

- CHEGA ! – Milo exasperou-se. Vagarosamente seus olhos dirigiram-se ao namorado. Engoliu seco.

- Qual é a verdade ? – o Aquariano indagou com suavidade.

Teve medo. Medo de perder seu sardentinho francês. Queria apagar todo os seu passado e fazê-los esquecer tudo o que foi dito, mas sabia que isso era impossível.

- Ok. Se você não conta, então eu conto...

- Eu conto. – cortou o sueco e encarou o namorado – Eu... me ofereci para o Afrodite. – revelou.

- O QUÊ ? – o francês perguntou, arregalando os olhos.

- Eu nunca pedi oficialmente para o Dido transar comigo, mas já me ofereci duas vezes.

- Você esqueceu de dizer que se ofereceu para mim FINGINDO que estava bêbado. – o Pisciano completou.

- Mon Ange. – disse em profunda decepção - Você sempre me disse que você e o Afrodite NUNCA tiveram nada.

- E nunca tivemos porque EU sensatamente recusei. – Afrodite pronunciou-se.

- Recusou ? Por quê ? – o Canceriano questionou.

- Porque eu te amava. – olhou para o italiano com desprezo – O Milo podia ser bonito, divertido e meu amigo, mas meu coração batia por você.

- Mon Ange. – falou com tristeza, voltando-se para o grego – Diz que é mentira.

- Desculpa. – pediu.

- Quer que eu conte os detalhes ? – Afrodite ofereceu-se maldosamente.

- Eu conto. - falou decidido - Um dia eu fui até a casa do Dido. Fingi que estava bêbado, tirei toda a roupa e me deitei na cama. Eu queria ser dele, mas ele não me quis. Ele me trancou no quarto e dormiu no quarto de hóspedes.

- Na segunda vez – o sueco interferiu - ele disse que tinha errado de templo porque estava bêbado. Claro que eu achei a história absurda. Ainda mais porque ele não tinha cheiro de bebida.

Kamus estava chocado. Não conseguia acreditar que seu Anjo tivesse ido tão longe.

- Eu sei, Kâ. Eu fui desprezível fingindo que estava bêbado. Fui covarde. Não tive coragem de pedir para que ele fosse o meu primeiro.

- Covarde ? Bela palavra, Milo. – Afrodite manifestou-se - Você é sujo. Preferia se fingir de bêbado e jogar toda a responsabilidade nas minhas costas. Se eu deitasse com você EU seria o cara mau da história. EU teria abusado de você.

- Dido, você não entenderia se eu falasse que gostava de homens.

- Nós éramos amigos. CLARO que eu entenderia. – replicou com os olhos crispados.

- Desculpa a minha falta de coragem. – deu uma pausa - Se a minha primeira vez tivesse sido com você não teria sido traumática.

- Não me faça rir, Milo. Veja a história do beijo no vestiário, por exemplo. Eu sei que o Máscara tem culpa e me traiu, mas APOSTO que você também se ofereceu. Você não presta.

- Dido...

- Se ofereceu ou não ? Vamos. Seja honesto.

Olhou para o namorado, que continuava com os olhos fixos em si.

- Me ofereci. – disse baixando o olhar.

Kamus fechou os olhos e deu um suspiro de decepção.

- Era um sábado. Eu estava tomando banho no vestiário. Saí para pegar a toalha e dei de cara com o italiano. Voltei para o box e segundos depois ele veio atrás de mim. Ele se aproximou, passou a mão pelo meu corpo e me chamou de linda e cheirosa. (2) Apesar de estarmos sozinhos fiquei assustado. Eu não esperava um homem, ainda mais o Máscara da Morte, passando a mão em mim. – explicou - Ele chegou mais perto e me beijou. No começo eu não correspondi. Eu estava tão sem ação que não conseguia fazer nada. Mas... percebi que ele estava bêbado e seria uma boa opção para o meu primeiro. Com tanta fama de machão, duvido que contasse para alguém que tinha transado comigo. Foi nessa hora eu comecei a corresponder.

