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CAPITULO XVIII
- Por quê?
- Nossa mãe! Você adora ser repetitiva né? – Draco perguntou bufando de raiva, enquanto tentava a todo custo me empurrar quarto adentro.
- Só quero entender o porquê ser aqui e não lá embaixo? – Ele revirou os olhos, e encostou-se ao portal da porta dele.
- Krika, aqui teremos mais privacidade. – Me senti uma débil mental, com a maneira que ele falava. – Entendeu agora?
- Não preciso de privacidade Draco, apenas de um servo leal, pois não tenho forças nem para respirar direito.- Falei meio irritada, me escorando a parede do outro lado da porta.
- Serei seu servo leal o tempo que quiser, mais por Deus entre nesse quarto Krika!
Fechei a cara com o berro revoltado dele. Droga! Minha cabeça estava preste a explodir tamanha a dor, e o miserável ainda se achava no direito de berrar feito louco no meu ouvido?
- To começando achar que foi um erro ter vindo pra cá... – murmurei, cansada deslizando pela parede. – Brigamos sem parar... – terminei fechando os olhos por pura dor. Parecia que cada molécula minha doía.
- Prometo me controlar se você cooperar? – concordei com um balançar de cabeça, eu queria muito dormir.
- Perfeito! – ouvi ele exclamar e então com um susto tremendo percebi tarde demais quando os braços dele me envolveram e me tiraram do chão.
Meus braços voaram pro seu pescoço pelo susto e pela expressão dele, minha cara deveria está muito engraçada.
- Não vou te derrubar, prometo. – Senti minhas bochechas arderem, e desviei o olhar do dele. Nossos rostos estavam próximos demais.
- Eu poderia ir andando...
- Acho que não. – Draco cortou minha explicação. – Febre é normal? – Perguntou.
Demorei mais que o normal para responder, pois tinha voltado a encarar as íris pratas, e seu poder hipnotizante tinha varrido todos os pensamentos da minha cabeça.
- Febre?
- Seu corpo está muito quente... – Oh! Deus então era por isso que estava sentindo aqueles arrepios?
- Estou com um pouco de frio. – comentei ainda lhe fitando, e nem senti quando ele delicadamente me pôs em sua cama.
-Vou buscar o termômetro.
Draco saiu por uma porta, que não era a que ele havia passado comigo, e eu me pus a me ajeitar em sua cama macia. Observei o quarto dele e percebi o quanto era diferente do meu. Era todo claro, com leves tons de verde em alguns detalhes, como a parede as minhas costas. Era toda texturizada, linda. Sua cama ficava no centro, com uma escrivaninha que tomava toda uma parede do lado direito, e uma estante no lado esquerdo que devia ter mais livro que a biblioteca da escola. A minha frente, uma TV de plasma, enorme. Colada a parede, ao lado a porta por onde ele havia sumido.
- Desculpe a demora, mais estava vendo onde mamãe havia guardado o termômetro. – Estava tão espantada com o quarto dele que nem tinha notado sua chegada. – Pronta?
Não respondi, apenas puxei o aparelho da mão dele e pus embaixo da minha axila. Enquanto esperávamos o resultado, continuei olhando cada detalhe do quarto, e olhando para o teto despreocupadamente, notei o imenso espelho que cobria quase todo teto. Na mesma hora minhas bochechas incendiaram, e eu desviei o olhar, envergonhada.
Oh! Céus... O infeliz tinha falado a verdade sobre o maldito espelho colado no teto de seu quarto.
Tarado miserável...
- Deixe-me ver. – Escutei ele murmurar, quase enfiando a mão dentro da minha roupa. – Hei! – o louro exclamou quando eu dei um tapa na mão cheia de dedos dele.
Tirei o termômetro da axila, e me pus a olhar o marcador. Inocentemente eu achei que conseguiria identificar aquele risco insignificante e o grau, mais minha cabeça doía tanto, que pedir para enxergar já era um pouco demais.
- Acabou pirracenta? – olhei pra ele com bico e por pouco não lhe joguei o termômetro no olho. – 39º. – respondeu meio aflito, quando conseguiu ler. – Está meio alta né?
Quase ri do seu desespero, mas apenas concordei, Draco não parecia habituado a cuidar de doentes.
- Você não quer tomar um banho pra baixar a febre?