- Então você estava me usando ? – o Canceriano indignou-se – Se eu NÃO tivesse recobrado a lucidez e te jogado no chão você ia se oferecer para fxxxx comigo ?

- Sim. Se você não tivesse me largado e ido embora eu teria ido até o final. Eu tinha a certeza que você não contaria nada a ninguém.

- Isso é sujo, aracnídeo.

O sueco olhou para o Canceriano e por milésimos de segundos seus olhares se encontraram. O Pisciano virou o rosto.

- Então se não rolou nada, por que você tinha medo do Máscara da Morte ? – o francês questionou em dúvida.

- Tive medo dele contar que eu tinha me oferecido. Eu não estava bêbado. Não tinha como desmentir.

- Milo, - o Aquariano replicou decepcionado - e eu achava que te conhecia.

- Kâ, me perdoa. Eu sei que fique excitado com o beijo do Máscara, mas... eu não o desejava... eu... eu sei que é estranho, mas eu fiz tudo isso por você. Eu queria saber se eu estava preparado para um relacionamento com outro homem. Tudo isso aconteceu antes do nosso primeiro beijo, eu nunca te trairia desta forma. Por favor me perdoa.

- Bela jogada, Milo. – Afrodite comentou sarcástico.

– Quantas facetas negras você ainda esconde de mim ? Que tantas outras mentiras você me contou sobre a sua primeira vez ? – o namorado perguntou-lhe – Ela foi mesmo traumática ou foi apenas uma noite cheia de luxúria ?

- BINGO ! – o Pisciano exclamou – Finalmente o francês abriu os olhos !

O Escorpiniano lançou um olhar de frieza ao sueco e depois voltou-se para o Aquariano.

- Luxuria ? - disse e baixou o olhar por alguns instantes – Na verdade era isso que eu queria.

Ficou alguns segundo quieto antes de continuar.

- A primeira vez que eu tentei perder a virgindade era uma sexta-feira. Eu não sabia ao certo aonde ir e comecei a rodar pela cidade. De repente me vi em uma rua cheia de bares GLS. Dois caras passaram por mim e ouvi a conversa. Um deles disse “Se você quer saber, o Marcelo di Montelle, o mafioso italiano, JAMAIS confessaria que é gay. Ele tem um nome a zelar.” “Ele pode até se fingir de machão, mas você não faz idéia de como ele é QUENTE. Ele sabe mesmo como fazer um homem gemer”. Aquelas informações mexeram comigo. Disfarçadamente segui os dois para ouvir mais e descobri que o mafioso estaria na Grécia em duas semanas. Era perfeito. Um cara que queria o anonimato e ainda era experiente ? Melhor impossível. Anotei mentalmente o nome da casa noturna que ele costumava freqüentar. Era uma casa noturna hétero. Quer melhor ? Gay, experiente e discreto ?

Kamus balançou a cabeça em negativa, discordando das atitudes do outro.

- Duas semanas depois lá estava eu na tal casa noturna. – continuou a narrativa - Ele já estava meio bêbado e cercado de seguranças quando cheguei para me apresentar. Passei um bilhete com uma bobagem qualquer escrita do tipo “Vamos conversar ? Temos amigos em comum”. Ele simplesmente jogou o bilhete no chão e ficou se agarrando com duas loiras peitudas. Mas eu não desisti. Passei a noite de olho nele e na primeira oportunidade, quando ele olhou para mim, passei a mão pelo meu peito e sorri. Ele entendeu que eu estava me oferecendo e pediu para um dos seguranças vir falar comigo. Eu escrevi outro bilhete: “Marcelo, não nos conhecemos pessoalmente. Sei de sua fama e gostaria de entrar no ramo. Como não tenho experiência, preciso de alguém para me ensinar. Se você tiver uma ou duas horas, prometo ser um bom aluno e fazer tudo o que você quiser.”

- Você se ofereceu para um mafioso ? – Afrodite perguntou sem acreditar.

- Ofereci. – deu uma pausa - Quando ele leu o bilhete, pareceu ficar satisfeito, pois tudo dava a entender que eu queria entrar no ramo das drogas, mas ele sabia que não era aquilo que eu queria e me comeu com os olhos antes de enviar um recado, marcando um encontro para o dia seguinte em uma espelunca qualquer.

- Aposto que você estava louco para dar. – o sueco replicou ofensivamente.

- Sim, eu estava. – assentiu e olhou para baixo – Louco mesmo. Louco para aceitar sair com um bêbado psicopata, que só faltou me bater, porque me ofender e me estuprar, isso ele fez. – deu uma pausa – Foi a seco, mas mesmo quando doía, ele não parava. Eu não tinha experiência alguma, mas isso pouco importava. Só queria “comer” e cair fora. Eu me senti um lixo. Desprezível. Fiquei com nojo de mim mesmo. Saí daquele lugar e fui direto para minha casa. Eu estava tão abalado que passei duas semanas trocando poucas palavras com as pessoas, mas quando eu percebi que poderiam desconfiar de algo, comecei a fingir que estava tudo bem.

Milo olhou para Afrodite antes de continuar.

- Era isso que você queria ? Que eu pagasse por beijar seu namorado ? Não se preocupe, Dido. O que aconteceu naquele maldito quarto está GRAVADO na minha carne. – os olhos ficaram marejados – Pode ter certeza que enquanto eu viver, não vou esquecer o terror que passei naquela cama. Às vezes tenho até pesadelos com aquele dia macabro. – secou os olhos com força – Espero que a dor que eu carrego seja suficiente para você.

O Pisciano não respondeu.

- Por que você beijou o Milo ? – o sueco questionou o Canceriano, com os olhos enevoados.

- Nós tínhamos brigado. Eu estava com raiva. Bebi demais e fiquei bêbado. Quando cheguei no Santuário ele estava no vestiário. Eu o agarrei e beijei, mesmo sem ele querer. Eu queria te machucar. Queria provar que você não era NADA para mim, mas eu não consegui. Você dominava tanto minha mente que mesmo querendo te trair, eu não era capaz. Eu o soltei e fui embora. Eu te amava, mas não tinha coragem de dizer.

- Isso é mentira ?

- Não. É a verdade Amore. Depois daquele dia eu nunca mais encostei um dedo nele. – deu uma pausa - Eu posso ser um canalha, mas te amo. Não consigo viver sem você. – os olhos ficaram levemente marejados.

Como o sueco permanecia calado, o grego continuou, voltando-se para o namorado, que também estava mudo.

- Pode me odiar Kamus. Sou sujo e desprezível. – deu uma pausa - Espero que um dia você me perdoe. Posso ser inconseqüente e ter uma visão distorcida da vida, mas pode ter certeza que a única coisa que eu queria com isso tudo, apesar de você desaprovar, era estar pronto por você. Eu te amo tanto que eu não me importo em me machucar, desde que seja para ficarmos juntos.

O Aquariano continuava quieto.

O táxi chegou. Afrodite não conseguia mover-se.

- Dido, você pode me odiar por toda a sua vida e eu nem tenho como te culpar porque EU vou me odiar por toda a vida pelo que eu mesmo me obriguei, mas você não tem motivos para odiá-lo. – apontou o italiano – Também não digo que seja certo o Kamus tentar matar o Máscara por desconfiar que ele foi o meu primeiro e nem o Máscara me beijar à força para te machucar. – deu uma pausa - Talvez estes homens que estão aqui, - apontou para os outros dois - não saibam dizer EU TE AMO, mas se me desprezar e limpar a boca depois do beijo, repudiando o que fez, e tentar matar outra pessoa porque ela machucou quem você gosta não for uma forma distorcida de dizer EU TE AMO, eu nem sei mais o que é.

O cavaleiro de Peixes nem se mexia. O francês foi até o táxi, conversou com o motorista e dispensou-o.