Arregalei os olhos, meio espantada. Banho? Na casa do Malfoy, e no seu banheiro? Com a ajuda dele? Eu acho que não...
- Melhor não. – Draco pareceu estranhar minha resposta aflita, porem ignorou.
- Nesses remédios, tem algum pra febre?
- Sim, o de embalagem vermelha é antitérmico.
- Ok, vou pegar.
Sabe quando você acha que não era pra está ali, porque no fundo no fundo, não tem nada a ver?
Pois é!
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O calor insuportável parecia invadir a sala, me deixando com vontade apenas de dormir, afundar a cara na mesa e quem sabe derreter. Professor Victor falava sobre revoluções da historia, mas nada entrava no meu cérebro quente. Coitado estava aquecido, precisando desesperadamente de refrigeração.
Respirando fundo e contendo a vontade louca de correr pro banheiro e me afogar no chuveiro de roupa e tudo, varri meus olhos pela sala, notando que não era a única a derreter.
Mione prestava atenção no professor, mas se abanava constantemente com um caderno fino. Luna assoprava sem parar seu colo, por entre a blusa, prendendo cada vez o cabelo num coque mais alto. Colin era o mais desesperado, sacudia sua camiseta a tirando do contato com o corpo, sem parar, e com a outra mão se abanava com a capa de seu caderno. Uma visão engraçada.
Contendo a gargalhada que se formou em minha garganta, retornei minha atenção a Victor, que por incrível que possa parecer, era o único não afetado com aquele clima infernal.
Meu celular vibrou no meu bolso, me assustando, mas não o necessário para um escândalo. O tirei do bolso, e vi que continha uma mensagem.
Mensagem de Harry.
"Ainda gosta
de viver
perigosamente?"
Estranhei a mensagem, e virei em direção a porta, onde pude ver Harry me dando tchau. Apontei pro celular, num pedido mudo de explicação, onde a resposta foi apenas um sorriso. O que aquele louco estava pensando em fazer.
Como se estivesse respondendo minha pergunta, Harry bateu na porta da sala, chamando a atenção de todos pra ele. Professor Victor fechou a cara no momento que o enxergou. Ele tinha uma rixa antiga com Harry, por pega-lo colando em uma de suas provas.
- Potter?
- Professor Victor. – ele sorriu ao cumprimentá-lo, bastante cínico por sinal. – O diretor Dumbledore me pediu para chamar a senhorita Weasley, ele precisa falar com ela na diretoria. – nesse momento, Harry piscou me tranqüilizando, deixando claro que não passava de uma das suas.
- E porque ele o mandaria Potter?
- Estava apenas passado perto da Diretoria, quando pediu o favor. Não faço idéia do porque da escolha do diretor. – tive vontade de gargalhar. Como Harry era cara de pau.
- Senhorita Weasley? – Com uma careta, Victor me chamou. – Dumbledore deseja vê-la.
Levantei séria, segurado o riso, que insistia em transbordar, e segui porta fora, sendo acompanhada por Harry, com seu sorriso pra lá de cafajeste.
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Mas tarde naquele mesmo dia...
A caneta batia com força no papel, fazendo o barulho ecoar pela biblioteca. Os alunos que tentavam estudar, já me lançavam olhares raivosos, e a única coisa feita por mim, era aumentar as batidas da caneta. Sabia que estava sendo impertinente, chata, mas não conseguia controlar. A raiva transbordava do meu ser, sem minha vontade, e a única coisa a fazer era descontar em algo, nem que fosse na minha caneta inútil.
- A senhorita está incomodando. – A bibliotecária falou as minhas costas, me dando um tremendo susto.
- Me desculpe. – Murmurei, e a vi saindo, voltando pro seu lugar.
Vários alunos que também se sentiam incomodados por mim, sorriram com o termino da minha criancice, e voltaram ao que estavam fazendo.
Nem descontar a raiva em algo eu podia! Inferno de colégio! Será que se eu pedir transferência, e implorasse pra mamãe, conseguiria estudar na Rússia? Japão? Ou quem sabe no raio que o parta, mas o mais longe daquele colégio?
- Mione?
- Oi Lu. – Luna que tinha aparecido do nada, me fitava meio sem graça da cadeira a minha frente. – Bom... Colin e eu estávamos pensando se você não estaria a fim de ir assistir...
- Eu vi os dois Luna. – Minha afirmação fez Luna engolir o que falava. – Vi Deborah e Rony se agarrando na quadra de basquete.
- Mi?
- Sabe o que foi mais horrível? Ver que Deborah tinha razão, ela jamais foi meu, o que eu achava era a mais pura fantasia.
- Deborah pega muito pesado, ela pode muito bem ter se oferecido. Agarrado ele.
- Mas se ele não quisesse, não teria rolado nada.
- Rony não lembra de nada Hermione.
- Eu sei. Mas machuca da mesma forma. – murmurei baixinho.
- Porque você não conta logo pra ele que vocês dois são...
- Não somos. Antes de Rony se acidentar, terminamos. Não quero que ele pense que sou uma aproveitadora. Não posso tirar vantagem da situação dele Luna. Não é de mim. – Minha amiga me olhava com pena.
- E vai continuar desse jeito? É cruel vê seu sofrimento.
- Não se preocupe Luna, e obrigado por se preocupar, mas tudo que eu posso fazer é esperar.
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Thiago parecia ter recuperado alguns quilos, e até seu rosto estava mais corado. Minhas visitas diárias a ele estavam fazendo bem, pelo o que eu podia perceber. Mas nada de diferente alem de alguns apertos na minha mão havia acontecido. Thiago continuava naquele sono pacífico, anormal, que me deixava a cada visita ainda mais aflita.
Jamais pensei que pudesse ficar tão desesperada para que alguém acordasse. Precisa da sua ajuda mais do que nunca, já que Sirius havia se negado a falar qualquer coisa a respeito do meu outro filho. Por mais que eu tenha ameaçado, ele se mostrou irredutível, dizendo que só falaria algo quando Thiago acordasse.
E se ele não acordasse? Afinal de contas estamos falando de um homem que está naquele estado há 15 anos! Esperar que ele acorde de uma hora pra outra não é pretensão demais? Sirius parece achar que de alguma forma eu vou conseguir traze-lo de volta. Apenas porque Thiago passou a segurar minha mão! Não sou médica, e não posso tirar conclusões precipitadas, mas não acho que tenho esse poder. E mais uma vez volto a perguntar, posso ficar dependendo disso, enquanto meu filho está por aí, Deus sabe onde?
Sirius bem que podia ajudar. Ele está sendo idiota, egoísta, e muito sonhador!
- Ocupada? – Ouvi a voz de Sirius preencher o quarto.
- Claro! Thiago e eu estamos dando uma festa! – comentei irônica.
- Engraçadinha.
- Achei que não o veria hoje?
- Não tenho medo de suas ameaças Lily.
- Ellen.
- Que seja.
Voltei minha atenção para Thiago, que parecia esconder um sorriso no canto de sua boca. O que era bem estranho, levando em consideração sua situação.
- Às vezes acho que ele está sorrindo. – Sirius falou tristonho.
Sorrir, vendo que Sirius também havia percebido aquele detalhe. Ele parecia nos conhecer melhor do que qualquer um. Um amigo incondicional. Meu sorriso morreu, e no lugar dele, foi crescendo uma raiva sem controle.
- Isso não é justo! – Gritei cheia de raiva.
- Quase nada é. – Sirius não pareceu se importar com o meu grito.
- Porque não fala onde está o meu filho? Porque esse mistério todo?
- Não é mistério.
- Sou mãe dele, tenho direito.
- Não sabe o nome dele, nada pode fazer. Tecnicamente está morta. E o que sabe sobre si própria, nada pode ajudá-la.
Meus olhos foram embaçando de tristeza. Sirius tinha razão, eu nada podia fazer para encontrá-lo. Sem um nome, sem um detalhe, seria como encontrar uma agulha no palheiro.
- Está sendo cruel Sirius. Não pode me negar uma coisa dessas.
- Não estou negando Lily, só quero que entenda que pretendo contar sobre o filho de vocês, quando Thiago acordar.
- E se ele não acordar?
- Ele vai acordar.
- Como pode ter tanta certeza? Como... – Meus gritos foram abafados por um murmúrio baixinho, que saía da boca de Thiago.
Me aproximando da cama, pude escutar melhor.
- Lily... Lily...