- Você dois me machucaram muito. – o Pisciano falou em profunda tristeza.

- Eu sei. – o grego assumiu – Por isso não tenho o direito de te pedir perdão. Eu traí sua confiança como amigo.

Milo olhou para os outros antes de prosseguir.

- Tudo isso é minha culpa. Eu decidi virar homossexual e acabei envolvendo vocês três em situações complicadas. – aproximou-se do italiano e se ajoelhou à sua frente – Você acabou de ouvir o quanto sou desprezível. Todas as ações do Kamus foram tomadas por minha falta de coragem em contar a verdade sobre minha primeira vez. Lembrar ainda é muito doloroso, mas mesmo assim eu deveria ter falado. – suspirou – Peço que você me entregue ao conselho, ao invés de entregar o Kamus. Ele não tem culpa. Sou o único culpado por esconder as coisas dele. – virou-se, ainda de joelhos, em direção ao sueco – Afrodite, imploro que confirme o meu nome para o conselho. Não deixe o Kamus ser acusado de um crime que é meu. Por favor. – implorou.

- Milo, – o italiano chamou-o – eu jamais poderia fazer isso com você. Foi por sua causa que a sociedade passou a aceitar minha amizade com o Dido. Também foi por sua causa que não enchi o Afrodite de porrada naquele aniversário em que ele me beijou na frente de todo mundo. – sorriu – Graças a você eu vi os olhos da pessoa que mais amo brilharem ao dizer que viraria professor de artes. E também foi você quem ouviu por várias vezes os lamentos do meu Amore e o ajudou a mostrar competência e ser tão aplaudido naquela peça maravilhosa. – deu uma pequena pausa – Me diga, COMO eu poderia fazer algo contra alguém assim ?

- A peça. – o Pisciano falou, aproximando-se um pouco – Fomos classificados. Vamos concorrer ao prêmio UNICEF.

- Que bom, Amore. Eu sabia que você seria reconhecido em breve.

- Não me chame de Amore.

- Dido, você sabe o quanto eu te amo.

- Acho que nem o Milo e nem o Máscara da Morte tem culpa, Afrodite. – Kamus tomou a palavra – Só estamos com este clima horrível, porque EU insisti nesta descoberta tola. Se eu não tivesse sido tão cabeça dura, não estaríamos agora duvidando ou ofendendo um ao outro. – deu uma pausa - Fui EU quem atacou um cavaleiro inocente. EU devo ser mencionado para o conselho, julgado e banido.

- Não Kamus. Ainda que você me odeie, eu te amo e eu JAMAIS deixaria isso acontecer. É o MEU nome que vai para o conselho.

- Milo, eu não te odeio, mas estou muito chateado.

- Me perdoa. – o Escorpiniano ajoelhou-se em frente o namorado – Por favor.

Afrodite balançou a cabeça em negativa e olhou para o celular.

- Dido, Amore, não vá embora. Não me abandone.

- CHEGA !- o sueco gritou, assustando os outros três – Isso já está parecendo novela mexicana ! É tanto chorôrô para cá, chorôrô para lá, “me perdoe”, “me desculpe”, “eu sou o culpado”, “não, sou eu”. ARGH ! Só falta agora nos tratarmos por nomes compostos. (3) Que droga !

- Tudo bem, estou escrevendo minhas memórias e quando eu contar sobre este capítulo eu coloco os nomes compostos. - o grego disse em tom de brincadeira, mas a dor no coração não o deixava sorrir.

- E o quê você já escreveu de mim, aracnídeo ? – o Canceriano tentou levantar-se e fazer cara de mau, mas sua perna congelada doeu. – Ai ! – reclamou.

- Cuidado, Amore. – Afrodite falou preocupado.

Máscara da Morte olhou para o sueco e sorriu na hora. O Pisciano ficou sem-graça. Não queria ter chamado o outro de Amore. Ficaram algum tempo se olhando e no fim acabaram sorrindo um para o outro.