Arregalei os olhos em espanto. Thiago murmurava meu nome. Murmurava com dificuldade, mas murmurava. Olhei para Sirius espantada, e como resposta ele apenas sorriu dizendo:
- Tenha fé Lily. Tenha fé.
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De noite, naquele mesmo dia...
Abri os olhos, sonolenta e sentei de supetão na cama, pra na mesma hora cair de costa, sentindo a cabeça rodar sem parar.
- Ai. – gemi sem conseguir segurar.
- Você acordou! – ouvi a voz de Draco ecoando no meu ouvido.
Não respondi, apenas estiquei o braço pra trás da minha cabeça, pegando o travesseiro e levando a frente do meu rosto. Queria voltar a dormir...
- Ta se sentindo melhor?
- Defina melhor. – murmurei com a voz abafada pelo travesseiro.
- Sem febre, sem espirros, sem dores!
- Não sinto febre, não quero espirrar.
- E enquanto as dores? – sua voz parecia preocupada.
- Minha cabeça dói.
- Onde tem remédio de dor de cabeça aqui?
- Não tem.
- Como assim não tem?
- Não tem, do verbo "acabou", entendeu?
O travesseiro que estava no meu rosto, fora arrancando dos meus braços, me fazendo dar de cara com Draco bastante aflito.
- O que eu faço?
Senti vontade de ri do desespero dele. Tadinho, percebia que sua experiência em cuidar de doentes era completamente zero.
- Eu não sei, mas acho melhor se preparar, acho que vou morrer. – comentei séria, me segurando pra não rir.
- Vou chamar um médico.
- Draco não precisa, eu estava brincando.
- Mas se sua cabeça estiver doendo muito, é melhor um profissional te examinar.
- Minha cabeça doe porque a sinusite tem esse sintoma mesmo. Fica tranqüilo.
- Como posso ficar tranqüilo com você sentindo dor Krika?
- Deixa de chiliques Malfoy.
- Não é chiliques Krika, estou apenas preocupado.
- Daqui a pouco passa.
Ele pareceu aceitar, respirando fundo e bagunçando os cabelos, numa passada de mão. Estava tão bonito, despojado, sentando na cama, ao meu lado. E mesmo não sabendo nada, se desesperando por qualquer motivo, meu coração se aquecia por está sendo cuidada por ele.
- Sua mãe me ligou. – minha realidade voltou com rapidez, e mais uma vez sentei na cama de supetão. Como eu pude esquecer da minha mãe?
- Tenho que ir pra casa. – falei nervosa, enquanto levava as mãos à cabeça.
- Fica calma, já conversei com ela, e disse que você vai passar a noite aqui.
- O que? – Meu choque não poderia ser maior.
- Falei com ela que é melhor dormir aqui.
As palavras "dormir aqui" pareceram sair de seus lábios em câmera lenta, e meu coração só fazia aumentar as batidas conforme eu entendia o real significado daquelas palavras.
- De jeito nenhum. – gritei nervosa, enquanto levantava da cama e tentava a todo custo me orientar pelo quarto, mas tudo rodava.
- Krika pelo amor de Deus! Já percebeu como você está? – Draco também levantou.
- Estou ótima, restabelecida e pronta pra o que der e vier. – E com minha resposta Draco gargalhou.
- É mesmo senhorita estabelecida? Então porque você está andando em círculos parecendo que bebeu todas?
Parei de praxe, encarando Draco com uma cara de poucos amigos. Eu não contava ficar cambaleando feito uma pé de cana! Porque tudo parecia conspirar contra minha pessoa?
- Não estou parecendo que bebi todas!
- Ah não? Então tenta fazer um quatro com as pernas. – arregalei os olhos assombrada. Eu não estava conseguindo ficar nem com as duas pernas no chão, imagina uma só?
- Não tenho que te provar nada.
- Pra sair da minha casa sim. – Mas que audácia!
- Sou alguma prisioneira por acaso?
- Se quer vê por esse ângulo tudo bem, mas não vou deixá-la sair parecendo uma pinguça, só porque está fazendo birra.
Abri a boca, mas nada saiu, e por alguns segundos, me senti completamente idiota com a falta de argumento.
- Porque não volta pra cama quietinha e tenta ficar calminha?
- Não quero voltar pra cama. – respondi irada.
- Se fizer muito esforço, sua febre pode acabar voltando.