- Acho que já sei o que vou escrever. – o Escorpiniano falou – “Era uma vez dois cavaleiros que se amavam muito. Os dois eram cavaleiros marinhos pois um guardava a casa de Câncer e o outro a de Peixes. Passaram por muitas dificuldades juntos e quase se separaram por um motivo fútil, mas finalmente descobriram que o amor entre eles era maior que qualquer motivo fútil.”

- Tirando o fato que caranguejo vive no mangue e não no mar, – o sueco comentou com um leve sorriso - como a história acaba ? – questionou interessado.

- No mangue ? Humm... eu nunca fui muito bom de biologia – replicou sorrindo – Mas mesmo assim, - ficou sério – mesmo os dois sendo diferentes e um vivendo no mangue e o outro no mar, se eles REALMENTE se amarem, vai terminar com “e foram felizes para sempre”.

- Viva a diversidade. – o Canceriano falou.

O Pisciano olhou para o italiano e sorriu.

- E a nossa história como acaba ? – Kamus perguntou, sem deixar transparecer emoção alguma.

- “E o cavaleiro de Escorpião foi merecidamente executado, mas um dia o cavaleiro de Aquário deixou de odiá-lo e o perdoou” - uma lágrima tentou correr pelo rosto do grego e foi imediatamente seca. – Ao menos espero que ele perdoe. – disse baixinho, sem conseguir evitar os olhos enevoados.

O francês se aproximou e tocou o rosto do namorado carinhosamente.

- Prefiro outro final.

- Qual ? – perguntou quase sem voz.

- “O cavaleiro de Escorpião errou e o cavaleiro de Aquário o perdoou. Como se amavam, viveram felizes para sempre”.

Milo forçou-se a sorrir, mas pareceu mais uma careta.

- Me perdoa. – pediu.

- Acho melhor outro final. – Afrodite aproximou-se dos dois – Que tal “E os quatro cavaleiros pararam de falar tantas coisas amargas naquele lugar, foram até a casa do cavaleiro de Peixes e os dois casais passaram a noite juntos, comendo fondue de queijo e bebendo vinho, para celebrar a amizade e o amor entre eles.”

- Gostei deste final. – o grego beijou suavemente o rosto do Aquariano – Eu te amo. – falou em seu ouvido.

- Estou bravo. – o sueco declarou, fazendo biquinho.

- Por quê ? – Milo perguntou.

- Queria estar com ódio de você e do Amore, mas não consigo. – queixou-se.

O Escorpiniano aproximou-se e abraçou bem forte o amigo.

- Você é bom demais para ter um ódio verdadeiro de alguém.

- Bom demais ? Talvez eu seja BOBO demais.

- Bobo ? É. De vez em quando você é bobo mesmo.

- MI ! – o sueco virou-se para o namorado – Amore, briga com ele. – pediu com voz dengosa – Ele está me chamando de bobo.

- Ô aracnídeo ! Se você chamar o Amore de bobo, vai apanhar.

O grego riu.

- E quem vai bater ? Você ? DUVIDO que consiga andar até aqui !

- Kamus, você não poderia ter congelado APENAS minha armadura ? Tinha que congelar minhas pernas ?

- Eu deveria ter congelado a sua boca. – replicou debochado.

Os quatro riram.

- Agora é sério. Por que a gente não vai até a minha casa e abre um vinho ? – o Pisciano sugeriu e voltou-se para o Aquariano - Lembro que uma vez eu e você combinamos que um dia ficaríamos os quatro juntos na minha casa, tomando vinho e falando bobagens. Então. – Afrodite disse sorrindo – Estamos os quatro, juntos e falando bobagens. Só falta o vinho.

- Pode ser budweiser ? – Máscara da Morte perguntou.

- Arre ! Nem congelado você esquece esta cerveja ? Kamus, da próxima vez, por favor, – o Peixinho pediu – congele a boca.

Os quatro riram mais ainda.

-o-

Depois de aumentarem os cosmos para descongelar o Canceriano, o Pisciano deu-lhe a mão para ajudá-lo a se levantar e ganhou um beijo.

- Quando vocês vão me acusar no conselho ? – o Aquariano questionou preocupado.

- Relaxa, geladinho - o italiano respondeu – Quem é que vai querer contar toda esta lavação de roupa suja no conselho ?

- Já imaginaram os olhares de espanto ? – o grego perguntou – Eu poderia até tirar umas fotos para colocar no livro que estou escrevendo.

- MILO ! – os três exclamaram.

- Calma gente. Foi só brincadeirinha. Brincadeirinha.

-oOo-

Na casa de Peixes...

Os quatro passaram no templo de Aquário e escolheram alguns vinhos para combinar com os queijos comprados no caminho. Afrodite espalhou várias almofadas pelo chão e os quatro se jogaram nelas.

- É sério que você vai publicar este livro, Mi ?

- Claro que vou.

- E qual foi a história mais engraçada até agora ? – o Canceriano questionou, interessado.

Expansivo como ele só, o Escorpiniano acabou contando várias histórias, o que rendeu muitas gargalhadas.

Os quatro avançaram madrugada adentro, jogando conversa fora e rindo bastante.

As mágoas foram perdoadas, esquecidas e o saldo não poderia ser mais positivo: ficaram mais amigos do que nunca.

-oOo-

Domingo pela manhã... Templo de Aquário...

- Kamus ? – o namorado chamou-o, entrando em sua casa.

- Oi, Mon Ange.

- Você já acabou a sua parte ?

- Você está brincando ? Eu tenho muito a escrever neste livro.

- Larga de enrolar, Kâ. Eu falei com o Dido e ele me contou que a parte dele está quase pronta.

- Milo, você não entregou nada comprometedor para ele, não é ?

- Claro que não.

- O que você entregou ?

- Todas as folhas.

- O QUÊ ? Ele vai ler sobre a história da cueca de aviãozinho !

- Xi, Kâ. Esqueci. Desculpa.

- Seu grego miserável. Eu fiquei o tempo todo atento para ver se você não ia falar sobre isso na casa do Dido e você entrega tudo para ele ? – disse e deu uma travesseirada no namorado.

- Ai ! É mentira. Eu só comentei o assunto que deveria ser escrito. Não entreguei nada para ele.

- Ah ! Mentindo de novo para mim, não é ? Vou te ensinar a não ser mentiroso. – puxou o Escorpiniano para cima da cama e começou a fazer cócegas nele.

- KÂ ! HAHAHAHA. PÁRA ! PÁRA, PÁRA, HAHAHAHA!

- Você ainda vai mentir para mim ?

- NÃO, NÃO ! HAHAHAHA. PÁRA ! HAHAHAHA.

- Que droga. – disse parando.

- O que foi ? – perguntou respirando fundo.

- Se eu tivesse feito cócegas em você, aposto que você teria me contado quem era o seu primeiro. Teria me evitado um trabalhão.

- E quem disse que eu ia contar ?

- Ah, é ? – e voltou a fazer cócegas no grego.

- PÁRA HAHAHAHA, PÁRA ! HAHAHAHA.

- E agora, Milo de Escorpião, você vai me contar seu segredos mais profundos ?

- HAHAHAHA. VOU, HAHAHAHA, VOU. EU CONTO, HAHAHAHA. EU CONTO.

- Então conta.

- Hahahaha. Quero brincar de apanhar de ramo de trigo.

- Seu grego depravado. – pulou sobre o namorado, beijando-o e fazendo cócegas.

Tudo tinha voltado ao normal.

-o-

Ainda estavam nos braços um do outro quando o francês se lembrou de um outro assunto.

- Mon Ange ?

- O que é meu sardentinho ? – perguntou carinhosamente.

- Por que o Shura te odeia ?

O Escorpiniano olhou bem para o namorado.

- Sinceramente, não sei.