Ele tinha razão, mas algo estava perturbando minha cabeça, além da dor. Onde aquele projeto de louro iria dormir?
- Se eu vou dormir na sua cama, onde você vai dormir?
Draco sorriu da forma mais canalha possível, fazendo um calafrio subir pela minha espinha.
- Ao seu lado é claro!
- Você ta brincando!
- Porque eu brincaria? – Engoli em seco, e só não sai correndo porque minhas pernas não estavam ajudando.
- Mas você não pode!
- É claro que posso, a cama é minha.
Tive vontade de gritar de raiva na cara dele, mas engoli a vontade e sorri de forma afetada.
- Então eu saio, posso dormir em qualquer lugar, pode ficar com sua cama.
- Eu faço questão que durma na minha cama.
- Olha Draco isso não vai nos levar a lugar algum. Então é melhor eu dormir no quarto de hospede e você dorme no conforto do seu quarto. Quando aceitei vim pra cá, não pretendia dar trabalho.
- Mentira.
- O que?
- Estou dizendo que está mentindo.
- Como você ousa?
- Lembro perfeitamente quando você alegou que seria uma enferma muito chata. Em outras palavras, que daria muito trabalho. – Definitivamente ele não podia está falando sério.
- Você... Você... Você é um...
- Homem sincero?
- Um cafajeste!
E sem aviso algum a tonteira que eu estava sentindo há um bom tempo ficou mais forte e acabei me desequilibrando, com o corpo mole indo ao chão. Mas não cheguei a tocá-lo, já que Draco me enlaçou pela cintura, me colando ao seu corpo quente.
- Existe criatura mais teimosa que você?
Meu rosto esquentou de vergonha. O calor da sua boca batia no meu rosto.
- Do que você tem medo Krika?
- De nada. – minha resposta saiu num mero sussurro.
- Então porque foge de mim, como se eu fosse um leproso?
Engoli em seco e não respondi, sentindo tamanha vergonha pela minha criancice. Só consegui encara-lo, sem graça.
- Você não faz a mínima idéia do que faz comigo não é?
Meu corpo arrepiou inteiro com aquela declaração.
- Não faz idéia de como eu me seguro?
Minha respiração começou a ficar pesada, difícil.
- Não percebe o meu sofrimento por não poder tocá-la a cada segundo?
Eu estava estática. Não conseguia falar, não conseguia respirar. Droga nem minhas pernas cooperavam. Tremiam feito gelatinas.
- Tem noção do quanto estou me segurando pra não beija-la agora mesmo?
Minha boca abriu de surpresa.
- Olhe nos meus olhos e diga que não sente nada? Diga que não sente nada quando estamos assim próximos?
Um calor insuportável foi invadindo o meu corpo.
- Diga? Diga que não deseja um beijo meu?
"Senhor o que eu faço?"
- Eu estou me segurando Krika, mas te falo sinceramente, está sendo difícil.
Mesmo sabendo o que fazer, eu tremia de nervoso.
- Chris...
Seu sussurro, em suplica foi demais, e juntando toda coragem que existia no meu ser, me ergui nas pontas dos pés, enlacei seu pescoço com meus braços e o beijei, mas entregue, apaixonada, do que possa imaginar.
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A noite estava agradável, o calor insuportável desaparecera, deixando um frescor gostoso, convidativo.
A praça das Orquídeas, perto da minha casa, estava repleta de casais apaixonados, velhinhos jogando baralho, senhoras conversando em bancos espalhados pelo praça, porem a atmosfera alegre do ambiente não me contagiava, e a única coisa que conseguia pensar, era em Rony agarrado a Deborah, naquela quadra de basquete. Não consegui ficar muito tempo pra vê mais que três segundos, machucava demais vê-lo com outra. Rony depois do acidente tinha se transformado em outra pessoa.
- Perdida? – Krum sorria a minha frente.
- Depende do que você pergunta? – respondi triste.
- Ainda pensando no idiota ruivo? – a pergunta me irritou.
- Não é da sua conta.
- Vou aceitar como um sim. – bufei indignada.
Levantei do banco da praça onde estava e voltei a caminhar, com Krum ao meu encalço.
- Não tem mais nada legal pra fazer do que ficar me rodeando feito um urubu?
- Adoro quando você é carinhosa Hermione.
- Krum, por favor!
- Hei, eu só quero ajudar. Ficar com essa cara de enterro não vai ajudá-la em nada.
- E o que você acha que pode fazer?
- Eu ainda não acredito que vou dizer isso, mas, porque você não luta por ele? Corre atrás do que quer. Hermione nem tudo cai de mão beijada no nosso colo.
- Você está doente?
Krum gargalhou em resposta, mas ela não chegou aos olhos. Era um sorriso triste.
- Só estou dizendo que se você não quer perde-lo, deve lutar. O amor é um campo de batalha. Não se deixe ser bombardeada e morta no meio da guerra sem nem ao menos lutar.
E com essas palavras Krum saiu, me deixando pensando em tudo que falou.
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O porquê de está ali eu não sabia, havia deixado apenas meus pés me guiarem. O lugar era o mesmo que Harry havia me mostrado para que minhas memórias voltassem, o que não tinha dado muito certo. O fato era que agora estava ali, sem nem ao menos saber.
- Sabia que eu sempre soube a localização do QG de vocês? – a voz de Luna me assustou, fazendo quicar no mesmo lugar.
- O que faz aqui?
- Desculpe não queria assustar, apenas vi quando você passou e o segui.
Não falei nada, e voltei a encarar a casa, que pra mim deveria ser familiar.
- Porque não entramos? Sempre tive curiosidade de ver como é lá dentro.
Entrei sem nem ao menos chamá-la, e notei que me seguia. Assim que passamos da porta, vi o espanto de Luna, ao olhar o lugar.
- Nossa! Aqui é incrível!
Tinha que concordar, mesmo não falando nada. A casa dos gritos, como era conhecida, parecia um pequeno castelo abandonado, com colunas, e historias em cada parede que a sustentava. Mas, por mais que eu forçasse minha mente, nada parecia familiar. Era frustrante. Bati com o punho na parede irritado.
- Viu Hermione hoje? – a pergunta feita do nada, me arrepiou. Luna estava do outro lado do cômodo, prestando atenção nos detalhes da lareira.
- Vi.
- Então percebeu que está sendo idiota?
A encarei nervoso, não entendendo sua pergunta.
- O que disse?
- Perguntei se você, Rony Weasley já percebeu que está sendo idiota?
- Luna não estou com cabeça para enigmas.
- Não é enigmas meu amigo, apenas uma pergunta simples.
- Porque acha que estou sendo idiota?
- Quer realmente que eu liste?
- Luna! – Gritei sem paciência.
- Ok! Vamos lá. Primeiro: estou de saco cheio de você tratar minha amiga feito lixo? Segundo: porque você anda se agarrando com tudo que se mexe, magoando minha amiga? Terceiro: Você pode enganar todo mundo Ronald, menos a mim.
- Do que está falando?
- Falo desse seu descaso falso. Sei que mente quando diz que não está nem ai pra sua amnésia. Sei que está fugindo de tudo, porque odeia que tenham pena de você. Sei que está com raiva da Mione, por ela não ter te dado uma chance.
Fiquei sem palavras, e apenas baixei a cabeça, encostando a parede e deslizando lentamente por ela até o chão.
- Não sei o que fazer, estou tão perdido Luna, ta tudo de cabeça pra baixo, confuso.
Senti quando ela sentou ao meu lado.
- Você pode começar mudando.
- Acha que pode dar certo?
- Bom pensa por esse lado, você vai ser menos idiota, e isso é vantajoso pra todos.
Ri achando graça do seu conselho, ao mesmo tempo senti meus olhos enchendo d'água.
- Quero tudo de volta Luna. Quero o que foi roubado de mim. – As lágrimas desceram pelo meu rosto.
- Você terá Ronald, apenas tenha paciência. E prometa pra mim que não machucará mais a minha amiga?
- Prometo Luna.
- Certo.
Ficamos ali em silencio, as lágrimas descendo sem permissão, sem fim, mas não estava com vergonha. Luna tinha me deixado a vontade, e tinha feito bem pra mim aquela conversa.
- Luna?
- Hum?
- Obrigado.
- De nada Ronald.
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Três dias depois...
Mas uma vez estávamos reunidos comendo nossos lanches, no intervalo das aulas. E o que era estranho? Ronald Weasley, que parecia ter mudado da água pro vinho do nada.