- Eu li o seu livro. Enquanto vocês estavam dentro da barraca ele disse “só porque estamos dormindo juntos novamente...”. Quando foi que vocês dormiram juntos antes ?

- Quando éramos crianças. Um dia choveu forte e deu muitos raios e trovões. Eu sei que eu era um cavaleiro e não deveria ter medo, mas minha casa perdeu a energia e eu fiquei sozinho e no escuro. Você e o Afrodite estavam fora em treinamento. Eu pensava em sair do meu templo e ir até o Shaka quando o Shura apareceu. Ele estava todo molhado e perguntou se podia esperar a chuva passar um pouco na minha casa. Como eu estava sozinho, concordei. Ele viu que estávamos no escuro, mas sabia onde as velas ficavam. Eu emprestei algumas toalhas para ele, mas infelizmente não tinha roupas do tamanho dele. Usando esta desculpa pedi para ele dormir comigo e ele não recusou.

- Vocês dormiram juntos ?

- Dormimos. Na mesma cama.

- Espera um pouco. Você disse que não tinha roupa do tamanho dele. Ele estava...

- Estava Kâ. Ele estava pelado, mas éramos crianças. Não havia malícia.

- Ele é mais velho que você. Não houve malícia nem da parte dele ?

- A cada trovão durante a noite eu o abraçava ainda mais, mas em nenhum momento ele me repeliu. Mas se houve malícia, eu não percebi. Só sei que no dia seguinte ele se levantou, vestiu novamente a roupa e colocou a mão no meu ombro. Disse para eu não ficar com medo de raios, trovões e escuro porque tudo fazia parte da natureza e eu deveria respeitá-la, mas não temê-la.

- Nossa, ele te disse isso ?

- Disse. E realmente, - sorriu – desde aquele dia eu passei a encarar estas coisas de uma outra forma e nunca mais tive medo de trovão.

- Difícil acreditar que o Shura já se deu bem com você.

- Não acho. Antes dele matar o Aioros, a gente se dava muito melhor.

- Será que é trauma ?

- Não sei, mas hoje tenho uma certeza: ele me odeia.

Depois deste comentário os dois ficaram calados, olhando-se com preocupação. Refletiram sobre o assunto, mas sem ter a menor idéia do que se passava na mente do espanhol para odiar o Escorpiniano tanto assim.

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- FIM DO MÊS DE SETEMBRO -

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Próximo capítulo – Os dourados vão até o bar Far From West comemorar o aniversário de Diana e Milo arma a maior confusão. O grego tem uma conversa com uma amiga sobre um assunto muito delicado.

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Nota da Autora - Explicações

( 1 ) História relembrada por Máscara da Morte em CVA - Ano I - Mês Julho - Semana I - A primeira vez

( 2 ) Máscara da Morte tinha consciência que era o Milo, mas fingia tratá-lo com uma garota para o grego não desconfiar e achar que ele estava completamente bêbado, afinal havia uma fama de machão a ser preservada.

( 3 ) Essa é uma homenagem à minha querida mestra Pipe (a maior !) e à sua fic "A dor de uma traição"

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Nota da Autora - Agradecimentos

Agradeço a todas que escreveram: Anjo Setsuna, Ilía Verseau, Srta Nina, Elfa (não pude responder pois você não deixou e-mail, mas aproveito para agradecer a review), Teffy, Shakinha, Pipe, Gigi (Não pude responder pois você não deixou e-mail, mas muito obrigada por comentar), Patin, Babi-deathmask, Ophiuchus no Shaina; e também aos que estão bravos agora porque “parecia” ser o Máscara, mas não era XD. Obrigada a todos e não me odeiem (se possível) XDD.

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Nota da autora: Contato

Para mandar comentários, críticas, dicas, opiniões, brigar comigo ou me ameaçar por que não era nem o MM e nem o Shura rsrs, podem me contatar no e-mail erika (ponto) patty (arroba) gmail (ponto) com (não tem o BR) ou via review neste site.

Bjinhos a todos.

Bela Patty .

- Set/2006 -


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