Estava mais calmo, silencioso, e pra completar a esquisitice, tinha dado foras em suas mais novas conquistas, ficando livre feito passarinho. Ninguém parecia ter notado, ou pelo menos fingiam.
Não que eu não estivesse gostando, pois quando soube que tinha terminado com Lilá e Deborah, a vontade foi de correr por todo colégio gritando e rindo. Exigiu de mim um controle absurdo pra não fazê-lo, é claro! Mas ninguém muda do nada!
Será que ele tinha recuperado a memória?
Claro que não. Se isso tivesse acontecido, Gina teria me contado.
Mas se ele tivesse recuperado e tivesse mantendo em segredo?
Loucura. Não há motivos pra isso.
- Mione? – Luna me chamou.
- Hum?
- Você molhou sua batata frita no seu refrigerante ao invés do molho!
Olhei pra minha mão, onde eu sustentava um punhado de batata frita, moles por conta do refrigerante. Com nojo e com vergonha, larguei o punhado em um guardanapo, e tentei agir como se nada anormal tivesse acontecido, o que foi difícil, quando percebi os faróis azuis de Ron em minha direção me observando, quieto.
- Está tudo bem Mione?
- Claro. – menti, tentando evitar os olhos de Ron.
- Você parece aérea.
- Impressão sua Luna. – E como castigo, por ter mentido, meu refrigerante que eu tentava pegar, virou deixando a mesa uma nojeira completa.
- É melhor parar de mentir Mione, antes que a comida esquisita do Draco voe nas nossas cabeças.
- Hei! Isso não é comida esquisita, é um sanduiche natural. – Draco protestou. E todos da mesa riram.
- Luna porque não se engasga com seu hambúrguer? – murmurei envergonhada.
Luna gargalhou e voltou a comer, e eu me afundei na minha cadeira, sentindo o rosto quente, e os olhos de Ron ainda sobre mim.
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Harry comia a torta de maçã feita por mamãe, como se fosse um esfomeado. Desde o dia que eu havia comentado com ela que Harry vinha se alimentando de fast food, mamãe me fazia levar potes e mais potes de tudo tipo de comida para ele.
E torta de maçã era sua favorita.
- Não coma a embalagem amor, tenho que devolver a mamãe.
- Muito engraçado Gina.
- Do jeito que está comendo, se eu for louca pra colocar a mão aí, você come meus dedos.
- Estou com fome.
- Jura? Meu Deus, não tinha percebido, obrigado por me alertar.
- Tem noção do tempo que eu não como essa torta de maçã?
- Do jeito que você está comendo, uns quinhentos anos no mínimo.
- Quer um pedacinho?
- Vou morrer se eu aceitar? – Harry gargalhou.
- Não sua boba, apenas me dará o prazer de dar na sua boquinha.
Sorri, e abri a boca esperando o pedaço.
- Ah! Meu Deus! Porque vocês não arrumam um lugar pra fazer isso, eu estou comendo sabia? – Draco brincou, fazendo todos da mesa rir, até Mione que parecia sem graça.
- Não fique com ciúmes Draquinho, vem aqui que eu te dou na boquinha também.
- Ai Harryzinho, pensei que você não fosse me dar.
E nesse clima descontraído, a nossa mesa se desmanchou em gargalhadas com as palhaçadas de Harry e Draco.
Continua...
N/a: Desculpem a demore, estou passando por uma fase horrível, que não está me permitindo escrever nada. Odeio bloqueios.
Espero que no futuro, tenham mais paciência comigo, pois agora pretendo me dedicar, e tentar dar um jeito no bloqueio que infelizmente não quis ir embora de forma natural, ou seja, esperando passar.
Outra novidade é que estou grávida, pra quem não sabe ainda, de exatamente 18 semanas... Estou feliz, mega hiper very very happy! *.*
Mas apesar de tudo minha gravidez está me consumindo muito, cansaço, sono excessivo e muitas dores nas costas. Isso faz qualquer ser humano ficar indisposto pra fazer qualquer coisa.
Por isso não queiram me matar pela demora dos capítulos, certo? A próxima que irei postar será o Conde e CTTM.
Bjs pra todos...
Obrigado pelo carinho e compreensão...
Ara Potter
Obs: Não está betada!